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Dermatite palpebral

Eczema palpebral • dermatite de contato periocular • eyelid dermatitis

Inflamação da pele das pálpebras com prurido, eritema, descamação e edema. A pele palpebral é a mais fina do corpo e reage a alérgenos que muitas vezes não tocam o olho diretamente — esmalte, cosméticos, colírios. Identificar e retirar o gatilho é o centro do tratamento; corticoide tópico só por poucos dias.

Pele palpebralPrurido e descamaçãoContato, atopia, seborreiaRetirar o gatilho
12–15 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Dermatite palpebral: eritema, descamação fina e edema leve da pele das pálpebras, com olho calmo. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Eritema e descamação da pele palpebral
  2. 2
    Prurido e ardor
  3. 3
    Edema palpebral, maior na forma alérgica aguda
  4. 4
    Liquenificação e sulcos acentuados na forma crônica
  5. 5
    Fissura no canto lateral (angular)
  6. 6
    Prega infraorbital dupla (Dennie-Morgan) na atopia

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O essencial de visão geral

  1. Dermatite palpebral é um padrão de inflamação da pele das pálpebras com várias causas.
  2. As mais comuns são a dermatite de contato alérgica, a irritativa e a atópica; a seborreica também acomete a margem.
  3. O alérgeno muitas vezes chega às pálpebras pelas mãos (esmalte) ou pelo ar (perfumes, poeira).
  4. Tratamento: retirar o gatilho, emolientes, corticoide de baixa potência por curto prazo e inibidores de calcineurina.

O que é dermatite palpebral

Dermatite (ou eczema) é uma inflamação da epiderme e da derme superficial com prurido, vermelhidão, descamação e, nas fases agudas, vesículas e exsudação. Nas pálpebras, a mesma inflamação aparece com mais edema e menos vesículas, por causa da pele fina e frouxa.

O diagnóstico de "dermatite palpebral" é descritivo: o trabalho clínico é descobrir o mecanismo — alérgico, irritativo, atópico ou seborreico — porque é isso que define o que retirar e o que tratar.

Na dermatite palpebral, o gatilho é o tratamento principal. Corticoide sem retirar a causa só adia o próximo surto.

Principais tipos

Em séries de pacientes com dermatite palpebral submetidos a teste de contato, a dermatite de contato alérgica é a causa mais identificada, seguida da atópica e da irritativa. Mais de um mecanismo pode coexistir.

Contato alérgica

Hipersensibilidade tardia (tipo IV): fragrâncias, conservantes, níquel, acrilatos de unhas, tinturas, colírios. Surge 24–72 h após a exposição.

Contato irritativa

Dano direto à barreira: sabonetes, removedores de maquiagem, lenços umedecidos, lágrima constante, esfregar.

Atópica

Parte da dermatite atópica; história pessoal ou familiar de asma, rinite e eczema; associação com ceratoconjuntivite atópica.

Seborreica

Escamas oleosas e amareladas na margem, sobrancelhas, sulco nasogeniano e couro cabeludo; associa-se a blefarite anterior.

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O essencial de quadro clínico

  1. Aguda: edema, eritema, às vezes vesículas e exsudação.
  2. Crônica: pele seca, espessada, descamativa, com sulcos acentuados.
  3. Contato alérgica: bilateral e simétrica quando o alérgeno vem das mãos ou do ar.
  4. Atópica: pregas de Dennie-Morgan, perda da cauda das sobrancelhas, ceratocone e catarata associados.

Como se apresenta

O aspecto muda com o tempo. Na fase aguda predomina o edema — às vezes tão grande que fecha o olho — e a pele pode verter líquido. Com a cronicidade, o prurido e a coçadura espessam a pele e acentuam os sulcos naturais.

Fase aguda

  • Edema intenso, pele brilhante
  • Eritema vivo
  • Vesículas e exsudação (raras nas pálpebras)
  • Prurido e ardor fortes

Fase crônica

  • Pele seca, áspera, descamativa
  • Liquenificação e sulcos acentuados
  • Hiperpigmentação
  • Fissuras no canto lateral

Alérgenos e irritantes frequentes

Muitos alérgenos chegam às pálpebras de forma indireta. O exemplo clássico é o esmalte de unha: a pessoa toca os olhos e a dermatite aparece nas pálpebras, não nos dedos.

GrupoExemplosPista na história
Cosméticos e fragrânciasPerfumes, cremes, máscara de cílios, delineador, sombraProduto novo ou troca de marca
ConservantesMetilisotiazolinona, liberadores de formaldeído, parabenosLenços umedecidos, xampus, cosméticos "sem enxágue"
UnhasAcrilatos e resinas de esmalte, unhas em gelManicure recente; poupando as mãos
MetaisNíquel (curvex, pinças), ouroUso de curvex; joias
ColíriosNeomicina, fenilefrina, atropina, brimonidina, cloreto de benzalcônioInício após colírio; olho também irritado
CabeloTinturas (parafenilenodiamina), xampusCouro cabeludo e testa também acometidos
Ar (aerotransportados)Pólen, poeira, sprays, resinasFace toda; piora sazonal ou no trabalho

Pistas de dermatite atópica

Na dermatite atópica, as pálpebras fazem parte de um quadro mais amplo de pele seca e pruriginosa. É importante reconhecer, porque se associa a complicações oculares que exigem acompanhamento oftalmológico.

  • Prega infraorbital dupla (Dennie-Morgan) e escurecimento periorbital.
  • Rarefação da cauda das sobrancelhas (sinal de Hertoghe) por coçar.
  • Ceratoconjuntivite atópica, ceratocone (esfregar os olhos) e catarata subcapsular anterior/posterior.
  • Colonização por S. aureus e risco de herpes simples disseminado (eczema herpeticum).

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O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico, apoiado numa história minuciosa de exposições.
  2. Teste de contato (patch test) para dermatite crônica ou recorrente sem causa óbvia.
  3. Examinar margem, conjuntiva e córnea: blefarite, conjuntivite e ceratocone associados.
  4. Excluir doenças sistêmicas que imitam: dermatomiosite, lúpus, rosácea, angioedema.

Avaliação

  1. História de exposições

    Cosméticos, produtos de cabelo e unhas, colírios, trabalho, hobbies, produtos de quem convive.

  2. História atópica

    Asma, rinite, eczema na infância; familiares.

  3. Exame da pele

    Pálpebras, face, couro cabeludo, pescoço e mãos; padrão de distribuição.

  4. Exame ocular

    Margem (blefarite, seborreia), conjuntiva (papilas, folículos), córnea (ceratite, ceratocone).

  5. Teste de contato

    Bateria padrão + cosméticos + produtos do paciente; leitura em 48 e 72–96 h.

Diagnóstico diferencial

Algumas doenças sistêmicas e infecciosas começam ou se manifestam nas pálpebras e não devem ser tratadas apenas como eczema.

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCrostas e colaretes na margem
Como diferenciarInflamação da margem, não da pele; frequentemente coexiste.
Impetigo palpebral
Achado-chaveCrostas melicéricas
Como diferenciarInfecção bacteriana; crostas cor de mel, criança.
Herpes simples / zóster
Achado-chaveVesículas agrupadas, dor
Como diferenciarVesículas sobre base eritematosa; zóster respeita dermátomo.
Angioedema
Achado-chaveEdema súbito sem descamação
Como diferenciarHoras; pode acometer lábios e via aérea.
Dermatomiosite
Achado-chaveEritema violáceo (heliotropo)
Como diferenciarFraqueza proximal, pápulas de Gottron; CK.
Rosácea periocular
Achado-chavePápulas e pústulas
Como diferenciarFlushing facial; piora com corticoide tópico.

Galeria clínica

Repare na distribuição (uni ou bilateral, só pálpebras ou face toda), na fase (edema × liquenificação) e em sinais associados. Toque para ampliar.

Dermatite de contato alérgica aguda

Edema e eritema bilaterais e simétricos das pálpebras, com pele brilhante, dias após a troca de um cosmético. O olho está calmo: o problema é da pele.

Contato alérgicaAgudaBilateral

Dermatite por colírio

Eritema e descamação da pálpebra inferior e da pele abaixo dela, por onde o colírio escorre, com conjuntiva hiperemiada. Pergunte pelo colírio iniciado nas últimas semanas.

ColírioPálpebra inferior

Dermatite atópica crônica

Pele espessada, sulcos acentuados, hiperpigmentação e prega de Dennie-Morgan. Examine a córnea: atópicos esfregam os olhos e têm mais ceratocone.

AtópicaLiquenificação

Dermatite seborreica

Descamação oleosa e amarelada na margem, nos cílios e nas sobrancelhas. Costuma acompanhar blefarite anterior e caspa.

SeborreicaMargem

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O essencial de tratamento

  1. Identificar e eliminar o alérgeno ou irritante; simplificar a rotina de cuidados.
  2. Emoliente simples (vaselina, cremes sem fragrância) várias vezes ao dia.
  3. Surto: corticoide de baixa potência 1–2x/dia por até 1–2 semanas.
  4. Manutenção e casos recorrentes: tacrolimus ou pimecrolimus tópicos.

Cuidados gerais com a pele

Durante a investigação, a regra é retirar tudo o que não é essencial. Isso reduz a exposição a alérgenos e irritantes e já melhora boa parte dos casos.

  • Suspender maquiagem, cremes, perfumes e lenços umedecidos na região dos olhos.
  • Lavar com água morna e sabonete suave sem fragrância; secar sem esfregar.
  • Emoliente simples (vaselina sólida) após a limpeza.
  • Evitar esmalte e unhas artificiais enquanto se investiga.
  • Compressas frias aliviam prurido e edema.
  • Revisar colírios: trocar por formulações sem conservante quando possível.

Rotas de tratamento

Cada rota é um momento do tratamento. A pele palpebral pede os fármacos mais suaves e pelo menor tempo.

Referências bibliográficas

  1. 1
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    Livro-texto2020
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  8. 8
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Contact Dermatitis of the Eyelid. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Uso de inibidores de calcineurina nas pálpebras pode ser fora da bula em alguns países; a prescrição deve considerar idade e comorbidades.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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