Gestação
Categoria DNão usar
Interromper assim que a gravidez for detectada, pelo risco de morbimortalidade fetal e neonatal no segundo e terceiro trimestres. Substituir por metildopa, nifedipino de ação prolongada ou hidralazina.
Associação em cápsula de bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico com inibidor da ECA, em tomada única diária, para hipertensão arterial não controlada com monoterapia. É a combinação testada no estudo ACCOMPLISH.
Revisado em pela equipe Astrenmed
Inibidores da ECA usados no segundo e terceiro trimestres reduzem a função renal fetal e podem causar oligoidrâmnio, hipoplasia craniana, anúria, hipotensão e morte fetal ou neonatal. Em mulheres em idade fértil, orientar contracepção e planejar a troca antes da gestação.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
É a combinação em cápsula única de anlodipino, bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico de meia-vida longa, com benazepril, inibidor da ECA convertido no fígado em benazeprilato. Os mecanismos se complementam na redução da resistência vascular, e a dilatação venosa do IECA reduz o edema periférico do anlodipino. No estudo ACCOMPLISH, essa combinação foi superior a IECA + tiazídico na redução de eventos cardiovasculares em hipertensos de alto risco.
Di-hidropiridina que bloqueia canais de cálcio tipo L na musculatura lisa vascular, promovendo vasodilatação periférica gradual e prolongada.
Pró-fármaco convertido em benazeprilato, que inibe a formação de angiotensina II e a degradação da bradicinina, reduzindo resistência vascular e secreção de aldosterona.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Anlodipino 2,5 mg + Benazepril 10 mgIdosos e disfunção hepática | Cápsula | Anlodipino (como besilato) 2,5 mgCloridrato de benazepril 10 mg | Embalagens com 30 cápsulas. | Press Plus |
| Anlodipino 5 mg + Benazepril 10 mg | Cápsula | Anlodipino (como besilato) 5 mgCloridrato de benazepril 10 mg | Embalagens com 30 ou 60 cápsulas. | Press Plus |
| Anlodipino 5 mg + Benazepril 20 mg | Cápsula | Anlodipino (como besilato) 5 mgCloridrato de benazepril 20 mg | Embalagens com 30 ou 60 cápsulas. | Press Plus |
Dose, frequência e duração por população.
Com ou sem alimentos
Acima disso, componentes isolados
Dose inicial
Monitorar K⁺ e creatinina
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 2,5 mg + 10 mg (1 cápsula) | 1x/dia | Uso contínuo | Dose inicial em idosos, pacientes frágeis, de baixa estatura ou com disfunção hepática, e em quem não tolerou anlodipino 5 mg. |
| 5 mg + 10 mg (1 cápsula) | 1x/dia | Uso contínuo | Controle insuficiente com monoterapia ou substituição dos componentes nas mesmas doses. Reavaliar em 1 a 2 semanas. | |
| 5 mg + 20 mg (1 cápsula) | 1x/dia | Uso contínuo | Maior concentração disponível. Para anlodipino 10 mg ou benazepril 40 mg, usar componentes isolados ou associar diurético tiazídico. |
Dose inicial em idosos, pacientes frágeis, de baixa estatura ou com disfunção hepática, e em quem não tolerou anlodipino 5 mg.
Controle insuficiente com monoterapia ou substituição dos componentes nas mesmas doses. Reavaliar em 1 a 2 semanas.
Maior concentração disponível. Para anlodipino 10 mg ou benazepril 40 mg, usar componentes isolados ou associar diurético tiazídico.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Uso pediátrico | Não recomendado | — | — | Segurança e eficácia da associação não estabelecidas em crianças e adolescentes. |
Segurança e eficácia da associação não estabelecidas em crianças e adolescentes.
Não usar
Interromper assim que a gravidez for detectada, pelo risco de morbimortalidade fetal e neonatal no segundo e terceiro trimestres. Substituir por metildopa, nifedipino de ação prolongada ou hidralazina.
Suspender a amamentação ou o medicamento
O benazeprilato passa em quantidade mínima para o leite e o anlodipino é excretado em pequena quantidade. Recomenda-se decidir entre suspender a amamentação ou o tratamento; enalapril ou captopril e anlodipino isolados têm mais dados na lactação.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| ClCr > 30 mL/minSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste. Monitorar creatinina e potássio nas primeiras semanas e após mudanças de dose. |
| ClCr ≤ 30 mL/minNão recomendado | Não usar a associação | — | Não recomendado. Usar os componentes isolados; o benazepril isolado é iniciado com 5 mg/dia nesses pacientes. |
| Insuficiência hepáticaAjustar dose | 2,5 mg + 10 mg | 1x/dia | Ajustar dose. A meia-vida do anlodipino se prolonga para cerca de 56 horas. Iniciar com a menor concentração e titular lentamente. |
Sem ajuste. Monitorar creatinina e potássio nas primeiras semanas e após mudanças de dose.
Não recomendado. Usar os componentes isolados; o benazepril isolado é iniciado com 5 mg/dia nesses pacientes.
Ajustar dose. A meia-vida do anlodipino se prolonga para cerca de 56 horas. Iniciar com a menor concentração e titular lentamente.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| Idoso, paciente frágil ou de baixa estaturaDose inicial menor | 2,5 mg + 10 mg | 1x/dia | Dose inicial menor. Menor depuração do anlodipino. Atenção a hipotensão ortostática e função renal. |
| Depleção de volume ou uso de diuréticoCautela | Corrigir volemia antes | 1x/dia | Cautela. Risco de hipotensão sintomática na primeira dose; considerar suspender o diurético temporariamente. |
Dose inicial menor. Menor depuração do anlodipino. Atenção a hipotensão ortostática e função renal.
Cautela. Risco de hipotensão sintomática na primeira dose; considerar suspender o diurético temporariamente.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Cápsula de tomada única diária, com ou sem alimentos, sempre no mesmo horário.
Tomar uma vez ao dia, no mesmo horário, com um copo de água. Alimentos não interferem de forma relevante.
Não abrir nem mastigar a cápsula; para doses intermediárias, usar os componentes isolados.
Em uso prolongado de diurético, dieta hipossódica, vômitos, diarreia ou diálise, corrigir a volemia antes de iniciar pelo risco de hipotensão de primeira dose.
Dosar creatinina e potássio antes de iniciar e repetir nas primeiras semanas e após mudança de dose.
Tomar assim que lembrar no mesmo dia; se já for perto da próxima dose, pular a esquecida. Não dobrar a dose.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Oral | Via indicada | Única via com apresentação comercial. Tomada única diária, com ou sem alimentos. |
| SNG/SNE | Evitar | Não há dados de abertura da cápsula para administração por sonda. Preferir componentes isolados com dados de uso por sonda, como anlodipino comprimido triturado e disperso em água. |
| Sublingual | Não usar | Não há apresentação nem dados para uso sublingual; não é opção para urgência hipertensiva. |
| Endovenosa | Não se aplica | Não existe apresentação parenteral. |
| Intramuscular | Não se aplica | Não existe apresentação parenteral. |
| Subcutânea | Não se aplica | Não existe apresentação parenteral. |
| Retal | Não se aplica | Não há apresentação nem dados para uso retal. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
Única via com apresentação comercial. Tomada única diária, com ou sem alimentos.
Não há dados de abertura da cápsula para administração por sonda. Preferir componentes isolados com dados de uso por sonda, como anlodipino comprimido triturado e disperso em água.
Não há apresentação nem dados para uso sublingual; não é opção para urgência hipertensiva.
Não existe apresentação parenteral.
Não existe apresentação parenteral.
Não existe apresentação parenteral.
Não há apresentação nem dados para uso retal.
Não se aplica.
Em geral, suspender 24 horas antes e no dia da cirurgia pelo risco de hipotensão na indução anestésica, reversível com expansão volêmica. Em insuficiência cardíaca significativa ou hipertensão grave (PAS ≥ 180 ou PAD ≥ 120 mmHg), decidir com cirurgião e anestesista.
Em vômitos, diarreia, febre alta ou baixa ingestão hídrica, considerar suspensão temporária até a recuperação, pelo risco de hipotensão, lesão renal aguda e hipercalemia.
Reações anafilactoides foram descritas com IECA durante dessensibilização com veneno de himenópteros, aférese de LDL com sulfato de dextrano e hemodiálise com membranas de alto fluxo. Suspender temporariamente ou trocar a membrana ou a classe do anti-hipertensivo.
Substitutos do sal à base de cloreto de potássio e suplementos de potássio aumentam o risco de hipercalemia. Orientar o paciente na prescrição.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
Monitorar potássio e creatinina, sobretudo com DRC, diabetes, insuficiência cardíaca e poupadores de potássio. Suspender e tratar como emergência qualquer angioedema. Interromper na gestação e orientar mulheres em idade fértil.
IECA no segundo e terceiro trimestres causam hipotensão fetal, hipoplasia craniana, anúria, insuficiência renal, oligoidrâmnio, contraturas de membros e hipoplasia pulmonar. Interromper assim que a gestação for detectada, com acompanhamento ultrassonográfico do líquido amniótico; recém-nascidos expostos devem ser observados para hipotensão, oligúria e hipercalemia.
Benazeprilato e anlodipino passam em pequena quantidade para o leite. Decidir entre suspender a amamentação ou o tratamento, considerando o benefício para a mãe; enalapril ou captopril e anlodipino isolados têm mais dados na lactação.
Sem ajuste com ClCr > 30 mL/min. Com ClCr ≤ 30 mL/min a associação não é recomendada; usar os componentes isolados. Na estenose de artéria renal e na insuficiência cardíaca grave, risco de azotemia, oligúria e insuficiência renal aguda.
Iniciar com 2,5 mg + 10 mg pela meia-vida prolongada do anlodipino. Suspender se houver icterícia colestática ou elevação acentuada de enzimas, pelo risco raro de hepatotoxicidade grave por IECA.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Bloqueador de canais de cálcio tipo L da família das di-hidropiridinas, com seletividade vascular. Reduz a entrada de cálcio na musculatura lisa arteriolar e diminui a resistência vascular periférica, com início gradual e meia-vida longa que sustentam o efeito em dose única diária sem taquicardia reflexa relevante.
Pró-fármaco hidrolisado no fígado em benazeprilato, inibidor da enzima conversora da angiotensina. Reduz angiotensina II e aldosterona, com vasodilatação e discreta elevação do potássio, e aumenta a bradicinina, que contribui para a vasodilatação e explica tosse e angioedema. A dilatação venosa reduz o edema causado pelo anlodipino.
Anlodipino: biodisponibilidade de 64 a 80%, pico em 6 a 12 horas, volume de distribuição de cerca de 21 L/kg, ligação proteica de cerca de 93 a 97%, metabolismo hepático pelo CYP3A4 e meia-vida de 35 a 50 horas, que chega a 56 horas na disfunção hepática.
Benazepril: absorção rápida e efeito de primeira passagem extenso, com conversão em benazeprilato; ligação proteica de cerca de 95%, volume de distribuição de cerca de 0,7 L/kg, meia-vida efetiva de cerca de 10 a 11 horas e eliminação renal e biliar.
Em mais de 11 mil hipertensos de alto risco, benazepril + anlodipino reduziu em cerca de 20% o desfecho combinado de morte cardiovascular, infarto, AVC, hospitalização por angina, ressuscitação e revascularização, em comparação a benazepril + hidroclorotiazida.
O mesmo estudo mostrou menor progressão da doença renal crônica com a combinação IECA + BCC, o que reforça seu papel como combinação preferencial.
Diuréticos poupadores de potássio, suplementos e substitutos do sal com potássio, trimetoprima, heparina, ciclosporina e tacrolimo aumentam o risco de hipercalemia. O duplo bloqueio com BRA ou alisquireno eleva hipercalemia, hipotensão e lesão renal e é contraindicado com alisquireno em diabéticos ou na TFG < 60 mL/min/1,73 m². Sacubitril/valsartana é contraindicado pelo risco de angioedema, e inibidores de mTOR, gliptinas e racecadotril também aumentam esse risco. Inibidores do CYP3A4, como claritromicina, itraconazol, cetoconazol, ritonavir, diltiazem e verapamil, elevam o anlodipino e podem causar hipotensão e edema; indutores como rifampicina e carbamazepina reduzem seu efeito. A sinvastatina deve ser limitada a 20 mg/dia, e ciclosporina e tacrolimo exigem dosagem sérica. O lítio tem a depuração reduzida pelo IECA e deve ser monitorado. AINEs reduzem o efeito anti-hipertensivo e podem precipitar lesão renal aguda em idosos ou desidratados. Diuréticos potencializam a hipotensão de primeira dose. Insulina e antidiabéticos orais podem ter efeito hipoglicemiante aumentado, e ouro injetável pode causar reações nitritoides.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Biolab Sanus Farmacêutica Ltda. Bula para o profissional de saúde, Bulário Eletrônico da ANVISA. Apresentações, posologia, populações especiais e advertências.
Prescribing information aprovada pela FDA. Dose inicial em idosos e hepatopatas, uso na insuficiência renal grave e contraindicações de classe.
Ministério da Saúde. Elenco de anti-hipertensivos do Componente Básico da Assistência Farmacêutica.
Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. Combinações preferenciais e terapia combinada.
European Society of Cardiology. Combinação de bloqueador do SRAA com BCC.
Benazepril + anlodipino versus benazepril + hidroclorotiazida em hipertensos de alto risco.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Benazepril e anlodipino.