A intubação do paciente crítico é outra coisa
Intubar no centro cirúrgico e intubar na emergência ou na terapia intensiva são procedimentos com o mesmo gesto técnico e riscos completamente diferentes. No ambiente eletivo, a taxa de complicações graves é da ordem de 2%; no paciente crítico, aproximadamente 40% apresentam hipoxemia, hipotensão ou parada cardíaca no período periprocedimento.
A razão é simples: o paciente crítico chega sem reserva. Não tem reserva de oxigênio, porque já está hipoxêmico; não tem reserva hemodinâmica, porque já está vasodilatado ou hipovolêmico; e frequentemente compensa uma acidose com hiperventilação que a apneia da indução interrompe. A sequência rápida transforma essas três fragilidades em risco imediato.
O erro conceitual mais comum é tratar a intubação como um problema técnico. Na maior parte dos casos difíceis, o problema é fisiológico: o tubo passa sem dificuldade, mas o paciente para porque estava hipoxêmico, chocado ou acidótico antes de o laringoscópio entrar.
