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Encaminhamento: Referência e Contrarreferência

Como escrever a carta de encaminhamento ao especialista (referência) e a resposta ao médico de origem (contrarreferência) para que a informação circule e o cuidado não se perca na rede.

Carta ao especialistaResposta ao médico de origemRedes de Atenção à SaúdeGerador incluído
8 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Para que serve

O encaminhamento (referência) é a comunicação escrita do médico que transfere parte do cuidado a outro profissional ou serviço — em geral, da atenção primária para a atenção especializada. A contrarreferência é a resposta: o que foi avaliado, feito e o que se recomenda para a continuidade.

Na Política Nacional de Atenção Básica (Portaria de Consolidação nº 2/2017, Anexo XXII), a atenção primária coordena o cuidado: o encaminhamento não transfere toda a responsabilidade clínica, e a equipe deve acompanhar o paciente enquanto ele circula pela rede.

Uma carta bem escrita evita consultas improdutivas, repetição de exames e perda de informação — e uma contrarreferência ausente é uma das falhas mais comuns da rede.

  1. Avaliação na origem

    Investigação inicial e tratamento possível no próprio nível.

  2. Referência

    Carta com motivo, resumo, exames e pergunta clínica.

  3. Atendimento especializado

    Avaliação, exames e conduta.

  4. Contrarreferência

    Resposta com diagnóstico, conduta e plano de seguimento.

Modelos

Encaminhamento (referência)

Encaminhamento médico

Ao(À) especialidade / serviço

Encaminho o(a) paciente nome, idade, CPF/CNS nº, para avaliação e conduta por motivo.

Resumo clínico

Medicações em uso e alergias

Exames (data e resultado)

Tratamentos já realizados

Pergunta clínica

Solicito contrarreferência para continuidade do cuidado.

cidade, data.

Assinatura e carimboNome do(a) médico(a) — CRM/UF
Contrarreferência

Contrarreferência

Ao(À) médico/equipe de origem

Em resposta ao encaminhamento, informo que avaliei o(a) paciente nome, CPF/CNS nº.

Avaliação e diagnóstico

Conduta realizada

Plano e orientações para o seguimento

Seguimento

[alta para a atenção primária / seguimento compartilhado / mantém acompanhamento — retorno em …]

cidade, data.

Assinatura e carimboNome do(a) médico(a) — CRM/UF

Prefere pronto? Use a aba Gerar documento, que monta os dois tipos.

Gerar encaminhamento ou contrarreferência

Escolha o tipo de documento e preencha o essencial: o texto é organizado em seções, pronto para copiar ou imprimir.

Privacidade: o documento é montado no seu navegador. Nenhum dado é enviado ao servidor. Os dados do paciente nunca são salvos; os seus (médico) só ficam neste navegador se você deixar marcada a opção "Lembrar".

  • Escreva uma pergunta clínica clara: é o que mais ajuda o especialista a resolver o caso numa só consulta.
  • Para pedidos pelo sistema de regulação (SISREG, SER etc.), use também o formulário/justificativa do sistema — veja os artigos de regulação do RJ.
PacienteNão é salvo em lugar nenhum.
Dados do documento
Tipo de documento *
Prioridade
Na contrarreferência: avaliação feita pelo especialista.
Sem a autorização marcada, o CID não aparece no documento. Documento entre profissionais de saúde; ainda assim, se o paciente vai portar a carta, inclua só com a concordância dele.
Seguimento no serviço especializado
Médico(a)Pode ser lembrado neste navegador.
Aparece no topo do documento.
A Res. CFM 2.381/2024 exige contato e endereço profissional (ou residencial) em todo documento médico.

Campos em destaque ainda não foram preenchidos. Revise o texto antes de assinar: o documento é de responsabilidade de quem o emite.

O que não pode faltar no encaminhamento

Referência

  • Identificação do paciente (nome, CPF e/ou CNS, idade).
  • Destino: especialidade ou serviço.
  • Motivo objetivo do encaminhamento.
  • Resumo clínico: história, exame físico, comorbidades.
  • Medicações em uso e alergias.
  • Exames já feitos, com data e resultado.
  • Tratamentos tentados e resposta.
  • Pergunta clínica e prioridade.

Contrarreferência

  • Avaliação e diagnóstico (ou hipótese).
  • Exames e procedimentos realizados.
  • Mudanças na prescrição, com doses.
  • Plano: metas, monitorização, sinais de alerta.
  • Se há alta do especialista ou seguimento compartilhado.
  • Quando e em que situação reencaminhar.

Boa carta de encaminhamento responde a três perguntas: quem é o paciente, o que já foi feito e o que você quer do colega.

Prioridade e regulação

No SUS, o acesso à atenção especializada costuma passar por centrais de regulação (Política Nacional de Regulação — Portaria de Consolidação nº 2/2017, Anexo XXVI), que usam protocolos de encaminhamento e classificação de risco. Informações clínicas objetivas e a gravidade bem descrita definem a prioridade na fila.

Eletivo

Condição estável, sem risco de piora rápida.

Prioritário

Risco de agravamento ou suspeita de doença grave (ex.: suspeita de câncer).

Urgente

Necessita avaliação em curto prazo; se houver risco imediato, o caminho é a urgência/emergência, não a fila ambulatorial.

Protocolos locais

Muitos municípios e estados publicam protocolos de encaminhamento por especialidade (critérios, exames mínimos, prioridade). Confira os do seu território antes de encaminhar.

Ética e sigilo

  • O especialista que recebe paciente para procedimento especializado deve devolvê-lo ao médico assistente com as informações do período em que foi responsável (Código de Ética Médica, art. 53).
  • O encaminhamento circula na mão do paciente: escreva apenas o necessário para a finalidade e considere a privacidade dele.
  • Escreva de forma legível e identifique-se com nome, CRM/UF, RQE (se houver) e contato — o colega pode precisar falar com você (Res. CFM 2.381/2024, art. 2º).
  • Registre no prontuário o encaminhamento e o motivo; ao receber a contrarreferência, anexe-a.

Erros comuns

  • "Encaminho para avaliação" sem motivo, resumo ou exames.
  • Encaminhar sem tentar o manejo possível na atenção primária.
  • Pedir exames que o especialista certamente repetirá ou que não mudam a conduta.
  • Não informar medicações em uso e alergias.
  • Especialista que devolve o paciente sem contrarreferência ("retorne ao posto").
  • Letra ilegível ou ausência de contato do médico.

Alternativas ao encaminhamento presencial

Em muitos locais existem serviços de teleconsultoria (como os núcleos do Telessaúde) e matriciamento, nos quais o médico da atenção primária discute o caso com especialistas. Isso resolve parte das dúvidas sem deslocar o paciente e qualifica os encaminhamentos que de fato são necessários.

Referências bibliográficas

Normas do SUS e éticas sobre a comunicação entre níveis de atenção.

  1. 1
    Norma2017
    BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017, Anexo XXII — Política Nacional de Atenção Básica (origem: Portaria GM/MS nº 2.436/2017) e Anexo XXVI — Política Nacional de Regulação do SUS (origem: Portaria GM/MS nº 1.559/2008).
  2. 2
    Norma2017
    BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 3, de 28 de setembro de 2017, Anexo I — Diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde (origem: Portaria GM/MS nº 4.279/2010).
  3. 3
    Norma2019
    CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.217/2018 (Código de Ética Médica), arts. 52, 53 e 73. Brasília: CFM, 2019.
  4. 4
    Norma2024
    CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.381/2024. Normatiza a emissão de documentos médicos. Diário Oficial da União, 2 jul. 2024. Disponível em: sistemas.cfm.org.br.
  5. 5
    Documento oficial2011
    MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.
  6. 6
    Livro-texto2019
    GUSSO, G.; LOPES, J. M. C. Tratado de medicina de família e comunidade. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
  7. 7
    Livro-texto2022
    DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I.; GIUGLIANI, E. R. J. et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.

Aviso

O documento médico deve ser emitido após avaliação do paciente, refletir apenas o que foi constatado, respeitar o sigilo profissional e ser registrado no prontuário.

Finalidade educacional

Conteúdo educacional. Adapte à avaliação clínica, à legislação vigente, às normas do CFM/CRM e aos fluxos do seu serviço e município. Confira sempre a versão atual das normas citadas.

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