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Herpes B

Macacine alphaherpesvirus 1 (vírus B, antigo Cercopithecine herpesvirus 1) — alfa-herpesvírus de DNA, família Orthoherpesviridae

Zoonose rara, mas com letalidade historicamente próxima de 80% sem tratamento, adquirida por mordedura, arranhão, agulha ou respingo de material de macacos do gênero Macaca. O desfecho depende de três atos: lavar a exposição por 15 minutos, indicar profilaxia pós-exposição pelo risco e tratar a doença com antiviral IV antes que o tronco encefálico seja atingido.

Alfa-herpesvírusMacacos do gênero MacacaEncefalomieliteLavar 15 min + PEP
14–17 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Alfa-herpesvírus endêmico em macacos do gênero Macaca, que em geral têm infecção leve ou assintomática.
  2. No humano, causa encefalomielite ascendente; sem tratamento, a letalidade estimada é de ≈80%.
  3. Rara: cerca de 50 infecções humanas documentadas desde 1932, 21 mortes (CDC).
  4. Prevenção = proteção na exposição, limpeza imediata por 15 min e PEP antiviral nos casos de risco.

O que é herpes B

Herpes B é a infecção humana pelo vírus B (Macacine alphaherpesvirus 1), um parente próximo do herpes simples que circula naturalmente entre macacos asiáticos e norte-africanos do gênero Macaca. Nesses animais ele se comporta como o HSV no humano: infecção primária branda, latência nos gânglios sensitivos e reativações com eliminação de vírus pela saliva e por secreções oculares e genitais, com ou sem lesões.

No humano, hospedeiro acidental, o mesmo vírus é devastador: sobe pelos nervos periféricos até a medula e o tronco encefálico e produz uma encefalomielite de alta letalidade. A doença é rara, mas a gravidade justifica um protocolo próprio para toda exposição.

Toda mordedura, arranhão, picada por agulha ou respingo em mucosa envolvendo macaco do gênero Macaca deve ser tratada como possível exposição ao vírus B: lavar por 15 minutos, classificar o risco e decidir a PEP em horas.

O agente

Por ser um alfa-herpesvírus, o vírus B compartilha a biologia do HSV — inclusive a timidina quinase viral que ativa o aciclovir —, mas é bem menos sensível aos antivirais: as concentrações inibitórias são cerca de 8 a 14 vezes maiores que as do HSV. É isso que explica as doses mais altas de aciclovir e a preferência pelo ganciclovir na doença neurológica.

Agente etiológico

Macacine alphaherpesvirus 1

Vírus envelopado de DNA de dupla fita, subfamília Alphaherpesvirinae, gênero Simplexvirus.

  • Nomes antigos: Cercopithecine herpesvirus 1, Herpesvirus simiae, "monkey B virus".
  • Agente de nível de biossegurança elevado: culturas só em laboratório de referência (NB-3 para amostras; NB-4 para estoques concentrados).
  • Reação sorológica cruzada com HSV-1 e HSV-2.

Fisiopatologia: a subida pelo nervo

O vírus se replica no local da inoculação e alcança as terminações nervosas, sendo transportado de forma retrógrada pelo axônio até a medula e o tronco encefálico. Por isso o local da exposição importa: lesões em cabeça, pescoço ou tronco encurtam o trajeto até o SNC e podem não dar sinais periféricos antes do quadro neurológico — razão para classificá-las sempre como alto risco.

Fisiopatologia

Da mordida ao tronco encefálico

Replicação local → transporte axonal → medula → encefalomielite de tronco, que pode evoluir para encefalomielite difusa.

  1. Inoculação

    Saliva, secreção ocular/genital, tecido nervoso ou cultura celular de macaco entram por pele lesada ou mucosa.

  2. Replicação local

    Vesículas, dor, prurido ou dormência no local; linfadenopatia proximal em alguns casos.

  3. Nervo periférico

    Parestesias e fraqueza que sobem pelo membro, em geral nas primeiras 3 semanas.

  4. SNC

    Encefalomielite de tronco: diplopia, disfagia, ataxia, paralisias de nervos cranianos, paralisia ascendente, insuficiência respiratória e coma.

Incubação e números-chave

A diretriz de 2002 descreve incubação de 2 dias a 5 semanas, com a maioria dos casos bem documentados entre 5 e 21 dias; o CDC resume que os sintomas costumam surgir em até 1 mês, raramente bem mais tarde. Esse intervalo define o período de vigilância ativa após a exposição.

5–21 diasMaioria dos casos (faixa 2 dias–5 semanas)
≈50Infecções humanas documentadas desde 1932
21Óbitos entre elas (CDC)
≈80%Letalidade estimada sem tratamento

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O essencial de transmissão e risco

  1. Só macacos do gênero Macaca transmitem; outros primatas não, salvo contato com macacos.
  2. Vias: mordedura, arranhão, agulha/objeto contaminado e respingo em mucosa (inclusive ocular).
  3. Fontes infectantes: saliva, secreções oculares e genitais, tecido nervoso, LCR e culturas de rim de macaco.
  4. Transmissão pessoa a pessoa: um único caso documentado.

Como ocorre a transmissão

Praticamente todos os macacos adultos de cativeiro são soropositivos e qualquer um pode estar eliminando vírus num dado dia, mesmo sem lesões visíveis. Por isso a regra é tratar todo macaco como potencialmente infectante, sem depender de sorologia do animal.

As vias documentadas incluem mordeduras (as mais comuns), arranhões, arranhões em gaiolas, agulhas, cortes com frascos de cultura, contato com crânio limpo e respingo ocular — este último causou um óbito em 1998 e mudou as recomendações de proteção facial. Sangue periférico de macaco saudável é fonte de risco bem menor.

Ciclo de transmissão

Macaco com latência → reativação → secreções → humano

O vírus permanece latente nos gânglios sensitivos do macaco por toda a vida e reativa sob estresse, reprodução, doença ou imunossupressão.

O único caso de transmissão pessoa a pessoa ocorreu numa mulher que aplicou creme nas vesículas do marido infectado e na própria pele com dermatite. Pacientes podem eliminar vírus durante o tratamento: precauções-padrão com fluidos e lesões.

Reservatório e cenários de exposição

O reservatório são macacos asiáticos e norte-africanos do gênero Macaca; o vírus não existe na fauna nativa brasileira e não há caso humano registrado no Brasil. O risco no país é concentrado em quem lida com macacos importados ou de colônias de pesquisa e zoológicos, e no viajante que interage com macacos de vida livre na Ásia.

Reservatório

Macacos do gênero Macaca

Rhesus, cinomolgo, macaco-de-cauda-de-porco e outros; infecção leve ou assintomática.

Exposição ocupacional

Biotérios e centros de primatas

Tratadores, veterinários, pesquisadores e quem manipula tecidos, culturas ou gaiolas.

Viajantes

Templos e parques com macacos

Mordidas frequentes na Índia, Indonésia, Tailândia e Gibraltar, sobretudo ao alimentar os animais.

O que aumenta o risco

A diretriz organiza o risco em quatro perguntas: qual a fonte, quão rápida e adequada foi a limpeza, que tipo de lesão e em que local, e se houve contato com material ou objeto contaminado. Cada resposta desloca o caso para PEP recomendada, considerada ou não recomendada (ver a ferramenta na aba Tratamento).

  • Fonte de alto risco: macaco doente, imunossuprimido, estressado, em reprodução, recém-chegado em quarentena ou com lesões compatíveis.
  • Limpeza tardia ou inadequada: não iniciada em até 5 minutos ou que não durou 15 minutos completos.
  • Local: cabeça, pescoço e tronco (trajeto curto até o SNC).
  • Profundidade: mordidas com punção profunda são difíceis de limpar.
  • Material: agulhas com tecido nervoso, pálpebra ou mucosa; objetos com fluido de lesões; culturas de células de macaco.

Epidemiologia e Saúde Única

Centenas de mordidas e arranhões ocorrem por ano entre trabalhadores com primatas nos EUA, mas a infecção humana é rara e a soroconversão assintomática nunca foi documentada. Os casos se concentraram na América do Norte; nos últimos anos foram confirmados casos fatais na China (o primeiro em 2021, num veterinário que dissecou macacos), no Japão (2019) e em Hong Kong (2024, após mordida de macaco de vida livre num parque).

Inquéritos recentes mostram soroprevalência alta em macacos de vida livre que convivem com turistas, o que coloca o viajante no mapa de risco.

Saúde Única

Prevenção efetiva = manejo seguro de primatas + EPI facial + kits de primeiros socorros no local + serviço de saúde ocupacional treinado + orientação a viajantes para não alimentar nem tocar macacos.

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O essencial de quadro clínico

  1. Três formas de início: sintomas no local que progridem, sintomas neurológicos diretos, ou quadro gripal seguido de encefalite súbita.
  2. Pistas no local: vesículas, dor, prurido, dormência, linfangite e linfadenopatia proximal.
  3. Parestesias ascendentes no membro exposto antecedem o SNC.
  4. Fase tardia: encefalomielite de tronco, paralisia ascendente, insuficiência respiratória e coma.

Apresentação clínica

Alguns pacientes mostram uma sequência que começa no local da exposição; outros abrem o quadro já com sintomas do sistema nervoso periférico ou central; e um terceiro grupo tem só febre, calafrios e mialgia, sem achado focal, seguidos de início abrupto de sintomas neurológicos.

Muitos casos fatais vieram de exposições consideradas triviais ou não lembradas. Por isso, em quem trabalha com macacos, febre prolongada ou quadro gripal sem causa deve ser comunicado ao serviço de saúde ocupacional.

Qualquer sinal ou sintoma compatível após exposição a macaco = antiviral IV imediato, sem esperar confirmação laboratorial.

Evolução típica

Pensar em estágios mostra onde ainda há tempo. O tratamento precoce, inclusive com sinais iniciais de SNC, provavelmente explica a melhora de sobrevida nas últimas décadas; já na encefalomielite avançada o antiviral em geral não funciona.

  1. Local — dias após a exposição

    Vesículas ou úlcera, dor, prurido, parestesia no local; linfadenite e linfangite.

  2. Sistêmica

    Febre, mialgia, fadiga, cefaleia; náuseas, vômitos, dor abdominal, soluços; conjuntivite e sinusite descritas.

  3. Sistema nervoso periférico — até ≈3 semanas

    Parestesias e fraqueza que avançam proximalmente no membro afetado.

  4. SNC

    Meningismo, cefaleia persistente, confusão, diplopia, disfagia, disartria, tontura, ataxia, hiperestesia, paralisias de nervos cranianos.

  5. Tardia

    Convulsões, hemiparesia, paralisia flácida ascendente, insuficiência respiratória (em geral 1–3 semanas após o início dos sintomas) e coma.

Achados característicos

Nenhum achado é exclusivo, mas a combinação de lesão vesicular no local de uma mordida de macaco com sintomas que sobem pelo membro é muito sugestiva. Na imagem, o padrão é de encefalite de tronco, diferente da encefalite temporal focal do HSV.

Achado característico

Vesículas no local

Lesões herpéticas ou úlcera onde houve mordida ou arranhão.

Achado característico

Linfangite e linfadenite

Estria eritematosa e linfonodo proximal ao local.

Achado característico

Encefalomielite de tronco

RM com lesões em ponte, bulbo ou medula cervical; TC costuma ser normal.

Sinal de gravidade

Paralisia ascendente

Paralisia flácida que sobe e leva à insuficiência respiratória.

Complicações e prognóstico

A maioria dos pacientes com complicações do SNC morre mesmo com antiviral, e sobreviventes frequentemente ficam com sequelas neurológicas. A possibilidade de reativação latente — sugerida em pelo menos um caso — é o motivo da terapia oral prolongada depois da fase aguda.

  • Insuficiência respiratória por paralisia ascendente e acometimento de tronco.
  • Coma e convulsões na encefalomielite difusa.
  • Sequelas neurológicas permanentes nos sobreviventes.
  • Acometimento de pulmão e fígado descrito.
  • Reativação meses ou anos depois (risco teórico, base da supressão oral).

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O essencial de diagnóstico

  1. Exposição + quadro compatível bastam para tratar; o laboratório confirma depois.
  2. PCR e cultura de lesões, conjuntiva, orofaringe e LCR, só em laboratório de referência.
  3. Sorologia pareada (basal e 3–6 semanas; 3 meses se houve PEP) com Western blot ou ELISA de competição.
  4. Investigação neurológica: punção lombar e RM; EEG ajuda a separar do HSV.

O raciocínio diagnóstico

Na prática, o diagnóstico tem dois momentos. No exposto assintomático, o laboratório quase não muda a conduta: a PEP é decidida pela classificação do risco, e cultura de ferida após limpeza costuma ser negativa. No sintomático, o objetivo é documentar a infecção e acompanhar a eliminação viral — mas o antiviral IV começa antes.

Como o vírus é agente de alta biossegurança, combine a coleta com a vigilância e o laboratório de referência antes de colher; no Brasil, acione o CIEVS/vigilância estadual para definir o fluxo de envio.

Não espere o exame para agir

Exposição a macaco + qualquer sintoma compatível = antiviral IV. Resultado laboratorial não condiciona o início.

Como interpretar

Achar vírus no local da exposição não prova infecção — mas prova que a exposição foi de alto risco e indica PEP. Já vírus em local distante (conjuntiva após mordida na mão) ou no local com sintomas compatíveis deve ser considerado infecção.

Indica infecção

  • PCR/cultura positiva em local distante da exposição.
  • PCR/cultura positiva no local + sintomas compatíveis.
  • Vírus ou DNA viral no LCR.
  • Soroconversão ou aumento ≥4× do título em amostras pareadas, confirmado por Western blot/ELISA de competição.

Não confirma doença

  • Cultura da ferida positiva após limpeza (indica PEP, não doença).
  • Sorologia positiva sem teste confirmatório (cruza com HSV).
  • Sorologia negativa em quem usou PEP (antiviral pode atrasar a soroconversão).

Exames e amostras

Não colha cultura da ferida antes de lavar: isso atrasa a limpeza e pode empurrar vírus para dentro da lesão. O soro basal, guardado congelado, é o que permite interpretar a sorologia posterior.

ExameQuandoPonto de interpretação
Soro basalNo dia da exposição (ou admissional, em trabalhadores).Congelar a ≤−20 °C; testar em paralelo com a amostra tardia.
Sorologia de seguimento3–6 semanas após a exposição ou no início dos sintomas; 3 meses se houve PEP.Soroconversão ou ↑ ≥4× sugere infecção aguda; confirmar com Western blot.
Cultura/PCR da feridaSó após a limpeza; uso restrito.Positiva = exposição de alto risco → PEP, mesmo após 5 dias.
Cultura/PCR de lesões, conjuntiva e orofaringeEm todo sintomático; repetir para decidir a suspensão do IV.Documenta infecção e eliminação viral.
LCREm todo sintomático (se seguro).PCR, cultura e sorologia; celularidade e bioquímica de meningoencefalite viral.
RM de encéfalo e medulaSintomas neurológicos.Lesões de tronco/medula; TC frequentemente normal.
EEG e potenciais evocadosConsiderar.Separar HSV (temporal focal) e avaliar função de tronco.
Hemograma, função renal e hepática, β-hCGAntes do antiviral IV.Base para ajuste renal e monitorização de mielotoxicidade.

Diagnósticos diferenciais

Depois de uma mordida de macaco, dois diferenciais andam junto com o herpes B e precisam de conduta própria: raiva e infecção bacteriana da ferida. Na fase neurológica, encefalite herpética e outras encefalites virais são os principais confundidores.

DiferencialPor que confundeO que ajuda a separar
RaivaMesma exposição; encefalite após mordida de primata.Hidrofobia, aerofobia, disautonomia; profilaxia antirrábica deve ser feita de qualquer modo.
Infecção bacteriana da feridaDor, eritema e linfangite no local.Pus, celulite sem vesículas; resposta a antibiótico.
Encefalite por HSV-1Encefalite com febre; sorologia cruzada.Lobo temporal na RM/EEG; PCR de HSV no LCR; ausência de exposição a macaco.
Herpes-zóster / HSV cutâneoVesículas dolorosas.Dermátomo, recorrência prévia; PCR diferencial.
Síndrome de Guillain-BarréParalisia flácida ascendente.Dissociação albuminocitológica, sem encefalite; exposição a macaco aponta vírus B.
Febre do Nilo Ocidental, encefalite japonesaEncefalite com paralisia flácida em viajante.Exposição a mosquitos; sorologia específica.

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O essencial de tratamento

  1. Primeiro, lavar por 15 minutos — e repetir a lavagem no serviço de saúde.
  2. PEP (exposição de risco, até 5 dias): valaciclovir 1 g VO 8/8 h × 14 dias; alternativa aciclovir 800 mg VO 5×/dia × 14 dias.
  3. Doença sem SNC: aciclovir 12,5–15 mg/kg IV 8/8 h ou ganciclovir 5 mg/kg IV 12/12 h. Com SNC/SNP: ganciclovir 5 mg/kg IV 12/12 h.
  4. Após o IV: valaciclovir, aciclovir ou fanciclovir oral nas doses da PEP por 6–12 meses, depois discutir supressão.

Princípios do tratamento

O manejo é escalonado e corre contra o tempo do transporte axonal. Na exposição, o que mais reduz o risco é limpar cedo e bem; depois vem a PEP oral, iniciada de preferência nas primeiras horas, para quem tem exposição de risco. Diante de qualquer sintoma, a PEP é suspensa e entra o tratamento IV em dose alta.

Nenhum antiviral é aprovado especificamente para o vírus B e não há ensaios clínicos em humanos: as doses vêm da diretriz de 2002, baseada em modelos animais e na sensibilidade in vitro. A PEP nunca dispensa vigilância clínica.

Classificação do risco da exposição

A tabela 5 da diretriz (Cohen et al., 2002), reproduzida pelo CDC, separa as exposições em PEP recomendada, considerada ou não recomendada. A ferramenta abaixo organiza esses critérios; em caso de dúvida, a decisão é compartilhada com o paciente.

PEP para vírus B: recomendada, considerada ou não?

Baseada na tabela de recomendações de PEP de Cohen et al. (Clin Infect Dis, 2002) e no CDC. Não substitui a avaliação do caso nem a discussão com especialista.

Selecione a fonte e o tipo de exposição.

Após 5 dias da exposição, a PEP só é indicada se a cultura pós-limpeza for positiva. Sintomas compatíveis em qualquer momento = suspender a PEP e iniciar tratamento IV.

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário clínico. Abra só a rota em que o seu paciente está: a tabela mostra dose, frequência e duração de cada esquema, e o nome de cada medicamento abre a ficha completa. Opções do mesmo grupo são alternativas — escolha uma.

Erros que custam caro

Os erros no herpes B quase sempre são de tempo: limpeza curta ou tardia, PEP atrasada por esperar exame, ou manter antiviral oral quando já há sintomas. A tabela resume como evitá-los.

ErroPor que é um problemaComo evitar
Lavar "rapidinho"Menos de 15 min deixa vírus na ferida.Lavar 15 min e repetir no serviço.
Colher cultura antes de lavarAtrasa a limpeza e empurra vírus para dentro.Limpar primeiro; cultura só depois, se indicada.
Esperar sorologia para iniciar PEPO benefício cai com as horas.Decidir pela classificação do risco.
Tratar doença com dose oral de PEPDose e via insuficientes para doença.Sintoma compatível = antiviral IV.
Aciclovir em dose de HSVVírus B é menos sensível.12,5–15 mg/kg 8/8 h; SNC = ganciclovir.
Esquecer raiva e tétanoMesma exposição, outras doenças graves.Avaliar sempre profilaxia antirrábica e antitetânica.

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O essencial de cenários especiais

  1. Gestante: aciclovir é o antiviral preferido na PEP.
  2. Viajante mordido por macaco na Ásia: lavar, avaliar raiva e PEP para vírus B.
  3. Trabalhador sem exposição lembrada com febre ou sintoma neurológico: investigar.
  4. Paciente em tratamento pode eliminar vírus: precauções-padrão.

O que muda em cada cenário

Os pilares não mudam — limpar, classificar, profilaxia ou tratamento IV —, mas alguns contextos alteram a escolha do fármaco, o tempo até o atendimento ou a hipótese diagnóstica. A tabela resume os mais comuns.

CenárioParticularidadeO que fazer diferente
GestaçãoPouca experiência com valaciclovir e fanciclovir.PEP com aciclovir 800 mg VO 5×/dia por 14 dias; β-hCG antes de escolher em mulher em idade fértil.
Insuficiência renalAcúmulo de aciclovir/ganciclovir: neurotoxicidade e mielotoxicidade.Ajustar todos os esquemas pela depuração de creatinina (Rota 6).
CriançasDiretriz sem dose pediátrica específica.Mesmos critérios de risco; dose por peso definida com infectologia pediátrica.
Viajante (Ásia, Gibraltar)Macacos de vida livre, atendimento muitas vezes tardio.Lavar com sabão e água corrente por 15–20 min; procurar atendimento; avaliar raiva e PEP para vírus B.
Exposição há mais de 5 diasFora da janela em que a PEP mostrou benefício em animais.PEP só se cultura pós-limpeza positiva; vigilância clínica rigorosa.
Trabalhador sem exposição lembradaCasos fatais ocorreram após exposições não percebidas.Febre prolongada, quadro gripal ou sintoma neurológico: avaliar como possível herpes B.
Primata que não é MacacaSem risco conhecido de vírus B.Sem PEP para vírus B, salvo contato do animal com macacos; avaliar raiva e infecção bacteriana.
Contatos do pacienteUm caso de transmissão pessoa a pessoa.Evitar contato com lesões e fluidos; precauções-padrão no hospital e em casa.

Orientação ao viajante

Mordidas de macaco são comuns na Índia, Indonésia, Tailândia e Gibraltar, quase sempre quando o turista tenta tocar ou alimentar os animais. A orientação pré-viagem previne a maioria delas, e o viajante precisa saber que mordida de macaco é sempre caso de atendimento médico.

  • Não alimentar, tocar nem fotografar de perto macacos de templos e parques; guardar comida em bolsas fechadas.
  • Mordida ou arranhão: lavar com sabão e água corrente por pelo menos 15 minutos.
  • Procurar atendimento no mesmo dia para avaliar raiva e PEP para vírus B.
  • No retorno, relatar a exposição em qualquer consulta por febre ou sintoma neurológico.

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O essencial de seguimento e prevenção

  1. Exposto: consultas em 1, 2 e 4 semanas e contato ao menos semanal no 1º mês.
  2. Sorologia em 3–6 semanas; se houve PEP, também em 3 meses.
  3. Após doença: terapia oral prolongada e culturas periódicas se suspensa.
  4. Prevenção: proteção facial, treinamento, kits de lavagem e serviço de saúde ocupacional.

Seguimento após a exposição

Mesmo com PEP, o exposto precisa de vigilância ativa, porque o antiviral pode atrasar a soroconversão e suprimir a eliminação viral sem garantir proteção. Em cada consulta, examine o local, pesquise sintomas, confira a adesão e reforce os sinais de alerta.

Se o paciente faltar, é preciso procurá-lo: a gravidade potencial justifica a busca ativa.

  1. Semanas 1, 2 e 4

    Consultas: ferida, sintomas, adesão.

  2. 3–6 semanas

    Sorologia pareada com o soro basal.

  3. 3 meses

    Nova sorologia se houve PEP.

Retorno imediato

Vesículas, dor ou dormência no local, parestesias que sobem pelo membro, febre, cefaleia intensa, diplopia, dificuldade para engolir, fraqueza ou confusão.

Seguimento após a doença

Quem sobreviveu ao herpes B segue com antiviral oral por meses e com avaliação neurológica e de reabilitação. Se a terapia for suspensa, a vigilância passa a ser virológica: culturas de conjuntiva e mucosa oral ao menos semanais nas primeiras semanas e, sem eliminação por ≥2 semanas, espaçadas até 1–2 vezes por ano. Qualquer sintoma neurológico novo exige novas culturas.

Prevenção ocupacional

Depois do óbito por respingo ocular de 1998, a proteção facial passou a ser obrigatória onde há macacos de cativeiro. A instituição responde pelo treinamento, pelos materiais e pelo acesso a um médico que conheça o vírus B.

  • Óculos com proteção lateral + máscara, ou face shield até o queixo + máscara, que impeçam respingos escorrerem para os olhos.
  • Tratar todo macaco como soropositivo, independentemente da origem.
  • Treinamento admissional e anual, com prática de lavagem ocular e de feridas.
  • Kits de primeiros socorros (incluindo 1 L de soro) no local de trabalho; kit de exposição em estações de campo.
  • Soro basal admissional guardado; cartão de bolso com sintomas e contatos de referência.
  • Fluxo de atendimento fora do horário comercial.

Vigilância no Brasil

O herpes B não consta nominalmente na lista nacional de notificação compulsória, e não há caso humano registrado no país. Um caso suspeito, porém, é evento inusitado de importância para a saúde pública e deve ser comunicado de imediato à vigilância (CIEVS), que também orienta o acesso a laboratório de referência. A agressão por primata é registrada no atendimento antirrábico humano.

Exposição a macaco: lavar 15 min → classificar → PEP em horas. Sintoma compatível: antiviral IV imediato, ganciclovir se houver sinal neurológico, e terapia oral prolongada depois.

Referências principais

  1. 1
    Artigo2002
    Recommendations for prevention of and therapy for exposure to B virus (Cercopithecine herpesvirus 1). Clin Infect Dis. 2002;35(10):1191-203.
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    Centers for Disease Control and Prevention (CDC). B Virus: Clinical Overview [Internet]. Atlanta: CDC; 2024 [atualizado em 9 maio 2024].
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    Diretriz2026
    Centers for Disease Control and Prevention (CDC). B Virus: Clinical Care / Patient Care [Internet]. Atlanta: CDC; 2026 [atualizado em 14 ago 2026].
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    Diretriz2026
    Zoonotic exposures: bites, stings, scratches & other hazards. In: CDC Yellow Book 2026: Health Information for International Travel. Atlanta: CDC; 2025.
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    Artigo2024
    Macacine alphaherpesvirus 1 (B virus) infection in humans, Japan, 2019. Emerg Infect Dis. 2024;30(1):177-9.
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    Diretriz2021
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  8. 8
    Artigo2024
    Hong Kong’s first human case of B virus: feeding monkeys, a risky practice! New Microbes New Infect. 2024;62:101456.
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    Artigo2025
    A narrative review of monkey B virus (Macacine alphaherpesvirus 1): infection, transmission, and post-exposure prophylaxis. Clin Exp Vaccine Res. 2025;14(4).
  10. 10
    Documento oficial2023
    Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 6ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2023. Capítulo: Raiva (profilaxia pós-exposição).

Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Não há ensaios clínicos em humanos para o vírus B: doses e durações seguem a diretriz de 2002 e o CDC, e todo caso exposto ou suspeito deve ser discutido com infectologista e com a vigilância (CIEVS).

Conteúdo para educação médica. Condutas devem ser individualizadas e conferidas com protocolos oficiais, contexto epidemiológico e disponibilidade local.
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