Alterações graves da temperatura corporal • avaliação inicial do adulto
Abordagem inicial do adulto com temperatura central extrema. O primeiro passo é medir certo; o segundo, separar febre de hipertermia; o terceiro, agir rápido: resfriar em minutos quem está superaquecido e reaquecer com cuidado quem está frio — sem esquecer a causa por trás do termômetro.
Temperatura centralImersão em água friaSistema suíço revisadoPCR hipotérmica e ECLS
14 min de leitura Atualizado em outubro de 2026
Em 30 segundos
O essencial de visão geral
Temperatura é sinal vital: nos extremos, ela é ao mesmo tempo o problema e a pista para a causa.
Hipertermia grave mata em minutos a horas pela lesão celular direta do calor; o tratamento é resfriamento físico imediato.
Hipotermia grave mata por arritmia e PCR, mas o cérebro frio tolera bem a hipóxia — por isso a ressuscitação pode ser longa e bem-sucedida.
A primeira hora segue o mesmo roteiro: ABCDE, medir a temperatura central, corrigir o extremo e procurar a causa.
O espectro das temperaturas extremas
O organismo mantém a temperatura central perto de 37 °C equilibrando produção e perda de calor. Quando esse equilíbrio falha — pelo ambiente, por uma droga, por uma doença endócrina ou por sepse — surgem os dois extremos, com faixas de gravidade bem definidas.
Faixa (temperatura central)
Condição
O que esperar
> 40 °C + disfunção do SNC
Insolação (clássica ou de esforço)
Confusão, convulsão, coma; rabdomiólise, lesão renal e hepática, CIVD.
38,3–41 °C
Febre (ponto de ajuste elevado)
Responde a antitérmico; pense em infecção primeiro.
Tremor cessa, rebaixamento, bradicardia, fibrilação atrial, onda J (Osborn).
< 28 °C
Hipotermia grave
Coma, hipotensão, bradipneia; risco alto de FV e assistolia, sobretudo < 24 °C.
Faixas da classificação por temperatura usada pela Wilderness Medical Society (2019) e pelo ERC. Sem termômetro confiável, estadie pela clínica (aba Hipotermia).
Por que os extremos machucam
O calor desnatura proteínas, rompe membranas e abre a barreira intestinal, desencadeando uma resposta inflamatória semelhante à sepse. O frio, ao contrário, lentifica tudo: condução cardíaca, metabolismo de drogas, coagulação e consciência — e protege o cérebro enquanto deprime o coração.
Calor extremo
Encefalopatia, convulsão e edema cerebral.
Rabdomiólise, hipercalemia e lesão renal aguda.
Lesão hepática (pico de transaminases em 24–72 h).
CIVD e síndrome de resposta inflamatória sistêmica.
Frio extremo
Bradicardia, fibrilação atrial, FV e assistolia.
Diurese fria (hipovolemia relativa) e hipotensão no reaquecimento.
Coagulopatia que o laboratório a 37 °C não mostra.
Metabolismo de drogas lento: acúmulo de doses.
As quatro perguntas da primeira hora
Qual é a temperatura central de verdade?
Sonda esofágica, retal ou vesical, com termômetro capaz de ler extremos. Sem medida confiável, estadie pela clínica.
É febre ou hipertermia?
Contexto (calor, esforço, droga nova, anestesia, tireoide), rigidez, clônus, pele seca ou sudorética e resposta ao antitérmico separam as duas.
O que fazer agora com a temperatura?
Resfriamento rápido na hipertermia; reaquecimento escalonado na hipotermia, com manuseio delicado e monitorização contínua.
Qual é a causa e o que ela exige?
Antibiótico na sepse, glicose e tiamina, hidrocortisona, levotiroxina, retirada do agente serotoninérgico ou neuroléptico, dantroleno, tionamida.
No calor, o tempo é o inimigo: resfrie antes de transportar ou investigar. No frio, a pressa é o inimigo: manuseie com delicadeza e não desista antes de reaquecer.
Em 30 segundos
O essencial de medir e diferenciar
A sonda esofágica no terço distal é a medida de referência no paciente intubado ou em PCR.
Retal e vesical são aceitáveis, mas atrasam durante mudanças rápidas — a retal é a padrão no resfriamento da insolação.
Infravermelho (testa e ouvido), axilar e oral não servem para decidir conduta nos extremos.
Febre responde a antitérmico; hipertermia não — e pede resfriamento físico e tratamento do mecanismo.
Onde e como medir
O ERC e a Wilderness Medical Society concordam: nos extremos, só a temperatura central guia decisões. Escolha o sítio pela situação e use termômetro que leia valores baixos (até cerca de 20 °C) no paciente frio.
Sítio
Quando usar
Limitações
Esofágico (terço distal)
Padrão de referência no paciente intubado ou em PCR; guia ECLS e reaquecimento interno.
Exige via aérea protegida; sonda alta demais lê o ar aquecido da traqueia.
Retal
Padrão prático na insolação (sonda flexível a 10–15 cm, contínua durante a imersão).
Atrasa em relação ao núcleo em mudanças rápidas; fezes frias e exposição limitam no frio.
Vesical (sonda com termistor)
UTI, reaquecimento e resfriamento prolongados.
Depende de diurese; atrasa em oligúria.
Epitimpânico (termistor de contato)
Ambiente pré-hospitalar, paciente com circulação.
Não confiável com canal úmido ou frio, instabilidade ou PCR.
Infravermelho, axilar, oral
Triagem de febre em paciente estável.
Não use para estadiar hipotermia nem para guiar o resfriamento.
Termômetro clínico comum costuma parar em 34–35 °C: "35 °C" no visor pode ser 26 °C no paciente. Desconfie de valores no limite inferior do aparelho.
Febre × hipertermia
A distinção é fisiológica e muda a conduta: a febre é regulada, a hipertermia é descontrolada. Valores acima de 41 °C são incomuns na febre infecciosa e devem levantar a suspeita de hipertermia.
Febre
Ponto de ajuste hipotalâmico elevado por pirógenos.
Calafrio, vasoconstrição e "frio" na subida.
Raramente > 41 °C.
Responde a e trata-se a causa (infecção na maioria).
Hipertermia
Ponto de ajuste normal; produção ou ganho de calor supera a perda.
Não responde a antitérmico: resfriamento físico + tratamento do mecanismo.
Armadilhas na medida e na interpretação
Usar termômetro de testa ou axilar no paciente comatoso, frio ou superaquecido.
Medir uma vez e não manter monitorização contínua durante resfriamento ou reaquecimento.
Atribuir hipertermia à "febre da infecção" e prescrever só antitérmico.
Esquecer que a temperatura medida após o transporte (ou após banho e ventilação) pode subestimar o pico — a insolação pode chegar com 39 °C e encefalopatia.
Interpretar gasometria e coagulograma sem lembrar que o laboratório os analisa a 37 °C.
Em 30 segundos
O essencial de hipertermia
Insolação = temperatura central > 40 °C com disfunção do SNC, por calor ambiental (clássica) ou esforço (de esforço).
Imersão em água gelada ou fria é o método mais rápido; pare com temperatura retal ≈ 39 °C.
Droga nova, rigidez, clônus ou anestesia recente mudam o raciocínio: síndrome serotoninérgica, SNM, hipertermia maligna, toxíndromes.
Tempestade tireoidiana entra no diferencial de todo paciente hipertérmico, taquicárdico e agitado.
Diagnóstico diferencial da hipertermia grave
Pergunte pelo contexto (onda de calor, exercício, droga nova ou aumento de dose, anestesia, uso de estimulante, tireoide) e examine tônus, reflexos, clônus, pupilas e pele. Esses poucos achados separam as principais causas.
CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Insolação clássica
Achado-chaveIdoso, onda de calor, ambiente sem ventilação, comorbidades e drogas anticolinérgicas ou diuréticas.
Como diferenciarPele frequentemente seca e quente; instalação em horas a dias; sem rigidez.
Insolação de esforço
Achado-chaveJovem em exercício intenso (corrida, treino militar, trabalho braçal).
Como diferenciarColapso durante o esforço; sudorese pode persistir; rabdomiólise frequente.
Síndrome serotoninérgica
Achado-chaveClônus (induzível, ocular ou espontâneo), hiper-reflexia, midríase, diarreia.
Como diferenciarInício em horas após droga serotoninérgica; predomínio em membros inferiores; critérios de Hunter.
Síndrome neuroléptica maligna
Achado-chaveRigidez "em cano de chumbo", bradicinesia, CK muito elevada.
Como diferenciarInstalação em dias após antagonista dopaminérgico (ou retirada de levodopa); reflexos normais ou diminuídos.
Hipertermia maligna
Achado-chaveAnestesia com halogenado ou succinilcolina; hipercapnia precoce, rigidez de masseter.
Como diferenciarOcorre no centro cirúrgico ou na recuperação; imediato.
Achado-chaveFoco infeccioso, rigidez de nuca, petéquias, hipotensão.
Como diferenciarFebre verdadeira; culturas e antibiótico em até 1 hora se choque — não atrase pela investigação.
Outros: abstinência de álcool ou benzodiazepínico, retirada abrupta de baclofeno intratecal, salicilatos, lesão hipotalâmica (hemorragia pontina), estado de mal epiléptico.
Insolação clássica × de esforço
As duas formas compartilham a definição — temperatura central acima de 40 °C com disfunção do sistema nervoso central — e o tratamento: resfriamento rápido. Diferem no paciente, na velocidade de instalação e nas complicações.
Drogas que pioram: anticolinérgicos, diuréticos, betabloqueadores, antipsicóticos.
Desidratação, distúrbios eletrolíticos e infecção associada.
De esforço
Jovens saudáveis, atletas, militares e trabalhadores.
Instalação em minutos durante o exercício.
Rabdomiólise, hipercalemia, lesão renal, hipoglicemia e CIVD mais frequentes.
"Resfriar primeiro, transportar depois": imersão no local quando disponível.
Resfriamento: como fazer, metas e quando parar
Comece já — passo crítico
Resfriamento ativo supera o passivo (recomendação forte, SCCM 2025). Remova roupas e leve para ambiente fresco; não espere exames.
Imersão em água gelada ou fria
Água gelada (1–5 °C) ou fria (9–12 °C) até o tórax, cabeça e via aérea fora d’água, mexendo a água. Vale para insolação clássica e de esforço.
Metas
Taxa de resfriamento ≥ 0,155 °C/min e temperatura-alvo atingida em até 30 minutos do reconhecimento.
Sem imersão possível
Lona com água gelada (TACO), toalhas encharcadas em água gelada trocadas continuamente, gelo em todo o corpo, borrifar água e ventilar. Bolsas de gelo só em axilas e virilhas são insuficientes isoladamente.
Monitorize
Temperatura retal contínua, ECG, glicemia, consciência. Proteja a via aérea se convulsão ou coma.
Quando parar
Retire da imersão com temperatura retal de cerca de 39 °C (WMS 2024) para evitar hipotermia de rebote; continue monitorizando.
O que NÃO fazer
Não use (paracetamol, dipirona, AINE, salicilato) nem na insolação — a diretriz da SCCM (2025) recomenda contra o dantroleno e sugere evitar antipiréticos. Calafrio durante o resfriamento trata-se com , não interrompendo o resfriamento.
Hipertermia por drogas: SS, SNM, HM e toxíndromes
Em todas, a hipertermia nasce da atividade muscular e o calor produzido pelo músculo só para quando o músculo para. Benzodiazepínico é a base; sedação profunda com intubação e bloqueio neuromuscular não despolarizante é o resgate da hipertermia refratária (> 41 °C). Não use succinilcolina se houver rabdomiólise.
Tônus e reflexos normais; pele seca, retenção urinária, delirium.
Benzodiazepínico, resfriamento, sondagem vesical; ECG (QRS largo nos tricíclicos).
Fisostigmina, antídoto clássico do delirium anticolinérgico, não é comercializada rotineiramente no Brasil; discuta com o centro de informação toxicológica (CIATox).
Ferramenta — critérios de Hunter para toxicidade serotoninérgica
Critérios de Hunter (Dunkley et al., 2003)
Na presença de um agente serotoninérgico, basta um dos critérios: clônus espontâneo; clônus induzível + agitação ou sudorese; clônus ocular + agitação ou sudorese; tremor + hiper-reflexia; ou hipertonia + temperatura > 38 °C + clônus ocular ou induzível. Sensibilidade de 84% e especificidade de 97% frente ao toxicologista.
Preencha os campos para interpretar os critérios de Hunter.
Ferramenta de apoio ao raciocínio clínico, baseada em Dunkley EJC et al., QJM 2003. Não substitui avaliação toxicológica; em dúvida, contate o CIATox.
Tempestade tireoidiana
Tireotoxicose descompensada com disfunção orgânica: hipertermia, taquicardia desproporcional (frequentemente fibrilação atrial), insuficiência cardíaca, agitação ou coma, diarreia e icterícia. O diagnóstico é clínico — não espere o TSH para tratar. O escore de Burch-Wartofsky ≥ 45 sugere tempestade; 25–44, tempestade iminente.
Betabloqueio
ou .
Tionamida
(ou ).
Iodo
≥ 1 h depois da tionamida.
Corticoide
300 mg + 100 mg 8/8 h.
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O essencial de hipotermia
Hipotermia é temperatura central < 35 °C; acidental (exposição) ou secundária (sepse, hipoglicemia, endócrina, intoxicação, SNC).
Sem termômetro confiável, estadie pelo nível de consciência — sistema suíço revisado (ICAR MedCom, 2021).
Manuseio delicado e posição horizontal: o coração frio fibrila com facilidade.
Leve: reaquecimento passivo e ativo externo. Moderada a grave: ativo externo e interno. PCR ou instabilidade: ECLS.
Estadiamento: por temperatura e pela clínica
O sistema suíço original estimava a temperatura pela consciência e pelo tremor. A versão revisada (Musi et al., 2021, adotada pelo ERC) abandona o tremor como critério e passa a estimar o risco de PCR hipotérmica, que é o que muda conduta e destino.
Suíço original (temperatura estimada)
Suíço revisado (AVPU)
Risco de PCR
WMS (2019)
Estágio 1 — consciente, com tremor (35–32 °C)
"Alerta"
Baixo
Leve: 35–32 °C
Estágio 2 — consciência alterada, sem tremor (32–28 °C)
"Voz" (inclui o confuso)
Moderado
Moderada: 32–28 °C
Estágio 3 — inconsciente (28–24 °C)
"Dor" ou "Irresponsivo" COM sinais vitais
Alto
Grave: < 28 °C
Estágio 4 — morte aparente (< 24 °C)
"Irresponsivo" SEM sinais vitais
PCR hipotérmica
Grave/PCR
O tremor pode persistir abaixo de 32 °C e varia muito entre indivíduos; sua presença em geral indica temperatura > 30 °C. Verifique sinais de vida (pulso e, sobretudo, respiração) por até 1 minuto.
O sistema revisado só vale para hipotermia primária. Trauma, asfixia, intoxicação ou doença neurológica rebaixam a consciência por si e fazem o escore superestimar o risco — nesses casos, a temperatura central medida prevalece.
Ferramenta — sistema suíço revisado
Estadiamento clínico da hipotermia acidental (Revised Swiss System)
Use quando não houver temperatura central confiável. Nível de consciência pela escala AVPU: Alerta = Glasgow 15; Voz = Glasgow 9–14, incluindo o confuso; Dor/Irresponsivo = Glasgow < 9.
Preencha os campos para estimar o risco de PCR hipotérmica.
Baseada em Musi ME et al., Resuscitation 2021 (ICAR MedCom), adotada pelas diretrizes do ERC. Os níveis se sobrepõem: o sistema guia triagem e destino, não substitui o julgamento clínico.
O coração e o corpo frios
Abaixo de 32 °C surgem bradicardia sinusal, fibrilação atrial lenta, alargamento de PR, QRS e QT e a onda J de Osborn. Abaixo de 28 °C o risco de FV cresce, e abaixo de 24 °C a assistolia é comum. A bradicardia é fisiológica: não trate com atropina nem marca-passo enquanto o paciente estiver frio.
Manuseio delicado
Mova em bloco e na horizontal; evite deixá-lo de pé ou sentá-lo. Retire roupas molhadas cortando-as.
Diurese fria
Vasoconstrição gera diurese e hipovolemia; a vasodilatação do reaquecimento provoca hipotensão — repõe com fluidos aquecidos.
Queda pós-resgate (afterdrop)
A temperatura central pode continuar caindo após o resgate, quando sangue frio da periferia retorna ao núcleo.
Drogas acumulam
Metabolismo hepático lento: doses repetidas se acumulam e agem de uma vez no reaquecimento.
Reaquecimento: escolha pelo estágio
Método
Como
Para quem
Passivo
Remover roupas molhadas, secar, isolar (cobertor, manta aluminizada), ambiente aquecido; o calor vem do próprio tremor.
Hipotermia leve, paciente que treme e está estável.
Ativo externo
Ar forçado aquecido, cobertores elétricos ou bolsas de calor no tronco (não em extremidades), com cuidado para não queimar.
Hipotermia leve sem tremor eficaz, moderada e grave (em associação).
Ativo interno minimamente invasivo
Fluidos IV aquecidos a 38–42 °C, O₂ umidificado e aquecido; lavagem vesical ou gástrica tem papel limitado.
Moderada e grave, como complemento.
Ativo interno invasivo
Lavagem pleural ou peritoneal com fluido aquecido, cateter endovascular de controle de temperatura, hemodiálise.
Grave com instabilidade quando ECLS não está disponível.
Extracorpóreo (ECLS)
ECMO venoarterial (preferida à circulação extracorpórea convencional): reaquece e garante perfusão e oxigenação ao mesmo tempo.
PCR hipotérmica e hipotermia com instabilidade refratária.
O ERC 2025 recomenda transferir para centro com ECLS o hipotérmico em PCR ou com fatores de risco para PCR iminente: FC < 45 bpm, PAS < 90 mmHg, arritmia ventricular ou temperatura central < 30 °C.
Hipotermia secundária: procure a causa
Hipotermia sem exposição clara — ou que não melhora com o reaquecimento — é doença de base até prova em contrário. Na sepse, a hipotermia é marcador de gravidade e associa-se a maior mortalidade que a febre.
Sepse
Idoso, imunossuprimido ou cirrótico com hipotermia: culturas e antibiótico em até 1 hora se choque.
Hipoglicemia
Glicemia capilar imediata; e no etilista ou desnutrido.
Coma mixedematoso
Hipotermia, bradicardia, hiponatremia, hipoventilação; antes de .
Etanol, sedativos, opioides, antipsicóticos e hipoglicemiantes; muitas vezes associada à exposição ao frio.
SNC e outras
AVC, TCE, lesão medular alta, queimaduras extensas, desnutrição e grandes infusões frias.
Em 30 segundos
O essencial de pcr nos extremos
Na PCR hipotérmica, o frio protege o cérebro: sobreviventes com boa função neurológica após horas de RCP são descritos.
ERC 2025: adrenalina só a partir de 30 °C (intervalo de 6–10 min entre 30 e 35 °C); após 3 choques sem sucesso, novas tentativas só acima de 30 °C.
O desfecho depende do ECLS: transfira com RCP mecânica e decida pelo escore HOPE no hospital.
Na PCR por hipertermia, o resfriamento ativo continua durante a RCP.
PCR hipotérmica: o que muda no ACLS
Confirme a PCR checando pulso e respiração por até 1 minuto — a bradicardia extrema e a bradipneia enganam. Se houver dúvida, use capnografia, ECG e ultrassom. Iniciada a RCP, as diferenças em relação ao algoritmo padrão são poucas, mas decisivas.
Temperatura central
Adrenalina
Desfibrilação
RCP
< 30 °C
Não administrar (acumula e pode ser deletéria).
Até 3 choques; se FV persistir, adiar novas tentativas até > 30 °C.
Contínua; se impossível no resgate, intermitente abaixo de 28 °C.
30–35 °C
com intervalo dobrado: a cada 6–10 min.
Conforme algoritmo padrão.
Contínua.
> 35 °C
Protocolo padrão (a cada 3–5 min).
Protocolo padrão.
Contínua.
Recomendações do ERC 2025 (circunstâncias especiais). Siga também o protocolo da sua instituição e mantenha o foco em RCP de qualidade e no encaminhamento para ECLS.
RCP intermitente
Quando o resgate ou o transporte impedem RCP contínua, aceita-se alternar: abaixo de 28 °C, 5 minutos de RCP com pausas de até 5 minutos; abaixo de 20 °C, 5 minutos de RCP com pausas de até 10 minutos. Prefira dispositivo de compressão mecânica no transporte (Gordon et al., 2015; ERC).
"Ninguém está morto até estar quente e morto"
A frase resume uma fisiologia real: a cada grau perdido, o consumo cerebral de oxigênio cai, e a PCR que ocorre depois do resfriamento tem prognóstico muito melhor que a asfixia seguida de frio. Mas ela não é absoluta — há critérios de futilidade e um escore para decidir quem vai para o ECLS.
Favorece insistir e ECLS
PCR presenciada depois do resfriamento (hipotermia primária).
Temperatura central < 30–32 °C compatível com o tempo de exposição.
Escore HOPE ≥ 10% de probabilidade de sobrevida.
Imersão ou exposição sem asfixia prévia.
Sugere futilidade
Lesões incompatíveis com a vida, corpo congelado com via aérea obstruída por neve ou gelo.
Asfixia antes do resfriamento (soterramento em avalanche com via aérea obstruída, submersão).
Potássio muito elevado na admissão (marcador de morte celular e asfixia, componente do HOPE).
HOPE < 10%: o valor preditivo negativo é alto (cerca de 97% na validação).
PCR e instabilidade na hipertermia
Na PCR por insolação ou toxíndrome hipertérmica, siga o ACLS padrão sem interromper o resfriamento: gelo, toalhas geladas, fluidos frios e, quando possível, dispositivos de controle de temperatura. A hipertermia piora o prognóstico neurológico após o retorno da circulação.
Hipercalemia por rabdomiólise é causa reversível: trate com cálcio, insulina com glicose e diálise.
Na hipertermia maligna, continue o e trate a hipercalemia; evite bloqueadores de canal de cálcio junto com dantroleno.
Após o retorno da circulação, evite febre e hipertermia de rebote.
Em 30 segundos
O essencial de avaliação e exames
ABCDE, monitorização, glicemia capilar e temperatura central contínua nos primeiros minutos.
Anamnese de 60 segundos: exposição, esforço, drogas novas, anestesia, uso de estimulantes, tireoide, etanol.
Exames procuram consequências (rabdomiólise, hipercalemia, lesão renal e hepática, CIVD) e causas (sepse, endócrina, toxicologia).
Nenhum exame atrasa resfriamento ou reaquecimento.
Os primeiros dez minutos
A temperatura central é o sinal vital que define o problema, e o erro mais comum é confiar em termômetro axilar ou timpânico, que subestimam os extremos. Por isso a medida central contínua entra junto com o ABCDE, e o tratamento térmico começa antes de qualquer resultado de exame.
ABCDE e monitorização
Cardioscopia, oximetria (pode falhar por vasoconstrição no frio), pressão arterial, capnografia se intubado.
Temperatura central — passo crítico
Termômetro adequado, sonda retal ou esofágica, monitorização contínua.
Glicemia capilar
Hipoglicemia é causa e complicação tanto do frio quanto do calor.
Iniciar o tratamento térmico
Resfriamento por imersão ou reaquecimento escalonado, já na sala de emergência.
Acesso e coleta
Gasometria com lactato e eletrólitos, hemograma, função renal e hepática, CK, coagulograma, culturas se suspeita infecciosa.
ECG de 12 derivações
Onda J, bradiarritmias e FA no frio; taquiarritmias, QRS largo e hipercalemia no calor.
Anamnese e exame dirigidos
A causa quase sempre está na história, que costuma vir de terceiros: acompanhante, socorrista ou a caixa de remédios. Pergunte ativamente por medicamento novo, dose alterada ou suspensão abrupta e por anestesia recente, porque síndrome serotoninérgica, SNM e hipertermia maligna têm tratamento específico que a insolação não tem.
Exposição — tempo, ambiente, roupa molhada, imersão, onda de calor, ar-condicionado ausente.
Esforço — prova esportiva, treino, trabalho pesado.
Medicamentos — antidepressivos, antipsicóticos, antieméticos, opioides (tramadol), linezolida, triptanos, anticolinérgicos, diuréticos, betabloqueadores, hipoglicemiantes; mudança de dose ou suspensão (levodopa, baclofeno).
Anestesia recente — halogenado ou succinilcolina e história familiar de complicação anestésica.
Exame — pele (seca × úmida), pupilas, tônus, reflexos e clônus, rigidez de nuca, foco infeccioso, sinais de trauma.
Exames que mudam conduta
Os exames respondem a duas perguntas: que dano a temperatura já causou e qual é a causa por trás dela. Vários resultados se comportam de forma diferente no calor e no frio, e alguns enganam quando lidos fora desse contexto.
Exame
Na hipertermia
Na hipotermia
Gasometria, lactato e potássio
Acidose metabólica, hipercalemia por rabdomiólise; hipercapnia precoce sugere hipertermia maligna.
Interprete sem correção pela temperatura (alfa-stat). Potássio alto na PCR pesa contra ECLS (escore HOPE).
CK e mioglobina urinária
Rabdomiólise (insolação de esforço, SNM, HM, toxíndromes).
Rabdomiólise por imobilização prolongada.
Função renal e hepática
Lesão renal aguda; transaminases sobem nas primeiras 24–72 h.
Lesão renal por hipoperfusão e rabdomiólise.
Coagulograma, plaquetas, fibrinogênio
CIVD, que pode surgir após o resfriamento.
Exame a 37 °C pode ser normal apesar de coagulopatia clínica.
Glicemia
Hipo ou hiperglicemia.
Hipoglicemia (etanol, sepse, desnutrição); hiperglicemia por resistência à insulina — não corrija agressivamente.
TSH e T4 livre, cortisol
Tireotoxicose (não aguarde para tratar).
Coma mixedematoso e insuficiência adrenal.
Toxicologia, etanol, salicilato, paracetamol
Toxíndromes e associações.
Etanol e sedativos.
Culturas, liquor, imagem
Infecção do SNC e sepse; TC de crânio se trauma ou déficit focal.
Sepse, TCE e AVC.
Lipase/amilase e enzimas hepáticas elevadas são comuns na hipotermia grave; ECG com onda J não é infarto — reavalie após o reaquecimento.
Modelo de registro
O registro precisa contar a história no tempo: temperatura com sítio e horário de cada medida, início e fim de cada intervenção térmica. É isso que orienta a equipe seguinte e sustenta a decisão entre resfriar, reaquecer ou indicar ECLS.
Evolução — alteração grave da temperatura
Paciente de __ anos, trazido(a) por __, encontrado(a) em __ (exposição: __; tempo estimado: __).
Temperatura central: __ °C (sítio: esofágico/retal/vesical) às __h.
Consciência: AVPU __ / Glasgow __. FC __ bpm, PA __ mmHg, FR __ irpm, SpO₂ __%, glicemia __ mg/dL.
Exame: pele __; pupilas __; tônus __; reflexos/clônus __; sinais de trauma __.
Hipótese: hipertermia (insolação clássica/de esforço, SS, SNM, HM, toxíndrome, tireotoxicose) / hipotermia (primária, estágio __ suíço revisado; secundária a __).
Conduta: resfriamento por __ (início __h; T de parada __ °C às __h) / reaquecimento __ (passivo/ativo externo/interno/ECLS).
Medicações: __. Exames solicitados: __.
Destino: __. Reavaliação da temperatura a cada __ min.
Registre horários de início e fim do resfriamento ou reaquecimento e a temperatura em cada intervenção.
Em 30 segundos
O essencial de conduta
Hipertermia: resfriar até ~39 °C em até 30 min, benzodiazepínico para agitação e calafrio, tratamento do mecanismo.
é o antídoto da hipertermia maligna (2,5 mg/kg imediato) e adjuvante na SNM grave — não na insolação.
Hipotermia: reaquecimento escalonado, fluidos aquecidos, manuseio delicado; ECLS para PCR ou instabilidade.
Trate a causa secundária: , , , , antibiótico.
Destino
Insolação, toxíndromes hipertérmicas, tempestade tireoidiana e hipotermia moderada a grave pedem leito monitorizado, em geral UTI: as complicações (CIVD, lesão hepática e renal, arritmias do reaquecimento) aparecem nas horas seguintes.
UTI
Insolação, SS grave, SNM, HM, tempestade tireoidiana, hipotermia < 32 °C ou com instabilidade, coma mixedematoso.
Centro com ECLS
PCR hipotérmica ou instabilidade (FC < 45, PAS < 90, arritmia ventricular, T < 30 °C).
Observação
Exaustão pelo calor que normaliza rápido; SS leve (observar 6–12 h); hipotermia leve primária reaquecida.
Alta
Temperatura normal, exames sem lesão orgânica, causa esclarecida e ambiente seguro (avalie vulnerabilidade social no idoso).
Rotas de tratamento
Cada rota corresponde a um cenário da porta de entrada; o ícone de cada fármaco abre a ficha com apresentação, diluição, dose e cuidados. Os valores seguem apresentações usuais no Brasil — confira sempre o rótulo e o protocolo do seu serviço.
Quando esta rota entraTemperatura central > 40 °C (ou história compatível) com disfunção do SNC após exposição ao calor ou esforço.
Resfriamento e volume2 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
1ª escolhaImersão em água gelada ou fria
Água 1–5 °C (gelada) ou 9–12 °C (fria), até o tórax
Contínua, com temperatura retal monitorizada
Até ≈ 39 °C (meta em ≤ 30 min)
Taxa-alvo ≥ 0,155 °C/min. Alternativas: lona com água gelada, toalhas geladas trocadas, gelo + ventilação.
AdjuvanteRinger lactato (frio ou em temperatura ambiente)
500–1000 mL inicial; guiar por perfusão
IV em bolus
Reavaliar após cada alíquota
Corrige hipovolemia; fluido frio ajuda pouco no resfriamento. Cuidado com sobrecarga no idoso e hiponatremia associada ao esforço.
Agitação, calafrio e convulsão2 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
1ª escolhaMidazolam
2–5 mg IV (ou 5–10 mg IM)
IV lento; repetir a cada 5–10 min
Até controle
Controla calafrio que gera calor e permite o resfriamento. Convulsão: 10 mg IM se sem acesso.
AlternativaDiazepam
5–10 mg IV
IV lento (≤ 5 mg/min)
Repetir a cada 5–10 min
Não use IM (absorção errática).
Antitérmicos e dantroleno não estão indicados na insolação (SCCM 2025). Antitérmico pode ainda agravar a lesão hepática.
Quando esta rota entraHipertermia com rigidez, clônus ou agitação após droga serotoninérgica, antagonista dopaminérgico, anestésico desencadeante ou estimulante.
Base para todas2 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
1ª escolhaDiazepam
5–10 mg IV
IV lento; repetir a cada 5–10 min
Titular até sedação calma
Simpatomimética pode exigir doses cumulativas altas; monitorize ventilação.
AlternativaMidazolam
2–5 mg IV ou 5–10 mg IM; infusão 0,02–0,1 mg/kg/h
IV, IM ou BIC
Conforme resposta
Útil IM no paciente agitado sem acesso. Refratário (> 41 °C): intubação e bloqueador não despolarizante.
Tratamento por mecanismo4 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
UrgênciaDantroleno — hipertermia maligna
2,5 mg/kg IV; repetir 1 mg/kg até controle
IV rápido (frasco 20 mg em 60 mL de água)
Até 10 mg/kg (pode exceder); depois 1 mg/kg 4–6/4–6 h por 24 h
Suspenda halogenado/succinilcolina, O₂ 100% e hiperventilação. Mobilize toda a equipe para reconstituir os frascos.
GraveDantroleno — SNM grave
1–2,5 mg/kg IV
IV; repetir 1 mg/kg a cada 6 h se necessário
Máx. 10 mg/kg/dia
Adjuvante na rigidez e hipertermia importantes; evidência limitada.
Moderada/graveBromocriptina — SNM
2,5 mg VO/SNG; até 10 mg por dose
A cada 6–8 h (máx. 45 mg/dia)
Pelo menos 10 dias, depois retirar
Agonista dopaminérgico; pode piorar psicose e hipotensão.
AdjuvanteCiproeptadina — síndrome serotoninérgica
12 mg VO/SNG; depois 2 mg a cada 2 h se sintomas
VO/SNG (comprimido triturado)
Enquanto houver sinais
Só via enteral (comprimido triturado). Sedativa. Evidência limitada.
Evite contenção física prolongada sem sedação (aumenta a produção de calor e a rabdomiólise) e antipsicóticos na suspeita de SS ou SNM. Na toxíndrome simpatomimética, evite betabloqueador isolado.
Quando esta rota entraTireotoxicose com hipertermia, taquicardia desproporcional, disfunção cardíaca, neurológica ou gastrointestinal; Burch-Wartofsky ≥ 45.
Esquema combinado (usar em conjunto)6 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
1ª escolhaPropranolol
60–80 mg VO/SNG
A cada 4 h
Até controle clínico
Cautela na insuficiência cardíaca descompensada e asma; prefira esmolol se instável.
InstávelEsmolol
Ataque 250–500 mcg/kg; 50–100 mcg/kg/min
Ataque IV em bolus; BIC 10 mg/mL
Titular pela FC
Meia-vida curta: desliga em minutos se hipotensão.
1ª escolhaPropiltiouracil
500–1000 mg ataque; 250 mg
VO/SNG a cada 4 h
Até estabilizar, depois metimazol
Inibe também a conversão de T4 em T3. Hepatotoxicidade.
AlternativaMetimazol
60–80 mg/dia
VO/SNG, divididos
Contínuo
Alternativa ao PTU; preferido após a fase aguda.
≥ 1 h após tionamidaIodeto (SSKI ou Lugol)
SSKI 5 gotas (250 mg)
VO a cada 6 h
Dias, na fase aguda
Dar antes da tionamida alimenta a síntese hormonal.
AssociarHidrocortisona
300 mg ataque; 100 mg
IV a cada 8 h
Retirar com a melhora
Reduz conversão periférica e cobre insuficiência adrenal relativa.
Febre: resfriamento físico e paracetamol; evite salicilatos (deslocam hormônio da proteína carreadora). Procure e trate o gatilho — infecção é o mais comum.
Quando esta rota entraTemperatura central < 35 °C ou estadiamento clínico pelo sistema suíço revisado.
Reaquecimento e volume3 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
1ª escolhaRinger lactato ou SF aquecido
500 mL (alíquotas de 250–500 mL)
IV aquecido a 38–42 °C
Guiar por perfusão e PA
Corrige a diurese fria e a hipotensão do reaquecimento. Use aquecedor de fluidos em linha.
1ª escolhaAr forçado aquecido
Manta térmica sobre o tronco
Contínuo
Até > 35 °C
Associar isolamento e ambiente aquecido. Moderada/grave: somar métodos internos.
ResgateECMO venoarterial
Reaquecimento extracorpóreo
Centro com ECLS
Até temperatura e circulação estáveis
PCR hipotérmica (HOPE ≥ 10%) ou instabilidade refratária.
Causa secundária e PCR5 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
HipoglicemiaGlicose 50%
25 g (50 mL)
IV em bolus lento, em veia calibrosa
Repetir pela glicemia
Glicemia < 70 mg/dL. Hiperglicemia no frio: não corrija agressivamente.
Etilista / desnutridoTiamina
100 mg; suspeita de Wernicke: 200 mg 8/8 h
IV, junto ou antes da glicose
Wernicke: até melhora clínica
Não atrase a glicose esperando a tiamina.
Adrenal / mixedemaHidrocortisona
100 mg
IV a cada 8 h
Até excluir insuficiência adrenal
No coma mixedematoso, antes da levotiroxina.
Coma mixedematosoLevotiroxina
200–400 mcg ataque; depois 1,6 mcg/kg/dia (× 0,75 se IV)
IV quando disponível; senão SNG
Contínua
Doses menores em idoso e coronariopata. Associe liotironina quando disponível, conforme especialista.
≥ 30 °CAdrenalina na PCR
1 mg IV/IO
30–35 °C: a cada 6–10 min; > 35 °C: 3–5 min
Durante a RCP
ERC 2025: não administrar abaixo de 30 °C.
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Diretriz2014
Jonklaas J, Bianco AC, Bauer AJ, et al. Guidelines for the treatment of hypothyroidism: prepared by the American Thyroid Association Task Force on Thyroid Hormone Replacement. Thyroid. 2014;24(12):1670-1751.
14
Documento oficial2024
Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos. Dantrolen IV (dantroleno sódico) — bula para o profissional de saúde. ANVISA, 2024.
Aviso importante
Ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Doses, diluições e velocidades de infusão devem ser conferidas antes da administração. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço, as bulas vigentes e a orientação do centro de informação toxicológica (CIATox).
Ver como medir
Medir a temperatura central
Nos extremos, a temperatura periférica engana. A sonda esofágica posicionada no terço distal do esôfago é a medida mais fiel no paciente intubado ou em PCR. A retal e a vesical são aceitáveis, mas atrasam em relação ao núcleo durante o resfriamento e o reaquecimento.
Termômetros infravermelhos (testa, timpânico) e a temperatura axilar ou oral não devem guiar decisões em hipotermia ou hipertermia grave. Use termômetro de leitura baixa no paciente frio.
< 35 °CHipotermia (temperatura central)
> 40 °CInsolação: temperatura central + disfunção do SNC
< 30 °CAlto risco de PCR hipotérmica
Ver a diferença
Febre não é hipertermia
Na febre, citocinas elevam o ponto de ajuste hipotalâmico; o corpo produz e conserva calor de propósito, e o antitérmico funciona. Na hipertermia, o ponto de ajuste está normal, mas o calor gerado ou absorvido supera a capacidade de dissipá-lo.
Por isso paracetamol e dipirona não resfriam a insolação, a síndrome serotoninérgica ou a hipertermia maligna. Ali o tratamento é físico (resfriar) e dirigido ao mecanismo (benzodiazepínico, dantroleno, retirada do agente).
Temperatura > 40 °C com alteração do estado mental é emergência de minutos. Resfrie primeiro e investigue em paralelo.
Ver a conduta
Resfriar primeiro
Na insolação, o dano depende da área sob a curva de tempo × temperatura. O método mais rápido é a imersão em água gelada (1–5 °C) ou fria (9–12 °C), com meta de taxa de resfriamento de pelo menos 0,155 °C/min e alvo atingido em até 30 minutos.
Pare o resfriamento com temperatura retal de cerca de 39 °C para evitar hipotermia de rebote. Antitérmicos e dantroleno não têm papel na insolação.
Reconhecer
T > 40 °C + SNC alterado.
Imergir
Água gelada/fria, cabeça fora.
Medir
Retal contínua.
Parar
≈ 39 °C.
Ver a conduta
Reaquecer com cuidado
Hipotermia leve se resolve com isolamento, ambiente aquecido e reaquecimento ativo externo. Na moderada e grave, o miocárdio frio é irritável: mobilização brusca pode precipitar fibrilação ventricular. Use ar forçado aquecido, fluidos aquecidos e, se houver PCR ou instabilidade, reaquecimento extracorpóreo.
Na PCR hipotérmica, o ERC 2025 recomenda adiar adrenalina até 30 °C e, após três choques sem sucesso, adiar novas desfibrilações até 30 °C. O prognóstico pode ser excelente: ninguém está morto até estar quente e morto.
Procure sempre a causa secundária: sepse, hipoglicemia, hipotireoidismo, insuficiência adrenal, intoxicação e lesão do SNC.
Relaxante muscular de ação direta (antagonista do receptor de rianodina)
Dantroleno sódico
Frasco-ampola 20 mg de pó liofilizado + diluente de 60 mL de água para injetáveis (Dantrolen IV)
Hipertermia maligna2,5 mg/kg · IV rápido; repetir 1 mg/kg até controle · Até 10 mg/kg (pode exceder)
Papel no tratamento
Antídoto da hipertermia maligna e adjuvante na síndrome neuroléptica maligna grave. Não tem papel na insolação.
Quando usar
Hipertermia maligna (imediato, ao primeiro sinal: hipercapnia inexplicada, rigidez, taquicardia, hipertermia) e SNM com rigidez e hipertermia importantes.
Ficha de consulta rápida
Classe
Relaxante muscular de ação direta (antagonista do receptor de rianodina)
Apresentação
Frasco-ampola 20 mg de pó liofilizado + diluente de 60 mL de água para injetáveis (Dantrolen IV)
Posologia principal
2,5 mg/kg · IV rápido; repetir 1 mg/kg até controle · Até 10 mg/kg (pode exceder)
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Todo centro cirúrgico que usa halogenado ou succinilcolina deve ter dantroleno suficiente para a dose inicial disponível em minutos.
IV em bolus2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Hipertermia maligna
2,5 mg/kg
IV rápido; repetir 1 mg/kg até controle
Até 10 mg/kg (pode exceder)
Após a crise: 1 mg/kg a cada 4–6 h por 24 h para prevenir recrudescência.
SNM grave
1–2,5 mg/kg
IV; repetir 1 mg/kg a cada 6 h se necessário
Máx. 10 mg/kg/dia
—
Como administrar
Preparo
Cada frasco de 20 mg com 60 mL de água para injetáveis (sem conservante), agitar até ficar transparente; proteger da luz e usar em até 6 horas. Um adulto de 70 kg precisa de ~9 frascos só na dose inicial — chame ajuda.
Administração
Bolus IV rápido por acesso calibroso; solução muito alcalina (irritante, flebite).
Contraindicações e quando evitar
Associação com bloqueadores de canal de cálcio IV (verapamil, diltiazem): hipercalemia e colapso cardiovascular.
Insolação (SCCM 2025: recomendação contra).
Efeitos adversos
Fraqueza muscular e hipoventilação.
Flebite.
Hepatotoxicidade (uso prolongado).
Sonolência.
Monitoramento
Monitoramento
Temperatura central, EtCO₂, potássio, CK, função hepática e diurese.
Como administrar
Preparo
Cada frasco de 20 mg com 60 mL de água para injetáveis (sem conservante), agitar até ficar transparente; proteger da luz e usar em até 6 horas. Um adulto de 70 kg precisa de ~9 frascos só na dose inicial — chame ajuda.
Administração
Bolus IV rápido por acesso calibroso; solução muito alcalina (irritante, flebite).
Antagonista 5-HT2A e anti-histamínico H1
Ciproeptadina
Comprimido 4 mg (no Brasil, sobretudo em associação com cobamamida)
Ataque12 mg · VO ou SNG (triturado) · Dose única
Papel no tratamento
Antisserotoninérgico oral, adjuvante na síndrome serotoninérgica moderada a grave. Evidência limitada; não substitui sedação e resfriamento.
Quando usar
Síndrome serotoninérgica que preenche critérios de Hunter, como adjuvante ao benzodiazepínico.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antagonista 5-HT2A e anti-histamínico H1
Apresentação
Comprimido 4 mg (no Brasil, sobretudo em associação com cobamamida)
Posologia principal
12 mg · VO ou SNG (triturado) · Dose única
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Se a temperatura passar de 41 °C, o tratamento é sedação profunda, intubação e paralisia — não mais ciproeptadina.
Enteral2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Ataque
12 mg
VO ou SNG (triturado)
Dose única
—
Sintomas persistentes
2 mg
A cada 2 h
Até resposta
—
Como administrar
Administração
Não há forma parenteral: triturar e administrar por sonda no paciente sedado. Verifique se a associação disponível permite a dose (cobamamida não acrescenta efeito).
Antes de prescrever, confira
Delirium anticolinérgico.
Glaucoma de ângulo fechado e retenção urinária.
Contraindicações e quando evitar
Delirium anticolinérgico.
Glaucoma de ângulo fechado e retenção urinária.
Efeitos adversos
Sedação.
Efeitos anticolinérgicos.
Hipotensão transitória.
Como administrar
Administração
Não há forma parenteral: triturar e administrar por sonda no paciente sedado. Verifique se a associação disponível permite a dose (cobamamida não acrescenta efeito).
Papel neste contexto
Antisserotoninérgico oral, adjuvante na síndrome serotoninérgica moderada a grave. Evidência limitada; não substitui sedação e resfriamento.
Agonista dopaminérgico
Bromocriptina
Comprimido 2,5 mg
SNM2,5 mg · A cada 6–8 h, VO/SNG · Aumentar conforme resposta
Papel no tratamento
Restaura o tônus dopaminérgico na síndrome neuroléptica maligna moderada a grave.
Ficha de consulta rápida
Classe
Agonista dopaminérgico
Apresentação
Comprimido 2,5 mg
Posologia principal
2,5 mg · A cada 6–8 h, VO/SNG · Aumentar conforme resposta
Atenção neste contexto
Suspender o agente desencadeante é a medida mais importante; não reintroduza antipsicótico por pelo menos 2 semanas.
Antes de prescrever, confira
Hipertensão não controlada.
Psicose ativa grave sem plano psiquiátrico.
Efeitos adversos mais relevantes
Náusea e vômitos (risco de aspiração).
Hipotensão.
Piora de psicose.
Enteral1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
SNM
2,5 mg
A cada 6–8 h, VO/SNG
Aumentar conforme resposta
Até 10 mg por dose (máx. 45 mg/dia).
Como administrar
Duração
Manter por pelo menos 10 dias (mais se antipsicótico de depósito) e retirar gradualmente — a suspensão abrupta precipita recaída.
Administração
Triturar por sonda no paciente que não deglute.
Antes de prescrever, confira
Hipertensão não controlada.
Psicose ativa grave sem plano psiquiátrico.
Contraindicações e quando evitar
Hipertensão não controlada.
Psicose ativa grave sem plano psiquiátrico.
Efeitos adversos
Náusea e vômitos (risco de aspiração).
Hipotensão.
Piora de psicose.
Como administrar
Duração
Manter por pelo menos 10 dias (mais se antipsicótico de depósito) e retirar gradualmente — a suspensão abrupta precipita recaída.
Administração
Triturar por sonda no paciente que não deglute.
Papel neste contexto
Restaura o tônus dopaminérgico na síndrome neuroléptica maligna moderada a grave.
Benzodiazepínico de ação longa
Diazepam
Ampola 10 mg / 2 mL (5 mg/mL)
Agitação / hipertermia tóxica5–10 mg · IV lento, repetir a cada 5–10 min · Até sedação calma
Papel no tratamento
Base do tratamento da agitação e da hiperatividade muscular nas hipertermias tóxicas (serotoninérgica, simpatomimética, anticolinérgica) e na abstinência.
Ficha de consulta rápida
Classe
Benzodiazepínico de ação longa
Apresentação
Ampola 10 mg / 2 mL (5 mg/mL)
Posologia principal
5–10 mg · IV lento, repetir a cada 5–10 min · Até sedação calma
Atenção neste contexto
Sedar o músculo é resfriar: a hipertermia tóxica nasce da atividade muscular.
Antes de prescrever, confira
Uso sem capacidade de manejo da via aérea em doses repetidas.
Efeitos adversos mais relevantes
Depressão respiratória.
Hipotensão.
Flebite.
IV em bolus1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Agitação / hipertermia tóxica
5–10 mg
IV lento, repetir a cada 5–10 min
Até sedação calma
Intoxicação por estimulantes pode exigir doses cumulativas altas.
Como administrar
Administração
IV lento (até 5 mg/min). Não use IM (absorção errática) nem dilua em grandes volumes (precipita).
Antes de prescrever, confira
Uso sem capacidade de manejo da via aérea em doses repetidas.
Contraindicações e quando evitar
Uso sem capacidade de manejo da via aérea em doses repetidas.
Efeitos adversos
Depressão respiratória.
Hipotensão.
Flebite.
Monitoramento
Monitoramento
Nível de consciência, frequência respiratória, SpO₂ e capnografia.
Como administrar
Administração
IV lento (até 5 mg/min). Não use IM (absorção errática) nem dilua em grandes volumes (precipita).
Papel neste contexto
Base do tratamento da agitação e da hiperatividade muscular nas hipertermias tóxicas (serotoninérgica, simpatomimética, anticolinérgica) e na abstinência.
Idosos
Menores doses e maior risco de depressão respiratória e acúmulo.
Antes de prescrever, confira
Uso sem capacidade de manejo da via aérea em doses repetidas.
Efeitos adversos mais relevantes
Depressão respiratória.
Hipotensão.
Flebite.
Papel neste contexto
Base do tratamento da agitação e da hiperatividade muscular nas hipertermias tóxicas (serotoninérgica, simpatomimética, anticolinérgica) e na abstinência.
Benzodiazepínico de ação curta
Midazolam
Ampolas 5 mg/mL (3 mL = 15 mg; 10 mL = 50 mg) e 1 mg/mL (5 mL)
Agitação / calafrio2–5 mg · IV, repetir a cada 5–10 min · Até controle
Papel no tratamento
Controle de agitação, calafrio durante o resfriamento e convulsões; útil por via IM no paciente sem acesso.
Ficha de consulta rápida
Classe
Benzodiazepínico de ação curta
Apresentação
Ampolas 5 mg/mL (3 mL = 15 mg; 10 mL = 50 mg) e 1 mg/mL (5 mL)
Posologia principal
2–5 mg · IV, repetir a cada 5–10 min · Até controle
Outros esquemas
2 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Calafrio durante a imersão gera calor e atrasa o resfriamento: trate-o, sem interromper a imersão.
Antes de prescrever, confira
Doses repetidas sem monitorização da via aérea.
Efeitos adversos mais relevantes
Depressão respiratória.
Hipotensão.
Delirium.
IV em bolus1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Agitação / calafrio
2–5 mg
IV, repetir a cada 5–10 min
Até controle
—
IM1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Sem acesso / convulsão
5–10 mg
IM (10 mg na convulsão)
Dose única, reavaliar
—
Infusão contínua1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Sedação contínua
0,02–0,1 mg/kg/h
BIC
Titular por escala de sedação
50 mg em 50 mL de SF = 1 mg/mL.
Como administrar
Diluição para BIC
50 mg (10 mL) + 40 mL de SF 0,9% = 1 mg/mL; 70 kg a 0,05 mg/kg/h = 3,5 mL/h.
Antes de prescrever, confira
Doses repetidas sem monitorização da via aérea.
Contraindicações e quando evitar
Doses repetidas sem monitorização da via aérea.
Efeitos adversos
Depressão respiratória.
Hipotensão.
Delirium.
Monitoramento
Monitoramento
Ventilação, SpO₂, capnografia, pressão arterial.
Como administrar
Diluição para BIC
50 mg (10 mL) + 40 mL de SF 0,9% = 1 mg/mL; 70 kg a 0,05 mg/kg/h = 3,5 mL/h.
Papel neste contexto
Controle de agitação, calafrio durante o resfriamento e convulsões; útil por via IM no paciente sem acesso.
Idosos
Doses menores; acúmulo em insuficiência renal e hepática e na hipotermia.
Antes de prescrever, confira
Doses repetidas sem monitorização da via aérea.
Efeitos adversos mais relevantes
Depressão respiratória.
Hipotensão.
Delirium.
Papel neste contexto
Controle de agitação, calafrio durante o resfriamento e convulsões; útil por via IM no paciente sem acesso.
Tionamida
Propiltiouracil (PTU)
Comprimido 100 mg
Tempestade tireoidiana500–1000 mg ataque · Depois 250 mg a cada 4 h · Até estabilização; depois trocar por metimazol
Papel no tratamento
Bloqueia a síntese de hormônio tireoidiano e, em doses altas, a conversão periférica de T4 em T3. Preferido na fase aguda da tempestade.
Quando usar
Tempestade tireoidiana (ATA 2016) e tireotoxicose no 1º trimestre de gestação.
Ficha de consulta rápida
Classe
Tionamida
Apresentação
Comprimido 100 mg
Posologia principal
500–1000 mg ataque · Depois 250 mg a cada 4 h · Até estabilização; depois trocar por metimazol
Atenção neste contexto
Iodeto só pelo menos 1 hora depois da primeira dose de tionamida.
Antes de prescrever, confira
Agranulocitose prévia por tionamida.
Hepatopatia grave (avaliar risco-benefício).
Efeitos adversos mais relevantes
Hepatotoxicidade grave (insuficiência hepática).
Agranulocitose.
Rash, vasculite ANCA.
VO / SNG / retal1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Tempestade tireoidiana
500–1000 mg ataque
Depois 250 mg a cada 4 h
Até estabilização; depois trocar por metimazol
—
Como administrar
Administração
Sem forma parenteral: SNG no paciente que não deglute.
Antes de prescrever, confira
Agranulocitose prévia por tionamida.
Hepatopatia grave (avaliar risco-benefício).
Contraindicações e quando evitar
Agranulocitose prévia por tionamida.
Hepatopatia grave (avaliar risco-benefício).
Efeitos adversos
Hepatotoxicidade grave (insuficiência hepática).
Agranulocitose.
Rash, vasculite ANCA.
Monitoramento
Monitoramento
Enzimas hepáticas e hemograma (agranulocitose).
Como administrar
Administração
Sem forma parenteral: SNG no paciente que não deglute.
Papel neste contexto
Bloqueia a síntese de hormônio tireoidiano e, em doses altas, a conversão periférica de T4 em T3. Preferido na fase aguda da tempestade.
Gestação
Preferido no primeiro trimestre.
Antes de prescrever, confira
Agranulocitose prévia por tionamida.
Hepatopatia grave (avaliar risco-benefício).
Efeitos adversos mais relevantes
Hepatotoxicidade grave (insuficiência hepática).
Agranulocitose.
Rash, vasculite ANCA.
Papel neste contexto
Bloqueia a síntese de hormônio tireoidiano e, em doses altas, a conversão periférica de T4 em T3. Preferido na fase aguda da tempestade.
Tionamida
Metimazol (tiamazol)
Comprimidos 5 mg e 10 mg
Tempestade tireoidiana60–80 mg/dia · Divididos (ex.: 20 mg 6/6 h ou 8/8 h) · Ajustar pela resposta
Papel no tratamento
Alternativa ao PTU na tempestade tireoidiana e tionamida preferida após a fase aguda.
Quando usar
Alternativa ao PTU (ATA 2016); não bloqueia a conversão periférica.
Ficha de consulta rápida
Classe
Tionamida
Apresentação
Comprimidos 5 mg e 10 mg
Posologia principal
60–80 mg/dia · Divididos (ex.: 20 mg 6/6 h ou 8/8 h) · Ajustar pela resposta
Antes de prescrever, confira
Agranulocitose prévia por tionamida.
Efeitos adversos mais relevantes
Agranulocitose.
Hepatotoxicidade (colestática).
Rash.
VO / SNG1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Tempestade tireoidiana
60–80 mg/dia
Divididos (ex.: 20 mg 6/6 h ou 8/8 h)
Ajustar pela resposta
—
Antes de prescrever, confira
Agranulocitose prévia por tionamida.
Contraindicações e quando evitar
Agranulocitose prévia por tionamida.
Efeitos adversos
Agranulocitose.
Hepatotoxicidade (colestática).
Rash.
Monitoramento
Monitoramento
Hemograma e enzimas hepáticas.
Papel neste contexto
Alternativa ao PTU na tempestade tireoidiana e tionamida preferida após a fase aguda.
Gestação
Evitar no primeiro trimestre (embriopatia).
Antes de prescrever, confira
Agranulocitose prévia por tionamida.
Efeitos adversos mais relevantes
Agranulocitose.
Hepatotoxicidade (colestática).
Rash.
Papel neste contexto
Alternativa ao PTU na tempestade tireoidiana e tionamida preferida após a fase aguda.
Betabloqueador não seletivo
Propranolol
Comprimidos 10, 40 e 80 mg
Tempestade tireoidiana60–80 mg · A cada 4 h · Até controle clínico
Papel no tratamento
Controla os efeitos adrenérgicos da tempestade tireoidiana; em doses altas reduz a conversão de T4 em T3.
Quando usar
Taquicardia, tremor e agitação da tireotoxicose (ATA 2016).
Ficha de consulta rápida
Classe
Betabloqueador não seletivo
Apresentação
Comprimidos 10, 40 e 80 mg
Posologia principal
60–80 mg · A cada 4 h · Até controle clínico
Antes de prescrever, confira
Asma grave.
Choque cardiogênico.
Toxíndrome simpatomimética como agente isolado.
Efeitos adversos mais relevantes
Bradicardia e hipotensão.
Broncoespasmo.
Piora da insuficiência cardíaca.
VO / SNG1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Tempestade tireoidiana
60–80 mg
A cada 4 h
Até controle clínico
Titular pela FC e pela tolerância hemodinâmica.
Antes de prescrever, confira
Asma grave.
Choque cardiogênico.
Toxíndrome simpatomimética como agente isolado.
Contraindicações e quando evitar
Asma grave.
Choque cardiogênico.
Toxíndrome simpatomimética como agente isolado.
Efeitos adversos
Bradicardia e hipotensão.
Broncoespasmo.
Piora da insuficiência cardíaca.
Monitoramento
Cuidados
Na insuficiência cardíaca por tireotoxicose o débito depende da FC: prefira esmolol titulável.
Papel neste contexto
Controla os efeitos adrenérgicos da tempestade tireoidiana; em doses altas reduz a conversão de T4 em T3.
Betabloqueador beta-1 seletivo de ação ultracurta
Esmolol
Frasco 2500 mg / 250 mL (10 mg/mL) e ampola 100 mg / 10 mL
Ataque250–500 mcg/kg · IV em bolus (ATA 2016) · Dose única
Papel no tratamento
Betabloqueio titulável na tempestade tireoidiana com instabilidade ou disfunção ventricular.
Ficha de consulta rápida
Classe
Betabloqueador beta-1 seletivo de ação ultracurta
Apresentação
Frasco 2500 mg / 250 mL (10 mg/mL) e ampola 100 mg / 10 mL
Posologia principal
250–500 mcg/kg · IV em bolus (ATA 2016) · Dose única
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Choque cardiogênico.
Bloqueio AV avançado.
Efeitos adversos mais relevantes
Hipotensão.
Bradicardia.
Flebite.
IV em bolus1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Ataque
250–500 mcg/kg
IV em bolus (ATA 2016)
Dose única
—
Infusão contínua1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Manutenção
50–100 mcg/kg/min
BIC
Titular pela FC (máx. 300 mcg/kg/min)
Pronto para uso a 10 mg/mL.
Como administrar
Velocidade
mL/h = (dose [mcg/kg/min] × peso × 60) ÷ 10.000. Ex.: 70 kg a 50 mcg/kg/min = 21 mL/h.
Vantagem
Meia-vida de ~9 minutos: o efeito some rápido se houver hipotensão.
Antes de prescrever, confira
Choque cardiogênico.
Bloqueio AV avançado.
Contraindicações e quando evitar
Choque cardiogênico.
Bloqueio AV avançado.
Efeitos adversos
Hipotensão.
Bradicardia.
Flebite.
Como administrar
Velocidade
mL/h = (dose [mcg/kg/min] × peso × 60) ÷ 10.000. Ex.: 70 kg a 50 mcg/kg/min = 21 mL/h.
Vantagem
Meia-vida de ~9 minutos: o efeito some rápido se houver hipotensão.
Papel neste contexto
Betabloqueio titulável na tempestade tireoidiana com instabilidade ou disfunção ventricular.
Inibidor da liberação de hormônio tireoidiano
Iodeto inorgânico (SSKI ou solução de Lugol)
Solução saturada de iodeto de potássio (SSKI) ou solução de Lugol (iodo + iodeto de potássio), em geral manipuladas no Brasil
SSKI5 gotas (0,25 mL = 250 mg) · VO a cada 6 h · Fase aguda
Papel no tratamento
Bloqueia a liberação de hormônio pré-formado (efeito Wolff-Chaikoff). Só depois da tionamida.
Quando usar
Tempestade tireoidiana, iniciado pelo menos 1 hora após a primeira dose de tionamida (ATA 2016).
Ficha de consulta rápida
Classe
Inibidor da liberação de hormônio tireoidiano
Apresentação
Solução saturada de iodeto de potássio (SSKI) ou solução de Lugol (iodo + iodeto de potássio), em geral manipuladas no Brasil
Posologia principal
5 gotas (0,25 mL = 250 mg) · VO a cada 6 h · Fase aguda
Antes de prescrever, confira
Antes da tionamida.
Tireotoxicose induzida por amiodarona ou por iodo.
Alergia a iodo.
Efeitos adversos mais relevantes
Sialoadenite, gosto metálico.
Rash, reação de hipersensibilidade.
VO / SNG1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
SSKI
5 gotas (0,25 mL = 250 mg)
VO a cada 6 h
Fase aguda
Lugol: dose equivalente conforme a concentração da farmácia.
Como administrar
Administração
Diluir em água ou suco. Confira a concentração da formulação manipulada antes de converter em gotas.
Antes de prescrever, confira
Antes da tionamida.
Tireotoxicose induzida por amiodarona ou por iodo.
Alergia a iodo.
Contraindicações e quando evitar
Antes da tionamida.
Tireotoxicose induzida por amiodarona ou por iodo.
Alergia a iodo.
Efeitos adversos
Sialoadenite, gosto metálico.
Rash, reação de hipersensibilidade.
Como administrar
Administração
Diluir em água ou suco. Confira a concentração da formulação manipulada antes de converter em gotas.
Papel neste contexto
Bloqueia a liberação de hormônio pré-formado (efeito Wolff-Chaikoff). Só depois da tionamida.
Corticosteroide (glicocorticoide e mineralocorticoide)
Hidrocortisona (succinato sódico)
Frasco-ampola 100 mg e 500 mg
Tempestade tireoidiana300 mg ataque · Depois 100 mg a cada 8 h · Retirar com a melhora
Papel no tratamento
Na tempestade tireoidiana reduz a conversão de T4 em T3 e cobre insuficiência adrenal relativa; na hipotermia secundária, trata insuficiência adrenal e acompanha a levotiroxina no coma mixedematoso.
Ficha de consulta rápida
Classe
Corticosteroide (glicocorticoide e mineralocorticoide)
Apresentação
Frasco-ampola 100 mg e 500 mg
Posologia principal
300 mg ataque · Depois 100 mg a cada 8 h · Retirar com a melhora
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Atrasar a dose para coletar cortisol: colha e dê em seguida.
Efeitos adversos mais relevantes
Hiperglicemia.
Hipocalemia.
Delirium.
IV em bolus2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Tempestade tireoidiana
300 mg ataque
Depois 100 mg a cada 8 h
Retirar com a melhora
—
Crise adrenal / coma mixedematoso
100 mg
A cada 8 h (crise adrenal: 100 mg em bolus inicial)
Até excluir insuficiência adrenal
—
Como administrar
Coma mixedematoso
Administrar antes ou junto da levotiroxina: repor hormônio tireoidiano sem cortisol pode precipitar crise adrenal.
Administração
Reconstituir com o diluente; bolus IV em 30 s a alguns minutos.
Antes de prescrever, confira
Atrasar a dose para coletar cortisol: colha e dê em seguida.
Contraindicações e quando evitar
Atrasar a dose para coletar cortisol: colha e dê em seguida.
Efeitos adversos
Hiperglicemia.
Hipocalemia.
Delirium.
Como administrar
Coma mixedematoso
Administrar antes ou junto da levotiroxina: repor hormônio tireoidiano sem cortisol pode precipitar crise adrenal.
Administração
Reconstituir com o diluente; bolus IV em 30 s a alguns minutos.
Papel neste contexto
Na tempestade tireoidiana reduz a conversão de T4 em T3 e cobre insuficiência adrenal relativa; na hipotermia secundária, trata insuficiência adrenal e acompanha a levotiroxina no coma mixedematoso.
Hormônio tireoidiano (T4)
Levotiroxina sódica
Comprimidos 25–200 mcg; a forma IV não é comercializada rotineiramente no Brasil
Coma mixedematoso — ataque200–400 mcg · IV (ou SNG se IV indisponível) · Dose única
Papel no tratamento
Reposição no coma mixedematoso, causa clássica de hipotermia secundária com bradicardia, hiponatremia e hipoventilação.
Quando usar
Coma mixedematoso (ATA 2014), após ou junto da hidrocortisona.
Ficha de consulta rápida
Classe
Hormônio tireoidiano (T4)
Apresentação
Comprimidos 25–200 mcg; a forma IV não é comercializada rotineiramente no Brasil
Posologia principal
200–400 mcg · IV (ou SNG se IV indisponível) · Dose única
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Reaquecimento no coma mixedematoso deve ser cuidadoso: vasodilatação abrupta precipita colapso.
Antes de prescrever, confira
Iniciar antes de cobrir com hidrocortisona na suspeita de insuficiência adrenal.
IV / SNG2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Coma mixedematoso — ataque
200–400 mcg
IV (ou SNG se IV indisponível)
Dose única
Doses menores em idosos, baixo peso e coronariopatas.
Manutenção
1,6 mcg/kg/dia
× 0,75 se IV
Até via oral confiável
—
Como administrar
Administração
Absorção enteral incerta no mixedema (íleo, edema de mucosa); use IV quando disponível por importação ou protocolo institucional.
Antes de prescrever, confira
Iniciar antes de cobrir com hidrocortisona na suspeita de insuficiência adrenal.
Contraindicações e quando evitar
Iniciar antes de cobrir com hidrocortisona na suspeita de insuficiência adrenal.
Efeitos adversos
Isquemia miocárdica e arritmias.
Monitoramento
Monitoramento
Ritmo cardíaco (isquemia, arritmia), T4 livre, temperatura e sódio.
Como administrar
Administração
Absorção enteral incerta no mixedema (íleo, edema de mucosa); use IV quando disponível por importação ou protocolo institucional.
Papel neste contexto
Reposição no coma mixedematoso, causa clássica de hipotermia secundária com bradicardia, hiponatremia e hipoventilação.
Carboidrato
Glicose hipertônica 50%
Ampola 50% 10 mL (5 g); também 25% 10 mL
Hipoglicemia25 g (50 mL a 50%) · IV lento em veia calibrosa · Repetir pela glicemia em 15 min
Papel no tratamento
Corrige a hipoglicemia, causa e complicação da hipotermia (etanol, sepse, desnutrição) e da insolação de esforço.
Quando usar
Glicemia < 70 mg/dL ou impossibilidade de medir em paciente com rebaixamento.
Ficha de consulta rápida
Classe
Carboidrato
Apresentação
Ampola 50% 10 mL (5 g); também 25% 10 mL
Posologia principal
25 g (50 mL a 50%) · IV lento em veia calibrosa · Repetir pela glicemia em 15 min
Antes de prescrever, confira
Atraso à espera da tiamina.
Efeitos adversos mais relevantes
Flebite e necrose por extravasamento.
Hiperglicemia de rebote.
IV em bolus1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Hipoglicemia
25 g (50 mL a 50%)
IV lento em veia calibrosa
Repetir pela glicemia em 15 min
Depois, manutenção com SG 10% se necessário.
Como administrar
Administração
Solução hiperosmolar: veia calibrosa, checar refluxo; extravasamento causa necrose.
Hipotermia
Hiperglicemia leve no frio é comum (resistência à insulina): não persiga normoglicemia com insulina enquanto frio.
Antes de prescrever, confira
Atraso à espera da tiamina.
Contraindicações e quando evitar
Atraso à espera da tiamina.
Efeitos adversos
Flebite e necrose por extravasamento.
Hiperglicemia de rebote.
Como administrar
Administração
Solução hiperosmolar: veia calibrosa, checar refluxo; extravasamento causa necrose.
Hipotermia
Hiperglicemia leve no frio é comum (resistência à insulina): não persiga normoglicemia com insulina enquanto frio.
Papel neste contexto
Corrige a hipoglicemia, causa e complicação da hipotermia (etanol, sepse, desnutrição) e da insolação de esforço.
Vitamina
Tiamina (vitamina B1)
Ampola 100 mg/mL (1 mL)
Profilaxia100 mg · IV ou IM · Dose única ou diária
Papel no tratamento
Previne e trata encefalopatia de Wernicke no etilista ou desnutrido hipotérmico ou hipoglicêmico. A hipotermia pode fazer parte do quadro.
Quando usar
Etilismo, desnutrição, vômitos prolongados, cirurgia bariátrica — com glicose ou antes dela, sem atrasar a glicose.
Ficha de consulta rápida
Classe
Vitamina
Apresentação
Ampola 100 mg/mL (1 mL)
Posologia principal
100 mg · IV ou IM · Dose única ou diária
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade conhecida.
Efeitos adversos mais relevantes
Reação anafilactoide rara (IV).
IV / IM1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Profilaxia
100 mg
IV ou IM
Dose única ou diária
—
IV1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Suspeita de Wernicke
200 mg
IV, 8/8 h (EFNS)
Até melhora clínica
Protocolos hospitalares usam até 300–500 mg 8/8 h por 3–5 dias.
Como administrar
Administração
Diluir em 100 mL de SF para doses altas.
Antes de prescrever, confira
Hipersensibilidade conhecida.
Contraindicações e quando evitar
Hipersensibilidade conhecida.
Efeitos adversos
Reação anafilactoide rara (IV).
Como administrar
Administração
Diluir em 100 mL de SF para doses altas.
Papel neste contexto
Previne e trata encefalopatia de Wernicke no etilista ou desnutrido hipotérmico ou hipoglicêmico. A hipotermia pode fazer parte do quadro.
Catecolamina alfa e beta
Adrenalina (epinefrina)
Ampola 1 mg / 1 mL (1:1000)
PCR — 30–35 °C1 mg IV/IO · A cada 6–10 min · Durante a RCP
Papel no tratamento
Na PCR hipotérmica, o ERC 2025 limita seu uso pela temperatura central: o metabolismo lento faz a droga acumular.
Quando usar
PCR com temperatura central ≥ 30 °C (ERC 2025).
Ficha de consulta rápida
Classe
Catecolamina alfa e beta
Apresentação
Ampola 1 mg / 1 mL (1:1000)
Posologia principal
1 mg IV/IO · A cada 6–10 min · Durante a RCP
Outros esquemas
2 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Doses repetidas abaixo de 30 °C (acúmulo e toxicidade no reaquecimento).
Efeitos adversos mais relevantes
Taquiarritmias e FV no miocárdio frio.
Vasoconstrição intensa.
IV/IO em bolus3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
PCR — 30–35 °C
1 mg IV/IO
A cada 6–10 min
Durante a RCP
—
PCR — > 35 °C
1 mg IV/IO
A cada 3–5 min
Durante a RCP
—
PCR — < 30 °C
Não administrar
—
Até atingir 30 °C
Salvo se ECLS iminente, quando também não é necessária.
Como administrar
Administração
Bolus de 1 mg seguido de 20 mL de SF.
Antes de prescrever, confira
Doses repetidas abaixo de 30 °C (acúmulo e toxicidade no reaquecimento).
Contraindicações e quando evitar
Doses repetidas abaixo de 30 °C (acúmulo e toxicidade no reaquecimento).
Efeitos adversos
Taquiarritmias e FV no miocárdio frio.
Vasoconstrição intensa.
Como administrar
Administração
Bolus de 1 mg seguido de 20 mL de SF.
Papel neste contexto
Na PCR hipotérmica, o ERC 2025 limita seu uso pela temperatura central: o metabolismo lento faz a droga acumular.
Cristaloide balanceado
Ringer lactato
Bolsa de 500 mL e 1000 mL
Hipotermia250–500 mL · IV aquecido a 38–42 °C · Reavaliar após cada alíquota
Papel no tratamento
Na hipotermia, aquecido a 38–42 °C, repõe a diurese fria e sustenta a pressão no reaquecimento; na hipertermia, corrige a desidratação.
Quando usar
Hipotensão e hipovolemia no reaquecimento; desidratação e rabdomiólise na hipertermia.
Ficha de consulta rápida
Classe
Cristaloide balanceado
Apresentação
Bolsa de 500 mL e 1000 mL
Posologia principal
250–500 mL · IV aquecido a 38–42 °C · Reavaliar após cada alíquota
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Fluido em temperatura ambiente em grande volume no paciente hipotérmico.
Efeitos adversos mais relevantes
Sobrecarga volêmica.
IV em bolus2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Hipotermia
250–500 mL
IV aquecido a 38–42 °C
Reavaliar após cada alíquota
Aquecedor de fluidos em linha.
Insolação
500–1000 mL
IV em bolus
Guiar por perfusão e diurese
Rabdomiólise: manter diurese adequada.
Antes de prescrever, confira
Fluido em temperatura ambiente em grande volume no paciente hipotérmico.
Contraindicações e quando evitar
Fluido em temperatura ambiente em grande volume no paciente hipotérmico.
Efeitos adversos
Sobrecarga volêmica.
Monitoramento
Cuidados
Idoso com insuficiência cardíaca e insolação clássica: alíquotas menores e reavaliação. Corredor com hiponatremia associada ao exercício: evite grandes volumes hipotônicos.
Papel neste contexto
Na hipotermia, aquecido a 38–42 °C, repõe a diurese fria e sustenta a pressão no reaquecimento; na hipertermia, corrige a desidratação.
A banca adora o paciente que usa ISRS, recebe tramadol ou linezolida e evolui com clônus e hiper-reflexia (síndrome serotoninérgica, critérios de Hunter) — contra o que usa haloperidol e evolui em dias com rigidez em cano de chumbo e CK altíssima (SNM).
Decore: insolação = > 40 °C + SNC; tratamento = imersão em água fria, parar em ~39 °C; dantroleno 2,5 mg/kg na hipertermia maligna; hipotermia < 35 °C; PCR hipotérmica sem adrenalina < 30 °C e no máximo 3 choques (ERC).
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