Geotrichum candidum — fungo artroconidial ambiental e oportunista
Micose oportunista rara: o fungo vive no ambiente e pode apenas colonizar pele, vias aéreas e intestino. A doença invasiva ocorre sobretudo em imunocomprometidos e exige confirmação microbiológica, definição da extensão e terapia antifúngica rápida.
12–15 min de leitura Atualizado em outubro de 2026
Em 30 segundos
O essencial de visão geral
Micose rara e oportunista por Geotrichum spp., sobretudo G. candidum.
O fungo é ambiental e pode só colonizar: diferenciar colonização × infecção é o primeiro passo.
Forma invasiva (fungemia, pulmão, pele, órgãos profundos) ocorre em imunocomprometidos, com mortalidade elevada.
Evidência baseada em relatos e séries de casos — recomendações com certeza limitada.
O que é geotricose
Geotricose é a infecção por fungos do gênero Geotrichum, especialmente G. candidum. O fungo está no ambiente e em alimentos e pode colonizar humanos sem causar doença — é isso que torna a interpretação de uma cultura positiva o primeiro desafio.
Quando há invasão, o espectro inclui fungemia, doença pulmonar, lesões de pele e disseminação para órgãos profundos, quase sempre em imunocomprometidos.
Isolamento em amostra não estéril não significa automaticamente doença: pesam hospedeiro, sítio, histopatologia, repetição do isolamento e invasão tecidual ou fungemia.
O agente
A morfologia de G. candidum dá boas pistas: hifas que se fragmentam em artroconídios, sem blastoconídios, e prova de urease negativa. Mas essas pistas não bastam, porque outros fungos também formam artroconídios. Por isso o agente só é dado como identificado com cultura e um método confiável.
Agente etiológico
Geotrichum candidum
Fungo leveduriforme/filamentoso artroconidial, urease-negativo. Forma hifas hialinas septadas que se fragmentam em artroconídios retangulares de tamanhos variáveis.
Ausência de blastoconídios ajuda no raciocínio morfológico.
Ubíquo em solo, matéria orgânica em decomposição e alimentos, incluindo lácteos.
Coloniza pele e mucosas respiratória e gastrointestinal sem causar doença.
Microscopia e morfologia associadas à geotricose — toque para ampliar.
Identificação definitiva: cultura + método confiável — MALDI-TOF com base adequada ou sequenciamento ITS/D1-D2 quando necessário.
Taxonomia: por que o nome importa
O nome no laudo muda a conduta. Artigos e laudos antigos misturam Geotrichum, Magnusiomyces, Saprochaete e Trichosporon, e a revisão taxonômica de 2024 reforçou que são grupos distintos. Por isso, epidemiologia, suscetibilidade e recomendações terapêuticas não devem ser extrapoladas entre gêneros.
Taxonomia
Três grupos que não devem ser misturados
A revisão de 2024 reforçou a separação filogenética entre Geotrichum e Magnusiomyces/Saprochaete.
Geotrichum: G. candidum — foco deste artigo.
Magnusiomyces / Saprochaete: G. capitatum foi reclassificado e não é sinônimo atual de G. candidum.
Trichosporon: tricosporonose é outra entidade, embora também forme artroconídios.
Fisiopatologia
O fungo tem baixa virulência; quem determina a doença é o hospedeiro. Em imunossuprimidos, a colonização respiratória ou gastrointestinal pode preceder a invasão, enquanto na forma cutânea localizada a porta de entrada é o trauma ou a lesão de barreira. Por isso, no neutropênico ou gravemente imunocomprometido, fungemia ou doença profunda por Geotrichum deve ser tratada como infecção fúngica invasiva de alto risco.
Fisiopatologia
Fungo de baixa virulência + hospedeiro vulnerável
Do contato ou colonização à invasão tecidual e à disseminação hematogênica.
Fisiopatologia da geotricose — toque para ampliar.
Contato ou colonização
Fungo no ambiente, em alimentos ou como colonizante transitório.
Quebra de barreira ou imunossupressão
Neutropenia, neoplasia, diabetes descompensado, trauma ou queimadura.
Invasão tecidual
Hifas e artroconídios no tecido, com resposta inflamatória variável.
Disseminação hematogênica
Fungemia com lesões pulmonares, cutâneas e focos em órgãos profundos.
Persistência / foco profundo
Endocardite, olho, osso/articulação ou SNC → controle de foco e tratamento prolongado.
Frequência e prognóstico
A geotricose é muito rara: G. candidum responde por pequena fração dos fungos emergentes, e a literatura é dominada por relatos individuais. Não há período de incubação clínico padronizado.
Entre as apresentações invasivas, a fungemia é uma das mais relevantes, e os pulmões são sítio frequente em imunocomprometidos; a neutropenia é fator de risco importante, como em outras micoses raras. A mortalidade é elevada sobretudo em onco-hematológicos — reflexo tanto da infecção quanto da gravidade do hospedeiro.
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O essencial de transmissão e risco
Fungo ambiental: solo, matéria orgânica, vegetais e alimentos (inclusive maturação de queijos).
Não há cadeia de transmissão típica de zoonose, e vínculo com animais não é requisito para suspeitar.
Transmissão pessoa a pessoa não é mecanismo habitual.
O risco está no hospedeiro: neutropenia, neoplasia, imunossupressão, diabetes e barreira rompida.
Exposição ambiental, colonização e infecção
Solo e matéria orgânica são os reservatórios relevantes, e o fungo também está em alimentos — é usado inclusive na maturação de certos queijos. Em humanos, pode colonizar pele e tratos respiratório e gastrointestinal sem doença invasiva. No Guia de Zoonoses, a geotricose entra como micose ambiental/oportunista: o que transforma contato em doença é o hospedeiro.
Ciclo de exposição
Ambiente → colonização → hospedeiro vulnerável
Contato ambiental e colonização são comuns; a doença depende da vulnerabilidade do hospedeiro.
Não há evidência para considerar a transmissão pessoa a pessoa como mecanismo habitual.
Quem tem mais risco
Como o contato com o fungo é comum, o risco se concentra em quem não consegue contê-lo. O grupo clássico de doença invasiva e disseminada é o de neoplasia hematológica com neutropenia; nos demais, o mecanismo é imunossupressão, barreira rompida ou doença crítica.
Neoplasia hematológica e neutropenia — grupo clássico de doença invasiva e disseminada.
Outras malignidades e imunossupressão — quimioterapia, transplante e imunossupressão intensa.
Diabetes descompensado — descrito em casos invasivos e cutâneos.
HIV/aids e imunodeficiência avançada — formas mucosas, pulmonares ou disseminadas.
Trauma, cirurgia, queimaduras — barreira rompida permite inoculação e infecção localizada.
Doença crítica — internação prolongada, dispositivos invasivos e múltiplos antimicrobianos.
O que não está estabelecido
Por ser uma micose ambiental sem cadeia de transmissão definida, a geotricose não tem as ferramentas de prevenção típicas das zoonoses. Vale saber o que não existe para não prometer nem indicar o que não tem base.
Vacina humana contra geotricose.
Profilaxia pós-exposição específica validada.
Rastreamento de contatos.
Medida preventiva específica baseada em contato com animais.
Tratamento de cultura positiva em sítio colonizado sem correlação clínica.
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O essencial de quadro clínico
Espectro de infecção localizada a doença multissistêmica; achados inespecíficos.
Tríade de alerta no alto risco: febre persistente + fungemia + alterações pulmonares/lesões de pele.
Fungemia persistente, progressão em antifúngico ou foco profundo = doença grave.
Apresentações clínicas
O quadro vai da infecção localizada à doença multissistêmica, e nenhum achado isolado é específico. A fungemia pode aparecer sozinha ou acompanhada de focos profundos e lesões cutâneas.
Na forma pulmonar, febre, tosse e dispneia vêm com infiltrados ou nódulos inespecíficos. A pele pode ser acometida de forma primária, após ruptura de barreira, ou por disseminação hematogênica.
No paciente de alto risco, febre persistente + fungemia + pulmão/pele deve ampliar o diferencial para fungos raros.
Achados característicos
Não há sinal patognomônico. O valor destes achados está no contexto: no hospedeiro certo, cada um deles deve levar à coleta de cultura e à biópsia, e não ao diagnóstico clínico.
Achado característico
Lesões cutâneas múltiplas + fungemia
Pápulas, nódulos ou placas por disseminação hematogênica — sinal de gravidade.
Forma localizada
Úlcera ou necrose em barreira rompida
Após trauma, cirurgia ou queimadura; biopsiar e cultivar.
Achado de imagem
Nódulos e infiltrados na TC
Pneumonia, nódulos, cavitação ocasional; TC define melhor a extensão.
Foco profundo
Endoftalmite
Rara; emergência oftalmológica que pode exigir intervenção local.
Formas focais e profundas
Quase qualquer órgão pode ser semeado, e cada sítio tem um exame e uma conduta próprios. Encontrar um foco profundo muda o tratamento: em geral ele passa a ser prolongado e pode exigir intervenção.
TC é preferível à radiografia para definir extensão.
Pele / partes moles
Pápulas, nódulos, placas, úlceras ou necrose.
Biopsiar lesões suspeitas e correlacionar com cultura.
Olho
Endoftalmite e outras infecções oculares raras.
Emergência oftalmológica; pode exigir intervenção local/cirúrgica.
Coração
Endocardite, inclusive em válvula protética.
Ecocardiograma transesofágico quando há suspeita.
SNC
Abscesso ou outras formas invasivas raras.
RM é preferida para caracterizar extensão.
Osteoarticular
Artrite séptica ou infecção óssea após trauma/inoculação.
Drenagem/debridamento pode ser central no controle de foco.
Gastrointestinal
Infecção intestinal rara em hospedeiros vulneráveis.
Diferenciar colonização de invasão tecidual.
Sinais de gravidade
Embora rara, a geotricose pode ser rapidamente fatal no paciente hematológico, e atraso na identificação ou terapia inadequada pioram o desfecho. Qualquer um dos sinais abaixo indica doença grave e pede antifúngico ativo sem demora.
Fungemia persistente ou recorrente.
Neutropenia profunda/prolongada ou imunossupressão intensa.
Hipoxemia, instabilidade hemodinâmica ou falência de órgãos.
Lesões cutâneas múltiplas em contexto de fungemia.
Suspeita de endocardite, endoftalmite, SNC ou foco osteoarticular profundo.
Progressão clínica ou radiológica durante antifúngico.
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O essencial de diagnóstico
Colete hemoculturas e material do foco antes do antifúngico — sem atrasar terapia no instável.
PAS/GMS demonstra invasão; cultura + MALDI-TOF validado ou ITS/D1-D2 define o agente.
Artroconídios retangulares, sem blastoconídios, urease-negativo: pistas, não confirmação.
Não há breakpoints clínicos específicos: CIM é apoio, não veredito.
Estratégia diagnóstica, em ordem
O diagnóstico responde a três perguntas, nesta ordem: o hospedeiro é de risco, há doença invasiva e qual é o agente. A coleta vem antes do antifúngico sempre que possível, mas nunca à custa de atrasar a terapia no paciente instável.
Defina o risco do hospedeiro
Neutropenia, câncer, transplante, diabetes, HIV/imunossupressão ou ruptura de barreira.
Defina se há doença invasiva
Fungemia, pneumonia, lesões cutâneas múltiplas ou foco profundo.
Colete antes do antifúngico
Hemoculturas e amostras do foco, quando possível, sem atrasar terapia em paciente instável.
Histopatologia
PAS e/ou Grocott-GMS para demonstrar invasão fúngica.
Confirme o agente
Cultura, MALDI-TOF adequadamente validado ou sequenciamento ITS/D1-D2.
Suscetibilidade
Em isolado clinicamente significativo — sem breakpoints específicos validados.
Mapeie a extensão
TC, RM, ecocardiografia e avaliação oftalmológica conforme a síndrome.
Como bater o martelo
Como o fungo pode ser apenas colonizante, uma cultura positiva sozinha não fecha o diagnóstico. O que separa colonização de doença é a combinação de hospedeiro, sítio, repetição do isolamento e evidência de invasão ou fungemia.
Infecção verdadeira
Isolamento em sangue ou sítio estéril com identificação confiável.
Invasão tecidual na histopatologia (PAS/GMS) + cultura ou método molecular identificando Geotrichum.
Síndrome compatível em hospedeiro de risco.
Exige correlação (pode ser colonização)
Isolamento em sítio não estéril (pele, escarro, fezes) sem invasão demonstrada.
Histologia com hifas hialinas septadas sem identificação da espécie.
Identificação apenas fenotípica, com dúvida entre fungos artroconidiais.
Microscopia, histopatologia e cultura
Cada método responde a uma pergunta diferente. A microscopia sugere o grupo, a histopatologia demonstra invasão e a cultura fornece o isolado que será identificado.
Duas ferramentas ajudam a fechar a identificação: G. candidum é urease-negativo, o que o separa de outras leveduras artroconidiais, e o sequenciamento ITS ou D1/D2 do rDNA é a referência robusta quando fenotipagem ou MALDI-TOF deixam dúvida.
Achado característico
Artroconídios retangulares
Hifas ramificadas que se fragmentam; blastoconídios não são típicos.
Histopatologia
Hifas hialinas septadas (PAS/GMS)
Demonstram invasão, mas não são específicas o bastante para confirmar geotricose.
Cultura
Crescimento em meios de rotina
Hemoculturas são relevantes: fungemia é apresentação importante.
Histologia positiva ≠ espécie definida. Sempre que possível, associe tecido a cultura ou método molecular.
Suscetibilidade antifúngica
Não existem breakpoints clínicos nem pontos de corte epidemiológicos validados para G. candidum. A CIM, portanto, é um dado de apoio: deve ser lida junto com o antifúngico em questão, a literatura, o sítio e a resposta clínica.
Quando a CIM ajuda
Falha terapêutica.
Doença grave.
Necessidade de escolher classe alternativa.
O que não fazer
Rotular “sensível/resistente” com breakpoints de Candida.
Decidir esquema ou duração só pela CIM.
Imagem e investigação de extensão
Definir a extensão é o que separa uma fungemia de uma doença de órgão-alvo, e isso muda duração e necessidade de intervenção. O exame é escolhido pela síndrome; quando houve doença de órgão-alvo, a diretriz global recomenda repetir a imagem no seguimento.
Suspeita
Exame preferencial
Objetivo
Pulmão
TC de tórax
Nódulos, infiltrados, cavitações e extensão.
SNC
RM
Abscessos e acometimento profundo.
Olho
Avaliação oftalmológica ± imagem dirigida
Detectar endoftalmite e indicar intervenção.
Endocardite
Ecocardiograma, de preferência transesofágico quando indicado
Vegetação e complicações.
Osteoarticular
RM/TC conforme o sítio
Mapear extensão e orientar drenagem/debridamento.
Diagnósticos diferenciais
Os diferenciais mais traiçoeiros são outros fungos que causam fungemia e lesões no mesmo hospedeiro. Artroconídios aparecem em diferentes gêneros: a morfologia dá a pista, mas é a identificação a gênero e espécie que evita tratar o agente errado.
Diferencial
Por que confunde
O que ajuda a separar
Tricosporonose (Trichosporon spp.)
Levedura artroconidial, fungemia e lesões cutâneas no neutropênico.
Trichosporon é urease-positivo e forma também blastoconídios; confirmar por MALDI-TOF/ITS. Não extrapolar esquema.
Magnusiomyces / Saprochaete (ex-G. capitatum)
Mesmo grupo histórico de nomes; artroconídios; hospedeiro onco-hematológico.
Identificação molecular (ITS/D1-D2) e revisão da nomenclatura do laudo.
Candidíase invasiva
Fungemia em imunossuprimido.
Blastoconídios/pseudo-hifas e identificação em cultura.
Aspergilose
Nódulos pulmonares e hifas hialinas septadas no tecido.
Cultura e identificação; histologia isolada não separa.
Fusariose
Hifas hialinas septadas, fungemia e lesões cutâneas no neutropênico.
Cultura da lesão/sangue com identificação de gênero.
Mucormicose
Infecção invasiva rápida no neutropênico/diabético.
Hifas largas, pouco septadas no tecido; cultura/molecular.
Biópsia com histopatologia + cultura fúngica e bacteriana.
Em 30 segundos
O essencial de tratamento
Doença invasiva: anfotericina B lipossomal ± flucitosina ou voriconazol (suporte moderado, ECMM/ISHAM/ASM 2021).
Equinocandinas não são recomendadas como terapia inicial; progressão em uso exige troca de classe.
Duração não padronizada: sítio, resposta, depuração das culturas, controle de foco e imunidade.
Foco abordável = cirurgia, drenagem ou debridamento além do antifúngico.
Princípios e escolha da rota
Antes de escolher o fármaco, confirme que há doença: isolamento em sítio não estéril sem invasão não se trata. Confirmada a invasão, o objetivo é iniciar rápido uma classe ativa — anfotericina B lipossomal ± flucitosina ou voriconazol —, nunca equinocandina como terapia inicial.
O terceiro pilar é o foco: endocardite, olho, SNC, osso e pele profunda pedem intervenção além do antifúngico. As rotas abaixo partem desses três princípios e mudam conforme idade, órgão acometido e resposta.
Sem ensaios comparativos: recomendações baseadas em séries de casos, experiência clínica e suscetibilidade in vitro. Função renal/hepática, idade, interações e formulação podem exigir ajuste.
Rotas de tratamento
Cada rota é um cenário clínico. Abra só a rota em que o seu paciente está: a tabela mostra dose, frequência e duração de cada esquema, e o nome de cada medicamento abre a ficha completa. Opções do mesmo grupo são alternativas — escolha uma.
Quando esta rota entraAdulto com invasão demonstrada ou fortemente suspeita (fungemia ou doença invasiva). Duração individualizada.
Escolha um esquema de 1ª linha2 esquemas
As duas opções de 1ª escolha são alternativas entre si (suporte moderado).
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaAnfotericina B lipossomal ± flucitosinaInvasiva / fungemia — suporte moderado
Anfotericina B lipossomal3–5 mg/kg EV
24/24 h
Individualizada
Flucitosina exige ajuste renal e nível sérico quando disponível.
Não recomendadas. Se o paciente progride em uso, trocar de classe.
Quando esta rota entraCriança com doença invasiva. Mesmos princípios de escolha e controle de foco do adulto — infectologia pediátrica e farmácia clínica na prescrição.
Escolha um esquema3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaAnfotericina B lipossomal ± flucitosinaTodas as idades
Anfotericina B lipossomal3–5 mg/kg/dia EV
1x/dia
Individualizada
Monitorar função renal, K e Mg. Flucitosina: ajuste renal e TDM particularmente importantes.
Flucitosina (5-FC)± 100–150 mg/kg/dia
Em 3–4 doses
Individualizada
1ª escolhaVoriconazol — dose pediátrica2–<12 anos, ou 12–14 anos com <50 kg
VoriconazolAtaque: 9 mg/kg EV
12/12 h
Dia 1
Alta variabilidade: TDM fortemente recomendado. Via oral requer esquema pediátrico específico.
VoriconazolManutenção: 8 mg/kg EV
12/12 h
A partir do dia 2; individualizada
1ª escolhaVoriconazol — dose de adulto≥15 anos, ou 12–14 anos com ≥50 kg
VoriconazolAtaque: 6 mg/kg EV
12/12 h
Dia 1
Ajustar por formulação, função hepática, interações e níveis.
VoriconazolManutenção: 4 mg/kg
12/12 h
A partir do dia 2; individualizada
Quando esta rota entraLesão localizada profunda ou abordável. A diretriz apoia fortemente o envolvimento cirúrgico, além do antifúngico; duração guiada por resposta clínica e radiológica.
Antifúngico adequado não compensa foco profundo não controlado quando há indicação de intervenção.
Coração, olho e SNC3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
CoraçãoEndocardite (inclui prótese)
Antifúngico de 1ª linha + avaliação de cirurgia valvar
Antifúngico de 1ª linha; intervenção conforme o caso
—
Prolongada
RM para extensão e seguimento.
Osso e pele2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Osso / articulaçãoArtrite séptica / osteomielite
Antifúngico + drenagem ou debridamento
—
Prolongada
Frequentemente após trauma/inoculação.
PeleInfecção profunda de pele / partes moles
Antifúngico + debridamento
—
Prolongada (pode chegar a meses)
Sobretudo em imunossuprimidos.
Quando esta rota entraProgressão em uso de equinocandina ou de terapia inadequada — revisar identificação, exposição ao fármaco e focos antes de concluir resistência.
Revise a identificação
Foi só fenotípica? Confirmar gênero/espécie (MALDI-TOF/ITS) — não confundir com Trichosporon ou Magnusiomyces.
Peça suscetibilidade
Interpretar CIM com contexto, sem breakpoints específicos.
Cheque exposição ao fármaco
Dose, absorção, interações e TDM.
Procure e controle focos
Endocardite, pulmão, pele, olho, SNC; cateteres na fungemia.
Avalie recuperação imune
Neutropenia persistente pesa no desfecho.
Esquemas2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Trocar de classeAnfotericina B lipossomal ± flucitosina ou voriconazolProgressão em equinocandina ou terapia inadequada
Anfotericina B lipossomal3–5 mg/kg EV
24/24 h
Individualizada
Nas doses da Rota 1. Apoiar a escolha em identificação, suscetibilidade e avaliação especializada.
Flucitosina (5-FC)± 25 mg/kg
6/6 h
Individualizada
Voriconazolou Ataque: 6 mg/kg
12/12 h
Dia 1
VoriconazolManutenção: 4 mg/kg
12/12 h
A partir do dia 2; individualizada
EvitarManter a mesma classe e aguardarPersistir em equinocandinas
Não persistir em equinocandina
—
—
Progressão exige terapia ativa de outra classe.
Quando esta rota entraCultura positiva em sítio não estéril, sem invasão nem síndrome compatível.
Esquemas1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Não tratarSem antifúngico
Sem antifúngico
—
—
Reavaliar se o quadro mudar. Correlacionar com hospedeiro, sítio, repetição do isolamento e histopatologia.
Duração do tratamento
Não existe duração padronizada para a geotricose. O tempo de tratamento é individualizado pela resposta clínica, pelo sítio e extensão, pela depuração das hemoculturas, pelo controle de foco e pelo estado imune atual e esperado. Não surpreende, assim, que os relatos de cura variem de semanas a meses.
Situação
Como decidir
Fungemia sem foco profundo
Sem duração universal validada: documentar negativação das hemoculturas e buscar focos ocultos antes de definir o total.
Endocardite / SNC / olho
Tratamento prolongado, multidisciplinar, frequentemente com controle de foco.
Pele / partes moles profunda
Pode exigir meses de terapia e debridamento, sobretudo no imunossuprimido.
Falha terapêutica
Rever identificação, suscetibilidade, exposição ao fármaco, interações, foco e recuperação imune.
Monitoramento durante o tratamento
Todos os antifúngicos de primeira linha têm toxicidade relevante, e a exposição ao fármaco varia muito entre pacientes. Por isso, o monitoramento é dirigido ao fármaco escolhido — rim e eletrólitos com anfotericina, acúmulo com flucitosina, fígado e níveis com voriconazol — e fica mais exigente na doença crítica.
Fármaco
Como monitorar
Anfotericina B lipossomal / desoxicolato
Creatinina, potássio, magnésio, função hepática, hemograma e reações infusionais.
Flucitosina
Função renal (acúmulo), hemograma, função hepática e nível sérico quando disponível.
Voriconazol
Função hepática, interações, efeitos visuais/neurológicos, QT e TDM.
Doença crítica
Absorção oral, interações, suporte extracorpóreo e disfunção de órgãos alteram a exposição e a escolha da formulação.
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O essencial de cenários especiais
Onco-hematologia/neutropenia é o cenário de maior gravidade.
Disfunção renal/hepática muda a escolha: lipossomal em vez de desoxicolato; flucitosina com ajuste e nível.
Endocardite, olho, SNC e osso: tratamento prolongado + controle de foco.
O que muda em cada cenário
Os princípios do tratamento são os mesmos em todos os cenários; o que muda é a escolha da formulação, a intensidade do monitoramento e a necessidade de intervenção. A tabela reúne as particularidades de cada situação e o ajuste prático correspondente.
Cenário
Particularidade
O que fazer diferente
Neutropenia / onco-hematologia
Cenário mais associado a doença invasiva grave e alta mortalidade.
Antifúngico ativo imediato + buscar recuperação da neutropenia + controle de focos + revisar cateteres na fungemia.
Antifúngico profilático prévio
Possível infecção de escape.
Revisar a profilaxia usada e trocar de classe se houver progressão, apoiado em identificação e suscetibilidade.
Fungemia persistente
Não é explicada só pela imunossupressão.
Pesquisar endocardite, pulmão, pele, olho e outros órgãos.
Criança
Farmacocinética diferente; voriconazol com alta variabilidade.
Doses pediátricas (aba Tratamento), TDM de e , infectopediatria e farmácia clínica.
Disfunção renal
Anfotericina nefrotóxica; flucitosina acumula.
Preferir ; ajustar e usar nível sérico; monitorar K e Mg.
Hepatopatia / polifarmácia
Voriconazol: hepatotoxicidade, interações e QT.
Revisar interações, ECG e TDM de ; considerar anfotericina se o risco for alto.
Doença crítica
Absorção oral incerta, suporte extracorpóreo, disfunção de órgãos.
Preferir via EV e formulação adequada; checar exposição com níveis.
Endocardite
Pode envolver prótese valvar.
Ecocardiograma transesofágico, avaliação de cirurgia valvar, tratamento prolongado.
Endoftalmite
Emergência oftalmológica.
Sistêmico + terapia intravítrea e/ou vitrectomia.
SNC
Abscesso ou forma invasiva rara.
RM, tratamento prolongado, intervenção conforme o caso.
Osteoarticular / pele profunda
Geralmente após trauma, inoculação ou queimadura.
Drenagem/debridamento; terapia que pode durar meses.
Neutropenia e onco-hematologia
É o cenário mais associado a doença invasiva grave e alta mortalidade. Aqui, além do antifúngico ativo imediato, o desfecho depende da recuperação da neutropenia e de não deixar passar focos, infecção de escape ou dispositivos infectados.
Não atribua fungemia persistente apenas à imunossupressão: pesquise endocardite, pulmão, pele, olho e outros órgãos.
Revise antifúngicos profiláticos prévios e a possibilidade de infecção de escape.
Considere troca de classe se houver progressão, apoiada em identificação e suscetibilidade.
Revise dispositivos intravasculares no contexto de fungemia.
Doença profunda: repetir imagem conforme sítio e resposta.
Prevenção = barreiras, cuidado de dispositivos/feridas e menos exposição no imunossuprimido.
Monitorização da resposta
A resposta é avaliada em três frentes: clínica, microbiológica e de imagem. Na fungemia, repita hemoculturas até documentar a negativação e investigue qualquer persistência; na doença profunda, compare a extensão e a resolução dos focos com nova imagem.
Em paralelo, acompanhe a toxicidade — função renal e hepática, eletrólitos, hemograma e níveis séricos conforme o antifúngico em uso.
Uma única hemocultura negativa não autoriza suspender o antifúngico: a duração depende de foco, resposta e imunidade.
Quando reconsiderar o diagnóstico ou o esquema
Má resposta nem sempre significa resistência. Antes de trocar o esquema, verifique se o agente está certo, se o fármaco está chegando em nível adequado e se existe um foco que precisava de intervenção.
Hemoculturas continuam positivas apesar de terapia adequada.
Lesões pulmonares/cutâneas progridem ou surgem novos focos.
Identificação apenas fenotípica, com dúvida entre fungos artroconidiais.
Exposição subterapêutica por interação, absorção ou dose inadequada.
Foco anatômico não drenado/debridado quando indicado.
Prevenção
Não há medidas específicas validadas além do controle de riscos gerais de infecção fúngica oportunista, e não existe vacina nem PEP. A prevenção, portanto, se concentra no hospedeiro vulnerável — e inclui não tratar colonização isolada sem evidência de infecção.
Barreiras: higiene de mãos; cuidado de feridas, acessos vasculares e áreas de ruptura cutânea.
Ambiente: reduzir exposição intensa a solo/matéria orgânica na imunossupressão profunda, conforme o serviço.
Alimentos: segurança alimentar individualizada para onco-hematológicos, conforme protocolo institucional.
Resumo do fluxo prático
O manejo inteiro cabe em uma sequência: reconhecer o hospedeiro e a síndrome, provar que é doença, identificar o agente, tratar com classe ativa, controlar o foco e acompanhar até decidir a duração. Use o fluxo abaixo como checklist à beira do leito.
Reconheça
Hospedeiro de risco + síndrome compatível.
Diferencie
Colonização × doença invasiva ou focal verdadeira.
Colete
Culturas e tecido/material do foco; demonstre invasão quando possível.
Confirme
Gênero/espécie por método confiável; suscetibilidade em isolado relevante.
Trate rápido
± ou ; evite como monoterapia inicial.
Controle o foco
Pesquise focos profundos; cirurgia/drenagem quando indicado.
Acompanhe
Duração individualizada com seguimento microbiológico, clínico e radiológico.
Erros comuns
Os erros mais frequentes nascem da raridade da doença: tratar colonização, emprestar condutas de Candida ou Trichosporon e encerrar o tratamento cedo demais. Cada um tem uma forma simples de ser evitado.
Erro
Por que é um problema
Como evitar
Tratar colonização
Isolamento em sítio não estéril não é doença.
Correlacionar hospedeiro, sítio, histologia e repetição.
Equinocandina como terapia inicial
Não recomendada para geotricose invasiva.
Anfotericina B lipossomal ± flucitosina ou voriconazol.
Extrapolar esquema de tricosporonose
Trichosporon, Magnusiomyces e Geotrichum são grupos distintos.
Identificação confiável (MALDI-TOF/ITS).
Ler CIM com breakpoints de Candida
Não há breakpoints validados para G. candidum.
Usar a CIM como apoio ao contexto clínico.
Não controlar o foco
Antifúngico não compensa foco abordável.
Drenagem, debridamento, cirurgia ocular ou valvar.
Suspender após uma hemocultura negativa
Focos ocultos e recidiva.
Duração individualizada por foco, resposta e imunidade.
Referências principais
1
Diretriz2021
Chen SCA, Perfect J, Colombo AL, et al. Global guideline for the diagnosis and management of rare yeast infections: an initiative of the ECMM in cooperation with ISHAM and ASM. Lancet Infect Dis. 2021;21(12):e375-e386. doi:10.1016/S1473-3099(21)00203-6.
2
Diretriz
European Confederation of Medical Mycology (ECMM). Supplement to the Global Guideline for Rare Yeast Infections. Seções específicas de Geotrichum candidum, diagnóstico, tratamento e doses.
3
Diretriz2014
Arendrup MC, Boekhout T, Akova M, et al. ESCMID and ECMM joint clinical guidelines for the diagnosis and management of rare invasive yeast infections. Clin Microbiol Infect. 2014;20 Suppl 3:76-98.
4
Artigo2017
Durán Graeff L, Seidel D, Vehreschild MJGT, et al. Invasive infections due to Saprochaete and Geotrichum species: Report of 23 cases from the FungiScope Registry. Mycoses. 2017;60(4):273-279. doi:10.1111/myc.12595.
5
Artigo2024
Román-Montes CM, Sifuentes-Osornio J, Martínez-Gamboa A. Cutaneous Infections by Geotrichum spp. Curr Fungal Infect Rep. 2024;18:60-68. doi:10.1007/s12281-024-00481-9.
6
Artigo2024
Zhu HY, Shang YJ, Wei XY, et al. Taxonomic revision of Geotrichum and Magnusiomyces, with the descriptions of five new Geotrichum species from China. Mycology. 2024;15(3):400-423. doi:10.1080/21501203.2023.2294945.
7
Artigo
NCBI Taxonomy Browser. Geotrichum candidum (Taxonomy ID 1173061). Nomenclatura e sinônimos taxonômicos.
Aviso importante
Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses por peso, função renal/hepática, TDM de voriconazol e flucitosina, formas de órgão-alvo e doses pediátricas devem ser conferidas antes da prescrição.
Quando pensar em geotricose
Hospedeiro vulnerável + síndrome invasiva
Diante de Geotrichum, a pergunta não é “tem o fungo?”, e sim “há invasão em um hospedeiro de risco?”. O fungo vive no ambiente e coloniza pele, vias aéreas e intestino sem causar doença, então o raciocínio começa pelo paciente.
O hospedeiro clássico é o neutropênico com neoplasia hematológica, em quimioterapia ou transplantado; diabetes descompensado também aparece nos relatos, e barreira rompida por trauma, cirurgia ou queimadura explica as formas localizadas. Nesse terreno, desconfie de fungemia, pneumonia com nódulos ou infiltrados, lesões cutâneas múltiplas ou de um foco profundo.
Fungemia, isolada ou com focos.
Pneumonia com nódulos ou infiltrados.
Lesões de pele múltiplas.
Foco profundo: coração, olho, SNC, osso.
Isolamento em sítio não estéril (escarro, fezes, pele) exige correlação antes de ser chamado de doença.
Diagnóstico
Cultura e identificação são centrais
O diagnóstico se apoia na cultura. Colete hemoculturas e material do foco antes do antifúngico, mas sem atrasar a terapia no paciente instável. A histologia com PAS/GMS mostra que há invasão, porém não diz qual fungo está invadindo.
Quem define o agente é a identificação do isolado por MALDI-TOF validado ou sequenciamento ITS/D1-D2. Em paralelo, mapeie a extensão com TC, RM, ecocardiograma e avaliação oftalmológica, conforme a síndrome.
Pistas morfológicas
Hifas septadas que se fragmentam em artroconídios retangulares.
Sem blastoconídios.
Urease-negativo.
Armadilhas
Histologia positiva ≠ espécie definida.
Artroconídios também ocorrem em Trichosporon e Magnusiomyces.
Não há breakpoints específicos.
Tratamento — ECMM/ISHAM/ASM 2021
Primeira linha para doença invasiva
Na doença invasiva, a diretriz global de 2021 apoia duas opções de primeira linha, com suporte moderado: , com ou sem , ou . A escolha entre elas depende de função renal e hepática, interações e disponibilidade.
Não existe duração padronizada: ela é decidida pelo sítio, pela resposta, pela negativação das culturas e pela recuperação imune. Quando há foco abordável, drenagem, debridamento ou cirurgia fazem parte do tratamento, e não são opcionais.
3–5 mg/kg/dia EV
25 mg/kg 6/6 h associada (opcional)
6 → 4 mg/kg 12/12 h (ataque no dia 1)
Não use como terapia inicial
(caspofungina, micafungina, anidulafungina). Se houver progressão em uso, troque de classe.
Prevenção
Sem vacina ou PEP específica
A geotricose é uma micose ambiental e oportunista, não uma zoonose clássica com cadeia de transmissão definida. Por isso, não há vacina, profilaxia pós-exposição nem contatos a rastrear: a prevenção consiste em reduzir o risco do hospedeiro.
Na prática, isso significa higiene de mãos, cuidado com feridas e acessos vasculares, menor exposição a solo e matéria orgânica na imunossupressão profunda e segurança alimentar conforme o protocolo onco-hematológico do serviço.
Não há vacina nem PEP específica.
Não há rastreamento de contatos.
Não tratar colonização isolada.
Poliênico (formulação lipídica)
Anfotericina B lipossomal
Frasco-ampola 50 mg (pó liofilizado)
Adulto3–5 mg/kg EV · 24/24 h · Individualizada
Papel no tratamento
Primeira linha com suporte moderado para geotricose invasiva, com ou sem flucitosina. Formulação preferida quando se escolhe anfotericina, por menor toxicidade renal que a desoxicolato.
Ficha de consulta rápida
Classe
Poliênico (formulação lipídica)
Apresentação
Frasco-ampola 50 mg (pó liofilizado)
Posologia principal
3–5 mg/kg EV · 24/24 h · Individualizada
Outros esquemas
2 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade à anfotericina B ou componentes da formulação
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade (menor que a desoxicolato)
Hipocalemia e hipomagnesemia
Reações infusionais (febre, calafrios, dor torácica/lombar)
Elevação de enzimas hepáticas
Esquemas nesta doença3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto
3–5 mg/kg EV
24/24 h
Individualizada
± flucitosina na doença invasiva.
Criança
3–5 mg/kg/dia EV
1x/dia
Individualizada
Mesma faixa do adulto.
Associação
±
—
—
Doença invasiva selecionada.
Dose por peso
Dose de 3 mg/kg3 mg/kg/dia
—
Dose de 5 mg/kg5 mg/kg/dia
—
Como administrar
Administração
Reconstituir em água estéril e diluir em soro glicosado 5% (incompatível com soro fisiológico). Infundir em 30–120 min.
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade à anfotericina B ou componentes da formulação
Interações importantes
Outros nefrotóxicos (aminoglicosídeos, vancomicina, ciclosporina, tacrolimo)
Diuréticos e corticoides (↑ hipocalemia)
Digoxina (toxicidade se hipocalemia)
Contraindicações e quando evitar
Hipersensibilidade à anfotericina B ou componentes da formulação
Efeitos adversos
Nefrotoxicidade (menor que a desoxicolato)
Hipocalemia e hipomagnesemia
Reações infusionais (febre, calafrios, dor torácica/lombar)
Elevação de enzimas hepáticas
Monitoramento
Monitoramento
Creatinina, potássio, magnésio, função hepática, hemograma e reações infusionais.
Interações importantes
Outros nefrotóxicos (aminoglicosídeos, vancomicina, ciclosporina, tacrolimo)
Diuréticos e corticoides (↑ hipocalemia)
Digoxina (toxicidade se hipocalemia)
Como administrar
Administração
Reconstituir em água estéril e diluir em soro glicosado 5% (incompatível com soro fisiológico). Infundir em 30–120 min.
Ajuste renal
Sem ajuste formal de dose; monitorar e evitar outros nefrotóxicos.
Gestação
Anfotericina B é, em geral, o antifúngico sistêmico preferido na gestação.
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade à anfotericina B ou componentes da formulação
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade (menor que a desoxicolato)
Hipocalemia e hipomagnesemia
Reações infusionais (febre, calafrios, dor torácica/lombar)
Elevação de enzimas hepáticas
Papel nesta doença
Primeira linha com suporte moderado para geotricose invasiva, com ou sem flucitosina. Formulação preferida quando se escolhe anfotericina, por menor toxicidade renal que a desoxicolato.
Poliênico (formulação convencional)
Anfotericina B desoxicolato
Frasco-ampola 50 mg
Adulto1 mg/kg EV · 24/24 h · Individualizada
Papel no tratamento
Alternativa quando a formulação lipídica não está disponível. Eficaz, mas com pior perfil de segurança — sobretudo nefrotoxicidade e distúrbios eletrolíticos.
Escolha da formulação
Formulação lipossomal é preferida quando disponível.
Ficha de consulta rápida
Classe
Poliênico (formulação convencional)
Apresentação
Frasco-ampola 50 mg
Posologia principal
1 mg/kg EV · 24/24 h · Individualizada
Atenção nesta doença
Atenção à dose: 1 mg/kg é a dose da formulação convencional — nunca confundir com a dose da lipossomal (3–5 mg/kg).
Antes de prescrever, confira
Disfunção renal prévia ou uso de outros nefrotóxicos, quando houver formulação lipídica
Hipersensibilidade à anfotericina B
Esquemas nesta doença1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto
1 mg/kg EV
24/24 h
Individualizada
Só se a formulação lipídica estiver indisponível.
Dose por peso
Anfotericina B desoxicolato1 mg/kg/dia
—
Como administrar
Administração
Diluir em soro glicosado 5% e infundir lentamente (em geral 2–6 h).
Antes de prescrever, confira
Disfunção renal prévia ou uso de outros nefrotóxicos, quando houver formulação lipídica
Geotricose → fungo artroconidial + hospedeiro imunocomprometido + cultura com artroconídios retangulares e ausência de blastoconídios.
Na doença invasiva, anfotericina B lipossomal ± flucitosina ou voriconazol; evite equinocandinas como primeira linha.
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