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Atlas de Oftalmologia • Pálpebras

Blefarocalase e dermatochalasis

Dermatocálase (excesso de pele por envelhecimento) • blefarocalásia (edema recorrente do jovem)

Dois nomes parecidos para coisas diferentes. A dermatochalasis é o excesso de pele palpebral do envelhecimento — muito comum, pode pesar sobre os cílios e reduzir o campo visual. A blefarocalase é rara: surtos de edema palpebral indolor em jovens que deixam a pele fina, enrugada e frouxa. Em ambas, a pele que sobra pode imitar ptose.

Tipo
Alteração da pele palpebral
Dermatochalasis
Idade; muito comum
Blefarocalase
Jovem; edemas recorrentes
Pista no exame
Pele sobre os cílios (pseudoptose)
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Olhe a pálpebra superior de frente: a pele forma uma dobra que cai sobre a prega e, nos casos avançados, sobre os cílios. Levante essa pele com o dedo: se a margem estiver na posição normal, o problema é da pele — não do músculo.

Imagem clínica

Figura 1. Dermatochalasis: excesso de pele nas pálpebras superiores apoiado sobre os cílios, mais evidente no lado lateral, em paciente idoso.

Roteiro de observação
  1. 1
    PeleDobra cutânea encostando ou ultrapassando a margem? Lateral, medial ou toda a pálpebra?
  2. 2
    MargemLevantar a pele: a margem está na altura normal (MRD1 ~4–5 mm)? Se não, há ptose associada.
  3. 3
    BolsasHérnia de gordura (medial e central) e prolapso da glândula lacrimal (lateral).
  4. 4
    SobrancelhaSobrancelha caída (ptose do supercílio) soma pele sobre a pálpebra.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Dermatochalasis é comum e adquirida; blefarocalase é rara e começa na juventude.
  2. Levantar a pele separa pseudoptose (margem normal) de ptose verdadeira.
  3. Dermatochalasis grave reduz o campo visual superior — indicação funcional de blefaroplastia.

O que são

Na dermatochalasis, a pele da pálpebra perde colágeno e elasticidade com a idade e a exposição solar, o septo orbitário enfraquece e a gravidade faz o resto. Forma-se uma prega redundante que pesa sobre os cílios. É a principal indicação de blefaroplastia.

Na blefarocalase, episódios de inchaço palpebral indolor, sem prurido, que duram horas a dias, repetem-se por anos, geralmente a partir da puberdade. Cada surto estira a pele, que fica fina, enrugada e cheia de vasos; com o tempo, aparecem ptose, hérnia de gordura e prolapso da glândula lacrimal.

Não confunda os nomes

Em textos antigos e no uso comum, "blefarocalase" é usado como sinônimo de excesso de pele do idoso. Tecnicamente, o excesso de pele do envelhecimento é a dermatochalasis; blefarocalase é a síndrome rara de edemas recorrentes.

Dermatochalasis, blefarocalase ou ptose?

Dermatochalasis

  • Idoso, comum
  • Pele espessura normal, redundante
  • Evolução lenta e contínua
  • Margem normal ao levantar a pele

Blefarocalase

  • Adolescente/adulto jovem, rara
  • Pele fina, enrugada, telangiectasias
  • Surtos de edema indolor
  • Ptose e hérnia de gordura tardias

Ptose verdadeira

  • Margem baixa (MRD1 reduzida)
  • Persiste ao levantar a pele
  • Investigar causa (aponeurose, nervo, músculo)
  • Pode coexistir com dermatochalasis

Quatro apresentações

Repare na espessura da pele, na posição da margem e nas bolsas. Toque para ampliar.

Dermatochalasis bilateral

Pele redundante nas pálpebras superiores apoiada sobre os cílios, mais lateralmente, em idoso. A prega natural fica escondida e o campo superior fica reduzido.

DermatochalasisIdoso

Pseudoptose: teste de levantar a pele

Montagem: à esquerda, a pele cobre a margem e parece ptose; à direita, com a pele levantada pelo examinador, a margem está na altura normal.

PseudoptoseExame

Blefarocalase

Paciente jovem com pele palpebral fina, enrugada, de aspecto "papel de cigarro", com vasos visíveis e leve ptose — resultado de anos de edemas recorrentes.

BlefarocalaseJovem

Hérnia de gordura e glândula lacrimal

Bolsas medial e central (gordura) e abaulamento lateral (glândula lacrimal prolabada), comuns na blefarocalase e no envelhecimento.

Hérnia de gorduraGlândula lacrimal

Examine com o paciente sentado, olhando para frente, e relaxe a testa: o frontal contraído esconde a dermatochalasis.

Exame passo a passo

  1. Inspeção

    Dobra de pele, espessura, rugas finas, telangiectasias, bolsas, posição da sobrancelha.

  2. Levantar a pele

    Com o dedo, elevar a pele redundante e medir MRD1; separar pseudoptose de ptose.

  3. Função do levantador

    Normal na dermatochalasis; ptose aponeurótica é frequente na blefarocalase avançada.

  4. Campo visual

    Campimetria com pálpebras livres e com a pele fitada documenta a perda superior funcional.

  5. Pergunte por surtos

    Inchaços repetidos, indolores, sem prurido, desde a juventude sugerem blefarocalase.

Como registrar

Modelo de registro

Dermatochalasis bilateral, pior lateralmente, com pele apoiada sobre os cílios em AO. Com a pele elevada: MRD1 4 mm AO; função do levantador 14 mm AO. Hérnia de gordura medial leve. Sobrancelhas em posição. Campo visual superior reduzido, com melhora após fitar a pele.

Modelo didático: registre as medidas, a queixa funcional e a presença de ptose associada.

Causas e associações

Envelhecimento

Perda de colágeno e elastina; principal causa de dermatochalasis.

Dano solar e tabagismo

Aceleram a degradação da pele.

Predisposição familiar

Dermatochalasis precoce em algumas famílias.

Blefarocalase

Causa desconhecida; suspeita de mecanismo imune/angioedema localizado; associada à síndrome de Ascher (com lábio duplo e bócio).

Doenças sistêmicas

Doenças do tecido elástico (cútis laxa, Ehlers-Danlos) e edema por doença renal ou tireoidiana agravam.

Diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveMargem baixa
Como diferenciarPersiste ao levantar a pele; MRD1 reduzida.
Orbitopatia tireoidiana
Achado-chaveEdema e bolsas, retração, proptose
Como diferenciarRetração palpebral, lid lag, função tireoidiana.
Angioedema
Achado-chaveEdema súbito
Como diferenciarPode acometer lábios e via aérea; urticária.
Achado-chaveEdema com prurido e descamação
Como diferenciarInflamação cutânea; blefarocalase não coça.
Melkersson-Rosenthal
Achado-chaveEdema orofacial recorrente
Como diferenciarParalisia facial e língua fissurada.

O tratamento é cirúrgico quando há prejuízo funcional ou estético; não há medicamento que reverta o excesso de pele.

Para onde cada achado leva

CenárioConduta
Dermatochalasis leve, sem queixaOrientação; nenhuma intervenção.
Dermatochalasis com perda do campo superiorBlefaroplastia superior funcional (documentar com campo visual).
Dermatochalasis + ptoseBlefaroplastia associada à correção da ptose.
Sobrancelha caídaAvaliar elevação do supercílio junto ou antes.
Blefarocalase ativaAguardar fase quiescente (sem surtos) antes de operar; corrigir ptose, gordura e glândula lacrimal.

Retirar pele em excesso pode causar lagoftalmo e ceratite de exposição; olho seco prévio deve ser avaliado antes da blefaroplastia.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 7: Oculofacial Plastic and Orbital Surgery. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  3. 3
    Livro-texto2023
    Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier; 2023.
  4. 4
    Artigo2009
    Koursh DM, Modjtahedi SP, Selva D, Leibovitch I. The blepharochalasis syndrome. Surv Ophthalmol. 2009;54(2):235–244.
  5. 5
    Revisão online2024
    StatPearls. Dermatochalasis. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.
  6. 6
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Blepharochalasis. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. A indicação de blefaroplastia funcional depende de exame e campo visual documentados.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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