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Microsporia

Microsporum canis (e outros Microsporum spp.) — dermatófito zoofílico de parasitismo ectothrix

Dermatofitose causada por Microsporum, sobretudo M. canis, adquirida pelo contato com gatos e cães — muitas vezes filhotes ou portadores sem lesão. Em crianças, causa a tinha microspórica do couro cabeludo, com placas de tonsura que fluorescem à lâmpada de Wood; em crianças e tutores, lesões anulares de tinha do corpo. O tratamento do couro cabeludo é sempre sistêmico, e a griseofulvina é a droga mais eficaz contra Microsporum.

Gatos e cãesCriança em idade escolarFluorescência à WoodGriseofulvina > terbinafina
15–18 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Dermatofitose por Microsporum; M. canis, zoofílico, é o principal agente no Brasil e em boa parte da América do Sul.
  2. Gatos (especialmente filhotes) e cães são a fonte; o animal pode ser portador sem lesão.
  3. Tinha do couro cabeludo em crianças: placas de tonsura com fluorescência verde à lâmpada de Wood.
  4. Couro cabeludo exige antifúngico oral; em Microsporum, griseofulvina é a mais eficaz.

O que é microsporia

Microsporia é a dermatofitose causada por fungos do gênero Microsporum, que invadem a queratina do estrato córneo e do pelo. Na prática clínica, o protagonista é M. canis, um dermatófito zoofílico que tem o gato como hospedeiro natural e chega ao ser humano pelo contato com o animal, com outra pessoa infectada ou com objetos contaminados.

Este artigo concentra-se no que é próprio de Microsporum: a tinha microspórica do couro cabeludo, o quérion, a tinha do corpo em crianças e tutores e o manejo de surtos e portadores. A visão geral das tinhas de origem animal — incluindo Trichophyton mentagrophytes, T. verrucosum, tinha crural e outras localizações — está no artigo Dermatofitose zoonótica.

O gênero importa: em Microsporum, griseofulvina supera a terbinafina — o oposto do que ocorre em T. tonsurans.

O agente

M. canis é o representante zoofílico do gênero e responde pela grande maioria das microsporias humanas. Outras espécies têm ecologia diferente: M. audouinii e M. ferrugineum são antropofílicos (transmissão entre pessoas), e o antigo M. gypseum, hoje Nannizzia gypsea, é geofílico e vem do solo.

O fungo produz artroconídios resistentes, que se soltam com pelos e escamas e sobrevivem no ambiente por meses — por isso a casa, o sofá e a caixa de transporte do animal também fazem parte do problema.

Agente etiológico

Microsporum canis

Dermatófito zoofílico, adaptado ao gato, com parasitismo ectothrix do pelo.

  • Na cultura: macroconídios fusiformes, de parede grossa e rugosa, com várias células.
  • Colônia algodonosa branca com reverso amarelo-alaranjado em ágar Sabouraud.
  • No pelo: bainha de pequenos esporos por fora da haste e fluorescência verde à lâmpada de Wood.

Fisiopatologia: do pelo do gato ao pelo da criança

O artroconídio adere ao estrato córneo, germina e invade a queratina. No couro cabeludo, desce pelo folículo e envolve a haste por fora (ectothrix): o pelo fica frágil e quebra a poucos milímetros da pele, criando a placa de tonsura. Uma substância produzida pelo fungo na haste (pteridina) explica a fluorescência verde.

A intensidade da inflamação depende da resposta do hospedeiro. Fungos zoofílicos tendem a provocar reação mais intensa que os antropofílicos, e uma resposta exuberante gera o quérion — que pode deixar alopecia cicatricial. A maior frequência em crianças pré-púberes é atribuída à composição do sebo antes da puberdade, menos fungistática.

Fisiopatologia

Ectothrix: o pelo quebra, o esporo se espalha

Esporos envolvem a haste por fora, o pelo quebra rente ao couro cabeludo e os fragmentos espalham artroconídios para pessoas e ambiente.

Epidemiologia e evolução

A tinha do couro cabeludo é a dermatofitose mais comum da infância. Na América do Norte predomina T. tonsurans, mas em grande parte da América do Sul, incluindo muitas séries brasileiras, M. canis é o agente mais relatado — o que reflete o peso da transmissão a partir de gatos e cães. Sem tratamento sistêmico, a tinha microspórica tende a persistir por meses e a se espalhar na família e na escola.

Pré-púbereFaixa mais acometida na tinha do couro cabeludo
MesesSobrevida dos esporos no ambiente (até cerca de 1 ano)

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O essencial de transmissão e risco

  1. Contato direto com gato ou cão infectado — sintomático ou portador sem lesão.
  2. Filhotes, gatis, abrigos e animais recém-adotados concentram o risco.
  3. Também passa de pessoa a pessoa e por fômites (pentes, bonés, almofadas, sofás).
  4. Esporos sobrevivem meses no ambiente: limpeza da casa faz parte do tratamento.

Como a infecção chega à criança

A fonte habitual é o gato, e com frequência um filhote. Muitos gatos adultos carregam M. canis no pelo sem nenhuma lesão, e animais de gatis e abrigos podem manter a infecção de forma endêmica. A criança se infecta ao segurar, dormir junto ou dividir almofadas e cobertores com o animal.

Depois de instalada, a microsporia também passa entre pessoas — irmãos, primos, colegas de creche — e por objetos que carregam pelos e escamas. Cães transmitem com menos frequência que gatos, mas o raciocínio é o mesmo.

Saúde única

Animal → criança/tutor → família e escola

O animal introduz o fungo; pessoas e fômites o espalham; o ambiente mantém esporos viáveis por meses.

O animal como fonte

No gato, a dermatofitose costuma aparecer como placas circulares de alopecia e descamação na face, nas orelhas e nos membros, mais intensas em filhotes e em animais imunossuprimidos. Muitos adultos, porém, são portadores assintomáticos — por isso “o gato não tem nada” não exclui a fonte. A confirmação no animal é feita pelo veterinário, com lâmpada de Wood, exame direto e cultura de pelos.

Fonte animal

Filhote com placas de alopecia

Lesões circulares e descamativas na face e nas orelhas são o padrão mais comum.

Encaminhe o animal ao veterinário em todo caso de microsporia, mesmo que ele pareça saudável.

Quem tem mais risco

O risco combina idade, convivência e exposição. Crianças antes da puberdade são as mais acometidas no couro cabeludo; na pele, qualquer idade pode ser atingida, e os adultos tutores de gatos são um grupo frequente. Imunossupressão favorece formas extensas ou profundas.

  • Crianças pré-púberes com gato ou cão em casa, sobretudo filhote recém-chegado.
  • Tutores, voluntários de abrigos, criadores e equipe veterinária em contato com animais lesionados.
  • Contactantes de caso índice: irmãos, colegas de creche e escola.
  • Imunossuprimidos: maior risco de lesões extensas, profundas ou atípicas.

Surtos em famílias e escolas

Agrupamentos de casos em uma família ou turma costumam ter uma fonte comum — em geral um animal — e se mantêm por contato entre pessoas e fômites. A dermatofitose não é de notificação compulsória nacional, mas surtos em escolas e creches justificam contato com a vigilância local para orientar a busca de casos.

No surto, examine os contactantes (de preferência com lâmpada de Wood), colha micologia dos suspeitos e procure o animal-fonte.

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O essencial de quadro clínico

  1. Tinha microspórica: placa(s) grande(s), arredondada(s), com pelos quebrados à mesma altura e descamação cinzenta.
  2. Quérion: placa inflamatória, dolorosa e com pústulas — risco de alopecia cicatricial.
  3. Tinha do corpo por M. canis: lesões anulares pequenas e múltiplas em áreas expostas.
  4. Reação Id: erupção a distância, inflamatória e estéril, que não indica alergia ao antifúngico.

Tinha microspórica do couro cabeludo

A apresentação clássica é uma ou poucas placas grandes e arredondadas de tonsura, com os pelos partidos a poucos milímetros da pele, todos mais ou menos à mesma altura, e descamação fina acinzentada — a “placa cinzenta”. O prurido é variável e a inflamação costuma ser discreta.

Placas satélites menores podem surgir ao redor. Linfonodos occipitais ou retroauriculares aumentados reforçam a suspeita de tinha diante de descamação do couro cabeludo em criança. Sem inflamação intensa, o cabelo volta a crescer após a cura.

Achado característico

Placa de tonsura

Placa redonda com pelos quebrados à mesma altura e escamas acinzentadas.

Sinal característico

Fluorescência verde

Pelos parasitados brilham em verde sob a lâmpada de Wood.

Quérion

Quérion é a forma inflamatória da tinha do couro cabeludo: uma placa elevada, amolecida, dolorosa, com pústulas, crostas e saída de secreção pelos óstios foliculares; os pelos se soltam com facilidade. Pode vir com febre baixa, mal-estar e linfadenopatia regional. É uma reação de hipersensibilidade ao fungo, não um abscesso bacteriano.

O erro clássico é incisar e drenar, ou tratar só com antibiótico. Isso atrasa o antifúngico sistêmico e aumenta o risco de alopecia cicatricial permanente.

Forma inflamatória

Quérion

Placa elevada, úmida e dolorosa, com pústulas e pelos que se soltam facilmente.

Quérion pede antifúngico oral imediato — não drenagem nem antibiótico isolado.

Tinha do corpo e da face por M. canis

Na pele glabra, M. canis produz lesões anulares de borda eritematosa, descamativa e às vezes vesiculosa, com centro mais claro. O padrão sugestivo é o de várias lesões pequenas em áreas que tocam o animal — face, pescoço, antebraços e tronco —, em criança ou adulto da mesma casa. Corticoide tópico prévio pode deixar a lesão atípica, menos descamativa e mais extensa (tinha incógnita).

Achado característico

Lesões anulares múltiplas

Borda ativa descamativa e centro mais claro, em áreas expostas ao animal.

Reação Id e outras apresentações

A reação Id (dermatofítide) é uma erupção inflamatória a distância, geralmente papulosa ou papulovesiculosa, em tronco, membros ou face, que pode surgir antes ou logo após o início do antifúngico. É estéril e reflete a resposta imune ao fungo — não é alergia ao medicamento, e o antifúngico deve ser mantido.

  • Reação Id: papulovesículas simétricas, pruriginosas, sem fungo no exame das lesões a distância.
  • Alopecia cicatricial: sequela possível de quérion tratado tarde.
  • Adultos: tinha do couro cabeludo é rara, mas ocorre — sobretudo em mulheres idosas e imunossuprimidos.
  • Imunossuprimidos: lesões extensas, granuloma de Majocchi (folículos profundos) e formas atípicas.
Reação a distância

Reação Id

Erupção papulovesiculosa estéril que acompanha a tinha inflamatória.

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O essencial de diagnóstico

  1. Colher micologia antes de iniciar o antifúngico sempre que possível.
  2. Lâmpada de Wood: fluorescência verde dos pelos sugere Microsporum ectothrix.
  3. Exame direto de pelos mostra a bainha ectothrix; a cultura identifica a espécie.
  4. No quérion, não espere a cultura para tratar.

Estratégia diagnóstica

O diagnóstico de tinha do couro cabeludo deve ser confirmado micologicamente, porque o tratamento é longo e a escolha do fármaco depende do gênero. A lâmpada de Wood e a tricoscopia orientam a coleta e apontam a área mais rica em pelos parasitados.

Colha antes de começar o antifúngico. Na suspeita forte — e sempre no quérion —, o tratamento pode começar logo após a coleta, sem esperar a cultura, e ser ajustado quando o resultado chegar.

  1. Examine com Wood

    Em ambiente escuro; pelos com fluorescência verde marcam o local de coleta.

  2. Colete

    Arranque pelos quebrados com pinça, raspe escamas ou use escova/swab umedecido.

  3. Exame direto

    KOH ou clareador: esporos em bainha ao redor da haste (ectothrix).

  4. Cultura

    Sabouraud com cicloheximida; resultado em 2–4 semanas, com identificação da espécie.

  5. Procure a fonte

    Pergunte pelo animal e examine os contactantes.

Principais exames

Cada exame responde a uma pergunta. A lâmpada de Wood é rápida, mas só ajuda nas espécies que fluorescem; o exame direto confirma que há fungo, mas não diz qual; a cultura identifica a espécie, porém demora. Métodos moleculares agilizam a identificação onde estão disponíveis.

ExameO que mostraLimitações
Lâmpada de WoodFluorescência verde dos pelos em M. canis, M. audouinii e M. ferrugineum.Não fluorescem Trichophyton endothrix nem N. gypsea. Escamas, cremes e fibras dão falso-positivo; lavagem recente reduz o sinal.
TricoscopiaPelos em vírgula, em código Morse ou em zigue-zague e pelos quebrados com bainha.Sugere, não confirma; depende de experiência.
Exame direto (KOH)Pequenos esporos em mosaico ao redor da haste (ectothrix).Não identifica a espécie; sensibilidade depende da coleta.
CulturaIdentificação de M. canis: macroconídios fusiformes e reverso amarelo.Leva 2–4 semanas; falso-negativo após antifúngico.
PCR / MALDI-TOFIdentificação rápida da espécie.Disponibilidade restrita.
Exame direto

Parasitismo ectothrix

Bainha de esporos por fora da haste do pelo.

Tricoscopia

Pelos em vírgula e em código Morse

Pistas de tinha do couro cabeludo à dermatoscopia.

Cultura

Colônia de M. canis

Algodonosa e branca, com reverso amarelo-alaranjado.

Diagnósticos diferenciais

Toda descamação persistente do couro cabeludo em criança pré-púbere merece pensar em tinha, sobretudo com alopecia ou linfonodos. No quérion, o diferencial perigoso é o abscesso — confusão que leva à drenagem desnecessária. Na pele, lesões anulares têm vários imitadores.

DiferencialPor que confundeO que ajuda a separar
Dermatite seborreica / psoríaseDescamação do couro cabeludo.Sem pelos quebrados nem alopecia; Wood e micologia negativos.
Alopecia areataPlaca redonda de alopecia em criança.Pele lisa, sem descamação; pelos em ponto de exclamação na tricoscopia.
TricotilomaniaPelos quebrados em alturas diferentes.Formas irregulares, sem escamas; micologia negativa.
Abscesso / foliculite bacterianaPlaca dolorosa e purulenta (quérion).No quérion, pelos se soltam sem dor, há tonsura ao redor e o exame micológico é positivo.
ImpetigoCrostas e pústulas.Crostas melicéricas sem alopecia; resposta a antibiótico.
Eczema numular, granuloma anular, pitiríase róseaLesões anulares na pele.Exame direto de escamas da borda; contexto do animal.

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O essencial de tratamento

  1. Couro cabeludo: sempre antifúngico oral; tópico isolado não cura.
  2. Microsporum: griseofulvina 20–25 mg/kg/dia (microcristalina) por ≥6–8 semanas é a 1ª escolha.
  3. Itraconazol e fluconazol são alternativas; terbinafina é menos eficaz em Microsporum.
  4. Xampu de cetoconazol 2% ou sulfeto de selênio reduz esporos; o fim do tratamento é a cura micológica.

Como escolher a rota

A primeira decisão é a localização. Couro cabeludo (incluindo quérion) exige antifúngico oral, porque o tópico não alcança o fungo dentro do folículo. Na pele glabra, lesões poucas e restritas respondem ao tópico; extensas, múltiplas, com acometimento de pelos velos ou em imunossuprimido pedem tratamento oral.

A segunda é o gênero. Em Microsporum, a griseofulvina tem as melhores taxas de cura, e a terbinafina, padrão em Trichophyton, é menos eficaz. Se a cultura ainda não saiu e o quadro é típico de microsporia (placa fluorescente, gato em casa), comece pela griseofulvina. As doses por peso estão nas fichas, no botão “Ver detalhes”.

Três frentes ao mesmo tempo: antifúngico oral na criança, xampu na família, veterinário para o animal.

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário clínico. Abra só a rota em que o seu paciente está: a tabela mostra dose, frequência e duração de cada esquema, e o nome de cada medicamento abre a ficha completa. Opções do mesmo grupo são alternativas — escolha uma.

Critérios de cura e retorno à escola

O ponto final do tratamento é a cura micológica, não a melhora clínica: o cabelo pode demorar a crescer e a pele pode ficar com descamação residual, enquanto pelos ainda parasitados continuam transmitindo. Repita a micologia ao fim do tempo previsto e mantenha o antifúngico se ainda for positiva.

Pode suspender

  • Lesões resolvidas clinicamente.
  • Micologia (exame direto e cultura) negativa ao fim do tratamento.
  • Wood sem pelos fluorescentes, quando o agente fluorescia.

Escola e creche

  • Frequência liberada em tratamento oral + xampu.
  • Não compartilhar pentes, bonés e toalhas.
  • Afastamento não é necessário nem recomendado pelo BAD.

Monitoramento durante o tratamento

Os antifúngicos usados na microsporia são bem tolerados em crianças, e eventos graves são raros. Para a griseofulvina em cursos de até 8 semanas, exames de rotina geralmente não são necessários; tratamentos longos, doença hepática ou uso de azóis e terbinafina pedem atenção ao fígado e às interações.

FármacoO que acompanhar
GriseofulvinaCefaleia e sintomas GI; fotossensibilidade; exames hepáticos e hemograma se uso prolongado ou suspeita de toxicidade.
TerbinafinaTransaminases no início em quem tem fator de risco; alteração do paladar; erupções graves (raras).
ItraconazolInterações (CYP3A4), transaminases em cursos longos, sinais de insuficiência cardíaca.
FluconazolInterações, transaminases, QT em pacientes de risco.
RespostaReavaliação clínica e micológica ao fim do tempo previsto (6–8 semanas na griseofulvina).

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O essencial de cenários especiais

  1. Criança pequena: griseofulvina em formulação manipulada ou comprimido fracionado, com alimento gorduroso.
  2. Gestação: griseofulvina contraindicada; tópico e xampu, oral só com especialista.
  3. Imunossuprimido: lesões extensas e profundas, limiar mais baixo para tratamento oral.
  4. Surto escolar/familiar: buscar o animal-fonte e examinar todos os contactantes.

O que muda em cada cenário

Os cenários especiais mudam o esquema por três motivos: a formulação disponível para a criança pequena, as contraindicações da griseofulvina e o risco de doença extensa no imunossuprimido. Nos surtos, o foco passa do indivíduo para a fonte comum.

CenárioParticularidadeO que fazer diferente
Lactente e pré-escolarNo Brasil, a industrializada vem em comprimido de 500 mg.Formulação manipulada (suspensão ou cápsula) por peso; dar com leite ou alimento gorduroso. em suspensão é alternativa prática.
Gestação e lactaçãoGriseofulvina contraindicada; azóis evitados no 1º trimestre.Tópico e ; oral apenas com dermatologia e obstetrícia.
Mulher em idade fértil e homem em uso de griseofulvinaReduz eficácia do anticoncepcional oral; risco teratogênico.Contracepção eficaz durante e 1 mês após (mulher); homem evita conceber por 6 meses após.
ImunossuprimidoLesões extensas, granuloma de Majocchi, formas atípicas.Tratamento oral mesmo na pele; investigar extensão; considerar biópsia.
Hepatopatia, porfiria, lúpusContraindicações da griseofulvina.Preferir ou , com monitoramento hepático.
Tinha incógnitaCorticoide tópico prévio mascara a lesão.Suspender o corticoide, colher micologia e tratar como tinha.
Surto em escola ou famíliaFonte comum (animal) e transmissão entre crianças.Wood e micologia nos contactantes; xampu para todos; animal ao veterinário; vigilância local.

Saúde única: o animal e a casa

Em gatos e cães, a diretriz da World Association for Veterinary Dermatology recomenda associar antifúngico oral (como itraconazol ou terbinafina) a tratamento tópico do pelame (banhos de enxofre-cal, enilconazol ou miconazol com clorexidina), mantendo até culturas negativas. A prescrição e as doses são do veterinário; o papel do médico é indicar a avaliação e explicar à família por que ela é indispensável.

No ambiente, a limpeza mecânica é o passo mais importante: remover pelos e poeira com aspirador, lavar superfícies com detergente e só então aplicar desinfetante. Roupas de cama, cobertas e brinquedos de tecido devem ser lavados, de preferência repetidas vezes.

Não oriente abandonar ou sacrificar o animal: a dermatofitose felina tem tratamento, e complicações graves da transmissão para pessoas são raras.

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O essencial de seguimento e prevenção

  1. Reavalie ao fim do tempo previsto com clínica e micologia.
  2. Micologia positiva com melhora: mais ~4 semanas e repetir.
  3. Reinfecção é comum se o animal e a casa não forem tratados.
  4. Sem vacina humana: prevenção é veterinário, limpeza e não compartilhar objetos.

Como acompanhar

O seguimento combina clínica, micologia e a situação do animal. Uma consulta intermediária ajuda a checar adesão, tolerância e forma de tomar a griseofulvina; a decisão de suspender só vem com micologia negativa.

  1. 2–4 semanas

    Adesão, tolerância, xampu, animal em tratamento?

  2. 6–8 semanas

    Clínica + Wood + micologia.

  3. Positiva

    Manter por mais ~4 semanas e repetir.

  4. Negativa

    Suspender e orientar sinais de recidiva.

Prevenção

Não há vacina para uso humano, e as vacinas veterinárias não têm eficácia comprovada. A prevenção apoia-se em levar ao veterinário animais com falhas no pelo antes de colocá-los em contato com crianças, em cuidado especial com filhotes recém-adotados e em higiene dos objetos de uso pessoal.

  • Novo animal em casa: avaliação veterinária, sobretudo filhotes de gatis, abrigos ou resgatados.
  • Animal com lesão: evitar contato próximo das crianças até o tratamento.
  • Objetos pessoais: pentes, escovas, bonés e toalhas individuais.
  • Ambiente: aspirar pelos e lavar tecidos com frequência enquanto houver caso ativo.

Armadilhas

Os erros mais comuns na microsporia vêm de tratar a tinha do couro cabeludo como doença de pele superficial, ou de tratar só a criança. Quase todos se evitam com micologia, antifúngico oral adequado ao gênero e abordagem de saúde única.

ErroPor que é um problemaComo evitar
Só tópico no couro cabeludoNão alcança o fungo no folículo.Antifúngico oral sempre.
Terbinafina de rotina em MicrosporumCura menor que griseofulvina.Griseofulvina; itraconazol/fluconazol como alternativas.
Drenar o quérionNão ajuda e favorece cicatriz.Antifúngico oral imediato.
Suspender ao ver melhoraPelos ainda parasitados recidivam e transmitem.Suspender só com micologia negativa.
Suspender por reação IdNão é alergia ao fármaco.Manter o antifúngico e tratar sintomas.
Esquecer o animalReinfecção da criança e da família.Veterinário + limpeza do ambiente.
Corticoide tópico às cegasMascara a lesão (tinha incógnita).Micologia antes de tratar lesão anular.
Afastar da escola por semanasPrejuízo sem benefício.Frequência liberada em tratamento.

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Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Dose por peso e formulação de griseofulvina disponível, contraindicações na gestação, interações dos azóis, tratamento veterinário do animal-fonte e confirmação da cura micológica devem ser conferidos antes da prescrição e da alta.

Conteúdo para educação médica. Condutas devem ser individualizadas e conferidas com protocolos oficiais, contexto epidemiológico e disponibilidade local.
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