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Atlas de Oftalmologia • Conjuntiva

Linfangiectasia conjuntival

Vasos linfáticos conjuntivais dilatados • conjunctival lymphangiectasia

Dilatação dos vasos linfáticos da conjuntiva bulbar, que aparecem como canais translúcidos, em cadeia de pequenas bolhas ("colar de pérolas"), ou como quemose localizada e persistente. Costuma ser secundária a obstrução ou cicatriz linfática. Na forma hemorrágica, os canais se enchem de sangue.

Tipo
Alteração vascular linfática
Estrutura
Linfáticos da conjuntiva bulbar
Mecanismo
Obstrução ou cicatriz linfática
Pista no exame
Canais claros em colar de pérolas
7–9 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Os linfáticos da conjuntiva normalmente são invisíveis. Quando a drenagem é interrompida, eles se dilatam e aparecem como tubos ou vesículas transparentes logo abaixo do epitélio — compare a foto com o esquema.

Imagem clínica

Figura 1. Linfangiectasia conjuntival: cadeia de vesículas claras, interligadas, na conjuntiva bulbar inferior, sem hiperemia importante.

Roteiro de observação
  1. 1
    ConteúdoLíquido claro (linfa) — ou sangue, na forma hemorrágica.
  2. 2
    FormaCanais em "colar de pérolas", vesículas agrupadas ou quemose localizada que não regride.
  3. 3
    LocalConjuntiva bulbar, mais na metade inferior e temporal; em geral unilateral.
  4. 4
    LuzCom feixe estreito e retroiluminação, os canais aparecem ocos e translúcidos.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Linfáticos conjuntivais dilatados: canais ou vesículas translúcidas, ou quemose localizada persistente.
  2. Geralmente secundária: inflamação crônica, cirurgia, trauma, radioterapia ou conjuntivocalase.
  3. Sintomas: corpo estranho, lacrimejamento, desconforto estético; muitas vezes assintomática.
  4. Tratamento só se houver sintomas: lubrificação e, se necessário, excisão ou cauterização.

O que é linfangiectasia conjuntival

A conjuntiva tem uma rede de linfáticos que drena para os linfonodos pré-auriculares e submandibulares. Se essa drenagem é bloqueada — por cicatriz após inflamação, cirurgia ou trauma, ou por obstrução mais distante —, a linfa se acumula e os canais se dilatam.

Na série de Welch e colaboradores, a apresentação mais comum foi quemose crônica, uni ou bilateral, e a confirmação histológica mostrou canais revestidos por endotélio linfático. A doença é benigna; o problema é o incômodo e a confusão com outras lesões.

Quemose localizada e persistente, sem olho vermelho e sem alergia, pode ser linfangiectasia: procure os canais claros com feixe estreito.

Linfangiectasia ou outra lesão translúcida?

Lesões claras e elevadas da conjuntiva são poucas. A forma (canais × bolsa única × prega) e a evolução fazem o diagnóstico.

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Cisto de inclusão conjuntival
Achado-chaveBolsa única, arredondada
Como diferenciarUma cavidade só, com parede epitelial; frequente após cirurgia ou trauma.
Achado-chavePregas de conjuntiva frouxa
Como diferenciarPregas paralelas à borda palpebral inferior, no idoso; não são canais.
Achado-chaveEdema difuso agudo
Como diferenciarAlergia, inflamação, celulite: aguda e transitória.
Linfangioma
Achado-chaveMalformação linfática congênita
Como diferenciarCriança; pode ter componente orbital e sangrar, aumentando com infecções respiratórias.
Achado-chaveMancha vermelha lisa
Como diferenciarSangue livre no estroma, não dentro de canais; reabsorve.

Formas de linfangiectasia

Observe o conteúdo dos canais (claro ou sangue) e a forma (colar, bolhas, quemose).

Canais em colar de pérolas

Vesículas claras interligadas na conjuntiva bulbar inferior. O desenho segmentado acompanha o trajeto dos linfáticos.

Colar de pérolasTranslúcido

Quemose localizada crônica

Elevação bolhosa e translúcida da conjuntiva temporal que persiste há meses, sem prurido e sem hiperemia. Quando é grande, prolapsa entre as pálpebras e resseca.

QuemoseCrônica

Forma hemorrágica

Canais linfáticos dilatados preenchidos por sangue, com nível e trajeto tubular — diferente da hemorragia subconjuntival lisa. Pode recidivar.

HemorrágicaLeber

Feixe estreito na lâmpada de fenda

Com fenda fina, os canais aparecem ocos, com parede delgada e conteúdo claro, logo abaixo do epitélio.

Lâmpada de fendaCorte óptico

O diagnóstico é clínico. Use feixe estreito e retroiluminação: os canais aparecem ocos e translúcidos. A biópsia confirma em casos atípicos.

Exame passo a passo

  1. História

    Cirurgias oculares ou palpebrais, trauma, radioterapia, inflamação crônica, uso de colírios por longo tempo.

  2. Inspeção

    Local, extensão, uni ou bilateral; se a lesão aparece entre as pálpebras.

  3. Lâmpada de fenda

    Feixe estreito e retroiluminação; procurar sangue nos canais e ceratopatia por exposição.

  4. Fluoresceína

    Avaliar o filme lacrimal e "dellen" corneano ao lado da elevação.

  5. OCT de segmento anterior

    Mostra espaços ópticos vazios subepiteliais, úteis para documentar e diferenciar de cisto único.

Como registrar

Modelo de registro

OE: canais translúcidos em colar de pérolas na conjuntiva bulbar inferotemporal, extensão de ~6 mm, conteúdo claro, sem hiperemia e sem secreção. Córnea sem dellen. Fluoresceína: TRF reduzido. Hipótese: linfangiectasia conjuntival.

Modelo didático; foto ajuda a acompanhar a evolução.

Causas e associações

A maioria é idiopática ou secundária a fatores locais. Formas congênitas e sistêmicas são raras.

Cirurgia e trauma

Cirurgia de estrabismo, pterígio, glaucoma, pálpebra; cicatriz interrompe os linfáticos.

Inflamação crônica

Conjuntivites e doenças cicatriciais da superfície.

Radioterapia

Fibrose dos linfáticos após irradiação da região.

Conjuntivocalase e idade

Conjuntiva frouxa e linfáticos dilatados costumam coexistir no idoso.

Congênitas

Linfedema hereditário (Milroy), síndrome de Turner.

Forma hemorrágica (Leber)

Comunicação anômala entre linfáticos e vasos sanguíneos; canais enchem-se de sangue.

Assintomática, só observar. Com sintomas, começa-se por lubrificação; procedimentos ficam para casos persistentes.

Opções conforme o incômodo

CenárioConduta
Achado assintomáticoObservar; documentar com foto.
Corpo estranho, ressecamentoLubrificantes (lágrima artificial, gel noturno).
Persistente e sintomáticaProcedimento pelo oftalmologista: drenagem, cauterização térmica, fotocoagulação ou excisão da conjuntiva acometida, às vezes com membrana amniótica.
Dúvida diagnósticaExcisão com histopatologia.

Recidiva é possível após drenagem simples; excisão mais ampla reduz o risco.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Artigo2012
    Welch J, Srinivasan S, Lyall D, Roberts F. Conjunctival lymphangiectasia: a report of 11 cases and review of literature. Surv Ophthalmol. 2012;57(2):136–148.
  2. 2
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Conjunctival Lymphangiectasia. Acesso em 2026.
  3. 3
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. BCSC Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  4. 4
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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