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Atlas de Oftalmologia • Íris

Nevo de íris

Iris nevus • proliferação melanocítica benigna do estroma

Acúmulo benigno de melanócitos no estroma da íris: mancha pigmentada (ou amelanótica), plana ou pouco elevada, que distorce a arquitetura da íris. É comum e quase sempre estável, mas uma pequena parte cresce e se transforma em melanoma. Por isso o nevo se documenta com foto e se acompanha — e o guia ABCDEF diz quem precisa de mais atenção.

Tipo
Tumor melanocítico benigno
Estrutura
Estroma da íris
Localização típica
Metade inferior da íris
Pista no exame
Foto seriada: cresceu?
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Compare a foto com o esquema. A sarda fica em cima da superfície; o nevo está dentro do estroma — por isso apaga as criptas, pode elevar a superfície e às vezes repuxa a pupila.

Imagem clínica

Figura 1. Nevo de íris: mancha castanha de limites definidos que substitui o desenho normal do estroma. Meça, desenhe a posição em horas de relógio e fotografe.

Roteiro de observação
  1. 1
    Tamanho e posiçãoDiâmetro (em mm ou horas de relógio) e localização; a maioria fica na metade inferior.
  2. 2
    SuperfíciePlana ou pouco elevada; criptas apagadas sobre a lesão.
  3. 3
    MargensNítidas no nevo típico; margens plumosas (feathery) são sinal de alerta.
  4. 4
    Efeito localEctrópio uveal, pupila repuxada (corectopia), vasos intrínsecos, sangue na câmara anterior.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Nevo de íris = proliferação benigna de melanócitos no estroma; lesão pigmentada mais comum que exige seguimento.
  2. A maioria é pequena, plana, inferior e estável por toda a vida.
  3. Fatores de risco de crescimento: guia ABCDEF (idade ≤ 40, sangue, posição inferior, padrão difuso, ectrópio, margem plumosa).
  4. Conduta-padrão: fotografia de base e reavaliação periódica; crescimento documentado → oncologia ocular.

O que é o nevo de íris

Os nevos de íris são proliferações benignas de melanócitos do estroma. Podem ser circunscritos (uma mancha bem delimitada, a forma habitual) ou difusos (ocupando um setor ou toda a íris, com escurecimento e heterocromia). A cor varia de castanho-claro a quase preto; alguns são amelanóticos.

A maioria é descoberta por acaso ou pelo próprio paciente. São mais frequentes em íris claras, onde aparecem mais, e quase sempre unilaterais e únicos. O nevo de íris se associa a risco um pouco maior de melanoma de úvea em geral, o que reforça a importância do exame completo.

O que separa nevo de melanoma não é uma foto, é o comportamento no tempo. Por isso, a primeira consulta termina sempre com uma fotografia de referência.

Guia ABCDEF: fatores de crescimento

Numa grande série de nevos de íris acompanhados no Wills Eye Hospital, a transformação em melanoma foi rara, e seis características se associaram ao crescimento. O padrão difuso e o hifema foram os fatores mais fortes.

A — Age (idade)

Paciente jovem, até 40 anos.

B — Blood (sangue)

Hifema ou sangramento espontâneo.

C — Clock hour

Localização inferior (entre 4h e 8h).

D — Diffuse

Padrão difuso, não circunscrito.

E — Ectropion

Ectrópio uveal (epitélio posterior evertido na margem pupilar).

F — Feathery margins

Margens plumosas, mal definidas.

Quatro apresentações do nevo de íris

Em cada lesão, avalie tamanho, posição, margens, superfície e efeito na pupila. As legendas mostram o que deixa um nevo tranquilo e o que pede mais atenção.

Nevo circunscrito típico

Mancha castanha de ~2 mm, plana, de limites nítidos, na íris inferior, apagando o desenho das criptas. Pupila redonda. É o nevo de baixo risco: fotografia de base e reavaliação periódica.

CircunscritoPlanoBaixo risco

Nevo com ectrópio uveal

Lesão pigmentada perto da pupila com borda pupilar evertida (ectrópio uveal) e leve repuxamento da pupila. O ectrópio é um dos fatores ABCDEF: documentar com mais rigor e encurtar o intervalo de seguimento.

EctrópioCorectopiaABCDEF

Nevo difuso

Escurecimento de um setor amplo da íris, sem lesão nodular, criando heterocromia. O padrão difuso é o fator de crescimento mais forte; diferenciar de melanoma difuso (glaucoma, crescimento).

DifusoHeterocromiaMaior risco

Comparação com sardas

Vários pontos escuros pequenos, na superfície, espalhados pela íris, sem alterar o estroma: são sardas, não nevos. A lesão maior e plana que apaga as criptas é o nevo.

Sardas × nevoSuperfícieEstroma

O exame do nevo é comparativo: o que importa é se ele mudou desde a última consulta. Use sempre a mesma técnica de foto.

Exame passo a passo

  1. Biomicroscopia antes de dilatar

    Tamanho, posição em horas, cor, margens, elevação, vasos, ectrópio uveal e forma da pupila (a midríase distorce a lesão).

  2. Gonioscopia

    Extensão ao ângulo, pigmento ou sementes no trabeculado.

  3. Pressão intraocular

    PIO elevada no olho da lesão é sinal de alerta (infiltração do ângulo).

  4. Fotografia de base

    Foto em lâmpada de fenda com a mesma ampliação e iluminação; repetir em cada revisão.

  5. Imagem complementar

    Ultrassom biomicroscópico ou OCT de segmento anterior medem a espessura e mostram extensão ao corpo ciliar.

  6. Fundo de olho

    Procurar nevo de coroide e outros sinais de melanocitose.

Como registrar

Modelo de registro

OD: lesão pigmentada castanha, circunscrita, plana, 2,0 × 1,5 mm, às 6h, a 1 mm da margem pupilar; margens nítidas; sem vasos intrínsecos, sem ectrópio uveal, pupila redonda. Gonioscopia: ângulo aberto, sem pigmento anormal. PIO 14 mmHg. Fotografia de base realizada. ABCDEF: localização inferior (C).

Modelo didático. Registrar os fatores ABCDEF presentes ajuda a definir o intervalo de seguimento.

Lesões que lembram nevo

As lesões melanocíticas formam a maioria das lesões de íris. A diferenciação usa profundidade (superfície × estroma), tamanho, número, lateralidade e comportamento no tempo.

LesãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chavePontos < 1 mm na superfície, múltiplos
Como diferenciarBilaterais, não alteram o estroma; ligadas à exposição solar.
Nódulos de Lisch
Achado-chaveNódulos castanhos, ~1 mm, bilaterais
Como diferenciarMúltiplos, elevados, em domo; neurofibromatose tipo 1.
Achado-chaveLesão maior, elevada, vascularizada
Como diferenciarCrescimento documentado, hifema, PIO alta, sementes, catarata setorial.
Melanocitoma
Achado-chaveCastanho muito escuro, superfície granular
Como diferenciarPode liberar pigmento e causar glaucoma; raramente se transforma.
Achado-chaveElevação que empurra a íris
Como diferenciarUltrassom biomicroscópico mostra conteúdo cístico.
Heterocromia setorial
Achado-chaveSetor de cor diferente
Como diferenciarPlano, segue a arquitetura do estroma, sem massa.

O nevo de íris não se trata: acompanha-se. O intervalo depende dos fatores de risco.

Seguimento

CenárioConduta
Nevo pequeno, circunscrito, sem fatores ABCDEF relevantesFotografia de base; reavaliação em cerca de 6 meses e depois anual.
Nevo com fatores de risco (difuso, ectrópio, margens plumosas, jovem)Fotografia e ultrassom biomicroscópico; seguimento mais próximo, de preferência com oncologia ocular.
Crescimento documentado, hifema, PIO elevada ou sementesEncaminhar a oncologia ocular: suspeita de melanoma.

Intervalos são de referência; definir caso a caso.

Explique ao paciente que o nevo é benigno, mas que mudanças de cor, de forma da pupila ou baixa visual devem antecipar a consulta.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Artigo2013
    Shields CL, Kaliki S, Hutchinson A, et al. Iris nevus growth into melanoma: analysis of 1611 consecutive eyes: the ABCDEF guide. Ophthalmology. 2013;120(4):766–772.
  2. 2
    Artigo2020
    Weiner G. Differentiating iris pigmented lesions (entrevistas com Fuller TS, Shields CL, Skalet AH). EyeNet Magazine. American Academy of Ophthalmology; 2020.
  3. 3
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 4: Ophthalmic Pathology and Intraocular Tumors. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  4. 4
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  5. 5
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Iris Nevus. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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