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Guia de Zoonoses • Parasitas

Teníase

Taenia solium, T. saginata e T. asiatica — cestódeos cujo verme adulto vive no intestino delgado humano

Infecção intestinal pelo verme adulto da tênia, adquirida ao comer carne bovina ou suína crua ou malpassada com cisticercos. Costuma ser leve, mas o portador de T. solium elimina ovos capazes de causar cisticercose em si mesmo e nos contactantes. O tratamento é simples: praziquantel em dose única.

Cestódeo intestinalCarne crua ou malpassadaRisco de cisticercose (<em>T. solium</em>)Praziquantel dose única
14–18 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Teníase é a presença do verme adulto de Taenia no intestino delgado humano.
  2. O ser humano é o único hospedeiro definitivo; boi (T. saginata) e porco (T. solium, T. asiatica) são intermediários.
  3. A infecção é adquirida comendo carne crua ou malpassada com cisticercos.
  4. Só T. solium causa cisticercose humana — e quem a espalha é o portador do verme adulto.

O que é teníase

A teníase e a cisticercose são duas doenças distintas causadas por fases diferentes do mesmo grupo de cestódeos. Na teníase, o ser humano come o cisticerco (larva) na carne e alberga o verme adulto no intestino; na cisticercose, ingere o ovo de T. solium e passa a abrigar larvas nos tecidos, como faria um porco. Este artigo trata da primeira; a segunda tem artigo próprio (Cisticercose).

Teníase por T. solium não é só uma verminose: o portador é a fonte de ovos que causam neurocisticercose nele próprio e em quem convive com ele. Tratar e rastrear a casa é prevenção neurológica.

O agente

O verme adulto é uma fita segmentada que pode medir metros. Tem um escólex que se fixa à mucosa, um colo que gera continuamente novos segmentos e um estróbilo de proglotes que amadurecem até ficarem grávidas, repletas de ovos. As três espécies diferem em hospedeiro, tamanho e morfologia — e só uma delas ameaça o sistema nervoso humano.

Agente etiológico

Taenia spp. — verme adulto

Cestódeo hermafrodita que vive anos no intestino delgado, ligado à mucosa pelo escólex.

  • T. saginata: 4–12 m (até 25 m); 1.000–2.000 proglotes; escólex sem ganchos.
  • T. solium: 2–8 m; cerca de 1.000 proglotes; escólex com dupla coroa de ganchos.
  • T. asiatica: 4–8 m; morfologicamente muito semelhante a T. saginata.

Formas do parasita

<em>T. solium</em>

Escólex armado

Quatro ventosas e rostelo com dupla coroa de ganchos.

<em>T. saginata</em>

Escólex inerme

Quatro ventosas, sem rostelo e sem ganchos.

Identifica a espécie

Proglote grávida

Ramos uterinos por lado: cerca de 7–13 em T. solium e 15–20 em T. saginata.

Nas fezes

Ovo de Taenia sp.

Embrióforo radiado e oncosfera com 3 pares de ganchos — igual nas três espécies.

Ciclo biológico

O ciclo exige dois hospedeiros. O humano elimina proglotes e ovos nas fezes; o animal ingere os ovos e forma cisticercos nos músculos (ou no fígado, em T. asiatica); o humano come a carne crua e o cisticerco vira verme adulto em cerca de dois meses. Ovos aparecem nas fezes 2–3 meses após a infecção.

Ciclo biológico

Humano (adulto) ↔ boi/porco (cisticerco)

O desvio que importa: em T. solium, o humano que ingere ovos funciona como hospedeiro intermediário acidental e desenvolve cisticercose.

  1. Ingestão do cisticerco

    Carne bovina (T. saginata), suína (T. solium) ou vísceras suínas (T. asiatica) cruas ou malpassadas.

  2. Evaginação e fixação

    No intestino delgado, o escólex evagina e se prende à mucosa.

  3. Verme adulto

    Em cerca de 2 meses forma o estróbilo; pode viver anos.

  4. Eliminação

    Proglotes grávidas e ovos saem nas fezes; os de T. saginata podem sair ativamente pelo ânus.

  5. Hospedeiro intermediário

    Boi ou porco ingere ovos no ambiente e forma cisticercos nos tecidos.

Epidemiologia

T. saginata tem distribuição mundial onde se come carne bovina crua ou malpassada; T. solium concentra-se em regiões da América Latina, África subsaariana e Ásia com criação de porcos soltos e saneamento precário; T. asiatica restringe-se ao leste e sudeste da Ásia. No Brasil, o complexo teníase–cisticercose é historicamente mais relatado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A carga de doença vem quase toda da cisticercose: a OMS estima que a neurocisticercose responde por cerca de 30% dos casos de epilepsia em áreas endêmicas — até 70% em algumas comunidades.

2–3 mesesDa ingestão até ovos nas fezes
50–100 milOvos por proglote/verme, conforme a espécie (CDC)
~30%Epilepsias atribuídas à NCC em áreas endêmicas (OMS)

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O essencial de transmissão e risco

  1. Teníase: comer carne crua ou malpassada com cisticercos vivos.
  2. Cisticercose: ingerir ovos de T. solium — via fecal-oral, a partir de um portador.
  3. O portador de T. solium pode se autoinfectar e infectar a família.
  4. Saneamento precário e porcos com acesso a fezes humanas mantêm o ciclo.

Como se adquire a teníase

A teníase não passa de pessoa a pessoa: só a carne com cisticercos vivos infecta. Pratos com carne crua ou malpassada, embutidos caseiros sem cura adequada e abate clandestino, sem inspeção, são as fontes clássicas.

Fontes de infecção

Uma espécie para cada carne

Bovina → T. saginata. Suína → T. solium. Fígado e vísceras suínas (Ásia) → T. asiatica.

Por que é zoonose

O ciclo depende obrigatoriamente do animal de corte como hospedeiro intermediário. O humano é o único hospedeiro definitivo: sem fezes humanas no ambiente, o boi e o porco não se infectam.

O portador de T. solium como fonte de cisticercose

Os ovos eliminados pelo portador de T. solium já são infectantes para humanos. Por mãos mal lavadas, alimentos manipulados por ele ou ambiente contaminado, chegam à boca do próprio portador (autoinfecção) e dos conviventes — por isso a cisticercose se concentra em famílias e pode ocorrer em quem nunca comeu carne de porco.

  • Autoinfecção: o próprio portador pode desenvolver cisticercose.
  • Contactantes domiciliares: risco aumentado; rastrear teníase na casa de todo paciente com neurocisticercose (CDC).
  • Manipuladores de alimentos portadores expõem muitas pessoas de uma vez.

Fatores de risco

O risco individual é sobretudo alimentar; o risco coletivo, sanitário. Onde há evacuação a céu aberto, fossas inadequadas ou porcos criados soltos (às vezes alimentados com dejetos humanos), o ciclo se mantém na comunidade.

  • Consumo de carne bovina ou suína crua, malpassada ou de procedência sem inspeção.
  • Abate e criação domésticos, comuns em áreas rurais.
  • Saneamento básico precário e hortas irrigadas com água contaminada (risco de ovos → cisticercose).
  • Viagem ou origem em área endêmica de T. solium.

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O essencial de quadro clínico

  1. A maioria é assintomática ou oligossintomática.
  2. Eliminação de proglotes é a manifestação mais característica — e a que mais angustia o paciente.
  3. T. saginata costuma dar mais sintomas (verme maior, proglotes móveis).
  4. Crises convulsivas em portador de T. solium sugerem neurocisticercose, não teníase.

Manifestações da teníase

O verme adulto provoca pouca agressão à mucosa, e muitos portadores só descobrem a infecção ao ver proglotes. Quando há sintomas, são digestivos e inespecíficos; o CDC observa que a teníase por T. saginata é mais frequentemente sintomática, pelo tamanho do verme.

Digestivos

Desconforto epigástrico ou periumbilical, náusea, flatulência, diarreia ou constipação, “fome dolorosa”.

Gerais

Anorexia ou aumento do apetite, perda de peso, astenia; prurido anal pela passagem de proglotes.

Eosinofilia, quando presente, costuma ser discreta. Ausência de eosinofilia não afasta teníase.

Sinais característicos

O sinal que fecha o diagnóstico clínico é ver o parasita. As proglotes de T. saginata são móveis e podem sair pelo ânus fora da evacuação; as de T. solium costumam sair passivamente, em cadeias, junto com as fezes.

Achado característico

Proglotes nas fezes ou na roupa

Segmentos brancos, achatados, de 1–2 cm, às vezes ainda se movendo.

Sugere <em>T. saginata</em>

Saída ativa pelo ânus

Proglote que migra pela região perianal, com prurido ou sensação de algo saindo.

Após tratamento

Verme expelido

Achar o escólex confirma a eliminação e permite identificar a espécie.

Complicações e sinais de alerta

Complicações do verme adulto são raras: migração de proglotes para apêndice, colédoco ou ducto pancreático e, excepcionalmente, obstrução intestinal. O alerta mais importante, porém, não é intestinal — é neurológico, e indica cisticercose associada.

AchadoO que sugereConduta
Dor em FID, febreApendicite por proglotes (raro)Avaliação cirúrgica habitual.
Icterícia, cólica biliar, pancreatiteMigração para via biliar/pancreática (raro)Imagem e conduta como obstrução biliar.
Crise convulsiva, cefaleia crônica, déficit focal, hipertensão intracranianaNeurocisticercoseTC/RM antes do tenicida; ver artigo Cisticercose.
Nódulos subcutâneos, alteração visualCisticercose extraneural / ocularAvaliação específica; fundo de olho.

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O essencial de diagnóstico

  1. Parasitológico de fezes em 3 amostras de dias diferentes (CDC).
  2. Ovos de T. solium, T. saginata e T. asiatica são indistinguíveis.
  3. Espécie: proglote grávida, escólex, coproantígeno ou PCR.
  4. No portador de T. solium com sintomas neurológicos, neuroimagem antes de tratar.

O que solicitar, e em que ordem

O diagnóstico de teníase é parasitológico. Como a eliminação de ovos e proglotes é intermitente, a sensibilidade cresce com amostras seriadas; em seguida, vale tentar a espécie, porque ela muda o risco para o paciente e para a família.

  1. Proglotes trazidas pelo paciente

    Examine-as: são o material mais útil para a espécie.

  2. Fezes seriadas

    Três amostras em dias diferentes, com técnica de concentração.

  3. Fita perianal (Graham)

    Pode captar ovos, sobretudo em T. saginata, cujas proglotes migram pela pele perianal.

  4. Espécie

    Ramos uterinos da proglote, escólex após tratamento, coproantígeno ou PCR (laboratórios de referência).

  5. Rastrear cisticercose quando indicado

    Sintomas neurológicos → TC/RM; alteração visual → fundo de olho.

Métodos diagnósticos

A microscopia é o método disponível em toda parte, mas não separa as espécies. Coproantígeno e técnicas moleculares são mais sensíveis e podem identificar a espécie, porém o CDC lembra que seguem restritos, em grande parte, à pesquisa e a centros de referência.

MétodoUtilidadeLimitação / interpretação
Parasitológico de fezesDetecta ovos de Taenia sp.; confirma teníase.Sensibilidade limitada e intermitente; ovos iguais nas três espécies.
Exame de proglote grávidaConta ramos uterinos (clarificação ou injeção de tinta).Proglotes de T. solium contêm ovos infectantes: luvas e descarte seguro.
Escólex (após tratamento)Ganchos = T. solium; sem ganchos = T. saginata/T. asiatica.Raramente recuperado; exige peneirar as fezes pós-tratamento.
Fita perianalÚtil para ovos de T. saginata.Não diferencia espécie.
Coproantígeno (ELISA)Mais sensível que a microscopia; detecta mesmo sem ovos.Disponibilidade restrita; alguns ensaios são gênero-específicos.
PCR em fezes ou progloteIdentifica a espécie, inclusive T. asiatica.Centros de referência e pesquisa.

Quando investigar cisticercose no portador

Não há recomendação de neuroimagem para todo portador assintomático. A investigação é obrigatória quando o portador de T. solium — ou de espécie indeterminada vindo de área endêmica — tem crises, cefaleia crônica ou progressiva, déficit focal, sinais de hipertensão intracraniana, alteração visual ou nódulos subcutâneos. A conduta da cisticercose está no artigo Cisticercose.

Pode tratar a teníase direto

  • Sem sintomas neurológicos ou oculares.
  • T. saginata identificada.

Investigar antes

  • Crise convulsiva atual ou prévia.
  • Cefaleia crônica, déficit focal, papiledema.
  • Alteração visual (cisticerco ocular).

Diagnósticos diferenciais

Os diferenciais da teníase são, na prática, outros vermes que o paciente pode trazer ou descrever, e outras causas de dor abdominal vaga. A descrição do material eliminado costuma resolver.

DiferencialPor que confundeO que ajuda a separar
Diphyllobothrium (tênia de peixe)Cestódeo longo com proglotes nas fezes.Peixe cru; ovo operculado; proglote mais larga que longa.
Hymenolepis nanaCestódeo, ovos nas fezes.Verme pequeno; ovo característico; dose de praziquantel diferente.
Dipylidium caninumProglotes móveis na região perianal de crianças.Contato com cães/gatos e pulgas; proglote em “semente de pepino”.
Enterobius vermicularisPrurido anal e “vermes” perianais.Vermes filiformes brancos de ~1 cm, não segmentados.
Ascaris lumbricoidesVerme eliminado nas fezes.Nematódeo cilíndrico, não segmentado.
Dispepsia, SII e outras causas de dor abdominalSintomas vagos semelhantes.Ausência de proglotes e de ovos em amostras seriadas.

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O essencial de tratamento

  1. Praziquantel 5–10 mg/kg VO em dose única é a 1ª escolha (CDC, OMS); 10 mg/kg tende a curar mais.
  2. Niclosamida 2 g dose única é alternativa segura, mas indisponível no Brasil.
  3. Albendazol 400 mg/dia por 3 dias é alternativa; nitazoxanida e mebendazol têm evidência limitada.
  4. Portador de T. solium com sintomas neurológicos: investigar neurocisticercose antes de dar praziquantel ou albendazol.

Princípios do tratamento

Todo portador deve ser tratado — inclusive o assintomático — porque o verme vive anos e, em T. solium, cada dia de infecção é uma fonte de ovos para a cisticercose. O tratamento é curto e, na maioria dos casos, de dose única.

A escolha do fármaco gira em torno de uma pergunta: há chance de neurocisticercose não reconhecida? O praziquantel e o albendazol matam também cisticercos, e a inflamação ao redor do cisto morto pode precipitar crises. A niclosamida não é absorvida e não age no cisticerco — por isso é a opção mais segura onde existe.

Doses da pesquisa de base revisadas

O mebendazol 200 mg 12/12 h por 3 dias e a nitazoxanida 500 mg 12/12 h por 3 dias constam do Guia de Bolso do Ministério da Saúde (2010), mas não são recomendados pelo CDC nem pela OMS para teníase; aparecem aqui como opções de evidência limitada. O albendazol 400 mg/dia por 3 dias foi confirmado (CDC 2024; OMS 2022).

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário clínico. Abra a que corresponde ao seu paciente; o botão “Ver detalhes” abre a ficha completa do medicamento, com cálculo de dose por peso.

Erros comuns no tratamento

Os erros vêm de tratar a teníase como uma verminose qualquer: escolher esquemas de baixa eficácia, esquecer a pergunta neurológica e não fechar o seguimento.

ErroPor que é um problemaComo evitar
Albendazol 400 mg em dose únicaCura cerca de metade das teníases; o esquema de 3 dias curou todas em ensaio randomizado.Manter 400 mg/dia por 3 dias.
Praziquantel sem perguntar por crisesPode desencadear inflamação de cistos e crises em NCC oculta.Triagem neurológica antes; na dúvida, neuroimagem.
Usar dose de esquistossomose ou NCCDose de teníase é muito menor (5–10 mg/kg).Confirmar a indicação antes de calcular.
Não fazer controle de curaFalha passa despercebida e o portador segue eliminando ovos.Fezes em 1 e 3 meses.
Tratar só o caso índiceO portador de T. solium pode estar na família.Rastrear conviventes.

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O essencial de cenários especiais

  1. Paciente com neurocisticercose: procure a tênia nele e na casa.
  2. Manipulador de alimentos portador de T. solium: tratar logo e afastar até a cura.
  3. Gestante: a espécie define se dá para esperar.
  4. Viajante: pense em T. asiatica após consumo de vísceras suínas na Ásia.

O que muda em cada cenário

Quase toda variação na conduta vem de duas perguntas: a espécie pode ser T. solium? E há cisticercose, conhecida ou oculta? A tabela resume como cada cenário responde a elas.

CenárioParticularidadeO que fazer diferente
Paciente com neurocisticercosePode ser também portador de teníase (autoinfecção).Fezes seriadas; tenicida integrado ao plano da NCC; rastrear a casa.
Portador de T. solium com criseProvável NCC.Neuroimagem e fundo de olho antes do tenicida (Rota 2).
Manipulador de alimentosPode expor muitas pessoas a ovos de T. solium.Tratar prontamente, reforçar higiene das mãos, confirmar cura; seguir normas locais da vigilância.
GestanteRisco do fármaco × risco de cisticercose.Rota 4; decisão com obstetrícia.
Criança pequena (<4 anos)Segurança do praziquantel não estabelecida (bula/CDC).Individualizar; OMS trata a partir de 2 anos.
Viajante vindo da ÁsiaT. asiatica por fígado/vísceras suínas crus.Mesmo tratamento; espécie só por PCR.
Uso de rifampicina, carbamazepina, fenitoína ou dexametasonaReduzem muito o nível do praziquantel.Ver interações na ficha; rifampicina deve ser suspensa antes (bula).

Teníase e cisticercose no mesmo paciente

Uma parcela dos pacientes com neurocisticercose ainda alberga o verme adulto, e muitos portadores de T. solium têm cisticercos silenciosos. As duas condições precisam ser pensadas juntas, mas tratadas com objetivos diferentes: eliminar o verme é rápido; tratar cistos cerebrais exige corticoide, controle de crises e avaliação da carga e da localização dos cistos.

Por isso, no paciente com NCC, o tenicida entra no plano neurológico, e não como prescrição isolada. Os detalhes do manejo estão no artigo Cisticercose.

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O essencial de seguimento e prevenção

  1. Controle de cura com fezes em 1 e 3 meses (CDC).
  2. Prevenção individual: carne inspecionada e bem cozida (≥63 °C + repouso; moída ≥71 °C).
  3. Prevenção coletiva: saneamento, suínos confinados e inspeção de carcaças.
  4. Tratar o portador de T. solium é a medida que mais protege contra cisticercose ao redor dele.

Como acompanhar

O seguimento é parasitológico: fezes em 1 e 3 meses após o tratamento, segundo o CDC (o Guia de Bolso do MS sugere ao menos o exame de 3 meses). Ovos ou proglotes nesse período indicam falha ou reinfecção e pedem retratamento.

Oriente o paciente a voltar se voltar a ver proglotes, e a procurar atendimento imediato se tiver crise convulsiva, cefaleia intensa ou alteração visual nos dias seguintes à dose.

Prevenção individual

A teníase se previne no prato, e a cisticercose, nas mãos. Para o verme adulto, o que importa é que o cisticerco chegue morto à mesa; para os ovos de T. solium, higiene e água segura.

  • Cozimento: cortes inteiros a ≥63 °C no ponto mais espesso + 3 min de repouso; carne moída a ≥71 °C (CDC).
  • Procedência: carne com selo de inspeção (SIF, SIE ou SIM); evitar abate clandestino.
  • Higiene: lavar as mãos após usar o banheiro e antes de preparar alimentos; higienizar hortaliças.
  • Eliminação de proglotes: não descartar no ambiente; dar descarga e tratar o portador.

Prevenção coletiva e controle — OMS

A OMS organiza o controle de T. solium em três camadas: intervenções de impacto rápido (tratar a teníase humana e tratar/vacinar suínos), medidas de suporte (educação em saúde, saneamento, fim da evacuação a céu aberto) e mudanças estruturais (fim da criação de porcos soltos e melhor inspeção de carnes).

Humanos

Tratar portadores; em áreas hiperendêmicas, tratamento em massa com triagem neurológica.

Suínos

Confinamento, vacina TSOL18 e oxfendazol onde implantados.

Carne

Inspeção de carcaças e destinação das infectadas conforme norma sanitária.

Vigilância e notificação no Brasil

A teníase não consta da Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente (Portaria GM/MS nº 11.211/2026). Alguns estados têm vigilância própria do complexo teníase–cisticercose — o Paraná, por exemplo, notifica a cisticercose humana recente como agravo de interesse estadual e prevê investigação dos casos de teníase.

Verifique as normas do seu estado e município. Casos de cisticercose animal em frigorífico são sinal de transmissão humana local e interessam à vigilância.

Referências principais

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    Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Overview of Taeniasis. Atualizado em 3 maio 2024.
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    Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Care of Taeniasis. Atualizado em 3 maio 2024.
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    Centers for Disease Control and Prevention (CDC). About Taeniasis (prevenção e temperaturas de cozimento). 2024.
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    Centers for Disease Control and Prevention (CDC). DPDx — Taeniasis. Ciclo de vida, morfologia e diagnóstico laboratorial.
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    World Health Organization (WHO). Taeniasis/cysticercosis — Fact sheet. 11 jan. 2022.
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    White AC Jr, Coyle CM, Rajshekhar V, et al. Diagnosis and treatment of neurocysticercosis: 2017 clinical practice guidelines by IDSA and ASTMH. Clin Infect Dis. 2018;66(8):e49–e75.
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    Documento oficial2018
    Paraná. Secretaria de Estado da Saúde. Nota Técnica SESA/SVS/CEVA/DVVZI 01/2018 — Orientações sobre a vigilância da teniose e cisticercose. 2018.
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    Documento oficial2026
    Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026. Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente.
  17. 17
    Artigo
    Bula de praziquantel 150 mg (Cestox®) e Biltricide® (FDA) — posologia em teníase, contraindicações e lactação.

Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Antes de prescrever praziquantel ou albendazol a portador de T. solium, pergunte por crises e sintomas neurológicos; confira a dose por peso, a disponibilidade local (niclosamida não é comercializada no Brasil) e a conduta em gestantes e crianças pequenas.

Conteúdo para educação médica. Condutas devem ser individualizadas e conferidas com protocolos oficiais, contexto epidemiológico e disponibilidade local.
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