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PCR e Código Azul • Ferramenta de plantão

Indicadores de qualidade da RCP

As métricas que separam uma reanimação que gera fluxo de uma que só cumpre protocolo. Calcule a fração de compressão, confira cada indicador contra a meta e leve o resultado pronto para o debriefing.

Fração de compressão 13 indicadores com meta Relatório para o debriefing Atualizado em 09/09/2026

O princípio por trás de todos os indicadores

Fluxo sanguíneo é construído, não mantido. A pressão de perfusão coronariana sobe ao longo de vários ciclos de compressão e despenca em segundos quando você para. Cada pausa recomeça a escalada do zero.
O que não é medido não melhora. Impressão da equipe sobre a própria qualidade é notoriamente otimista — sem cronômetro, metrônomo ou dispositivo de retorno, todo mundo acha que comprimiu bem.
Duas famílias de indicador. Os de processo se medem durante o atendimento e mudam hoje; os de desfecho se medem depois e mudam o programa. Só os dois juntos contam a história.
Meça o que dá para consertar. Fração de compressão, profundidade, frequência, retorno do tórax e pausas — todos corrigíveis no ciclo seguinte, com uma frase dita em voz alta.
A capnografia é o monitor mais honesto da sala: mostra qualidade da compressão, perda de débito e retorno da circulação sem depender da opinião de ninguém.
Feedback fecha o ciclo. Registrar sem discutir no debriefing não muda comportamento; discutir sem registrar não muda o programa.

Calculadora — fração de compressão torácica

É o indicador que mais resume a qualidade do atendimento: a proporção do tempo de reanimação em que houve compressão. A meta mínima é de 60%, e os serviços de melhor desempenho ficam acima de 80%.

Tempo sem compressão
—
Tempo comprimindo
—
Se cada pausa fosse de 5 s
—
—
—
—
—
— 0%
—
—

Indicadores de desfecho do programa

Não se medem à beira do leito nem no plantão: são calculados sobre o conjunto dos atendimentos e servem para acompanhar o serviço ao longo do tempo. Comparar-se com a própria série histórica costuma ser mais útil que comparar-se com a literatura.

Indicador Como calcular Por que acompanhar
Taxa de retorno da circulação Atendimentos com retorno sustentado por mais de 20 minutos, dividido pelo total de paradas atendidas. Primeiro degrau da cadeia. Sobe rápido quando a qualidade da compressão melhora, mas isoladamente diz pouco sobre o resultado final.
Sobrevida à alta hospitalar Pacientes que recebem alta vivos, sobre o total de paradas atendidas. Depende tanto da reanimação quanto do cuidado pós-parada — a queda entre retorno da circulação e alta aponta onde investir.
Sobrevida com bom desfecho neurológico Alta com categoria de desempenho cerebral 1 ou 2, sobre o total atendido. É o desfecho que realmente importa para o paciente e para a família.
Paradas testemunhadas com desfibrilação precoce Proporção de ritmos chocáveis desfibrilados dentro da meta de tempo. Mede diretamente a organização da resposta, e não a gravidade do paciente.
Paradas potencialmente evitáveis Proporção de paradas em enfermaria precedidas de deterioração documentada nas horas anteriores. Indicador do time de resposta rápida: parada evitada vale mais que parada bem atendida.
Cobertura de debriefing Eventos com debriefing realizado e registrado, sobre o total de eventos. É o mecanismo pelo qual os indicadores de processo viram mudança de comportamento.
Uso de dispositivo de retorno Eventos com registro objetivo de frequência, profundidade e pausas. Sem medida objetiva, os demais indicadores de processo viram estimativa.

Como medir quando não há dispositivo de retorno

A maioria dos serviços brasileiros não dispõe de sensor de profundidade nem de software de análise. Ainda assim, dá para medir bem com recursos que já estão na sala.

Um cronômetro e um papel. Uma pessoa marca o horário do início, o horário de cada checagem de ritmo e a duração de cada pausa. Isso já entrega fração de compressão e maior pausa.
Metrônomo no celular em 110 batidas por minuto resolve a frequência, que é o erro mais fácil de cometer e o mais fácil de corrigir.
Capnografia em forma de onda entrega qualidade da compressão, retorno da circulação e ventilação excessiva, sem custo adicional por atendimento.
Registro do desfibrilador. Muitos aparelhos gravam impedância, choques e horários — vale pedir à engenharia clínica a extração dos dados após eventos selecionados.
Se houver linha arterial, a pressão diastólica durante as compressões é a melhor estimativa de perfusão coronariana disponível à beira do leito.
Papel de anotação padronizado no carrinho, com campos para horários e pausas, transforma a coleta em rotina em vez de esforço heroico de alguém.
Última revisão: 09/09/2026
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