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Atlas de Oftalmologia • Pálpebras

Cisto de Moll

Hidrocistoma apócrino da margem palpebral • cyst of Moll

Pequeno cisto translúcido, liso e indolor na margem palpebral, formado pela retenção de secreção numa glândula sudorípara apócrina de Moll. Transilumina com a luz e tem conteúdo líquido claro — ao contrário do cisto de Zeiss, que é opaco e amarelado.

Tipo
Cisto de retenção benigno
Estrutura
Glândula apócrina de Moll
Mecanismo
Obstrução do ducto sudoríparo
Pista no exame
Translúcido, transilumina
6–8 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Compare a foto com o esquema da margem palpebral. As glândulas de Moll são sudoríparas apócrinas modificadas que se abrem junto aos folículos dos cílios — por isso o cisto aparece na linha dos cílios, e não na pele mais acima.

Imagem clínica

Figura 1. Cisto de Moll: vesícula arredondada, lisa e translúcida na margem da pálpebra, entre os cílios, com vasos finos na superfície.

Roteiro de observação
  1. 1
    LocalizaçãoMargem palpebral anterior, junto aos cílios; mais comum na pálpebra inferior.
  2. 2
    Cor e brilhoTranslúcido, claro ou levemente azulado; conteúdo líquido aquoso.
  3. 3
    SuperfícieLisa, fina, com pele normal; sem ulceração e sem perda de cílios.
  4. 4
    Toque e dorIndolor, móvel, sem sinais inflamatórios — diferente do hordéolo.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Cisto translúcido, liso e indolor na linha dos cílios.
  2. Origem: glândula sudorípara apócrina de Moll obstruída (hidrocistoma apócrino).
  3. Transilumina; o de Zeiss é opaco e amarelado.
  4. Benigno; trata-se por estética ou incômodo, com excisão completa da parede.

O que é o cisto de Moll

O cisto de Moll é um cisto de retenção: o ducto da glândula sudorípara apócrina se obstrui e a secreção se acumula, distendendo o ducto. Histologicamente é um hidrocistoma apócrino, com parede de dupla camada de células epiteliais e secreção por decapitação.

É uma das lesões mais comuns da margem palpebral em adultos. Cresce devagar, não dói e não inflama. A queixa costuma ser estética, sensação de "bolinha" ou, quando maior, incômodo ao piscar.

Sinais que mudam a hipótese

Perda de cílios (madarose), ulceração, sangramento, bordas peroladas com telangiectasias grosseiras ou crescimento rápido sugerem tumor maligno (carcinoma basocelular, carcinoma sebáceo). Nesses casos a lesão deve ser biopsiada.

Moll ou Zeiss?

Os dois nascem na margem, junto aos cílios, e são benignos. A diferença está no conteúdo: líquido aquoso (Moll) ou sebo (Zeiss). A transiluminação com a lanterna ou o feixe da lâmpada de fenda resolve a dúvida na maioria das vezes.

Cisto de Moll

  • Translúcido, claro ou azulado
  • Transilumina
  • Conteúdo aquoso

Cisto de Zeiss

  • Opaco, branco-amarelado
  • Não transilumina
  • Conteúdo sebáceo

Galeria

Use as legendas como roteiro: localização na margem, transparência, relação com os cílios e sinais de alarme.

Cisto de Moll típico

Vesícula translúcida de 2–3 mm na margem palpebral inferior, entre os cílios. A pele é fina e lisa; os cílios ao redor estão preservados. Note o brilho de conteúdo líquido.

Margem palpebralTranslúcidoCílios preservados

Transiluminação

Com a luz encostada lateralmente, o cisto "acende" por inteiro. Lesões sólidas ou com conteúdo sebáceo não transiluminam.

TransiluminaçãoLâmpada de fenda

Cisto de Moll azulado

Cistos maiores ou com conteúdo mais denso podem parecer azulados ou acinzentados. A superfície continua lisa e sem ulceração.

AzuladoBenigno

Diferencial: cisto de Zeiss

Nódulo opaco, branco-amarelado, na base de um cílio. Compare com a transparência do cisto de Moll.

DiferencialOpacoSebáceo

O diagnóstico é clínico, na lâmpada de fenda. Dois testes simples ajudam: a transiluminação e a busca ativa por sinais de malignidade na margem.

Exame, passo a passo

  1. História

    Tempo de evolução, crescimento, dor, sangramento, recidiva após retirada prévia.

  2. Inspeção com magnificação

    Posição em relação aos cílios e à linha cinzenta; cor; superfície; vasos.

  3. Transiluminação

    Feixe lateral ou lanterna encostada: cisto de Moll fica luminoso.

  4. Palpação e eversão

    Mobilidade, consistência; everter a pálpebra para excluir calázio no tarso.

  5. Sinais de alarme

    Madarose, ulceração, perda da arquitetura da margem, telangiectasias grosseiras: biopsiar.

Como registrar

Modelo de registro

Lesão cística de 3 mm na margem palpebral inferior direita, terço médio, junto à linha dos cílios; translúcida, lisa, indolor, que transilumina. Cílios preservados, sem ulceração ou telangiectasias anômalas. Tarso sem nódulos à eversão. Hipótese: cisto de Moll (hidrocistoma apócrino).

Inclua medida, localização (pálpebra, terço) e foto, para comparar no seguimento.

Por que aparece

Na maioria dos casos não há causa identificável: o ducto se obstrui de forma espontânea. Inflamação crônica da margem e cicatrizes podem favorecer a obstrução.

Obstrução ductal

Mecanismo central; secreção apócrina acumula e distende o ducto.

Blefarite crônica

Inflamação e espessamento da margem favorecem a oclusão dos ductos.

Adultos

Mais comum em adultos de meia-idade; sem predileção marcante por sexo.

Diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveOpaco, amarelado, na base do cílio
Como diferenciarNão transilumina; conteúdo sebáceo.
Hidrocistoma
Achado-chaveCisto sudoríparo translúcido ou azulado
Como diferenciarMesmo grupo; fora da margem ou múltiplo (écrino) recebe o nome genérico.
Achado-chaveNódulo firme no tarso
Como diferenciarMais afastado da margem, opaco; visto na eversão.
Hordéolo externo
Achado-chaveNódulo doloroso e hiperemiado
Como diferenciarAgudo, inflamatório, com ponto de pus.
Carcinoma basocelular
Achado-chaveNódulo perolado com telangiectasias
Como diferenciarPode ser cístico; madarose e ulceração central; biópsia.
Achado-chavePápula umbilicada, cerosa
Como diferenciarUmbilicação central; pode causar conjuntivite folicular.

Cisto de Moll típico não precisa ser retirado. A conduta é observar ou excisar por estética ou desconforto.

Opções

CenárioConduta
Pequeno e assintomáticoObservação; orientar a não espremer nem furar.
Incômodo estético ou mecânicoExcisão completa da parede do cisto (sob anestesia local), no consultório ou centro cirúrgico.
Recidiva após punçãoEsperada quando só se drena o conteúdo: a parede remanescente volta a encher. Preferir excisão com marsupialização ou remoção completa.
Aspecto atípicoBiópsia excisional com exame anatomopatológico.

Furar o cisto resolve por pouco tempo: sem remover a parede, ele volta.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 7: Oculofacial Plastic and Orbital Surgery. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  3. 3
    Livro-texto2023
    Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier; 2023.
  4. 4
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Benign Eyelid Lesions. Acesso em 2026.
  5. 5
    Artigo2016
    Pe’er J. Pathology of eyelid tumors. Indian J Ophthalmol. 2016;64(3):177–190.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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