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Degeneração nodular de Salzmann

Salzmann nodular degeneration (SND)

Degeneração corneana adquirida, não inflamatória, com nódulos elevados branco-azulados na média periferia, sobre a camada de Bowman. Típica de mulheres adultas com doença crônica da superfície ocular. Causa astigmatismo irregular, sensação de corpo estranho e baixa visual; trata-se com lubrificação e, se necessário, ceratectomia superficial.

Córnea — subepitelialNódulos elevadosMulheres, 5ª–6ª décadaCeratectomia superficial
11–13 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Degeneração nodular de Salzmann: nódulos branco-azulados elevados na média periferia da córnea. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Nódulos elevados branco-acinzentados ou azulados
  2. 2
    Localização média periférica, às vezes em arco ou anel
  3. 3
    Vasos finos no limbo próximo ao nódulo (pannus)
  4. 4
    Ruptura do filme lacrimal sobre o nódulo
  5. 5
    Astigmatismo irregular ou achatamento na topografia
  6. 6
    Depósito de ferro (linha pigmentada) na base do nódulo, às vezes

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Degeneração adquirida, não hereditária, de evolução lenta.
  2. Nódulos subepiteliais elevados, 1–3 mm, branco-acinzentados ou azulados, na média periferia.
  3. Associada a doença crônica de superfície: meibomite, olho seco, lentes de contato, ceratites prévias.
  4. Bilateral em cerca de 60% dos casos; mulheres em 70–90%.

O que é

A degeneração nodular de Salzmann é uma resposta cicatricial lenta da córnea anterior a uma agressão crônica da superfície. Os ceratócitos ativados produzem colágeno e matriz extracelular que se acumulam sob o epitélio, formando nódulos.

Diferente de uma distrofia, não é hereditária, costuma ser assimétrica e surge na vida adulta. Também difere de uma cicatriz comum: os nódulos são elevados e azulados, e se separam do estroma com facilidade na cirurgia.

Salzmann = nódulo elevado + superfície ocular doente. Tratar a superfície é parte do tratamento, antes e depois da cirurgia.

Fatores associados

Muitos casos são idiopáticos, mas a maioria tem alguma condição crônica da superfície. A disfunção das glândulas de Meibomius é a mais frequente.

Meibomite e olho seco

Associações mais comuns; blefarite crônica.

Lentes de contato

Uso prolongado, sobretudo com hipóxia.

Ceratites prévias

Ceratite intersticial, tracoma, ceratoconjuntivite vernal ou flictenular.

Trauma e cirurgia

Trauma corneano, cirurgia ocular prévia (catarata, refrativa).

Triquíase

Atrito crônico dos cílios.

Idiopática

Sem causa identificável em parte dos pacientes.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Sintomas: corpo estranho, lacrimejamento, fotofobia e baixa visual.
  2. Cerca de 15% são assintomáticos.
  3. A visão cai pelo astigmatismo irregular ou pelo nódulo no eixo visual.

Sintomas

Irritação crônica

Areia, ardor, lacrimejamento; o nódulo rompe o filme lacrimal.

Visão distorcida

Astigmatismo irregular; melhora com lente de contato rígida.

Erosões

O epitélio afinado sobre o nódulo pode erodir.

Aspecto na lâmpada de fenda

Os nódulos são arredondados ou alongados, isolados ou em cadeia, geralmente na média periferia e com frequência perto de uma área de pannus. O corte óptico mostra que estão acima do estroma, elevando o epitélio.

Achado característico

Nódulo elevado no corte óptico

O feixe fino mostra a elevação da superfície sobre o nódulo e o estroma normal abaixo.

  • Elevação nítida da superfície
  • Cor branco-azulada
  • Estroma posterior transparente

Histopatologia

Epitélio afinado (2 a 4 vezes mais fino), camada de Bowman ausente ou fragmentada e tecido subepitelial de colágeno desorganizado com material hialino. A membrana basal epitelial pode estar duplicada.

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico; procure e trate a doença de superfície associada.
  2. OCT de segmento anterior: lesão subepitelial hiper-refletiva com sombra no estroma anterior.
  3. Topografia/tomografia: astigmatismo irregular ou achatamento — refazer biometria após a remoção.

Avaliação

  1. História

    Olho seco, blefarite, lentes de contato, cirurgias, ceratites e traumas prévios.

  2. Biomicroscopia

    Número, localização e elevação dos nódulos; pálpebras e glândulas de Meibomius; fluoresceína.

  3. OCT de segmento anterior

    Altura e profundidade da lesão; plano de clivagem com o estroma.

  4. Topografia

    Achatamento e astigmatismo irregular; importante antes de calcular lente intraocular.

Antes da catarata

Nódulos alteram a ceratometria. Removê-los e esperar a estabilização da topografia antes da biometria evita surpresa refrativa.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Degeneração esferoidal
Achado-chaveGotículas douradas na faixa interpalpebral
Como diferenciarExposição solar; depósitos translúcidos amarelados, não nódulos azulados.
Achado-chaveFaixa calcária interpalpebral com orifícios
Como diferenciarPlana, com intervalo lúcido no limbo; sai com EDTA.
Achado-chaveLeucoma plano ou deprimido
Como diferenciarNão elevado; no local da infecção ou trauma.
Achado-chaveLesão fibrovascular conjuntival
Como diferenciarParte da conjuntiva e avança sobre a córnea, com vasos.
Neoplasia escamosa da superfície ocular
Achado-chaveLesão gelatinosa ou leucoplásica no limbo
Como diferenciarVasos nutridores, crescimento; OCT de alta resolução ou biópsia.
Achado-chaveOpacidade geográfica central bilateral
Como diferenciarHereditária, simétrica, início na infância.

Galeria oftalmológica

Observe a elevação, a cor e a posição dos nódulos em relação ao eixo visual, e procure a doença de superfície por trás deles.

Nódulos na média periferia

Dois ou três nódulos branco-azulados, arredondados, entre o limbo e o centro. Note o pannus fino no limbo adjacente — pista de agressão crônica da superfície.

Média periferiaPannusIluminação difusa

Corte óptico

O feixe fino revela a elevação da superfície sobre o nódulo e o estroma posterior transparente. É o que diferencia Salzmann de uma cicatriz plana.

Feixe finoElevação

Nódulos em arco

Nódulos dispostos em arco paralelo ao limbo. Repare na ruptura do filme lacrimal sobre eles quando se usa fluoresceína: explica a irritação.

Padrão em arcoFilme lacrimal

OCT de segmento anterior

Lesão subepitelial hiper-refletiva em cúpula, epitélio afinado por cima e sombra no estroma anterior. A linha de separação com o estroma é o plano usado na ceratectomia.

OCT-SAPlanejamento cirúrgico

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Assintomático: observar e tratar a superfície ocular.
  2. Sintomas leves: lubrificantes, compressas mornas, higiene palpebral e controle da meibomite.
  3. Baixa visual ou desconforto refratário: ceratectomia superficial (± PTK, ± mitomicina C).
  4. Transplante lamelar anterior raramente é necessário.

Ceratectomia superficial

Após remover o epitélio, o cirurgião encontra o plano entre o nódulo e o estroma e o descola com lâmina ou espátula. Uma PTK complementar alisa a superfície residual; a mitomicina C pode ser usada para reduzir haze e recidiva. A PTK pode causar desvio hipermetrópico.

≈ 90%Melhora da visão após a ceratectomia
≈ 22%Recidiva (média de 5 anos de seguimento)
5–20%Recidiva com impacto visual

Rotas de tratamento

Tratar a superfície ocular reduz sintomas e recidivas. Os esquemas variam entre serviços; o nome de cada medicamento abre a ficha.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Mannis MJ, Holland EJ. Cornea. 5. ed. Elsevier; 2022.
  4. 4
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Salzmann Nodular Degeneration. Acesso em 2026.
  5. 5
    Diretriz2023
    American Academy of Ophthalmology Cornea/External Disease Panel. Blepharitis Preferred Practice Pattern®. San Francisco: AAO; 2023.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Doses de doxiciclina para meibomite variam entre diretrizes; confira com a bula e o especialista.

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