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Atlas de Oftalmologia • Pálpebras

Molusco contagioso palpebral

Molluscum contagiosum da pálpebra • conjuntivite folicular por molusco

Infecção da pele por um poxvírus que forma pápulas peroladas com umbilicação central. Na margem palpebral, o vírus é liberado na lágrima e causa uma conjuntivite folicular crônica unilateral que não melhora com colírios: o tratamento é remover a lesão.

Pálpebra e margemPoxvírusCrianças e imunossuprimidosCuretagem ou excisão
10–13 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Molusco contagioso na margem palpebral: pápula perolada com umbilicação central entre os cílios. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Pápula perolada umbilicada na pele ou margem palpebral
  2. 2
    Conjuntivite folicular crônica, geralmente unilateral
  3. 3
    Ausência de resposta a colírios antibióticos ou antialérgicos
  4. 4
    Ceratite puntata superficial e pannus em casos antigos
  5. 5
    Outras lesões na face, tronco ou membros
  6. 6
    Lesões múltiplas, grandes ou confluentes em imunossuprimidos

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Infecção cutânea pelo vírus do molusco contagioso (família Poxviridae), transmitida por contato direto, fômites e autoinoculação.
  2. Lesão típica: pápula perolada, firme, de 1–5 mm, com umbilicação central.
  3. Na margem palpebral, partículas virais na lágrima causam conjuntivite folicular crônica ipsilateral.
  4. Tratamento das lesões palpebrais: remoção (curetagem, excisão, crioterapia).

O que é o molusco contagioso

O vírus do molusco contagioso é um poxvírus de DNA que infecta apenas a epiderme humana. Ele induz a proliferação de queratinócitos, que se enchem de grandes inclusões virais e formam uma pápula em forma de cúpula com centro umbilicado, de onde se pode espremer um material branco e caseoso.

É comum em crianças, transmite-se por contato pele a pele, toalhas, piscinas e autoinoculação (coçar espalha as lesões). Em adultos pode ser transmitido sexualmente. Na pele, as lesões regridem espontaneamente em meses a poucos anos; na pálpebra, porém, a convivência com a superfície ocular cria um problema próprio.

Conjuntivite folicular crônica e unilateral que não responde a colírios: examine a margem palpebral e procure uma pápula umbilicada.

Quem é acometido

Crianças

Grupo mais acometido, sobretudo em idade escolar; dermatite atópica facilita a disseminação.

Adultos

Contato íntimo; lesões genitais e abdominais.

Imunossuprimidos

HIV com CD4 baixo, transplantados, quimioterapia: lesões numerosas, gigantes, confluentes, inclusive na conjuntiva.

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O essencial de quadro clínico

  1. Pápulas peroladas, umbilicadas, isoladas ou em grupo, sem inflamação ao redor (salvo quando regridem).
  2. Olho vermelho crônico do mesmo lado, com folículos e secreção mucosa discreta.
  3. Pode haver ceratite puntata superficial e pannus.
  4. Imunossuprimidos: dezenas de lesões, inclusive na conjuntiva bulbar.

A lesão de pele

A pápula é lisa, brilhante, cor da pele, branca ou rósea. Lesões na margem podem ser pequenas e ficar escondidas entre os cílios. Quando o sistema imune "descobre" a lesão, ela fica vermelha e inflamada antes de regredir — sinal de bom prognóstico, não de infecção bacteriana.

Umbilicação

Depressão central característica; mais visível com lupa.

Tamanho

Em geral 1–5 mm; gigantes (> 1 cm) em imunossuprimidos.

Autoinoculação

Lesões em linha onde houve coçadura.

As manifestações oculares

A reação ocular é tóxico-imunológica ao material viral, e não infecção da conjuntiva propriamente dita (exceto em imunossuprimidos, que podem ter lesões conjuntivais).

ManifestaçãoO que se vêComentário
Conjuntivite folicular crônicaFolículos no fundo de saco inferior, hiperemia, secreção mucosaUnilateral, do lado da lesão; semanas a meses
Ceratite puntata superficialPontos que coram com fluoresceínaSobretudo na córnea superior
PannusVasos superficiais invadindo a córnea superiorCasos de longa duração
Lesões conjuntivaisNódulos na conjuntiva bulbar ou tarsalTípicas de imunossupressão

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O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico, com lâmpada de fenda e exame cuidadoso da margem.
  2. Histologia: corpúsculos de Henderson-Patterson (inclusões eosinofílicas).
  3. Muitas lesões ou lesões grandes no adulto: sorologia para HIV.
  4. Dermatoscopia mostra a umbilicação e vasos em coroa.

Como examinar

  1. Inspeção da face e do corpo

    Outras pápulas confirmam o diagnóstico e mostram a extensão.

  2. Margem palpebral na lâmpada de fenda

    Afastar os cílios e examinar as duas pálpebras do olho afetado, de canto a canto.

  3. Conjuntiva

    Folículos no fundo de saco inferior e tarso; procurar nódulos em imunossuprimidos.

  4. Córnea com fluoresceína

    Ceratite puntata e pannus.

  5. Contexto

    Idade, número de lesões, imunossupressão, contatos.

Histopatologia

A epiderme forma lóbulos invaginados com queratinócitos cheios de grandes inclusões intracitoplasmáticas eosinofílicas — os corpúsculos do molusco (Henderson-Patterson) —, que se tornam basofílicas perto da superfície. É raramente necessária, mas útil em lesões atípicas.

Histologia

Corpúsculos do molusco

Lóbulos epidérmicos com grandes inclusões eosinofílicas no citoplasma dos queratinócitos.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveFolículos, linfonodo pré-auricular, aguda
Como diferenciarAgudo, frequentemente bilateral; sem lesão na margem.
Achado-chaveFolicular crônica no adulto jovem
Como diferenciarFolículos grandes, pannus, sem pápula palpebral; PCR.
Conjuntivite tóxica por colírios
Achado-chaveFolículos após uso prolongado de colírios
Como diferenciarHistória medicamentosa; melhora ao suspender.
Achado-chaveNódulo firme no tarso
Como diferenciarSem umbilicação; não causa folículos.
Carcinoma basocelular
Achado-chaveNódulo perolado com telangiectasias
Como diferenciarAdulto/idoso, crescimento lento, ulceração; biópsia.
Ceratoacantoma
Achado-chaveNódulo com cratera central de queratina
Como diferenciarCrescimento rápido em semanas, maior; idoso.

Galeria clínica

Procure a umbilicação e relacione a lesão da margem com o olho do mesmo lado. Toque para ampliar.

Pápula umbilicada na margem

Lesão perolada com depressão central, entre os cílios da pálpebra superior. Pequena, mas suficiente para manter uma conjuntivite crônica do mesmo lado.

MargemUmbilicação

Conjuntivite folicular associada

Fundo de saco inferior com folículos (elevações translúcidas com vasos na periferia) e hiperemia. Note que o olho contralateral costuma estar normal.

FolículosUnilateral

Múltiplas lesões perioculares

Várias pápulas na pele das pálpebras e da face de uma criança, algumas em linha (autoinoculação). Examine todas as margens.

CriançaAutoinoculação

Molusco no imunossuprimido

Lesões numerosas, grandes e confluentes nas pálpebras de um adulto. Esse padrão sugere imunossupressão grave, como HIV com CD4 baixo.

HIVLesões gigantes

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Lesões na margem palpebral com conjuntivite: remoção mecânica.
  2. Opções: curetagem, excisão (shave), crioterapia ou expressão do conteúdo.
  3. Agentes tópicos (berdazimer, cantaridina) são para o corpo e não devem ser usados perto dos olhos.
  4. Lesões fora da margem e sem sintomas oculares podem ser observadas.

Remoção da lesão palpebral

A remoção elimina a fonte de partículas virais. Em crianças colaborativas pode ser feita no consultório com anestésico tópico; nas pequenas, com sedação. A conjuntivite folicular regride em semanas após a retirada.

Curetagem / shave

Remove a lesão inteira; método mais usado na margem.

Expressão do conteúdo

Abrir a lesão com agulha e espremer o núcleo caseoso.

Crioterapia

Nitrogênio líquido; cuidado com despigmentação e perda de cílios.

Cauterização

Alternativa em lesões pequenas.

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário. Na margem palpebral o tratamento é procedimento; os medicamentos tópicos aparecem apenas para lesões em outras áreas do corpo.

Evitar transmissão

  • Não coçar nem espremer as lesões em casa (autoinoculação).
  • Toalhas, maquiagem e esponjas de uso individual.
  • Cobrir lesões do corpo em esportes de contato e piscina.
  • A criança não precisa ser afastada da escola.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  3. 3
    Livro-texto2023
    Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier; 2023.
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    Artigo2019
    Meza-Romero R, Navarrete-Dechent C, Downey C. Molluscum contagiosum: an update and review of new perspectives in etiology, diagnosis, and treatment. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2019;12:373–381.
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    Badri T, Gandhi GR. Molluscum Contagiosum. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.
  6. 6
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Molluscum Contagiosum. Acesso em 2026.
  7. 7
    Artigo2024
    U.S. Food and Drug Administration. Zelsuvmi (berdazimer topical gel, 10.3%) — prescribing information. 2024.
  8. 8
    Artigo2023
    U.S. Food and Drug Administration. Ycanth (cantharidin topical solution, 0.7%) — prescribing information. 2023.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Agentes tópicos citados são para lesões fora da região periocular e podem não estar disponíveis no Brasil.

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