Meningite bacteriana aguda • meningoencefalite • encefalite herpética e autoimune
Duas emergências neurológicas em que o tempo até a primeira dose pesa mais do que qualquer refinamento diagnóstico posterior. Antibiótico e dexametasona na suspeita de meningite bacteriana, aciclovir na suspeita de encefalite — sempre antes do resultado do líquor, e nunca adiados por causa da tomografia.
Antibiótico em até 1 horaDexametasona antes ou juntoAciclovir empírico na encefaliteNotificação imediata (24 h)
18 min de leitura Atualizado em outubro de 2026
Em 30 segundos
O essencial de visão geral
Meningite inflama as leptomeninges (febre, cefaleia, rigidez de nuca); encefalite inflama o parênquima (alteração do estado mental, crises, déficit focal) — e a sobreposição é frequente.
A tríade clássica aparece em só cerca de metade dos adultos com meningite bacteriana: exigir a tríade para tratar é erro grave.
Três decisões precedem o líquor: cobrir bactéria, cobrir herpes e definir se há critério de tomografia antes da punção.
Hemocultura, dexametasona, antibiótico em até 1 hora e aciclovir se houver encefalopatia — o resto é diagnóstico.
Duas síndromes que se sobrepõem
Meningite é a inflamação das leptomeninges e do espaço subaracnóideo. Domina o quadro a síndrome de irritação meníngea: febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia e vômitos, com o nível de consciência tipicamente preservado ou apenas discretamente rebaixado.
Encefalite é a inflamação do parênquima cerebral com disfunção neurológica correspondente. O marcador é a alteração do estado mental — confusão, mudança de personalidade e comportamento, rebaixamento — frequentemente acompanhada de crises epilépticas e de déficits focais.
A tríade clássica de febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental está presente em apenas cerca de metade dos adultos com meningite bacteriana. Exigir a tríade completa para iniciar o tratamento é um erro que custa vidas.
Na prática, a separação é didática: a maioria dos pacientes graves apresenta algum grau de sobreposição, e falamos em meningoencefalite. O que muda a conduta não é o rótulo, e sim a decisão de cobrir bactéria, vírus, ou ambos, desde a primeira hora.
O que distingue
Nenhum sinal isolado separa as duas síndromes com segurança, mas o padrão de apresentação orienta a cobertura inicial. O tempo de instalação, o grau de toxemia e a presença de sinais parenquimatosos dizem mais do que qualquer manobra semiológica isolada — e devem ser registrados já na admissão, porque mudam ao longo das horas.
Predomínio meníngeo
Cefaleia, rigidez de nuca, fotofobia, vômitos; paciente lúcido ou levemente sonolento.
Predomínio parenquimatoso
Confusão, alteração de comportamento e de linguagem, crise epiléptica, déficit focal, movimentos anormais.
Sinais que apontam encefalite
Alucinações, alteração de memória, afasia, hemiparesia e crises de início focal.
Sinais que apontam bactéria
Instalação em horas, toxemia, rash petequial, choque e rebaixamento rápido.
Sinais que apontam vírus
Pródromo viral, quadro mais arrastado, líquor com predomínio linfocitário e glicose normal.
A pergunta prática à beira do leito
Diante de febre com alteração neurológica, três decisões precisam ser tomadas quase simultaneamente, e nenhuma depende do líquor. Elas definem o que entra na primeira prescrição e em que ordem a investigação acontece.
Pode ser meningite bacteriana?
Se sim, antibiótico agora — com imediatamente antes ou junto.
Há encefalopatia associada?
Se sim, agora, junto com o esquema antibacteriano.
Existe critério para tomografia antes da punção?
Se sim, colha hemocultura, trate e faça a punção depois da imagem, quando for segura.
A regra que não muda: nenhum exame — tomografia, líquor, painel molecular — justifica atraso na primeira dose. A coleta de líquor após o antibiótico perde sensibilidade da cultura, mas mantém celularidade, bioquímica e testes moleculares por horas.
Por que a pressa importa
A meningite bacteriana comunitária permanece com letalidade elevada e sequelas frequentes mesmo em serviços bem estruturados. O atraso na antibioticoterapia é um dos poucos fatores prognósticos sob controle direto da equipe. No Brasil, a vacina meningocócica C conjugada (2010) derrubou a incidência da doença meningocócica para menos de 1 caso por 100 mil habitantes, mas as crianças pequenas continuam sendo o grupo mais atingido, e os sorogrupos B, C e W predominam.
0,35/100 milIncidência de doença meningocócica no Brasil em 2023
1,42/100 milIncidência em menores de 5 anos (2023)
≈ 1 em 5Sobreviventes com sequela, sobretudo perda auditiva
Janela
Antibiótico dentro de 1 hora da suspeita, idealmente ainda na sala de emergência.
Letalidade
Alta na meningite pneumocócica; maior ainda quando há choque ou coma na admissão.
Encefalite herpética
Sem aciclovir, a letalidade é altíssima; com tratamento precoce, cai de forma dramática.
Saúde pública
Notificação compulsória imediata e quimioprofilaxia mudam o desfecho de outras pessoas.
Os primeiros 60 minutos
A primeira hora é organizada em três movimentos que se sobrepõem: estabilizar, colher e tratar, e só então puncionar. Pensar nessa ordem evita os dois erros mais comuns do plantão — esperar a imagem para tratar e puncionar um paciente que tinha critério de tomografia.
Reconhecer e estabilizar
Vias aéreas, oxigenação e perfusão. Choque com rash petequial em paciente jovem é meningococcemia até prova em contrário. Corrija hipoglicemia e trate crises.
Colher e tratar
Hemoculturas (duas amostras) e exames iniciais. imediatamente antes ou junto da primeira dose do antibiótico. se houver encefalopatia.
Puncionar quando seguro
Sem critérios para tomografia, faça a punção lombar já. Com critérios, faça a imagem depois de ter tratado — a ordem correta é tratar e depois puncionar.
Monte a bandeja mentalmente como um pacote único: hemocultura, dexametasona, ceftriaxona (mais ampicilina e vancomicina conforme o caso) e aciclovir se houver encefalopatia. Depois disso, o resto do plantão é diagnóstico.
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O essencial de etiologias
Idade, comorbidade e porta de entrada definem quais agentes a primeira dose precisa cobrir.
Meningococo e pneumococo dominam do lactente ao adulto; acima de 50–60 anos, na gestante e no imunossuprimido, a Listeria exige ampicilina.
Meningite "asséptica" não exclui tuberculose, fungo, sífilis nem bacteriana parcialmente tratada.
Herpes simples tipo 1 é a causa esporádica tratável mais importante de encefalite.
Agentes bacterianos por faixa etária
A escolha do esquema empírico decorre diretamente desta tabela. Idade, comorbidade e porta de entrada definem quais agentes precisam ser cobertos na primeira dose, e o erro mais caro é a omissão — sobretudo da cobertura de Listeria, que nenhuma cefalosporina oferece.
Grupo
Agentes prováveis
Implicação no esquema empírico
Neonato (até 1 mês)
Streptococcus agalactiae (grupo B), Escherichia coli e outras enterobactérias, Listeria monocytogenes.
Ampicilina associada a (ou a aminoglicosídeo, conforme o protocolo do serviço).
1 mês a 50 anos
Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae; Haemophilus influenzae tipo b em não vacinados.
Ceftriaxona (ou cefotaxima), com vancomicina onde há pneumococo resistente.
Ampicilina obrigatória; considerar cobertura antipseudomonas e investigação fúngica.
Gestante
Mesmo perfil do adulto, com risco aumentado de Listeria.
Incluir ampicilina; evitar quinolonas.
TCE, neurocirurgia, derivação
Staphylococcus aureus, estafilococos coagulase-negativos, gram-negativos incluindo Pseudomonas.
Vancomicina associada a betalactâmico antipseudomonas (cefepima, ceftazidima ou meropenem).
Fístula liquórica / fratura de base
Pneumococo predominante, além de H. influenzae e estreptococos beta-hemolíticos.
Cefalosporina de terceira geração associada a vancomicina.
O corte de 50 anos (IDSA e ESCMID) para incluir ampicilina é convenção operacional, não fronteira biológica — a diretriz da OMS de 2025 usa idade acima de 60 anos, gestação e imunossupressão como fatores de risco. Pacientes mais jovens com etilismo, neoplasia, corticoterapia ou outra imunossupressão também precisam de cobertura para Listeria.
Etiologias não bacterianas
A maior parte das meningites com líquor linfocitário é viral e benigna, mas é justamente nesse grupo que se escondem as causas que matam por atraso: herpes no parênquima, tuberculose e criptococo. Por isso o rótulo "viral" deve ser uma conclusão, não um ponto de partida.
Meningite viral (asséptica)
Enterovírus são a causa mais comum, seguidos de herpes-vírus, arbovírus e primoinfecção pelo HIV. Curso geralmente benigno e autolimitado, com líquor linfocitário e glicose normal.
Encefalite viral
Herpes simples tipo 1 é a causa esporádica tratável mais importante. Também enterovírus, varicela-zóster, arbovírus e, no Brasil, arboviroses regionais como dengue, zika, chikungunya e febre do Nilo Ocidental em áreas específicas.
Tuberculose meníngea
Instalação subaguda ao longo de semanas, com paralisia de nervos cranianos, hidrocefalia e vasculite. Líquor linfocitário com glicose baixa e proteína muito elevada.
Fúngica
Cryptococcus neoformans em imunossuprimidos, sobretudo HIV com contagem baixa de CD4: cefaleia arrastada, hipertensão intracraniana importante e tinta da China ou antígeno criptocócico positivo.
Encefalite autoimune
Anticorpo antirreceptor NMDA e outros: quadro subagudo com sintomas psiquiátricos, discinesias, disautonomia e crises. Pode surgir após encefalite herpética.
Meningite não infecciosa
Medicamentosa (anti-inflamatórios, sulfas, imunoglobulina), neoplásica (carcinomatose meníngea) e doenças autoimunes sistêmicas. Diagnóstico de exclusão, após afastar infecção.
"Meningite asséptica" descreve apenas a ausência de crescimento bacteriano em cultura convencional. Não exclui tuberculose, fungo, sífilis nem meningite bacteriana parcialmente tratada — situações em que o líquor pode ser linfocitário.
O cenário brasileiro atual
Segundo o Ministério da Saúde (Nota Técnica Conjunta nº 154/2024), os sorogrupos meningocócicos de maior relevância no país são o B, o C e o W, e em menor escala o Y. O período de incubação médio é de 4 dias (2 a 10), e a transmissibilidade termina, em geral, nas primeiras 24 horas de antibioticoterapia adequada — base dos prazos de isolamento e de definição de contato.
Com a vacinação contra Hib desde os anos 1990, a maior parte da doença invasiva por Haemophilus influenzae no Brasil passou a ser causada por cepas não tipáveis e pelo sorotipo a, e não mais pelo b. O laboratório precisa tipar o isolado, e a quimioprofilaxia é iniciada pela confirmação inicial de H. influenzae invasivo, sem esperar a tipagem.
Pneumococo não exige quimioprofilaxia de contatos, mas exige atenção ao perfil local de resistência: é ele que define se a vancomicina entra rotineiramente no esquema empírico do seu serviço.
Pistas epidemiológicas que mudam a conduta
A anamnese epidemiológica é rápida e muda a cobertura antes de qualquer exame. Pergunte ativamente por aglomeração, focos parameníngeos, imunossupressão, exposição a vetores e animais e procedimentos neurocirúrgicos recentes — cada resposta acrescenta ou retira um agente da lista.
Aglomeração e surto — alojamento coletivo, quartel e escola aumentam a probabilidade de meningococo e disparam a investigação de contactantes.
Rash petequial ou purpúrico — meningococcemia; a evolução para choque pode ocorrer em poucas horas.
Otite, sinusite ou pneumonia recente — porta de entrada pneumocócica; procure também abscesso e empiema subdural.
Etilismo, esplenectomia, mieloma e HIV — risco elevado de pneumococo e de agentes oportunistas.
Contato com tuberculose ou HIV avançado — considere tuberculose meníngea e criptococose desde o início.
Viagem, área rural e exposição a vetores — arboviroses; conheça a sazonalidade da sua região.
Mordedura de animal ou contato com morcegos — raiva, que é encefalite sem tratamento específico e com quase 100% de letalidade.
Neurocirurgia, derivação ventricular ou trauma recente — perfil hospitalar, com necessidade de cobertura para estafilococo e gram-negativos.
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O essencial de avaliação
Sinais meníngeos (Kernig, Brudzinski) são específicos, mas pouco sensíveis; nos extremos de idade o quadro é atípico.
Duas hemoculturas, glicemia pareada e exames de base antes do antibiótico — sem atrasá-lo.
Tomografia antes da punção só com critério: imunossupressão grave, doença do SNC, crise recente, papiledema, rebaixamento importante, déficit focal.
Cefaleia súbita e máxima desde o início é hemorragia subaracnóidea até prova em contrário.
Quadro clínico
O exame clínico separa o predomínio meníngeo do parenquimatoso, mas nenhuma manobra afasta meningite. Kernig e Brudzinski são específicos e pouco sensíveis: sua ausência não tranquiliza, e a decisão de tratar se apoia na suspeita global — febre com cefaleia, alteração mental ou rash.
Sugere meningite
Febre com cefaleia holocraniana intensa e de instalação rápida.
Rigidez de nuca, fotofobia, náuseas e vômitos.
Sinais de Kernig e de Brudzinski — específicos, porém pouco sensíveis.
Rash petequial ou purpúrico, sugestivo de meningococo.
Nível de consciência preservado ou pouco alterado nas fases iniciais.
Sugere encefalite
Alteração do estado mental por 24 horas ou mais, sem outra causa.
Mudança de personalidade, comportamento bizarro e alucinações.
Crises epilépticas, sobretudo de início focal.
Déficits focais: afasia, hemiparesia e alteração de campo visual.
Movimentos anormais e disautonomia, que sugerem causa autoimune.
Nos extremos de idade o quadro é atípico. No lactente predominam irritabilidade, recusa alimentar, abaulamento de fontanela, hipotonia e convulsão, sem rigidez de nuca. No idoso, pode haver apenas confusão e queda do estado geral, muitas vezes sem febre.
Definição de caso suspeito (vigilância)
Em 2024 o Ministério da Saúde revisou a definição de caso suspeito de meningite usada para notificação. Ela é deliberadamente sensível: serve para acionar a vigilância e a investigação, não para decidir sozinha o tratamento — mas qualquer paciente que a preencha merece, no mínimo, avaliação médica imediata.
Febre com dois ou mais de: cefaleia intensa, vômito, confusão ou alteração mental, fotofobia, torpor, convulsão.
Febre com pelo menos um sinal de irritação meníngea (rigidez de nuca, Kernig ou Brudzinski).
Febre de início súbito com petéquias ou sufusões hemorrágicas.
Em menores de 2 anos, também febre com irritabilidade ou choro persistente, sonolência ou abaulamento de fontanela.
Em surto, a definição é ampliada: febre com um único sinal de alarme (alteração mental, convulsão, torpor, irritação meníngea ou petéquias).
Exames iniciais
Os exames iniciais têm três funções: preservar a chance de identificar o agente antes do antibiótico, medir a gravidade sistêmica e garantir a segurança da punção. Nenhum deles precisa ficar pronto para a primeira dose — eles são colhidos na mesma punção venosa, em minutos.
Duas hemoculturas antes do antibiótico — positivas em boa parte dos casos e podem salvar o diagnóstico quando a cultura do líquor já foi esterilizada.
Hemograma, PCR, lactato, função renal e hepática, eletrólitos e coagulograma — o coagulograma também orienta a segurança da punção. A OMS (2025) considera também procalcitonina, onde disponível.
Glicemia sérica pareada colhida próxima ao momento da punção: sem ela, a glicose liquórica é ininterpretável.
Gasometria e lactato em quem tem sinais de sepse ou choque.
Sorologia para HIV, com consentimento, em todo caso de meningite ou encefalite sem causa definida.
Tomografia de crânio apenas nas indicações listadas abaixo — e nunca como pré-requisito universal.
Ressonância magnética na suspeita de encefalite: é o exame de escolha e pode mostrar alterações em lobos temporais e sistema límbico.
Eletroencefalograma na encefalite e no rebaixamento inexplicado, para detectar crise não convulsiva e padrões sugestivos.
Calculadora — preciso de tomografia antes da punção?
Marque cada critério como presente ou ausente. A ausência de todos os critérios permite puncionar sem imagem prévia. A presença de qualquer um indica tomografia antes — e, nesse caso, hemocultura, e antibiótico vêm antes da imagem.
Tomografia antes da punção lombar — 6 critérios
Critérios clássicos da IDSA (derivados de Hasbun, 2001), compatíveis com os motivos de adiamento da punção da OMS (2025). Não atrasa a droga.
Marque os seis critérios como presentes ou ausentes.
Ferramenta de apoio. A tomografia normal não garante ausência de risco de herniação, e o julgamento clínico prevalece.
Contraindicações independentes à punção incluem coagulopatia significativa, plaquetopenia grave, uso de anticoagulante e infecção de pele no local — nesses casos, trate e discuta a coleta com a neurologia.
O que as diretrizes atuais acrescentam
A diretriz da OMS (2025) e a da ESCMID (2016) usam critérios um pouco mais restritivos que os da IDSA: o limiar de consciência é Glasgow abaixo de 10, a crise nova conta em adultos e a imunossupressão precisa ser grave. A OMS também separa os motivos para adiar a punção das contraindicações absolutas, e reforça que o tratamento não pode esperar nem a imagem nem a punção.
Adiar a punção (fazer imagem antes)
Glasgow abaixo de 10
Sinais neurológicos focais ou déficit de nervo craniano
Papiledema
Crise epiléptica nova (adultos)
Imunossupressão grave
Não puncionar (contraindicação absoluta)
Distúrbio de coagulação conhecido ou suspeito
Infecção de pele ou partes moles, ou abscesso epidural, no local ou próximo da punção
Instabilidade hemodinâmica ou respiratória que exige estabilização
Sem tomografia disponível e com algum motivo de adiamento, a OMS orienta não puncionar até que o fator se resolva — e manter o tratamento empírico completo enquanto isso.
Glasgow à beira do leito
O nível de consciência decide duas coisas neste paciente: se a punção precisa esperar a imagem e se a via aérea precisa ser protegida. Registre a escala por componentes e repita de forma seriada — a queda de dois pontos é sinal de alarme para hipertensão intracraniana, crise não convulsiva ou piora sistêmica.
Glasgow e Glasgow-Pupilas (GCS-P)
Escolha a melhor resposta de cada componente. A ferramenta mostra a soma, a notação por componentes (O, V, M), o GCS-P e o componente mais comprometido.
Escala de Coma de Glasgow—
GCS-P (Glasgow-Pupilas)—
Componente mais grave—
Via aérea—
Classificação—
Glasgow abaixo de 10 (OMS/ESCMID) ou abaixo de 11 (IDSA) indica imagem antes da punção. Glasgow ≤ 8 é o limiar clássico para considerar via aérea definitiva, mas a decisão é clínica.
Diagnósticos diferenciais
Febre com alteração neurológica tem diferenciais que exigem condutas opostas — anticoagular, drenar, operar ou tratar crise. A pergunta útil é qual deles muda a sequência de exames: a hemorragia subaracnóidea e as lesões com efeito de massa mudam, porque pedem imagem antes da punção.
Como diferenciarHepática, urêmica, hiponatrêmica, hipoglicêmica, intoxicações e síndrome serotoninérgica.
CondutaExames laboratoriais dirigidos e correção; lembrar que também são causas de crise epiléptica.
Enxaqueca com meningismo
Como diferenciarHistória prévia semelhante, ausência de febre e de toxemia, exame neurológico normal.
CondutaDiagnóstico de exclusão — na primeira apresentação com febre, investigue.
Trombose venosa cerebral
Como diferenciarCefaleia progressiva, crises, déficits que não respeitam território arterial, fatores pró-trombóticos.
CondutaAngiorressonância ou angiotomografia venosa; anticoagulação.
Cefaleia súbita e de intensidade máxima desde o início não é meningite até que a hemorragia subaracnóidea seja afastada. E febre com déficit focal exige imagem antes da punção, pela possibilidade de lesão com efeito de massa.
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O essencial de líquor
Colha 3 a 4 frascos e meça a pressão de abertura; a glicose só se interpreta com glicemia sérica pareada.
Padrão bacteriano: neutrófilos, proteína alta, relação de glicose < 0,4 e lactato ≥ 3,5 mmol/L.
PCR no líquor é recomendado pela OMS, mas não substitui cultura e antibiograma.
Nenhum padrão isolado autoriza suspender o antibiótico em paciente grave.
O que pedir na punção
A punção lombar continua sendo o exame que fecha o diagnóstico. Colha em três a quatro frascos e distribua os pedidos de forma que nenhuma amostra seja desperdiçada. A OMS (2025) recomenda fortemente, além da citologia e da bioquímica, testes moleculares (PCR) para os patógenos relevantes — sem abrir mão da cultura e do antibiograma, que continuam sendo o padrão-ouro.
Pressão de abertura — com o paciente em decúbito lateral e pernas estendidas; valores muito elevados sugerem criptococose, tuberculose ou hipertensão intracraniana.
Citologia global e diferencial — número de células e predomínio de neutrófilos ou linfócitos.
Bioquímica — proteína e glicose, esta última sempre com glicemia sérica pareada.
Bacterioscopia pelo Gram e cultura — o Gram é rápido e razoavelmente sensível na meningite bacteriana não tratada.
Látex ou teste imunocromatográfico — útil quando o antibiótico já foi iniciado.
PCR ou painel molecular — herpes simples, enterovírus, meningococo, pneumococo e outros, conforme disponibilidade.
Pesquisa de BAAR, cultura para micobactérias e teste molecular rápido quando houver suspeita de tuberculose.
Tinta da China e antígeno criptocócico em imunossuprimidos.
Lactato liquórico, quando disponível, ajuda a separar padrão bacteriano de viral.
Punção traumática atrapalha a leitura. Uma correção prática é descontar cerca de 1 leucócito para cada 500 a 700 hemácias, mas a regra é imprecisa: diante de dúvida em paciente grave, decida pelo tratamento e não pela aritmética.
Painel multiplex não é PCR específico
Os painéis moleculares multiplex têm sensibilidade menor para herpes simples tipo 1 do que o PCR específico. Na suspeita de encefalite, peça o PCR dirigido para HSV e não aceite um painel negativo como exclusão — recomendação apresentada pela força-tarefa EAN–ESCMID de encefalite infecciosa (2025).
Padrões liquóricos típicos
A leitura do líquor é integrada: celularidade, predomínio, proteína, glicose e lactato precisam contar a mesma história. Quando um parâmetro destoa — por exemplo, linfócitos com glicose baixa — é aí que mora o diagnóstico diferencial mais importante, porque esse é o padrão da tuberculose, do fungo e da bacteriana parcialmente tratada.
Parâmetro
Normal
Bacteriana
Viral
Tuberculosa / fúngica
Aspecto
Límpido
Turvo ou purulento
Límpido
Límpido ou opalescente
Células (por mm³)
Até 5
Habitualmente acima de 1000
De 10 a 500
De 50 a 500
Predomínio
Linfócitos
Neutrófilos
Linfócitos (neutrófilos nas primeiras horas)
Linfócitos
Proteína (mg/dL)
De 15 a 45
Elevada, frequentemente acima de 100
Normal ou pouco elevada
Muito elevada, podendo passar de 200
Glicose
Relação com o soro em torno de 0,6
Baixa, com relação abaixo de 0,4
Normal
Baixa
Lactato
Abaixo de 2,1 mmol/L
Habitualmente 3,5 mmol/L ou mais (antes do antibiótico)
Normal ou pouco elevado
Elevado
Padrões são probabilísticos, não determinísticos. Meningite bacteriana muito precoce pode ter poucas células; encefalite herpética costuma cursar com líquor linfocitário e discreto aumento de proteína, às vezes com hemácias. Nenhum padrão isolado autoriza suspender o antibiótico em paciente grave.
Calculadora — interpretação do líquor
Preencha as faixas do resultado. A relação de glicose é o valor do líquor dividido pela glicemia sérica pareada (por exemplo, 30 ÷ 100 = 0,30). A leitura sugere o padrão mais provável, sempre subordinada ao quadro clínico e ao uso prévio de antibiótico.
Ferramenta de apoio à interpretação, não substitui o julgamento clínico. Em paciente grave, mantenha a cobertura empírica mesmo com líquor atípico, até que a evolução e as culturas permitam decidir.
Padrão bacteriano: pleocitose acentuada com predomínio de neutrófilos, proteína elevada, relação de glicose abaixo de 0,4 e lactato de 3,5 mmol/L ou mais.
Padrão viral: pleocitose leve a moderada com predomínio de linfócitos, proteína normal ou pouco elevada e glicose preservada.
Padrão tuberculoso ou fúngico: pleocitose linfocitária, proteína muito elevada e glicose baixa, geralmente com instalação subaguda.
Sem pleocitose: celularidade normal, com bioquímica preservada.
Antibiótico prévio, punção traumática, neutropenia e fases muito precoces alteram o padrão. O lactato liquórico perde valor discriminativo depois que o antibiótico foi iniciado — interprete-o à luz do horário da primeira dose.
Calculadora — Bacterial Meningitis Score
Escore de Nigrovic, validado em crianças de 29 dias a 19 anos com pleocitose liquórica para estimar risco de meningite bacteriana. Não se aplica a menores de 29 dias, a pacientes criticamente enfermos, imunossuprimidos, com uso recente de antibiótico, portadores de derivação ventricular ou com púrpura.
Bacterial Meningitis Score (5 critérios)
Gram positivo vale 2 pontos; os demais critérios valem 1 ponto cada.
Responda aos cinco critérios.
Ferramenta de apoio. O escore foi desenvolvido para reduzir internações e antibioticoterapia desnecessárias em crianças de baixo risco, e não para autorizar alta em paciente com aspecto toxêmico. Qualquer sinal de gravidade sobrepõe-se ao resultado.
Em 30 segundos
O essencial de tratamento
O tratamento empírico começa pela suspeita clínica, em até 1 hora; imagem e líquor servem para refinar depois.
Base comunitária: 2 g de 12/12 h; conforme a resistência local; se houver risco de Listeria.
0,15 mg/kg (10 mg) de 6/6 h por 4 dias, antes ou junto da primeira dose.
Doses de meningite são mais altas que as habituais — 1 g de ceftriaxona de 12/12 h é subdose.
Sequência de abordagem
O tratamento empírico é iniciado pela suspeita clínica. Todo o restante — imagem, líquor, painel molecular — serve para refinar depois, nunca para autorizar a primeira dose. A OMS (2025) trata a "janela de 1 hora" como o período de ouro e admite antibiótico parenteral antes da transferência quando ela vai demorar.
Estabilize
Reconheça a suspeita: via aérea, oxigenação, perfusão, glicemia e controle de crises.
Colha em minutos
Duas hemoculturas e os exames iniciais — sem que isso consuma mais do que poucos minutos.
Critérios de imagem
Aplique os critérios para tomografia antes da punção. Sem critérios, puncione agora.
Se a punção for adiada
Administre dexametasona e antibiótico IMEDIATAMENTE, antes da imagem, por qualquer motivo de adiamento.
Dexametasona
Logo antes ou junto da primeira dose do antibiótico.
Antibiótico empírico
Conforme idade, comorbidade e porta de entrada, com dose plena para o sistema nervoso central.
Aciclovir
Se houver encefalopatia, crise epiléptica ou déficit focal sugerindo encefalite.
Reavalie em 24–48 h
Com o resultado das culturas: descale, ajuste ou suspenda de forma deliberada.
A sequência mais cobrada e mais errada: hemocultura → dexametasona → antibiótico → tomografia → punção. Colher líquor antes é melhor apenas quando não há critério de imagem e a punção pode ser feita de imediato.
Esquema empírico do adulto
O esquema é montado por camadas: a cefalosporina de terceira geração cobre meningococo, pneumococo sensível e Haemophilus; a vancomicina entra pelo pneumococo resistente; a ampicilina, pela Listeria; e o aciclovir, pelo herpes. Cada camada tem indicação própria — e as doses detalhadas estão nas rotas abaixo.
Cenário
Esquema
Racional
Adulto até 50 anos, imunocompetente
associada a .
Cobertura de meningococo e pneumococo, incluindo cepas com sensibilidade reduzida.
Acima de 50 anos, gestante, etilista ou imunossuprimido
Ceftriaxona, vancomicina e .
A ampicilina cobre Listeria monocytogenes, que não responde a cefalosporina.
Alergia grave a betalactâmico
Vancomicina associada a ; no lugar da ampicilina para Listeria.
Discuta com a infectologia — as alternativas têm penetração e evidência menos robustas.
Pós-neurocirurgia, derivação ou trauma penetrante
Vancomicina associada a , ou .
Cobre estafilococo e gram-negativos incluindo Pseudomonas; avalie retirada do dispositivo.
Suspeita de encefalite
Acrescentar ao esquema antibacteriano.
Herpes simples é a causa tratável mais importante e o atraso piora o prognóstico.
A inclusão sistemática de vancomicina depende da prevalência local de pneumococo com sensibilidade reduzida à cefalosporina — a OMS (2025) a recomenda, de forma condicional, apenas onde essa resistência é prevalente. Confira o protocolo da sua instituição e o perfil de resistência do seu serviço: este é o principal ponto de variação entre protocolos brasileiros.
Calculadora — doses por peso
As doses para infecção do sistema nervoso central são mais altas do que as habituais, pela barreira hematoencefálica. Informe o peso: no adulto, ceftriaxona (2 g de 12/12 h), ampicilina (2 g de 4/4 h), cefepima e meropenem (2 g de 8/8 h) são doses fixas; as calculadas por peso aparecem abaixo.
Adulto — drogas calculadas por peso
Vancomicina 15 a 20 mg/kg por dose (de 8/8 a 12/12 h); dexametasona 0,15 mg/kg de 6/6 h por 4 dias; aciclovir 10 mg/kg de 8/8 h.
— limite inferior15 mg/kg por dose, de 8/8 a 12/12 h (máx. 2 g por dose)
—
Vancomicina — limite superior20 mg/kg por dose, de 8/8 a 12/12 h (máx. 2 g por dose)
—
0,15 mg/kg de 6/6 h por 4 dias (máx. 10 mg por dose)
—
10 mg/kg de 8/8 h — se houver suspeita de encefalite
—
Pós-neurocirurgia ou derivação: vancomicina 15–20 mg/kg + cefepima, ceftazidima ou meropenem 2 g de 8/8 h; dexametasona não indicada de rotina e avaliação neurocirúrgica para retirada ou troca do dispositivo.
Criança acima de 1 mês
Ceftriaxona 100 mg/kg/dia (de 12/12 h); vancomicina 60 mg/kg/dia (de 6/6 h); ampicilina 300 mg/kg/dia (de 6/6 h) quando houver risco de Listeria; dexametasona 0,15 mg/kg; aciclovir 10 a 15 mg/kg.
50 mg/kg por dose de 12/12 h (máx. 4 g/dia)
—
15 mg/kg por dose de 6/6 h, com monitorização sérica
—
(se indicada)75 mg/kg por dose de 6/6 h
—
0,15 mg/kg de 6/6 h por 4 dias
—
10 a 15 mg/kg de 8/8 h (aqui calculado a 10 mg/kg)
—
Ferramenta de apoio ao cálculo. Ajuste para função renal e hepática, confira as doses máximas por dose e por dia, e siga o protocolo institucional e a bula. A vancomicina exige monitorização sérica e ajuste conforme a meta do serviço.
Dexametasona: quando e como
A dexametasona reduz a resposta inflamatória desencadeada pela lise bacteriana — por isso precisa chegar antes ou junto do antibiótico. A OMS (2025) recomenda iniciá-la com a primeira dose em toda suspeita de meningite bacteriana aguda fora de epidemias. Se ela atrasou, o NICE (2024) orienta dar assim que possível até 12 horas após o antibiótico; depois disso, discutir com a infectologia.
Usar
Suspeita de meningite bacteriana comunitária em adulto e em criança acima de 1 mês.
Criança com suspeita de meningite por Haemophilus influenzae tipo b.
Sempre imediatamente antes ou junto da primeira dose do antibiótico.
Manter por 4 dias se for confirmado pneumococo ou Haemophilus.
Suspender ou não iniciar
Antibiótico administrado há mais de 12 horas — benefício não demonstrado; decidir com a infectologia.
Etiologia identificada sem benefício demonstrado, como meningococo, conforme o protocolo local.
Diagnóstico final de meningite viral não complicada.
Meningite associada a derivação ou pós-neurocirúrgica, em que não há evidência de benefício.
O benefício mais consistente é a redução de perda auditiva e de sequelas neurológicas, com redução de mortalidade na meningite pneumocócica do adulto. Na Listeria, uma coorte nacional holandesa (2023) associou o esquema padrão a melhor desfecho — não suspenda a dexametasona só porque a Listeria foi isolada. Na tuberculose meníngea o corticoide também é indicado, mas em esquema e duração diferentes.
Rotas de tratamento
Cada rota é um cenário clínico. Esquemas combinados aparecem com todos os componentes; o nome de cada fármaco abre a ficha completa (apresentação, diluição, velocidade, ajustes e cuidados). Doses para adultos com função renal preservada, salvo indicação — confira o protocolo institucional, a função renal e a apresentação disponível no seu serviço.
Quando esta rota entraSuspeita de meningite bacteriana comunitária sem fatores de risco para Listeria.
Esquema empírico (usar em conjunto)3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaCeftriaxonaBase do esquema comunitário
2 g IV (em 100 mL de SF 0,9%, 30 min)
12/12 h
7 dias (meningococo) a 10–14 dias (pneumococo)
Dose meníngea é o dobro da habitual. 2 g de 4/4 a 6/6 h é alternativa.
Conforme resistênciaVancomicinaPneumococo com sensibilidade reduzida
15–20 mg/kg IV (ataque de 20–35 mg/kg no paciente grave)
8/8 a 12/12 h
Suspender se o agente for sensível à cefalosporina
Infusão em ≥ 60 min; monitorização sérica e da função renal.
AdjuvanteDexametasonaAntes ou junto da 1ª dose
0,15 mg/kg IV (10 mg no adulto)
6/6 h
4 dias
Se atrasou, dar até 12 h após o antibiótico (NICE 2024).
Quando esta rota entraIdade acima de 50 anos (OMS 2025: acima de 60), gestação, etilismo, neoplasia, corticoterapia, transplante e demais imunossupressões celulares.
Na dúvida sobre imunossupressão em paciente grave, inclua. Reveja em 48–72 h: se a cultura afastar Listeria, pode ser suspensa.
Listeriose confirmada e grave1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
AssociaçãoGentamicinaSinergismo com a ampicilina
5 mg/kg/dia IV
Dividida 8/8 h ou dose única diária
Habitualmente 7 a 14 dias iniciais
Considerar conforme gravidade e protocolo; monitorizar nível sérico e função renal.
Quando esta rota entraAnafilaxia ou reação imediata grave documentada a penicilinas ou cefalosporinas. Discuta com a infectologia.
Esquema alternativo (usar em conjunto)3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
AlternativaVancomicina
15–20 mg/kg IV
8/8 a 12/12 h
Conforme agente
Monitorização sérica obrigatória.
AlternativaMoxifloxacino
400 mg IV (60 min)
24/24 h
Conforme agente
Evitar na gestante. Atenção ao QT.
Se risco de ListeriaSulfametoxazol-trimetoprima
10–20 mg/kg/dia de trimetoprima IV
Dividida 6/6 a 12/12 h
21 dias ou mais se Listeria
Substitui a ampicilina; evidência e penetração menos robustas.
Quando esta rota entraMeningite ou ventriculite associada a cirurgia, cateter, derivação ou trauma penetrante.
Colha cultura do líquor obtido do próprio dispositivo; lactato e procalcitonina liquóricos ajudam a diferenciar inflamação pós-operatória de infecção. A retirada ou troca do cateter ou da derivação costuma ser necessária para a cura, e a dexametasona não é indicada de rotina nesse cenário.
Cobertura de gram-positivos1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaVancomicina
15–20 mg/kg IV
8/8 a 12/12 h
10 a 21 dias
Via intraventricular apenas em casos selecionados e refratários, com a neurocirurgia.
Associar um betalactâmico antipseudomonas (escolher um)3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
PreferencialCefepima
2 g IV
8/8 h
10 a 21 dias
Ajuste renal rigoroso: neurotoxicidade na insuficiência renal.
AlternativaCeftazidima
2 g IV
8/8 h
10 a 21 dias
Sem atividade útil contra gram-positivos.
AlternativaMeropenem
2 g IV
8/8 h
10 a 21 dias
Quando há resistência ou alergia; reduz o nível de valproato.
Discuta precocemente com a infectologia e a neurocirurgia: aqui o controle de foco pesa tanto quanto o antimicrobiano. A duração (10 a 21 dias) depende do agente, da retirada do dispositivo e da esterilização do líquor.
Quando esta rota entraEncefalopatia febril, crise epiléptica ou déficit focal sugerindo acometimento do parênquima.
Antiviral empírico3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaAciclovir — adulto
10 mg/kg IV (em ≥ 1 h)
8/8 h
14 a 21 dias se HSV confirmado
Hidratação adequada; ajuste renal; peso ideal ou ajustado no obeso.
PediatriaAciclovir — criança de 3 meses a 12 anos
10–15 mg/kg IV
8/8 h
14 a 21 dias
Conforme a idade e o protocolo.
NeonatalAciclovir — neonato
20 mg/kg IV
8/8 h
21 dias
Repetir PCR no fim do tratamento no neonato.
Quando esta rota entraQuadro subagudo com líquor linfocitário, proteína muito alta e glicose baixa, sobretudo com contato, HIV ou paralisia de nervos cranianos.
Esquema (Ministério da Saúde)4 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
PadrãoRHZE — fase intensiva
Comprimidos 150/75/400/275 mg por faixa de peso
1x/dia em jejum
2 meses
Rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol.
PadrãoRH — fase de manutenção
Rifampicina + isoniazida por faixa de peso
1x/dia
10 meses
Total de 12 meses na forma meníngea.
AdjuvanteAssociaçãoPrednisona+Dexametasona
Prednisona1–2 mg/kg/dia VO (máx. 30 mg/dia)
1x/dia
4 semanas + desmame
Desmame gradual. No HIV, o ACT HIV (2023) não mostrou benefício de sobrevida — decisão individualizada.
Dexametasona0,3–0,4 mg/kg/dia IV
Diária
4 a 8 semanas + desmame
AssociarPiridoxina
25–50 mg VO
1x/dia
Enquanto usar isoniazida
Prevenção de neuropatia, sobretudo em desnutridos, gestantes e pessoas com HIV.
Quando esta rota entraHIV avançado ou outra imunossupressão com cefaleia arrastada, antígeno criptocócico ou tinta da China positivos.
Indução preferencial (usar em conjunto)3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaAnfotericina B lipossomal
10 mg/kg IV (em SG 5%, ~2 h)
Dose única
Dia 1
Pré-hidratação e reposição de potássio e magnésio.
1ª escolhaFlucitosina
100 mg/kg/dia VO
Dividida 6/6 h
14 dias
Hemograma seriado.
1ª escolhaFluconazol
1.200 mg VO ou IV
1x/dia
14 dias
Depois: 800 mg/dia por 8 semanas e manutenção com 200 mg/dia.
Meça e registre a pressão de abertura em toda punção: punções lombares de alívio repetidas são parte do tratamento e reduzem mortalidade. A terapia antirretroviral costuma ser adiada por algumas semanas (risco de síndrome inflamatória de reconstituição imune). Esquemas variam com a disponibilidade — siga o protocolo institucional e o PCDT do Ministério da Saúde.
Duração do tratamento
A duração é definida pelo agente isolado e pela resposta clínica, não por um número fixo. Quando nenhum agente é identificado, a OMS (2025) admite, fora de epidemias, suspender o antibiótico empírico após 7 dias no paciente clinicamente recuperado — e lembra que culturas e antibiograma devem sempre guiar o descalonamento.
Agente
Duração usual
Observação
Neisseria meningitidis
5 a 7 dias
Resposta habitualmente rápida.
Haemophilus influenzae
7 a 10 dias
Verificar produção de betalactamase.
Streptococcus pneumoniae
10 a 14 dias
Ajustar conforme sensibilidade e evolução.
Streptococcus agalactiae
14 a 21 dias
Comum no neonato.
Listeria monocytogenes
21 dias ou mais
Considerar associação com gentamicina.
Bacilos gram-negativos aeróbios
21 dias
Frequente no perfil hospitalar.
Encefalite por herpes simples
14 a 21 dias
Aciclovir intravenoso; considerar PCR de controle.
Tuberculose meníngea
12 meses
Esquema conforme o Ministério da Saúde, com corticoide associado.
Durações são orientativas e dependem da resposta clínica, do agente e das complicações. Punção de controle é indicada quando há má resposta em 48 horas, agente gram-negativo, neonato ou dúvida quanto à esterilização do líquor.
Suporte nas primeiras horas
O antibiótico não trabalha sozinho: hipotensão, hipoglicemia, crises e hipertensão intracraniana aumentam a lesão secundária. A OMS (2025) acrescentou recomendações práticas de suporte que corrigem hábitos antigos, como a restrição hídrica de rotina e o uso de glicerol.
Fluidos
Não restringir líquidos de rotina. Manutenção preferencialmente por via oral ou enteral; se intravenosa, solução isotônica (Ringer lactato ou SF 0,9%).
Glicerol
Não usar de rotina como adjuvante na meningite bacteriana.
Pressão intracraniana
Salina hipertônica ou manitol como medida temporária, com cabeceira elevada e normocapnia.
Crises
Tratar de forma agressiva; anticrise após crise sintomática aguda por no máximo 3 meses, se não houver recorrência.
Em 30 segundos
O essencial de encefalite
Critério maior: alteração do estado mental por 24 horas ou mais, sem causa alternativa.
Inicie empírico em toda encefalopatia febril, idealmente nas primeiras 6 horas.
PCR para HSV negativo nas primeiras 72 horas não exclui o diagnóstico: mantenha a droga e repita em 3 a 7 dias.
Encefalite autoimune (anti-NMDA, límbica) pode seguir a herpética; não imunossuprima sem cobrir infecção.
Quando pensar em encefalite
O critério maior é alteração do estado mental por 24 horas ou mais — rebaixamento, letargia ou mudança de personalidade — sem causa alternativa identificada. A partir daí, critérios menores aumentam a probabilidade: pelo consenso do International Encephalitis Consortium (2013), dois critérios menores tornam a encefalite possível e três ou mais a tornam provável.
Febre documentada de 38 °C ou mais nas 72 horas anteriores ou posteriores ao início.
Crise epiléptica generalizada ou focal não atribuível a epilepsia prévia.
Novo achado neurológico focal ao exame.
Pleocitose liquórica (≥ 5 células/mm³), geralmente linfocitária.
Alteração de neuroimagem sugestiva de acometimento parenquimatoso, sobretudo em lobos temporais.
Alteração eletroencefalográfica compatível, não explicada por outra causa.
Diante de encefalopatia febril, inicie aciclovir empírico junto com o esquema antibacteriano — idealmente nas primeiras 6 horas da chegada, como propõe a força-tarefa EAN–ESCMID (2025) — e só suspenda com base em critérios definidos. Cada hora de atraso na encefalite herpética se traduz em pior desfecho funcional.
Encefalite herpética
É a causa esporádica tratável mais importante, em qualquer idade e sem sazonalidade. O acometimento preferencial é do lobo temporal e do sistema límbico, o que explica o quadro: alterações de memória, de comportamento e de linguagem, alucinações olfativas e crises focais.
Clínica — febre, cefaleia, alteração de comportamento, alucinações olfativas ou gustativas, afasia, alteração de memória e crises focais.
Líquor — pleocitose linfocitária, proteína pouco elevada, glicose normal; pode haver hemácias pela natureza necrótico-hemorrágica.
PCR para herpes simples — exame de escolha, com sensibilidade alta a partir das primeiras 24 a 48 horas.
Ressonância — hipersinal em lobo temporal medial, ínsula e giro do cíngulo, tipicamente assimétrico.
Eletroencefalograma — lentificação focal temporal e descargas epileptiformes lateralizadas periódicas.
Armadilhas do PCR e quando suspender
Um resultado negativo colhido muito precocemente, nas primeiras 24 a 72 horas, não afasta o diagnóstico. Se a suspeita permanecer alta, mantenha o aciclovir e repita a coleta em 3 a 7 dias, sobretudo quando a imagem mostra alteração temporal. Painéis multiplex têm sensibilidade menor para HSV-1 do que o PCR específico, e o corticoide de rotina na encefalite herpética não mostrou benefício.
Quando suspender o aciclovir
Considere a suspensão quando o PCR for negativo em amostra colhida após as primeiras 72 horas de sintomas, com ressonância sem alteração sugestiva, quadro clínico alternativo explicado e evolução favorável. Fora dessa combinação, mantenha a droga.
Encefalite autoimune
Cada vez mais reconhecida, sobretudo em jovens. A apresentação subaguda, ao longo de semanas, com sintomas psiquiátricos proeminentes, costuma passar pelo psiquiatra antes de chegar ao neurologista. Os critérios clínicos de Graus (2016) permitem iniciar imunoterapia antes do resultado dos anticorpos, desde que a infecção tenha sido razoavelmente afastada.
Antirreceptor NMDA
Sintomas psiquiátricos, alteração de memória, crises, discinesias orofaciais, disautonomia e hipoventilação. Buscar teratoma de ovário e outras neoplasias.
Encefalite límbica
Alteração subaguda de memória, crises temporais e alteração de humor, com hipersinal límbico bilateral na ressonância. Anticorpos como LGI1 e CASPR2.
Pós-herpética
Recaída após encefalite herpética tratada, com PCR negativo e novo quadro comportamental ou discinético: pensar em anticorpo anti-NMDA secundário.
Tratamento
Imunoterapia de primeira linha com corticoide, imunoglobulina e plasmaférese; rituximabe e ciclofosfamida como segunda linha, além do tratamento do tumor associado.
Encefalite autoimune é diagnóstico de equipe, com neurologia e, muitas vezes, reumatologia e oncologia. Enquanto os anticorpos não voltam, mantenha a cobertura infecciosa: iniciar imunossupressão sobre uma infecção não tratada é o pior desfecho possível.
Suporte na terapia intensiva
Boa parte da morbidade da encefalite vem de complicações tratáveis: crise não convulsiva que passa despercebida, hipertensão intracraniana, distúrbios do sódio e broncoaspiração. O suporte intensivo bem feito protege o cérebro enquanto o antiviral ou a imunoterapia agem.
Via aérea
Indicação precoce de intubação em rebaixamento importante, com risco de broncoaspiração.
Crises epilépticas
Tratamento agressivo; eletroencefalograma contínuo quando houver rebaixamento desproporcional.
Hipertensão intracraniana
Cabeceira elevada, normocapnia, controle de temperatura e avaliação neurocirúrgica quando há hidrocefalia.
Sódio
Hiponatremia é frequente, por secreção inapropriada de hormônio antidiurético ou por perda cerebral de sal, com manejos opostos.
Glicemia, temperatura e oxigenação
Evitar hipoglicemia, febre e hipoxemia, todas associadas a lesão secundária.
Reabilitação precoce
Sequelas cognitivas e de linguagem são frequentes, e a fonoaudiologia e a terapia ocupacional devem entrar cedo.
Em 30 segundos
O essencial de profilaxia e erros
Notifique já na suspeita, em até 24 horas; precaução para gotículas por 24 horas após o antibiótico eficaz.
Contato próximo: exposição direta a gotículas do caso nos 10 dias antes dos sintomas até 24 h após o início da ceftriaxona.
Quimioprofilaxia o mais cedo possível (idealmente em 24 h): é a primeira escolha; na gestante.
Antes da alta: avaliação auditiva, seguimento neurológico e vacinação.
Notificação e isolamento
A meningite é um problema de saúde pública antes mesmo de ter etiologia. A notificação na suspeita dispara a investigação dos contatos, o bloqueio vacinal quando indicado e a coleta oportuna de amostras para tipagem — por isso não deve esperar a confirmação laboratorial.
Notificação compulsória imediata — "doença meningocócica e outras meningites" estão na lista nacional (Portaria GM/MS nº 5.201/2024) com notificação em até 24 horas, já no caso suspeito.
Precaução para gotículas — manter por 24 horas após o início do antibiótico eficaz na suspeita de meningococo ou de Haemophilus influenzae.
Máscara cirúrgica para a equipe durante procedimentos com contato próximo, inclusive na intubação e na aspiração.
Investigação de contactantes — a vigilância define o bloqueio e a extensão da quimioprofilaxia.
Avaliação auditiva antes da alta ou em até 4 semanas em todo caso de meningite bacteriana (OMS 2025), especialmente na criança.
Vacinação — atualizar o calendário e considerar vacina pneumocócica e meningocócica conforme indicação, sobretudo em asplênicos e imunossuprimidos.
Quem é contato próximo
A Nota Técnica Conjunta nº 154/2024 do Ministério da Saúde redefiniu contato próximo de doença meningocócica e de doença invasiva por Hib. A janela vai de 10 dias antes do início dos sintomas do caso até 24 horas depois do início da cefalosporina de terceira geração ou da rifampicina — e a mera proximidade transitória não conta.
Ambiente doméstico
Mesmo domicílio ou dormitório.
Secreções nasofaríngeas
Beijo ou compartilhamento de objetos que permitam troca de saliva.
≥ 4 horas a até 1 metro
Ambiente fechado: viagem longa sentado ao lado, reuniões, sala de aula, creche.
≥ 5 dias de convivência
Turma de creche ou ensino infantil, ambiente de trabalho.
Procedimento sem EPI
Intubação, aspiração, sonda nasogástrica ou boca a boca antes de 24 h de tratamento do caso.
Quimioprofilaxia de contactantes
Indicada nos casos de doença meningocócica e de doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b, para os contatos próximos. Deve ser feita o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 24 horas; após 10 dias da exposição, seu valor é mínimo no meningococo, mas no Hib pode ser feita em até 30 dias. O próprio paciente só precisa de profilaxia se não foi tratado com ceftriaxona ou cefotaxima.
Situação
Quem recebe
Opções habituais
Doença meningocócica
Todos os contatos próximos do caso suspeito ou confirmado (definição acima).
por 2 dias (1ª escolha); IM em dose única (1ª escolha na gestante); em dose única a partir de 18 anos.
Profissional de saúde
Apenas quem realizou manobras com exposição direta a secreções sem EPI, antes de 24 h de tratamento do caso (intubação, aspiração, ventilação com máscara).
Mesmos esquemas; a simples assistência ao paciente não indica profilaxia.
Haemophilus influenzae tipo b
Contatos domiciliares quando no domicílio há imunocomprometido ou criança menor de 2 anos (independentemente da vacina), ou menor de 4 anos não vacinada ou com esquema incompleto; creche conforme a vigilância.
Rifampicina 1x/dia por 4 dias; ceftriaxona por 2 dias só se houver contraindicação à rifampicina.
Pneumococo e demais agentes
Não há indicação de quimioprofilaxia de contactantes.
Reforçar vacinação quando indicada.
Doses, faixas etárias e indicações seguem a Nota Técnica Conjunta nº 154/2024-DPNI/SVSA/MS, que revisou o Guia de Vigilância em Saúde (6ª ed., 2023), e as orientações da vigilância local, que também define a vacinação de bloqueio. A azitromicina 500 mg em dose única é reservada à resistência ao ciprofloxacino quando as demais opções não podem ser usadas.
Rotas de tratamento
Esquemas da Nota Técnica Conjunta nº 154/2024 do Ministério da Saúde. Administre a todos os contatos próximos simultaneamente e confirme que o esquema foi completado. Se surgir novo caso no mesmo grupo em até 30 dias, use um antibiótico alternativo na profilaxia de repetição.
Quando esta rota entraContatos próximos de caso suspeito ou confirmado, idealmente nas primeiras 24 horas.
Escolher uma opção4 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaRifampicina — 1 mês ou mais e adultos
10 mg/kg VO (máx. 600 mg)
12/12 h
2 dias
Não recomendada na gestante. Colore urina e lágrimas; reduz a eficácia de anticoncepcionais.
1ª escolhaRifampicina — menor de 1 mês
5 mg/kg VO
12/12 h
2 dias
—
AlternativaCeftriaxona IM
125 mg (< 12 anos) • 250 mg (≥ 12 anos)
Dose única
—
Primeira escolha na gestante.
AlternativaCiprofloxacino
500 mg VO
Dose única
—
A partir de 18 anos; não recomendado na gestante.
Quando esta rota entraDomicílio (ou contato direto) com imunocomprometido, criança menor de 2 anos ou menor de 4 anos sem esquema vacinal completo; até 30 dias após a exposição.
Escolher uma opção4 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaRifampicina — adulto (≥ 18 anos)
600 mg VO
24/24 h
4 dias
—
1ª escolhaRifampicina — 1 mês a 18 anos
20 mg/kg VO (máx. 600 mg)
24/24 h
4 dias
—
1ª escolhaRifampicina — menor de 1 mês
10 mg/kg VO
24/24 h
4 dias
—
AlternativaCeftriaxona
50 mg/kg IM/IV (< 12 anos) • 1 g (≥ 12 anos)
24/24 h
2 dias
Só com contraindicação ou intolerância à rifampicina.
Complicações a antecipar
As complicações seguem o agente e o tempo de doença: hidrocefalia na tuberculose e no criptococo, crises no pneumococo e no herpes, choque e coagulopatia no meningococo. Antecipá-las muda o plano de monitorização desde a admissão.
Perda auditiva
Sequela mais comum na criança. A dexametasona precoce reduz o risco, e a avaliação audiológica precisa ser programada antes da alta.
Hidrocefalia
Mais frequente na tuberculose e na criptococose. Considere derivação e punções de alívio conforme o caso.
Crises epilépticas
Comuns no pneumococo e na encefalite herpética; tratar de forma agressiva e investigar crise não convulsiva no rebaixamento inexplicado.
Hiponatremia
Por secreção inapropriada de hormônio antidiurético ou por perda cerebral de sal; o tratamento é oposto nos dois casos, e a volemia é a chave.
Empiema e abscesso
Suspeite diante de febre persistente, novo déficit ou má resposta em 48 a 72 horas; peça imagem com contraste.
Choque séptico e coagulopatia
Típicos da meningococcemia, com púrpura fulminante e necrose de extremidades; suporte hemodinâmico imediato.
Piora ou ausência de melhora após 48 horas de tratamento adequado não é evolução esperada: reavalie o agente, a dose, a penetração, a possibilidade de coleção intracraniana e a hipótese de diagnóstico alternativo.
Seguimento e sequelas
A primeira diretriz da OMS sobre meningite (2025) dedicou um capítulo inteiro às sequelas, porque perda auditiva, déficits cognitivos, epilepsia e alterações de comportamento costumam ser descobertos tarde. O plano de alta precisa sair da enfermaria já escrito.
Avaliar sequelas antes da alta e no seguimento ambulatorial.
Triagem audiológica antes da alta ou em até 4 semanas; reabilitação auditiva precoce quando houver perda (implante coclear pode ser urgente pela ossificação da cóclea).
Reabilitação precoce (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional) para quem tem sequela.
Anticrise por no máximo 3 meses após crise sintomática aguda, se não houver recorrência.
Criança que teve doença invasiva por Hib antes dos 2 anos: completar o esquema ou receber dose adicional de vacina com componente Hib, a partir de 30 dias do início da doença.
Erros comuns
Quase todos os erros graves desta doença são de tempo ou de omissão: esperar um exame, esquecer uma droga, usar dose de outra infecção. Eles se repetem justamente porque a meningite é rara no plantão de cada um — vale revisá-los antes de precisar.
Esperar a tomografia para iniciar o antibiótico.
Esperar o resultado do líquor para iniciar o antibiótico.
Exigir a tríade clássica completa antes de suspeitar de meningite.
Esquecer a dexametasona ou administrá-la horas depois do antibiótico.
Omitir a ampicilina em paciente acima de 50 anos, gestante ou imunossuprimido.
Usar dose de antibiótico não meníngea, insuficiente para o sistema nervoso central.
Não colher glicemia sérica pareada e ficar sem interpretar a glicose do líquor.
Não iniciar aciclovir em paciente com encefalopatia febril.
Suspender o aciclovir por um único PCR negativo colhido muito precocemente.
Chamar de "meningite viral" todo líquor linfocitário, sem considerar tuberculose, fungo, sífilis e tratamento antibiótico prévio.
Não notificar o caso nem acionar a vigilância epidemiológica.
Prescrever quimioprofilaxia a toda a equipe do plantão, sem critério de exposição.
Restringir líquidos de rotina ou usar glicerol como adjuvante.
Dar alta sem programar avaliação auditiva e seguimento neurológico.
Resumo do fluxo
O fluxo abaixo resume o artigo em nove passos, da porta à alta. Ele vale para o adulto e para a criança acima de 1 mês; muda a escolha das drogas, não a ordem das decisões.
Suspeitou
Acione o time, monitorize e garanta acesso venoso.
Colha
Duas hemoculturas e os exames iniciais, incluindo glicemia sérica.
Critérios de imagem
Verifique os critérios para tomografia antes da punção.
Trate em até 1 hora
Dexametasona e antibiótico — antes da imagem se a punção for adiada.
Aciclovir
Se houver encefalopatia, crise ou déficit focal.
Puncione
Assim que for seguro; envie citologia, bioquímica, Gram, cultura e biologia molecular.
Ajuste
Com o resultado do líquor e das culturas, definindo a duração pelo agente.
Saúde pública
Notifique, mantenha gotículas por 24 horas e organize a quimioprofilaxia dos contactantes.
Antes da alta
Avaliação auditiva, seguimento neurológico e atualização vacinal.
Referências bibliográficas
1
Diretriz2025
World Health Organization. WHO guidelines on meningitis diagnosis, treatment and care. Genebra: WHO; 2025.
2
Diretriz2004
Tunkel AR, Hartman BJ, Kaplan SL, et al. Practice guidelines for the management of bacterial meningitis. Clin Infect Dis. 2004;39(9):1267-1284.
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17
Documento oficial2024
Ministério da Saúde (Brasil). Nota Técnica Conjunta nº 154/2024-DPNI/SVSA/MS — novas orientações para o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica das Meningites (definição de caso, de contato e quimioprofilaxia). Brasília; 2024.
18
Documento oficial2024
Ministério da Saúde (Brasil). Portaria GM/MS nº 5.201, de 15 de agosto de 2024 — Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública. Brasília; 2024.
19
Documento oficial2023
Ministério da Saúde (Brasil). Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., capítulos de meningites e de doença meningocócica. Brasília; 2023.
20
Documento oficial2019
Ministério da Saúde (Brasil). Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil, 2ª ed., seção de tuberculose meníngea. Brasília; 2019.
21
Diretriz2025
European Medical Journal. EAN 2025: What’s new in neurology guidelines? (relato do congresso da European Academy of Neurology sobre a diretriz EAN–ESCMID de encefalite infecciosa em adultos). 2025.
Aviso importante
Ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Doses, diluições e velocidades de infusão devem ser conferidas antes da administração. Doses para adultos com função renal preservada, salvo indicação. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço, as normas da vigilância epidemiológica e as bulas vigentes.
Ver a sequência
A sequência da primeira hora
Na suspeita de meningite bacteriana, o antibiótico deve ser administrado em até uma hora, idealmente ainda na sala de emergência. Colha duas hemoculturas e os exames iniciais, mas sem que isso consuma tempo relevante. Aplique os critérios que indicam tomografia antes da punção: imunossupressão grave, doença prévia do sistema nervoso central, crise epiléptica recente, papiledema, rebaixamento importante do nível de consciência e déficit neurológico focal.
Sem nenhum desses critérios, puncione de imediato e trate logo em seguida. Com qualquer um deles, administre e antes da imagem e deixe a punção para quando for segura. Se houver encefalopatia, crise ou déficit focal, acrescente ao esquema.
Hemocultura
Duas amostras, em minutos.
Dexametasona
Antes ou junto da 1ª dose.
Antibiótico
Em até 1 hora.
Imagem e punção
TC só com critério; punção quando segura.
Nenhum exame — tomografia, líquor ou painel molecular — justifica atrasar a primeira dose.
Ver diferenças
Meningite ou encefalite?
Na meningite predomina a irritação meníngea: febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia e vômitos, com nível de consciência preservado ou pouco alterado. Na encefalite predomina a disfunção do parênquima: alteração do estado mental por 24 horas ou mais, mudança de comportamento e de personalidade, crises epilépticas e déficits focais como afasia e hemiparesia.
Na prática clínica a sobreposição é a regra, e o quadro recebe o nome de meningoencefalite. A separação importa menos do que a decisão terapêutica: diante de síndrome meníngea febril, cubra bactéria; diante de encefalopatia febril, cubra também herpes simples com aciclovir; e diante das duas coisas, cubra ambas desde a primeira hora.
Predomínio meníngeo
Febre e cefaleia intensa
Rigidez de nuca, fotofobia, vômitos
Consciência preservada ou pouco alterada
Predomínio parenquimatoso
Confusão, alteração de comportamento
Crises epilépticas, sobretudo focais
Afasia, hemiparesia, movimentos anormais
Ver interpretação
Como interpretar o líquor
Peça citologia global e diferencial, proteína, glicose com glicemia sérica pareada, bacterioscopia pelo Gram, cultura, látex e biologia molecular conforme a suspeita. O padrão bacteriano cursa com pleocitose acentuada de predomínio neutrofílico, proteína elevada, relação de glicose entre líquor e soro abaixo de 0,4 e lactato de 3,5 mmol/L ou mais.
O padrão viral cursa com pleocitose linfocitária moderada, proteína normal ou pouco elevada e glicose preservada; o tuberculoso ou fúngico, com pleocitose linfocitária, proteína muito elevada e glicose baixa. Antibiótico prévio, punção traumática, neutropenia e fases muito precoces distorcem esses padrões, e nenhum resultado isolado autoriza suspender a cobertura empírica em paciente grave.
Linfócitos, proteína normal ou pouco alta, glicose normal.
TB / fungo
Linfócitos, proteína muito alta, glicose baixa, curso subagudo.
Ver medidas
Notificação, isolamento e profilaxia
Meningite de qualquer etiologia é doença de notificação compulsória imediata, já na suspeita, em até 24 horas. Mantenha precaução para gotículas por 24 horas após o início do antibiótico eficaz nas suspeitas de meningococo e de Haemophilus influenzae tipo b.
A quimioprofilaxia é indicada aos contatos próximos do caso suspeito ou confirmado de doença meningocócica ou de doença invasiva por Hib — idealmente nas primeiras 24 horas. No Brasil, a é a primeira escolha; intramuscular em dose única (primeira escolha na gestante) e em dose única são alternativas. Profissionais de saúde só recebem profilaxia quando houve exposição a secreções sem proteção, como em intubação e aspiração. Antes da alta, programe avaliação auditiva e atualize a vacinação.
24 hPrazo para notificar o caso suspeito
24 hGotículas após o antibiótico eficaz
10 diasJanela retrospectiva para definir contato próximo
Cefalosporina de 3ª geração
Ceftriaxona
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g (pó para solução IV ou IM)
Meningite — adulto2 g · 12/12 h · 7 a 14 dias, conforme agente
Papel no tratamento
Cefalosporina de terceira geração com excelente penetração liquórica. É a base do esquema empírico da meningite bacteriana comunitária e uma das opções de quimioprofilaxia.
Quando usar
Toda suspeita de meningite bacteriana comunitária. Cobre Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae sensível e Haemophilus influenzae. Não cobre Listeria.
Ficha de consulta rápida
Classe
Cefalosporina de 3ª geração
Apresentação
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g (pó para solução IV ou IM)
Posologia principal
2 g · 12/12 h · 7 a 14 dias, conforme agente
Outros esquemas
3 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Não atrase a primeira dose por causa de tomografia, punção ou transporte: administre e siga a investigação.
IV2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Meningite — adulto
2 g
12/12 h
7 a 14 dias, conforme agente
Dose meníngea — prescrever 1 g de 12/12 h é subdose.
Meningite — criança acima de 1 mês
100 mg/kg/dia
Dividida 12/12 h
Conforme agente
Máximo habitual de 4 g/dia.
IM2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Profilaxia — meningococo
250 mg (≥ 12 anos) • 125 mg (< 12 anos)
Dose única
—
Primeira escolha na gestante.
Profilaxia — Hib (alternativa)
1 g (≥ 12 anos) • 50 mg/kg (< 12 anos)
24/24 h
2 dias
Só se houver contraindicação à rifampicina.
Como administrar
Diluição
2 g em 100 mL de SF 0,9% ou SG 5%; IM: reconstituir com lidocaína 1% conforme a bula.
Velocidade
Infundir em 30 minutos.
Alternativa
Cefotaxima 2 g de 4/4 a 6/6 h no adulto, preferida no neonato.
Cálculo rápido
Criança de 20 kg: 100 × 20 = 2.000 mg/dia → 1 g de 12/12 h.
Contraindicações e quando evitar
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Administração simultânea com soluções contendo cálcio (Ringer lactato) no mesmo acesso, sobretudo no neonato.
Efeitos adversos
Reações de hipersensibilidade.
Lama biliar e colecistite no uso prolongado.
Diarreia, incluindo por Clostridioides difficile.
Como administrar
Diluição
2 g em 100 mL de SF 0,9% ou SG 5%; IM: reconstituir com lidocaína 1% conforme a bula.
Velocidade
Infundir em 30 minutos.
Alternativa
Cefotaxima 2 g de 4/4 a 6/6 h no adulto, preferida no neonato.
Cálculo rápido
Criança de 20 kg: 100 × 20 = 2.000 mg/dia → 1 g de 12/12 h.
Papel neste contexto
Cefalosporina de terceira geração com excelente penetração liquórica. É a base do esquema empírico da meningite bacteriana comunitária e uma das opções de quimioprofilaxia.
Ajuste renal
Não requer ajuste habitual na disfunção renal isolada, por eliminação também biliar.
Crianças
No neonato, evitar com soluções contendo cálcio (precipitação) e na hiperbilirrubinemia — preferir cefotaxima.
Gestação
Pode ser usada; é a primeira escolha da quimioprofilaxia na gestante.
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Administração simultânea com soluções contendo cálcio (Ringer lactato) no mesmo acesso, sobretudo no neonato.
Efeitos adversos mais relevantes
Reações de hipersensibilidade.
Lama biliar e colecistite no uso prolongado.
Diarreia, incluindo por Clostridioides difficile.
Papel neste contexto
Cefalosporina de terceira geração com excelente penetração liquórica. É a base do esquema empírico da meningite bacteriana comunitária e uma das opções de quimioprofilaxia.
Cefalosporina de 3ª geração
Cefotaxima
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g
Meningite — adulto2 g · 4/4 a 6/6 h · Conforme agente
Papel no tratamento
Alternativa à ceftriaxona, preferida no neonato (associada à ampicilina) porque não desloca a bilirrubina nem precipita com cálcio.
Quando usar
Neonato com suspeita de meningite (com ampicilina) ou quando a ceftriaxona não estiver disponível.
Ficha de consulta rápida
Classe
Cefalosporina de 3ª geração
Apresentação
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g
Posologia principal
2 g · 4/4 a 6/6 h · Conforme agente
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos mais relevantes
Hipersensibilidade.
Flebite.
IV2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Meningite — adulto
2 g
4/4 a 6/6 h
Conforme agente
—
Meningite — criança
225–300 mg/kg/dia
Dividida 6/6 a 8/8 h
Conforme agente
No neonato, intervalo conforme a idade pós-natal.
Como administrar
Diluição
1–2 g em 50–100 mL de SF 0,9% ou SG 5%.
Velocidade
20 a 30 minutos.
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Contraindicações e quando evitar
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos
Hipersensibilidade.
Flebite.
Como administrar
Diluição
1–2 g em 50–100 mL de SF 0,9% ou SG 5%.
Velocidade
20 a 30 minutos.
Papel neste contexto
Alternativa à ceftriaxona, preferida no neonato (associada à ampicilina) porque não desloca a bilirrubina nem precipita com cálcio.
Ajuste renal
Reduzir a dose com ClCr abaixo de 20 mL/min.
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos mais relevantes
Hipersensibilidade.
Flebite.
Papel neste contexto
Alternativa à ceftriaxona, preferida no neonato (associada à ampicilina) porque não desloca a bilirrubina nem precipita com cálcio.
Glicopeptídeo
Vancomicina
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g
Adulto15–20 mg/kg · 8/8 a 12/12 h · Até culturas ou conforme agente
Papel no tratamento
Associada à cefalosporina para cobrir pneumococo com sensibilidade reduzida e estafilococo no cenário hospitalar.
Quando usar
Suspeita de pneumococo resistente, meningite pós-neurocirúrgica, associada a derivação ou a trauma penetrante.
Ficha de consulta rápida
Classe
Glicopeptídeo
Apresentação
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g
Posologia principal
15–20 mg/kg · 8/8 a 12/12 h · Até culturas ou conforme agente
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
A necessidade de vancomicina empírica depende da epidemiologia local de resistência — verifique o protocolo do seu serviço.
Antes de prescrever, confira
Infusão rápida.
Manter quando a cultura mostrar agente sensível à cefalosporina — descalone.
IV2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto
15–20 mg/kg
8/8 a 12/12 h
Até culturas ou conforme agente
Geralmente sem ultrapassar 2 g por dose. Ataque de 20–35 mg/kg (máx. 3 g) no paciente grave.
Criança
60 mg/kg/dia
Dividida 6/6 h
Conforme agente
Infecção do sistema nervoso central.
Como administrar
Diluição
Concentração até 5 mg/mL: 500 mg em 100 mL ou 1 g em 200–250 mL de SF 0,9% ou SG 5%.
Velocidade
Correr em pelo menos 60 minutos (até 10 mg/min) para reduzir a reação relacionada à infusão.
Cálculo rápido
70 kg × 15 mg/kg = 1.050 mg (≈ 1 g) por dose.
Administração
Atravessa mal a barreira hematoencefálica quando a meninge não está inflamada — o corticoide pode reduzir ainda mais a penetração, o que reforça a necessidade de dose adequada.
Contraindicações e quando evitar
Infusão rápida.
Manter quando a cultura mostrar agente sensível à cefalosporina — descalone.
Efeitos adversos
Nefrotoxicidade, sobretudo em associação com outros nefrotóxicos.
Reação relacionada à infusão rápida (rubor, prurido, hipotensão).
Ototoxicidade.
Monitoramento
Monitoramento
Nível sérico conforme a meta institucional (AUC/MIC 400–600 ou vale de 15–20 mg/L na meningite), além de função renal e balanço hídrico.
Como administrar
Diluição
Concentração até 5 mg/mL: 500 mg em 100 mL ou 1 g em 200–250 mL de SF 0,9% ou SG 5%.
Velocidade
Correr em pelo menos 60 minutos (até 10 mg/min) para reduzir a reação relacionada à infusão.
Cálculo rápido
70 kg × 15 mg/kg = 1.050 mg (≈ 1 g) por dose.
Administração
Atravessa mal a barreira hematoencefálica quando a meninge não está inflamada — o corticoide pode reduzir ainda mais a penetração, o que reforça a necessidade de dose adequada.
Ajuste renal
Ajustar intervalo pela função renal e pelos níveis.
Antes de prescrever, confira
Infusão rápida.
Manter quando a cultura mostrar agente sensível à cefalosporina — descalone.
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade, sobretudo em associação com outros nefrotóxicos.
Reação relacionada à infusão rápida (rubor, prurido, hipotensão).
Ototoxicidade.
Papel neste contexto
Associada à cefalosporina para cobrir pneumococo com sensibilidade reduzida e estafilococo no cenário hospitalar.
Aminopenicilina
Ampicilina
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g
Adulto2 g · 4/4 h · 21 dias ou mais se Listeria
Papel no tratamento
É a droga da Listeria monocytogenes, agente que as cefalosporinas não cobrem. Esquecer a ampicilina no paciente de risco é um dos erros mais clássicos.
Quando usar
Idade acima de 50 anos (OMS: acima de 60), gestante, etilista, neoplasia, corticoterapia, transplante e demais imunossupressões celulares. No neonato, parte do esquema empírico junto com cefotaxima, em doses ajustadas à idade pós-natal.
Ficha de consulta rápida
Classe
Aminopenicilina
Apresentação
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g
Posologia principal
2 g · 4/4 h · 21 dias ou mais se Listeria
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Na dúvida sobre imunossupressão em paciente grave, inclua a ampicilina — o custo do erro por omissão é muito maior. Reveja em 48 a 72 horas: se a cultura afastar Listeria, pode ser suspensa.
IV2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto
2 g
4/4 h
21 dias ou mais se Listeria
Cerca de 12 g/dia.
Criança
300 mg/kg/dia
Dividida 6/6 h
Conforme agente
Reservada a cenários com risco de Listeria.
Como administrar
Diluição
Diluir em SF 0,9% (menos estável em SG 5%); usar logo após o preparo.
Velocidade
15 a 30 minutos.
Associação
Considerar gentamicina associada na listeriose confirmada, conforme a gravidade e o protocolo.
Alternativa
Na alergia: sulfametoxazol-trimetoprima, discutido com a infectologia.
Antes de prescrever, confira
Alergia a penicilinas.
Contraindicações e quando evitar
Alergia a penicilinas.
Efeitos adversos
Hipersensibilidade e exantema.
Neurotoxicidade (crises) em doses altas com insuficiência renal.
Monitoramento
Monitoramento
Alto aporte de sódio no volume total diário; atenção em insuficiência cardíaca e renal.
Como administrar
Diluição
Diluir em SF 0,9% (menos estável em SG 5%); usar logo após o preparo.
Velocidade
15 a 30 minutos.
Associação
Considerar gentamicina associada na listeriose confirmada, conforme a gravidade e o protocolo.
Alternativa
Na alergia: sulfametoxazol-trimetoprima, discutido com a infectologia.
Papel neste contexto
É a droga da Listeria monocytogenes, agente que as cefalosporinas não cobrem. Esquecer a ampicilina no paciente de risco é um dos erros mais clássicos.
Gestação
Segura e indicada na gestante com suspeita de meningite.
Antes de prescrever, confira
Alergia a penicilinas.
Efeitos adversos mais relevantes
Hipersensibilidade e exantema.
Neurotoxicidade (crises) em doses altas com insuficiência renal.
Papel neste contexto
É a droga da Listeria monocytogenes, agente que as cefalosporinas não cobrem. Esquecer a ampicilina no paciente de risco é um dos erros mais clássicos.
Aminoglicosídeo
Gentamicina
Ampola de 40 mg/mL (1 e 2 mL) e 10 mg/mL (pediátrica)
Listeriose (adulto)5 mg/kg/dia · Dividida 8/8 h ou dose única diária · Habitualmente 7 a 14 dias iniciais
Papel no tratamento
Associação sinérgica à ampicilina na listeriose confirmada e grave; parte de alguns esquemas neonatais.
Quando usar
Listeriose confirmada com gravidade, conforme protocolo e infectologia.
Ficha de consulta rápida
Classe
Aminoglicosídeo
Apresentação
Ampola de 40 mg/mL (1 e 2 mL) e 10 mg/mL (pediátrica)
Posologia principal
5 mg/kg/dia · Dividida 8/8 h ou dose única diária · Habitualmente 7 a 14 dias iniciais
Antes de prescrever, confira
Uso prolongado sem monitorização.
Associação com outros nefrotóxicos quando evitável.
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade.
Ototoxicidade irreversível.
Bloqueio neuromuscular.
IV1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Listeriose (adulto)
5 mg/kg/dia
Dividida 8/8 h ou dose única diária
Habitualmente 7 a 14 dias iniciais
—
Como administrar
Diluição
Em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
30 a 60 minutos.
Antes de prescrever, confira
Uso prolongado sem monitorização.
Associação com outros nefrotóxicos quando evitável.
Contraindicações e quando evitar
Uso prolongado sem monitorização.
Associação com outros nefrotóxicos quando evitável.
Efeitos adversos
Nefrotoxicidade.
Ototoxicidade irreversível.
Bloqueio neuromuscular.
Monitoramento
Monitoramento
Nível sérico, função renal e audição.
Como administrar
Diluição
Em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
30 a 60 minutos.
Papel neste contexto
Associação sinérgica à ampicilina na listeriose confirmada e grave; parte de alguns esquemas neonatais.
Sulfonamida + inibidor da di-hidrofolato redutase
Sulfametoxazol-trimetoprima
Ampola de 400/80 mg em 5 mL
Listeria (alergia)10–20 mg/kg/dia de trimetoprima · Dividida 6/6 a 12/12 h · 21 dias ou mais
Papel no tratamento
Substituto da ampicilina para cobrir Listeria no paciente com alergia grave a betalactâmico.
Quando usar
Alergia imediata grave a penicilina com indicação de cobertura de Listeria.
Ficha de consulta rápida
Classe
Sulfonamida + inibidor da di-hidrofolato redutase
Apresentação
Ampola de 400/80 mg em 5 mL
Posologia principal
10–20 mg/kg/dia de trimetoprima · Dividida 6/6 a 12/12 h · 21 dias ou mais
Antes de prescrever, confira
Alergia a sulfas.
Neonatos.
Efeitos adversos mais relevantes
Hipercalemia.
Mielossupressão.
Reações cutâneas graves.
IV1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Listeria (alergia)
10–20 mg/kg/dia de trimetoprima
Dividida 6/6 a 12/12 h
21 dias ou mais
—
Como administrar
Diluição
Cada ampola em 125 mL de SG 5%.
Velocidade
60 a 90 minutos.
Antes de prescrever, confira
Alergia a sulfas.
Neonatos.
Contraindicações e quando evitar
Alergia a sulfas.
Neonatos.
Efeitos adversos
Hipercalemia.
Mielossupressão.
Reações cutâneas graves.
Monitoramento
Monitoramento
Potássio, função renal e hemograma.
Como administrar
Diluição
Cada ampola em 125 mL de SG 5%.
Velocidade
60 a 90 minutos.
Papel neste contexto
Substituto da ampicilina para cobrir Listeria no paciente com alergia grave a betalactâmico.
Gestação
Evitar no fim da gestação (kernicterus) — discutir risco e benefício.
Antes de prescrever, confira
Alergia a sulfas.
Neonatos.
Efeitos adversos mais relevantes
Hipercalemia.
Mielossupressão.
Reações cutâneas graves.
Papel neste contexto
Substituto da ampicilina para cobrir Listeria no paciente com alergia grave a betalactâmico.
Fluoroquinolona
Moxifloxacino
Bolsa de 400 mg/250 mL
Adulto400 mg · 24/24 h · Conforme agente
Papel no tratamento
Alternativa para cobrir pneumococo e meningococo na alergia grave a betalactâmico, sempre com vancomicina.
Quando usar
Alergia imediata grave a betalactâmicos, em discussão com a infectologia.
Ficha de consulta rápida
Classe
Fluoroquinolona
Apresentação
Bolsa de 400 mg/250 mL
Posologia principal
400 mg · 24/24 h · Conforme agente
Antes de prescrever, confira
Gestação.
QT longo ou uso de outras drogas que prolongam o QT.
Efeitos adversos mais relevantes
Prolongamento do QT.
Tendinopatia, neuropatia, disglicemia.
Delirium e convulsões.
IV1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto
400 mg
24/24 h
Conforme agente
—
Como administrar
Velocidade
Infundir em 60 minutos; já vem pronta para uso.
Antes de prescrever, confira
Gestação.
QT longo ou uso de outras drogas que prolongam o QT.
Contraindicações e quando evitar
Gestação.
QT longo ou uso de outras drogas que prolongam o QT.
Efeitos adversos
Prolongamento do QT.
Tendinopatia, neuropatia, disglicemia.
Delirium e convulsões.
Monitoramento
Monitoramento
ECG (QT), glicemia.
Como administrar
Velocidade
Infundir em 60 minutos; já vem pronta para uso.
Papel neste contexto
Alternativa para cobrir pneumococo e meningococo na alergia grave a betalactâmico, sempre com vancomicina.
Gestação
Evitar.
Antes de prescrever, confira
Gestação.
QT longo ou uso de outras drogas que prolongam o QT.
Efeitos adversos mais relevantes
Prolongamento do QT.
Tendinopatia, neuropatia, disglicemia.
Delirium e convulsões.
Papel neste contexto
Alternativa para cobrir pneumococo e meningococo na alergia grave a betalactâmico, sempre com vancomicina.
Cefalosporina de 4ª geração
Cefepima
Frasco-ampola de 1 g e 2 g
Meningite hospitalar2 g · 8/8 h · 10 a 21 dias
Papel no tratamento
Betalactâmico antipseudomonas preferencial no esquema da meningite hospitalar, associado à vancomicina.
Quando usar
Pós-neurocirurgia, derivação ventricular ou trauma penetrante.
Ficha de consulta rápida
Classe
Cefalosporina de 4ª geração
Apresentação
Frasco-ampola de 1 g e 2 g
Posologia principal
2 g · 8/8 h · 10 a 21 dias
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos mais relevantes
Neurotoxicidade (confusão, mioclonias, crises) na insuficiência renal.
Hipersensibilidade.
IV1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Meningite hospitalar
2 g
8/8 h
10 a 21 dias
—
Como administrar
Diluição
2 g em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
30 minutos (ou infusão estendida de 3 a 4 horas).
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Contraindicações e quando evitar
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos
Neurotoxicidade (confusão, mioclonias, crises) na insuficiência renal.
Hipersensibilidade.
Como administrar
Diluição
2 g em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
30 minutos (ou infusão estendida de 3 a 4 horas).
Papel neste contexto
Betalactâmico antipseudomonas preferencial no esquema da meningite hospitalar, associado à vancomicina.
Ajuste renal
Obrigatório — o acúmulo causa encefalopatia e estado de mal não convulsivo.
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos mais relevantes
Neurotoxicidade (confusão, mioclonias, crises) na insuficiência renal.
Hipersensibilidade.
Papel neste contexto
Betalactâmico antipseudomonas preferencial no esquema da meningite hospitalar, associado à vancomicina.
Cefalosporina de 3ª geração antipseudomonas
Ceftazidima
Frasco-ampola de 1 g e 2 g
Meningite hospitalar2 g · 8/8 h · 10 a 21 dias
Papel no tratamento
Alternativa antipseudomonas no esquema hospitalar; não cobre bem gram-positivos, por isso sempre com vancomicina.
Ficha de consulta rápida
Classe
Cefalosporina de 3ª geração antipseudomonas
Apresentação
Frasco-ampola de 1 g e 2 g
Posologia principal
2 g · 8/8 h · 10 a 21 dias
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos mais relevantes
Hipersensibilidade.
Neurotoxicidade na insuficiência renal.
IV1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Meningite hospitalar
2 g
8/8 h
10 a 21 dias
—
Como administrar
Diluição
2 g em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
30 minutos.
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Contraindicações e quando evitar
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos
Hipersensibilidade.
Neurotoxicidade na insuficiência renal.
Como administrar
Diluição
2 g em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
30 minutos.
Papel neste contexto
Alternativa antipseudomonas no esquema hospitalar; não cobre bem gram-positivos, por isso sempre com vancomicina.
Ajuste renal
Necessário com ClCr abaixo de 50 mL/min.
Antes de prescrever, confira
Alergia imediata grave a betalactâmicos.
Efeitos adversos mais relevantes
Hipersensibilidade.
Neurotoxicidade na insuficiência renal.
Papel neste contexto
Alternativa antipseudomonas no esquema hospitalar; não cobre bem gram-positivos, por isso sempre com vancomicina.
Carbapenêmico
Meropenem
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g
Meningite2 g · 8/8 h · 10 a 21 dias
Papel no tratamento
Opção no esquema hospitalar quando há resistência ou alergia, em dose meníngea de 2 g de 8/8 h.
Quando usar
Gram-negativos resistentes, falha ou alergia não grave a cefalosporinas, conforme a CCIH.
Ficha de consulta rápida
Classe
Carbapenêmico
Apresentação
Frasco-ampola de 500 mg e 1 g
Posologia principal
2 g · 8/8 h · 10 a 21 dias
Antes de prescrever, confira
Uso concomitante com valproato (queda acentuada do nível sérico).
Efeitos adversos mais relevantes
Hipersensibilidade.
Crises epilépticas (menos que o imipenem).
IV1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Meningite
2 g
8/8 h
10 a 21 dias
Criança: 40 mg/kg de 8/8 h (máx. 2 g).
Como administrar
Diluição
2 g em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
30 minutos ou infusão estendida de 3 horas.
Antes de prescrever, confira
Uso concomitante com valproato (queda acentuada do nível sérico).
Contraindicações e quando evitar
Uso concomitante com valproato (queda acentuada do nível sérico).
Efeitos adversos
Hipersensibilidade.
Crises epilépticas (menos que o imipenem).
Como administrar
Diluição
2 g em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
30 minutos ou infusão estendida de 3 horas.
Papel neste contexto
Opção no esquema hospitalar quando há resistência ou alergia, em dose meníngea de 2 g de 8/8 h.
Ajuste renal
Necessário com ClCr abaixo de 50 mL/min.
Antes de prescrever, confira
Uso concomitante com valproato (queda acentuada do nível sérico).
Efeitos adversos mais relevantes
Hipersensibilidade.
Crises epilépticas (menos que o imipenem).
Papel neste contexto
Opção no esquema hospitalar quando há resistência ou alergia, em dose meníngea de 2 g de 8/8 h.
Corticoide (adjuvante)
Dexametasona
Ampola de 4 mg/mL (2,5 mL = 10 mg) e 2 mg/mL
Meningite bacteriana0,15 mg/kg (10 mg no adulto) · 6/6 h · 4 dias
Papel no tratamento
Adjuvante que reduz a resposta inflamatória desencadeada pela lise bacteriana. O benefício depende criticamente do momento da administração.
Quando usar
Toda suspeita de meningite bacteriana comunitária em adulto e criança acima de 1 mês; benefício pediátrico mais consistente no Haemophilus influenzae tipo b.
Quando suspender
Se a etiologia identificada não justificar a manutenção, conforme o protocolo local, ou se o diagnóstico final for viral.
Ficha de consulta rápida
Classe
Corticoide (adjuvante)
Apresentação
Ampola de 4 mg/mL (2,5 mL = 10 mg) e 2 mg/mL
Posologia principal
0,15 mg/kg (10 mg no adulto) · 6/6 h · 4 dias
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Se o paciente chegou já tratado com antibiótico em outro serviço, discuta caso a caso — o benefício da dexametasona tardia não está demonstrado.
IV2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Meningite bacteriana
0,15 mg/kg (10 mg no adulto)
6/6 h
4 dias
Imediatamente antes ou junto da primeira dose do antibiótico.
Tuberculose meníngea
0,3–0,4 mg/kg/dia
Diária
4 a 8 semanas, com desmame
—
Como administrar
Administração
Bolus IV, sem diluição necessária, imediatamente antes ou junto do antibiótico. Se atrasou, dar assim que possível até 12 horas após o antibiótico (NICE 2024).
Cálculo rápido
Para 70 kg: 0,15 × 70 = 10,5 mg por dose, arredondados para 10 mg a cada 6 horas por 4 dias.
Benefício
Redução de perda auditiva e de sequelas neurológicas; redução de mortalidade na meningite pneumocócica do adulto. Coorte holandesa (2023): associada a melhor desfecho também na Listeria.
Contraindicações e quando evitar
Meningite associada a derivação e pós-neurocirúrgica.
Antibiótico já administrado há mais de 12 horas (benefício não demonstrado).
Epidemia de doença meningocócica (OMS 2025: não usar de rotina).
Efeitos adversos
Hiperglicemia.
Sangramento digestivo.
Pode reduzir a penetração liquórica da vancomicina.
Monitoramento
Monitoramento
Glicemia; considerar profilaxia gástrica em pacientes de risco.
Como administrar
Administração
Bolus IV, sem diluição necessária, imediatamente antes ou junto do antibiótico. Se atrasou, dar assim que possível até 12 horas após o antibiótico (NICE 2024).
Cálculo rápido
Para 70 kg: 0,15 × 70 = 10,5 mg por dose, arredondados para 10 mg a cada 6 horas por 4 dias.
Benefício
Redução de perda auditiva e de sequelas neurológicas; redução de mortalidade na meningite pneumocócica do adulto. Coorte holandesa (2023): associada a melhor desfecho também na Listeria.
Antiviral (análogo de nucleosídeo)
Aciclovir
Frasco-ampola de 250 mg (pó para solução IV)
Adulto10 mg/kg · 8/8 h · 14 a 21 dias se HSV confirmado
Papel no tratamento
Tratamento da encefalite herpética e a razão pela qual toda encefalopatia febril recebe cobertura antiviral empírica.
Quando usar
Suspeita de encefalite, sobretudo com alteração do estado mental, crises ou déficit focal — idealmente nas primeiras 6 horas.
Quando suspender
PCR negativo em amostra colhida após as primeiras 72 horas, com ressonância sem alteração sugestiva e diagnóstico alternativo estabelecido.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antiviral (análogo de nucleosídeo)
Apresentação
Frasco-ampola de 250 mg (pó para solução IV)
Posologia principal
10 mg/kg · 8/8 h · 14 a 21 dias se HSV confirmado
Outros esquemas
2 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
PCR negativo muito precoce não afasta encefalite herpética: mantenha a droga e repita a coleta em 3 a 7 dias se a suspeita persistir.
IV3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto
10 mg/kg
8/8 h
14 a 21 dias se HSV confirmado
—
Criança de 3 meses a 12 anos
10–15 mg/kg
8/8 h
14 a 21 dias
Conforme a idade e o protocolo.
Neonato
20 mg/kg
8/8 h
21 dias
—
Como administrar
Diluição
Concentração final até 7 mg/mL: por exemplo, 700 mg em 100–150 mL de SF 0,9%.
Velocidade
Correr em pelo menos 1 hora e manter boa hidratação — a infusão rápida favorece nefrotoxicidade por cristalúria.
Cálculo rápido
Para 70 kg: 10 × 70 = 700 mg por dose, a cada 8 horas, diluídos e infundidos em 1 hora.
Peso a usar
Em obesos, muitos serviços usam peso ideal ou ajustado — confira o protocolo institucional.
Contraindicações e quando evitar
Infusão rápida e desidratação.
Dose plena sem ajuste na insuficiência renal.
Efeitos adversos
Nefrotoxicidade (cristalúria).
Flebite.
Neurotoxicidade com confusão e mioclonias, sobretudo na disfunção renal.
Como administrar
Diluição
Concentração final até 7 mg/mL: por exemplo, 700 mg em 100–150 mL de SF 0,9%.
Velocidade
Correr em pelo menos 1 hora e manter boa hidratação — a infusão rápida favorece nefrotoxicidade por cristalúria.
Cálculo rápido
Para 70 kg: 10 × 70 = 700 mg por dose, a cada 8 horas, diluídos e infundidos em 1 hora.
Peso a usar
Em obesos, muitos serviços usam peso ideal ou ajustado — confira o protocolo institucional.
Ajuste renal
ClCr 25–50: 10 mg/kg de 12/12 h; 10–25: de 24/24 h; abaixo de 10: 5 mg/kg de 24/24 h.
Antes de prescrever, confira
Infusão rápida e desidratação.
Dose plena sem ajuste na insuficiência renal.
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade (cristalúria).
Flebite.
Neurotoxicidade com confusão e mioclonias, sobretudo na disfunção renal.
Papel neste contexto
Tratamento da encefalite herpética e a razão pela qual toda encefalopatia febril recebe cobertura antiviral empírica.
Teste molecular rápido e cultura para micobactérias no líquor, pesquisa de BAAR, imagem com realce basal e hidrocefalia.
Corticoide
Indicado: prednisona 1–2 mg/kg/dia (máx. 30 mg) por 4 semanas ou dexametasona 0,3–0,4 mg/kg/dia por 4 a 8 semanas, com desmame. No HIV, o ensaio ACT HIV (2023) não mostrou ganho de sobrevida.
Administração
Associar piridoxina pela neuropatia relacionada à isoniazida, especialmente em desnutridos, gestantes e pessoas com HIV.
Hidrocefalia
Frequente e potencialmente tratável — avaliação neurocirúrgica para derivação.
HIV
Investigar sempre; atenção à síndrome inflamatória de reconstituição imune ao iniciar a terapia antirretroviral.
Efeitos adversos
Hepatotoxicidade.
Neuropatia periférica (isoniazida).
Neurite óptica (etambutol).
Hiperuricemia e artralgia (pirazinamida).
Monitoramento
Monitoramento
Função hepática, acuidade visual e discriminação de cores (etambutol).
Interações importantes
A rifampicina induz o metabolismo de antirretrovirais, anticoagulantes, anticoncepcionais e azólicos.
Como administrar
Diagnóstico
Teste molecular rápido e cultura para micobactérias no líquor, pesquisa de BAAR, imagem com realce basal e hidrocefalia.
Corticoide
Indicado: prednisona 1–2 mg/kg/dia (máx. 30 mg) por 4 semanas ou dexametasona 0,3–0,4 mg/kg/dia por 4 a 8 semanas, com desmame. No HIV, o ensaio ACT HIV (2023) não mostrou ganho de sobrevida.
Administração
Associar piridoxina pela neuropatia relacionada à isoniazida, especialmente em desnutridos, gestantes e pessoas com HIV.
Hidrocefalia
Frequente e potencialmente tratável — avaliação neurocirúrgica para derivação.
HIV
Investigar sempre; atenção à síndrome inflamatória de reconstituição imune ao iniciar a terapia antirretroviral.
Antifúngico poliênico
Anfotericina B lipossomal
Frasco-ampola de 50 mg
Indução (OMS 2022)10 mg/kg · Dose única · Dia 1
Papel no tratamento
Base da indução da meningite criptocócica; a OMS (2022) prefere uma dose única de 10 mg/kg associada a flucitosina e fluconazol por 14 dias.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antifúngico poliênico
Apresentação
Frasco-ampola de 50 mg
Posologia principal
10 mg/kg · Dose única · Dia 1
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Esquemas antifúngicos variam conforme disponibilidade e diretriz adotada; siga o protocolo institucional e a diretriz da OMS para criptococose (2022).
Antes de prescrever, confira
Diluição em soro fisiológico.
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade (menor que a da formulação convencional).
Hipocalemia e hipomagnesemia.
Reações infusionais.
IV2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Indução (OMS 2022)
10 mg/kg
Dose única
Dia 1
Com flucitosina e fluconazol por 14 dias.
Esquemas alternativos
3–4 mg/kg/dia
1x/dia
Conforme protocolo
Quando a dose única não for adotada.
Como administrar
Diluição
Reconstituir com água destilada e diluir em SG 5% (incompatível com SF).
Velocidade
Cerca de 2 horas.
Administração
Pré-hidratação com SF 0,9% e reposição de potássio e magnésio.
Antes de prescrever, confira
Diluição em soro fisiológico.
Contraindicações e quando evitar
Diluição em soro fisiológico.
Efeitos adversos
Nefrotoxicidade (menor que a da formulação convencional).
Hipocalemia e hipomagnesemia.
Reações infusionais.
Monitoramento
Monitoramento
Função renal, potássio e magnésio.
Como administrar
Diluição
Reconstituir com água destilada e diluir em SG 5% (incompatível com SF).
Velocidade
Cerca de 2 horas.
Administração
Pré-hidratação com SF 0,9% e reposição de potássio e magnésio.
Papel neste contexto
Base da indução da meningite criptocócica; a OMS (2022) prefere uma dose única de 10 mg/kg associada a flucitosina e fluconazol por 14 dias.
Antifúngico (análogo de pirimidina)
Flucitosina
Comprimido de 500 mg
Indução100 mg/kg/dia · Dividida 6/6 h · 14 dias
Papel no tratamento
Associada à anfotericina na indução da criptococose; melhora a esterilização do líquor e a sobrevida.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antifúngico (análogo de pirimidina)
Apresentação
Comprimido de 500 mg
Posologia principal
100 mg/kg/dia · Dividida 6/6 h · 14 dias
Antes de prescrever, confira
Gestação (teratogênica em animais).
Efeitos adversos mais relevantes
Mielossupressão.
Hepatotoxicidade.
Intolerância gastrointestinal.
VO1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Indução
100 mg/kg/dia
Dividida 6/6 h
14 dias
—
Como administrar
Alternativa
Onde a flucitosina não está disponível, associa-se fluconazol em dose alta à anfotericina.
Antes de prescrever, confira
Gestação (teratogênica em animais).
Contraindicações e quando evitar
Gestação (teratogênica em animais).
Efeitos adversos
Mielossupressão.
Hepatotoxicidade.
Intolerância gastrointestinal.
Monitoramento
Monitoramento
Hemograma (mielossupressão) e função renal.
Como administrar
Alternativa
Onde a flucitosina não está disponível, associa-se fluconazol em dose alta à anfotericina.
Papel neste contexto
Associada à anfotericina na indução da criptococose; melhora a esterilização do líquor e a sobrevida.
Ajuste renal
Necessário — o acúmulo aumenta a toxicidade medular.
Antes de prescrever, confira
Gestação (teratogênica em animais).
Efeitos adversos mais relevantes
Mielossupressão.
Hepatotoxicidade.
Intolerância gastrointestinal.
Papel neste contexto
Associada à anfotericina na indução da criptococose; melhora a esterilização do líquor e a sobrevida.
Antifúngico azólico
Fluconazol
Cápsula de 150 mg; solução IV 2 mg/mL (200 mg/100 mL)
Indução1.200 mg · 1x/dia · 14 dias
Papel no tratamento
Componente da indução (dose alta) e droga da consolidação e da manutenção na meningite criptocócica.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antifúngico azólico
Apresentação
Cápsula de 150 mg; solução IV 2 mg/mL (200 mg/100 mL)
Posologia principal
1.200 mg · 1x/dia · 14 dias
Outros esquemas
2 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Gestação no primeiro trimestre em doses altas, salvo benefício claro.
Efeitos adversos mais relevantes
Hepatotoxicidade.
Prolongamento do QT.
VO3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Indução
1.200 mg
1x/dia
14 dias
Criança: 12 mg/kg/dia (máx. 800 mg).
Consolidação
800 mg
1x/dia
8 semanas
—
Manutenção
200 mg
1x/dia
Até recuperação imune (CD4 acima de 200)
—
Antes de prescrever, confira
Gestação no primeiro trimestre em doses altas, salvo benefício claro.
Interações importantes
Inibe CYP2C9/3A4: varfarina, fenitoína, sulfonilureias; a rifampicina reduz seu nível.
Contraindicações e quando evitar
Gestação no primeiro trimestre em doses altas, salvo benefício claro.
Efeitos adversos
Hepatotoxicidade.
Prolongamento do QT.
Monitoramento
Monitoramento
Função hepática; ECG em uso de outras drogas que prolongam o QT.
Interações importantes
Inibe CYP2C9/3A4: varfarina, fenitoína, sulfonilureias; a rifampicina reduz seu nível.
Papel neste contexto
Componente da indução (dose alta) e droga da consolidação e da manutenção na meningite criptocócica.
Ajuste renal
Reduzir a dose com ClCr abaixo de 50 mL/min (exceto na dose de ataque).
Antes de prescrever, confira
Gestação no primeiro trimestre em doses altas, salvo benefício claro.
Efeitos adversos mais relevantes
Hepatotoxicidade.
Prolongamento do QT.
Papel neste contexto
Componente da indução (dose alta) e droga da consolidação e da manutenção na meningite criptocócica.
Rifamicina
Rifampicina
Cápsula de 300 mg; suspensão oral 20 mg/mL
Meningococo — 1 mês ou mais e adultos10 mg/kg (máx. 600 mg) · 12/12 h · 2 dias
Papel no tratamento
Primeira escolha do Ministério da Saúde para a quimioprofilaxia dos contatos de doença meningocócica e de doença invasiva por Hib.
Quando usar
Contatos próximos de caso suspeito ou confirmado, idealmente nas primeiras 24 horas; no Hib, até 30 dias após a exposição.
Ficha de consulta rápida
Classe
Rifamicina
Apresentação
Cápsula de 300 mg; suspensão oral 20 mg/mL
Posologia principal
10 mg/kg (máx. 600 mg) · 12/12 h · 2 dias
Outros esquemas
3 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
O uso preferencial e restrito da rifampicina na profilaxia visa reduzir a seleção de resistência; garanta a adesão às 4 doses.
Antes de prescrever, confira
Gestação.
Hepatopatia grave.
VO4 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Meningococo — 1 mês ou mais e adultos
10 mg/kg (máx. 600 mg)
12/12 h
2 dias
—
Meningococo — menor de 1 mês
5 mg/kg
12/12 h
2 dias
—
Hib — adulto
600 mg
24/24 h
4 dias
—
Hib — 1 mês a 18 anos
20 mg/kg (máx. 600 mg)
24/24 h
4 dias
Menor de 1 mês: 10 mg/kg 1x/dia por 4 dias.
Como administrar
Administração
Em jejum, 1 hora antes ou 2 horas depois das refeições; todos os contatos simultaneamente.
Antes de prescrever, confira
Gestação.
Hepatopatia grave.
Interações importantes
Reduz a eficácia de anticoncepcionais hormonais, varfarina, antirretrovirais e azólicos.
Contraindicações e quando evitar
Gestação.
Hepatopatia grave.
Efeitos adversos
Coloração alaranjada de urina, suor e lágrimas (mancha lentes de contato).
Hepatotoxicidade.
Intolerância gastrointestinal.
Interações importantes
Reduz a eficácia de anticoncepcionais hormonais, varfarina, antirretrovirais e azólicos.
Como administrar
Administração
Em jejum, 1 hora antes ou 2 horas depois das refeições; todos os contatos simultaneamente.
Papel neste contexto
Primeira escolha do Ministério da Saúde para a quimioprofilaxia dos contatos de doença meningocócica e de doença invasiva por Hib.
Gestação
Não recomendada — preferir ceftriaxona IM em dose única.
Lactação
Compatível com a amamentação.
Antes de prescrever, confira
Gestação.
Hepatopatia grave.
Efeitos adversos mais relevantes
Coloração alaranjada de urina, suor e lágrimas (mancha lentes de contato).
Hepatotoxicidade.
Intolerância gastrointestinal.
Papel neste contexto
Primeira escolha do Ministério da Saúde para a quimioprofilaxia dos contatos de doença meningocócica e de doença invasiva por Hib.
Fluoroquinolona
Ciprofloxacino
Comprimido de 500 mg
Profilaxia — meningococo500 mg · Dose única · —
Papel no tratamento
Alternativa em dose única para a quimioprofilaxia de contatos de doença meningocócica a partir de 18 anos.
Quando usar
Indisponibilidade, intolerância ou contraindicação à rifampicina, ou quando a adesão a 4 doses não for garantida.
Ficha de consulta rápida
Classe
Fluoroquinolona
Apresentação
Comprimido de 500 mg
Posologia principal
500 mg · Dose única · —
Antes de prescrever, confira
Gestação.
Menores de 18 anos.
Efeitos adversos mais relevantes
Náusea.
Tendinopatia e prolongamento do QT (raros em dose única).
VO1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Profilaxia — meningococo
500 mg
Dose única
—
A partir de 18 anos.
Como administrar
Alternativa
Se houver resistência ao ciprofloxacino na região, azitromicina 500 mg em dose única (a partir de 12 anos).
Antes de prescrever, confira
Gestação.
Menores de 18 anos.
Contraindicações e quando evitar
Gestação.
Menores de 18 anos.
Efeitos adversos
Náusea.
Tendinopatia e prolongamento do QT (raros em dose única).
Como administrar
Alternativa
Se houver resistência ao ciprofloxacino na região, azitromicina 500 mg em dose única (a partir de 12 anos).
Papel neste contexto
Alternativa em dose única para a quimioprofilaxia de contatos de doença meningocócica a partir de 18 anos.
Gestação
Não recomendado.
Antes de prescrever, confira
Gestação.
Menores de 18 anos.
Efeitos adversos mais relevantes
Náusea.
Tendinopatia e prolongamento do QT (raros em dose única).
Papel neste contexto
Alternativa em dose única para a quimioprofilaxia de contatos de doença meningocócica a partir de 18 anos.
Informações rápidas
Meningite e Encefalite
Resumo
Janela terapêutica
Antibiótico em até 1 hora da suspeita de meningite bacteriana.
Dexametasona
0,15 mg/kg a cada 6 horas por 4 dias, iniciada antes ou junto do antibiótico.
Aciclovir
10 mg/kg a cada 8 horas, por 14 a 21 dias na encefalite herpética.
Líquor bacteriano
Neutrofílico, proteína alta, relação de glicose abaixo de 0,4 e lactato de 3,5 mmol/L ou mais.
Isolamento
Precaução para gotículas por 24 horas após o início do antibiótico eficaz.
Quimioprofilaxia
Rifampicina 10 mg/kg (máx. 600 mg) de 12/12 h por 2 dias; ceftriaxona 250 mg IM na gestante.
Não esqueça
Tomografia
Tomografia nunca justifica atrasar o antibiótico.
Listeria
Ampicilina acima de 50 anos, na gestante e no imunossuprimido.
Aciclovir
Aciclovir empírico em toda encefalopatia febril.
Glicemia pareada
Glicemia sérica pareada junto com a punção.
Vigilância
Notificação imediata e quimioprofilaxia dos contactantes.
A banca cobra a sequência hemocultura, dexametasona, antibiótico, tomografia e punção, além dos critérios de imagem antes da punção.
Decore: ampicilina acima de 50 anos pela Listeria; dexametasona antes ou junto do antibiótico; aciclovir empírico na encefalite; líquor bacteriano com glicose baixa e neutrófilos. Novidades: rifampicina é a 1ª escolha da quimioprofilaxia no Brasil, mas a gestante recebe ceftriaxona; contato próximo conta desde 10 dias antes dos sintomas.
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