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Atlas de Oftalmologia • Pálpebras

Coloboma palpebral

Coloboma congênito da pálpebra • eyelid coloboma

Defeito congênito da margem palpebral, de espessura parcial ou total, com forma triangular ou quadrangular. O da pálpebra superior costuma ficar entre os terços medial e médio e associa-se ao espectro de Goldenhar; o da pálpebra inferior lateral é típico de Treacher Collins. A prioridade é proteger a córnea; a reconstrução é cirúrgica.

CongênitoMargem palpebralRisco de exposição corneanaReconstrução cirúrgica
12–15 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Coloboma da pálpebra superior: defeito triangular na margem, entre os terços medial e médio, sem cílios. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Entalhe triangular ou quadrangular na margem palpebral
  2. 2
    Ausência de cílios e de glândulas no segmento afetado
  3. 3
    Fechamento palpebral incompleto (lagoftalmo)
  4. 4
    Ceratite de exposição na área correspondente
  5. 5
    Dermoide epibulbar adjacente (Goldenhar)
  6. 6
    Anomalias faciais e auriculares associadas

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Falha no fechamento/fusão das pregas palpebrais no período embrionário.
  2. Superior medial: Goldenhar (com dermoide epibulbar). Inferior lateral: Treacher Collins.
  3. O risco imediato é a exposição corneana (ceratite, úlcera, cicatriz).
  4. Reconstrução conforme o tamanho: < 25% fechamento direto; maiores, retalhos.

O que é coloboma palpebral

"Coloboma" significa falha ou ausência de um segmento de tecido. Nas pálpebras, resulta de um distúrbio no desenvolvimento das pregas palpebrais, que crescem e se fundem por volta do 2º–3º mês de gestação e se separam mais tarde. Bandas amnióticas, fendas faciais e falhas de migração da crista neural estão entre os mecanismos.

É raro. Pode ser isolado ou fazer parte de síndromes craniofaciais, e é mais comum na pálpebra superior. O tamanho varia de um pequeno entalhe até a ausência de quase toda a pálpebra.

No coloboma palpebral, o paciente é a córnea: o primeiro exame é com fluoresceína.

Superior medial × inferior lateral

A posição do defeito é a melhor pista da síndrome associada.

Pálpebra superior (medial/média)

  • Espectro oculoauriculovertebral (Goldenhar)
  • Dermoide epibulbar, apêndices pré-auriculares
  • Defeito de espessura total frequente

Pálpebra inferior (lateral)

  • Treacher Collins (disostose mandibulofacial)
  • Fenda palpebral oblíqua para baixo, hipoplasia malar
  • Muitas vezes "pseudocoloboma" (falha de pele/cílios)

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Defeito visível ao nascer; tamanho em % da margem.
  2. Espessura parcial (só pele/músculo) ou total.
  3. Ceratite de exposição depende do tamanho, do sinal de Bell e da lubrificação.
  4. Associações oculares: dermoide, microftalmia, coloboma uveal.

Apresentação clínica

Muitos recém-nascidos toleram bem defeitos pequenos, graças ao bom sinal de Bell e ao filme lacrimal do lactente. Defeitos grandes ou com dermoide no limbo expõem a córnea e causam hiperemia, lacrimejamento, fotofobia e, sem tratamento, úlcera.

Defeito da margem

Triangular (ápice para cima/baixo) ou quadrangular.

Exposição

Lagoftalmo; ceratite na área descoberta.

Dermoide

Massa branco-amarelada no limbo inferotemporal.

Síndromes e condições associadas

Goldenhar (espectro oculoauriculovertebral)

Microssomia hemifacial, apêndices e malformações auriculares, dermoide epibulbar, anomalias vertebrais. Coloboma da pálpebra superior.

Treacher Collins

Herança autossômica dominante (TCOF1 e outros). Hipoplasia malar e mandibular, fendas oblíquas para baixo, coloboma do terço lateral da pálpebra inferior, perda auditiva.

Bandas amnióticas

Defeitos assimétricos, atípicos, com fendas faciais e amputações de membros.

Fraser e fendas de Tessier

Criptoftalmia parcial; fendas faciais que cruzam a pálpebra.

Tamanho do defeito

Defeito da margemConduta habitual
Até ~25% (até ~33% com tecidos frouxos)Fechamento direto em camadas, com ou sem cantólise
~25–50%Retalho semicircular de Tenzel ou avanço com cantotomia/cantólise
Mais de 50%Retalhos e enxertos (tarsoconjuntival, pele, mucosa); técnicas de compartilhamento palpebral com cautela na criança (ocluem o eixo visual)

Percentuais aproximados, usados como referência em reconstrução palpebral; a escolha é do cirurgião oculoplástico.

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico ao nascer.
  2. Exame da córnea com fluoresceína é prioritário.
  3. Exame ocular completo: dermoides, microftalmia, colobomas uveais, refração.
  4. Avaliação genética e sistêmica conforme a suspeita de síndrome.

Avaliação passo a passo

  1. Inspeção e medida

    Local (superior/inferior, terço), forma, largura em mm e % da margem, espessura parcial ou total.

  2. Fechamento e Bell

    Lagoftalmo durante o sono/choro; elevação do olho ao fechar.

  3. Córnea

    Fluoresceína com luz azul: ceratite puntata, defeito epitelial, opacidade.

  4. Globo e anexos

    Dermoide epibulbar, microftalmia, coloboma de íris/coroide, vias lacrimais.

  5. Refração e visão

    Astigmatismo (dermoide) e ambliopia no seguimento.

  6. Exame geral

    Orelhas, face, palato, coluna, coração, audição; genética clínica.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chavePele contínua sobre parte do globo
Como diferenciarFusão da pele com o globo, não falha da margem; Fraser.
Trauma de parto
Achado-chaveLaceração palpebral no recém-nascido
Como diferenciarBordas irregulares, edema e hematoma; parto instrumental.
Pseudocoloboma (Treacher Collins)
Achado-chaveEntalhe lateral inferior
Como diferenciarFalta de pele/cílios com tarso parcialmente presente.
Achado-chaveFenda curta horizontalmente
Como diferenciarMargem íntegra; ptose, telecanto e epicanto inverso.
Ablefaria / microblefaria
Achado-chavePálpebras ausentes ou muito pequenas
Como diferenciarAusência global, não segmentar; ablefaria-macrostomia.

Galeria

Observe a posição do defeito, a córnea correspondente e as anomalias ao redor do olho.

Coloboma da pálpebra superior

Defeito triangular entre os terços medial e médio da pálpebra superior, sem cílios. A córnea fica descoberta nesse ponto: procure ceratite com fluoresceína.

SuperiorEspessura total

Coloboma com dermoide epibulbar

Associação típica do espectro de Goldenhar: coloboma superior e massa branco-amarelada no limbo inferotemporal. Examine orelhas e face.

GoldenharDermoide

Treacher Collins

Fendas palpebrais oblíquas para baixo e entalhe no terço lateral das pálpebras inferiores, com falta de cílios medialmente ao defeito; hipoplasia malar.

Inferior lateralBilateral

Ceratite de exposição

Fluoresceína: área corada da córnea alinhada ao defeito palpebral. Indica necessidade de proteção intensiva e reparo precoce.

ComplicaçãoFluoresceína

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Lubrificação intensiva desde o nascimento até a reconstrução.
  2. Córnea íntegra: cirurgia eletiva; dano corneano: reparo precoce.
  3. Técnica conforme o tamanho; evitar oclusão prolongada do eixo visual na criança.
  4. Tratar ambliopia e as anomalias associadas.

Reconstrução cirúrgica

O objetivo é restaurar uma margem estável, com cobertura corneana, lamela posterior lisa (sem atrito) e boa aparência. Em lactentes, técnicas de compartilhamento palpebral que mantêm o olho fechado por semanas (como Cutler-Beard) aumentam o risco de ambliopia e são evitadas sempre que possível.

  1. Pequeno

    Avivamento das bordas e fechamento direto.

  2. Médio

    Cantólise; retalho semicircular de Tenzel.

  3. Grande

    Retalhos e enxertos de lamela anterior e posterior.

Rotas de tratamento

A medicação aqui é de proteção da superfície ocular; o tratamento definitivo é cirúrgico. O nome de cada produto abre a ficha.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 7: Oculofacial Plastic and Orbital Surgery. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 6: Pediatric Ophthalmology and Strabismus. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  3. 3
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  4. 4
    Livro-texto2023
    Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier; 2023.
  5. 5
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Eyelid Coloboma. Acesso em 2026.
  6. 6
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Goldenhar Syndrome. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. A indicação e a técnica de reconstrução são definidas pelo cirurgião oculoplástico conforme o tamanho do defeito e o estado da córnea.

Atlas Astrenmed de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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