Astrenmed

Bulário clínico · Anti-hipertensivo

Carvedilol

Betabloqueador não seletivo com bloqueio alfa-1 vasodilatador, de benefício comprovado em mortalidade na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, também usado na hipertensão arterial e na angina estável.

Via oralBloqueio beta e alfa-11 a 2x/dia com alimentoRENAMEIC com FE reduzidaReceita simples

Revisado em pela equipe Astrenmed

Iniciar baixo e titular devagar na insuficiência cardíaca

Na insuficiência cardíaca, iniciar com 3,125 mg 2x/dia somente em paciente estável e euvolêmico, dobrando a dose a cada 2 semanas ou mais. Durante a titulação, pode haver piora transitória da congestão, hipotensão e bradicardia; ajustar o diurético antes de reduzir o betabloqueador.

Informações rápidas Toque em um cartão para abrir o resumo sem sair da página.

Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é o carvedilol?

É um betabloqueador não seletivo de terceira geração, com bloqueio alfa-1 adicional que produz vasodilatação e reduz a resistência vascular periférica. É um dos betabloqueadores com redução comprovada de mortalidade e hospitalização na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, ao lado do succinato de metoprolol e do bisoprolol. Na hipertensão e na angina, é alternativa quando há indicação de betabloqueio, com menor impacto glicêmico que os agentes tradicionais.

ViaOral · 1 a 2x/dia
Faixa etáriaAdulto · idoso com dose inicial menor
SUSRENAME
ReceitaReceita simples · sem retenção

Composição e papel de cada componente1 ativos

Carvedilol

Mistura racêmica: o enantiômero S bloqueia receptores beta e alfa-1, e o R, apenas alfa-1. Resulta em queda da frequência cardíaca e vasodilatação periférica.

Bloqueador beta não seletivo e alfa-1

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Insuficiência cardíaca crônica com fração de ejeção reduzida, associado à terapia padrão, para reduzir mortalidade e hospitalização.
  • Hipertensão arterial, em monoterapia ou associado a outros anti-hipertensivos, sobretudo com indicação de betabloqueio.
  • Angina estável e doença coronariana crônica.
  • Disfunção ventricular esquerda após infarto do miocárdio.
Não indicado
  • Insuficiência cardíaca descompensada ou instável que exija inotrópico endovenoso.
  • Asma brônquica ou DPOC com componente broncoespástico.
  • Insuficiência hepática clinicamente manifesta.
  • Bradicardia grave (< 50 bpm), bloqueio AV de 2º ou 3º grau ou doença do nó sinusal sem marca-passo.
  • Choque cardiogênico ou hipotensão grave (PAS < 85 mmHg).

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis8 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Carvedilol 3,125 mgRENAMEComprimido3,125 mgEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
CardilolIctus
Carvedilol 6,25 mgRENAMEComprimido6,25 mgEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
CardilolCronocorCardbetCarvegranCarvedilatNienzaIctus
Carvedilol 12,5 mgRENAMEComprimido12,5 mgEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
CardilolIctus
Carvedilol 25 mgRENAMEComprimido25 mgEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
CardilolDivelolCronocorCardbetCarvegranCarvedilatNienza
Carvedilol 6,25 mgComprimido revestido6,25 mgEmbalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante.
Divelol
Carvedilol 3,125 mgComprimido revestido3,125 mgEmbalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante.Somente genérico
Carvedilol 12,5 mgComprimido revestido12,5 mgEmbalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante.Somente genérico
Carvedilol 25 mgComprimido revestido25 mgEmbalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante.Somente genérico
Carvedilol 3,125 mgComprimido
RENAME
Concentração / composição
3,125 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
CardilolIctus
Carvedilol 6,25 mgComprimido
RENAME
Concentração / composição
6,25 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
CardilolCronocorCardbetCarvegranCarvedilatNienzaIctus
Carvedilol 12,5 mgComprimido
RENAME
Concentração / composição
12,5 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
CardilolIctus
Carvedilol 25 mgComprimido
RENAME
Concentração / composição
25 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
CardilolDivelolCronocorCardbetCarvegranCarvedilatNienza
Carvedilol 6,25 mgComprimido revestido
Concentração / composição
6,25 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
Divelol
Carvedilol 3,125 mgComprimido revestido
Concentração / composição
3,125 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
Somente genérico
Carvedilol 12,5 mgComprimido revestido
Concentração / composição
12,5 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
Somente genérico
Carvedilol 25 mgComprimido revestido
Concentração / composição
25 mg
EmbalagemEmbalagens com 30 comprimidos revestidos, entre outras conforme o fabricante.
Nomes comerciais
Somente genérico
Atenção

Excipientes variam entre fabricantes

Várias marcas contêm lactose; algumas contêm sacarose ou corantes, como óxidos de ferro, laca azul brilhante e amarelo de tartrazina. Conferir a composição em pacientes com intolerância à lactose, diabetes ou hipersensibilidade a corantes.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Insuficiência cardíaca3,125 mg 2x/dia

Dobrar a cada ≥ 2 semanas

Alvo na IC25 mg 2x/dia

50 mg 2x/dia se > 85 kg

Hipertensão25 mg 1x/dia

Início 12,5 mg; máx. 50 mg/dia

AdministraçãoCom alimentos

Reduz hipotensão ortostática

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via oral8 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Hipertensão — dose inicial12,5 mg1x/diaPrimeiros 2 diasEm seguida, passar para a dose usual de 25 mg/dia.
Dose usual — hipertensão25 mg1x/diaUso contínuoSe necessário, aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas. Dose máxima de 50 mg/dia, em 1 ou 2 tomadas.
Angina — dose inicial12,5 mg2x/diaPrimeiros 2 diasEm seguida, passar para a dose usual de 25 mg 2x/dia.
Dose usual — angina25 mg2x/diaUso contínuoAumentar em intervalos mínimos de 2 semanas, se necessário. Dose máxima de 100 mg/dia em 2 tomadas; em idosos, máximo de 50 mg/dia.
Insuficiência cardíaca3,125 mg2x/diaPor 2 semanasIniciar apenas com paciente estável e euvolêmico, associado a IECA/BRA/INRA, diurético e demais terapias.
6,25 mg2x/diaPor 2 semanas ou maisAumentar apenas se a dose anterior foi tolerada, sem hipotensão sintomática, bradicardia ou piora da congestão.
12,5 mg2x/diaPor 2 semanas ou maisPróxima etapa da titulação conforme tolerância.
25 mg2x/diaUso contínuoDose-alvo em pacientes com até 85 kg. Acima de 85 kg, pode-se titular até 50 mg 2x/dia. Se intolerância, manter a maior dose tolerada.
Hipertensão — dose inicial
12,5 mg1x/dia
Detalhes
DuraçãoPrimeiros 2 dias
Observações

Em seguida, passar para a dose usual de 25 mg/dia.

Dose usual — hipertensão
25 mg1x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Se necessário, aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas. Dose máxima de 50 mg/dia, em 1 ou 2 tomadas.

Angina — dose inicial
12,5 mg2x/dia
Detalhes
DuraçãoPrimeiros 2 dias
Observações

Em seguida, passar para a dose usual de 25 mg 2x/dia.

Dose usual — angina
25 mg2x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas, se necessário. Dose máxima de 100 mg/dia em 2 tomadas; em idosos, máximo de 50 mg/dia.

Insuficiência cardíaca
3,125 mg2x/dia
Detalhes
DuraçãoPor 2 semanas
Observações

Iniciar apenas com paciente estável e euvolêmico, associado a IECA/BRA/INRA, diurético e demais terapias.

6,25 mg2x/dia
Detalhes
DuraçãoPor 2 semanas ou mais
Observações

Aumentar apenas se a dose anterior foi tolerada, sem hipotensão sintomática, bradicardia ou piora da congestão.

12,5 mg2x/dia
Detalhes
DuraçãoPor 2 semanas ou mais
Observações

Próxima etapa da titulação conforme tolerância.

25 mg2x/dia
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Dose-alvo em pacientes com até 85 kg. Acima de 85 kg, pode-se titular até 50 mg 2x/dia. Se intolerância, manter a maior dose tolerada.

Pediatria

Via oral1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Uso pediátricoNão recomendado——Segurança e eficácia não estabelecidas em menores de 18 anos.
Uso pediátrico
Não recomendado—
Detalhes
Duração—
Observações

Segurança e eficácia não estabelecidas em menores de 18 anos.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria C

Usar se o benefício justificar

Dados limitados em gestantes. Betabloqueadores reduzem a perfusão placentária e podem causar restrição de crescimento, bradicardia e hipoglicemia neonatais; observar o recém-nascido.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Preferir alternativa

Sem dados de excreção no leite humano. Preferir propranolol ou metoprolol; se mantido, monitorar bradicardia e sonolência no lactente.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Insuficiência renalSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Monitorar função renal na titulação em IC com hipotensão, cardiopatia isquêmica, doença vascular difusa ou DRC; se piorar, reduzir a dose ou suspender.
Insuficiência hepática clinicamente manifestaContraindicadoNão usar—Contraindicado. Na cirrose, a exposição aumenta até 4 a 7 vezes pela redução da primeira passagem.
Insuficiência renalSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Monitorar função renal na titulação em IC com hipotensão, cardiopatia isquêmica, doença vascular difusa ou DRC; se piorar, reduzir a dose ou suspender.

Insuficiência hepática clinicamente manifestaContraindicado
Não usar
Frequência—
Observações

Contraindicado. Na cirrose, a exposição aumenta até 4 a 7 vezes pela redução da primeira passagem.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Idoso — hipertensãoDose inicial menor12,5 mg1x/diaDose inicial menor. Aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas até no máximo 50 mg/dia, em 1 ou 2 tomadas.
Frequência cardíaca < 55 bpmReduzir doseReduzir para a etapa anteriorConforme tolerânciaReduzir dose. Investigar bloqueio AV e interações com digoxina, amiodarona ou bloqueadores de canal de cálcio não di-hidropiridínicos.
Idoso — hipertensãoDose inicial menor
12,5 mg
Frequência1x/dia
Observações

Dose inicial menor. Aumentar em intervalos mínimos de 2 semanas até no máximo 50 mg/dia, em 1 ou 2 tomadas.

Frequência cardíaca < 55 bpmReduzir dose
Reduzir para a etapa anterior
FrequênciaConforme tolerância
Observações

Reduzir dose. Investigar bloqueio AV e interações com digoxina, amiodarona ou bloqueadores de canal de cálcio não di-hidropiridínicos.

Modelos de prescrição2 modelos

Dose usual — hipertensão 25 mg 1x/diaUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — angina 25 mg 2x/diaUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesNão se aplicaReconstituiçãoNão requer
Via principalVia oral

Comprimido tomado junto com alimentos, o que retarda a absorção sem reduzir sua extensão e diminui o risco de hipotensão ortostática.

Técnica de aplicação6 passos

1
Confirme estabilidade clínica

Na insuficiência cardíaca, iniciar apenas sem congestão significativa, sem inotrópico endovenoso e com PAS e FC adequadas.

2
Tome com alimentos

Administrar junto com as refeições, sempre nos mesmos horários.

3
Titule a cada 2 semanas

Dobrar a dose em intervalos mínimos de 2 semanas, reavaliando pressão, FC, peso e sinais de congestão em cada etapa.

4
Oriente sobre ortostatismo

Levantar-se devagar, sobretudo após a primeira dose e a cada aumento; tontura é mais frequente nesse período e com álcool.

5
Não partir comprimidos revestidos

Preferir a concentração que corresponde à dose; comprimidos revestidos não devem ser partidos.

6
Retirada gradual

Para suspender, reduzir a dose progressivamente ao longo de cerca de 2 semanas.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
OralVia indicadaÚnica via com apresentação comercial. Tomar com alimentos.
SNG/SNEPermitidoComprimido simples: triturar, dispersar em cerca de 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, lavar a sonda, administrar, lavar novamente e reiniciar a dieta. Comprimido revestido: sem dados para administração por sonda; preferir o comprimido simples.
SublingualNão usarSem apresentação nem dados para uso sublingual.
EndovenosaNão se aplicaNão existe apresentação parenteral.
IntramuscularNão se aplicaNão existe apresentação parenteral.
SubcutâneaNão se aplicaNão existe apresentação parenteral.
RetalNão se aplicaSem apresentação nem dados para uso retal.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
OralVia indicada
Observações

Única via com apresentação comercial. Tomar com alimentos.

SNG/SNEPermitido
Observações

Comprimido simples: triturar, dispersar em cerca de 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, lavar a sonda, administrar, lavar novamente e reiniciar a dieta. Comprimido revestido: sem dados para administração por sonda; preferir o comprimido simples.

SublingualNão usar
Observações

Sem apresentação nem dados para uso sublingual.

EndovenosaNão se aplica
Observações

Não existe apresentação parenteral.

IntramuscularNão se aplica
Observações

Não existe apresentação parenteral.

SubcutâneaNão se aplica
Observações

Não existe apresentação parenteral.

RetalNão se aplica
Observações

Sem apresentação nem dados para uso retal.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

IC descompensada

Ajustar diurético primeiro

Se houver piora da congestão na titulação, aumentar o diurético e manter a dose do carvedilol até estabilização. Na descompensação com choque ou necessidade de inotrópico, reduzir ou suspender temporariamente.

Perioperatório

Manter o betabloqueador

Em uso crônico, manter no perioperatório, salvo instabilidade hemodinâmica ou broncoespasmo. Informar o anestesista, pelo risco de hipotensão com anestésicos depressores do miocárdio.

Lentes de contato

Redução do lacrimejamento

Pode reduzir a produção lacrimal; orientar usuários de lentes de contato.

Esporte

Substância controlada no esporte

Betabloqueadores são proibidos em competição em algumas modalidades, como tiro e arco e flecha.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Hipotensão, bradicardia e piora transitória da IC

Titular lentamente, com alimentos, monitorando pressão ortostática, frequência cardíaca, congestão e função renal. Contraindicado na asma, na insuficiência hepática manifesta e na IC instável.

Contraindicações7 itens

  • Hipersensibilidade ao carvedilol ou a qualquer componente da formulação.
  • Insuficiência cardíaca descompensada ou instável que exija terapia inotrópica endovenosa.
  • Asma brônquica ou DPOC com componente broncoespástico.
  • Insuficiência hepática clinicamente manifesta.
  • Bloqueio AV de 2º ou 3º grau, síndrome do nó sinusal ou bloqueio sinoatrial, sem marca-passo permanente.
  • Bradicardia grave (< 50 bpm).
  • Choque cardiogênico e hipotensão grave (PAS < 85 mmHg).

Populações especiais

Gestação

Categoria C

Estudos em animais mostraram risco e não há estudos adequados em gestantes. Usar apenas se o benefício justificar; observar o recém-nascido quanto a bradicardia, hipotensão e hipoglicemia.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Sem dados em humanos; é lipofílico e pode passar ao leite. Preferir propranolol ou metoprolol na amamentação.

Função renal

Sem ajuste

Sem ajuste de dose. Na IC com pressão baixa, doença vascular difusa ou DRC, pode piorar a função renal; reduzir a dose ou suspender se houver deterioração.

Função hepática

Contraindicado

Contraindicado na insuficiência hepática clinicamente manifesta, pelo grande aumento da exposição sistêmica.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Pressão arterial, incluindo medida ortostática, e frequência cardíaca a cada etapa de titulação.
  • Peso diário, edema e dispneia na insuficiência cardíaca.
  • Sintomas respiratórios em pacientes com DPOC.
  • Lesões cutâneas graves e piora de psoríase.
Sinais de alerta
  • Reduzir a dose se FC < 55 bpm.
  • Creatinina e potássio na titulação em IC.
  • Glicemia em diabéticos no início e na titulação.
  • Suspender definitivamente se houver Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica.

Eventos adversos

Muito comuns e comuns≥ 1%
Tontura, cefaleia e asteniaHipotensão, inclusive ortostática, e bradicardiaPiora da insuficiência cardíaca e edema na titulaçãoNáusea, diarreia, vômitos e dispepsiaAumento de peso, hipercolesterolemia e alteração glicêmica em diabéticosAlterações visuais e redução do lacrimejamento
Incomuns0,1% a < 1%
Síncope e pré-síncopeBloqueio AV e anginaDistúrbios do sono, depressão e parestesiaDisfunção erétil e reações cutâneas
Raros< 0,1%
Trombocitopenia e leucopeniaCongestão nasal e boca secaAlteração de transaminasesIncontinência urinária em mulheres
GravesAtendimento imediato
BroncoespasmoBradicardia grave ou bloqueio AV avançadoInsuficiência renal aguda em IC com hipotensãoSíndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica

Advertências

  • Na titulação da IC, pode haver piora da congestão ou retenção hídrica; aumentar o diurético e manter a dose até estabilização.
  • Pode mascarar sinais de hipoglicemia e de tireotoxicose; cautela em diabéticos com controle instável.
  • Na angina de Prinzmetal, pode desencadear dor torácica.
  • Pode precipitar ou agravar sintomas de insuficiência arterial periférica e fenômeno de Raynaud.
  • No feocromocitoma, iniciar alfabloqueador antes de qualquer betabloqueador.
  • Pacientes com anafilaxia prévia ou em dessensibilização podem ter reações mais graves.
  • Em antecedente de psoríase induzida por betabloqueador, usar só após avaliação de risco-benefício.
  • Pode causar tontura e fadiga, principalmente no início e após aumento de dose; orientar cautela ao dirigir.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Carvedilol

Bloqueador não seletivo dos receptores beta-1 e beta-2 e bloqueador dos receptores alfa-1, sem atividade simpatomimética intrínseca. O bloqueio beta reduz frequência cardíaca, contratilidade e liberação de renina, suprimindo o sistema renina-angiotensina-aldosterona; o bloqueio alfa-1 produz vasodilatação e reduz a resistência vascular periférica, de modo que o débito cardíaco tende a se manter. Tem ainda ação antioxidante e antiproliferativa sobre a musculatura lisa vascular.

Farmacocinética

Grande primeira passagem e metabolismo estereosseletivo

Absorção rápida, com pico em cerca de 1 hora e biodisponibilidade absoluta de cerca de 25%. É substrato da glicoproteína P intestinal. Alimentos retardam a absorção, sem reduzir sua extensão. Ligação a proteínas de 98% a 99% e volume de distribuição de cerca de 2 L/kg.

Metabolismo hepático extenso: o enantiômero R principalmente por CYP2D6 e CYP1A2, e o S por CYP2C9 e CYP2D6. O metabólito 4'-hidroxifenil é cerca de 13 vezes mais potente como betabloqueador. Meia-vida de cerca de 6 horas; excreção predominantemente biliar e fecal.

F ≈ 25%CYP2D6 · CYP2C9P-gpt½ ≈ 6 h
Evidência clínica

Redução de mortalidade na IC

Os estudos US Carvedilol Heart Failure e COPERNICUS mostraram redução de mortalidade e de hospitalização na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, inclusive em classes funcionais avançadas estáveis.

No CAPRICORN, reduziu mortalidade em disfunção ventricular esquerda pós-infarto. No COMET, foi superior ao tartarato de metoprolol de liberação imediata em mortalidade.

COPERNICUSUS CarvedilolCAPRICORNCOMET

Interações medicamentosas

Verapamil e diltiazem somam efeitos sobre condução AV e contratilidade e podem causar bradicardia grave, bloqueio e hipotensão; o uso endovenoso desses fármacos deve ser evitado. Digoxina tem níveis elevados (cerca de 15%) e efeito aditivo sobre a condução, exigindo monitorização; amiodarona e antiarrítmicos de classe I aumentam bradicardia e bloqueio. A clonidina deve ser retirada só alguns dias após a suspensão do carvedilol, pelo risco de hipertensão rebote. Ciclosporina e tacrolimo têm níveis aumentados e devem ser monitorados ao iniciar ou titular o carvedilol. Rifampicina reduz e inibidores de CYP2D6, como fluoxetina, paroxetina e quinidina, aumentam a exposição ao carvedilol. Insulina e antidiabéticos orais podem ter sinais de hipoglicemia mascarados. Anestésicos depressores do miocárdio, nitratos, outros anti-hipertensivos e álcool somam efeito hipotensor. AINEs reduzem o efeito anti-hipertensivo e podem piorar a retenção hídrica.

Informação regulatória

SUSRENAMEO carvedilol em comprimidos de 3,125 mg, 6,25 mg, 12,5 mg e 25 mg integra o Componente Básico da Assistência Farmacêutica na RENAME. A disponibilidade nas unidades varia conforme o município.
GenéricoDisponívelHá genéricos de carvedilol de diversos laboratórios, em comprimidos simples e revestidos, nas quatro concentrações.
ATCC07AG02Classificação WHO ATC/DDD: agentes bloqueadores alfa e beta; carvedilol, código C07AG02. DDD de 37,5 mg por via oral.

Receituário

Tipo de receitaReceita simples
Número de vias1 via
RetençãoNão
ValidadeSem prazo específico de controle especial

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Carvedilol — bula para o profissional de saúde

Bulas profissionais de carvedilol (marcas e genéricos) no Bulário Eletrônico da ANVISA. Indicações, titulação, contraindicações, advertências e farmacocinética.

2024
02
Relação nacional

RENAME 2024 — Relação Nacional de Medicamentos Essenciais

Ministério da Saúde. Carvedilol em comprimidos no Componente Básico da Assistência Farmacêutica.

2024
03
Diretriz brasileira

Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda

Sociedade Brasileira de Cardiologia. Betabloqueadores na IC com fração de ejeção reduzida, doses iniciais e doses-alvo.

2018
04
Diretriz brasileira

Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial

Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. Papel dos betabloqueadores na hipertensão.

2025
05
Diretriz internacional

2023 Focused Update of the 2021 ESC Guidelines for heart failure

European Society of Cardiology. Terapia quádrupla na IC com fração de ejeção reduzida e titulação de betabloqueadores.

2023
06
Ensaio clínico

COPERNICUS — Effect of carvedilol on survival in severe chronic heart failure

Packer M et al. New England Journal of Medicine. Redução de mortalidade em IC grave estável.

2001
07
Classificação

WHO ATC/DDD Index · C07AG02

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Classificação do carvedilol entre os bloqueadores alfa e beta.

2026
Revisão Astrenmed: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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