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Leucocoria

Reflexo pupilar branco no lugar do vermelho-alaranjado normal. É um sinal de alarme na criança: as causas mais comuns são a catarata congênita e o retinoblastoma — este, um câncer que ameaça a vida. Toda leucocoria exige avaliação oftalmológica urgente com a pupila dilatada.

Tipo
Sinal (reflexo pupilar)
Origem
Cristalino, vítreo ou retina
Mecanismo
Luz refletida por tecido branco
Pista no exame
Excluir retinoblastoma
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Normalmente, a luz que entra na pupila é refletida pela retina e pela coroide, ricas em sangue, e volta vermelho-alaranjada. Quando algo branco está no caminho — cristalino opaco, membrana, tumor ou exsudato —, o reflexo volta branco.

Imagem clínica

Figura 1. Leucocoria em criança: reflexo branco em uma pupila, vermelho ou escuro na outra. Muitas vezes os pais percebem primeiro em fotografias com flash.

Roteiro de observação
  1. 1
    Uni ou bilateralCompare os dois olhos ao mesmo tempo (teste de Brückner).
  2. 2
    Cor e brilhoBranco-giz (retinoblastoma), branco-acinzentado (catarata), amarelado (Coats).
  3. 3
    Tamanho do olhoOlho menor sugere PFV ou microftalmia.
  4. 4
    AlinhamentoEstrabismo é a segunda apresentação mais comum do retinoblastoma.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Leucocoria é um sinal, não um diagnóstico.
  2. Na criança: retinoblastoma até prova em contrário — encaminhamento urgente.
  3. Catarata congênita é a causa mais comum, mas não a mais grave.
  4. Foto com flash mostrando reflexo branco merece a mesma atenção que o achado ao exame.

O que é leucocoria

O termo vem do grego leukos (branco) e kore (pupila). Descreve a pupila que brilha em branco quando iluminada, seja a olho nu, no teste do reflexo vermelho ou em fotografias com flash. É mais fácil de ver com a pupila dilatada e com o olhar em certas direções — por isso pode aparecer em uma foto e não na outra.

No adulto, a causa mais comum é uma catarata madura. Na criança, a lista é outra, e inclui doenças que cegam e que matam.

Sinal de alarme

Leucocoria em criança deve ser vista por oftalmologista com urgência. O retinoblastoma tem cura em mais de 95% dos casos nos países de alta renda quando diagnosticado cedo, mas o atraso aumenta o risco de perda do olho, metástase e morte.

Leucocoria verdadeira ou pseudoleucocoria?

Uma foto pode mostrar reflexo branco sem doença: quando o flash incide sobre o disco óptico (olhar desviado cerca de 15° para o lado nasal), o reflexo fica amarelo-esbranquiçado. Na dúvida, o exame dilatado esclarece — nunca se deve presumir que é artefato.

Leucocoria

  • Persistente em várias fotos
  • Reflexo branco ao oftalmoscópio
  • Pode haver estrabismo
  • Exame dilatado mostra lesão

Pseudoleucocoria

  • Só em certos ângulos
  • Reflexo do disco óptico
  • Reflexo vermelho normal ao exame
  • Também por miopia alta, anisometropia

Causas de leucocoria em imagens

A cor e a localização do branco dão pistas, mas não substituem o exame dilatado e a imagem (ultrassom, RM).

Leucocoria em fotografia com flash

Um olho com reflexo vermelho e o outro com reflexo branco. É a forma como muitas famílias percebem o problema. Leve a foto à consulta e examine logo.

Foto com flashUnilateralUrgente

Retinoblastoma

Massa branco-giz atrás de um cristalino transparente, às vezes com vasos na superfície e sementes no vítreo. Calcificações no ultrassom e na TC/RM reforçam o diagnóstico.

RetinoblastomaCristalino transparenteRisco de vida

Catarata congênita

O branco está no plano da pupila: o próprio cristalino está opaco. Iluminação oblíqua mostra a opacidade logo atrás da íris.

CatarataPlano da pupila

Doença de Coats

Reflexo amarelado por exsudação sub-retiniana maciça, em geral num menino, unilateral. Telangiectasias retinianas periféricas; sem calcificações no ultrassom.

CoatsAmareladoMeninos

O teste do reflexo vermelho é feito em ambiente escuro, com o oftalmoscópio direto a cerca de 30–50 cm, iluminando os dois olhos juntos.

Teste do reflexo vermelho, passo a passo

  1. Preparar

    Sala escura; bebê calmo e de olhos abertos; oftalmoscópio em 0 D.

  2. Iluminar os dois olhos

    A 30–50 cm, observe as duas pupilas ao mesmo tempo (Brückner).

  3. Comparar

    Cor, brilho e simetria. Normal: vermelho-alaranjado igual nos dois lados (mais pálido em pele muito pigmentada).

  4. Aproximar

    Olhe cada olho de mais perto para localizar sombras ou pontos.

  5. Agir

    Ausente, branco, assimétrico ou duvidoso: encaminhar ao oftalmologista com urgência.

O que o oftalmologista faz

Exame dilatado

Lâmpada de fenda e oftalmoscopia indireta; muitas vezes sob anestesia na criança pequena.

Ultrassom B

Massa com calcificação (retinoblastoma), talo hialoide (PFV), descolamento, exsudato.

Ressonância magnética

Estadiamento do retinoblastoma (nervo óptico, pineal). Evitar TC repetidas pela radiação.

Genética

Gene RB1 no retinoblastoma; aconselhamento familiar.

Modelo de registro

Teste do reflexo vermelho: OD reflexo vermelho-alaranjado, simétrico; OE reflexo branco (leucocoria), persistente em várias posições do olhar. Sem estrabismo manifesto. Encaminhado(a) ao oftalmologista com urgência para exame sob midríase.

Registre também quem notou o sinal (família, foto, consulta) e desde quando.

Principais causas na criança

A idade, a lateralidade, o tamanho do olho e a história de prematuridade orientam o diferencial.

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveMassa retiniana branca, calcificações
Como diferenciarOlho de tamanho normal, cristalino transparente; < 5 anos; pode ser bilateral (hereditário).
Achado-chaveOpacidade do cristalino
Como diferenciarBranco no plano da pupila; fundo pode ser normal no ultrassom.
Persistência da vasculatura fetal
Achado-chaveMembrana retrolental, olho pequeno
Como diferenciarUnilateral, microftalmia, processos ciliares estirados, talo hialoide.
Doença de Coats
Achado-chaveExsudação amarela, telangiectasias
Como diferenciarMeninos, unilateral; sem calcificação.
Retinopatia da prematuridade (estágios 4–5)
Achado-chaveDescolamento tracional
Como diferenciarPrematuro/baixo peso; bilateral.
Toxocaríase ocular
Achado-chaveGranuloma, tração
Como diferenciarCriança maior, contato com cães; inflamação.
Coloboma de coroide / retina
Achado-chaveÁrea branca inferior (esclera exposta)
Como diferenciarColoboma de íris associado; congênito, estável.
Descolamento de retina, hemorragia vítrea organizada, endoftalmite
Achado-chaveOutras causas
Como diferenciarTrauma (inclusive maus-tratos), Norrie, FEVR, hamartoma astrocítico.

Leucocoria não se trata — trata-se a causa. O papel de quem encontra o sinal é não atrasar o encaminhamento.

Para onde cada achado leva

SituaçãoConduta
Reflexo branco ou ausente em criançaOftalmologista com urgência (dias, não meses); se possível, serviço com oncologia ocular.
Suspeita de retinoblastomaCentro de referência: exame sob anestesia, ultrassom, RM; tratamento conforme o estádio.
Catarata congênitaCirurgia em semanas se densa; correção óptica e tratamento da ambliopia.
Foto com reflexo branco e exame normalRepetir o exame com midríase; orientar a família a trazer novas fotos.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 6: Pediatric Ophthalmology and Strabismus. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Diretriz2022
    American Academy of Ophthalmology Pediatric Ophthalmology/Strabismus Preferred Practice Pattern Panel. Pediatric Eye Evaluations Preferred Practice Pattern®. San Francisco: AAO; 2022.
  3. 3
    Revisão online2023
    StatPearls. Leukocoria. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; atualizado em 2023.
  4. 4
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Leukocoria. Acesso em 2026.
  5. 5
    Documento oficial2016
    Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância: detecção e intervenção precoce para prevenção de deficiências visuais. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
  6. 6
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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