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Atlas de Oftalmologia • Pálpebras

Calázio

Cisto meibomiano • lipogranuloma palpebral • chalazion

Nódulo firme e indolor da pálpebra causado pela obstrução de uma glândula de Meibômio: a secreção lipídica extravasa para o tarso e provoca uma inflamação granulomatosa estéril. Muitos regridem com compressas em semanas; os persistentes respondem a injeção de corticoide ou a incisão e curetagem.

Pálpebra — tarsoGlândula de MeibômioNódulo indolorCuretagem ou triancinolona
12–15 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Calázio na pálpebra superior: nódulo arredondado, liso e indolor, afastado da margem palpebral. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Nódulo palpebral firme, arredondado e indolor
  2. 2
    Pele sobrejacente normal ou levemente avermelhada
  3. 3
    Abaulamento ou granuloma na conjuntiva tarsal à eversão
  4. 4
    Orifícios meibomianos obstruídos e secreção espessa
  5. 5
    Telangiectasias da margem (rosácea, blefarite posterior)
  6. 6
    Astigmatismo induzido em lesões grandes da pálpebra superior

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Calázio é um lipogranuloma crônico e estéril causado pela obstrução de uma glândula de Meibômio (às vezes de Zeis).
  2. Apresenta-se como nódulo firme e indolor, afastado da margem; pode suceder um hordéolo interno.
  3. Associa-se a blefarite posterior, rosácea e dermatite seborreica.
  4. Tratamento: compressas; se persistir, triancinolona intralesional ou incisão e curetagem. Recidiva no mesmo lugar: biópsia.

O que é calázio

O calázio começa com a obstrução do orifício de uma glândula de Meibômio. A secreção retida aumenta, rompe a parede glandular e extravasa para o tecido do tarso. Os lipídios livres são irritantes e provocam uma reação granulomatosa lipogranulomatosa, com histiócitos, células gigantes multinucleadas e linfócitos em volta de vacúolos de gordura.

Não é uma infecção, embora uma infecção aguda (hordéolo interno) possa ser o ponto de partida. Por isso o calázio não responde a antibiótico tópico e o tratamento se dirige à drenagem do conteúdo e à redução do granuloma.

Calázio = granuloma lipídico estéril do tarso. Indolor e crônico; o hordéolo é a infecção aguda e dolorosa.

Fatores associados

Qualquer condição que espesse o meibum ou obstrua os orifícios aumenta o risco. Calázios múltiplos, bilaterais ou de repetição quase sempre têm uma dessas condições por trás.

Disfunção meibomiana

Blefarite posterior: secreção espessa, orifícios tampados.

Rosácea

Eritema facial, telangiectasias, flushing; rosácea ocular.

Dermatite seborreica

Descamação oleosa de couro cabeludo e sobrancelhas.

Isotretinoína e bortezomibe

Associados a disfunção meibomiana e calázios múltiplos.

Crianças

Comuns; atenção ao risco de ambliopia em lesões grandes.

Hordéolo prévio

Inflamação aguda que não se resolve pode deixar calázio.

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O essencial de quadro clínico

  1. Nódulo indolor que cresce em semanas, mais comum na pálpebra superior.
  2. Pode haver fase inicial inflamada, semelhante a hordéolo.
  3. Lesões grandes causam ptose mecânica, astigmatismo e visão borrada.
  4. Calázio marginal pode exteriorizar-se como granuloma na margem.

Sinais e sintomas

O sintoma dominante é a presença do nódulo. Dor, quando existe, é leve e transitória, na fase inicial ou se houver infecção secundária.

Nódulo

2 mm a mais de 1 cm, liso, firme, aderido ao tarso.

Incômodo estético

Principal motivo da consulta.

Visão borrada

Astigmatismo por compressão da córnea (pálpebra superior).

Ptose mecânica

Peso de lesões grandes na pálpebra superior.

Corpo estranho

Granuloma conjuntival atritando a superfície.

Infecção secundária

Dor e eritema novos: hordéolo interno sobreposto.

Formas de apresentação

A localização dentro do tarso define para onde o calázio cresce e qual via de drenagem é a melhor.

Mais comum

Tarsal (profundo)

Nódulo no corpo do tarso; à eversão, área elevada acinzentada ou avermelhada na conjuntiva. Drenagem por via conjuntival.

Na margem

Marginal

Glândula de Meibômio perto do orifício ou de Zeis; lesão pequena na própria margem. Diferencial com tumores da margem.

Rompido

Granuloma conjuntival

O calázio rompe para a conjuntiva e forma granuloma piogênico vermelho e friável na face tarsal.

Calázio na criança

Crianças têm calázios com frequência, às vezes múltiplos e associados a blefaroceratoconjuntivite. Dois cuidados são específicos: lesões grandes na pálpebra superior podem induzir astigmatismo e ambliopia, e procedimentos geralmente exigem sedação ou anestesia geral.

Criança com calázio grande ou persistente deve ter a acuidade visual e a refração avaliadas. Tetraciclinas são contraindicadas abaixo de 8 anos; o especialista usa macrolídeo oral quando há doença meibomiana importante.

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O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico, com palpação e eversão da pálpebra.
  2. Examinar a margem: disfunção meibomiana e rosácea.
  3. Histologia (quando feita): lipogranuloma com células gigantes.
  4. Biópsia obrigatória em recidiva no mesmo local ou aspecto atípico.

Avaliação

Além de confirmar o calázio, a consulta deve identificar a causa da obstrução e procurar sinais que sugiram outro diagnóstico.

  1. História

    Tempo de evolução, dor inicial, episódios prévios, local das recidivas, rosácea, uso de isotretinoína.

  2. Palpação

    Consistência, mobilidade, sensibilidade, relação com o tarso e com a margem.

  3. Eversão

    Face conjuntival: área elevada, granuloma, ponto de drenagem.

  4. Margem palpebral

    Orifícios tampados, expressão das glândulas, telangiectasias, cílios (madarose é alerta).

  5. Acuidade e refração

    Sobretudo em crianças e em lesões grandes da pálpebra superior.

Histopatologia

Em lesões ressecadas, o patologista vê inflamação granulomatosa centrada em vacúolos lipídicos (lipogranuloma): histiócitos epitelioides, células gigantes multinucleadas, linfócitos e plasmócitos. Enviar o material é recomendado sempre que houver qualquer dúvida clínica.

Histologia

Lipogranuloma

Espaços claros (lipídio dissolvido no processamento) rodeados por histiócitos e células gigantes.

Diagnóstico diferencial

O principal erro a evitar é tratar repetidamente como calázio uma neoplasia da pálpebra.

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Hordéolo
Achado-chaveNódulo agudo, doloroso, com pus
Como diferenciarInfeccioso, dias de evolução; calázio é indolor e crônico.
Carcinoma sebáceo
Achado-chaveRecidiva no mesmo local, madarose, blefarite unilateral
Como diferenciarIdoso; consistência amarelada; biópsia de espessura total.
Carcinoma basocelular
Achado-chaveNódulo perolado com telangiectasias, ulceração
Como diferenciarPele, não tarso; bordas peroladas; biópsia.
Achado-chavePequeno cisto na margem anterior
Como diferenciarMoll é translúcido; ambos fora do tarso.
Achado-chavePlacas amarelas planas no canto medial
Como diferenciarPlano, bilateral, na pele; não é nódulo tarsal.
Achado-chavePápula umbilicada perolada na margem
Como diferenciarUmbilicação central; conjuntivite folicular associada.

Galeria clínica

Observe a distância entre o nódulo e a margem, a cor da pele e a face conjuntival. Toque para ampliar.

Calázio na pálpebra superior

Nódulo arredondado e liso no corpo da pálpebra, alguns milímetros acima dos cílios, com pele de aspecto normal. A ausência de eritema intenso e de dor separa do hordéolo.

TarsalIndolorPálpebra superior

Face conjuntival à eversão

Pálpebra evertida mostrando área elevada acinzentada/avermelhada no tarso, que corresponde ao lipogranuloma. É por aqui que se faz a incisão vertical da curetagem.

EversãoVia conjuntival

Calázio na pálpebra inferior

Nódulo na pálpebra inferior com margem mostrando orifícios meibomianos espessados e telangiectasias. Trate a margem para evitar novos calázios.

Pálpebra inferiorDisfunção meibomiana

Calázios múltiplos na criança

Mais de um nódulo em pálpebras diferentes numa criança. Verifique a acuidade visual e a refração: lesões grandes na pálpebra superior podem induzir astigmatismo e ambliopia.

CriançaMúltiplosAmbliopia

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Conservador primeiro: compressas mornas, massagem e higiene palpebral por 4–6 semanas.
  2. Persistente: triancinolona intralesional ou incisão e curetagem (eficácia semelhante).
  3. Antibiótico tópico não trata o calázio.
  4. Recorrentes: tratar blefarite posterior e rosácea; doxiciclina oral em adultos selecionados.

Escolhendo a abordagem

A decisão depende do tempo de evolução, do tamanho, da localização e da preferência do paciente. Ensaios randomizados mostram resolução semelhante entre injeção de triancinolona e incisão e curetagem nos calázios primários; a curetagem tende a ser mais eficaz nos maiores, e a injeção evita incisão.

Triancinolona intralesional

  • Rápida, sem incisão
  • Boa para lesões próximas a vias lacrimais
  • Pode precisar de 2ª aplicação
  • Risco de despigmentação em pele escura e depósito branco

Incisão e curetagem

  • Incisão vertical pela conjuntiva tarsal
  • Melhor em lesões grandes e antigas
  • Permite enviar material para histologia
  • Hematoma e desconforto transitórios

Incisão e curetagem

  1. Anestesia

    Colírio + infiltração local.

  2. Pinça de calázio

    Everte e isola a lesão.

  3. Incisão vertical

    Perpendicular à margem, pela conjuntiva.

  4. Curetagem

    Remove o conteúdo e a cápsula.

  5. Curativo

    Pomada antibiótica e compressão.

A incisão é vertical para respeitar o trajeto das glândulas e não lesar as vizinhas. Calázios que apontam para a pele podem ser abordados por incisão horizontal na pele.

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário. Compressas valem para todos; procedimentos ficam com o oftalmologista.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 7: Oculofacial Plastic and Orbital Surgery. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Diretriz2024
    Lin A, Ahmad S, Amescua G, et al. Blepharitis Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2024;131(4):P50–P86. doi:10.1016/j.ophtha.2023.12.036.
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    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  4. 4
    Livro-texto2023
    Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier; 2023.
  5. 5
    Artigo2011
    Ben Simon GJ, Rosen N, Rosner M, Spierer A. Intralesional triamcinolone acetonide injection versus incision and curettage for primary chalazia: a prospective, randomized study. Am J Ophthalmol. 2011;151(4):714–718.
  6. 6
    Artigo2007
    Goawalla A, Lee V. A prospective randomized treatment study comparing three treatment options for chalazia: triamcinolone acetonide injections, incision and curettage and treatment with hot compresses. Clin Exp Ophthalmol. 2007;35(8):706–712.
  7. 7
    Revisão online2024
    Jordan GA, Beier K. Chalazion. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.
  8. 8
    Livro-texto2026
    Merck Manual Professional Version. Chalazion and Hordeolum (Stye). Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Injeção intralesional e curetagem são procedimentos do oftalmologista; doses de referência devem ser confirmadas na bula e no protocolo do serviço.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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