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Guia de Zoonoses • Fungos

Paracoccidioidomicose

Complexo Paracoccidioides brasiliensis e P. lutzii — fungos termodimórficos do solo

Micose sistêmica endêmica na América Latina, adquirida pela inalação de propágulos do solo — sem transmissão entre pessoas nem contágio por animais. Sob o mesmo nome há duas doenças: a forma aguda/subaguda do jovem, linfonodal e febril, e a forma crônica do adulto, pulmonar e mucocutânea, que imita tuberculose e neoplasia.

Fungo do solo (sapronose)Exposição rural e agrícolaConfunde com tuberculoseItraconazol de escolha
18–22 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Micose sistêmica por fungos termodimórficos do gênero Paracoccidioides, endêmica na América Latina.
  2. Infecção pulmonar por inalação, em geral nas duas primeiras décadas de vida; doença sobretudo entre 30 e 50 anos.
  3. Forma crônica do adulto (~90%) × forma aguda/subaguda do jovem (5–25%).
  4. A fibrose que controla o fungo deixa sequelas que não respondem a antifúngico.

O que é paracoccidioidomicose

A paracoccidioidomicose (PCM) é a micose endêmica de maior impacto na América Latina e, historicamente, a principal causa de morte entre as micoses sistêmicas no Brasil. É uma doença negligenciada, e o gênero consta da lista de patógenos fúngicos prioritários da OMS.

O traço que mais confunde na prática é o intervalo entre exposição e doença. A infecção pulmonar costuma ocorrer nas duas primeiras décadas de vida, mas a doença aparece sobretudo entre 30 e 50 anos — por isso o paciente urbano de hoje pode adoecer por uma exposição rural de vinte anos atrás.

Pergunte pela história ocupacional de toda a vida: lavoura, café, tabaco, terraplanagem, preparo de solo e mudança para área endêmica são dados diagnósticos, não detalhes sociais.

O agente

Paracoccidioides é um fungo termodimórfico: vive como micélio no solo, onde produz os conídios que serão inalados, e se converte em levedura a 37 °C, dentro do hospedeiro. É a forma de levedura que se vê nos exames.

Duas espécies interessam na clínica. O complexo P. brasiliensis (linhagens S1, PS2, PS3 e PS4) responde pela maioria dos casos nas áreas endêmicas clássicas do Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Já P. lutzii predomina no Centro-Oeste e na Amazônia (MT, RO) e importa porque antígenos de P. brasiliensis podem dar sorologia falsamente negativa.

Agente etiológico

Paracoccidioides spp.

Fungo termodimórfico. No tecido aparece como levedura com brotamento múltiplo — a clássica roda de leme (timão), ou orelha de Mickey nas formas menores.

  • É o achado que fecha o diagnóstico à microscopia.
  • Forma de levedura a 37 °C dentro de macrófagos alveolares.
  • Gênero na lista de patógenos fúngicos prioritários da OMS.
Termodimorfismo

Filamento no solo, levedura no hospedeiro

Micélio e conídios à temperatura ambiente; levedura a 37 °C.

Fisiopatologia — da inalação à doença

A porta de entrada é pulmonar. Na maioria das pessoas, a imunidade celular contém a infecção sem sintomas, mas o fungo pode ficar quiescente por anos em focos espalhados por via linfo-hematogênica. Por isso tudo o que deprime a imunidade celular — desnutrição, alcoolismo, tabagismo, HIV, neoplasia, transplante e imunobiológicos — leva a formas mais graves e disseminadas.

A mesma resposta granulomatosa que controla o fungo também produz fibrose. É ela que explica por que o tratamento é longo e por que sobra sequela mesmo após a cura micológica.

Fisiopatologia

Por que aparece décadas depois, por que o tratamento é longo e por que sobra sequela

Inalação, contenção, latência, reativação e fibrose em uma só imagem.

  1. Inalação

    Propágulos do solo chegam aos alvéolos, sobretudo após revolvimento de terra e poeira.

  2. Conversão térmica

    A 37 °C o fungo vira levedura e se multiplica em macrófagos alveolares.

  3. Complexo primário

    Na maioria, a imunidade celular contém a infecção: assintomática e autolimitada (infecção paracoccidioidomicótica).

  4. Disseminação linfo-hematogênica

    Linfonodos, pele, mucosas, suprarrenais, ossos e SNC; focos quiescentes por anos.

  5. Doença

    Reativação tardia → forma crônica do adulto. Progressão precoce após exposição recente → forma aguda/subaguda do jovem.

  6. Fibrose

    Fibrose pulmonar, estenose de laringe e destruição adrenal — sequelas que não respondem a antifúngico.

Duas doenças, um nome

Sob o mesmo nome convivem duas doenças. A forma crônica do adulto responde por cerca de 90% dos casos, sobretudo em homens de 30 a 50 anos: nasce da reativação tardia de focos quiescentes, meses a décadas após a exposição, e acomete o pulmão em ~90% das vezes, muitas vezes de forma bilateral.

A forma aguda/subaguda (5–25%) atinge crianças, adolescentes e adultos jovens e decorre da progressão precoce após exposição recente. Em ambas, fibrose e insuficiência adrenal podem permanecer mesmo após a cura micológica.

Regra prática: jovem com febre, linfonodos e hepatoesplenomegalia → aguda/subaguda. Adulto rural com tosse crônica, emagrecimento e lesão de mucosa → crônica. As duas misturadas → pense em forma mista ou imunossupressão, principalmente HIV.

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O essencial de transmissão e risco

  1. Sapronose: o reservatório é o solo, não o animal.
  2. Inalação de poeira de solo revolvido responde por quase todos os casos.
  3. Não há transmissão pessoa a pessoa: sem isolamento, sem afastamento, sem rastrear contatos.
  4. Tabagismo, álcool, desnutrição e imunossupressão aumentam a gravidade.

Como a pessoa se infecta

A PCM é uma sapronose: o reservatório é o solo, e a pessoa se infecta quase sempre ao inalar propágulos do fungo, num risco concentrado nas atividades que revolvem terra e geram poeira. A inoculação direta é rara — descrita em área rural, inclusive pelo hábito de limpar os dentes com fragmentos vegetais — e produz lesão local com possível disseminação.

Não há transmissão pessoa a pessoa; portanto, não cabem isolamento respiratório, afastamento escolar nem rastreio de contatos. A doença entra no Guia de Zoonoses pela porta da exposição ambiental e da Saúde Única, não pela do contágio animal.

Ciclo de transmissão

Solo → poeira → pulmão

Propágulos do solo chegam aos alvéolos, sobretudo após revolvimento de terra e poeira.

Tatus e cães: sentinelas, não fonte

O fungo já foi isolado de tatus (sobretudo Dasypus novemcinctus), cães e outros animais. Isso mostra onde o fungo circula no solo, mas não é transmissão zoonótica estabelecida — contato com o animal, por si, não indica investigação.

Quem tem mais risco

O risco de adoecer combina exposição e terreno. A exposição é sobretudo agrícola e ocupacional, mas inclui qualquer passagem por área endêmica — visita, trabalho temporário ou migração —, mesmo anos antes. O terreno pesa na gravidade: tabagismo, álcool, desnutrição e imunossupressão associam-se a formas mais graves. A forma crônica é bem mais comum em homens, embora a infecção se distribua igualmente entre os sexos e a forma aguda não tenha essa predominância.

  • Atividade rural e agrícola: preparo de solo, plantio e colheita (café e tabaco), terraplanagem, estradas, jardinagem intensa em área endêmica.
  • Tabagismo e alcoolismo: associação consistente com a forma crônica e maior gravidade; pioram adesão e recuperação.
  • Desnutrição: frequente ao diagnóstico; albumina baixa prediz mortalidade na forma grave.
  • Imunossupressão: HIV/aids, neoplasia, transplante, corticoide sistêmico e imunobiológicos → doença disseminada e mista.

Onde a doença acontece e como vigiá-la

A doença ocorre no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, e sua área se expande junto com as fronteiras agrícolas e o desmatamento; surtos da forma aguda foram descritos após grande movimentação de terra. Na lógica da Saúde Única, o monitoramento ambiental e animal ajuda a mapear onde o fungo circula e a orientar a saúde do trabalhador rural.

Distribuição

Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte

Áreas endêmicas clássicas e expansão pelas fronteiras agrícolas.

Sem notificação compulsória nacional

A magnitude é subestimada. Registre em prontuário e comunique a vigilância local diante de agrupamento de casos.

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O essencial de quadro clínico

  1. Crônica do adulto: pulmão + mucosa oral/laríngea + pele, evolução de meses a anos.
  2. Aguda/subaguda do jovem: febre, linfonodos em várias cadeias, hepatoesplenomegalia — imita linfoma.
  3. Estomatite moriforme é a pista clínica mais específica da forma crônica.
  4. Três ou mais marcadores de gravidade = doença grave.

As formas clínicas

Reconhecer a forma clínica é o primeiro passo do raciocínio, porque ela diz o que procurar e o quanto a doença tende a ser grave. A crônica do adulto é lenta e centrada no pulmão e nas mucosas; a aguda/subaguda do jovem é sistêmica, linfonodal e tende à doença grave. A mista sugere imunossupressão, e a residual lembra que nem tudo o que sobra após o tratamento é doença ativa.

FormaPerfil e evoluçãoAchados característicos
Aguda/subaguda (juvenil)Crianças, adolescentes e adultos jovens; semanas a meses após exposição recente. 5–25% dos casos; tende à doença grave.Febre, caquexia, linfonodos em múltiplas cadeias (supuração/fístula), hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas múltiplas, anemia, eosinofilia, hipergamaglobulinemia. Mucosa e sintomas respiratórios são pouco frequentes.
Crônica (adulto)~90% dos casos, sobretudo homens de 30–50 anos; meses a anos. Unifocal (em geral pulmonar) ou multifocal.Tosse, dispneia, pulmão em ~90%, lesões de mucosa oral, faríngea, nasal e laríngea, rouquidão, úlceras granulosas, lesões cutâneas papulocrostosas/verrucosas/ulceradas, linfonodo cervical doloroso, hepatoesplenomegalia.
MistaSobreposição de padrões; mais comum em imunossuprimidos, especialmente com HIV.Febre e linfonodos do quadro agudo + pulmão e mucosa do crônico; mais extensa e grave.
Residual (sequelar)Após tratamento eficaz. Não é doença ativa e não responde a antifúngico.Fibrose pulmonar com enfisema e possível cor pulmonale, estenose de laringe/traqueia, microstomia, insuficiência adrenal, disfonia persistente.

Rouquidão ou disfonia persistente pede otorrinolaringologia: risco de estenose e diferencial com tuberculose e com neoplasia, que pode surgir sobre a lesão crônica.

Sinais característicos

Na forma crônica, a pista clínica mais específica está na boca: a estomatite moriforme. Por isso vale examinar a mucosa oral, a laringe e a pele de todo adulto com quadro pulmonar arrastado; no jovem, procure linfonodos que supuram e fistulizam. Na imagem, o clássico é a dissociação clínico-radiológica — infiltrado bilateral exuberante com sintoma discreto.

Achado característico

Estomatite moriforme (Aguiar-Pupo)

Úlcera granulosa de mucosa oral com pontilhado hemorrágico — a pista mais específica da forma crônica.

Forma crônica

Lesão laríngea

Rouquidão, odinofagia; risco de estenose e de neoplasia associada.

Pele

Lesões papulocrostosas e verrucosas

Face e extremidades, por disseminação ou contiguidade.

Forma aguda/subaguda

Linfonodo supurado e fistulizado

Cadeias múltiplas no jovem; frequentemente confundido com linfoma.

Achados de imagem

Achado característico

Infiltrado em “asa de morcego”

Intersticial bilateral; imagem exuberante com sintoma discreto (dissociação clínico-radiológica).

Forma residual

Fibrose e enfisema

Sequela que não regride nem indica atividade.

NeuroPCM

Granuloma no SNC

Costuma se apresentar como lesão expansiva.

Acometimento por sistema

Pela disseminação linfo-hematogênica, quase qualquer órgão pode ser atingido, mas pulmão, mucosas, pele e linfonodos dominam o quadro. Dois sítios merecem busca ativa porque passam despercebidos e mudam a conduta.

A adrenal é frequente e subdiagnosticada — astenia, hipotensão, hiperpigmentação e hiponatremia não devem ser atribuídas só à micose. O SNC costuma se apresentar como lesão expansiva, com cefaleia, déficit focal, convulsão, hipertensão intracraniana ou meningoencefalite.

  • Pulmonar: intersticial bilateral, “asa de morcego”; evolui para fibrose e enfisema.
  • Mucoso: estomatite moriforme, lesões gengivais, palatinas, faríngeas e laríngeas.
  • Cutâneo: pápulas crostosas, nódulos, placas, úlceras e lesões verrucosas.
  • Linfonodal: cervical, axilar, abdominal; tipo tumoral (>2 cm sem supuração) ou supurativo com fístula.
  • Osteoarticular: osteomielite de quadril, úmero e clavícula; artrite por contiguidade, mais na forma aguda.
  • Abdominal: linfonodos mesentéricos volumosos, massa, má absorção, obstrução intestinal.
  • Outros: baço, fígado, medula óssea; raramente olho e coração. Icterícia e ascite = gravidade.

Marcadores de gravidade (consenso brasileiro)

O II Consenso Brasileiro organiza a gravidade em cinco marcadores simples, avaliados já na primeira consulta. A contagem importa porque decide internação, via e duração do tratamento.

  • Perda ponderal >10% do peso habitual.
  • Comprometimento pulmonar intenso, com repercussão funcional ou imagem extensa.
  • Acometimento de outros órgãos: suprarrenais, SNC, ossos.
  • Linfonodos em múltiplas cadeias, tumorais (>2 cm sem supuração) ou supurativos.
  • Títulos elevados de anticorpos na sorologia específica.

Três ou mais marcadores = doença grave. A gravidade define internação, via e duração do tratamento (ver ferramenta na aba Tratamento).

Complicações que mudam a conduta imediata

Algumas complicações exigem ação no mesmo dia, antes mesmo de completar a investigação. Elas resultam da destruição de tecido pelo granuloma, da fibrose ou da compressão por linfonodos e granulomas, e não esperam o efeito lento do antifúngico.

  • Respiratória: insuficiência respiratória, hemoptise volumosa; estenose de laringe ou traqueia com obstrução de via aérea.
  • Adrenal: síndrome de Addison por destruição adrenal — risco de crise adrenal.
  • Neurológica: hipertensão intracraniana, hidrocefalia ou compressão medular por granuloma.
  • Abdominal: obstrução intestinal por linfonodos mesentéricos; ascite quilosa.
  • Destrutiva/fibrótica: perfuração de palato ou septo nasal; microstomia.
  • Sistêmica: superinfecção bacteriana, sepse e óbito; caquexia e anemia grave.

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O essencial de diagnóstico

  1. Ver a levedura multibrotante (direto, histopatologia) ou isolar em cultura confirma — trate sem esperar sorologia.
  2. Comece pelo material mais acessível: lesão de mucosa/pele, escarro, linfonodo.
  3. Colha imunodifusão dupla ANTES de tratar: o título basal guia o seguimento.
  4. Investigue tuberculose e HIV em paralelo em todos.

Quando a PCM entra na sua lista

Na prática, a PCM raramente é a primeira hipótese: o adulto costuma chegar rotulado de tuberculose ou câncer, e o jovem, de linfoma. O que deve acender a suspeita é um quadro compatível somado à exposição — nas duas colunas abaixo, a pergunta é a mesma: contato com solo em área endêmica, em qualquer momento da vida?

No adulto

  • Tosse e dispneia por semanas a meses, imagem alterada e baciloscopia negativa.
  • Úlcera de mucosa oral, gengival ou palatina granulosa, com pontilhado hemorrágico.
  • Rouquidão persistente, odinofagia ou disfagia alta.
  • Emagrecimento com lesões cutâneas crostosas ou verrucosas.
  • Tuberculose sem resposta ao esquema ou com recaída precoce.

No jovem

  • Febre prolongada com linfonodomegalia generalizada.
  • Hepatoesplenomegalia, anemia e emagrecimento rápido.
  • Massa abdominal, dor ou quadro suboclusivo.
  • Linfonodo que supura e fistuliza espontaneamente.
  • Hipótese inicial de linfoma ou leucemia em paciente de área endêmica.

O que solicitar, e em que ordem

A sequência privilegia o caminho mais curto até ver o fungo: a lesão visível de mucosa, pele ou linfonodo é quase sempre o melhor material, e o exame direto com KOH, rápido e barato, muitas vezes basta. Em paralelo, colha a sorologia antes de iniciar o tratamento e investigue tuberculose e HIV em todos, porque coinfecção e imunossupressão mudam o esquema.

  1. Escolha o material mais acessível

    Raspado/biópsia de mucosa ou pele, escarro, aspirado/biópsia de linfonodo. A lesão visível é quase sempre o caminho mais rápido.

  2. Micológico direto com KOH

    Escarro, raspado ou aspirado. Rápido, barato e muitas vezes suficiente.

  3. Histopatologia

    Peça explicitamente colorações para fungos (prata metenamina, PAS) além de HE.

  4. Cultura para fungos

    Sempre que possível; lenta (semanas) e pouco sensível, mas única forma de identificar a espécie.

  5. Sorologia antes do tratamento

    Imunodifusão dupla é a referência prática no Brasil; o título basal é o parâmetro de seguimento.

  6. Tuberculose em paralelo

    BAAR e teste molecular no escarro — coinfecção frequente muda o esquema.

  7. Teste de HIV para todos

    Atenção redobrada na forma aguda do adulto e nas formas mistas ou muito disseminadas.

  8. Estadie os órgãos

    RX/TC de tórax, US/TC de abdome, função adrenal e imagem do SNC se houver sintoma neurológico.

Como bater o martelo

Confirmar exige ver ou isolar o fungo — e, a partir daí, o tratamento começa sem esperar a sorologia. Quando o fungo não aparece apesar de uma busca bem feita, o diagnóstico provável se apoia em clínica, exposição e sorologia reagente, mas a investigação continua, porque a sorologia isolada tem reação cruzada.

Diagnóstico confirmado

  • Leveduras multibrotantes compatíveis no exame a fresco ou na histopatologia de qualquer material.
  • Isolamento de Paracoccidioides spp. em cultura — certeza microbiológica e identificação da espécie.
  • Trate: não espere a sorologia para iniciar.

Diagnóstico provável

  • Quadro compatível + exposição plausível + sorologia reagente, sem ver o fungo.
  • Base aceitável para tratar quando a busca do fungo foi feita e não foi possível, sobretudo na doença grave.
  • Mantenha a investigação: sorologia isolada não é diagnóstico (reação cruzada, em especial histoplasmose).
Teste cutâneo com paracoccidioidina não diagnostica

Mede exposição prévia, é negativo em parte das formas graves (anergia) e não distingue infecção de doença.

O que o laboratório mostra

A morfologia é o que dá certeza. A levedura com brotamento múltiplo — a roda de leme, ou timão — fecha o diagnóstico; formas menores, com poucos brotos, lembram a orelha de Mickey. Na histopatologia, as leveduras aparecem dentro de granulomas e se destacam na prata (Grocott) ou no PAS, colorações que podem não ser feitas se a hipótese de fungo não estiver escrita no pedido.

Sinal patognomônico

Roda de leme (timão)

Levedura com brotamento múltiplo ao exame direto — fecha o diagnóstico.

Achado característico

Orelha de Mickey

Formas menores com poucos brotos.

Histopatologia

Granuloma com leveduras

Prata (Grocott) ou PAS; escreva a hipótese de fungo no pedido.

Interpretação e armadilhas dos exames

Nenhum exame isolado resolve todos os casos. Os que mostram o fungo têm alto valor quando positivos, mas um resultado negativo não exclui: repita em outro material e em nova coleta. A cultura deve ser sempre tentada, mesmo lenta e pouco sensível — avise o laboratório para usar meio e temperatura adequados.

Na sorologia, a imunodifusão dupla tem boa especificidade e é a principal ferramenta de seguimento, mas um título já baixo ao diagnóstico limita esse uso.

  • Contraimunoeletroforese, ELISA, immunoblot: alternativas; ELISA é menos específico, e o immunoblot com gp43 e gp70 ajuda em casos difíceis.
  • PCR: centros de referência; útil em material escasso, mas ainda não é rotina.
Sorologia que engana

Com P. lutzii, a sorologia com antígeno de P. brasiliensis pode ser falsamente negativa — no Centro-Oeste e na Amazônia, priorize micológico, histopatologia e cultura. A reação cruzada mais importante é com histoplasmose; diante de título isolado, considere outras micoses endêmicas.

Exames de apoio e de repercussão

Confirmado o diagnóstico, a pergunta passa a ser até onde a doença chegou e o que ela já comprometeu. O estadiamento orienta a escolha da rota e serve de base para o seguimento. Dois itens são de segurança e não podem ser esquecidos: a função adrenal e a pesquisa de estrongiloidíase.

  • Sangue: hemograma (anemia, eosinofilia), VHS, eletroforese (hipergamaglobulinemia, albumina baixa), eletrólitos, função renal e hepática.
  • Imagem de tórax: RX em todos; TC se dúvida, complicação ou discordância. Base do seguimento.
  • Imagem do SNC: TC ou, de preferência, RM se cefaleia, convulsão, déficit ou rebaixamento — neuroPCM muda o esquema.
  • Função adrenal: cortisol basal e, se possível, teste de estímulo; na insuficiência, reposição obrigatória antes de estresse cirúrgico ou infeccioso.
  • Parasitológico: pesquisar estrongiloidíase, sobretudo se houver previsão de corticoide (hiperinfecção).
  • Tuberculose: coinfecção em parcela relevante dos crônicos; não atribua toda a imagem à micose.

Diagnósticos diferenciais

O diferencial mais importante é a tuberculose, que também é a coinfecção mais frequente; no jovem, é o linfoma, e no tabagista com úlcera crônica, a neoplasia. O ponto central é que confirmar um diagnóstico não descarta o outro: essas doenças coexistem, às vezes na mesma lesão. Entre as micoses, a morfologia ao microscópio é o que separa.

DiferencialPor que confundeO que ajuda a separar
TuberculoseTosse crônica, emagrecimento, imagem pulmonar, lesão laríngea, linfonodo cervical. Diferencial mais importante e coinfecção mais frequente.BAAR e teste molecular no escarro; apical cavitário × intersticial bilateral; buscar o fungo mesmo com TB confirmada.
HistoplasmoseFebre, disseminação, linfonodos, pulmão e mucosa; reação cruzada sorológica.Levedura pequena intracelular sem brotamento múltiplo; antígeno urinário e cultura; pensar sempre em HIV avançado.
Blastomicose e coccidioidomicoseQuadro pulmonar e cutâneo semelhante.História geográfica; brotamento único de base larga (blastomicose), esférula (coccidioidomicose).
Esporotricose e lobomicoseLesões cutâneas nodulares e ulceradas, às vezes linfangíticas.Esporotricose: padrão linfocutâneo ascendente e contato com gato. Lobomicose: lesões queloidianas crônicas na Amazônia.
ActinomicoseLesão cervicofacial supurativa com fístula.Grãos actinomicóticos, bactérias filamentosas Gram-positivas; resposta à penicilina.
Leishmaniose tegumentar e mucosaÚlcera mucosa nasal e oral destrutiva em paciente rural.Pesquisa direta e PCR para Leishmania; lesão nasal com perfuração septal.
Hanseníase e sífilisLesões cutaneomucosas crônicas e infiltrativas.Baciloscopia e avaliação de troncos nervosos; testes treponêmicos e não treponêmicos.
Linfoma (Hodgkin e não Hodgkin) e leucemiaFebre, linfonodos generalizados, hepatoesplenomegalia e emagrecimento no jovem.Biópsia com imuno-histoquímica — pedir pesquisa de fungos no mesmo material.
Neoplasia de pulmão, boca ou laringeÚlcera crônica em tabagista, massa ou nódulo pulmonar.Biópsia com histologia completa; as duas podem coexistir na mesma lesão.
Granulomatose com poliangiíteLesão destrutiva de via aérea superior + pulmão.ANCA, acometimento renal, vasculite na histologia, ausência de fungos.
SarcoidoseGranulomas, adenomegalia e infiltrado pulmonar.Exclusão infecciosa, linfonodos hilares simétricos, granuloma sem necrose nem agente.
FarmacodermiaErupção polimorfa, às vezes com febre e adenomegalia.Relação temporal com fármaco, melhora após suspensão, sem fungo na histologia.

Confirmar um diferencial não encerra a investigação do outro: tuberculose, neoplasia e PCM coexistem — peça pesquisa de fungo em toda biópsia de lesão crônica de paciente de área endêmica.

Morfologia que separa as micoses

Histoplasmose

Levedura pequena intracelular

Sem brotamento múltiplo.

Blastomicose

Brotamento único de base larga

Um broto só, colo largo.

Coccidioidomicose

Esférula com endósporos

Não é levedura em brotamento.

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O essencial de tratamento

  1. Leve/moderada: itraconazol 200 mg/dia VO após refeição, em regime ambulatorial.
  2. Grave: internação e anfotericina B por 2–4 semanas, seguida de consolidação oral por 12–24 meses.
  3. NeuroPCM: SMX-TMP ou voriconazol por 2–3 anos, com neurocirurgia quando indicada.
  4. Suspender só por critérios de cura; suporte (nutrição, álcool, tabaco, adrenal) pesa tanto quanto o antifúngico.

Classifique a gravidade e escolha a rota

Três ideias organizam o tratamento. A gravidade define a via: doença leve e moderada trata-se por via oral, em ambulatório; a grave, por via venosa, no hospital.

O critério de cura define a duração — meses na forma leve, anos na neuroPCM —, e o suporte define boa parte do desfecho: nutrição, álcool, tabaco, adrenal e parasitoses. Use a ferramenta abaixo para chegar à rota e, em cada rota, use “Ver detalhes” para abrir a ficha com a dose por peso.

Gravidade e rota (consenso brasileiro)

Organiza os marcadores de gravidade do II Consenso e os critérios isolados de internação. Não substitui o julgamento clínico nem a infectologia.

Selecione o número de marcadores e se há critério de internação.

Ferramenta educativa, sem validação como escore. A separação leve × moderada é clínica (extensão, estado nutricional, função do órgão).

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário clínico. Abra só a rota em que o seu paciente está: a tabela mostra dose, frequência e duração de cada esquema, e o nome de cada medicamento abre a ficha completa. Opções do mesmo grupo são alternativas — escolha uma.

Suporte clínico (todas as rotas)

O antifúngico controla o fungo, mas o paciente com PCM costuma chegar desnutrido, tabagista, etilista e, não raro, com parasitoses e coinfecções. Corrigir esse terreno pesa tanto quanto o antifúngico na resposta, na sequela e na recorrência — e vale para todas as rotas. A cessação de tabaco e álcool é a medida individual de maior impacto.

  • Nutrição: dieta hipercalórica e hiperproteica; suporte enteral na desnutrição grave ou hipoalbuminemia importante (marcador de mortalidade).
  • Parasitoses intestinais: rastrear e tratar; estrongiloidíase antes de qualquer corticoide.
  • Anemia: investigar e corrigir; contribui para a astenia atribuída à micose.
  • Coinfecções: tratar TB e infecções bacterianas secundárias, revisando interações.
  • Reabilitação e saúde bucal: fisioterapia respiratória, fonoaudiologia na disfonia, odontologia nas lesões orais e microstomia.

Reavaliar peso e albumina é forma barata e objetiva de acompanhar resposta — a estabilização do peso faz parte do critério clínico de cura.

Monitoramento durante o tratamento

O monitoramento tem dois objetivos: detectar a toxicidade própria de cada fármaco e medir a resposta. A anfotericina B é a que exige mais vigilância, com função renal e eletrólitos a cada 24–48 h; já a resposta segue o mesmo ritmo em qualquer rota.

FármacoComo monitorar
ItraconazolTransaminases antes e durante; revisar interações e forma de tomar.
SMX-TMPHemograma, creatinina e potássio; orientar retorno se exantema extenso, febre ou lesão mucosa.
VoriconazolTransaminases e bilirrubinas; queixas visuais/neurológicas; fotoproteção; nível sérico se disponível.
Anfotericina BCreatinina, potássio e magnésio a cada 24–48 h, com reposição ativa; reações infusionais.
RespostaClínica e peso mensais nos 3 primeiros meses; tórax e sorologia a cada 6 meses.

Em 30 segundos

O essencial de cenários especiais

  1. Criança <5 anos: SMX-TMP em suspensão; 5–12 anos: itraconazol por peso.
  2. Gestação: evitar azólicos; anfotericina B tem mais experiência.
  3. Rifampicina derruba os azólicos — na coinfecção com TB, prefira SMX-TMP.
  4. HIV: tratar como forma grave e consolidar por mais tempo.

O que muda em cada cenário

Os cenários especiais mudam o esquema por três motivos recorrentes: a idade e a capacidade de deglutir cápsula, o risco dos azólicos na gestação e as interações — sobretudo com a rifampicina e a TARV. O raciocínio é sempre o mesmo: identificar o que impede o esquema padrão e escolher a alternativa mais previsível.

CenárioParticularidadeO que fazer diferente
Criança <5 anosForma aguda/subaguda é a regra, com curso grave; dificuldade de deglutir cápsula. suspensão 8–10 mg/kg/dia de TMP 12/12 h por 18–24 meses. Não abrir cápsula de itraconazol.
Criança 5–12 anosPode usar itraconazol se deglutir cápsula; <30 kg exige dose por peso. 5–10 mg/kg/dia (máx. 200 mg/dia) após refeição completa; faixa superior costuma ser necessária.
Gestação e lactaçãoAzólicos teratogênicos ou de risco; sulfa perto do termo → kernicterus.Obstetrícia + infectologia. Evitar e . Anfotericina B é a opção com mais experiência; , se usado, com e cautela no 1º trimestre e perto do parto.
HIV/aids e imunossupressãoFormas mistas, disseminadas e graves; recidiva após suspensão.Iniciar como doença grave (indução venosa nos extensos), consolidação prolongada e considerar profilaxia secundária até controle imunológico e critérios de cura. Revisar interações azólicos × TARV.
Coinfecção com tuberculoseFrequente na forma crônica; é potente indutora enzimática.Tratar as duas. Rifampicina reduz muito itraconazol e voriconazol → é a opção mais previsível, com discussão especializada.
Hepatopatia e hepatotóxicosAzólicos e SMX-TMP elevam transaminases; alcoolismo é comum.Transaminases antes e durante, suspender álcool, revisar polifarmácia. Elevação relevante → reavaliar o fármaco, não só repetir o exame.
Disfunção renalSMX-TMP e anfotericina B são nefrotóxicos ou dependem de ajuste.Ajustar pela depuração; preferir ; monitorar creatinina, potássio e magnésio.
Insuficiência adrenal instaladaPode ser a 1ª manifestação e persiste como sequela. contínua, dose de estresse e identificação médica; a reposição não prejudica o antifúngico.
Obstrução de via aérea por lesão laríngeaEdema e estenose podem piorar no início do tratamento.Otorrinolaringologia urgente; corticoide sistêmico em curso curto pode ser necessário junto ao antifúngico, com via aérea assegurada.
Forma sequelarFibrose, estenose, microstomia e cor pulmonale não respondem a antifúngico.Pneumologia, otorrinolaringologia, fonoaudiologia e reabilitação; não prolongar antifúngico por imagem estável.

Três cenários que merecem detalhe

Em adulto com febre, linfonodos difusos e lesões cutâneas múltiplas, pense em HIV: a forma mista é a assinatura da associação e deve ser tratada como doença grave. Na desnutrição grave, a dieta deve ser hipercalórica e hiperproteica, com suporte enteral na criança desnutrida ou com albumina muito baixa, perfil de maior mortalidade.

O terceiro cenário é silencioso: a estrongiloidíase, muito prevalente na mesma população.

Estrongiloidíase antes do corticoide

Rastrear e tratar antes de qualquer corticoide — inclusive o usado para edema cerebral ou obstrução laríngea —, pelo risco de hiperinfecção disseminada.

Em 30 segundos

O essencial de seguimento e prevenção

  1. Cura = critério clínico + radiológico + sorológico, juntos.
  2. Imunodifusão negativa ou estável em ≤1:2 em duas amostras com 6 meses de intervalo.
  3. Sequela (fibrose, estenose, adrenal) não é atividade e não pede antifúngico.
  4. Prevenção: menos poeira, proteção respiratória, parar fumo e álcool. Sem vacina.

Critérios de cura

Cura na PCM é a soma de três critérios — clínico, radiológico e sorológico —, todos presentes ao mesmo tempo. O sorológico é o mais lento: os títulos começam a cair por volta de 6 meses e negativam ou estabilizam entre 10 e 24 meses.

Essa queda é mais rápida com itraconazol do que com cotrimoxazol, e na forma aguda do que na crônica.

  • Clínico: sem sinais e sintomas, lesões de pele e mucosa cicatrizadas, peso recuperado e estável.
  • Radiológico: imagem de tórax estável em duas avaliações com 6 meses de intervalo. Fibrose residual não regride e não indica atividade.
  • Sorológico: imunodifusão dupla negativa ou estável em ≤1:2, em duas amostras com 6 meses de intervalo.

Títulos já baixos ao diagnóstico limitam o seguimento sorológico: apoie-se em VHS, eletroforese de proteínas e evolução clínica e radiológica.

Cronograma de retornos

O seguimento é mais próximo no início, quando se avaliam adesão, tolerância e resposta inicial, e se espaça com a boa resposta. Imagem de tórax e sorologia a cada 6 meses são o que permite, ao fim, documentar os critérios de cura; depois da suspensão, os retornos continuam para detectar recidiva.

  1. Meses 1–3

    Mensal: adesão, tolerância, transaminases, resposta inicial.

  2. Até o fim

    Trimestral se boa resposta.

  3. A cada 6 meses

    Imagem de tórax + sorologia (antes se piora).

  4. 2º ano

    Retornos semestrais.

  5. Após suspender

    Semestral no 1º ano para detectar recidiva.

Alteração respiratória persistente após 6–9 meses de doença controlada → pneumologia para avaliação funcional. Disfonia persistente → otorrinolaringologia.

Recidiva e o que ela costuma significar

Quando sinais, sintomas ou títulos voltam após os critérios de cura, a primeira tarefa é separar a recidiva verdadeira das situações que a imitam. Na recidiva verdadeira, busque o fungo, reavalie adesão e absorção e trate de novo, por mais tempo. Muitas vezes, porém, o problema é outro:

  • Falha por absorção: itraconazol com antiácido, IBP, jejum, acloridria ou gastrectomia. Corrigir a tomada ou trocar o fármaco resolve mais que aumentar a dose.
  • Interação medicamentosa: rifampicina, fenitoína, barbitúricos e carbamazepina reduzem drasticamente os azólicos.
  • Sequela confundida com atividade: fibrose, enfisema, estenose e disfonia persistem após a cura. Procure evidência de atividade antes de reintroduzir.

Erros que atrasam ou inviabilizam o tratamento

Quase todos os erros na PCM vêm de duas raízes: tratar a doença como se fosse outra — tuberculose, sequela — ou encurtar e sabotar sem querer o tratamento da própria micose. A tabela reúne os mais comuns e a forma de evitá-los.

ErroPor que é um problemaComo evitar
Tratar como tuberculose sem buscar o fungoBaciloscopia negativa e imagem que não melhora atrasam o diagnóstico.Micológico, histopatologia e cultura em paralelo.
Suspender quando os sintomas somemSem critérios radiológico e sorológico, antecipa recidiva.Suspender só com os três critérios de cura.
Itraconazol em jejum, com antiácido ou IBPAbsorção depende de acidez e alimento → falsa “falha do fármaco”.Tomar após refeição completa; revisar a prescrição.
Abrir a cápsula de itraconazolOs péletes perdem biodisponibilidade.Usar SMX-TMP em suspensão em quem não deglute cápsula.
Fluconazol como 1ª escolhaMenor resposta e mais recidiva.Itraconazol ou SMX-TMP.
Não investigar HIV e TBFormas disseminadas/mistas e coinfecção mudam o esquema.Teste de HIV e pesquisa de TB em todos.
Não avaliar a adrenalAstenia, hipotensão e hiponatremia podem ser insuficiência adrenal.Cortisol basal e reposição quando indicada.
Corticoide sem rastrear estrongiloidíaseRisco de hiperinfecção.Rastrear e tratar antes.
Manter tabagismo e álcoolPrejudicam resposta e recuperação pulmonar.Cessação como parte da prescrição.
Tratar fibrose residual como atividadeAntifúngico indefinido sem benefício.Buscar evidência objetiva de atividade.

Prevenção e saúde pública

Não há vacina nem quimioprofilaxia, e a doença não passa de pessoa a pessoa — portanto, sem isolamento respiratório, afastamento escolar ou investigação de contatos. A prevenção é ocupacional e ambiental: reduzir a poeira e usar proteção respiratória nas atividades que revolvem solo em área endêmica.

No plano individual, parar de fumar e de beber são as medidas de maior impacto sobre gravidade, resposta e sequela, ao lado do cuidado nutricional e do tratamento de parasitoses intestinais nessa mesma população.

Registre o caso e comunique a vigilância local diante de agrupamento ou surto suspeito, mesmo sem notificação compulsória nacional.

Resumo do fluxo prático

Para fechar, o raciocínio inteiro cabe em oito passos, da suspeita à suspensão do antifúngico. Nenhum deles é opcional: pular o rastreio de tuberculose, HIV e adrenal ou suspender por tempo são justamente os erros da tabela acima.

  1. Suspeite

    Adulto rural com quadro pulmonar e mucoso arrastado, ou jovem com febre e linfonodos.

  2. Pergunte

    Exposição a solo em qualquer momento da vida, não só a ocupação atual.

  3. Busque o fungo

    Micológico direto, histopatologia e cultura no material mais acessível.

  4. Sorologia antes de tratar

    O título basal é o parâmetro de seguimento.

  5. Rastreie

    Tuberculose, HIV e função adrenal.

  6. Classifique e escolha a rota

    Oral ambulatorial, indução venosa ou esquema para o SNC.

  7. Trate o suporte

    Com a mesma seriedade do antifúngico.

  8. Suspenda por critério

    Nunca por tempo isolado; mantenha seguimento após o término.

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    Diretriz2022
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Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses por peso, função renal/hepática, formas graves e disseminadas, gestação e ajuste por interações medicamentosas devem ser conferidos antes da prescrição.

Conteúdo para educação médica. Condutas devem ser individualizadas e conferidas com protocolos oficiais, contexto epidemiológico e disponibilidade local.
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