Strongyloides stercoralis — nematódeo intestinal transmitido pelo solo, com ciclo de autoinfecção
Helmintíase adquirida pela penetração cutânea de larvas do solo contaminado. A autoinfecção permite persistência por décadas e explica a hiperinfecção potencialmente fatal após corticosteroides ou outra imunossupressão. O diagnóstico exige métodos sensíveis e a ivermectina é a primeira escolha.
Nematódeo intestinalAutoinfecçãoRisco com corticoideIvermectina
18–22 min de leitura Atualizado em agosto de 2026
Em 30 segundos
O essencial de visão geral
Helmintíase transmitida pelo solo, causada principalmente por Strongyloides stercoralis.
A autoinfecção permite que a infecção persista por décadas, mesmo longe da área endêmica.
Imunossupressão — sobretudo corticoide — pode desencadear hiperinfecção ou disseminação.
Nas formas graves, eosinofilia pode faltar e sepse por Gram-negativos é frequente.
O que é estrongiloidíase
Infecção que pode ser assintomática ou produzir manifestações cutâneas, gastrointestinais e respiratórias. Seu diferencial biológico é completar um ciclo de autoinfecção dentro do hospedeiro. É esse detalhe que transforma uma helmintíase muitas vezes silenciosa em risco de vida quando a imunidade cai — sobretudo sob corticoide.
Antes de corticoide em dose relevante ou outro imunossupressor em pessoa com epidemiologia compatível, procure ativamente Strongyloides. Ausência de sintomas não elimina infecção crônica.
O agente
Strongyloides stercoralis é um nematódeo pequeno, primariamente parasito humano, cujo ciclo alterna fases parasitárias e de vida livre. Entender suas formas ajuda a interpretar os exames: como os ovos eclodem ainda na mucosa, o que se procura nas fezes é a larva, e não o ovo.
Agente etiológico
Strongyloides stercoralis
Nematódeo pequeno com ciclo incomum, que alterna fases parasitárias e de vida livre.
Fêmeas parasitárias vivem na mucosa do intestino delgado e reproduzem-se por partenogênese.
Os ovos eclodem ainda na mucosa: nas fezes aparece a larva rabditoide, não o ovo.
Primariamente parasito humano.
Histologia da estrongiloidíase — toque para ampliar.
Formas do parasita
Nas fezes
Larva rabditoide
Forma mais encontrada nas fezes na infecção intestinal.
Forma infectante (L3)
Larva filarioide
Está no solo; aparece em escarro/LBA na hiperinfecção e disseminação.
Na mucosa
Fêmea parasitária
Habita a mucosa do delgado e produz ovos que eclodem no local.
É mesmo uma zoonose?
Cães podem albergar linhagens geneticamente relacionadas às humanas, mas a importância da transmissão cão–humano permanece incerta, e não há evidência suficiente para tratar o cão como reservatório humano estabelecido. A interface com animais existe sobretudo em S. fuelleborni subsp. fuelleborni, espécie zoonótica rara associada a primatas não humanos.
Ciclo biológico e autoinfecção
O ciclo tem uma fase no ambiente e outra dentro do ser humano, e a clínica inteira da doença decorre de um ponto: parte das larvas vira forma infectante ainda dentro do hospedeiro. Isso fecha o ciclo sem nova exposição ao solo.
Ciclo biológico
Fase ambiental + ciclo parasitário humano
O ponto decisivo para a clínica: parte das larvas vira forma infectante ainda dentro do hospedeiro, sustentando a autoinfecção.
Ciclo de vida e fisiopatologia da estrongiloidíase — toque para ampliar. Em S. stercoralis, a forma eliminada nas fezes é a larva rabditoide; os ovos eclodem na mucosa.
Penetração cutânea
Larvas filarioides L3 do solo atravessam a pele, geralmente dos pés.
Fêmeas na mucosa produzem ovos por partenogênese; eclodem localmente, liberando larvas rabditoides.
Saída ou vida livre
Larvas eliminadas nas fezes viram L3 diretamente ou originam adultos de vida livre no solo.
Autoinfecção
Parte das larvas vira filarioide no intestino ou região perianal e penetra de novo mucosa/pele.
Quando a imunidade cai, a autoinfecção se acelera intensamente: é a hiperinfecção, com grande carga larvária em intestino e pulmões. Se as larvas saem desse trajeto habitual e atingem outros órgãos, fala-se em disseminação, com alto risco de sepse, meningite e falência orgânica.
A mesma autoinfecção explica por que a infecção dura décadas e por que o objetivo terapêutico é erradicar o parasito, não só aliviar sintomas.
Epidemiologia e persistência
Mais frequente em regiões tropicais e subtropicais quentes e úmidas, com saneamento inadequado e contato com solo contaminado por fezes humanas. A distribuição é heterogênea, e a carga global é estimada em centenas de milhões de pessoas.
Como a penetração cutânea a partir do solo é a principal via e a autoinfecção mantém o parasita, a exposição relevante pode ter ocorrido muitos anos antes da consulta. Isso pesa na anamnese de migrantes e de quem viveu em zona rural.
DécadasPersistência por autoinfecção
Alta letalidadeFormas disseminadas, sobretudo com diagnóstico tardio
Em 30 segundos
O essencial de transmissão e risco
Pele em contato com solo contaminado por larvas filarioides é a via típica.
As larvas vêm de fezes humanas: saneamento inadequado mantém o ciclo.
Corticoide, HTLV-1, transplante e neoplasia hematológica elevam o risco de forma grave.
Investigar antes de imunossuprimir é a medida clínica mais importante.
Como ocorre a transmissão
A transmissão depende de fezes humanas chegarem ao solo. Lá, as larvas completam o desenvolvimento até a forma infectante, que atravessa a pele de quem anda descalço, trabalha com terra ou permanece em locais contaminados.
Ciclo de transmissão
Fezes humanas → solo → pele
Larvas rabditoides eliminadas nas fezes completam o desenvolvimento no ambiente até a forma filarioide infectante, que penetra a pele.
Onde o saneamento é inadequado, as fezes humanas no solo mantêm o ciclo e a exposição comunitária. Vias incomuns existem, mas são raras: transplante de órgãos e alguns ambientes institucionais específicos.
Zoonose?
S. stercoralis é principalmente humano. Cães podem compartilhar linhagens, mas a transmissão zoonótica direta não está suficientemente comprovada.
Quem tem mais risco de infecção ou doença grave
Vale separar duas perguntas. Quem tem risco de se infectar é quem nasceu, morou por muito tempo ou viajou para áreas tropicais/subtropicais, sobretudo com vida rural, agricultura, saneamento precário e contato frequente com solo. Quem tem risco de adoecer gravemente é o infectado cuja imunidade será comprometida.
Corticosteroides — gatilho clássico de hiperinfecção, mesmo após infecção assintomática antiga.
HTLV-1 — maior carga parasitária, menor resposta terapêutica e mais formas graves ou recorrentes.
Transplante e neoplasia hematológica — imunossupressão intensa: baixa tolerância para investigar e tratar.
Antes de imunossuprimir
Avalie o risco antes de corticoide em dose imunossupressora, transplante, quimioterapia ou outros imunossupressores. O CDC prioriza a triagem em residência/viagem a áreas endêmicas, eosinofilia persistente sem explicação, HTLV-1, neoplasias hematológicas e candidatos a transplante. O raciocínio é simples: é mais fácil tratar uma infecção crônica silenciosa do que resgatar uma hiperinfecção.
Reconstitua a exposição
País/região de origem, viagens, trabalho rural, contato com solo, saneamento.
Procure pistas
Eosinofilia, urticária recorrente, larva currens, sintomas GI intermitentes — podem faltar.
Escolha testes sensíveis
Sorologia na triagem; fezes seriadas e técnicas específicas aumentam a sensibilidade.
Não espere eosinofilia na forma grave
Hiperinfecção sob corticoide frequentemente cursa sem eosinofilia.
Se a imunossupressão não pode esperar
Em alto risco, tratamento presuntivo segundo protocolo local e avaliação clínica.
Não existe um regime único de “profilaxia” para todos os imunossuprimidos. PCDTs brasileiros específicos adotam esquemas preventivos em contextos definidos — não confundir com o tratamento da infecção não complicada (veja Tratamento).
Em 30 segundos
O essencial de quadro clínico
Infecção crônica é frequentemente assintomática; quando sintomática, predominam GI e pele.
Larva currens: trilha urticariforme serpiginosa e recorrente que avança centímetros por hora.
Hiperinfecção = GI + pulmão; disseminação = órgãos fora desse trajeto.
Sepse ou meningite por Gram-negativos em imunossuprimido exposto: pense em Strongyloides.
Infecção aguda e crônica
A infecção crônica é frequentemente assintomática. Quando há sintomas na fase aguda, eles acompanham o trajeto da larva: primeiro a pele, depois o pulmão e, por fim, o intestino delgado. Na fase crônica predominam queixas gastrointestinais e cutâneas.
Fase cutânea
Lesão eritematosa e pruriginosa no ponto de penetração.
Dor epigástrica, plenitude, diarreia intermitente, constipação, náuseas, anorexia.
Na infecção crônica, eosinofilia leve e IgE elevada são comuns — mas a ausência desses achados não exclui a doença.
Sinais característicos
Poucos achados são realmente sugestivos, e cada um aponta para um momento diferente da doença. A larva currens denuncia a autoinfecção na infecção crônica; púrpura periumbilical, infiltrado pulmonar e larvas em secreção respiratória já indicam hiperinfecção ou disseminação.
Sinal patognomônico
Larva currens
Erupção urticariforme serpiginosa e recorrente em nádegas, períneo ou coxas, avançando vários cm/hora (autoinfecção).
Achado característico
Púrpura periumbilical
Petéquias/púrpura em “impressão digital” no abdome, pela migração larvária na hiperinfecção/disseminação.
Achado característico
Infiltrado pulmonar
Infiltrados difusos, hemoptise e hipoxemia na hiperinfecção.
Achado de gravidade
Larvas em escarro/LBA
Larvas filarioides em secreção respiratória indicam doença grave.
A velocidade de progressão e o padrão recorrente ajudam a separar larva currens de outras dermatites serpiginosas — o diagnóstico final integra epidemiologia e exames.
Hiperinfecção e doença disseminada
A diferença entre os dois termos é anatômica: na hiperinfecção a carga larvária explode no trajeto habitual (intestino e pulmão); na disseminação, as larvas chegam a órgãos fora dele. Em ambos, a lesão intestinal e a migração larvária facilitam a translocação bacteriana — daí as sepses e meningites por Gram-negativos, às vezes sem foco óbvio.
Cenário
Definição prática
Achados de alerta
Hiperinfecção
Aceleração intensa da autoinfecção, com grande carga larvária sobretudo no trato GI e pulmões.
Larvas atingem órgãos fora do trajeto habitual GI–pulmão.
Meningite, alteração neurológica, choque, envolvimento multiorgânico, larvas em sítios ectópicos.
Complicação bacteriana
Translocação facilitada pela lesão intestinal e pela migração larvária.
Bacteremia/sepse recorrente por Gram-negativos e meningite bacteriana, às vezes sem foco óbvio.
Cenário clássico de emergência
Exposição epidemiológica + corticoide recente + piora respiratória/intestinal + bacteremia por Gram-negativos. Eosinofilia pode estar ausente. Não aguarde confirmação perfeita para discutir tratamento quando a suspeita for alta.
Sinais de gravidade
O contexto que deve deixar você em alerta é o hospedeiro sob corticoide, transplante, HTLV-1 ou neoplasia hematológica, sobretudo se houver larvas em escarro, LBA ou outros sítios extraintestinais. Nesse paciente, procure ativamente os sinais de órgão abaixo — cada um sugere que a doença já saiu do controle.
Abdominal: íleo, obstrução, sangramento digestivo, peritonite, dor desproporcional.
Sistêmico: choque, bacteremia ou sepse — sobretudo recorrente por bacilos Gram-negativos.
Neurológico: meningismo, alteração de consciência, déficit neurológico.
Em 30 segundos
O essencial de diagnóstico
Eliminação de larvas é baixa e intermitente: um parasitológico isolado tem sensibilidade limitada.
Fezes seriadas + Baermann ou cultura em ágar; sorologia IgG na triagem da infecção crônica.
Forma grave: procure larvas em escarro, LBA e outros materiais.
Eosinofilia ajuda, mas sua ausência nunca afasta hiperinfecção.
O que solicitar, e em que ordem
O problema central é a baixa e intermitente eliminação de larvas: um parasitológico isolado tem sensibilidade limitada. O CDC considera o exame seriado de fezes a referência parasitológica, mas os métodos tradicionais podem exigir várias amostras para boa sensibilidade — por isso a investigação combina estratégias, na ordem abaixo.
Defina o risco
Epidemiológico e imunológico.
Infecção crônica
Combine sorologia com pesquisa parasitológica sensível, quando disponível.
Amostras seriadas
A repetição aumenta o rendimento, sobretudo após primeira amostra negativa.
Técnicas específicas
Baermann e cultura em placa de ágar rendem mais que a microscopia convencional.
Forma grave
Pesquise larvas em escarro/LBA e outros materiais conforme o órgão acometido.
Como bater o martelo
Ver a larva confirma; a sorologia sugere. A IgG positiva em pessoa exposta indica infecção provável, mas não distingue perfeitamente infecção ativa de passada e pode cruzar com outras helmintíases. Ainda assim, na triagem antes de imunossupressão, costuma bastar para tratar.
Infecção confirmada
Larvas em fezes (microscopia, Baermann, cultura em ágar).
Larvas em escarro, LBA ou outro sítio — indica doença grave.
PCR positiva, onde disponível e padronizada.
Infecção provável
Sorologia IgG positiva em pessoa com exposição compatível.
Pode refletir infecção passada ou reação cruzada.
Na suspeita de hiperinfecção, o conjunto clínico-epidemiológico e a demonstração de larvas têm prioridade — e o tratamento não espera a confirmação ideal.
Métodos diagnósticos
Nenhum método resolve sozinho. As técnicas que concentram ou cultivam larvas (Baermann e cultura em ágar) rendem mais que a microscopia convencional, e a sorologia é a ferramenta de triagem; na forma grave, escarro e LBA passam a ser o material mais produtivo.
Método
Utilidade
Limitação / interpretação
Microscopia de fezes
Identifica larvas; confirma quando positiva.
Baixa sensibilidade na infecção não complicada; repetir amostras.
Baermann
Concentra larvas móveis e aumenta o rendimento.
Exige amostra fresca e experiência técnica.
Cultura em ágar
Uma das técnicas coproparasitológicas mais sensíveis.
Mais demorada; exige biossegurança no processamento.
Sorologia IgG
Muito útil na triagem de infecção crônica e antes de imunossupressão.
Reação cruzada com outras helmintíases; persiste após tratamento.
PCR
Pode aumentar a detecção onde disponível.
Disponibilidade e padronização variam; negativa não exclui em alto risco.
Escarro / LBA
Larvas podem ser abundantes na hiperinfecção pulmonar.
Achado em contexto compatível = doença grave → tratamento imediato.
Eosinofilia: útil, mas não confiável sozinha
A eosinofilia é a pista laboratorial mais lembrada, mas funciona em uma só direção. Quando presente e sem explicação em pessoa exposta, deve motivar investigação; quando ausente, não afasta nada — e é justamente sob corticoide, no paciente mais grave, que ela costuma desaparecer.
Quando ajuda
Eosinofilia persistente sem explicação em pessoa exposta deve motivar investigação.
Eosinofilia leve é frequente na infecção crônica.
Quando engana
Eosinófilos normais não excluem infecção crônica.
Eosinopenia ou eosinófilos normais nunca afastam hiperinfecção no imunossuprimido.
Sob corticoide, a eosinofilia periférica frequentemente está ausente.
Diagnósticos diferenciais
Os diferenciais mudam conforme a forma clínica. Na infecção crônica, a confusão é com outras dermatoses serpiginosas, outras helmintíases e doenças alérgicas; na forma grave, com pneumonia, SDRA e sepse de foco abdominal — e o erro aqui custa mais caro, porque costuma vir acompanhado de corticoide.
Diferencial
Por que confunde
O que ajuda a separar
Larva migrans cutânea (ancilostomídeos de animais)
Lesão serpiginosa pruriginosa após contato com solo.
Larva currens avança centímetros por hora, é recorrente e perianal/glútea/coxas; a larva migrans progride lentamente, em geral nos pés.
Outras helmintíases com eosinofilia (ancilostomíase, ascaridíase, esquistossomose, toxocaríase)
Eosinofilia, sintomas GI ou pulmonares transitórios; sorologia pode cruzar.
Ovos característicos nas fezes, epidemiologia específica; larva rabditoide nas fezes aponta Strongyloides.
Urticária crônica / doença alérgica
Urticária recorrente e eosinofilia leve.
Exposição a solo de área endêmica, trilha linear migratória e investigação parasitológica sensível.
Pneumonia bacteriana / SDRA no imunossuprimido
Infiltrados difusos, hipoxemia, sepse.
Corticoide + exposição + bacteremia por Gram-negativos sem foco: pesquisar larvas em escarro/LBA.
Sepse por Gram-negativos de foco abdominal
Bacteremia entérica, íleo, dor abdominal.
Bacteremia/meningite recorrente sem foco óbvio em imunossuprimido exposto sugere translocação por larvas.
Fezes seriadas com técnica sensível; atenção antes de corticoide para DII.
Em paciente exposto que vai receber corticoide, excluir ou tratar Strongyloides vem antes da imunossupressão sempre que o tempo clínico permitir.
Em 30 segundos
O essencial de tratamento
Ivermectina 200 mcg/kg (0,2 mg/kg) VO é a 1ª escolha em todas as formas.
Não complicada: 1x/dia por 1–2 dias. Repetir no 15º dia não é rotina.
Hiperinfecção: diária até fezes/escarro negativos por ≥2 semanas + reduzir imunossupressão.
Albendazol é alternativa menos eficaz e não substitui a ivermectina na forma grave.
Princípios do tratamento
A meta é eliminar o parasita, não apenas controlar sintomas: enquanto houver larvas, a autoinfecção mantém a porta aberta para uma futura hiperinfecção. Por isso a ivermectina vem primeiro — é mais eficaz que o albendazol em todas as formas (CDC).
O que diferencia as rotas abaixo é o cenário: a duração na forma grave, a via quando o intestino não absorve, o momento em relação à imunossupressão e as populações em que o risco–benefício precisa ser pesado.
Checar Loa loa
Epidemiologia compatível exige excluir loíase antes da ivermectina, inclusive presuntiva.
Rotas de tratamento
Cada rota é um cenário clínico. Abra só a rota em que o seu paciente está: a tabela mostra dose, frequência e duração de cada esquema, e o nome de cada medicamento abre a ficha completa. Opções do mesmo grupo são alternativas — escolha uma.
Quando esta rota entraInfecção sem hiperinfecção nem doença disseminada, em adulto ou criança ≥15 kg.
Escolha um esquema2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaIvermectinaAdulto / criança ≥15 kg
200 mcg/kg (0,2 mg/kg) VO
1x/dia
1–2 dias
Maior eficácia que o albendazol (CDC). Avaliar risco de Loa loa se epidemiologia compatível.
AlternativaAlbendazolIvermectina indisponível ou inviável
400 mg VO
12/12 h
7 dias
Eficácia inferior. Evitar no 1º trimestre da gestação.
Não usar como rotina1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Não usar como rotinaRepetição nos dias 15–16Ivermectina repetida após 2 semanas
Não repetir após 2 semanas como regra
—
—
Na doença não disseminada. Strong Treat: sem superioridade sobre 1 dia na doença não disseminada e mais eventos adversos. Individualizar imunossupressão persistente.
A pesquisa de base citava albendazol por 3–7 dias; o artigo adota 7 dias, conforme o CDC. A dose de ivermectina por peso (mg e comprimidos de 6 mg) está na ficha do medicamento.
Quando esta rota entraSuspeita ou confirmação de hiperinfecção ou disseminação. Emergência infecciosa de alta mortalidade: com suspeita forte, não atrase o tratamento aguardando a confirmação ideal.
Antiparasitário e imunossupressão2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaIvermectina diáriaAbsorção GI confiável
200 mcg/kg/dia VO
1x/dia
Até fezes e/ou escarro negativos por ≥2 semanas
Não usar “14 dias fixos”: quem encerra é a negativação sustentada.
1ª escolhaInfecção confirmadaAntes de imunossuprimir, se o cenário permitir
200 mcg/kg VO
1x/dia
1–2 dias
Tratar para erradicação. Mesmo esquema da forma não complicada.
IndividualizarAlto risco + imunossupressão urgenteSem tempo para aguardar exames
200 mcg/kg (presuntivo)
—
—
Tratamento presuntivo conforme protocolo local e avaliação especializada. Avaliar Loa loa antes.
Não se adota ivermectina mensal por 6 meses como regra geral: não é recomendação clínica universal das fontes atuais.
Protocolos brasileiros específicos
Contexto
Esquema citado no PCDT
Duração
Como interpretar
Hanseníase, ao iniciar prednisona
Albendazol 400 mg/dia ou ivermectina 200 mcg/kg
Albendazol 3 dias; ivermectina dose única
Profilaxia vinculada à corticoterapia nesse PCDT; não é esquema universal.
Síndrome nefrótica primária em adultos
Ivermectina 0,2 mg/kg nos dias 1 e 15; o documento também cita albendazol
Repetir a cada 6 meses enquanto persistir imunossupressão em cenário de risco
Regime preventivo específico da população-alvo; não sustenta ivermectina mensal como regra.
O Brasil não tem PCDT nacional de estrongiloidíase. Havendo protocolo da doença de base, siga-o; para a infecção já diagnosticada, este artigo segue o CDC.
Quando esta rota entraGestantes, lactantes ou crianças com menos de 15 kg. Não extrapole automaticamente esquemas de adultos.
Esquemas3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
IndividualizarIvermectina na gestação / lactaçãoContraindicação relativa (CDC)
Avaliar risco–benefício antes de usar
—
—
Dados limitados; discutir com infectologia e obstetrícia.
IndividualizarIvermectina na criança <15 kgContraindicação relativa (CDC)
Avaliar risco–benefício antes de usar
—
—
Discutir com pediatria/infectologia.
EvitarAlbendazol no 1º trimestre
Não usar no 1º trimestre da gestação
—
—
Evitar segundo o CDC.
Não extrapole automaticamente esquemas de adultos. Na doença grave, o risco da infecção pode superar o risco do medicamento.
Quando esta rota entraFezes positivas com sintomas persistentes após o tratamento.
Após o controle positivo. Pensar em HTLV-1 e imunossupressão nas formas recorrentes.
Em 30 segundos
O essencial de cenários especiais
Corticoide é o gatilho clássico de hiperinfecção: investigue antes sempre que o tempo permitir.
HTLV-1 = erradicação mais difícil e formas recorrentes ou graves.
Exposição a área de Loa loa pode tornar a ivermectina perigosa.
Gestação, lactação e <15 kg: contraindicações relativas à ivermectina.
O que muda em cada cenário
Quase todos os cenários especiais giram em torno de uma mesma ideia: a imunossupressão transforma uma infecção tolerada em doença grave. Por isso o momento da investigação — antes, durante ou depois do imunossupressor — define a conduta; os demais cenários tratam de quando a própria ivermectina exige cautela.
Cenário
Particularidade
O que fazer diferente
Corticoide ou imunossupressor planejado
Pode precipitar hiperinfecção fatal em infecção latente.
Triar antes (epidemiologia + sorologia/fezes sensíveis); se confirmada, 200 mcg/kg por 1–2 dias antes de iniciar.
Imunossupressão urgente + alto risco
Sem tempo para aguardar exames.
Tratamento presuntivo com conforme protocolo local; checar Loa loa.
Piora após iniciar corticoide
Pulmão/intestino + sepse por Gram-negativos sugere hiperinfecção.
Suspeitar imediatamente; pesquisar larvas em escarro/fezes; ivermectina diária e reduzir imunossupressão.
HTLV-1
Maior carga parasitária, menor resposta e formas recorrentes/graves.
Confirmar erradicação com mais rigor e seguimento mais cuidadoso.
Transplante
Reativação de infecção crônica ou, raramente, transmissão pelo órgão.
Triagem de doador e receptor segundo protocolos próprios.
Neoplasia hematológica / quimioterapia
Imunossupressão intensa aumenta o risco.
Investigar antes de iniciar a terapia quando houver tempo.
Doença grave em imunossuprimido
Carga larvária elevada e eosinofilia ausente.
Colher escarro/LBA e fezes; não usar eosinofilia para decidir.
Gestação / lactação
Contraindicação relativa à ivermectina (CDC); albendazol evitado no 1º trimestre.
Avaliar risco–benefício com obstetrícia e infectologia; na forma grave, o risco da infecção pode prevalecer.
Criança <15 kg
Contraindicação relativa à ivermectina (CDC).
Não extrapolar esquema adulto; decidir com pediatria/infectologia.
Exposição a área de Loa loa (África Central e Ocidental)
Alta microfilaremia + ivermectina → risco de encefalopatia grave.
Excluir loíase pelo protocolo específico antes de ivermectina, inclusive presuntiva.
Íleo / má absorção na forma grave
Absorção enteral incerta.
Discutir via retal ou subcutânea (veterinária, autorização excepcional) com infectologia e farmácia.
Hospedeiros de alto risco
No HTLV-1, a erradicação é mais difícil e as formas recorrentes ou graves são mais comuns, o que exige seguimento mais cuidadoso. No transplante, o risco vem da reativação da infecção crônica do receptor ou, raramente, da transmissão pelo órgão, e há protocolos próprios de triagem.
Nas neoplasias hematológicas, a regra é não deixar a investigação para depois do início da terapia. E, quando a doença grave já se instalou, o quadro se inverte: a eosinofilia some, enquanto fezes e amostras respiratórias podem ficar francamente positivas.
Risco de Loa loa
A , base do tratamento, tem uma armadilha geográfica. Em pessoas expostas a áreas endêmicas de Loa loa (sobretudo partes da África Central e Ocidental), altas microfilaremias tornam o fármaco perigoso pelo risco de encefalopatia grave.
Antes do tratamento — inclusive presuntivo — avalie a epidemiologia e siga protocolo de exclusão de loíase.
Em 30 segundos
O essencial de seguimento e prevenção
Fezes positivas + sintomas persistentes: repetir exame em 2–4 semanas e retratar se houver larvas.
Um único exame de fezes negativo não é “teste de cura” universal.
Sorologia cai lentamente após a cura; anticorpos persistentes exigem interpretação clínica.
Prevenção = saneamento + calçados + triagem antes de imunossuprimir.
Como acompanhar
Não existe um “teste de cura” universal, e um único exame de fezes negativo não basta para declarar erradicação. Se as fezes eram positivas e os sintomas persistem, repita o parasitológico em 2–4 semanas; persistência de larvas significa novo tratamento e reavaliação.
A sorologia ajuda pouco no curto prazo: os títulos tendem a cair e parte dos pacientes negativa em meses, mas a negativação não é imediata. Nos imunossuprimidos, a confirmação de erradicação deve ser mais rigorosa e o seguimento, individualizado.
O método de seguimento deve considerar carga inicial, técnica disponível, imunossupressão e gravidade.
Prevenção individual e ambiental
Como a infecção entra pela pele a partir de solo contaminado por fezes humanas, a prevenção ataca as duas pontas do ciclo. Para quem já está infectado, porém, a medida que salva vidas é outra: identificar a infecção antes que a imunossupressão a transforme em hiperinfecção.
Calçados reduzem o contato direto da pele com solo contaminado.
Saneamento: o destino sanitário das fezes humanas interrompe a transmissão.
Higiene ambiental: evitar contato desnecessário com solo; higiene após trabalho rural.
Triagem antes de imunossupressão: uma das medidas mais importantes para prevenir hiperinfecção.
Prevenção coletiva — OMS 2024
Em 2024 a OMS publicou sua primeira diretriz de controle populacional da estrongiloidíase. A estratégia é a quimioterapia preventiva: administração em massa de ivermectina onde a prevalência justifica, com critérios bem definidos.
≥5%Prevalência por métodos recomendados
Anual 200 mcg/kg em dose única
≥5 anosPopulação-alvo da administração em massa
É política de saúde pública: não substitui o tratamento individual nem justifica “profilaxia” no 15º dia para toda pessoa exposta.
Vigilância e notificação no Brasil
A estrongiloidíase não consta na Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente em 2026 (Portaria GM/MS nº 11.211/2026), e documentos históricos também a classificam como não compulsória.
Verifique normas estaduais/municipais e comunique surtos conforme regras locais.
Erros comuns
Os erros mais frequentes têm uma raiz comum: tratar a estrongiloidíase como uma verminose qualquer. Subestimar a sensibilidade dos exames, confiar na eosinofilia e esquecer a autoinfecção leva tanto a deixar de diagnosticar quanto a tratar de forma inadequada.
Erro
Por que é um problema
Como evitar
Confiar em uma única amostra de fezes
Eliminação de larvas é baixa e intermitente.
Amostras seriadas e técnicas sensíveis; sorologia quando indicada.
Excluir pela ausência de eosinofilia
Eosinófilos podem estar normais, sobretudo na hiperinfecção sob corticoide.
Priorizar epidemiologia e síndrome clínica.
Iniciar corticoide sem avaliar risco
Pode precipitar hiperinfecção fatal.
Triar pessoas de risco antes da imunossupressão.
Repetir ivermectina no dia 15 como regra
Não é padrão para doença não disseminada; sem superioridade em ensaio randomizado.
200 mcg/kg por 1–2 dias na forma não complicada; individualizar cenários especiais.
Tratar hiperinfecção por “14 dias fixos”
A duração depende da negativação sustentada.
Ivermectina diária até fezes/escarro negativos por ≥2 semanas.
Referências principais
1
Diretriz2026
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Overview of Strongyloides. Atualizado em 11 fev. 2026.
2
Diretriz2024
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Care of Strongyloides. Atualizado em 16 fev. 2024.
3
Diretriz
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). DPDx — Strongyloidiasis. Ciclo de vida, espécies, diagnóstico laboratorial e morfologia.
4
Diretriz2024
World Health Organization (WHO). Guideline on preventive chemotherapy for public health control of strongyloidiasis. 2024.
5
Diretriz
World Health Organization (WHO). Strongyloidiasis — Control of Neglected Tropical Diseases. Informações sobre tratamento e controle.
6
Artigo2019
Buonfrate D, Salas-Coronas J, Muñoz J, et al. Multiple-dose versus single-dose ivermectin for Strongyloides stercoralis infection (Strong Treat 1 to 4): a multicentre, open-label, phase 3, randomised controlled superiority trial. Lancet Infect Dis. 2019.
7
Artigo
Bradbury RS, Streit A, et al. Human, canine and feline strongyloidiasis: beyond Strongyloides stercoralis. Revisão sobre espécies e interface humano–animal.
8
Documento oficial2022
Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase. 2022. Inclui profilaxia de estrongiloidíase em contexto específico de corticoterapia.
9
Documento oficial
Brasil. Ministério da Saúde / Conitec. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Síndrome Nefrótica Primária em Adultos. Inclui estratégia antiparasitária no contexto de imunossupressão.
10
Documento oficial2026
Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026. Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente.
Aviso importante
Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Dose de ivermectina por peso, contraindicações relativas (gestação, lactação, <15 kg), risco de Loa loa e esquemas preventivos antes de imunossupressão devem ser conferidos antes da prescrição.
Quando pensar em estrongiloidíase
Exposição a solo + uma pista clínica
A suspeita nasce da combinação de epidemiologia com uma pista clínica. Exposição presente ou passada a solo de área endêmica basta, porque a autoinfecção mantém o parasita por décadas — mesmo em quem deixou a região há muito tempo.
Há ainda um momento em que a pergunta deve ser feita ativamente: antes de corticoide, transplante, quimioterapia ou outro imunossupressor em pessoa exposta. É ali que a infecção silenciosa pode virar hiperinfecção.
Eosinofilia persistente e sem explicação.
Urticária recorrente ou larva currens.
Dor abdominal, diarreia/constipação intermitente ou dispepsia.
Imunossuprimido grave
Piora pulmonar/intestinal, bacteremia ou meningite por Gram-negativos — mesmo sem eosinofilia.
Diagnóstico
Sensibilidade é tudo
Na infecção crônica a eliminação de larvas é baixa e intermitente, por isso o diagnóstico depende de métodos sensíveis. Comece definindo o risco epidemiológico e imunológico; na triagem da infecção crônica, a sorologia IgG é a principal aliada.
A pesquisa parasitológica deve ser seriada e, quando possível, feita com Baermann ou cultura em ágar. Na forma grave a lógica se inverte: a carga larvária é alta e vale procurar larvas em escarro e LBA.
Confirma
Larvas em fezes, escarro, LBA ou outro sítio.
Armadilhas
Uma amostra de fezes negativa não exclui.
Sorologia cruza com outras helmintíases e persiste após cura.
Eosinofilia pode faltar na hiperinfecção.
Tratamento — CDC
Meta: erradicar o parasita
O objetivo não é só aliviar sintomas, mas erradicar o parasita, porque qualquer larva remanescente pode sustentar a autoinfecção e, no futuro, uma hiperinfecção. Por isso a 200 mcg/kg (0,2 mg/kg) por dose é a primeira escolha em todas as formas.
O que muda entre os cenários é a duração. Na forma não complicada bastam 1–2 dias, e a repetição rotineira no 15º dia não é o padrão atual; na hiperinfecção, a dose é diária e quem encerra o tratamento é a negativação sustentada.
1–2 diasForma aguda/crônica não complicada
2 sem negativasHiperinfecção: diária até fezes/escarro negativos
400 mg VO 12/12 h por 7 dias é alternativa menos eficaz — não equivale à ivermectina na forma grave.
Prevenção
Individual, clínica e coletiva
A prevenção atua em três níveis. No coletivo, o destino adequado das fezes humanas interrompe o ciclo; no individual, calçados reduzem o contato da pele com o solo contaminado.
Na prática médica, a medida de maior impacto é achar e tratar a infecção crônica antes de imunossuprimir: é isso que evita a hiperinfecção, a forma que mata.
OMS 2024
Quimioterapia preventiva anual com em áreas com prevalência ≥5% é política de saúde pública — não é profilaxia clínica universal.
Repetir no 15º dia não é rotina na forma não disseminada. Na hiperinfecção, a duração é guiada pela negativação, não por número fixo de dias.
Antes de prescrever, confira
Exposição a Loa loa sem exclusão de alta microfilaremia
Gestação, lactação e <15 kg (relativas)
Hipersensibilidade à ivermectina
Esquemas nesta doença5 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Não complicada
200 mcg/kg VO
1x/dia
1–2 dias
—
Hiperinfecção / disseminada
200 mcg/kg/dia VO
1x/dia
Até fezes/escarro negativos por ≥2 semanas
Duração guiada pela negativação, não por número fixo de dias.
PCDT Hanseníase
200 mcg/kg
Dose única
—
Ao iniciar prednisona
PCDT Síndrome nefrótica
0,2 mg/kg
Dias 1 e 15
Repetir a cada 6 meses
Enquanto imunossuprimido em cenário de risco
OMS (populacional)
200 mcg/kg
Dose única anual
—
Áreas com prevalência ≥5%, a partir de 5 anos
Dose por peso
Ivermectina — dose200 mcg/kg = 0,2 mg/kg
—
Comprimidos de 6 mgEquivalência matemática
—
Conversão matemática apenas. Não complicada: 1x/dia por 1–2 dias. Hiperinfecção: a mesma dose diariamente até negativação. Compatibilize com apresentação, fracionamento, peso mínimo, contraindicações e protocolo local.
Como administrar
Administração
VO com água, em jejum.
Via alternativa
Na hiperinfecção com íleo/má absorção: via retal (relatos) ou formulação veterinária subcutânea sob autorização regulatória excepcional.
Contraindicações e quando evitar
Exposição a Loa loa sem exclusão de alta microfilaremia
Gestação, lactação e <15 kg (relativas)
Hipersensibilidade à ivermectina
Efeitos adversos
Tontura, cefaleia
Náuseas, diarreia, dor abdominal
Prurido e rash
Encefalopatia grave na loíase com alta microfilaremia
Interações importantes
Varfarina (relatos de ↑ INR)
Como administrar
Administração
VO com água, em jejum.
Via alternativa
Na hiperinfecção com íleo/má absorção: via retal (relatos) ou formulação veterinária subcutânea sob autorização regulatória excepcional.
Papel nesta doença
Primeira escolha em todas as formas: mais eficaz que o albendazol. A meta é erradicar o parasita para impedir futura hiperinfecção.
Não é necessário (eliminação predominantemente fecal).
Antes de prescrever, confira
Exposição a Loa loa sem exclusão de alta microfilaremia
Gestação, lactação e <15 kg (relativas)
Hipersensibilidade à ivermectina
Efeitos adversos mais relevantes
Tontura, cefaleia
Náuseas, diarreia, dor abdominal
Prurido e rash
Encefalopatia grave na loíase com alta microfilaremia
Papel nesta doença
Primeira escolha em todas as formas: mais eficaz que o albendazol. A meta é erradicar o parasita para impedir futura hiperinfecção.
Benzimidazol — anti-helmíntico
Albendazol
Comprimido 400 mg; suspensão 40 mg/mL
Não complicada (alternativa)400 mg VO · 12/12 h · 7 dias
Papel no tratamento
Alternativa quando a ivermectina não pode ser usada ou não está disponível. Eficácia inferior; não equivale à ivermectina na hiperinfecção.
Ficha de consulta rápida
Classe
Benzimidazol — anti-helmíntico
Apresentação
Comprimido 400 mg; suspensão 40 mg/mL
Posologia principal
400 mg VO · 12/12 h · 7 dias
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção nesta doença
Combinação rotineira ivermectina + albendazol não é recomendação padrão.
Antes de prescrever, confira
1º trimestre da gestação
Hipersensibilidade a benzimidazóis
Hiperinfecção como substituto da ivermectina
Efeitos adversos mais relevantes
Dor abdominal, náuseas
Cefaleia, tontura
Elevação de transaminases
Alopecia reversível e mielossupressão (uso prolongado)
Esquemas nesta doença2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Não complicada (alternativa)
400 mg VO
12/12 h
7 dias
CDC
PCDT Hanseníase
400 mg VO
1x/dia
3 dias
Ao iniciar prednisona
Como administrar
Administração
Tomar com refeição (gordura aumenta a absorção sistêmica).
Antes de prescrever, confira
1º trimestre da gestação
Hipersensibilidade a benzimidazóis
Hiperinfecção como substituto da ivermectina
Interações importantes
Dexametasona, praziquantel e cimetidina (↑ níveis)
Carbamazepina e fenitoína (↓ níveis)
Contraindicações e quando evitar
1º trimestre da gestação
Hipersensibilidade a benzimidazóis
Hiperinfecção como substituto da ivermectina
Efeitos adversos
Dor abdominal, náuseas
Cefaleia, tontura
Elevação de transaminases
Alopecia reversível e mielossupressão (uso prolongado)
Monitoramento
Monitoramento
Hemograma e transaminases se uso prolongado.
Interações importantes
Dexametasona, praziquantel e cimetidina (↑ níveis)
Carbamazepina e fenitoína (↓ níveis)
Como administrar
Administração
Tomar com refeição (gordura aumenta a absorção sistêmica).
Papel nesta doença
Alternativa quando a ivermectina não pode ser usada ou não está disponível. Eficácia inferior; não equivale à ivermectina na hiperinfecção.
Gestação
Evitar no 1º trimestre (CDC).
Antes de prescrever, confira
1º trimestre da gestação
Hipersensibilidade a benzimidazóis
Hiperinfecção como substituto da ivermectina
Efeitos adversos mais relevantes
Dor abdominal, náuseas
Cefaleia, tontura
Elevação de transaminases
Alopecia reversível e mielossupressão (uso prolongado)
Papel nesta doença
Alternativa quando a ivermectina não pode ser usada ou não está disponível. Eficácia inferior; não equivale à ivermectina na hiperinfecção.
Consulta rápida
Estrongiloidíase
O essencial
Quando suspeitar
Eosinofilia, sintomas GI ou urticária/larva currens + exposição a solo de área endêmica. No imunossuprimido: piora pulmonar ou sepse por Gram-negativos.
Diagnóstico
Fezes seriadas com Baermann ou cultura em ágar + sorologia conforme contexto. Uma amostra negativa não exclui.
Tratamento
Não complicada: ivermectina 200 mcg/kg VO por 1–2 dias. Hiperinfecção: diária até fezes/escarro negativos por 2 semanas.
Prevenção
Saneamento, calçados e, na prática médica, identificar infecção crônica antes da imunossupressão.
Números rápidos
Dose de ivermectina
200 mcg/kg nos principais esquemas.
Não complicada
1–2 dias de ivermectina.
Hiperinfecção
Diária até fezes/escarro negativos por 2 semanas.
Persistência
Décadas, por autoinfecção, sem nova exposição.
Não esqueça
Antes do corticoide
Gatilho clássico de hiperinfecção: triar pessoas com risco epidemiológico.
Eosinofilia pode faltar
Especialmente na doença grave sob imunossupressão.
Fezes negativas ≠ exclusão
Uma amostra convencional tem sensibilidade limitada.
Loa loa
Excluir alta microfilaremia antes de ivermectina em expostos.
Estrongiloidíase → autoinfecção + larva currens/eosinofilia + exposição a solo; corticoide pode precipitar hiperinfecção.
Lembre da associação hiperinfecção + insuficiência respiratória + bacteremia/meningite por Gram-negativos — e de que a eosinofilia pode desaparecer justamente nos casos graves.
Gerenciar o consentimento
Para fornecer as melhores experiências, usamos tecnologias como cookies para armazenar e/ou acessar informações do dispositivo. O consentimento para essas tecnologias nos permitirá processar dados como comportamento de navegação ou IDs exclusivos neste site. Não consentir ou retirar o consentimento pode afetar negativamente certos recursos e funções.
Funcional
Sempre ativo
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para a finalidade legítima de permitir a utilização de um serviço específico explicitamente solicitado pelo assinante ou utilizador, ou com a finalidade exclusiva de efetuar a transmissão de uma comunicação através de uma rede de comunicações eletrónicas.
Preferências
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para o propósito legítimo de armazenar preferências que não são solicitadas pelo assinante ou usuário.
Estatísticas
O armazenamento ou acesso técnico que é usado exclusivamente para fins estatísticos.O armazenamento técnico ou acesso que é usado exclusivamente para fins estatísticos anônimos. Sem uma intimação, conformidade voluntária por parte de seu provedor de serviços de Internet ou registros adicionais de terceiros, as informações armazenadas ou recuperadas apenas para esse fim geralmente não podem ser usadas para identificá-lo.
Marketing
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para criar perfis de usuário para enviar publicidade ou para rastrear o usuário em um site ou em vários sites para fins de marketing semelhantes.