Astrenmed

Bulário clínico · Anti-hipertensivo

Cloridrato de Clonidina

Agonista alfa-2-adrenérgico de ação central que reduz o tônus simpático. Por via oral, é usado na hipertensão arterial resistente e na urgência hipertensiva; a solução injetável é usada em anestesia como medicação pré-anestésica e como adjuvante analgésico epidural e intratecal.

Via oral · 2x/diaEV · IM · epidural · intratecalAgonista alfa-2 centralNão suspender abruptamenteReceita simples

Revisado em pela equipe Astrenmed

Retirada gradual para evitar crise hipertensiva de rebote

A suspensão abrupta após uso prolongado pode causar agitação, cefaleia, tremor, taquicardia e elevação rápida e grave da pressão arterial. Reduzir a dose gradualmente em 2 a 4 dias ou mais; em uso conjunto com betabloqueador, suspender o betabloqueador alguns dias antes da clonidina.

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Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a clonidina?

É um derivado imidazolínico que estimula receptores alfa-2-adrenérgicos e imidazolínicos I1 no tronco cerebral, reduzindo o efluxo simpático para coração, vasos e rins. O resultado é queda da resistência vascular periférica, da frequência cardíaca e da pressão arterial. Por via oral, tem início de ação em 30 a 60 minutos, o que permite uso na urgência hipertensiva, e é reservada como agente adicional na hipertensão resistente. A solução injetável é usada em anestesia por suas propriedades sedativas, simpatolíticas e analgésicas, inclusive por via epidural e intratecal.

ViaOral · EV · IM · neuroeixo
Faixa etáriaAdulto · cautela no idoso
UsoAmbulatorial · injetável hospitalar
ReceitaReceita simples · sem retenção

Composição e papel de cada componente1 ativos

Cloridrato de clonidina

Reduz o tônus simpático central e periférico; no neuroeixo, inibe a transmissão nociceptiva no corno dorsal da medula e prolonga o bloqueio de anestésicos locais.

Agonista alfa-2-adrenérgico central

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Hipertensão arterial, em geral como agente adicional na hipertensão resistente.
  • Urgência hipertensiva, por via oral, com redução gradual da pressão arterial.
  • Medicação pré-anestésica e adjuvante da anestesia geral, por via EV ou IM.
  • Adjuvante de anestésicos locais em anestesia peridural e raquidiana.
  • Analgesia pós-operatória por via epidural ou intratecal.
Não indicado
  • Tratamento inicial da hipertensão não complicada, em que diuréticos tiazídicos, IECA, BRA e bloqueadores de canal de cálcio são preferidos.
  • Pacientes com baixa adesão ao tratamento, pelo risco de rebote com doses omitidas.
  • Emergência hipertensiva com lesão aguda de órgão-alvo, que exige anti-hipertensivo parenteral titulável.
  • Analgesia de parto e de pós-parto por via neuroaxial.
  • Pacientes com bradiarritmia, doença do nó sinusal ou BAV avançado sem marca-passo.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis4 apresentações

Oral

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Cloridrato de clonidina 0,100 mgComprimido0,100 mg (equivalente a 0,087 mg de clonidina)Embalagens com 30 comprimidos sulcados, entre outras conforme o fabricante.
Atensina
Cloridrato de clonidina 0,150 mgComprimido0,150 mg (equivalente a 0,130 mg de clonidina)Embalagens com 30 comprimidos sulcados, entre outras conforme o fabricante.
Atensina
Cloridrato de clonidina 0,200 mgDisponibilidade variávelComprimido0,200 mg (equivalente a 0,173 mg de clonidina)Embalagens com 30 comprimidos sulcados, entre outras conforme o fabricante. Conferir disponibilidade no mercado antes de prescrever.
Atensina
Cloridrato de clonidina 0,100 mgComprimido
Concentração / composição
0,100 mg (equivalente a 0,087 mg de clonidina)
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos sulcados, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
Atensina
Cloridrato de clonidina 0,150 mgComprimido
Concentração / composição
0,150 mg (equivalente a 0,130 mg de clonidina)
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos sulcados, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
Atensina
Cloridrato de clonidina 0,200 mgComprimido
Disponibilidade variável
Concentração / composição
0,200 mg (equivalente a 0,173 mg de clonidina)
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos sulcados, entre outras conforme o fabricante. Conferir disponibilidade no mercado antes de prescrever.
Nomes comerciais
Atensina

Injetável

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Cloridrato de clonidina 150 mcg/mLUso restrito a hospitaisSolução injetávelCloridrato de clonidina 150 mcg/mLVolume da ampola 1 mL (150 mcg)Caixas com ampolas de 1 mL, conforme o fabricante. Solução sem conservantes, para uso EV, IM, epidural e intratecal.
ClonidinClize
Cloridrato de clonidina 150 mcg/mLSolução injetável
Uso restrito a hospitais
Concentração / composição
Cloridrato de clonidina 150 mcg/mLVolume da ampola 1 mL (150 mcg)
EmbalagemCaixas com ampolas de 1 mL, conforme o fabricante. Solução sem conservantes, para uso EV, IM, epidural e intratecal.
Nomes comerciais
ClonidinClize
Atenção

Comprimidos com lactose

Os comprimidos contêm lactose e não devem ser usados em pacientes com intolerância hereditária à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou má absorção de glicose-galactose.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Hipertensão0,1–0,2 mg 2x/dia

Início 0,075–0,100 mg 2x/dia

Hipertensão graveAté 0,3 mg 3x/dia

Titular a cada 2–4 semanas

Pré-anestésico150 mcg EV ou IM

EV lenta em 7–10 min

SuspensãoRetirada gradual

Reduzir em 2–4 dias ou mais

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via oral5 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Hipertensão — dose inicial0,075 a 0,100 mg2x/dia (manhã e noite)2 a 4 semanas antes de reavaliarMeio comprimido de 0,150 mg corresponde a 0,075 mg. Em idosos e na DRC, preferir o limite inferior.
Dose usual0,100 mg2x/dia (manhã e noite)Uso contínuoFaixa usual de manutenção de 0,075 a 0,2 mg 2x/dia. Aumentos de dose preferencialmente no horário noturno.
0,150 mg2x/dia (manhã e noite)Uso contínuoEtapa seguinte da titulação quando 0,100 mg 2x/dia não controla a pressão. Manter frequência cardíaca acima de 56 bpm.
Hipertensão graveAté 0,3 mg3x/diaUso contínuoDose máxima de 0,9 mg/dia. Doses altas aumentam sedação, boca seca e risco de rebote; preferir associar outras classes.
Urgência hipertensiva0,100 a 0,200 mgDose única; repetir 0,100 mg a cada 1 hora se necessárioAté controle pressóricoDose total de até 0,6 mg. Reduzir a pressão de forma gradual nas primeiras 24 a 48 horas e programar o esquema de manutenção.
Hipertensão — dose inicial
0,075 a 0,100 mg2x/dia (manhã e noite)
Detalhes
Duração2 a 4 semanas antes de reavaliar
Observações

Meio comprimido de 0,150 mg corresponde a 0,075 mg. Em idosos e na DRC, preferir o limite inferior.

Dose usual
0,100 mg2x/dia (manhã e noite)
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Faixa usual de manutenção de 0,075 a 0,2 mg 2x/dia. Aumentos de dose preferencialmente no horário noturno.

0,150 mg2x/dia (manhã e noite)
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Etapa seguinte da titulação quando 0,100 mg 2x/dia não controla a pressão. Manter frequência cardíaca acima de 56 bpm.

Hipertensão grave
Até 0,3 mg3x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Dose máxima de 0,9 mg/dia. Doses altas aumentam sedação, boca seca e risco de rebote; preferir associar outras classes.

Urgência hipertensiva
0,100 a 0,200 mgDose única; repetir 0,100 mg a cada 1 hora se necessário
Detalhes
DuraçãoAté controle pressórico
Observações

Dose total de até 0,6 mg. Reduzir a pressão de forma gradual nas primeiras 24 a 48 horas e programar o esquema de manutenção.

Via endovenosa ou intramuscular1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Medicação pré-anestésica150 mcg (1 ampola)Dose únicaPerioperatórioEV lenta em 7 a 10 minutos, após diluição, ou IM profunda. Em cirurgias longas, pode ser necessária dose complementar.
Medicação pré-anestésica
150 mcg (1 ampola)Dose única
Detalhes
DuraçãoPerioperatório
Observações

EV lenta em 7 a 10 minutos, após diluição, ou IM profunda. Em cirurgias longas, pode ser necessária dose complementar.

Via endovenosa1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Adjuvante de anestésicos locais150 mcgDose únicaPerioperatórioAssociada a lidocaína, bupivacaína ou mepivacaína, prolonga a duração do bloqueio e a analgesia.
Adjuvante de anestésicos locais
150 mcgDose única
Detalhes
DuraçãoPerioperatório
Observações

Associada a lidocaína, bupivacaína ou mepivacaína, prolonga a duração do bloqueio e a analgesia.

Via epidural2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Analgesia pós-operatória — injeção epidural2 a 4 mcg/kgDose únicaAnalgesia de 4 a 6 horasDiluir em SF 0,9%. Não aplicar acima do nível C4. Monitorar pressão arterial e frequência cardíaca.
Analgesia pós-operatória — infusão epidural contínua30 mcg/hInfusão contínuaPós-operatório imediatoInspecionar o cateter e o funcionamento da bomba. Sinais vitais frequentes nos primeiros dias.
Analgesia pós-operatória — injeção epidural
2 a 4 mcg/kgDose única
Detalhes
DuraçãoAnalgesia de 4 a 6 horas
Observações

Diluir em SF 0,9%. Não aplicar acima do nível C4. Monitorar pressão arterial e frequência cardíaca.

Analgesia pós-operatória — infusão epidural contínua
30 mcg/hInfusão contínua
Detalhes
DuraçãoPós-operatório imediato
Observações

Inspecionar o cateter e o funcionamento da bomba. Sinais vitais frequentes nos primeiros dias.

Via intratecal1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Analgesia pós-operatória — injeção intratecal0,5 a 1 mcg/kgDose únicaAnalgesia de 4 a 6 horasUsar solução sem conservantes e técnica asséptica rigorosa; risco de bradicardia, hipotensão e sedação.
Analgesia pós-operatória — injeção intratecal
0,5 a 1 mcg/kgDose única
Detalhes
DuraçãoAnalgesia de 4 a 6 horas
Observações

Usar solução sem conservantes e técnica asséptica rigorosa; risco de bradicardia, hipotensão e sedação.

Pediatria

Via oral ou parenteral1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Uso pediátricoNão recomendado——Segurança e eficácia não estabelecidas em crianças para as apresentações comercializadas no Brasil. Uso apenas sob orientação especializada.
Uso pediátrico
Não recomendado—
Detalhes
Duração—
Observações

Segurança e eficácia não estabelecidas em crianças para as apresentações comercializadas no Brasil. Uso apenas sob orientação especializada.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria C

Somente se o benefício justificar o risco

Atravessa a placenta e pode reduzir a frequência cardíaca fetal. Não é anti-hipertensivo de escolha na gestação; preferir metildopa, nifedipino de ação prolongada ou hidralazina. Não recomendada para analgesia de parto e pós-parto.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Evitar; injetável contraindicado

Excretada no leite em concentrações próximas ou superiores às plasmáticas, com risco de sedação e hipotensão no lactente; pode reduzir a produção de leite por diminuir a prolactina. A solução injetável é contraindicada durante a amamentação.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Insuficiência renalTitular com cautelaIniciar com a menor dose2x/diaTitular com cautela. A eliminação é predominantemente renal e a meia-vida se prolonga na DRC. Titular lentamente conforme pressão e frequência cardíaca. É pouco removida por hemodiálise, sem necessidade de dose suplementar.
Insuficiência hepáticaSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Metabolismo hepático parcial. Usar a menor dose eficaz e observar sedação.
Insuficiência renalTitular com cautela
Iniciar com a menor dose
Frequência2x/dia
Observações

Titular com cautela. A eliminação é predominantemente renal e a meia-vida se prolonga na DRC. Titular lentamente conforme pressão e frequência cardíaca. É pouco removida por hemodiálise, sem necessidade de dose suplementar.

Insuficiência hepáticaSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Metabolismo hepático parcial. Usar a menor dose eficaz e observar sedação.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
IdosoDose inicial menor0,075 a 0,100 mg2x/diaDose inicial menor. Medicamento potencialmente inadequado para idosos como anti-hipertensivo de rotina, pelo risco de sedação, confusão, bradicardia e hipotensão ortostática.
Uso com betabloqueadorCautelaSem alteração da doseConforme indicaçãoCautela. Risco aditivo de bradicardia e BAV. Na retirada, suspender o betabloqueador alguns dias antes e só então reduzir a clonidina gradualmente.
IdosoDose inicial menor
0,075 a 0,100 mg
Frequência2x/dia
Observações

Dose inicial menor. Medicamento potencialmente inadequado para idosos como anti-hipertensivo de rotina, pelo risco de sedação, confusão, bradicardia e hipotensão ortostática.

Uso com betabloqueadorCautela
Sem alteração da dose
FrequênciaConforme indicação
Observações

Cautela. Risco aditivo de bradicardia e BAV. Na retirada, suspender o betabloqueador alguns dias antes e só então reduzir a clonidina gradualmente.

Modelos de prescrição2 modelos

Dose usual — 0,100 mg 2x/diaUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — 0,150 mg 2x/diaUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSF 0,9% (solução injetável)ReconstituiçãoNão requer
Via principalVia oral

Comprimidos sulcados, tomados de 12 em 12 horas, com ou sem alimentos. A solução injetável é de uso hospitalar, por via EV, IM, epidural ou intratecal.

Técnica de aplicação6 passos

1
Horários fixos

Tomar pela manhã e à noite; quando as doses forem desiguais, deixar a maior para a noite para reduzir a sedação diurna.

2
Não omitir doses

Doses esquecidas, especialmente em esquemas altos, podem desencadear rebote em poucas horas. Garantir medicação suficiente em viagens e internações.

3
Verifique o pulso

Antes de aumentar a dose, verificar frequência cardíaca e pressão em pé; manter frequência acima de 56 bpm.

4
Dilua o injetável

Por via EV, diluir 1 ampola em SF 0,9% até 10 mL e administrar lentamente em 7 a 10 minutos. Por via IM, aplicar sem diluir em músculo profundo.

5
Neuroeixo com assepsia rigorosa

Por via epidural e intratecal, usar solução sem conservantes, diluir em SF 0,9% até no máximo 100 mcg/mL e não aplicar acima do nível C4.

6
Retirada gradual

Para suspender, reduzir a dose em 2 a 4 dias ou mais, com monitorização da pressão arterial.

Diluições e preparo3 preparos

EV lenta — pré-anestésico

Medicação pré-anestésica ou adjuvante da anestesia

15 mcg/mL

1 ampola (150 mcg/1 mL) + SF 0,9% até 10 mL

  1. Aspirar 1 mL da ampola de 150 mcg/mL.
  2. Completar com SF 0,9% até 10 mL em seringa.
  3. Identificar a seringa com dose e concentração.
Volume final10 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo7 a 10 minutos
EstabilidadeUso imediato após o preparo

Injeção rápida pode causar elevação transitória da pressão por estímulo de receptores alfa periféricos antes da queda pressórica.

EV lenta — pré-anestésicoMedicação pré-anestésica ou adjuvante da anestesia15 mcg/mL

1 ampola (150 mcg/1 mL) + SF 0,9% até 10 mL

  1. Aspirar 1 mL da ampola de 150 mcg/mL.
  2. Completar com SF 0,9% até 10 mL em seringa.
  3. Identificar a seringa com dose e concentração.
Volume final10 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo7 a 10 minutos
EstabilidadeUso imediato após o preparo

Injeção rápida pode causar elevação transitória da pressão por estímulo de receptores alfa periféricos antes da queda pressórica.

Infusão EV por gotejamento

Administração EV em volume maior durante o procedimento

0,3 a 15 mcg/mL, conforme o volume

1 ampola (150 mcg) em 10 a 500 mL de SF 0,9%

  1. Adicionar 1 ampola ao frasco ou bolsa de SF 0,9%.
  2. Homogeneizar e identificar a solução.
  3. Infundir conforme a resposta hemodinâmica.
Volume final10 a 500 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modoConforme protocolo anestésico
EstabilidadeUso imediato após o preparo

Monitorar pressão arterial, frequência cardíaca e nível de sedação.

Infusão EV por gotejamentoAdministração EV em volume maior durante o procedimento0,3 a 15 mcg/mL, conforme o volume

1 ampola (150 mcg) em 10 a 500 mL de SF 0,9%

  1. Adicionar 1 ampola ao frasco ou bolsa de SF 0,9%.
  2. Homogeneizar e identificar a solução.
  3. Infundir conforme a resposta hemodinâmica.
Volume final10 a 500 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modoConforme protocolo anestésico
EstabilidadeUso imediato após o preparo

Monitorar pressão arterial, frequência cardíaca e nível de sedação.

Epidural ou intratecal

Analgesia pós-operatória e adjuvante de bloqueio neuroaxial

Até 100 mcg/mL

Dose calculada (2 a 4 mcg/kg epidural ou 0,5 a 1 mcg/kg intratecal) diluída em SF 0,9% sem conservantes

  1. Calcular a dose pelo peso e aspirar o volume correspondente da ampola.
  2. Diluir em SF 0,9% sem conservantes até concentração máxima de 100 mcg/mL.
  3. Administrar com técnica asséptica pelo cateter ou agulha posicionados.
DiluenteSF 0,9% sem conservantes
Tempo / modoInjeção lenta ou infusão contínua de 30 mcg/h (epidural)
EstabilidadeUso imediato; descartar o remanescente da ampola

Contraindicada com infecção no local da punção, anticoagulação ou diátese hemorrágica e em níveis acima de C4.

Epidural ou intratecalAnalgesia pós-operatória e adjuvante de bloqueio neuroaxialAté 100 mcg/mL

Dose calculada (2 a 4 mcg/kg epidural ou 0,5 a 1 mcg/kg intratecal) diluída em SF 0,9% sem conservantes

  1. Calcular a dose pelo peso e aspirar o volume correspondente da ampola.
  2. Diluir em SF 0,9% sem conservantes até concentração máxima de 100 mcg/mL.
  3. Administrar com técnica asséptica pelo cateter ou agulha posicionados.
DiluenteSF 0,9% sem conservantes
Tempo / modoInjeção lenta ou infusão contínua de 30 mcg/h (epidural)
EstabilidadeUso imediato; descartar o remanescente da ampola

Contraindicada com infecção no local da punção, anticoagulação ou diátese hemorrágica e em níveis acima de C4.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
OralVia indicadaVia do tratamento da hipertensão e da urgência hipertensiva. Comprimido sulcado pode ser partido.
SNG/SNEPermitidoTriturar o comprimido, dispersar em 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, lavar a sonda antes e depois e reiniciar a dieta.
SublingualNão recomendadoNão há apresentação sublingual; a absorção oral já é rápida e não há vantagem comprovada na urgência hipertensiva.
EndovenosaUso hospitalarSolução injetável diluída em SF 0,9%, em injeção lenta de 7 a 10 minutos ou por gotejamento, com monitorização hemodinâmica.
IntramuscularUso hospitalarInjeção IM profunda de 150 mcg como medicação pré-anestésica.
SubcutâneaNão se aplicaVia não prevista para a solução injetável.
RetalNão se aplicaNão há apresentação nem dados para uso retal.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão há apresentação transdérmica comercializada no Brasil.
EpiduralUso anestésicoDose única de 2 a 4 mcg/kg ou infusão de 30 mcg/h, com solução sem conservantes diluída até 100 mcg/mL. Não aplicar acima de C4.
IntratecalUso anestésicoDose de 0,5 a 1 mcg/kg, isolada ou com anestésico local, por anestesiologista. Risco de bradicardia, hipotensão e sedação.
OralVia indicada
Observações

Via do tratamento da hipertensão e da urgência hipertensiva. Comprimido sulcado pode ser partido.

SNG/SNEPermitido
Observações

Triturar o comprimido, dispersar em 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, lavar a sonda antes e depois e reiniciar a dieta.

SublingualNão recomendado
Observações

Não há apresentação sublingual; a absorção oral já é rápida e não há vantagem comprovada na urgência hipertensiva.

EndovenosaUso hospitalar
Observações

Solução injetável diluída em SF 0,9%, em injeção lenta de 7 a 10 minutos ou por gotejamento, com monitorização hemodinâmica.

IntramuscularUso hospitalar
Observações

Injeção IM profunda de 150 mcg como medicação pré-anestésica.

SubcutâneaNão se aplica
Observações

Via não prevista para a solução injetável.

RetalNão se aplica
Observações

Não há apresentação nem dados para uso retal.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não há apresentação transdérmica comercializada no Brasil.

EpiduralUso anestésico
Observações

Dose única de 2 a 4 mcg/kg ou infusão de 30 mcg/h, com solução sem conservantes diluída até 100 mcg/mL. Não aplicar acima de C4.

IntratecalUso anestésico
Observações

Dose de 0,5 a 1 mcg/kg, isolada ou com anestésico local, por anestesiologista. Risco de bradicardia, hipotensão e sedação.

Situações especiais

Perioperatório

Manter o comprimido

Não suspender o comprimido antes de cirurgia: a interrupção no jejum pode provocar rebote hipertensivo no intra ou pós-operatório. Administrar a dose da manhã com pouca água e retomar assim que a via oral for liberada.

Rebote

Crise após retirada abrupta

Agitação, sudorese, tremor, cefaleia, taquicardia e hipertensão grave podem surgir 18 a 36 horas após a última dose. Tratar reintroduzindo a clonidina; em crise grave, usar alfabloqueador parenteral e evitar betabloqueador isolado.

Intoxicação

Bradicardia, miose e sedação

A superdosagem causa sonolência ou coma, miose, bradicardia, hipotensão, hipotermia e depressão respiratória, às vezes precedidas de hipertensão transitória. O tratamento é de suporte; atropina para bradicardia e naloxona podem ser consideradas.

Lentes de contato

Redução do lacrimejamento

Pode reduzir o fluxo lacrimal e causar desconforto em usuários de lentes de contato.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Bradicardia, sedação e rebote hipertensivo

Evitar em bradiarritmias e BAV avançado, orientar sobre sonolência e potencialização pelo álcool, e nunca suspender abruptamente. Na associação com betabloqueador, retirar primeiro o betabloqueador.

Contraindicações6 itens

  • Hipersensibilidade à clonidina ou a qualquer componente da formulação.
  • Bradiarritmia grave por doença do nó sinusal ou bloqueio atrioventricular de 2º ou 3º grau.
  • Intolerância hereditária à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou má absorção de glicose-galactose (comprimidos).
  • Solução injetável: frequência cardíaca abaixo de 50 bpm, depressão e lactação.
  • Via epidural: infecção no local da injeção, terapia anticoagulante ou diátese hemorrágica.
  • Aplicação neuroaxial em níveis cervicais acima de C4.

Populações especiais

Gestação

Categoria C

Atravessa a placenta e pode reduzir a frequência cardíaca fetal. Usar apenas se o benefício justificar o risco; outras opções são preferidas para hipertensão na gestação. Não recomendada para analgesia de parto.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Passa para o leite em concentrações relevantes e pode causar sedação e hipotensão no lactente, além de reduzir a produção de leite. Evitar o comprimido durante a amamentação; a solução injetável é contraindicada.

Função renal

Titular com cautela

Eliminação renal predominante, com meia-vida prolongada na insuficiência renal. Iniciar com a menor dose e titular lentamente conforme resposta. Pouco removida por hemodiálise.

Função hepática

Sem ajuste

Sem ajuste específico. Metabolismo hepático parcial em metabólitos inativos; usar a menor dose eficaz.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Pressão arterial sentada e em pé, especialmente após aumentos de dose.
  • Frequência cardíaca, mantendo-a acima de 56 bpm.
  • Sedação, humor e sintomas depressivos.
  • Adesão e risco de omissão de doses.
Sinais de alerta
  • Função renal antes de iniciar e periodicamente.
  • No uso epidural: sinais vitais frequentes, inspeção do cateter e funcionamento da bomba.
  • Pacientes com insuficiência cardíaca ou coronariopatia grave.
  • ECG se houver bradicardia ou uso de outros depressores da condução.

Eventos adversos

Muito comuns e comuns≥ 1%
Boca secaSedação, sonolência e fadigaTontura e hipotensão ortostáticaConstipação, náusea e dor nas glândulas salivaresDisfunção erétil e redução da libidoDepressão, distúrbios do sono e cefaleia
Incomuns0,1% a < 1%
Bradicardia sinusalFenômeno de RaynaudParestesiasPrurido, exantema e urticáriaAlucinações e pesadelos
Raros< 0,1%
Bloqueio atrioventricularGinecomastiaRedução do lacrimejamento e secura ocularPseudo-obstrução intestinalHiperglicemia transitória
GravesAtendimento imediato
Crise hipertensiva de rebote após suspensão abruptaBradiarritmia grave ou BAV avançadoHipotensão grave, sobretudo após uso epiduralDepressão respiratória e sedação profunda em superdosagem

Advertências

  • Não suspender abruptamente após uso prolongado: reduzir gradualmente em 2 a 4 dias ou mais. Em uso com betabloqueador, suspender primeiro o betabloqueador.
  • Cautela em doença cerebrovascular, insuficiência coronária, infarto recente, doença vascular periférica oclusiva, depressão, polineuropatia e constipação.
  • Durante o tratamento, a frequência cardíaca não deve ficar abaixo de 56 bpm.
  • Efeito sedativo potencializado por álcool, barbitúricos, benzodiazepínicos e opioides; orientar cautela ao dirigir ou operar máquinas.
  • Por via epidural, reduz com frequência a frequência cardíaca e pode mascarar a taquicardia da hipovolemia; não é recomendada em pacientes hemodinamicamente instáveis.
  • A clonidina neuroaxial é mais eficaz em dor neuropática localizada do que em dor visceral ou difusa; há risco de infecção relacionado ao cateter.
  • A solução injetável não se destina a uso prolongado.
  • Há relatos de depressão com o uso oral; investigar sintomas de humor durante o acompanhamento.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Cloridrato de clonidina

Agonista de receptores alfa-2-adrenérgicos e imidazolínicos I1 no núcleo do trato solitário e na medula ventrolateral rostral. Reduz o efluxo simpático, com queda da resistência vascular periférica e renal, da frequência cardíaca, do débito cardíaco e da atividade de renina plasmática. Na medula espinal, a ativação de receptores alfa-2 pré e pós-sinápticos do corno dorsal inibe a liberação de neurotransmissores nociceptivos, produzindo analgesia independente dos receptores opioides. Em doses altas, estimula receptores alfa periféricos e pode causar vasoconstrição transitória.

Farmacocinética

Lipossolúvel, com eliminação renal

Boa absorção oral, com baixo efeito de primeira passagem; início de ação em 30 a 60 minutos e pico plasmático em 1 a 3 horas. Altamente lipossolúvel, distribui-se amplamente no sistema nervoso central; ligação a proteínas plasmáticas de 30% a 40%.

Cerca de 50% da dose é metabolizada no fígado em compostos inativos. A eliminação é renal em cerca de 70%, sendo 40% a 60% na forma inalterada. A meia-vida terminal varia de 5 a 25,5 horas e aumenta na insuficiência renal.

Início 30–60 minLigação proteica 30–40%Eliminação renal ~70%t½ 5–25,5 h
Prática clínica

Quarta ou quinta linha na hipertensão

Na hipertensão resistente, as diretrizes priorizam espironolactona como quarto fármaco; simpatolíticos centrais, como a clonidina, são alternativas quando ela não é tolerada ou é insuficiente.

Na anestesia, é usada como adjuvante para reduzir a necessidade de anestésicos e opioides, atenuar a resposta simpática à intubação e prolongar bloqueios neuroaxiais e periféricos.

Hipertensão resistenteUrgência hipertensiva VOAdjuvante anestésicoPoupador de opioide

Interações medicamentosas

Betabloqueadores, digoxina, bloqueadores de canal de cálcio não di-hidropiridínicos (verapamil, diltiazem) e outros depressores da condução AV aumentam o risco de bradicardia e bloqueio atrioventricular; com betabloqueadores, a retirada da clonidina pode precipitar rebote hipertensivo mais intenso. Álcool, benzodiazepínicos, barbitúricos, opioides, anti-histamínicos sedativos e anestésicos potencializam sedação e hipotensão. Antidepressivos tricíclicos, mirtazapina e alguns antipsicóticos com bloqueio alfa-2 reduzem o efeito anti-hipertensivo e podem favorecer hipotensão ortostática. Outros anti-hipertensivos, vasodilatadores e diuréticos somam efeito hipotensor. Por via neuroaxial, prolonga a duração do bloqueio de anestésicos locais e potencializa a analgesia de opioides.

Informação regulatória

SUSRENAMEO cloridrato de clonidina em comprimidos de 0,100 mg e 0,150 mg integra a RENAME no Componente Básico da Assistência Farmacêutica. A disponibilidade nas unidades varia conforme o município. Não faz parte do elenco do Programa Farmácia Popular.
GenéricoInjetávelHá genérico da solução injetável de 150 mcg/mL. Os comprimidos são comercializados principalmente pela marca de referência.
ATCC02AC01Classificação WHO ATC/DDD: agonistas de receptores de imidazolina; clonidina, código C02AC01. DDD de 0,45 mg por via oral ou parenteral.

Receituário

Tipo de receitaReceita simples
Número de vias1 via
RetençãoNão
ValidadeSem prazo específico de controle especial

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Atensina® — cloridrato de clonidina comprimidos

Boehringer Ingelheim do Brasil. Bula para o profissional de saúde, Bulário Eletrônico da ANVISA. Apresentações, posologia na hipertensão, contraindicações, advertências e farmacocinética.

2025
02
Bula profissional

Clonidin® — cloridrato de clonidina solução injetável 150 mcg/mL

Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos. Bula para o profissional de saúde, Bulário Eletrônico da ANVISA. Uso pré-anestésico, epidural e intratecal, diluição e contraindicações.

2023
03
Relação nacional

RENAME 2024 — Relação Nacional de Medicamentos Essenciais

Ministério da Saúde. Cloridrato de clonidina em comprimidos no Componente Básico da Assistência Farmacêutica.

2024
04
Diretriz brasileira

Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial

Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. Hipertensão resistente, urgências hipertensivas e papel dos simpatolíticos centrais.

2025
05
Diretriz internacional

2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension

European Society of Cardiology. Escalonamento terapêutico na hipertensão resistente e uso de agentes de ação central.

2024
06
Critério de prescrição

American Geriatrics Society Beers Criteria®

American Geriatrics Society. Alfa-2 agonistas centrais como medicamentos potencialmente inadequados para idosos no tratamento de rotina da hipertensão.

2023
07
Classificação

WHO ATC/DDD Index · C02AC01

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Classificação da clonidina entre os agonistas de receptores de imidazolina.

2026
Revisão Astrenmed: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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