Gestação
Categoria CUsar se o benefício justificar
Dados limitados em gestantes. Betabloqueadores reduzem a perfusão placentária e podem causar restrição de crescimento, bradicardia e hipoglicemia neonatais; observar o recém-nascido.
Betabloqueador não seletivo com bloqueio alfa-1 vasodilatador, de benefício comprovado em mortalidade na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, também usado na hipertensão arterial e na angina estável.
Revisado em pela equipe Astrenmed
Na insuficiência cardíaca, iniciar com 3,125 mg 2x/dia somente em paciente estável e euvolêmico, dobrando a dose a cada 2 semanas ou mais. Durante a titulação, pode haver piora transitória da congestão, hipotensão e bradicardia; ajustar o diurético antes de reduzir o betabloqueador.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
É um betabloqueador não seletivo de terceira geração, com bloqueio alfa-1 adicional que produz vasodilatação e reduz a resistência vascular periférica. É um dos betabloqueadores com redução comprovada de mortalidade e hospitalização na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, ao lado do succinato de metoprolol e do bisoprolol. Na hipertensão e na angina, é alternativa quando há indicação de betabloqueio, com menor impacto glicêmico que os agentes tradicionais.
Mistura racêmica: o enantiômero S bloqueia receptores beta e alfa-1, e o R, apenas alfa-1. Resulta em queda da frequência cardíaca e vasodilatação periférica.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Carvedilol 3,125 mgRENAME | Comprimido | 3,125 mg | Embalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante. | CardilolIctus |
| Carvedilol 6,25 mgRENAME | Comprimido | 6,25 mg | Embalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante. | CardilolCronocorCardbetCarvegranCarvedilatNienzaIctus |
| Carvedilol 12,5 mgRENAME | Comprimido | 12,5 mg | Embalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante. | CardilolIctus |
| Carvedilol 25 mgRENAME | Comprimido | 25 mg | Embalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante. | CardilolDivelolCronocorCardbetCarvegranCarvedilatNienza |
| Carvedilol 6,25 mg | Comprimido revestido | 6,25 mg | Embalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante. | Divelol |
| Carvedilol 3,125 mg | Comprimido revestido | 3,125 mg | Embalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante. | Somente genérico |
| Carvedilol 12,5 mg | Comprimido revestido | 12,5 mg | Embalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante. | Somente genérico |
| Carvedilol 25 mg | Comprimido revestido | 25 mg | Embalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante. | Somente genérico |
Várias marcas contêm lactose; algumas contêm sacarose ou corantes, como óxidos de ferro, laca azul brilhante e amarelo de tartrazina. Conferir a composição em pacientes com intolerância à lactose, diabetes ou hipersensibilidade a corantes.
Dose, frequência e duração por população.
Dobrar a cada ≥ 2 semanas
50 mg 2x/dia se > 85 kg
Início 12,5 mg; máx. 50 mg/dia
Reduz hipotensão ortostática
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Hipertensão — dose inicial | 12,5 mg | 1x/dia | Primeiros 2 dias | Em seguida, passar para a dose usual de 25 mg/dia. |
| Dose usual — hipertensão | 25 mg | 1x/dia | Uso contínuo | Se necessário, aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas. Dose máxima de 50 mg/dia, em 1 ou 2 tomadas. |
| Angina — dose inicial | 12,5 mg | 2x/dia | Primeiros 2 dias | Em seguida, passar para a dose usual de 25 mg 2x/dia. |
| Dose usual — angina | 25 mg | 2x/dia | Uso contínuo | Aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas, se necessário. Dose máxima de 100 mg/dia em 2 tomadas; em idosos, máximo de 50 mg/dia. |
| Insuficiência cardíaca | 3,125 mg | 2x/dia | Por 2 semanas | Iniciar apenas com paciente estável e euvolêmico, associado a IECA/BRA/INRA, diurético e demais terapias. |
| 6,25 mg | 2x/dia | Por 2 semanas ou mais | Aumentar apenas se a dose anterior foi tolerada, sem hipotensão sintomática, bradicardia ou piora da congestão. | |
| 12,5 mg | 2x/dia | Por 2 semanas ou mais | Próxima etapa da titulação conforme tolerância. | |
| 25 mg | 2x/dia | Uso contínuo | Dose-alvo em pacientes com até 85 kg. Acima de 85 kg, pode-se titular até 50 mg 2x/dia. Se intolerância, manter a maior dose tolerada. |
Em seguida, passar para a dose usual de 25 mg/dia.
Se necessário, aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas. Dose máxima de 50 mg/dia, em 1 ou 2 tomadas.
Em seguida, passar para a dose usual de 25 mg 2x/dia.
Aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas, se necessário. Dose máxima de 100 mg/dia em 2 tomadas; em idosos, máximo de 50 mg/dia.
Iniciar apenas com paciente estável e euvolêmico, associado a IECA/BRA/INRA, diurético e demais terapias.
Aumentar apenas se a dose anterior foi tolerada, sem hipotensão sintomática, bradicardia ou piora da congestão.
Próxima etapa da titulação conforme tolerância.
Dose-alvo em pacientes com até 85 kg. Acima de 85 kg, pode-se titular até 50 mg 2x/dia. Se intolerância, manter a maior dose tolerada.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Uso pediátrico | Não recomendado | — | — | Segurança e eficácia não estabelecidas em menores de 18 anos. |
Segurança e eficácia não estabelecidas em menores de 18 anos.
Usar se o benefício justificar
Dados limitados em gestantes. Betabloqueadores reduzem a perfusão placentária e podem causar restrição de crescimento, bradicardia e hipoglicemia neonatais; observar o recém-nascido.
Preferir alternativa
Sem dados de excreção no leite humano. Preferir propranolol ou metoprolol; se mantido, monitorar bradicardia e sonolência no lactente.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| Insuficiência renalSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste. Monitorar função renal na titulação em IC com hipotensão, cardiopatia isquêmica, doença vascular difusa ou DRC; se piorar, reduzir a dose ou suspender. |
| Insuficiência hepática clinicamente manifestaContraindicado | Não usar | — | Contraindicado. Na cirrose, a exposição aumenta até 4 a 7 vezes pela redução da primeira passagem. |
Sem ajuste. Monitorar função renal na titulação em IC com hipotensão, cardiopatia isquêmica, doença vascular difusa ou DRC; se piorar, reduzir a dose ou suspender.
Contraindicado. Na cirrose, a exposição aumenta até 4 a 7 vezes pela redução da primeira passagem.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| Idoso — hipertensãoDose inicial menor | 12,5 mg | 1x/dia | Dose inicial menor. Aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas até no máximo 50 mg/dia, em 1 ou 2 tomadas. |
| Frequência cardíaca < 55 bpmReduzir dose | Reduzir para a etapa anterior | Conforme tolerância | Reduzir dose. Investigar bloqueio AV e interações com digoxina, amiodarona ou bloqueadores de canal de cálcio não di-hidropiridínicos. |
Dose inicial menor. Aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas até no máximo 50 mg/dia, em 1 ou 2 tomadas.
Reduzir dose. Investigar bloqueio AV e interações com digoxina, amiodarona ou bloqueadores de canal de cálcio não di-hidropiridínicos.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Comprimido tomado junto com alimentos, o que retarda a absorção sem reduzir sua extensão e diminui o risco de hipotensão ortostática.
Na insuficiência cardíaca, iniciar apenas sem congestão significativa, sem inotrópico endovenoso e com PAS e FC adequadas.
Administrar junto com as refeições, sempre nos mesmos horários.
Dobrar a dose em intervalos mínimos de 2 semanas, reavaliando pressão, FC, peso e sinais de congestão em cada etapa.
Levantar-se devagar, sobretudo após a primeira dose e a cada aumento; tontura é mais frequente nesse período e com álcool.
Preferir a concentração que corresponde à dose; comprimidos revestidos não devem ser partidos.
Para suspender, reduzir a dose progressivamente ao longo de cerca de 2 semanas.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Oral | Via indicada | Única via com apresentação comercial. Tomar com alimentos. |
| SNG/SNE | Permitido | Comprimido simples: triturar, dispersar em cerca de 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, lavar a sonda, administrar, lavar novamente e reiniciar a dieta. Comprimido revestido: sem dados para administração por sonda; preferir o comprimido simples. |
| Sublingual | Não usar | Sem apresentação nem dados para uso sublingual. |
| Endovenosa | Não se aplica | Não existe apresentação parenteral. |
| Intramuscular | Não se aplica | Não existe apresentação parenteral. |
| Subcutânea | Não se aplica | Não existe apresentação parenteral. |
| Retal | Não se aplica | Sem apresentação nem dados para uso retal. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
Única via com apresentação comercial. Tomar com alimentos.
Comprimido simples: triturar, dispersar em cerca de 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, lavar a sonda, administrar, lavar novamente e reiniciar a dieta. Comprimido revestido: sem dados para administração por sonda; preferir o comprimido simples.
Sem apresentação nem dados para uso sublingual.
Não existe apresentação parenteral.
Não existe apresentação parenteral.
Não existe apresentação parenteral.
Sem apresentação nem dados para uso retal.
Não se aplica.
Se houver piora da congestão na titulação, aumentar o diurético e manter a dose do carvedilol até estabilização. Na descompensação com choque ou necessidade de inotrópico, reduzir ou suspender temporariamente.
Em uso crônico, manter no perioperatório, salvo instabilidade hemodinâmica ou broncoespasmo. Informar o anestesista, pelo risco de hipotensão com anestésicos depressores do miocárdio.
Pode reduzir a produção lacrimal; orientar usuários de lentes de contato.
Betabloqueadores são proibidos em competição em algumas modalidades, como tiro e arco e flecha.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
Titular lentamente, com alimentos, monitorando pressão ortostática, frequência cardíaca, congestão e função renal. Contraindicado na asma, na insuficiência hepática manifesta e na IC instável.
Estudos em animais mostraram risco e não há estudos adequados em gestantes. Usar apenas se o benefício justificar; observar o recém-nascido quanto a bradicardia, hipotensão e hipoglicemia.
Sem dados em humanos; é lipofílico e pode passar ao leite. Preferir propranolol ou metoprolol na amamentação.
Sem ajuste de dose. Na IC com pressão baixa, doença vascular difusa ou DRC, pode piorar a função renal; reduzir a dose ou suspender se houver deterioração.
Contraindicado na insuficiência hepática clinicamente manifesta, pelo grande aumento da exposição sistêmica.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Bloqueador não seletivo dos receptores beta-1 e beta-2 e bloqueador dos receptores alfa-1, sem atividade simpatomimética intrínseca. O bloqueio beta reduz frequência cardíaca, contratilidade e liberação de renina, suprimindo o sistema renina-angiotensina-aldosterona; o bloqueio alfa-1 produz vasodilatação e reduz a resistência vascular periférica, de modo que o débito cardíaco tende a se manter. Tem ainda ação antioxidante e antiproliferativa sobre a musculatura lisa vascular.
Absorção rápida, com pico em cerca de 1 hora e biodisponibilidade absoluta de cerca de 25%. É substrato da glicoproteína P intestinal. Alimentos retardam a absorção, sem reduzir sua extensão. Ligação a proteínas de 98% a 99% e volume de distribuição de cerca de 2 L/kg.
Metabolismo hepático extenso: o enantiômero R principalmente por CYP2D6 e CYP1A2, e o S por CYP2C9 e CYP2D6. O metabólito 4'-hidroxifenil é cerca de 13 vezes mais potente como betabloqueador. Meia-vida de cerca de 6 horas; excreção predominantemente biliar e fecal.
Os estudos US Carvedilol Heart Failure e COPERNICUS mostraram redução de mortalidade e de hospitalização na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, inclusive em classes funcionais avançadas estáveis.
No CAPRICORN, reduziu mortalidade em disfunção ventricular esquerda pós-infarto. No COMET, foi superior ao tartarato de metoprolol de liberação imediata em mortalidade.
Verapamil e diltiazem somam efeitos sobre condução AV e contratilidade e podem causar bradicardia grave, bloqueio e hipotensão; o uso endovenoso desses fármacos deve ser evitado. Digoxina tem níveis elevados (cerca de 15%) e efeito aditivo sobre a condução, exigindo monitorização; amiodarona e antiarrítmicos de classe I aumentam bradicardia e bloqueio. A clonidina deve ser retirada só alguns dias após a suspensão do carvedilol, pelo risco de hipertensão rebote. Ciclosporina e tacrolimo têm níveis aumentados e devem ser monitorados ao iniciar ou titular o carvedilol. Rifampicina reduz e inibidores de CYP2D6, como fluoxetina, paroxetina e quinidina, aumentam a exposição ao carvedilol. Insulina e antidiabéticos orais podem ter sinais de hipoglicemia mascarados. Anestésicos depressores do miocárdio, nitratos, outros anti-hipertensivos e álcool somam efeito hipotensor. AINEs reduzem o efeito anti-hipertensivo e podem piorar a retenção hídrica.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Bulas profissionais de carvedilol (marcas e genéricos) no Bulário Eletrônico da ANVISA. Indicações, titulação, contraindicações, advertências e farmacocinética.
Ministério da Saúde. Carvedilol em comprimidos no Componente Básico da Assistência Farmacêutica.
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Betabloqueadores na IC com fração de ejeção reduzida, doses iniciais e doses-alvo.
Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. Papel dos betabloqueadores na hipertensão.
European Society of Cardiology. Terapia quádrupla na IC com fração de ejeção reduzida e titulação de betabloqueadores.
Packer M et al. New England Journal of Medicine. Redução de mortalidade em IC grave estável.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Classificação do carvedilol entre os bloqueadores alfa e beta.