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Atlas de Oftalmologia • Conjuntiva

Conjuntivite viral

Conjuntivite adenoviral • ceratoconjuntivite epidêmica • viral conjunctivitis

A causa mais comum de conjuntivite infecciosa no adulto, quase sempre por adenovírus. Olho vermelho com secreção aquosa, folículos e linfonodo pré-auricular, muito contagioso e autolimitado em 1–3 semanas. Antibiótico não ajuda. Atenção a duas exceções: o herpes simples, que pede antiviral, e o corticoide usado sem critério.

ConjuntivaAdenovírusMuito contagiosaTratamento de suporte
16–20 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Conjuntivite viral: hiperemia difusa, lacrimejamento e folículos no fórnice inferior; secreção aquosa. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Hiperemia conjuntival difusa
  2. 2
    Secreção aquosa e lacrimejamento
  3. 3
    Reação folicular no fórnice e tarso inferior
  4. 4
    Linfonodo pré-auricular aumentado e doloroso
  5. 5
    Hemorragias subconjuntivais petequiais (às vezes)
  6. 6
    Pseudomembranas e infiltrados subepiteliais na forma epidêmica

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Adenovírus causa a maioria; transmissão por mãos, objetos e gotículas.
  2. Quadro: olho vermelho, secreção aquosa, folículos, linfonodo pré-auricular.
  3. Autolimitada (1–3 semanas); tratamento de suporte e prevenção do contágio.
  4. Herpes simples e zóster são exceções: antiviral e oftalmologista.

O que é conjuntivite viral

É a inflamação da conjuntiva causada por vírus. O adenovírus responde pela grande maioria dos casos, em surtos familiares, escolares e até em consultórios oftalmológicos, porque sobrevive por semanas em superfícies e instrumentos.

Outros vírus causam quadros com pistas próprias: herpes simples (unilateral, vesículas palpebrais), varicela-zóster (lesões no território do nervo oftálmico), enterovírus (conjuntivite hemorrágica aguda), molusco contagioso (lesão palpebral e conjuntivite crônica) e vírus respiratórios como o SARS-CoV-2.

Conjuntivite viral é clínica, contagiosa e autolimitada. O principal tratamento é a higiene das mãos — e a tarefa do examinador é não deixar passar herpes nem ceratite.

Síndromes do adenovírus

Há dezenas de tipos de adenovírus, e alguns se associam a quadros característicos. A diferença prática é o acometimento da córnea, que define sintomas mais intensos e sequelas.

Conjuntivite folicular inespecífica

Forma mais leve e comum; pouco ou nenhum envolvimento corneano.

Febre faringoconjuntival

Febre, faringite e conjuntivite; crianças; tipos 3, 4 e 7; piscinas e escolas.

Ceratoconjuntivite epidêmica

Tipos 8, 19, 37 e outros; intensa, pseudomembranas, infiltrados subepiteliais; surtos.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Início unilateral, segundo olho em dias; sintomas pioram até o 5º–7º dia.
  2. Secreção aquosa, areia, folículos e linfonodo pré-auricular.
  3. Epidêmica: pseudomembranas, fotofobia e, depois, infiltrados subepiteliais.
  4. Herpes: unilateral, vesículas, dendritos; zóster: lesões no território do V1.

Sinais e sintomas

O quadro é geralmente mais intenso do que o paciente espera e dura mais do que ele gostaria. Avisar que o olho piora antes de melhorar reduz retornos desnecessários.

Lacrimejamento

Secreção aquosa abundante; mucosa leve pela manhã.

Hiperemia

Difusa; pode haver petéquias e hemorragias subconjuntivais.

Folículos

Fórnice e tarso inferior; ver Conjuntivite folicular.

Edema palpebral

Pálpebras inchadas e pseudoptose nas formas intensas.

Linfonodo pré-auricular

Palpável e doloroso, do lado mais afetado.

Fotofobia

Indica ceratite (epidêmica ou herpética).

Pseudomembranas e infiltrados subepiteliais

Na ceratoconjuntivite epidêmica, a inflamação intensa produz pseudomembranas — camadas de fibrina sobre a conjuntiva tarsal que se destacam sem sangrar (membranas verdadeiras sangram ao remover). Entre 7 e 14 dias surgem os infiltrados subepiteliais numulares, que reduzem a visão e podem persistir por meses.

Conjuntiva tarsal

Pseudomembrana

Camada branco-acinzentada sobre o tarso evertido. Remover com cotonete ou pinça alivia e previne simbléfaro.

Córnea

Infiltrados subepiteliais

Opacidades numulares, arredondadas, logo abaixo do epitélio, mais na córnea central; causam halos e visão borrada.

Outros vírus

VírusPistasParticularidade
Herpes simplesUnilateral, vesículas na pálpebra, folículos, linfonodoProcurar dendrito com fluoresceína; antiviral; evitar corticoide isolado
Varicela-zósterVesículas no território do V1; sinal de Hutchinson (ponta do nariz)Antiviral oral em até 72 h; risco de ceratite e uveíte
Enterovírus 70 / coxsackie A24Início em horas, hemorragias subconjuntivais, epidemiasVer Conjuntivite hemorrágica
Molusco contagiosoPápula umbilicada na borda palpebralConjuntivite crônica; remover a lesão
SARS-CoV-2 e vírus respiratóriosConjuntivite leve com quadro respiratórioAutolimitada

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico em quase todos os casos.
  2. Fluoresceína sempre: dendritos, ceratite puntata, defeitos epiteliais.
  3. Teste rápido de adenovírus e PCR: casos duvidosos, surtos, evitar antibiótico.
  4. Desinfetar o consultório: o adenovírus resiste em superfícies.

Avaliação clínica

  1. História

    Contatos, quadro respiratório, febre, herpes prévio, lente de contato, colírios.

  2. Acuidade visual

    Normal ou pouco reduzida; queda importante sugere infiltrados ou ceratite.

  3. Pele, pálpebras e linfonodos

    Vesículas (herpes, zóster), molusco, linfonodo pré-auricular.

  4. Lâmpada de fenda

    Folículos, petéquias, pseudomembranas (everter o tarso), córnea com fluoresceína.

Proteja o próximo paciente

Use luvas ou lave as mãos, desinfete a lâmpada de fenda e o tonômetro e evite tonometria de contato sem necessidade.

Exames

Teste rápido de antígeno

Imunoensaio no consultório para adenovírus, resultado em ~10 minutos; boa especificidade. Ajuda a evitar antibiótico.

PCR

Adenovírus, herpes simples, zóster e clamídia; útil em casos atípicos e surtos.

Citologia

Predomínio de linfócitos (viral) × neutrófilos (bacteriana); pouco usada na rotina.

Fluoresceína

Ceratite puntata (adenovírus) × dendrito com bulbos terminais (herpes).

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveSecreção mucopurulenta, olho colado
Como diferenciarPapilas; sem linfonodo (exceto gonococo/clamídia).
Achado-chavePrurido intenso, bilateral desde o início
Como diferenciarPapilas, quemose, atopia, sazonalidade.
Achado-chaveHemorragias subconjuntivais extensas
Como diferenciarEnterovírus; início em horas, curso de 5–7 dias.
Achado-chaveFolicular > 4 semanas
Como diferenciarAdulto jovem; PCR; antibiótico oral.
Achado-chaveDendrito corado
Como diferenciarUnilateral; antiviral; nunca corticoide isolado.
Uveíte anterior
Achado-chaveHiperemia perilímbica, dor, fotofobia
Como diferenciarCélulas na câmara anterior; pupila pequena; sem secreção.

Galeria oftalmológica

Observe o tipo de secreção, os folículos, a córnea e a pele das pálpebras.

Conjuntivite adenoviral

Hiperemia difusa, lacrimejamento e pálpebras levemente edemaciadas, sem secreção purulenta. É a apresentação típica do adulto com contato domiciliar.

AdenovírusAquosaContagiosa

Folículos e petéquias

Fórnice inferior com folículos e pequenas hemorragias petequiais. Petéquias são comuns no adenovírus e mais extensas no enterovírus.

FolículosPetéquias

Ceratoconjuntivite epidêmica com infiltrados

Duas semanas após o início, opacidades numulares subepiteliais na córnea central. O paciente queixa-se de halos e visão embaçada com o olho já branco.

InfiltradosCórneaTardio

Blefaroconjuntivite herpética

Vesículas agrupadas na borda palpebral e conjuntivite folicular unilateral. Examine a córnea com fluoresceína em busca de dendritos e trate com antiviral.

Herpes simplesUnilateralAntiviral

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Adenovírus: suporte (compressas frias, lágrima artificial gelada) e prevenção de contágio.
  2. Antibiótico tópico não é indicado na conjuntivite viral.
  3. Corticoide só com oftalmologista: pseudomembranas e infiltrados com baixa visual.
  4. Herpes simples e zóster: antiviral tópico e/ou oral.

Medidas gerais e prevenção do contágio

O paciente é contagioso enquanto o olho está vermelho e lacrimejando, em geral 10–14 dias. Orientações simples evitam surtos familiares e profissionais.

  • Lavar as mãos com frequência; não coçar os olhos.
  • Toalhas, fronhas e maquiagem individuais.
  • Evitar piscinas e contato próximo enquanto houver secreção.
  • Afastamento de escola/trabalho conforme a regra local, sobretudo profissionais de saúde.
  • Suspender lentes de contato até a resolução.

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário. Doses de referência do AAO PPP 2023 e de bula; o nome do medicamento abre a ficha.

Em 30 segundos

O essencial de complicações

  1. Infiltrados subepiteliais: halos e visão borrada por semanas a meses.
  2. Pseudomembranas não removidas: simbléfaro e cicatriz.
  3. Corticoide sem critério: prolonga a eliminação viral, piora herpes e eleva a PIO.
  4. Olho seco pós-viral é frequente.

Linha do tempo

QuandoO que esperarO que fazer
Dias 1–7Piora progressiva, segundo olho acometidoSuporte; orientar contágio
Dias 5–10Pseudomembranas (forma epidêmica)Remover; considerar corticoide (especialista)
Dias 7–14Infiltrados subepiteliais, fotofobiaCorticoide se a visão cai; desmame lento
Semanas a mesesInfiltrados residuais, olho secoLubrificação; seguimento

Referências bibliográficas

  1. 1
    Diretriz2024
    Cheung AY, Choi DS, Ahmad S, et al.; American Academy of Ophthalmology Preferred Practice Pattern Cornea/External Disease Panel. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2024;131(4):P134–P204. doi:10.1016/j.ophtha.2023.12.037.
  2. 2
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. BCSC Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  3. 3
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  4. 4
    Artigo2020
    Azari AA, Arabi A. Conjunctivitis: a systematic review. J Ophthalmic Vis Res. 2020;15(3):372–395.
  5. 5
    Diretriz2014
    White ML, Chodosh J. Herpes Simplex Virus Keratitis: A Treatment Guideline. San Francisco: American Academy of Ophthalmology; 2014.
  6. 6
    Diretriz2026
    National Institute for Health and Care Excellence. Conjunctivitis — infective. Clinical Knowledge Summaries. NICE CKS. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Corticoide tópico em conjuntivite viral deve ser prescrito e acompanhado por oftalmologista.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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