Sporothrix brasiliensis, S. schenckii e espécies relacionadas — fungos termodimórficos de implantação
Micose de implantação causada por Sporothrix spp., adquirida por arranhadura, mordedura ou contato com secreções de gatos doentes ou por trauma com solo e material vegetal. No Brasil, a epidemia zoonótica por S. brasiliensis transformou uma “doença do jardineiro” em zoonose urbana de notificação compulsória.
Transmissão felinaMicose de implantaçãoItraconazol de escolhaNotificação compulsória
18–22 min de leitura Atualizado em outubro de 2026
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O essencial de visão geral
Micose de implantação mais frequente do Brasil, por fungos termodimórficos do gênero Sporothrix.
No Brasil predomina S. brasiliensis, transmitido sobretudo por gatos doentes.
Forma linfocutânea é a mais comum; formas graves concentram-se em imunossuprimidos.
Itraconazol cura a maioria; doença de notificação compulsória nacional desde 2025.
O que é esporotricose
Esporotricose é a micose de implantação causada por fungos do gênero Sporothrix. O fungo entra pela pele ou mucosa — por trauma com material vegetal ou por arranhadura, mordedura e secreções de animais — e costuma ficar restrito à pele, ao subcutâneo e aos linfáticos regionais. Em imunossuprimidos, pode atingir olhos, ossos, pulmões, SNC e evoluir para sepse.
No Brasil, a esporotricose deixou de ser sobretudo ocupacional: a transmissão felina por S. brasiliensis virou epidemia urbana em expansão.
Não há transmissão pessoa a pessoa. O risco vem do gato doente e do ambiente contaminado.
O agente
Sporothrix é termodimórfico. No solo e em culturas a 25 °C cresce como fungo filamentoso, com conídios em arranjo de “margarida”; nos tecidos, a 37 °C, vira levedura arredondada ou alongada, em forma de “charuto” ou navete. No gato, a carga fúngica nas lesões é enorme — daí o alto potencial de transmissão.
O antigo “complexo S. schenckii” foi desmembrado em espécies com perfis distintos. S. brasiliensis é a mais virulenta e tolera bem a temperatura corporal do gato (média de 39 °C), o que ajuda a explicar a epidemia felina; S. schenckii segue ligado à transmissão ambiental, e S. globosa predomina na Ásia.
Agente etiológico
Sporothrix spp.
Fungo termodimórfico: filamentoso no ambiente, leveduriforme no tecido.
S. brasiliensis: espécie emergente da epidemia zoonótica brasileira, mais virulenta.
S. schenckii: transmissão clássica por solo e plantas (sapronose).
Fluconazol, flucitosina e equinocandinas não inibem Sporothrix in vitro.
Micromorfologia do complexo Sporothrix schenckii — toque para ampliar.
Fisiopatologia: da inoculação ao trajeto linfático
Depois da implantação traumática, o fungo converte-se em levedura e forma, no ponto de entrada, o cancro de inoculação: pápula ou pústula que vira nódulo e pode ulcerar. Dias a semanas depois, nódulos surgem ao longo da drenagem linfática regional, no clássico aspecto em rosário.
Uma resposta mista Th1/Th17, com IFN-γ, TNF-α e IL-17, ativa macrófagos e neutrófilos e forma granulomas supurativos que contêm a infecção. Quando a imunidade celular falha — AIDS, etilismo, corticoide, imunobiológicos —, o fungo se dissemina por via hematogênica.
Fisiopatologia
Inóculo × virulência × imunidade
A quantidade e a profundidade do inóculo, a virulência e termotolerância da cepa e a resposta do hospedeiro definem se a doença será fixa, linfocutânea ou disseminada.
Ciclo e fisiopatologia da esporotricose — toque para ampliar.
Resposta eficaz
Granuloma supurativo contém o fungo na pele e nos linfáticos → formas cutâneas; às vezes reações de hipersensibilidade.
Imunidade celular deficiente
Alta carga fúngica, disseminação hematogênica para pele, olhos, ossos, pulmão e SNC; mortalidade alta na AIDS.
Incubação e evolução
O período de incubação depende da via. Na transmissão felina, a alta carga infectante encurta o intervalo para 1–2 semanas; na transmissão ambiental, ele vai de uma semana a meses. A evolução é subaguda ou crônica e, em geral, benigna — mas sem tratamento as lesões persistem por meses e podem deixar sequelas.
1–2 semanasIncubação típica na transmissão felina
1 semana a mesesIncubação na transmissão ambiental
60–70%Casos na forma linfocutânea
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O essencial de transmissão e risco
Implantação traumática na pele ou mucosa; inalação é rara.
Gato doente: arranhadura, mordedura, secreção de lesões e espirro na face.
Ambiente: espinhos, palha, madeira, solo e vegetais em decomposição.
Sem transmissão pessoa a pessoa.
Como ocorre a transmissão
Há duas rotas. Na sapronótica, clássica, o fungo do solo entra por trauma com espinhos, farpas, palha ou matéria vegetal — daí os apelidos “doença do jardineiro” e “da roseira”. Na zoonótica, hoje dominante no Brasil, o gato doente transmite por arranhadura, mordedura e contato com secreções de lesões.
As lesões felinas estão repletas de leveduras, e o gato com lesão nasal pode espirrar aerossóis que atingem a conjuntiva — por isso a forma ocular aumentou, sobretudo em crianças. Também já foram descritos casos ligados a tatuagem.
Ciclo de transmissão
Gato ↔ ambiente → humano
Gatos doentes, sem tutor ou com livre acesso à rua, brigam, se infectam e levam o fungo para casa. Cadáveres enterrados contaminam o solo e perpetuam o ciclo.
Arranhadura ou mordedura de gato: principal via no Brasil; mordedura implanta mais fundo (risco osteoarticular).
Secreções e espirro: contato com pele lesada ou mucosa ocular.
Material vegetal e solo: espinhos, farpas, palha, madeira, musgo.
Inalação de conídios: rara; causa a forma pulmonar primária.
Quem tem maior risco
O risco de infecção depende da exposição; o risco de doença grave, do hospedeiro. Quem cuida de gatos doentes sem proteção se infecta com facilidade, mas a disseminação se concentra em quem tem imunidade celular comprometida.
Maior exposição
Tutores e cuidadores de gatos doentes, sobretudo mulheres e donas de casa.
Crianças que acariciam gatos próximo à face.
Veterinários, auxiliares, protetores de animais e agentes de zoonoses.
Jardineiros, agricultores e floristas (via ambiental).
Maior gravidade
HIV/aids com CD4 <200 células/mm³ e carga viral alta.
Idosos: comorbidades, interações e fragilidade óssea.
Contexto brasileiro e notificação
A epidemia zoonótica começou no Rio de Janeiro no fim da década de 1990 e hoje está presente em quase todos os estados brasileiros e em países vizinhos. Os gatos mais acometidos são machos jovens, não castrados e com acesso livre à rua, em áreas com saneamento precário e quintais com matéria orgânica.
A Portaria GM/MS nº 6.734/2025 incluiu a esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória. Casos suspeitos e confirmados devem ser registrados semanalmente no e-SUS Sinan, por serviços públicos e privados, conforme a Nota Técnica nº 20/2025-CGTM/DATHI/SVSA/MS.
Caso humano a partir de gato doente: a vigilância recomenda investigar em até uma semana, para buscar outros casos e acionar o controle de zoonoses.
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O essencial de quadro clínico
Linfocutânea (60–70%): cancro de inoculação + nódulos em rosário no trajeto linfático.
Cutânea fixa (~25%): lesão única no ponto de inoculação, sem progressão linfática.
Ocular, osteoarticular, pulmonar, SNC e sepse: raras, mais graves, ligadas à imunossupressão.
Formas imunorreativas: eritema nodoso, eritema multiforme, Sweet e artrite reativa.
Classificação clínica
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (2022) organiza a doença em seis grupos: cutânea, mucosa, osteoarticular, sistêmica, imunorreativa e mista. A separação importa porque cada grupo tem investigação e tratamento próprios — e não se deve confundir lesões múltiplas por vários inóculos com disseminação hematogênica.
Grupo
Apresentações
Pista clínica
Cutânea
Linfocutânea, cutânea fixa, inoculação múltipla.
Áreas expostas: mãos, braços, face, pernas.
Mucosa
Ocular (mais comum), nasal, outras.
Conjuntivite granulomatosa, síndrome de Parinaud.
Osteoarticular
Artrite, tenossinovite, osteomielite (até dois focos, por contiguidade).
Mordedura, lesão em extremidade, dor desproporcional.
Imunossupressão, lesões em áreas protegidas, queda do estado geral.
Imunorreativa
Eritema nodoso, eritema multiforme, síndrome de Sweet, artrite reativa.
Hipersensibilidade; costuma acompanhar formas brandas.
Mista
Cutânea + mucosa, + osteoarticular ou + imunorreativa.
Sem disseminação hematogênica.
Adaptado de Orofino-Costa et al., An Bras Dermatol, 2022.
Lesões características
O cancro de inoculação surge dias a meses após o trauma como pápula ou pústula indolor que cresce, vira nódulo e pode amolecer, fistulizar e ulcerar (goma). Na forma linfocutânea, novos nódulos aparecem na drenagem regional; na fixa, a lesão fica única, às vezes verrucosa, com pequenas pápulas satélites.
Achado característico
Nódulos em rosário
Cancro na mão ou dedo e nódulos ascendendo pelo antebraço.
Achado característico
Cutânea fixa
Úlcera ou placa verrucosa única, sem progressão linfática.
Mucosa
Conjuntivite granulomatosa
Lesão vegetante na conjuntiva, com ou sem linfonodo satélite.
Imunorreativa
Eritema nodoso
Nódulos dolorosos nas pernas, sem fungo na lesão.
Formas mucosa e ocular
A conjuntiva é a mucosa mais atingida, por espirro do gato ou mão contaminada levada ao olho. O quadro típico é conjuntivite granulomatosa, com lesões vegetantes na conjuntiva palpebral ou bulbar e secreção purulenta. Com linfonodo pré-auricular ou submandibular, forma a síndrome óculo-glandular de Parinaud — frequentemente confundida com doença da arranhadura do gato.
Dacriocistite pode ficar como sequela. Uveíte, coroidite, retinite e endoftalmite são raras e, em geral, resultam de disseminação hematogênica no imunossuprimido: nesses casos, a doença é sistêmica e o fundo de olho é obrigatório.
Formas osteoarticular, pulmonar e neurológica
Depois da pele e das mucosas, ossos e articulações são os mais acometidos — por contiguidade, sobretudo após mordedura em mãos e pés, ou por via hematogênica, de forma multifocal, na AIDS. Pulmão e SNC são raros, mas graves e de diagnóstico difícil.
Osteoarticular: artrite, tenossinovite e osteomielite com dor, edema e limitação; poucos sinais flogísticos. Radiografe extremidades com dor desproporcional ou edema importante após mordedura.
Pulmonar primária: tabagista com DPOC, tosse por mais de 2 semanas e cavitação com fibrose — imita tuberculose.
Pulmonar multifocal: imunossuprimido com doença em outros órgãos, lesões geralmente não cavitadas.
Neuroesporotricose: meningite ou meningoencefalite crônica, com hidrocefalia; atinge até 14% dos casos zoonóticos associados à AIDS.
Sepse: progressão da doença sistêmica com disfunção orgânica, sobretudo na AIDS.
Formas imunorreativas
Até 13,5% dos pacientes com esporotricose zoonótica desenvolvem reações de hipersensibilidade a antígenos fúngicos circulantes: eritema nodoso, eritema multiforme, síndrome de Sweet e artrite reativa, poliarticular e migratória. Podem vir com febre, mal-estar, artralgia e mialgia, e ocorrem em geral em formas brandas e localizadas.
As lesões reativas não contêm o fungo e podem mascarar a lesão específica, discreta. O tratamento antifúngico continua; o manejo da reação está na Rota 10 da aba Tratamento.
Sinais de gravidade
A maioria dos pacientes trata em ambulatório. Os sinais abaixo indicam doença sistêmica ou de difícil manejo e mudam a conduta para investigação ampliada, internação e anfotericina.
Lesões numerosas em áreas protegidas de trauma (tronco, raiz das coxas, glúteos, maciço centrofacial).
Febre, emagrecimento, queda do estado geral.
Baixa de acuidade visual, dor ocular profunda (coriorretinite, endoftalmite).
Cefaleia refratária, convulsão, confusão ou déficit focal.
Dor óssea em vários locais, tosse crônica, dispneia.
HIV com CD4 baixo, imunobiológico, corticoide ou transplante.
Lesões extensas, recorrentes ou com sintomas sistêmicos: pesquise imunossupressão, inclusive HIV.
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O essencial de diagnóstico
Diagnóstico clínico-epidemiológico permite iniciar o tratamento no contexto felino.
Cultura (Sabouraud/Mycosel) é o padrão-ouro; pus é a melhor amostra.
Exame direto e histologia têm baixa sensibilidade; corpos asteroides são raros.
Cultura negativa isolada não descarta a doença.
Estratégia diagnóstica
Combine lesão compatível, exposição (gato doente, trauma com plantas ou solo) e material para micologia. Na atenção primária, colha swab de secreção ou biópsia e envie ao Lacen ou ao laboratório de referência, solicitando também hemograma, função hepática e renal antes do tratamento.
No contexto de transmissão felina, o Ministério da Saúde orienta iniciar o tratamento já com critério clínico-epidemiológico, sem esperar a cultura, e encaminhar os casos atípicos ao serviço de referência.
Suspeita
Lesão compatível + gato doente ou trauma vegetal.
Coleta
Pus, swab ou biópsia profunda para cultura.
Tratar
Iniciar por critério clínico-epidemiológico.
Notificar
e-SUS Sinan, caso suspeito.
Rever
Resultado da cultura e resposta clínica.
Níveis de evidência (Ministério da Saúde)
O Guia de Vigilância classifica o caso em possível, provável, provado ou descartado, cruzando três eixos: epidemiológico (trauma com plantas, solo ou gato), clínico (forma compatível) e laboratorial. Use a ferramenta para classificar.
Classificação do caso
Baseada no Quadro de níveis de evidência do Guia de Vigilância em Saúde (MS, 2024).
Selecione os dois campos.
Ferramenta educativa. Não substitui o julgamento clínico nem as definições de caso vigentes do e-SUS Sinan.
Principais testes
A cultura confirma; o resto ajuda. Biópsia em fuso, profunda até o subcutâneo, permite dividir o fragmento entre micologia, bacteriologia e micobactérias e histopatologia — útil quando a dúvida inclui leishmaniose, micobacterioses ou neoplasia.
Teste
O que mostra
Limitações
Cultura
Colônia em 5–8 dias a 25–28 °C; dimorfismo a 37 °C confirma o gênero.
Observar até 30 dias; contaminação por fungos e bactérias.
Exame micológico direto
Leveduras ovais ou em charuto.
Baixa sensibilidade em humanos; muito mais rendimento no gato.
Histopatologia (PAS, Grocott)
Granuloma supurativo; leveduras em 20–30%; corpos asteroides.
Não patognomônica; fungo abundante sugere imunossupressão ou outra micose.
Sorologia (ELISA SsCBF)
Sensibilidade ~80%, especificidade ~90%; útil em formas sistêmicas e atípicas, também em líquor e líquido sinovial.
Disponível só em centros de pesquisa.
PCR / sequenciamento / MALDI-TOF
Identifica a espécie (S. brasiliensis × S. schenckii).
Métodos “in house”, não comerciais.
Teste de sensibilidade
CIM de itraconazol, terbinafina, posaconazol e anfotericina.
Refratariedade nem sempre corresponde a CIM elevada.
Histopatologia
Leveduras em charuto
Arredondadas, ovais ou naviculares, brotamento estreito e desalinhado.
Achado característico
Corpo asteroide
Levedura envolta por material eosinofílico radiado (Splendore-Hoeppli).
Cultura
Colônia filamentosa
Membranosa, esbranquiçada, com halo enegrecido.
Investigação das formas extracutâneas
Na forma sistêmica e no imunossuprimido, avalie de rotina mucosas nasal e oral, fundo de olho, ossos, articulações, pulmões e SNC. Na AIDS com doença disseminada, a punção lombar precoce é rotina, mesmo sem meningismo — o líquor mostra pleocitose mononuclear, proteína alta e glicose baixa, e a cultura raramente cresce.
O rastreio ósseo na AIDS deve ser sistemático: cintilografia óssea ou, na falta dela, radiografia de ossos longos, mãos, punhos, pés e tornozelos. Na forma pulmonar, peça baciloscopia e teste para tuberculose junto da micologia de escarro.
Diagnósticos diferenciais
O principal diferencial no Brasil é a leishmaniose tegumentar, que também causa úlcera crônica e lesões em trajeto linfático (forma esporotricoide). Exposição a gato doente, evolução mais rápida e cultura fúngica positiva favorecem esporotricose.
Diferencial
Por que confunde
O que ajuda a separar
Leishmaniose tegumentar
Úlcera crônica de borda elevada; forma esporotricoide.
Área endêmica, IDRM, pesquisa de amastigotas, PCR.
Piodermite, ectima, celulite
Nódulo e úlcera com secreção.
Evolução aguda, dor, resposta a antibiótico.
Micobacterioses (M. marinum), tuberculose
Padrão esporotricoide; cavitação pulmonar.
Aquário/água; cultura e PCR para micobactérias.
Nocardiose
Lesões linfocutâneas após trauma.
Gram e cultura com bacilos ramificados.
Doença da arranhadura do gato
Gato + adenopatia; síndrome de Parinaud.
Sorologia/PCR para Bartonella; sem lesão vegetante crônica.
Na forma sistêmica: tuberculose, histoplasmose, PCM, criptococose, sífilis, toxoplasmose e linfoma.
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O essencial de tratamento
Itraconazol é a 1ª escolha: 100–200 mg/dia (MS: 200 mg/dia) após a refeição, nas formas cutâneas e mucosas.
Duração guiada pela cura clínica (em média 3 meses); o MS recomenda manter até 1 mês após a cura.
Crianças: terbinafina ou iodeto de potássio nas formas leves; gestantes: calor local e crioterapia.
Sistêmica, SNC e imunossuprimido grave: anfotericina B lipídica → itraconazol ≥12 meses.
Como escolher a rota
Três perguntas definem o esquema. Qual a forma clínica? Cutânea e mucosa tratam-se por via oral, em ambulatório; osteoarticular e pulmonar pedem mais tempo e dose; sistêmica e SNC começam com anfotericina. Quem é o paciente? Gestante, criança, idoso polimedicado e imunossuprimido mudam a droga ou a duração.
Quando parar? Pela cura clínica, nunca por tempo fixo nas formas cutâneas. Inicie com a menor dose eficaz e reavalie em pelo menos um mês antes de concluir que houve falha. As doses e a calculadora por peso estão em “Ver detalhes” de cada linha.
Forma clínica escolhe a droga; cura clínica decide quando parar; imunossupressão decide se haverá manutenção.
Critério de cura clínica
A cura é clínica: reepitelização completa, sem exsudação, crostas, infiltração, descamação ou eritema significativo. Fibrose, milia, cicatriz hipertrófica, eritema discreto, prurido e sensibilidade local não indicam doença ativa. As fontes divergem sobre manter o antifúngico depois disso.
Ministério da Saúde (2024)
Manter até 1 mês após o desaparecimento das lesões; rever 1–2 meses após suspender para alta por cura.
IDSA (2007)
Manter 2–4 semanas após a resolução de todas as lesões; total usual de 3–6 meses.
SBD (2022)
Manutenção após a cura é desnecessária: suspender ao atingir a cura clínica.
Rotas de tratamento
Cada rota é um cenário clínico. Abra só a rota em que o seu paciente está: a tabela mostra dose, frequência e duração de cada esquema, e o nome de cada medicamento abre a ficha completa. Opções do mesmo grupo são alternativas — escolha uma.
Quando esta rota entraAdulto imunocompetente com forma cutânea ou mucosa localizada, sem sinais de doença sistêmica.
Primeira escolha1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaItraconazolMS 2024; SBD 2022; IDSA 2007
100–200 mg VO (MS: 200 mg)
1x/dia, após a refeição
Até a cura clínica (média ~3 meses) ± 1 mês
SBD: começar pela menor dose e aguardar ≥1 mês antes de aumentar. Não abrir a cápsula; evitar IBP, anti-H2, antiácidos; não usar itraconazol manipulado
Alternativas (escolha uma)2 esquemas
Indicadas por contraindicação, interação ou intolerância ao itraconazol.
Poucas interações (não usa CYP3A4). Absorção independe do alimento
AlternativaIodeto de potássio (solução saturada)Formas localizadas em imunocompetente
Iniciar 5 gotas e subir 1 gota/tomada/dia até 20–25 gotas VO
2x/dia, com leite ou suco
Até a cura clínica (± 1 mês)
0,07 g/gota → 2,8–3,5 g/dia. TSH, T4L, potássio e creatinina antes e após 1 mês. Não usar em tireoidopatia, insuficiência renal, gestação ou lactação
Adjuvantes2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
AdjuvanteCriocirurgiaLesões verrucosas/vegetantes ou resposta lenta
Nitrogênio líquido em spray, 2 ciclos de congelamento (~10–30 s)
Mensal
Até a cura clínica
Associada ao antifúngico sistêmico
AdjuvanteTermoterapia (calor local)Intolerância ou contraindicação a fármacos
Bolsa de água quente ou infravermelho a 42–43 °C, 20–30 min
3x/dia
Até a cura clínica
Sporothrix não tolera temperaturas acima de 39 °C. Cuidado com queimaduras
Não use fluconazol, cetoconazol, voriconazol nem corticoide tópico na esporotricose. Lave a ferida com água e sabão e mantenha curativo oclusivo para evitar miíase.
Quando esta rota entraLesões sem melhora após ≥1 mês de tratamento bem conduzido ou com piora real.
Cheque primeiro
Uso de IBP/antiácido, cápsula aberta ou itraconazol manipulado, tomada em jejum, baixa adesão, indutores enzimáticos e nível sérico do itraconazol quando disponível. Novos nódulos no trajeto linfático no início podem ser resposta paradoxal, não falha.
Otimizar o esquema oral3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª opçãoItraconazol em dose maiorFalha com 100–200 mg/dia
200 mg VO
12/12 h
Até a cura clínica
IDSA 2007. Dosar nível sérico
AlternativaTerbinafina em dose maiorFalha ou intolerância ao itraconazol
500 mg VO
12/12 h
Até a cura clínica
IDSA 2007 (1 g/dia). Monitorar transaminases e hemograma
AssociaçãoAssociação com iodeto de potássioCasos refratários selecionados
20–25 gotas VO (solução saturada), após titulação
2x/dia
Até a cura clínica
Somado ao itraconazol ou à terbinafina; ou associar criocirurgia
Resgate2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
ResgatePosaconazolRefratários graves; fora do SUS
400 mg VO (10 mL da suspensão 40 mg/mL)
12/12 h, após refeição
Até a cura clínica
Custo elevado; poucos estudos com S. brasiliensis
ResgateAnfotericina B complexo lipídicoSem resposta ao tratamento oral
5 mg/kg IV
1x/dia (ou 2–3x/semana em hospital-dia)
Até resposta clínica → itraconazol
Fornecido pelo MS para casos que não responderam ao tratamento oral
Quando esta rota entraArtrite, tenossinovite ou osteomielite por contiguidade (até dois focos), geralmente após mordedura em mão ou pé.
Esquema oral2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaItraconazolSBD 2022
ItraconazolInício: 200 mg VO
12/12 h
6 meses
Suspender se cura aos 6 meses, exceto HIV/aids (manter até CD4 >200/µL). IDSA 2007: ≥12 meses. Nível sérico após ≥2 semanas
ItraconazolSe ainda ativa: 200–400 mg/dia VO
1–2x/dia
+6 meses
AlternativaTerbinafinaImunocompetente com contraindicação ao itraconazol
250–1.000 mg VO
1–2x/dia
Até a cura
Faixa da SBD para a forma osteoarticular
Doença extensa ou sem resposta2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
InduçãoAnfotericina B lipídica → itraconazolDestruição extensa, imunossupressão ou falha oral
Anfotericina B complexo lipídico3–5 mg/kg IV
1x/dia
Até resposta
IDSA 2007. Desoxicolato 0,7–1 mg/kg/dia se não houver formulação lipídica
Quando esta rota entraForma pulmonar primária (DPOC, etilismo) ou multifocal; sempre excluir tuberculose.
Esquemas3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaItraconazolDoença leve a moderada
200 mg VO
12/12 h
≥12 meses (IDSA); SBD: 6–12 meses
Sem consenso sobre dose e duração; guiar pela gravidade e imagem. Nível sérico
GraveAnfotericina B lipídica → itraconazolDoença extensa ou ameaça à vida
Anfotericina B complexo lipídico3–5 mg/kg IV
1x/dia
Até resposta favorável
IDSA 2007
ItraconazolDepois: 200 mg VO
12/12 h
Completar ≥12 meses
AdjuvanteRessecção cirúrgicaDoença localizada ou cavitária
Lobectomia/ressecção associada ao antifúngico
—
—
Cirurgia precoce + anfotericina tem melhores resultados que fármaco isolado
Quando esta rota entraDisseminação hematogênica (cutânea difusa, ocular profunda, óssea multifocal, pulmonar, sepse) ou forma extensa em imunossuprimido.
Faça agora
Anti-HIV, fundo de olho, rastreio ósseo e punção lombar (na AIDS, mesmo sem sintomas neurológicos). Reduzir imunossupressores quando possível. Diluir anfotericina em SG 5%.
Indução (escolha uma formulação)3 esquemas
Duração: até resposta clínica — em torno de 10–14 dias (MS) e 2–6 semanas nas séries da SBD; trocar para itraconazol assim que possível.
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
PreferencialAnfotericina B complexo lipídicoFormulação fornecida pelo MS
5 mg/kg IV
1x/dia
Até resposta clínica
Solicitar ao MS com ficha, laudo de infecção fúngica e anti-HIV
AlternativaAnfotericina B lipossomalComplexo lipídico indisponível
3 mg/kg IV (IDSA: 3–5 mg/kg)
1x/dia
Até resposta clínica
No SUS, liberada quando falta o complexo lipídico ou há SNC
Sem lipídicaAnfotericina B desoxicolatoAusência das formulações lipídicas
0,7–1 mg/kg IV (máx. 50 mg/dia)
1x/dia
Até resposta (dose cumulativa 1–2 g, SBD)
Mais nefrotóxica; hidratar e repor K/Mg
Consolidação e manutenção2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
ConsolidaçãoItraconazolApós a anfotericina
200 mg VO
12/12 h
≥12 meses no total
Nível sérico após ≥2 semanas (IDSA: ≥1 µg/mL). Interações com antirretrovirais
ManutençãoItraconazol supressivoHIV/aids ou imunossupressão persistente
200 mg VO
1x/dia
Até CD4 >200 em 2 medidas com 6 meses de intervalo, ou por tempo indeterminado
SBD 2022 (experiência dos autores) e IDSA 2007
TARV: o momento ideal é incerto. A SBD sugere adiar o início, por analogia à criptococose e à tuberculose, quando há acometimento neurológico, CD4 muito baixo e carga viral alta (risco de SIRI com meningite). Itraconazol interage com efavirenz, ritonavir e darunavir.
Quando esta rota entraMeningite ou meningoencefalite por Sporothrix, quase sempre em AIDS ou outra imunossupressão grave.
Indução1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaAnfotericina B lipossomalSBD 2022; IDSA 2007; MS
5 mg/kg IV
1x/dia
4–6 semanas
Fornecida pelo MS para casos com SNC
Consolidação e supressão2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
ConsolidaçãoItraconazolApós a indução
200 mg VO
12/12 h
Completar ≥12 meses
Suspender só com remissão neurológica e líquor normal
ManutençãoItraconazol supressivoAlto risco de recidiva meníngea
200 mg VO
1x/dia
Prolongada ou vitalícia, se a imunossupressão persistir
Na AIDS, considerar suspender após CD4 >200 em 2 medidas com 6 meses de intervalo
Líquor a cada 3–6 meses até normalizar a celularidade. Hidrocefalia pode exigir derivação ventricular — com neurologia e neurocirurgia.
Quando esta rota entraLesão em conjuntiva, pálpebra ou vias lacrimais por inoculação direta, ou uveíte/retinite/endoftalmite por disseminação.
Esquemas2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaItraconazolAnexos oculares, imunocompetente
200 mg VO (criança: 5–10 mg/kg/dia)
1x/dia, após a refeição
Até a cura clínica (± 1 mês)
Acompanhamento oftalmológico; dacriocistite pode exigir abordagem cirúrgica
GraveEsquema da Rota 5Coriorretinite, endoftalmite, imunossuprimido
Anfotericina B lipídica (ver Rota 5)
1x/dia
Até resposta → itraconazol
Doença intraocular é forma sistêmica: investigar disseminação e SNC
Quando esta rota entraGestação ou amamentação com esporotricose — tratamento individualizado com obstetrícia.
Formas cutâneas3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaTermoterapiaMS 2024; SBD 2022; IDSA 2007
Calor local a 42–43 °C, 20–30 min
3x/dia
Até a cura clínica
Bolsa de água quente ou infravermelho; orientar contra queimadura
1ª escolhaCriocirurgiaAlternativa ou associada ao calor
Nitrogênio líquido em spray
Mensal
Até a cura clínica
Sem exposição fetal a fármacos
IndividualizarTerbinafinaLeve/moderada sem resposta aos métodos físicos
250–500 mg VO
1x/dia
Até a cura clínica
Categoria B; passa ao leite. Uso descrito em gestantes no Guia de Vigilância; pesar risco-benefício
Forma grave1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
GraveAnfotericina B lipídicaÚnica droga liberada na forma grave da gestante
3–5 mg/kg IV
1x/dia
Até resposta clínica
Não teratogênica. Desoxicolato 0,7–1 mg/kg/dia se não houver lipídica
Evitar1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
EvitarItraconazol e iodeto de potássio
ItraconazolNão usar
—
Gestação
Azóis: potencial teratogênico e embriotóxico. Iodeto: hipotireoidismo e bócio fetal
Iodeto de potássio (solução saturada)Contraindicado
—
Gestação e lactação
Quando esta rota entraCriança com forma cutânea, mucosa ou ocular — atenção à face e às apresentações atípicas.
Escolha um antifúngico3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaTerbinafinaLeve a moderada, >2 anos (SBD)
0,5 mg/kg/dia VO (máx. 40 mg; 20 mg/dia costuma bastar)
1x/dia
Desmame a cada 5–7 dias; retirada em 20–30 dias
Sempre com antifúngico. Eritema nodoso pede desmame mais lento
Resposta paradoxal1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
PreferirAINE ou iodeto de potássioNovas lesões/nódulos logo após iniciar o antifúngico
Manter o antifúngico; associar AINE, ou KI isolado
—
Até controle
Evitar corticoide: pode piorar a infecção e favorecer invasão óssea nas extremidades
Monitoramento durante o tratamento
Consultas mensais até a cura bastam na maioria das formas cutâneas. O laboratório serve para segurança: o itraconazol pesa no fígado, nos lipídios e nas interações; o iodeto, na tireoide e no potássio; a anfotericina, no rim.
Fármaco
O que monitorar
Itraconazol
Hemograma, bioquímica, lipidograma e função hepática antes e 30 dias após iniciar; repetir só se alterados ou com queixas. Nível sérico nas formas viscerais, falha ou interação (IDSA: ≥1 µg/mL após ≥2 semanas).
Terbinafina
Transaminases e hemograma (neutropenia); suspender se hepatite.
Iodeto de potássio
TSH, T4L, potássio e creatinina antes e após 1 mês; sinais de iodismo.
Anfotericina B
Creatinina, potássio e magnésio a cada 24–48 h; reações infusionais.
Imunossupressores
Tacrolimo e ciclosporina sobem muito com itraconazol — nível sérico rigoroso.
Cuidados locais e erros comuns
O curativo é simples: lavar com água e sabão, sem atrito, e ocluir as lesões abertas, trocando duas vezes ao dia. Óleo mineral ou vaselina líquida evitam que a gaze grude. Antissépticos e cremes não ajudam e podem causar dermatite de contato.
Corticoide tópico na lesão — reduz a imunidade local e aprofunda a lesão.
Fluconazol ou cetoconazol — baixa eficácia e recaídas.
Itraconazol manipulado em solução ou xarope — biodisponibilidade imprevisível.
Suspender antes da cura clínica — principal causa de recidiva.
Antibiótico tópico para infecção secundária — prefira antibiótico sistêmico.
Acesso aos medicamentos no SUS
O itraconazol 100 mg é garantido pelo Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica (Cesaf). O Ministério da Saúde também fornece o complexo lipídico de anfotericina B para formas graves, disseminadas ou refratárias, e a anfotericina B lipossomal para casos com SNC ou falta do complexo lipídico.
Para as anfotericinas, o serviço envia a Ficha de Solicitação de Medicamentos Antifúngicos para Micoses Sistêmicas Endêmicas, com laudo de infecção fúngica recente e resultado do teste anti-HIV, ao e-mail micosessistemicas@saude.gov.br. Iodeto de potássio é manipulado; terbinafina e posaconazol não constam do fornecimento federal para esporotricose.
Em 30 segundos
O essencial de cenários especiais
HIV/aids: doença sistêmica frequente, SNC em até 14% e mortalidade de ~30% nos casos graves.
Gestação: métodos físicos; anfotericina só na forma grave; sem azóis e sem iodeto.
Crianças: terbinafina ou iodeto de potássio; face e olho são sítios típicos.
Idoso e transplantado: interações do itraconazol e redução de imunossupressores.
O que muda em cada cenário
O mesmo fungo pede condutas diferentes conforme o hospedeiro. A tabela reúne o que fazer de diferente; os esquemas completos estão nas rotas da aba Tratamento.
Anti-HIV em todo caso extenso; PL, fundo de olho e rastreio ósseo; → e supressão até CD4 >200.
Gestação e lactação
Azóis teratogênicos; iodeto contraindicado.
Calor local e criocirurgia; individualizada; anfotericina só na forma grave.
Crianças
Lesões em face e conjuntiva; quadros atípicos atrasam o diagnóstico.
ou por faixa de peso; off-label nas moderadas/graves.
Idosos
Polifarmácia, fragilidade óssea, comorbidades.
Revisar interações; tem menos interações.
Transplante, anti-TNF, corticoide
Risco de forma sistêmica.
Reduzir imunossupressores; dosar tacrolimo/ciclosporina com itraconazol.
Mulher em idade fértil
Antifúngicos podem reduzir a eficácia do contraceptivo oral.
Associar método de barreira.
Etilismo, diabetes, DPOC
Formas pulmonares e disseminadas.
Controle da doença de base e redução do álcool.
HIV em destaque
Na AIDS, Sporothrix se comporta como oportunista e pode ser doença definidora. Com CD4 baixo e carga viral alta, aparecem lesões cutâneas disseminadas, meningoencefalite, pneumonia, endoftalmite e fungemia, com mortalidade em torno de 30% nas séries brasileiras.
A conduta é investigar todos os órgãos, induzir com anfotericina lipídica e manter por pelo menos 12 meses, seguido de supressão. Atenção às interações com efavirenz, ritonavir e darunavir e ao risco de SIRI com meningite ao iniciar a TARV.
PVHA com esporotricose sistêmica: punção lombar de rotina, mesmo sem sinais meníngeos — a neuroesporotricose pode ser oligossintomática.
Exposição ocupacional
Veterinários, auxiliares, agentes de controle de zoonoses e trabalhadores rurais podem adquirir a doença no trabalho. Quando a relação ocupacional existir, a unidade de saúde deve comunicar a vigilância, para que o empregador adote EPIs e processos seguros. Não há profilaxia pós-exposição com antifúngico após arranhadura: lave com água e sabão e observe a lesão.
Em 30 segundos
O essencial de seguimento e prevenção
Consultas mensais até a cura; rever 1–2 meses após suspender o tratamento.
Notificar caso suspeito e confirmado no e-SUS Sinan (notificação semanal).
Tratar o gato com veterinário, nunca abandonar; cremar ou incinerar cadáveres.
EPI para manejar gatos doentes e para jardinagem.
Como acompanhar
O seguimento é clínico. Nas formas cutâneas, a maioria cura em 3–6 meses; reavalie mensalmente a reepitelização e a adesão, e reveja o paciente 1–2 meses após suspender para dar alta por cura. Nas formas sistêmica e do SNC, o seguimento é longo e envolve imagem e líquor.
Consultas mensais até a cura clínica.
Exames do antes e após 30 dias; repetir só se necessário.
Osteoarticular: reavaliar aos 6 meses para decidir suspensão ou prolongamento.
SNC: líquor a cada 3–6 meses até normalizar.
Sequelas: cicatrizes hipertróficas, discromias, perda de cartilagem nasal ou auricular, anquilose — podem exigir cirurgia reparadora.
Saúde Única: o gato e o ambiente
Tratar o paciente sem cuidar do gato mantém a fonte ativa. Oriente o tutor a levar o animal ao médico-veterinário: o gato é tratado com itraconazol, isolado ou associado ao iodeto de potássio, por meses, e deve ficar separado dos outros animais e das pessoas até a cura. Castração reduz brigas e saídas à rua.
Eutanásia fica restrita a animais com lesões extensas e sem possibilidade terapêutica. O cadáver nunca deve ir para o lixo comum nem ser enterrado: acondicione em saco branco leitoso com símbolo de risco biológico, mantenha refrigerado e encaminhe à incineração ou cremação.
Fonte de infecção
Esporotricose felina
Lesões ulceradas e crostosas em face, nariz e patas, com grande quantidade de leveduras. Sinais respiratórios e lesão nasal pedem tratamento mais longo.
Prevenção individual e ambiental
Não há vacina para humanos nem para gatos. A prevenção combina barreira física no contato com animais e plantas, limpeza do ambiente e educação em saúde — com participação da comunidade e do controle de zoonoses.
Pessoa
Luvas descartáveis, avental de manga longa, máscara N95/PFF2 e óculos ao tratar o gato.
Lavar mãos e antebraços após o manejo e após tirar as luvas.
Luvas e calçados em jardinagem e trabalho rural.
Lavar arranhadura ou mordedura com água e sabão e procurar atendimento se a lesão persistir.
Ambiente
Hipoclorito de sódio nas superfícies onde o animal doente ficou.
Limpeza periódica de quintais; remover entulho e matéria orgânica.
Guarda responsável: não abandonar, castrar, restringir acesso à rua.
Cadáveres: incineração ou cremação, nunca enterro.
Notificação
Desde a Portaria GM/MS nº 6.734/2025, todo caso suspeito ou confirmado de esporotricose humana é de notificação compulsória semanal no e-SUS Sinan, em serviços públicos e privados. A confirmação pode ser por critério laboratorial (cultura ou método molecular) ou clínico-epidemiológico. A notificação aciona a busca do animal-fonte e de outros casos humanos.
Surto (casos acima do esperado): investigação ativa, alerta a hospitais e profissionais da região e integração com vigilância ambiental e saúde do trabalhador.
Armadilhas
Os erros mais comuns vêm de tratar a lesão como bacteriana, de esperar a cultura para começar e de parar o antifúngico cedo. Quase todos se evitam perguntando pelo gato e definindo a cura pela pele, não pelo calendário.
Erro
Por que é um problema
Como evitar
Ciclos de antibiótico para “piodermite”
Atrasa o diagnóstico; a lesão progride.
Perguntar sempre por gato doente e trauma vegetal.
Esperar a cultura para tratar
Cultura pode demorar e ser negativa.
Iniciar por critério clínico-epidemiológico (MS).
Itraconazol com IBP ou em jejum
Absorção cai, parece falha.
Após a refeição, com suco cítrico; sem antiácidos.
Suspender por tempo fixo
Recidiva.
Suspender pela cura clínica.
Corticoide na resposta paradoxal
Piora a infecção.
AINE ou iodeto de potássio.
Ignorar o gato
Reinfecção e novos casos na casa.
Encaminhar ao veterinário e ao controle de zoonoses.
Referências principais
1
Documento oficial2024
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. revisada, vol. 2 — Esporotricose. Brasília: MS; 2024.
2
Documento oficial2025
Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 6.734, de 18 de março de 2025. Inclui a esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública.
3
Documento oficial2025
Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 20/2025-CGTM/DATHI/SVSA/MS. Orientações para a notificação da esporotricose humana no e-SUS Sinan.
4
Artigo2022
Orofino-Costa R, Freitas DFS, Bernardes-Engemann AR, et al. Human sporotrichosis: recommendations from the Brazilian Society of Dermatology for the clinical, diagnostic and therapeutic management. An Bras Dermatol. 2022;97(6):757–777.
5
Artigo2017
Orofino-Costa R, Macedo PM, Rodrigues AM, Bernardes-Engemann AR. Sporotrichosis: an update on epidemiology, etiopathogenesis, laboratory and clinical therapeutics. An Bras Dermatol. 2017;92(5):606–620.
6
Diretriz2007
Kauffman CA, Bustamante B, Chapman SW, Pappas PG. Clinical practice guidelines for the management of sporotrichosis: 2007 update by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2007;45(10):1255–1265.
7
Diretriz2021
Thompson GR 3rd, Le T, Chindamporn A, et al. Global guideline for the diagnosis and management of the endemic mycoses: an initiative of the ECMM in cooperation with the ISHAM. Lancet Infect Dis. 2021;21(12):e364–e374.
Gremião IDF, Miranda LHM, Reis EG, et al. Zoonotic epidemic of sporotrichosis: cat to human transmission. PLoS Pathog. 2017;13(1):e1006077.
10
Documento oficial2021
Gremião IDF, Martins da Silva da Rocha E, Montenegro H, et al. Guideline for the management of feline sporotrichosis caused by Sporothrix brasiliensis and literature revision. Braz J Microbiol. 2021;52(1):107–124.
11
Artigo2016
Rodrigues AM, de Hoog GS, de Camargo ZP. Sporothrix species causing outbreaks in animals and humans driven by animal-animal transmission. PLoS Pathog. 2016;12(7):e1005638.
12
Documento oficial2020
Rossow JA, Queiroz-Telles F, Caceres DH, et al. A One Health approach to combatting Sporothrix brasiliensis: narrative review of an emerging zoonotic fungal pathogen in South America. J Fungi. 2020;6(4):247.
13
Artigo2014
Freitas DFS, Valle ACF, Silva MBT, et al. Sporotrichosis: an emerging neglected opportunistic infection in HIV-infected patients in Rio de Janeiro, Brazil. PLoS Negl Trop Dis. 2014;8(8):e3110.
14
Diretriz
World Health Organization. Mycetoma, chromoblastomycosis and other deep mycoses (doenças tropicais negligenciadas, inclui esporotricose). Genebra: WHO.
Aviso importante
Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Gestação e lactação (sem azóis e sem iodeto), dose pediátrica, interações e nível sérico do itraconazol, função tireoidiana com iodeto e função renal com anfotericina devem ser conferidos antes da prescrição.
Quando pensar em esporotricose
Lesão que não cicatriza + gato doente por perto
A suspeita nasce da combinação entre uma lesão cutânea subaguda ou crônica — pápula, nódulo, úlcera ou placa verrucosa — e uma exposição compatível. Hoje, no Brasil, a exposição mais comum é o gato com feridas: arranhadura, mordedura, contato com secreção ou até espirro na face.
Nódulos que sobem pelo trajeto linfático a partir da lesão inicial são o quadro clássico. Conjuntivite granulomatosa em criança que convive com gato, eritema nodoso ou artrite após uma lesão de pele também devem lembrar esporotricose.
Lesão nodular ou ulcerada que não responde ao antibiótico + contato com gato doente = esporotricose até prova em contrário.
Hospedeiro de risco
HIV com CD4 baixo, etilismo, diabetes, corticoide ou imunobiológico: procure doença disseminada, ocular profunda, óssea, pulmonar e do SNC.
Diagnóstico
Colha pus para cultura — e não espere para tratar
O pus é o melhor material: aspire um nódulo flutuante ou faça expressão profunda da úlcera após remover a crosta. A cultura em ágar Sabouraud ou Mycosel cresce em cerca de 5–8 dias, mas deve ser observada até 30 dias antes de ser dada como negativa.
Exame direto e histopatologia são pouco sensíveis em humanos: as leveduras aparecem em apenas 20–30% das biópsias. Por isso o Ministério da Saúde aceita iniciar o tratamento por critério clínico-epidemiológico enquanto a cultura está em andamento.
5–8 diasTempo médio de crescimento da cultura
20–30%Biópsias com leveduras visíveis
30 diasObservação antes de liberar cultura negativa
Tratamento
Itraconazol até a cura clínica
Nas formas cutâneas e mucosas, 100–200 mg/dia após a refeição resolve a grande maioria dos casos em cerca de 3–4 meses. A duração não é fixa: trata-se até a cura clínica — reepitelização completa, sem crosta, exsudato, infiltração ou eritema significativo.
e são alternativas eficazes, preferidas em crianças. Formas disseminadas, do SNC e do imunossuprimido grave começam com e seguem com itraconazol por pelo menos 12 meses.
100–200 mg/diaItraconazol nas formas cutâneas (MS: 200 mg/dia)
~3 mesesDuração média — até a cura clínica
≥12 mesesItraconazol após anfotericina na forma sistêmica
Prevenção e Saúde Única
Trate o gato, proteja as mãos, notifique
Não há vacina. A prevenção da esporotricose zoonótica depende de quebrar o ciclo gato–ambiente–humano: tratar o animal doente com o veterinário, manipulá-lo com luvas e avental, castrar para reduzir brigas e saída à rua, e nunca abandonar o gato doente.
Cadáveres de animais infectados devem ser incinerados ou cremados — enterrar devolve o fungo ao solo. Desde 2025, a esporotricose humana integra a Lista Nacional de Notificação Compulsória.
Luvas descartáveis, avental de manga longa e proteção ocular ao tratar o gato.
Lavar mãos e antebraços com água e sabão após o manejo.
Hipoclorito nas superfícies onde o animal doente ficou.
Cadáver em saco branco de risco biológico, refrigerado até a incineração.
Antifúngico triazólico
Itraconazol
Cápsula 100 mg (fornecida pelo SUS via Cesaf)
Cutânea / mucosa (adulto)100–200 mg VO · 1x/dia, após a refeição · Até a cura clínica (± 1 mês)
Papel no tratamento
Primeira escolha em quase todas as formas da esporotricose, com eficácia de 90–100% nas formas cutâneas. Consolidação e manutenção após anfotericina nas formas graves. Absorção errática e muitas interações.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antifúngico triazólico
Apresentação
Cápsula 100 mg (fornecida pelo SUS via Cesaf)
Posologia principal
100–200 mg VO · 1x/dia, após a refeição · Até a cura clínica (± 1 mês)
Outros esquemas
5 — ver aba Posologia
Atenção nesta doença
Itraconazol manipulado em solução ou xarope não é recomendado para humanos: biodisponibilidade imprevisível.
Antes de prescrever, confira
Gestação
Insuficiência cardíaca
Hepatite ativa
Dislipidemia grave
Via oral6 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Cutânea / mucosa (adulto)
100–200 mg VO
1x/dia, após a refeição
Até a cura clínica (± 1 mês)
MS: 200 mg/dia. SBD: iniciar com a menor dose e reavaliar após ≥1 mês
Falha nas formas cutâneas
200 mg VO
12/12 h
Até a cura clínica
IDSA 2007; avaliar adesão, absorção e nível sérico
Osteoarticular
200 mg VO
12/12 h
6 meses (+6 se ativa)
SBD 2022; IDSA: ≥12 meses
Pulmonar, sistêmica, pós-anfotericina
200 mg VO
12/12 h
≥12 meses no total
IDSA 2007
Supressiva (imunossuprimido)
200 mg VO
1x/dia
Até recuperação imune ou indefinida
HIV: até CD4 >200 em 2 medidas com 6 meses de intervalo
Cápsula de 100 mg: arredondar para múltiplos de 100 mg (ou abrir em suco cítrico, excepcionalmente). Não usar solução manipulada.
Como administrar
Administração
Dose única após o almoço, de preferência com suco cítrico. Não abrir a cápsula (exceto quem não consegue deglutir: misturar em suco cítrico). Evitar laticínios na mesma refeição.
Reduzem a absorção
Inibidores de bomba de prótons, anti-H2, antiácidos, sucralfato, acloridria e jejum.
Contraindicações e quando evitar
Gestação
Insuficiência cardíaca
Hepatite ativa
Dislipidemia grave
Uso com sinvastatina, lovastatina e outros substratos contraindicados do CYP3A4
Efeitos adversos
Cefaleia, epigastralgia, náusea, diarreia
Elevação de transaminases / hepatite
Dislipidemia, hipocalemia, edema
Piora de insuficiência cardíaca (inotrópico negativo)
Prolongamento do QT com outros fármacos
Monitoramento
Monitoramento
Hemograma, bioquímica, lipidograma e função hepática antes e 30 dias após iniciar. Nível sérico após ≥2 semanas nas formas viscerais ou falha (IDSA: ≥1 µg/mL; interpretar conforme o método).
Interações importantes
Amitriptilina (↑ QT — evitar)
Varfarina (↑ INR — evitar)
Bloqueadores de canal de cálcio (↑ níveis)
Sinvastatina e atorvastatina (rabdomiólise)
Carbamazepina (↑ carbamazepina, ↓ itraconazol)
Fenitoína e rifampicina (↓ itraconazol)
Efavirenz, ritonavir, darunavir
Tacrolimo e ciclosporina (↑ níveis — dosar)
Contraceptivo oral (↓ eficácia — usar barreira)
IBP, anti-H2, antiácidos (↓ absorção)
Gestação
Não usar: potencial teratogênico e embriotóxico.
Criança
Off-label; preferir terbinafina ou iodeto de potássio nas formas leves.
Idoso
Interações frequentes; considerar terbinafina.
Antes de prescrever, confira
Gestação
Insuficiência cardíaca
Hepatite ativa
Dislipidemia grave
Efeitos adversos mais relevantes
Cefaleia, epigastralgia, náusea, diarreia
Elevação de transaminases / hepatite
Dislipidemia, hipocalemia, edema
Piora de insuficiência cardíaca (inotrópico negativo)
Papel nesta doença
Primeira escolha em quase todas as formas da esporotricose, com eficácia de 90–100% nas formas cutâneas. Consolidação e manutenção após anfotericina nas formas graves. Absorção errática e muitas interações.
Alilamina (fungicida)
Terbinafina
Comprimido 125 e 250 mg
Adulto — cutânea250–500 mg VO · 1x/dia · Até a cura clínica (± 1 mês)
Papel no tratamento
Alternativa ao itraconazol nas formas cutâneas e 1ª escolha em crianças >2 anos com formas leves a moderadas. Poucas interações: útil em idosos e polimedicados.
Ficha de consulta rápida
Classe
Alilamina (fungicida)
Apresentação
Comprimido 125 e 250 mg
Posologia principal
250–500 mg VO · 1x/dia · Até a cura clínica (± 1 mês)
Outros esquemas
5 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Hepatopatia ativa ou crônica
Insuficiência renal importante
Lúpus eritematoso e psoríase (cautela)
Efeitos adversos mais relevantes
Cefaleia, náusea, dispepsia, diarreia
Alteração do paladar
Hepatotoxicidade (rara, grave)
Neutropenia
Esquemas nesta doença6 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto — cutânea
250–500 mg VO
1x/dia
Até a cura clínica (± 1 mês)
MS: 500 mg/dia
Adulto — falha terapêutica
500 mg VO
12/12 h
Até a cura clínica
IDSA 2007
Osteoarticular (imunocompetente)
250–1.000 mg/dia VO
1–2x/dia
Até a cura
SBD 2022
Criança <20 kg
62,5 mg VO
1x/dia
Até a cura clínica
MS
Criança 20–40 kg
125 mg VO
1x/dia
Até a cura clínica
MS
Criança >40 kg
250 mg VO
1x/dia
Até a cura clínica
MS
Como administrar
Administração
Com ou sem alimento; absorção não depende da acidez gástrica.
Antes de prescrever, confira
Hepatopatia ativa ou crônica
Insuficiência renal importante
Lúpus eritematoso e psoríase (cautela)
Contraindicações e quando evitar
Hepatopatia ativa ou crônica
Insuficiência renal importante
Lúpus eritematoso e psoríase (cautela)
Efeitos adversos
Cefaleia, náusea, dispepsia, diarreia
Alteração do paladar
Hepatotoxicidade (rara, grave)
Neutropenia
Exantema; precipitar psoríase ou lúpus
Monitoramento
Monitoramento
Transaminases antes e durante; hemograma (neutropenia).
Interações importantes
Inibe CYP2D6: antidepressivos tricíclicos, betabloqueadores, alguns antiarrítmicos
Rifampicina (↓ terbinafina)
Cimetidina (↑ terbinafina)
Ciclosporina (↓ níveis)
Como administrar
Administração
Com ou sem alimento; absorção não depende da acidez gástrica.
Hepático
Evitar em hepatopatia ativa ou crônica.
Renal
Evitar ou reduzir a dose com depuração de creatinina <50 mL/min.
Gestação
Categoria B; passa ao leite. Pesar risco-benefício; uso descrito nas formas leves a moderadas.
Criança
Primeira escolha nas formas leves a moderadas acima de 2 anos (SBD).
Antes de prescrever, confira
Hepatopatia ativa ou crônica
Insuficiência renal importante
Lúpus eritematoso e psoríase (cautela)
Efeitos adversos mais relevantes
Cefaleia, náusea, dispepsia, diarreia
Alteração do paladar
Hepatotoxicidade (rara, grave)
Neutropenia
Papel nesta doença
Alternativa ao itraconazol nas formas cutâneas e 1ª escolha em crianças >2 anos com formas leves a moderadas. Poucas interações: útil em idosos e polimedicados.
Iodeto inorgânico (antifúngico e imunomodulador)
Iodeto de potássio (solução saturada)
Solução saturada manipulada: 50 g de KI em 35 mL de água (0,07 g/gota)
AdultoInício 5 gotas → 20–25 gotas VO · 2x/dia, após refeição, com leite ou suco · Até a cura clínica (± 1 mês)
Papel no tratamento
Primeiro fármaco usado na esporotricose: barato e de resposta rápida. Alternativa nas formas cutâneas localizadas do imunocompetente, 1ª escolha em crianças com formas leves e nas formas imunorreativas. Nunca em monoterapia nas formas graves.
Ficha de consulta rápida
Classe
Iodeto inorgânico (antifúngico e imunomodulador)
Apresentação
Solução saturada manipulada: 50 g de KI em 35 mL de água (0,07 g/gota)
Posologia principal
Início 5 gotas → 20–25 gotas VO · 2x/dia, após refeição, com leite ou suco · Até a cura clínica (± 1 mês)
Outros esquemas
4 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Gestação e lactação
Doença tireoidiana
Alergia a iodo
Insuficiência renal
Esquemas nesta doença5 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto
Início 5 gotas → 20–25 gotas VO
2x/dia, após refeição, com leite ou suco
Até a cura clínica (± 1 mês)
Subir 1 gota por tomada por dia. 2,8–3,5 g/dia
Criança <20 kg
Até 10 gotas VO
2x/dia
Até a cura clínica
Iniciar com 5 gotas e titular (MS)
Criança 20–40 kg
Até 15 gotas VO
2x/dia
Até a cura clínica
MS; SBD: 1,4–2,1 g/dia
Criança >40 kg
20–25 gotas VO
2x/dia
Até a cura clínica
MS
Solução concentrada (0,05 g/gota)
Adulto 28–35 gotas; criança 14–21 gotas VO
2x/dia
Até a cura clínica
50 g de KI em 50 mL; iniciar com 7 gotas (SBD)
Como administrar
Administração
Nunca puro: diluir em leite ou suco de frutas, após as refeições. Doses iniciais maiores aumentam a toxicidade sem acelerar a resposta.
Contraindicações e quando evitar
Gestação e lactação
Doença tireoidiana
Alergia a iodo
Insuficiência renal
Doenças autoimunes
Monoterapia em formas disseminadas ou graves
Efeitos adversos
Gosto metálico, náusea, diarreia, dor abdominal, cefaleia
Primeiro fármaco usado na esporotricose: barato e de resposta rápida. Alternativa nas formas cutâneas localizadas do imunocompetente, 1ª escolha em crianças com formas leves e nas formas imunorreativas. Nunca em monoterapia nas formas graves.
Antifúngico triazólico de 2ª geração
Posaconazol
Suspensão oral 40 mg/mL
Resgate (adulto)400 mg VO (10 mL) · 12/12 h, após refeição · Até a cura clínica
Papel no tratamento
Terapia de resgate em casos refratários graves ou com intolerância ao itraconazol. Boa atividade in vitro contra S. brasiliensis, mas poucos estudos clínicos. Não disponível no SUS para esporotricose.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antifúngico triazólico de 2ª geração
Apresentação
Suspensão oral 40 mg/mL
Posologia principal
400 mg VO (10 mL) · 12/12 h, após refeição · Até a cura clínica
Antes de prescrever, confira
Gestação
Uso com sinvastatina, alcaloides do ergot e substratos do CYP3A4 que prolongam o QT
Efeitos adversos mais relevantes
Náusea, diarreia
Hepatotoxicidade
Prolongamento do QT
Hipocalemia
Esquemas nesta doença1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Resgate (adulto)
400 mg VO (10 mL)
12/12 h, após refeição
Até a cura clínica
MS/SBD: 600–800 mg/dia em casos graves
Como administrar
Administração
Com refeição rica em gordura para melhor absorção da suspensão.
Antes de prescrever, confira
Gestação
Uso com sinvastatina, alcaloides do ergot e substratos do CYP3A4 que prolongam o QT
Interações importantes
Forte inibidor do CYP3A4 (tacrolimo, ciclosporina, estatinas)
Rifampicina, fenitoína, efavirenz (↓ posaconazol)
Contraindicações e quando evitar
Gestação
Uso com sinvastatina, alcaloides do ergot e substratos do CYP3A4 que prolongam o QT
Efeitos adversos
Náusea, diarreia
Hepatotoxicidade
Prolongamento do QT
Hipocalemia
Monitoramento
Monitoramento
Função hepática, eletrólitos e ECG se houver outros fármacos que prolongam o QT.
Interações importantes
Forte inibidor do CYP3A4 (tacrolimo, ciclosporina, estatinas)
Rifampicina, fenitoína, efavirenz (↓ posaconazol)
Como administrar
Administração
Com refeição rica em gordura para melhor absorção da suspensão.
Papel nesta doença
Terapia de resgate em casos refratários graves ou com intolerância ao itraconazol. Boa atividade in vitro contra S. brasiliensis, mas poucos estudos clínicos. Não disponível no SUS para esporotricose.
Gestação
Evitar.
Antes de prescrever, confira
Gestação
Uso com sinvastatina, alcaloides do ergot e substratos do CYP3A4 que prolongam o QT
Efeitos adversos mais relevantes
Náusea, diarreia
Hepatotoxicidade
Prolongamento do QT
Hipocalemia
Papel nesta doença
Terapia de resgate em casos refratários graves ou com intolerância ao itraconazol. Boa atividade in vitro contra S. brasiliensis, mas poucos estudos clínicos. Não disponível no SUS para esporotricose.
Poliênico (formulação lipídica)
Anfotericina B complexo lipídico
Suspensão injetável 5 mg/mL
Sistêmica / refratária (MS)5 mg/kg IV · 1x/dia · Até resposta clínica (~10–14 dias)
Papel no tratamento
Formulação lipídica fornecida pelo Ministério da Saúde para formas graves, disseminadas ou refratárias ao tratamento oral. Induz o controle; o itraconazol completa o tratamento.
Ficha de consulta rápida
Classe
Poliênico (formulação lipídica)
Apresentação
Suspensão injetável 5 mg/mL
Posologia principal
5 mg/kg IV · 1x/dia · Até resposta clínica (~10–14 dias)
Outros esquemas
2 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade à anfotericina B
Efeitos adversos mais relevantes
Reações infusionais (febre, calafrios)
Nefrotoxicidade
Hipocalemia e hipomagnesemia
Anemia
Esquemas nesta doença3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Sistêmica / refratária (MS)
5 mg/kg IV
1x/dia
Até resposta clínica (~10–14 dias)
Depois, itraconazol
Faixa das diretrizes
3–5 mg/kg IV
1x/dia
2–6 semanas, até melhora
IDSA 2007; SBD 2022
Hospital-dia (casos menos graves)
5 mg/kg IV
2–3x/semana
Até resposta
SBD 2022
Dose por peso
Complexo lipídico — 3 mg/kg3 mg/kg/dia
—
Complexo lipídico — 5 mg/kg5 mg/kg/dia (MS)
—
Diluir em SG 5% a 1–2 mg/mL; infundir a 2,5 mg/kg/h. Função renal e eletrólitos prevalecem sobre o cálculo.
Como administrar
Diluição
Somente em SG 5% (incompatível com salina); concentração final de 1–2 mg/mL.
Acesso no SUS
Ficha de solicitação de antifúngicos para micoses endêmicas + laudo de infecção fúngica + anti-HIV para micosessistemicas@saude.gov.br.
Somente em SG 5% (incompatível com salina); concentração final de 1–2 mg/mL.
Acesso no SUS
Ficha de solicitação de antifúngicos para micoses endêmicas + laudo de infecção fúngica + anti-HIV para micosessistemicas@saude.gov.br.
Gestação
Única opção farmacológica liberada na forma grave da gestante.
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade à anfotericina B
Efeitos adversos mais relevantes
Reações infusionais (febre, calafrios)
Nefrotoxicidade
Hipocalemia e hipomagnesemia
Anemia
Papel nesta doença
Formulação lipídica fornecida pelo Ministério da Saúde para formas graves, disseminadas ou refratárias ao tratamento oral. Induz o controle; o itraconazol completa o tratamento.
Poliênico (formulação lipídica)
Anfotericina B lipossomal
Frasco-ampola 50 mg (pó liofilizado)
Sistêmica (MS)3 mg/kg IV · 1x/dia · Até resposta clínica
Papel no tratamento
1ª escolha na neuroesporotricose. Na forma sistêmica, alternativa quando o complexo lipídico não está disponível. No SUS, liberada para SNC ou falta do complexo lipídico.
Ficha de consulta rápida
Classe
Poliênico (formulação lipídica)
Apresentação
Frasco-ampola 50 mg (pó liofilizado)
Posologia principal
3 mg/kg IV · 1x/dia · Até resposta clínica
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade à anfotericina B
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade (menor que o desoxicolato)
Hipocalemia e hipomagnesemia
Reações infusionais
Esquemas nesta doença2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Sistêmica (MS)
3 mg/kg IV
1x/dia
Até resposta clínica
IDSA: 3–5 mg/kg/dia; depois itraconazol
SNC
5 mg/kg IV
1x/dia
4–6 semanas
Depois, itraconazol até ≥12 meses
Dose por peso
Lipossomal — 3 mg/kg3 mg/kg/dia (sistêmica)
—
Lipossomal — 5 mg/kg5 mg/kg/dia (SNC)
—
Frascos de 50 mg: dividir a dose por 50. Função renal e eletrólitos prevalecem sobre o cálculo.
Como administrar
Diluição
Reconstituir 50 mg em 12 mL de água para injeção (4 mg/mL); diluir em SG 5% a 0,2–2 mg/mL; infundir em ~2 h.
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade à anfotericina B
Contraindicações e quando evitar
Hipersensibilidade à anfotericina B
Efeitos adversos
Nefrotoxicidade (menor que o desoxicolato)
Hipocalemia e hipomagnesemia
Reações infusionais
Monitoramento
Monitoramento
Creatinina, potássio e magnésio a cada 24–48 h.
Interações importantes
Outros nefrotóxicos
Diuréticos e corticoides (↑ hipocalemia)
Como administrar
Diluição
Reconstituir 50 mg em 12 mL de água para injeção (4 mg/mL); diluir em SG 5% a 0,2–2 mg/mL; infundir em ~2 h.
Papel nesta doença
1ª escolha na neuroesporotricose. Na forma sistêmica, alternativa quando o complexo lipídico não está disponível. No SUS, liberada para SNC ou falta do complexo lipídico.
Gestação
Pode ser usada na forma grave.
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade à anfotericina B
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade (menor que o desoxicolato)
Hipocalemia e hipomagnesemia
Reações infusionais
Papel nesta doença
1ª escolha na neuroesporotricose. Na forma sistêmica, alternativa quando o complexo lipídico não está disponível. No SUS, liberada para SNC ou falta do complexo lipídico.
Poliênico (convencional)
Anfotericina B desoxicolato
Frasco-ampola 50 mg
Adulto (MS)1 mg/kg IV (máx. 50 mg/dia) · 1x/dia · Até resposta clínica
Papel no tratamento
Usada na forma sistêmica apenas quando não há formulação lipídica. Mais nefrotóxica e com mais reações infusionais.
Ficha de consulta rápida
Classe
Poliênico (convencional)
Apresentação
Frasco-ampola 50 mg
Posologia principal
1 mg/kg IV (máx. 50 mg/dia) · 1x/dia · Até resposta clínica
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Disfunção renal (preferir lipídica)
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade
Hipocalemia e hipomagnesemia
Cardiotoxicidade
Febre, calafrios e hipotensão na infusão
Esquemas nesta doença2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Adulto (MS)
1 mg/kg IV (máx. 50 mg/dia)
1x/dia
Até resposta clínica
Faixa das diretrizes: 0,5–1 mg/kg/dia; dose cumulativa 1–2 g (SBD)
Criança (disseminada)
0,7 mg/kg IV
1x/dia
Até resposta → itraconazol
IDSA 2007
Dose por peso
Desoxicolato — 0,7 mg/kg0,7 mg/kg/dia, teto 50 mg
—
Desoxicolato — 1 mg/kg1 mg/kg/dia, teto 50 mg
—
Volume = diluição final em SG 5%. Função renal, eletrólitos e protocolo institucional prevalecem sobre o cálculo.
Como administrar
Diluição
Somente em SG 5%, concentração final 0,1 mg/mL; infundir em 2–6 h.
Antes de iniciar
Hidratar com SF e corrigir potássio e magnésio.
Contraindicações e quando evitar
Disfunção renal (preferir lipídica)
Efeitos adversos
Nefrotoxicidade
Hipocalemia e hipomagnesemia
Cardiotoxicidade
Febre, calafrios e hipotensão na infusão
Anemia
Monitoramento
Monitoramento
Creatinina, potássio e magnésio a cada 24–48 h; ECG se hipocalemia.
Interações importantes
Aminoglicosídeos, AINEs, contraste iodado
Diuréticos (↑ perda de K/Mg)
Como administrar
Diluição
Somente em SG 5%, concentração final 0,1 mg/mL; infundir em 2–6 h.
Antes de iniciar
Hidratar com SF e corrigir potássio e magnésio.
Papel nesta doença
Usada na forma sistêmica apenas quando não há formulação lipídica. Mais nefrotóxica e com mais reações infusionais.
Gestação
Pode ser usada na forma grave quando não há lipídica.
Antes de prescrever, confira
Disfunção renal (preferir lipídica)
Efeitos adversos mais relevantes
Nefrotoxicidade
Hipocalemia e hipomagnesemia
Cardiotoxicidade
Febre, calafrios e hipotensão na infusão
Papel nesta doença
Usada na forma sistêmica apenas quando não há formulação lipídica. Mais nefrotóxica e com mais reações infusionais.
Glicocorticoide
Prednisona
Comprimido 5 e 20 mg
Imunorreativa (MS)0,5 mg/kg/dia VO · 1x/dia · Redução a cada 5–7 dias; retirada em 20–30 dias
Papel no tratamento
Só para formas imunorreativas (eritema nodoso, multiforme, Sweet, artrite reativa) moderadas a graves, sempre associada ao antifúngico. Não usar na resposta paradoxal nem como corticoide tópico.
Quando usar
Reação de hipersensibilidade com febre, artrite ou quadro cutâneo exuberante, após excluir outras causas.
Ficha de consulta rápida
Classe
Glicocorticoide
Apresentação
Comprimido 5 e 20 mg
Posologia principal
0,5 mg/kg/dia VO · 1x/dia · Redução a cada 5–7 dias; retirada em 20–30 dias
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção nesta doença
Corticoide pode favorecer invasão óssea nas lesões de extremidades.
Esquemas nesta doença2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Imunorreativa (MS)
0,5 mg/kg/dia VO
1x/dia
Redução a cada 5–7 dias; retirada em 20–30 dias
Eritema nodoso: desmame mais lento
Imunorreativa (SBD)
20–40 mg/dia VO (máx. 40 mg)
1x/dia
Retirada em 7–14 dias ou gradual
20 mg/dia costuma bastar
Dose por peso
Prednisona0,5 mg/kg/dia, máx. 40 mg/dia
—
Sempre com antifúngico eficaz.
Antes de prescrever, confira
Uso sem antifúngico
Resposta paradoxal (preferir AINE ou iodeto)
Aplicação tópica nas lesões
Contraindicações e quando evitar
Uso sem antifúngico
Resposta paradoxal (preferir AINE ou iodeto)
Aplicação tópica nas lesões
Efeitos adversos
Hiperglicemia
Hipertensão
Piora da infecção fúngica
Alterações de humor e sono
Monitoramento
Monitoramento
Glicemia, pressão arterial, piora das lesões específicas.
Papel nesta doença
Só para formas imunorreativas (eritema nodoso, multiforme, Sweet, artrite reativa) moderadas a graves, sempre associada ao antifúngico. Não usar na resposta paradoxal nem como corticoide tópico.
Consulta rápida
Esporotricose
O essencial
Quando suspeitar
Nódulo ou úlcera crônica após contato com gato doente ou trauma com plantas, sobretudo com nódulos em trajeto linfático.
Diagnóstico
Cultura é o padrão-ouro; exame direto e histologia raramente mostram o fungo. Contexto felino permite tratar por critério clínico-epidemiológico.
Tratamento
Itraconazol 100–200 mg/dia até a cura clínica nas formas cutâneas; anfotericina B lipídica nas formas graves e disseminadas.
Prevenção
Luvas ao manejar gatos doentes, tratar o animal, não abandonar e cremar cadáveres. Notificar todo caso suspeito.
Números rápidos
Incubação
1–2 semanas na transmissão felina; até meses na ambiental.
Esporotricose → nódulos em trajeto linfático após arranhadura de gato com feridas; agente no Brasil: S. brasiliensis.
Itraconazol é a escolha; gestante trata com calor local; iodeto de potássio é proibido na gestação; anfotericina lipídica nas formas sistêmicas.
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