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Xantelasma

Xantelasma palpebral • xanthelasma palpebrarum

Placas amareladas, planas e macias na pele das pálpebras, quase sempre junto ao canto medial, formadas por macrófagos carregados de lipídeos. Benigno, mas é um marcador clínico: cerca de metade dos pacientes tem dislipidemia, e o achado se associa a maior risco cardiovascular mesmo com colesterol normal.

Pele palpebral (canto medial)Depósito de lipídeosMarcador de risco cardiovascularExcisão, ATA ou laser
12–15 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Xantelasma: placas amareladas e simétricas junto ao canto medial das pálpebras superiores. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Placas amarelo-alaranjadas, planas ou levemente elevadas
  2. 2
    Localização junto ao canto medial (superior mais que inferior)
  3. 3
    Bilaterais e simétricas na maioria dos casos
  4. 4
    Consistência macia, superfície lisa, sem ulceração
  5. 5
    Crescimento lento, por meses a anos
  6. 6
    Pode coexistir com arco corneano em pessoas jovens

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. É o xantoma mais comum: macrófagos espumosos com lipídeos na derme superficial da pálpebra.
  2. Placas amarelas, macias, simétricas, a partir do canto medial da pálpebra superior.
  3. Cerca de 50% têm dislipidemia; mesmo os normolipidêmicos têm risco cardiovascular maior.
  4. Tratamento local é estético; investigação dos lipídeos é obrigatória.

O que é xantelasma

Xantelasma é um tipo de xantoma plano restrito às pálpebras. Histologicamente, a derme contém agregados de macrófagos espumosos (células xantomatosas) carregados de colesterol esterificado, em geral ao redor de vasos e anexos.

O mecanismo mais aceito é o extravasamento de lipoproteínas (sobretudo LDL) pelos capilares da pele palpebral, sua oxidação e captação por macrófagos — o mesmo processo que forma a placa de ateroma. Por isso o achado é visto como "janela" para a aterosclerose.

Xantelasma é uma lesão benigna, mas um marcador: peça perfil lipídico e avalie o risco cardiovascular de todo paciente.

Epidemiologia e associações

É mais comum em mulheres e aparece em geral entre os 30 e os 60 anos. Na coorte de Copenhague (12.745 adultos acompanhados por cerca de 22 anos), a prevalência foi de cerca de 4%, e o xantelasma associou-se a maior risco de infarto, doença isquêmica e morte, independentemente dos lipídeos.

Dislipidemia primária

Hipercolesterolemia familiar, disbetalipoproteinemia, hiperlipidemia combinada.

Risco cardiovascular

Associação independente com infarto e doença isquêmica.

Causas secundárias

Hipotireoidismo, diabetes, síndrome nefrótica, colestase (colangite biliar primária).

Medicamentos

Corticoides, estrogênios, retinoides, alguns antirretrovirais e imunossupressores elevam lipídeos.

Normolipidêmicos

Cerca de metade dos casos; ainda assim com risco aumentado.

Jovens

Xantelasma antes dos 40 anos aumenta a chance de causa genética.

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O essencial de quadro clínico

  1. Assintomático; queixa estética.
  2. Começa na pálpebra superior medial e pode se estender às quatro pálpebras.
  3. Classificação em 4 graus (Lee/Rohrich) guia o tratamento.
  4. Endurecimento, ulceração ou atrofia sugerem outro diagnóstico.

Apresentação

O paciente procura atendimento pela aparência. As placas são macias, bem delimitadas, de cor amarelo-palha a alaranjada, e não mudam com a posição. Podem ser únicas ou múltiplas e tendem a confluir com o tempo.

Cor

Amarela a alaranjada, uniforme.

Consistência

Macia ou semissólida; não endurecida.

Local

Canto medial; superior antes da inferior.

Classificação clínica

A classificação por extensão (Lee et al., 2013; usada por Rohrich e outros) ajuda a escolher a técnica e a prever recidiva.

GrauExtensãoImplicação
ISó pálpebra superiorAblação ou excisão simples
IIEstende-se ao canto medialExcisão com cuidado no canto
IIIPorção medial das pálpebras superior e inferiorPode exigir retalho ou enxerto
IVDifuso, medial e lateral, superior e inferiorMais recidiva; abordagem combinada

Quando não é "só xantelasma"

Algumas doenças histiocíticas começam com placas amareladas periorbitárias. A diferença está no endurecimento, no envolvimento orbitário e nos achados sistêmicos.

  • Placas endurecidas, que ulceram ou deixam atrofia: xantogranuloma necrobiótico — pedir eletroforese de proteínas (paraproteína, mieloma).
  • Placas com proptose e massa orbitária: doença xantogranulomatosa orbitária do adulto; Erdheim-Chester.
  • Xantomas em tendões e cotovelos: dislipidemia familiar grave.

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O essencial de diagnóstico

  1. O diagnóstico da lesão é clínico; biópsia só se atípica.
  2. Perfil lipídico em todos; causas secundárias conforme a clínica.
  3. Estratificar o risco cardiovascular global.
  4. Considerar hipercolesterolemia familiar em jovens com LDL muito alto.

Investigação laboratorial

O objetivo é encontrar dislipidemia tratável e causas secundárias. A investigação é feita junto com o clínico ou o cardiologista.

ExamePor quê
Perfil lipídico (CT, LDL, HDL, TG)Dislipidemia em cerca de metade dos casos
Glicemia / HbA1cDiabetes
TSHHipotireoidismo eleva LDL
Função hepática (com fosfatase alcalina)Colestase, colangite biliar primária
Creatinina e proteinúriaSíndrome nefrótica
Eletroforese de proteínasSó se placas atípicas (xantogranuloma necrobiótico)

Histologia

Raramente necessária para o diagnóstico, mas toda peça excisada deve ser examinada. O achado típico são células xantomatosas (macrófagos com citoplasma espumoso) na derme superficial, perivasculares; ausência de necrobiose e de células gigantes de Touton numerosas.

Histologia

Células espumosas na derme

Macrófagos com citoplasma claro e vacuolado (lipídeos), agrupados ao redor de vasos da derme superficial.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Xantogranuloma necrobiótico
Achado-chavePlacas endurecidas, ulceradas, atrofia
Como diferenciarParaproteinemia; biópsia com necrobiose e células de Touton.
Hiperplasia sebácea
Achado-chavePápulas amareladas com umbilicação central
Como diferenciarPápulas, não placas; testa e bochechas.
Siringomas
Achado-chavePápulas pequenas cor da pele/amareladas
Como diferenciarMúltiplas, firmes, mais na pálpebra inferior; tumor écrino.
Milium
Achado-chavePápulas brancas de 1–2 mm
Como diferenciarCistos de queratina, duros; não formam placa.
Achado-chaveNódulo amarelado na base do cílio
Como diferenciarMargem palpebral, não pele do canto medial.
Amiloidose palpebral
Achado-chavePápulas céreas, às vezes hemorrágicas
Como diferenciarPúrpura ao atrito; biópsia com vermelho Congo.

Galeria

Observe a localização, a simetria, a cor e a extensão das placas; ela define o grau e a técnica de tratamento.

Xantelasma bilateral típico

Placas amarelas, planas e simétricas na pálpebra superior junto ao canto medial dos dois olhos. Grau I–II.

BilateralCanto medialGrau I–II

Quatro pálpebras

Placas confluentes nas pálpebras superiores e inferiores, medial e lateralmente. Grau IV: maior risco de recidiva e de ectrópio após excisão extensa.

Grau IVRecidiva

Xantelasma e arco corneano

Placa no canto medial e anel branco-acinzentado na periferia da córnea em adulto jovem: sugere dislipidemia (pensar em hipercolesterolemia familiar).

Arco corneanoDislipidemia

Após tratamento

Resultado após ablação: área clara residual (hipopigmentação) no local da placa. Discuta cicatriz, discromia e recidiva antes de tratar.

Pós-tratamentoDiscromia

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O essencial de tratamento

  1. Duas frentes: risco cardiovascular (clínico) e estética (oculoplástica/dermatologia).
  2. Excisão cirúrgica para placas maiores; ATA e laser para placas pequenas e planas.
  3. Estatinas tratam a dislipidemia; a regressão da placa é inconsistente.
  4. Recidiva é comum; não retirar pele demais na pálpebra inferior (ectrópio).

Tratar o paciente: lipídeos e risco cardiovascular

Dieta, atividade física, cessar tabagismo e tratar causas secundárias. A decisão de usar estatina segue as diretrizes de dislipidemia e o risco global, não a presença da placa em si. Há relatos de regressão de xantelasma com hipolipemiantes, mas a resposta é imprevisível.

Encaminhe ao clínico/cardiologista quando houver dislipidemia, LDL muito alto (suspeita de hipercolesterolemia familiar) ou fatores de risco múltiplos.

Tratar a lesão: opções locais

A escolha depende do tamanho, da profundidade, do número de pálpebras envolvidas, do fototipo e da experiência do profissional. Todas as técnicas podem deixar cicatriz, discromia e recidiva.

TécnicaMelhor paraCuidados
Excisão cirúrgicaPlacas maiores e profundas; permite histologiaPálpebra inferior: risco de ectrópio e retração; pode exigir retalho ou enxerto de pele
Ácido tricloroacético (ATA) tópicoPlacas pequenas e planasAplicação cuidadosa, em sessões; risco de cicatriz e discromia; proteger o olho
Laser ablativo (CO2, érbio:YAG)Placas planas, múltiplasHipopigmentação e cicatriz; menos sangramento
Nd:YAG Q-switched / argônioPlacas superficiaisVárias sessões; melhor em lesões finas
Radiofrequência / eletrocoagulaçãoLesões pequenasControle de profundidade; cicatriz
CrioterapiaLesões finasEdema e hipopigmentação; pouco usada

Toda peça excisada deve ser enviada para exame anatomopatológico.

Seguimento

  • Reavaliar o perfil lipídico conforme o tratamento clínico.
  • Fotoproteção da área tratada para reduzir discromia.
  • Orientar sobre a chance de recidiva e de novas placas.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Artigo2011
    Christoffersen M, Frikke-Schmidt R, Schnohr P, Jensen GB, Nordestgaard BG, Tybjærg-Hansen A. Xanthelasmata, arcus corneae, and ischaemic vascular disease and death in general population: prospective cohort study. BMJ. 2011;343:d5497.
  2. 2
    Artigo1976
    Mendelson BC, Masson JK. Xanthelasma: follow-up on results after surgical excision. Plast Reconstr Surg. 1976;58(5):535–538.
  3. 3
    Artigo2013
    Lee HY, Jin US, Minn KW, Park YO. Outcomes of surgical management of xanthelasma palpebrarum. Arch Plast Surg. 2013;40(4):380–386.
  4. 4
    Revisão online2024
    StatPearls. Xanthelasma Palpebrarum. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.
  5. 5
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 7: Oculofacial Plastic and Orbital Surgery. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  6. 6
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  7. 7
    Livro-texto2023
    Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier; 2023.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. O tratamento da dislipidemia segue as diretrizes cardiológicas vigentes e deve ser conduzido pelo clínico ou cardiologista.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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