Astrenmed

Bulário clínico · Anti-hipertensivo

Besilato de Anlodipino + Cloridrato de Benazepril

Associação em cápsula de bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico com inibidor da ECA, em tomada única diária, para hipertensão arterial não controlada com monoterapia. É a combinação testada no estudo ACCOMPLISH.

Via oral · cápsulaBCC + IECA1x/diaReceita simplesContraindicado na gestação

Revisado em pela equipe Astrenmed

Suspender assim que a gestação for confirmada

Inibidores da ECA usados no segundo e terceiro trimestres reduzem a função renal fetal e podem causar oligoidrâmnio, hipoplasia craniana, anúria, hipotensão e morte fetal ou neonatal. Em mulheres em idade fértil, orientar contracepção e planejar a troca antes da gestação.

Informações rápidas Toque em um cartão para abrir o resumo sem sair da página.

Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a associação anlodipino + benazepril?

É a combinação em cápsula única de anlodipino, bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico de meia-vida longa, com benazepril, inibidor da ECA convertido no fígado em benazeprilato. Os mecanismos se complementam na redução da resistência vascular, e a dilatação venosa do IECA reduz o edema periférico do anlodipino. No estudo ACCOMPLISH, essa combinação foi superior a IECA + tiazídico na redução de eventos cardiovasculares em hipertensos de alto risco.

ViaOral · cápsula 1x/dia
Faixa etáriaAdultos · idosos com dose menor
SUSNão incluído na RENAME
ReceitaReceita simples · sem retenção

Composição e papel de cada componente2 ativos

Besilato de anlodipino

Di-hidropiridina que bloqueia canais de cálcio tipo L na musculatura lisa vascular, promovendo vasodilatação periférica gradual e prolongada.

Bloqueador de canal de cálcio
Cloridrato de benazepril

Pró-fármaco convertido em benazeprilato, que inibe a formação de angiotensina II e a degradação da bradicinina, reduzindo resistência vascular e secreção de aldosterona.

Inibidor da ECA

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Hipertensão arterial não controlada com monoterapia com anlodipino ou com benazepril.
  • Substituição dos componentes isolados em pacientes já controlados com anlodipino e benazepril nas mesmas doses.
  • Pacientes com edema relevante pelo anlodipino em monoterapia, em que a associação com IECA reduz o edema.
  • Hipertensos de alto risco cardiovascular ou com DRC, em que a combinação IECA + BCC é preferencial.
Não indicado
  • Gestação, sobretudo no segundo e terceiro trimestres.
  • Insuficiência renal grave (ClCr ≤ 30 mL/min).
  • História de angioedema, inclusive associado a outro IECA.
  • Crianças e adolescentes, sem eficácia e segurança estabelecidas.
  • Urgência hipertensiva, pois o anlodipino tem início de ação lento.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis3 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Anlodipino 2,5 mg + Benazepril 10 mgIdosos e disfunção hepáticaCápsulaAnlodipino (como besilato) 2,5 mgCloridrato de benazepril 10 mgEmbalagens com 30 cápsulas.
Press Plus
Anlodipino 5 mg + Benazepril 10 mgCápsulaAnlodipino (como besilato) 5 mgCloridrato de benazepril 10 mgEmbalagens com 30 ou 60 cápsulas.
Press Plus
Anlodipino 5 mg + Benazepril 20 mgCápsulaAnlodipino (como besilato) 5 mgCloridrato de benazepril 20 mgEmbalagens com 30 ou 60 cápsulas.
Press Plus
Anlodipino 2,5 mg + Benazepril 10 mgCápsula
Idosos e disfunção hepática
Concentração / composição
Anlodipino (como besilato) 2,5 mgCloridrato de benazepril 10 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 cápsulas.
Nomes comerciais
Press Plus
Anlodipino 5 mg + Benazepril 10 mgCápsula
Concentração / composição
Anlodipino (como besilato) 5 mgCloridrato de benazepril 10 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 ou 60 cápsulas.
Nomes comerciais
Press Plus
Anlodipino 5 mg + Benazepril 20 mgCápsula
Concentração / composição
Anlodipino (como besilato) 5 mgCloridrato de benazepril 20 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 ou 60 cápsulas.
Nomes comerciais
Press Plus

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Dose1 cápsula 1x/dia

Com ou sem alimentos

Maior concentração5 mg + 20 mg

Acima disso, componentes isolados

Idoso · hepatopata2,5 mg + 10 mg

Dose inicial

Função renalClCr ≤ 30: evitar

Monitorar K⁺ e creatinina

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via oral3 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual2,5 mg + 10 mg (1 cápsula)1x/diaUso contínuoDose inicial em idosos, pacientes frágeis, de baixa estatura ou com disfunção hepática, e em quem não tolerou anlodipino 5 mg.
5 mg + 10 mg (1 cápsula)1x/diaUso contínuoControle insuficiente com monoterapia ou substituição dos componentes nas mesmas doses. Reavaliar em 1 a 2 semanas.
5 mg + 20 mg (1 cápsula)1x/diaUso contínuoMaior concentração disponível. Para anlodipino 10 mg ou benazepril 40 mg, usar componentes isolados ou associar diurético tiazídico.
Dose usual
2,5 mg + 10 mg (1 cápsula)1x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Dose inicial em idosos, pacientes frágeis, de baixa estatura ou com disfunção hepática, e em quem não tolerou anlodipino 5 mg.

5 mg + 10 mg (1 cápsula)1x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Controle insuficiente com monoterapia ou substituição dos componentes nas mesmas doses. Reavaliar em 1 a 2 semanas.

5 mg + 20 mg (1 cápsula)1x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Maior concentração disponível. Para anlodipino 10 mg ou benazepril 40 mg, usar componentes isolados ou associar diurético tiazídico.

Pediatria

Via oral1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Uso pediátricoNão recomendado——Segurança e eficácia da associação não estabelecidas em crianças e adolescentes.
Uso pediátrico
Não recomendado—
Detalhes
Duração—
Observações

Segurança e eficácia da associação não estabelecidas em crianças e adolescentes.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria D

Não usar

Interromper assim que a gravidez for detectada, pelo risco de morbimortalidade fetal e neonatal no segundo e terceiro trimestres. Substituir por metildopa, nifedipino de ação prolongada ou hidralazina.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Suspender a amamentação ou o medicamento

O benazeprilato passa em quantidade mínima para o leite e o anlodipino é excretado em pequena quantidade. Recomenda-se decidir entre suspender a amamentação ou o tratamento; enalapril ou captopril e anlodipino isolados têm mais dados na lactação.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
ClCr > 30 mL/minSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Monitorar creatinina e potássio nas primeiras semanas e após mudanças de dose.
ClCr ≤ 30 mL/minNão recomendadoNão usar a associação—Não recomendado. Usar os componentes isolados; o benazepril isolado é iniciado com 5 mg/dia nesses pacientes.
Insuficiência hepáticaAjustar dose2,5 mg + 10 mg1x/diaAjustar dose. A meia-vida do anlodipino se prolonga para cerca de 56 horas. Iniciar com a menor concentração e titular lentamente.
ClCr > 30 mL/minSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Monitorar creatinina e potássio nas primeiras semanas e após mudanças de dose.

ClCr ≤ 30 mL/minNão recomendado
Não usar a associação
Frequência—
Observações

Não recomendado. Usar os componentes isolados; o benazepril isolado é iniciado com 5 mg/dia nesses pacientes.

Insuficiência hepáticaAjustar dose
2,5 mg + 10 mg
Frequência1x/dia
Observações

Ajustar dose. A meia-vida do anlodipino se prolonga para cerca de 56 horas. Iniciar com a menor concentração e titular lentamente.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Idoso, paciente frágil ou de baixa estaturaDose inicial menor2,5 mg + 10 mg1x/diaDose inicial menor. Menor depuração do anlodipino. Atenção a hipotensão ortostática e função renal.
Depleção de volume ou uso de diuréticoCautelaCorrigir volemia antes1x/diaCautela. Risco de hipotensão sintomática na primeira dose; considerar suspender o diurético temporariamente.
Idoso, paciente frágil ou de baixa estaturaDose inicial menor
2,5 mg + 10 mg
Frequência1x/dia
Observações

Dose inicial menor. Menor depuração do anlodipino. Atenção a hipotensão ortostática e função renal.

Depleção de volume ou uso de diuréticoCautela
Corrigir volemia antes
Frequência1x/dia
Observações

Cautela. Risco de hipotensão sintomática na primeira dose; considerar suspender o diurético temporariamente.

Modelos de prescrição3 modelos

Dose usual — 2,5 mg + 10 mgUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — 5 mg + 10 mgUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — 5 mg + 20 mgUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesNão se aplicaReconstituiçãoNão requer
Via principalVia oral

Cápsula de tomada única diária, com ou sem alimentos, sempre no mesmo horário.

Técnica de aplicação5 passos

1
Horário fixo

Tomar uma vez ao dia, no mesmo horário, com um copo de água. Alimentos não interferem de forma relevante.

2
Engolir inteira

Não abrir nem mastigar a cápsula; para doses intermediárias, usar os componentes isolados.

3
Avalie a volemia

Em uso prolongado de diurético, dieta hipossódica, vômitos, diarreia ou diálise, corrigir a volemia antes de iniciar pelo risco de hipotensão de primeira dose.

4
Laboratório de base

Dosar creatinina e potássio antes de iniciar e repetir nas primeiras semanas e após mudança de dose.

5
Dose esquecida

Tomar assim que lembrar no mesmo dia; se já for perto da próxima dose, pular a esquecida. Não dobrar a dose.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
OralVia indicadaÚnica via com apresentação comercial. Tomada única diária, com ou sem alimentos.
SNG/SNEEvitarNão há dados de abertura da cápsula para administração por sonda. Preferir componentes isolados com dados de uso por sonda, como anlodipino comprimido triturado e disperso em água.
SublingualNão usarNão há apresentação nem dados para uso sublingual; não é opção para urgência hipertensiva.
EndovenosaNão se aplicaNão existe apresentação parenteral.
IntramuscularNão se aplicaNão existe apresentação parenteral.
SubcutâneaNão se aplicaNão existe apresentação parenteral.
RetalNão se aplicaNão há apresentação nem dados para uso retal.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
OralVia indicada
Observações

Única via com apresentação comercial. Tomada única diária, com ou sem alimentos.

SNG/SNEEvitar
Observações

Não há dados de abertura da cápsula para administração por sonda. Preferir componentes isolados com dados de uso por sonda, como anlodipino comprimido triturado e disperso em água.

SublingualNão usar
Observações

Não há apresentação nem dados para uso sublingual; não é opção para urgência hipertensiva.

EndovenosaNão se aplica
Observações

Não existe apresentação parenteral.

IntramuscularNão se aplica
Observações

Não existe apresentação parenteral.

SubcutâneaNão se aplica
Observações

Não existe apresentação parenteral.

RetalNão se aplica
Observações

Não há apresentação nem dados para uso retal.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Perioperatório

Suspender 24 horas antes

Em geral, suspender 24 horas antes e no dia da cirurgia pelo risco de hipotensão na indução anestésica, reversível com expansão volêmica. Em insuficiência cardíaca significativa ou hipertensão grave (PAS ≥ 180 ou PAD ≥ 120 mmHg), decidir com cirurgião e anestesista.

Doença aguda

Pausa em desidratação

Em vômitos, diarreia, febre alta ou baixa ingestão hídrica, considerar suspensão temporária até a recuperação, pelo risco de hipotensão, lesão renal aguda e hipercalemia.

Aférese e dessensibilização

Risco de anafilaxia

Reações anafilactoides foram descritas com IECA durante dessensibilização com veneno de himenópteros, aférese de LDL com sulfato de dextrano e hemodiálise com membranas de alto fluxo. Suspender temporariamente ou trocar a membrana ou a classe do anti-hipertensivo.

Sal com potássio

Evitar substitutos do sal

Substitutos do sal à base de cloreto de potássio e suplementos de potássio aumentam o risco de hipercalemia. Orientar o paciente na prescrição.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Angioedema, hipercalemia e toxicidade fetal

Monitorar potássio e creatinina, sobretudo com DRC, diabetes, insuficiência cardíaca e poupadores de potássio. Suspender e tratar como emergência qualquer angioedema. Interromper na gestação e orientar mulheres em idade fértil.

Contraindicações5 itens

  • Hipersensibilidade ao anlodipino, a outras di-hidropiridinas, ao benazepril, a outros inibidores da ECA ou a qualquer excipiente.
  • História de angioedema associado a IECA, angioedema hereditário ou idiopático.
  • Uso com sacubitril/valsartana; iniciar ou reiniciar apenas 36 horas após a última dose do outro fármaco.
  • Uso com alisquireno em diabéticos ou com TFG < 60 mL/min/1,73 m².
  • Gestação, sobretudo no segundo e terceiro trimestres.

Populações especiais

Gestação

Categoria D

IECA no segundo e terceiro trimestres causam hipotensão fetal, hipoplasia craniana, anúria, insuficiência renal, oligoidrâmnio, contraturas de membros e hipoplasia pulmonar. Interromper assim que a gestação for detectada, com acompanhamento ultrassonográfico do líquido amniótico; recém-nascidos expostos devem ser observados para hipotensão, oligúria e hipercalemia.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Benazeprilato e anlodipino passam em pequena quantidade para o leite. Decidir entre suspender a amamentação ou o tratamento, considerando o benefício para a mãe; enalapril ou captopril e anlodipino isolados têm mais dados na lactação.

Função renal

Ajustar dose

Sem ajuste com ClCr > 30 mL/min. Com ClCr ≤ 30 mL/min a associação não é recomendada; usar os componentes isolados. Na estenose de artéria renal e na insuficiência cardíaca grave, risco de azotemia, oligúria e insuficiência renal aguda.

Função hepática

Ajustar dose

Iniciar com 2,5 mg + 10 mg pela meia-vida prolongada do anlodipino. Suspender se houver icterícia colestática ou elevação acentuada de enzimas, pelo risco raro de hepatotoxicidade grave por IECA.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Pressão arterial no consultório e, quando possível, monitorização residencial.
  • Edema de tornozelo, cefaleia e rubor relacionados ao anlodipino.
  • Edema de face, lábios, língua ou dor abdominal inexplicada, sugestivos de angioedema.
  • Tosse seca persistente.
  • Angina ou piora isquêmica após início ou aumento de dose em coronariopatia obstrutiva grave.
Sinais de alerta
  • Potássio e creatinina antes de iniciar e nas primeiras semanas de tratamento.
  • Reavaliar se creatinina subir mais de 30% ou potássio > 5,5 mEq/L.
  • Leucograma periódico em colagenoses, especialmente com disfunção renal.
  • Teste de gravidez ou orientação contraceptiva em mulheres em idade fértil.

Eventos adversos

Comuns1% a < 10%
Tosse secaCefaleia e tonturaEdema periférico, menos frequente que com anlodipino isoladoFadiga
Incomuns0,1% a < 1%
Hipotensão e hipotensão ortostáticaPalpitações e ruborNáusea, dispepsia e dor abdominalErupção cutânea e pruridoHipercalemia e aumento de ureia e creatinina
Raros< 0,1%
Edema facialNeutropenia e agranulocitoseHiperplasia gengivalHepatite colestática
GravesAtendimento imediato
Angioedema de face, língua, glote ou laringe, e angioedema intestinalHipercalemia graveInsuficiência renal agudaPiora de angina ou infarto agudo em coronariopatia obstrutiva grave

Advertências

  • Depleção de volume ou de sódio aumenta o risco de hipotensão sintomática; corrigir antes de iniciar.
  • Angioedema pode ocorrer a qualquer momento; envolvimento de língua, glote ou laringe exige epinefrina subcutânea e manejo de via aérea. Pacientes negros têm risco maior.
  • Na insuficiência cardíaca congestiva, IECA podem causar hipotensão acentuada com oligúria e azotemia; iniciar sob supervisão e monitorar nas 2 primeiras semanas.
  • Na estenose uni ou bilateral de artéria renal, pode haver elevação de ureia e creatinina, reversível com a suspensão.
  • Raramente, coronariopatas graves apresentaram piora de angina ou infarto após início ou aumento do bloqueador de canal de cálcio.
  • Cautela na estenose aórtica grave e na insuficiência cardíaca.
  • Neutropenia e agranulocitose são mais frequentes em colagenoses com disfunção renal.
  • Evitar o duplo bloqueio do sistema renina-angiotensina com BRA ou alisquireno.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação2 componentes

Besilato de anlodipino

Bloqueador de canais de cálcio tipo L da família das di-hidropiridinas, com seletividade vascular. Reduz a entrada de cálcio na musculatura lisa arteriolar e diminui a resistência vascular periférica, com início gradual e meia-vida longa que sustentam o efeito em dose única diária sem taquicardia reflexa relevante.

Cloridrato de benazepril

Pró-fármaco hidrolisado no fígado em benazeprilato, inibidor da enzima conversora da angiotensina. Reduz angiotensina II e aldosterona, com vasodilatação e discreta elevação do potássio, e aumenta a bradicinina, que contribui para a vasodilatação e explica tosse e angioedema. A dilatação venosa reduz o edema causado pelo anlodipino.

Farmacocinética

Sem interação entre os componentes

Anlodipino: biodisponibilidade de 64 a 80%, pico em 6 a 12 horas, volume de distribuição de cerca de 21 L/kg, ligação proteica de cerca de 93 a 97%, metabolismo hepático pelo CYP3A4 e meia-vida de 35 a 50 horas, que chega a 56 horas na disfunção hepática.

Benazepril: absorção rápida e efeito de primeira passagem extenso, com conversão em benazeprilato; ligação proteica de cerca de 95%, volume de distribuição de cerca de 0,7 L/kg, meia-vida efetiva de cerca de 10 a 11 horas e eliminação renal e biliar.

t½ anlodipino 35–50 hBenazeprilato t½ ≈ 11 hCYP3A4Com ou sem alimentos
Evidência clínica

ACCOMPLISH

Em mais de 11 mil hipertensos de alto risco, benazepril + anlodipino reduziu em cerca de 20% o desfecho combinado de morte cardiovascular, infarto, AVC, hospitalização por angina, ressuscitação e revascularização, em comparação a benazepril + hidroclorotiazida.

O mesmo estudo mostrou menor progressão da doença renal crônica com a combinação IECA + BCC, o que reforça seu papel como combinação preferencial.

ACCOMPLISHIECA + BCC−20% eventos CVProteção renal

Interações medicamentosas

Diuréticos poupadores de potássio, suplementos e substitutos do sal com potássio, trimetoprima, heparina, ciclosporina e tacrolimo aumentam o risco de hipercalemia. O duplo bloqueio com BRA ou alisquireno eleva hipercalemia, hipotensão e lesão renal e é contraindicado com alisquireno em diabéticos ou na TFG < 60 mL/min/1,73 m². Sacubitril/valsartana é contraindicado pelo risco de angioedema, e inibidores de mTOR, gliptinas e racecadotril também aumentam esse risco. Inibidores do CYP3A4, como claritromicina, itraconazol, cetoconazol, ritonavir, diltiazem e verapamil, elevam o anlodipino e podem causar hipotensão e edema; indutores como rifampicina e carbamazepina reduzem seu efeito. A sinvastatina deve ser limitada a 20 mg/dia, e ciclosporina e tacrolimo exigem dosagem sérica. O lítio tem a depuração reduzida pelo IECA e deve ser monitorado. AINEs reduzem o efeito anti-hipertensivo e podem precipitar lesão renal aguda em idosos ou desidratados. Diuréticos potencializam a hipotensão de primeira dose. Insulina e antidiabéticos orais podem ter efeito hipoglicemiante aumentado, e ouro injetável pode causar reações nitritoides.

Informação regulatória

SUSFora da RENAMEA associação não integra a RENAME nem o Programa Farmácia Popular. No SUS, a combinação IECA + BCC pode ser feita com enalapril ou captopril e anlodipino em comprimidos separados.
GenéricoNão disponívelNão há genérico registrado da associação anlodipino + benazepril.
ATCC09BB13Classificação WHO ATC/DDD: inibidores da ECA e bloqueadores de canal de cálcio; benazepril e anlodipino, código C09BB13.

Receituário

Tipo de receitaReceita simples
Número de vias1 via
RetençãoNão
ValidadeSem prazo específico de controle especial

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Press Plus® — besilato de anlodipino + cloridrato de benazepril

Biolab Sanus Farmacêutica Ltda. Bula para o profissional de saúde, Bulário Eletrônico da ANVISA. Apresentações, posologia, populações especiais e advertências.

2024
02
Bula profissional

Lotrel® — amlodipine and benazepril hydrochloride

Prescribing information aprovada pela FDA. Dose inicial em idosos e hepatopatas, uso na insuficiência renal grave e contraindicações de classe.

2023
03
Relação nacional

RENAME 2024 — Relação Nacional de Medicamentos Essenciais

Ministério da Saúde. Elenco de anti-hipertensivos do Componente Básico da Assistência Farmacêutica.

2024
04
Diretriz brasileira

Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial

Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. Combinações preferenciais e terapia combinada.

2025
05
Diretriz internacional

2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension

European Society of Cardiology. Combinação de bloqueador do SRAA com BCC.

2024
06
Estudo clínico

ACCOMPLISH Trial Investigators. N Engl J Med 2008;359:2417-28

Benazepril + anlodipino versus benazepril + hidroclorotiazida em hipertensos de alto risco.

2008
07
Classificação

WHO ATC/DDD Index · C09BB13

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Benazepril e anlodipino.

2026
Revisão Astrenmed: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
Rolar para cima