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Aspergilose

Aspergillus spp. — fungo filamentoso (mofo) hialino e septado

Espectro de doenças causadas pela inalação de conídios ambientais de Aspergillus: de hipersensibilidade e colonização cavitária à doença pulmonar crônica e angioinvasão. Diagnóstico e tratamento dependem do fenótipo clínico e do estado imune do hospedeiro.

Fungo filamentosoConídios ambientaisABPA • CPA • invasivaAzóis e anfotericina B
22–28 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Aspergillus é um mofo ambiental ubíquo; a exposição a conídios inalados é cotidiana.
  2. Doença surge da interação fungo × pulmão × imunidade: sensibilização, colonização ou invasão.
  3. Quatro síndromes práticas: ABPA, CPA, aspergiloma e aspergilose invasiva.
  4. Cada uma tem critérios, gravidade e tratamento diferentes — defina a síndrome primeiro.

O que é aspergilose

Aspergilose é um termo guarda-chuva: reúne diferentes síndromes provocadas por fungos filamentosos do gênero Aspergillus, um mofo ambiental ubíquo. A exposição a conídios inalados é cotidiana, e a doença clínica só aparece quando a interação entre fungo, pulmão e imunidade favorece sensibilização, colonização persistente ou invasão tecidual.

Um mesmo gênero causa hipersensibilidade sem invasão, crescimento em cavidade preexistente ou doença angioinvasiva fatal. O primeiro passo é definir qual síndrome está presente.

O agente

Aspergillus é um mofo hialino e septado que se dispersa por conídios leves, carregados pelo ar. Entre as espécies de importância clínica, A. fumigatus é a mais implicada nas síndromes humanas, e nela a resistência adquirida a triazóis é uma preocupação crescente; A. flavus e A. niger também têm relevância clínica reconhecida.

A. terreus merece lembrança à parte pela resistência intrínseca relevante à anfotericina B. É um dos motivos pelos quais identificar a espécie, e não apenas o gênero, muda a conduta.

Agente etiológico

Aspergillus spp.

Mofos hialinos e septados que formam conídios dispersos pelo ar.

  • Na histopatologia: hifas hialinas, septadas, com ramificação em ângulo agudo.
  • A morfologia sugere, mas não identifica espécie nem substitui cultura ou métodos moleculares.
  • Identificar a espécie importa: a suscetibilidade não é idêntica.
Histologia da aspergilose — toque para ampliar.
Forma do agente

Cabeça aspergilar

Conidióforo com vesícula e cadeias de conídios — a forma que se dispersa no ar.

Cultura

Colônia em cultura

Permite identificar a espécie e testar suscetibilidade.

Fisiopatologia: uma exposição, vários fenótipos

No imunocompetente, a depuração mucociliar, os macrófagos alveolares e os neutrófilos impedem que o conídio inalado germine e invada. A doença surge quando esse equilíbrio se rompe — por resposta alérgica exacerbada, por doença estrutural que oferece abrigo ao fungo ou por falha imune.

Neutropenia prolongada, transplante, neoplasia hematológica e corticoide ou imunossupressão intensos deslocam o risco para a forma invasiva, que exige investigação e terapia precoces.

Fisiopatologia

Do conídio inalado à doença

Doença estrutural, resposta alérgica exacerbada ou falha imune transformam a mesma exposição em fenótipos distintos.

Fisiopatologia da aspergilose — toque para ampliar.
  1. Inalação

    Conídios ambientais depositam-se em brônquios e alvéolos.

  2. ABPA

    Colonização brônquica persistente → hipersensibilidade, inflamação eosinofílica, muco impactado e bronquiectasias.

  3. CPA / aspergiloma

    Cavidades preexistentes permitem colonização, bola fúngica, espessamento pleural, novas cavitações e fibrose.

  4. Doença invasiva

    Na imunossupressão importante, conídios germinam em hifas que invadem tecido e vasos.

  5. Angioinvasão

    Trombose, infarto, necrose e disseminação hematogênica para cérebro, olhos, coração, rins, pele e outros órgãos.

Principais síndromes

Na prática, o espectro se organiza em quatro síndromes. Elas diferem no mecanismo — alergia, colonização de cavidade ou invasão de tecido —, e por isso têm critérios, gravidade e tratamento próprios.

ABPA

Hipersensibilidade em asma, fibrose cística ou bronquiectasias: exacerbações, eosinofilia, IgE elevada, muco e bronquiectasias.

Aspergiloma

Bola fúngica móvel em cavidade preexistente. Pode ser assintomático ou causar hemoptise importante.

CPA

Doença de meses em pulmão estruturalmente alterado: cavitações, espessamento pleural, sintomas constitucionais, fibrose.

Aspergilose invasiva

Infecção tecidual, frequentemente angioinvasiva, em imunossuprimidos; pode progredir rápido e disseminar.

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O essencial de transmissão e risco

  1. Porta de entrada principal: inalação de conídios aerossolizados.
  2. Fontes: solo, poeira, vegetação em decomposição, compostagem e obras.
  3. Não é, na prática habitual, transmitida de pessoa a pessoa.
  4. O hospedeiro define a síndrome: asma → ABPA; cavidade → CPA; imunossupressão → invasiva.

Como ocorre a exposição

A porta de entrada é a via aérea: conídios dispersos continuamente no ar são inalados, e a maioria das pessoas os recebe sem adoecer. A carga de esporos sobe quando se mexe em matéria orgânica — jardinagem, composto, folhas, palha, madeira e solo revolvido.

Obras e reformas geram poeira e são preocupação real em unidades com imunossuprimidos graves. Já a transmissão de pessoa a pessoa não é considerada na prática habitual.

Fonte ambiental

Ambiente → conídios no ar → via aérea

Aspergillus está no solo, poeira, vegetação em decomposição, compostagem, materiais orgânicos e ambientes internos.

Quem tem mais risco

Se a exposição é universal, o risco está no hospedeiro — e cada terreno predispõe a uma síndrome diferente. A via aérea alérgica favorece a ABPA, o pulmão com cavidades favorece CPA e aspergiloma, e a imunossupressão intensa abre caminho para a invasão.

ABPA

Asma, fibrose cística, bronquiectasias e outras condições com sensibilização fúngica.

CPA / aspergiloma

Tuberculose prévia, DPOC, sarcoidose, pneumotórax/bolhas, câncer de pulmão, cirurgia torácica e outras doenças cavitárias.

Invasiva

Neutropenia grave/prolongada, leucemias, transplante de células-tronco ou órgão sólido, DECH e imunossupressão intensa.

Outros cenários

Corticoide sistêmico prolongado, imunodeficiências, doença crítica e alguns quadros virais graves.

Aspergillus em cultura respiratória não significa automaticamente doença invasiva: o significado depende do hospedeiro, da imagem, dos biomarcadores e da evidência de invasão.

Ambiente hospitalar

No hospital, a atenção se concentra nos serviços que reúnem os pacientes de maior risco, como transplante e hematologia. Ali, o controle ambiental e a vigilância de casos fazem parte da prevenção tanto quanto a profilaxia farmacológica.

  • Centros de transplante e hematologia devem vigiar infecções por mofos e investigar aumentos acima da incidência basal.
  • No risco muito alto: reduzir exposição a poeira, obras, jardinagem, composto e material orgânico em decomposição.
  • Estratégias de qualidade do ar dependem da população atendida e do serviço.

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O essencial de quadro clínico

  1. ABPA: piora recorrente de asma/bronquiectasia, tampões mucosos e eosinofilia.
  2. Invasiva: febre persistente apesar de antibiótico + dor pleurítica, hemoptise e TC compatível no imunossuprimido.
  3. CPA: meses de tosse, perda de peso e hemoptise com cavidades; aspergiloma: bola fúngica.
  4. Hemoptise em cavidade com bola fúngica pode ser grave — avaliar embolização/cirurgia.

Aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA)

A ABPA se apresenta como piora recorrente de sintomas respiratórios em paciente com condição predisponente: tosse, expectoração, sibilância, dispneia, eliminação de tampões mucosos e exacerbações de asma. Muitas vezes o que chama atenção é a perda do controle da doença de base, com muco espesso e bronquiectasias.

No laboratório, sensibilização específica, IgE total elevada e eosinofilia apoiam o diagnóstico, mas devem ser interpretadas em conjunto. Na TC, dois achados são característicos:

Achado característico

Muco de alta atenuação

Na TC, é altamente específico de ABPA.

Achado característico

Opacidades em “dedo de luva”

Impactação mucoide em brônquios dilatados.

Aspergilose pulmonar invasiva

O cenário típico é o do imunossuprimido grave com febre que persiste apesar de antibiótico de amplo espectro. Tosse e dispneia podem evoluir rapidamente para hipoxemia e insuficiência respiratória; dor pleurítica e hemoptise refletem o infarto pulmonar causado pela angioinvasão, com infartos hemorrágicos e cavitação.

Na recuperação neutrofílica, os infiltrados podem paradoxalmente aumentar nas primeiras fases da resposta — o que não significa necessariamente falha do tratamento.

Achado característico

Nódulo com halo

Nódulos, halo, consolidações e cavitação na TC; o padrão varia com o momento e o hospedeiro.

Febre persistente em paciente de alto risco + TC compatível deve acelerar a investigação e não atrasar o antifúngico quando a suspeita é forte.

Aspergilose pulmonar crônica (CPA) e aspergiloma

Aqui o fungo não invade vasos: cresce em pulmão já lesado, ao longo de meses. O que separa as duas situações é a atividade da doença ao redor da cavidade: sintomas e progressão radiológica na CPA; uma bola fúngica que pode ficar estável ou sangrar no aspergiloma.

Hemoptise recorrente ou importante com cavidade e bola fúngica exige avaliar gravidade, reserva pulmonar e possibilidade de embolização e/ou cirurgia.

Achado característico

Bola fúngica intracavitária

Massa de hifas, muco, fibrina e detritos, separada da parede por ar e às vezes móvel.

Achado característico

Cavidades + espessamento pleural

Novas cavitações, espessamento pleural e fibrose em pulmão previamente doente.

CPA

Meses de tosse, fadiga, perda ponderal, dispneia, hemoptise e/ou sintomas constitucionais, com cavidades e progressão radiológica.

Aspergiloma

Pode permanecer estável e assintomático ou provocar hemoptise potencialmente grave.

Formas extrapulmonares e disseminadas

Quando a angioinvasão alcança a corrente sanguínea, a disseminação hematogênica atinge SNC, retina, coração, rins, fígado, baço, pele, ossos e partes moles. Há também formas focais sem disseminação, como rinossinusite invasiva, traqueobronquite, infecção de ferida e formas gastrointestinais. Três localizações pesam mais na conduta:

SNC

Abscessos, infartos e déficits focais; alta mortalidade.

Olho

Endoftalmite pode exigir terapia intravítrea além da sistêmica.

Coração

Endocardite e focos miocárdicos: incomuns, graves, abordagem multidisciplinar.

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O essencial de diagnóstico

  1. Nenhum exame isolado diagnostica todas as formas.
  2. Fenótipo clínico + risco do hospedeiro + imagem + evidência imunológica, microbiológica ou histológica.
  3. ABPA: critérios ISHAM 2024 (IgE total ≥500 IU/mL, não mais ≥1.000).
  4. Invasiva: TC precoce, galactomanana, BAL, cultura, PCR e histopatologia.

Princípio diagnóstico

Nenhum exame isolado diagnostica todas as formas de aspergilose. O raciocínio parte do fenótipo clínico (ABPA, CPA/aspergiloma, invasiva ou focal) e do hospedeiro, que mudam a probabilidade pré-teste e a urgência.

Só então se escolhem a TC dirigida ao fenótipo e o tipo de evidência que confirma o quadro — imunológica, microbiológica ou histopatológica.

Não aplique o mesmo biomarcador a todas as formas: IgE/IgG para ABPA e CPA; galactomanana/BAL/histologia para invasiva.

ABPA — critérios ISHAM 2024

Na ABPA não se procura invasão, e sim sensibilização: os critérios exigem uma porta de entrada clínica, dois componentes essenciais (IgE específica e IgE total) e pelo menos dois achados adicionais. A revisão de 2024 baixou o corte de IgE total de 1.000 para 500 IU/mL, o que aumenta a sensibilidade e torna obsoleta a regra antiga.

ComponenteCritério prático
EntradaCondição predisponente (asma, fibrose cística, DPOC ou bronquiectasias) ou apresentação clínico-radiológica compatível.
Essencial 1IgE específica para A. fumigatus ≥0,35 kUA/L (teste cutâneo imediato aceitável se IgE específica indisponível).
Essencial 2IgE total ≥500 IU/mL; valores menores aceitos em situações selecionadas se os demais critérios forem muito convincentes.
Adicionar ≥2IgG específica positiva; eosinófilos ≥500/µL (atuais ou históricos); TC com bronquiectasias, impactação mucosa ou muco de alta atenuação.

O corte de IgE total caiu de 1.000 para 500 IU/mL na revisão de 2024, aumentando a sensibilidade.

Checagem dos critérios ISHAM 2024 para ABPA

Reproduz a lógica dos critérios revisados. Não substitui a avaliação de pneumologista/alergista.

Preencha os quatro campos.

CPA × aspergiloma simples

Na doença cavitária, o tempo é parte do critério: a CPA exige sintomas ou progressão radiológica por cerca de 3 meses ou mais, somados a evidência de Aspergillus, em que a IgG é o exame mais sensível em muitas séries. O aspergiloma simples, ao contrário, é definido pela imagem da bola fúngica, e o que o separa de uma CPA associada é a ausência de sintomas, inflamação e progressão ao longo do seguimento.

CPA

  • Sintomas ou progressão radiológica por ~3 meses ou mais.
  • Alterações estruturais compatíveis (cavidades, espessamento pleural).
  • Evidência de Aspergillus: IgG (mais sensível em muitas séries), cultura, PCR.

Aspergiloma simples

  • Massa intracavitária separada da parede por ar, às vezes móvel.
  • Distinção da CPA associada: sintomas, inflamação e progressão ao longo do tempo.

Aspergilose invasiva — exames e confirmação

No hospedeiro de alto risco com suspeita, a TC de tórax deve ser precoce, à procura de nódulos, halo, consolidações e cavitação. A galactomanana é útil em populações hematológicas selecionadas, no soro e/ou no BAL conforme o cenário, e a PCR aumenta o rendimento quando integrada aos demais exames, com desempenho que depende do ensaio e da amostra.

A cultura identifica a espécie e permite testar suscetibilidade; a histologia com invasão tecidual é a evidência mais forte. A beta-D-glucana é um marcador fúngico não específico: positiva, não identifica Aspergillus e precisa ser integrada aos outros dados.

Evidência forte (comprovação)

  • Invasão tecidual por hifas na histopatologia.
  • Cultura com identificação da espécie e suscetibilidade.

Diagnóstico clínico-microbiológico

  • Hospedeiro de alto risco + TC compatível.
  • Galactomanana (soro/BAL), PCR e/ou cultura respiratória integradas.
  • Na suspeita forte, tratar enquanto investiga.

Coleta, cultura e suscetibilidade

A amostra deve seguir o foco da doença, e a qualidade dela define o que o laboratório consegue responder. Quando há falha terapêutica ou exposição prévia a azóis, saber a espécie e a suscetibilidade passa a orientar a troca de tratamento.

  • Escolher escarro, BAL, tecido ou outra amostra conforme o foco.
  • Na invasiva, broncoscopia com BAL é útil quando segura e viável.
  • Identificação até espécie e teste de suscetibilidade: essenciais em falha terapêutica, exposição prévia a azóis ou epidemiologia de resistência.

Diagnósticos diferenciais

Os diferenciais se dividem conforme a síndrome em questão. No imunossuprimido com infiltrado, a dúvida é com outras infecções angioinvasivas ou oportunistas e com pneumonias comuns; na doença cavitária, com tuberculose e abscesso; e na ABPA, com outras doenças eosinofílicas da via aérea. Lembre que algumas condições, como TB e sarcoidose, são também a base sobre a qual a CPA se instala.

DiferencialPor que confundeO que ajuda a separar
Pneumonia bacteriana ou viralFebre, tosse e infiltrado no imunossuprimido.Resposta a antibiótico, painéis virais e culturas; febre persistente sob antibiótico + TC compatível favorece fungo.
Tuberculose e outras micobacteriosesCavitação, hemoptise, sintomas constitucionais; TB prévia é base da CPA.BAAR, teste molecular e cultura para micobactérias; podem coexistir.
MucormicoseAngioinvasão, infarto pulmonar e sinusite invasiva no imunossuprimido.Histologia com hifas largas, pouco septadas; galactomanana negativa. Voriconazol não cobre.
FusarioseMofo hialino angioinvasivo no neutropênico.Cultura com identificação; hemoculturas e lesões cutâneas são mais frequentes.
NocardioseNódulos/cavitação e abscesso cerebral no imunossuprimido.Coloração (Gram, ácido-resistente modificada) e cultura.
Abscesso pulmonarCavidade com nível e febre.Contexto aspirativo, nível hidroaéreo, microbiologia.
Embolia pulmonarDor pleurítica, hemoptise, opacidade periférica.Angio-TC de tórax.
SarcoidoseDoença estrutural/fibrose e cavidades (também predispõe a CPA).Granulomas não necrosantes, adenopatia hilar, ausência de evidência de Aspergillus.
Pneumonite de hipersensibilidade / pneumonia eosinofílicaDispneia, infiltrados, eosinofilia (pneumonia eosinofílica).Exposição antigênica, padrão tomográfico e BAL; sem sensibilização a A. fumigatus nem IgE ≥500.
Granulomatose eosinofílica com poliangiiteAsma, eosinofilia e infiltrados — como a ABPA.ANCA, sinais de vasculite (neuropatia, rim, pele).
Outras causas de bronquiectasias/cavitaçãoImitam ABPA e CPA.Critérios específicos (ISHAM, CPA) e evidência de Aspergillus.

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O essencial de tratamento

  1. O tratamento depende da síndrome: alergia (ABPA), colonização cavitária (aspergiloma/CPA) ou infecção tecidual (invasiva).
  2. ABPA aguda: prednisolona com desmame ou itraconazol por cerca de 4 meses; combinação só na doença recorrente.
  3. Invasiva: voriconazol, isavuconazol ou posaconazol; anfotericina lipossomal se azol inadequado ou breakthrough — não esperar confirmação na suspeita forte.
  4. CPA: azol oral por pelo menos 6 meses. Aspergiloma simples: observar ou operar.

Mapa rápido por síndrome

Antes de escolher o fármaco, defina o que está sendo tratado. Na ABPA o problema é a inflamação alérgica, e corticoide ou itraconazol controlam a exacerbação; na invasiva é a infecção tecidual, que pede azol de amplo espectro ou anfotericina sem esperar confirmação quando a suspeita é forte.

Na CPA, o antifúngico oral é longo, de pelo menos 6 meses, e no aspergiloma simples a decisão costuma ser entre observar e operar. O mapa abaixo resume essa lógica; as doses e alternativas de cada cenário estão nas rotas.

CenárioOpções principaisDuração / observação
ABPA agudaPrednisolona 0,5 mg/kg/dia com desmame ou itraconazol 200 mg 12/12 h~4 meses. Combinação não é rotina na 1ª exacerbação.
ABPA recorrentePrednisolona + itraconazol≥2 exacerbações em 1–2 anos; individualizar.
InvasivaVoriconazol, isavuconazol, posaconazol; anfotericina B lipossomal ou complexo lipídicoEm geral 6–12 semanas.
Profilaxia de alto riscoPosaconazol preferencial; alternativas: voriconazol, caspofungina, micafungina, anfotericina B lipossomalEnquanto durar o período de alto risco.
CPAItraconazol ou voriconazol; posaconazol em intolerância/falha; IV em resgateMínimo 6 meses; às vezes supressão prolongada.
Aspergiloma simplesObservação se estável; cirurgia se sintomático (hemoptise)Antifúngico perioperatório não é rotina.

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário clínico. Abra só a rota em que o seu paciente está: a tabela mostra dose, frequência e duração de cada esquema, e o nome de cada medicamento abre a ficha completa. Opções do mesmo grupo são alternativas — escolha uma.

Monitoramento dos antifúngicos

Cada classe de antifúngico tem um calcanhar de Aquiles diferente: interações e níveis séricos nos triazóis, rim e eletrólitos na anfotericina, e o papel limitado das equinocandinas na doença invasiva. Quando o paciente piora sob triazol, antes de trocar empiricamente vale checar adesão, exposição, nível sérico e suscetibilidade do isolado.

ClasseO que monitorar
TriazóisInterações (CYP), hepatotoxicidade, absorção. TDM especialmente para itraconazol, voriconazol e posaconazol.
Anfotericina BFunção renal, potássio, magnésio, reações infusionais. Formulações lipídicas preferidas (menos nefrotóxicas).
EquinocandinasPoucas interações; função hepática. Não são monoterapia primária na invasiva.
ResistênciaFalha sob triazol: adesão, exposição, nível sérico e suscetibilidade do isolado.

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O essencial de cenários especiais

  1. Gestação: ABPA com corticoide; evitar azóis orais e biológicos. Invasiva: anfotericina lipídica.
  2. Criança: doses de voriconazol diferem do adulto — protocolo pediátrico.
  3. Breakthrough sob azol: trocar de classe, medir nível e investigar resistência.

O que muda em cada cenário

Os cenários especiais mudam a conduta por dois caminhos. No primeiro, o paciente limita a escolha do fármaco: na gestação, a ABPA é tratada com corticoide e a invasiva com formulação lipídica de anfotericina; na criança, as doses de voriconazol diferem do adulto; e disfunção renal ou hepática pesa na escolha entre anfotericina e azóis.

No segundo, o próprio fungo muda o plano — breakthrough sob azol, resistência adquirida ou A. terreus exigem identificar a espécie, medir nível e, muitas vezes, trocar de classe.

CenárioParticularidadeO que fazer diferente
Gestação — ABPAISHAM 2024 recomenda evitar azóis orais e biológicos.Glicocorticoide sistêmico () nos mesmos princípios gerais.
Gestação — invasivaEscolha do antifúngico limitada.Formulação lipídica de anfotericina (); infectologia + obstetrícia.
CriançaABPA em asma difícil e fibrose cística; doses pediátricas diferem (sobretudo voriconazol).Rastrear sensibilização em asma difícil (centros terciários); calcular doses por protocolo pediátrico.
Disfunção renal é a mais nefrotóxica; IV contém ciclodextrina.Preferir formulações lipídicas; avaliar formulação IV do voriconazol na insuficiência renal importante.
Disfunção hepáticaAzóis são hepatotóxicos; interações CYP relevantes (voriconazol, itraconazol).Monitorar, ajustar ou escolher alternativa conforme gravidade.
Breakthrough sob azol anti-mofoExposição insuficiente ou resistência.Nível sérico, diagnóstico microbiológico, trocar para .
Imunossupressão persistenteControle depende da imunidade.Reduzir imunossupressão e favorecer recuperação neutrofílica; prolongar tratamento; profilaxia secundária.
A. terreusResistência intrínseca relevante à anfotericina B.Identificar espécie; preferir azol ativo.
Exposição prévia a azóis / resistênciaResistência adquirida em A. fumigatus.Teste de suscetibilidade; considerar outra classe.
Uso de corticoide inalado/sistêmico + itraconazolInibição de CYP3A4.Revisar budesonida, fluticasona e metilprednisolona (risco de Cushing e insuficiência adrenal).

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O essencial de seguimento e prevenção

  1. ABPA: reavaliar em 8–12 semanas; queda ≥20% da IgE + melhora apoia resposta.
  2. Invasiva: 6–12 semanas, TC seriada; galactomanana sozinha não define o fim.
  3. CPA: ≥6 meses de tratamento, reavaliações a cada 3–6 meses.
  4. Prevenção: profilaxia no alto risco e menos poeira/obras/matéria orgânica.

Como acompanhar a resposta

O seguimento usa as mesmas ferramentas do diagnóstico, cada uma na sua síndrome. Na ABPA, a resposta se mede pela queda da IgE total junto com melhora clínica e de imagem; na invasiva, clínica e TC seriada mandam, e a galactomanana apenas complementa. Na CPA, o acompanhamento é longitudinal, com reavaliações espaçadas ao longo de meses.

ABPA

  • 8–12 semanas
  • Sintomas, imagem e IgE total
  • Queda ≥20% da IgE + melhora = resposta

Invasiva

  • Clínica + TC seriada (frequência individualizada)
  • Galactomanana seriada complementa, mas não define o fim

CPA

  • A cada 3–6 meses
  • Sintomas, peso, hemoptise, inflamação, imagem, tolerância

Duração e profilaxia secundária

A duração é guiada pela resposta e pela imunidade, não apenas pelo calendário. Na invasiva, o curso se prolonga se a imunossupressão persistir ou a resposta for lenta; na CPA sintomática ou progressiva, pode estender-se muito além do mínimo. Quem já tratou aspergilose invasiva e voltará a imunossupressão relevante pode precisar de profilaxia secundária.

6–12 semInvasiva — mais se imunossupressão persistir ou resposta lenta
≥6 mesesCPA sintomática/progressiva — às vezes muito mais
~4 mesesABPA aguda

Prevenção prática

Não existe vacina humana de uso clínico rotineiro, então a prevenção se apoia em reduzir a exposição de quem está em risco e em profilaxia farmacológica bem indicada. A profilaxia fica restrita ao alto risco, e a escolha do fármaco considera a doença de base, as interações, a exposição antifúngica prévia e o protocolo local.

  • Na imunossupressão intensa: evitar jardinagem, compostagem, mulch e proximidade de obras/reformas.
  • Em transplante/hematologia: vigilância de infecções por mofos, controle de poeira e medidas ambientais.

Erros comuns

Quase todos os erros na aspergilose vêm de aplicar a lógica de uma síndrome a outra — tratar colonização como invasão, usar critério desatualizado na ABPA ou estender a todos uma conduta que vale para poucos. A tabela reúne os mais frequentes.

ErroPor que é um problemaComo evitar
Tratar cultura isolada como invasãoColonização ocorre sem doença tecidual.Integrar hospedeiro, TC, biomarcadores e histologia/microbiologia.
Usar IgE ≥1.000 como regra de ABPAO critério foi revisado e perde casos.Corte ≥500 IU/mL dentro do conjunto ISHAM 2024.
Associar equinocandina de rotinaSem base para combinação universal inicial.Reservar combinação/resgate a casos selecionados.
Ignorar a formulação do posaconazolComprimido, suspensão e IV têm posologia e absorção diferentes.Prescrever pelo produto disponível.
Antifúngico perioperatório em todo aspergilomaDesnecessário no aspergiloma simples sem risco de derramamento.Avaliar risco de abertura da cavidade/contaminação pleural e CPA associada.

Resumo do fluxo prático

Se for para guardar uma sequência, que seja esta: síndrome e hospedeiro primeiro, exames certos para o fenótipo depois, e tratamento conforme o mecanismo da doença. A segurança dos antifúngicos acompanha todo o percurso.

  1. Defina o fenótipo

    ABPA, CPA/aspergiloma, invasiva ou focal.

  2. Avalie o hospedeiro

    Muda probabilidade pré-teste e urgência.

  3. Exames certos para o fenótipo

    TC + biomarcador adequado; não use o mesmo para todas as formas.

  4. ABPA

    Critérios ISHAM 2024; diferencie de exacerbação de asma/bronquiectasia.

  5. Invasiva

    Antifúngico precoce enquanto completa a investigação.

  6. Segurança

    Interações, função renal/hepática e TDM antes e durante azóis/anfotericina.

  7. CPA

    Planejar ≥6 meses e seguimento longitudinal.

  8. Aspergiloma

    Estratificar hemoptise, reserva pulmonar e risco cirúrgico.

Referências principais

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    Diretriz2024
    Agarwal R, Sehgal IS, Muthu V, et al. Revised ISHAM-ABPA working group clinical practice guidelines for diagnosing, classifying and treating allergic bronchopulmonary aspergillosis/mycoses. Eur Respir J. 2024;63(4):2400061. doi:10.1183/13993003.00061-2024.
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    Artigo2025
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    Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Aspergillosis. Clinical and prevention information for patients and health professionals.

Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses de azóis dependem da formulação e, sempre que possível, de TDM; função renal/hepática, interações (CYP3A4), gestação e doses pediátricas devem ser conferidas antes da prescrição.

Conteúdo para educação médica. Condutas devem ser individualizadas e conferidas com protocolos oficiais, contexto epidemiológico e disponibilidade local.
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