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Conjuntivite hemorrágica

Conjuntivite hemorrágica aguda • acute hemorrhagic conjunctivitis

Conjuntivite viral epidêmica, causada principalmente por enterovírus 70 e coxsackievírus A24 variante. Começa de forma súbita, com dor, lacrimejamento e hemorragias subconjuntivais, espalha-se em surtos explosivos e melhora sozinha em cerca de uma semana. O tratamento é de suporte; o controle é de saúde pública.

ConjuntivaEnterovírusHemorragia subconjuntivalSurtos epidêmicos
12–15 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Conjuntivite hemorrágica aguda: hiperemia intensa e hemorragia subconjuntival na conjuntiva bulbar, lacrimejamento e edema palpebral. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Hemorragias subconjuntivais (petéquias a manchas confluentes)
  2. 2
    Hiperemia conjuntival intensa e quemose
  3. 3
    Lacrimejamento, dor e sensação de corpo estranho
  4. 4
    Edema palpebral e fotofobia
  5. 5
    Reação folicular e linfonodo pré-auricular
  6. 6
    Ceratite puntata transitória

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Conjuntivite viral epidêmica por enterovírus 70 ou coxsackievírus A24 variante.
  2. Incubação curta; início súbito com dor, lacrimejamento e hemorragias subconjuntivais.
  3. Muito contagiosa: surtos explosivos em comunidades com aglomeração.
  4. Autolimitada em 5–14 dias; tratamento de suporte e vigilância epidemiológica.

O que é conjuntivite hemorrágica aguda

Foi descrita em 1969 em Gana, numa epidemia que coincidiu com a missão Apollo 11 — daí o apelido "conjuntivite Apollo". Desde então, ondas pandêmicas atingiram a África, a Ásia e as Américas, incluindo o Brasil.

Os agentes principais são o enterovírus 70 e o coxsackievírus A24 variante; alguns adenovírus (como o tipo 11) produzem quadro semelhante. A transmissão é por contato com secreção ocular — mãos, toalhas, objetos — e o clima quente e a aglomeração favorecem os surtos.

Muitos casos de olho vermelho com manchas de sangue surgindo ao mesmo tempo na comunidade: conjuntivite hemorrágica aguda. O cuidado é de suporte; o foco é conter o surto.

Transmissão e fatores de risco

Mãos e objetos

Contato com lágrima e secreção; coçar e esfregar os olhos.

Aglomeração

Escolas, presídios, abrigos, famílias numerosas.

Clima quente e úmido

Surtos mais frequentes no verão e na estação chuvosa.

Higiene limitada

Pouco acesso a água e sabão.

Incubação curta

12–48 horas: crescimento explosivo dos casos.

Serviços de saúde

Transmissão por instrumentos e mãos da equipe.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Início súbito, em geral bilateral em 1–2 dias.
  2. Dor, lacrimejamento, fotofobia e sensação de areia.
  3. Hemorragias subconjuntivais: o sinal que dá nome à doença.
  4. Sintomas sistêmicos leves podem ocorrer (febre, mal-estar).

Sinais e sintomas

O quadro é mais intenso e mais curto do que a conjuntivite adenoviral. As hemorragias começam como pontos e podem confluir em poucas horas.

Hemorragia subconjuntival

Petéquias a manchas, mais na bulbar superior e temporal.

Hiperemia e quemose

Conjuntiva intensamente vermelha e edemaciada.

Lacrimejamento

Secreção aquosa ou seromucosa.

Fotofobia

Ceratite puntata transitória.

Folículos

Conjuntiva tarsal; padrão folicular.

Linfonodo pré-auricular

Frequente, doloroso.

Enterovírus 70 × coxsackievírus A24

Enterovírus 70

  • Hemorragias mais extensas
  • Raro: radiculomielite (paralisia flácida)
  • Pandemias desde 1969

Coxsackievírus A24v

  • Agente mais comum em surtos recentes
  • Hemorragias petequiais
  • Sintomas sistêmicos leves (febre, cefaleia)

Complicação neurológica rara

Em surtos por enterovírus 70, cerca de 1 em cada 10.000 infectados desenvolve paralisia flácida aguda semelhante à poliomielite, dias a semanas após a conjuntivite. Fraqueza nos membros, dor radicular ou paralisia facial exigem avaliação neurológica imediata.

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico durante um surto.
  2. RT-PCR de swab conjuntival para vigilância (identificar o vírus).
  3. Fluoresceína: ceratite puntata; excluir trauma e outras causas.
  4. Desinfetar instrumentos e mãos a cada atendimento.

Avaliação

  1. História

    Início em horas, contatos com casos semelhantes, local de trabalho/escola, trauma ocular (exclui hemorragia traumática).

  2. Acuidade visual

    Normal ou pouco reduzida.

  3. Lâmpada de fenda

    Hemorragias, folículos, quemose; córnea com fluoresceína.

  4. Exame neurológico sumário

    Força nos membros e face em surtos por enterovírus 70.

  5. Coleta para vigilância

    Swab conjuntival em meio de transporte viral para RT-PCR, nos primeiros dias.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveInício mais gradual, petéquias discretas
Como diferenciarCurso de 2–3 semanas; infiltrados subepiteliais.
Achado-chaveMancha vermelha sem conjuntivite
Como diferenciarIndolor, sem secreção, sem surto; tosse, esforço, anticoagulante.
Achado-chaveSecreção purulenta
Como diferenciarOlho colado; sem hemorragias extensas (exceto S. pneumoniae e H. influenzae, que podem causar petéquias).
Trauma ocular
Achado-chaveHistória de trauma
Como diferenciarHemorragia 360° bolhosa pode esconder ruptura do globo.
Leptospirose
Achado-chaveSufusão conjuntival + febre + mialgia
Como diferenciarExposição a enchentes; sem secreção; quadro sistêmico importante.

Galeria oftalmológica

Observe a extensão das hemorragias, a quemose e a ausência de secreção purulenta.

Hemorragia subconjuntival extensa

Mancha vermelho-viva confluente na conjuntiva bulbar superior e temporal, com hiperemia e lacrimejamento. O contexto de surto diferencia de uma hemorragia isolada.

HemorragiaBulbar superiorSurto

Petéquias conjuntivais

Pontos hemorrágicos múltiplos em fase inicial, que podem confluir em horas. Repare na quemose discreta e na secreção aquosa.

PetéquiasFase inicial

Edema palpebral e lacrimejamento

Pálpebras inchadas, fotofobia e lacrimejamento intenso: o paciente mal consegue abrir o olho nos primeiros dias.

Edema palpebralFotofobia

Acometimento bilateral

Os dois olhos acometidos com hemorragias assimétricas. O segundo olho costuma ser afetado em 1–2 dias.

BilateralAssimetria

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Não há antiviral eficaz; o tratamento é de suporte.
  2. Compressas frias e lágrima artificial aliviam os sintomas.
  3. Antibiótico e corticoide não são indicados de rotina.
  4. Higiene e afastamento enquanto houver secreção controlam o surto.

Controle do surto

Como a incubação é curta e o vírus resiste em superfícies, o controle depende de medidas simples aplicadas cedo, em casa, nas escolas e nos serviços de saúde.

  • Lavar as mãos com água e sabão com frequência; não coçar os olhos.
  • Não compartilhar toalhas, fronhas, colírios ou maquiagem.
  • Afastamento da escola/trabalho enquanto houver olho vermelho e secreção, conforme orientação local.
  • Limpar superfícies e instrumentos com desinfetante adequado.
  • Comunicar o surto à vigilância epidemiológica.

Rotas de tratamento

O tratamento é sintomático. O nome do medicamento abre a ficha.

Em 30 segundos

O essencial de prevenção

  1. Não há vacina.
  2. Higiene das mãos é a medida mais eficaz.
  3. Afastar casos ativos de escolas e locais com aglomeração.
  4. Desinfecção de instrumentos oftalmológicos entre pacientes.

No serviço de saúde

Consultórios podem ampliar surtos. Separe o fluxo de pacientes com olho vermelho, use luvas, desinfete a lâmpada de fenda, as réguas e os tonômetros e evite tonometria de contato sem necessidade.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. BCSC Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Diretriz2024
    Cheung AY, Choi DS, Ahmad S, et al.; American Academy of Ophthalmology Preferred Practice Pattern Cornea/External Disease Panel. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2024;131(4):P134–P204. doi:10.1016/j.ophtha.2023.12.037.
  3. 3
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  4. 4
    Livro-texto2021
    Gervasio KA, Peck TJ, eds. The Wills Eye Manual: Office and Emergency Room Diagnosis and Treatment of Eye Disease. 8. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2021.
  5. 5
    Artigo1992
    Wright PW, Strauss GH, Langford MP. Acute hemorrhagic conjunctivitis. Am Fam Physician. 1992;45(1):173–178.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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