Astrenmed

Bulário clínico · Anti-hipertensivo

Cloridrato de Propranolol

Betabloqueador não seletivo e lipofílico, de múltiplas tomadas diárias, usado na hipertensão, na angina, em arritmias, na profilaxia da enxaqueca, no tremor essencial, na tireotoxicose, na ansiedade somática e na prevenção de sangramento varicoso na hipertensão portal.

Via oralBetabloqueador não seletivo2 a 4x/diaRENAME · Farmácia PopularContraindicado na asmaReceita simples

Revisado em pela equipe Astrenmed

Contraindicado na asma e no broncoespasmo

Por bloquear também os receptores beta-2, pode desencadear broncoespasmo grave em asmáticos ou pacientes com história de broncoespasmo. Também pode provocar hipoglicemia, inclusive em crianças e não diabéticos em jejum, e não deve ser suspenso de forma abrupta em coronariopatas.

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Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é o propranolol?

É o betabloqueador não seletivo clássico, antagonista competitivo dos receptores beta-1 e beta-2, sem atividade simpatomimética intrínseca e com efeito estabilizador de membrana apenas em concentrações raramente atingidas por via oral. Por ser lipofílico e de metabolismo hepático extenso, tem grande variação de biodisponibilidade entre pacientes e exige titulação individual. Além do uso cardiovascular, é amplamente empregado na profilaxia da enxaqueca, no tremor essencial, no controle adrenérgico da tireotoxicose, na ansiedade com sintomas somáticos e na profilaxia de sangramento por varizes esofágicas.

ViaOral · 2 a 4x/dia
Faixa etáriaAdulto · pediatria por peso
SUSRENAME · Farmácia Popular
ReceitaReceita simples · sem retenção

Composição e papel de cada componente1 ativos

Cloridrato de propranolol

Antagonista competitivo de receptores beta-1 e beta-2, lipofílico, com ação cardiovascular, central e metabólica.

Betabloqueador não seletivo

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Hipertensão arterial, preferencialmente quando há indicação adicional de betabloqueio.
  • Angina pectoris e controle de arritmias cardíacas.
  • Profilaxia da enxaqueca em adultos e crianças.
  • Tremor essencial e ansiedade com sintomas somáticos, como taquicardia.
  • Controle adjuvante de tireotoxicose e crise tireotóxica, e feocromocitoma associado a bloqueio alfa.
  • Cardiomiopatia hipertrófica e profilaxia de sangramento por varizes esofágicas na hipertensão portal.
Não indicado
  • Asma brônquica ou história de broncoespasmo.
  • Insuficiência cardíaca descompensada e choque cardiogênico.
  • Bradicardia, bloqueio AV de 2º ou 3º grau ou doença do nó sinusal sem marca-passo.
  • Angina de Prinzmetal.
  • Feocromocitoma sem bloqueio alfa prévio.
  • Pacientes predispostos a hipoglicemia, como após jejum prolongado.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis3 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Cloridrato de propranolol 10 mgRENAMEComprimido10 mgEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
PropalolPranolalSanpronol
Cloridrato de propranolol 40 mgRENAME · Farmácia PopularComprimido40 mgEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante. Em geral, sulcados.
PropalolPranolalSanpronolAmprax
Cloridrato de propranolol 80 mgComprimido80 mgEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
PranolalAmprax
Cloridrato de propranolol 10 mgComprimido
RENAME
Concentração / composição
10 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
PropalolPranolalSanpronol
Cloridrato de propranolol 40 mgComprimido
RENAME · Farmácia Popular
Concentração / composição
40 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante. Em geral, sulcados.
Nomes comerciais
PropalolPranolalSanpronolAmprax
Cloridrato de propranolol 80 mgComprimido
Concentração / composição
80 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
PranolalAmprax
Atenção

Lactose em várias apresentações

Muitas marcas e genéricos contêm lactose. Conferir a composição da marca dispensada em pacientes com intolerância hereditária à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou má absorção de glicose-galactose.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Hipertensão160–320 mg/dia

Início 80 mg 2x/dia

Enxaqueca · tremor80–160 mg/dia

Início 40 mg 2–3x/dia

Pediatria0,25–0,5 mg/kg

3–4x/dia (arritmias, tireotoxicose)

Dose máxima640 mg/dia

Hipertensão; menor nas demais

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via oral6 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual — hipertensão80 mg2x/diaUso contínuoDose inicial; aumentar em intervalos semanais conforme resposta. Faixa usual de 160 a 320 mg/dia; dose máxima de 640 mg/dia.
Dose usual — angina, enxaqueca, tremor e ansiedade40 mg2 a 3x/diaUso contínuoDose inicial; aumentar na mesma quantidade em intervalos semanais. Usual: 80 a 160 mg/dia na ansiedade, enxaqueca e tremor; 120 a 240 mg/dia na angina. Máximo: 480 mg/dia na angina, 240 mg/dia na enxaqueca e 160 mg/dia na ansiedade e no tremor.
Arritmias, taquicardia ansiosa, cardiomiopatia hipertrófica e tireotoxicose10 a 40 mg3 a 4x/diaConforme o quadro clínicoDose máxima de 240 mg/dia nas arritmias e de 160 mg/dia na taquicardia ansiosa, na cardiomiopatia hipertrófica e na tireotoxicose.
Feocromocitoma — pré-operatório60 mg/diaEm doses divididas3 dias antes da cirurgiaSomente após bloqueio alfa-adrenérgico eficaz. Dose máxima de 60 mg/dia.
Feocromocitoma maligno inoperável30 mg/diaEm doses divididasUso contínuoSempre associado a bloqueio alfa. Dose máxima de 30 mg/dia.
Hipertensão portal — profilaxia de sangramento varicoso20 a 40 mg2x/diaUso contínuoTitular a cada 2 a 3 dias até FC de repouso em torno de 55 bpm, mantendo PAS ≥ 90 mmHg. Máximo de 320 mg/dia sem ascite e 160 mg/dia com ascite; reduzir ou suspender se PAS < 90 mmHg, hiponatremia ou lesão renal aguda.
Dose usual — hipertensão
80 mg2x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Dose inicial; aumentar em intervalos semanais conforme resposta. Faixa usual de 160 a 320 mg/dia; dose máxima de 640 mg/dia.

Dose usual — angina, enxaqueca, tremor e ansiedade
40 mg2 a 3x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Dose inicial; aumentar na mesma quantidade em intervalos semanais. Usual: 80 a 160 mg/dia na ansiedade, enxaqueca e tremor; 120 a 240 mg/dia na angina. Máximo: 480 mg/dia na angina, 240 mg/dia na enxaqueca e 160 mg/dia na ansiedade e no tremor.

Arritmias, taquicardia ansiosa, cardiomiopatia hipertrófica e tireotoxicose
10 a 40 mg3 a 4x/dia
Detalhes
DuraçãoConforme o quadro clínico
Observações

Dose máxima de 240 mg/dia nas arritmias e de 160 mg/dia na taquicardia ansiosa, na cardiomiopatia hipertrófica e na tireotoxicose.

Feocromocitoma — pré-operatório
60 mg/diaEm doses divididas
Detalhes
Duração3 dias antes da cirurgia
Observações

Somente após bloqueio alfa-adrenérgico eficaz. Dose máxima de 60 mg/dia.

Feocromocitoma maligno inoperável
30 mg/diaEm doses divididas
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Sempre associado a bloqueio alfa. Dose máxima de 30 mg/dia.

Hipertensão portal — profilaxia de sangramento varicoso
20 a 40 mg2x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Titular a cada 2 a 3 dias até FC de repouso em torno de 55 bpm, mantendo PAS ≥ 90 mmHg. Máximo de 320 mg/dia sem ascite e 160 mg/dia com ascite; reduzir ou suspender se PAS < 90 mmHg, hiponatremia ou lesão renal aguda.

Pediatria

Via oral3 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Arritmias, feocromocitoma e tireotoxicose0,25 a 0,5 mg/kg3 a 4x/diaConforme o quadro clínicoAjustar conforme resposta. No feocromocitoma, somente com bloqueio alfa eficaz. Atenção à hipoglicemia, especialmente em jejum.
Profilaxia da enxaqueca — menores de 12 anos20 mg2 a 3x/diaUso contínuoReavaliar a necessidade de manter a profilaxia periodicamente.
Profilaxia da enxaqueca — 12 anos ou mais40 mg2 a 3x/diaUso contínuoAumentar em intervalos semanais. Usual de 80 a 160 mg/dia; dose máxima de 240 mg/dia.
Arritmias, feocromocitoma e tireotoxicose
0,25 a 0,5 mg/kg3 a 4x/dia
Detalhes
DuraçãoConforme o quadro clínico
Observações

Ajustar conforme resposta. No feocromocitoma, somente com bloqueio alfa eficaz. Atenção à hipoglicemia, especialmente em jejum.

Profilaxia da enxaqueca — menores de 12 anos
20 mg2 a 3x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Reavaliar a necessidade de manter a profilaxia periodicamente.

Profilaxia da enxaqueca — 12 anos ou mais
40 mg2 a 3x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Aumentar em intervalos semanais. Usual de 80 a 160 mg/dia; dose máxima de 240 mg/dia.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria C

Usar se o benefício justificar

Associado a restrição de crescimento fetal em uso prolongado. Próximo ao parto, pode causar bradicardia, hipoglicemia e depressão respiratória neonatais; observar o recém-nascido nas primeiras 48 a 72 horas.

Lactação

Compatível

Pode ser usado

Passa ao leite em quantidade pequena, com exposição muito baixa do lactente. É um dos betabloqueadores preferidos na amamentação; observar sinais de bradicardia ou sonolência em prematuros.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Insuficiência renalSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Eliminação predominantemente hepática. Titular com cautela; não é removido por hemodiálise e há maior risco de hipoglicemia em dialíticos.
Insuficiência hepática e cirroseIniciar com dose baixaDose inicial reduzidaTitulação lentaIniciar com dose baixa. A biodisponibilidade e a meia-vida aumentam na hepatopatia. Na hipertensão portal pode piorar a função hepática e precipitar encefalopatia; cautela na cirrose descompensada.
Insuficiência renalSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Eliminação predominantemente hepática. Titular com cautela; não é removido por hemodiálise e há maior risco de hipoglicemia em dialíticos.

Insuficiência hepática e cirroseIniciar com dose baixa
Dose inicial reduzida
FrequênciaTitulação lenta
Observações

Iniciar com dose baixa. A biodisponibilidade e a meia-vida aumentam na hepatopatia. Na hipertensão portal pode piorar a função hepática e precipitar encefalopatia; cautela na cirrose descompensada.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
IdosoDose inicial menorIniciar com a menor doseConforme indicaçãoDose inicial menor. Maior sensibilidade a bradicardia, hipotensão, efeitos centrais e hipoglicemia.
IdosoDose inicial menor
Iniciar com a menor dose
FrequênciaConforme indicação
Observações

Dose inicial menor. Maior sensibilidade a bradicardia, hipotensão, efeitos centrais e hipoglicemia.

Modelos de prescrição2 modelos

Dose usual — hipertensão 80 mg 2x/diaUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — angina, enxaqueca, tremor e ansiedade 40 mgUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesNão se aplicaReconstituiçãoNão requer
Via principalVia oral

Comprimido de liberação imediata, dividido em 2 a 4 tomadas diárias. A ingestão com alimentos aumenta a biodisponibilidade; manter sempre a mesma relação com as refeições.

Técnica de aplicação6 passos

1
Exclua asma e bradicardia

Antes de iniciar, investigar asma ou broncoespasmo, frequência cardíaca, pressão arterial e condução AV.

2
Padronize com as refeições

Tomar sempre da mesma forma em relação às refeições, já que alimentos aumentam a absorção.

3
Titule semanalmente

Aumentar a dose em intervalos semanais, conforme resposta clínica e frequência cardíaca.

4
Evite jejum prolongado

Orientar sobre risco de hipoglicemia em jejum, sobretudo em crianças, idosos e diabéticos.

5
Dose esquecida

Tomar assim que lembrar; se estiver perto do horário seguinte, pular a dose esquecida. Não dobrar.

6
Retirada gradual

Para suspender, reduzir progressivamente em 1 a 2 semanas ou substituir por dose equivalente de outro betabloqueador.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
OralVia indicadaÚnica via com apresentação comercial no Brasil.
SNG/SNEPermitidoTriturar o comprimido, dispersar em cerca de 15 mL de água filtrada, administrar e lavar a sonda com água antes e depois.
SublingualNão usarSem apresentação nem dados para uso sublingual.
EndovenosaNão se aplicaNão há apresentação injetável de propranolol comercializada no Brasil. Para betabloqueio endovenoso, usar metoprolol ou esmolol.
IntramuscularNão se aplicaNão existe apresentação parenteral.
SubcutâneaNão se aplicaNão existe apresentação parenteral.
RetalNão se aplicaSem apresentação nem dados para uso retal.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
OralVia indicada
Observações

Única via com apresentação comercial no Brasil.

SNG/SNEPermitido
Observações

Triturar o comprimido, dispersar em cerca de 15 mL de água filtrada, administrar e lavar a sonda com água antes e depois.

SublingualNão usar
Observações

Sem apresentação nem dados para uso sublingual.

EndovenosaNão se aplica
Observações

Não há apresentação injetável de propranolol comercializada no Brasil. Para betabloqueio endovenoso, usar metoprolol ou esmolol.

IntramuscularNão se aplica
Observações

Não existe apresentação parenteral.

SubcutâneaNão se aplica
Observações

Não existe apresentação parenteral.

RetalNão se aplica
Observações

Sem apresentação nem dados para uso retal.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Perioperatório

Manter o betabloqueador

Em uso crônico, manter no perioperatório, salvo instabilidade hemodinâmica, bradicardia ou broncoespasmo. Informar o anestesista, pelo risco de hipotensão e bradicardia com anestésicos depressores do miocárdio.

Tireotoxicose

Não suspender bruscamente

O propranolol controla taquicardia, tremor e ansiedade e reduz a conversão de T4 em T3. A retirada súbita pode precipitar crise tireotóxica.

Anafilaxia

Resposta à adrenalina reduzida

Reações anafiláticas podem ser mais graves e refratárias às doses usuais de adrenalina. Considerar glucagon no choque refratário.

Esporte

Substância controlada no esporte

Betabloqueadores são proibidos em competição em algumas modalidades, como tiro e arco e flecha. Orientar atletas federados.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Broncoespasmo, bradicardia e hipoglicemia

Não usar em asmáticos ou com história de broncoespasmo. Monitorar frequência cardíaca, pressão arterial e sinais de hipoglicemia, sobretudo em crianças, idosos, diabéticos e hepatopatas. Não suspender abruptamente.

Contraindicações8 itens

  • Hipersensibilidade ao propranolol ou a qualquer componente da formulação.
  • Asma brônquica ou história de broncoespasmo.
  • Bradicardia, síndrome do nó sinusal e bloqueio AV de 2º ou 3º grau.
  • Choque cardiogênico, hipotensão e insuficiência cardíaca descompensada.
  • Angina de Prinzmetal.
  • Acidose metabólica e predisposição à hipoglicemia, como após jejum prolongado.
  • Distúrbios graves da circulação arterial periférica.
  • Feocromocitoma não tratado.

Populações especiais

Gestação

Categoria C

Usar apenas se o benefício justificar o risco. O uso prolongado associa-se a restrição de crescimento fetal; perto do parto, observar o neonato quanto a bradicardia, hipoglicemia e depressão respiratória.

Lactação

Compatível

Baixa transferência para o leite e exposição mínima do lactente. Considerado betabloqueador de escolha na amamentação, com observação de lactentes prematuros.

Função renal

Sem ajuste

Sem ajuste específico; titular com cautela. Maior risco de hipoglicemia em pacientes em hemodiálise.

Função hepática

Iniciar com dose baixa

A exposição aumenta na hepatopatia. Iniciar com dose baixa e titular lentamente. Na hipertensão portal, risco de piora da função hepática e de encefalopatia.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Pressão arterial e frequência cardíaca de repouso a cada ajuste.
  • Sintomas respiratórios, como sibilância e dispneia.
  • Fadiga, pesadelos, distúrbios do sono e humor deprimido.
  • Extremidades frias e fenômeno de Raynaud.
Sinais de alerta
  • Glicemia em diabéticos, crianças e pacientes em jejum.
  • Na hipertensão portal: FC alvo em torno de 55 bpm, PAS, sódio e creatinina.
  • ECG se houver suspeita de bloqueio AV ou bradicardia importante.
  • Função tireoidiana na tireotoxicose em controle sintomático.

Eventos adversos

Comuns1% a < 10%
Fadiga e lassidãoBradicardiaExtremidades frias e fenômeno de RaynaudDistúrbios do sono e pesadelos
Incomuns0,1% a < 1%
Náusea, vômitos e diarreia
Raros< 0,1%
Piora de insuficiência cardíaca, bloqueio AV e hipotensão posturalBroncoespasmo em predispostosAlucinações, psicose, confusão e alterações de humorPsoríase ou piora de psoríase, erupção e alopeciaTrombocitopenia e púrpuraHipoglicemia, inclusive em crianças
GravesAtendimento imediato
Broncoespasmo graveHipoglicemia com convulsão ou comaBradicardia grave, bloqueio AV avançado ou choqueAngina instável ou infarto após retirada abrupta

Advertências

  • Pode ser usado em insuficiência cardíaca compensada, com cautela na reserva cardíaca reduzida.
  • Cautela no bloqueio AV de 1º grau e na doença arterial periférica, que pode piorar.
  • Mascara sinais adrenérgicos de hipoglicemia e pode prolongar a resposta hipoglicêmica à insulina.
  • Pode mascarar sinais de tireotoxicose; a retirada abrupta pode precipitar crise.
  • Na hipertensão portal, pode deteriorar a função hepática e precipitar encefalopatia.
  • Pacientes com história de anafilaxia podem ter reações mais graves e refratárias à adrenalina.
  • A resposta anti-hipertensiva pode ser menor em pacientes negros.
  • Pode causar tontura e fadiga; orientar cautela ao dirigir ou operar máquinas.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Cloridrato de propranolol

Antagonista competitivo e não seletivo dos receptores beta-1 e beta-2 adrenérgicos. Reduz frequência cardíaca, contratilidade, condução AV e liberação de renina, com queda do consumo miocárdico de oxigênio. O bloqueio beta-2 reduz tremor e fluxo esplâncnico, o que diminui a pressão portal, mas também favorece broncoespasmo e vasoconstrição periférica. Em doses altas, inibe a conversão periférica de T4 em T3. O efeito estabilizador de membrana ocorre só em concentrações acima de 1 a 3 mg/L, raramente atingidas por via oral.

Farmacocinética

Lipofílico, com grande primeira passagem

Absorção oral quase completa, mas biodisponibilidade de cerca de 25% pelo extenso metabolismo de primeira passagem, com grande variação individual. Pico plasmático em 1 a 2 horas; ligação a proteínas de 80% a 95%; ampla distribuição, inclusive no sistema nervoso central.

Metabolismo hepático por CYP2D6, CYP1A2 e CYP2C19, com metabólito ativo 4-hidroxipropranolol. Meia-vida de 3 a 6 horas; eliminação renal de metabólitos. Não é removido por hemodiálise.

F ≈ 25%CYP2D6 · CYP1A2t½ 3–6 hAtravessa a BHE
Usos não cardiovasculares

Do tremor à hipertensão portal

É primeira linha na profilaxia da enxaqueca e no tremor essencial e útil no controle das manifestações adrenérgicas da tireotoxicose e da ansiedade de desempenho.

Na cirrose com varizes de médio ou grosso calibre ou com hipertensão portal clinicamente significativa, betabloqueadores não seletivos reduzem o risco de sangramento e de descompensação, com titulação pela frequência cardíaca e pela pressão arterial.

EnxaquecaTremor essencialTireotoxicoseVarizes esofágicas

Interações medicamentosas

Verapamil e diltiazem, sobretudo por via endovenosa, somam efeitos sobre condução AV e contratilidade, com risco de bradicardia grave, bloqueio e hipotensão. Digitálicos, amiodarona, antiarrítmicos de classe I e clonidina potencializam bradicardia e distúrbios de condução; na troca de clonidina, retirar primeiro o betabloqueador e só depois a clonidina, pelo risco de hipertensão rebote. Inibidores do metabolismo hepático, como cimetidina, fluvoxamina, fluoxetina, paroxetina, quinidina e hidralazina, elevam os níveis de propranolol, enquanto rifampicina e tabagismo os reduzem; o álcool altera a absorção. O propranolol aumenta os níveis de lidocaína, rizatriptana (reduzir a dose do triptano) e teofilina. AINEs reduzem o efeito anti-hipertensivo. A adrenalina pode causar hipertensão grave com bradicardia reflexa, e beta-2 agonistas têm seu efeito broncodilatador antagonizado. Insulina e antidiabéticos orais têm os sinais de hipoglicemia mascarados e a recuperação retardada. Ergotamínicos podem ter vasoespasmo periférico potencializado.

Informação regulatória

SUSRENAME · Farmácia PopularO cloridrato de propranolol 10 mg e 40 mg em comprimido integra o Componente Básico da Assistência Farmacêutica na RENAME, e o comprimido de 40 mg é distribuído gratuitamente pelo Programa Farmácia Popular para hipertensão. A disponibilidade nas unidades varia conforme o município.
GenéricoDisponívelHá genéricos de cloridrato de propranolol de diversos laboratórios, além de produção por laboratórios farmacêuticos oficiais.
ATCC07AA05Classificação WHO ATC/DDD: agentes betabloqueadores não seletivos; propranolol, código C07AA05. DDD de 160 mg por via oral.

Receituário

Tipo de receitaReceita simples
Número de vias1 via
RetençãoNão
ValidadeSem prazo específico de controle especial

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Cloridrato de propranolol — bula para o profissional de saúde

Bulas profissionais de propranolol (marcas e genéricos) no Bulário Eletrônico da ANVISA. Indicações, posologia adulta e pediátrica, contraindicações, advertências e farmacocinética.

2024
02
Relação nacional

RENAME 2024 — Relação Nacional de Medicamentos Essenciais

Ministério da Saúde. Cloridrato de propranolol em comprimidos no Componente Básico da Assistência Farmacêutica.

2024
03
Programa público

Programa Farmácia Popular do Brasil

Ministério da Saúde. Elenco de medicamentos gratuitos para hipertensão arterial.

2025
04
Diretriz brasileira

Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial

Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. Papel dos betabloqueadores na hipertensão.

2025
05
Consenso internacional

Baveno VII — Renewing consensus in portal hypertension

Journal of Hepatology. Betabloqueadores não seletivos na profilaxia de descompensação e sangramento varicoso; titulação e limites de dose.

2022
06
Diretriz internacional

American Headache Society — Consensus statement on preventive treatment of migraine

American Headache Society. Propranolol entre os fármacos de primeira linha na profilaxia da enxaqueca.

2021
07
Base de dados oficial

LactMed — Propranolol

National Library of Medicine (NIH). Excreção no leite materno e segurança na amamentação.

2024
08
Classificação

WHO ATC/DDD Index · C07AA05

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Classificação do propranolol entre os betabloqueadores não seletivos.

2026
Revisão Astrenmed: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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