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Episclerite

Inflamação da episclera • episcleritis (simples e nodular)

Inflamação benigna e superficial da episclera, a camada de tecido conjuntivo entre a conjuntiva e a esclera. Causa olho vermelho setorial com desconforto leve, visão normal e sem secreção; costuma regredir sozinha em dias a semanas. O desafio é não confundir com esclerite.

EpiscleraInflamatória, autolimitadaClareia com fenilefrinaRecorrências frequentes
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Episclerite simples setorial: hiperemia vermelho-viva em cunha na região interpalpebral, com vasos radiais superficiais. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Hiperemia setorial vermelho-viva, frequentemente interpalpebral
  2. 2
    Vasos episclerais superficiais de direção radial, congestos
  3. 3
    Vasos que se movem com cotonete e clareiam com fenilefrina
  4. 4
    Nódulo móvel sobre a esclera (forma nodular)
  5. 5
    Acuidade visual normal; sem secreção; córnea e câmara anterior calmas
  6. 6
    Desconforto leve e pouca dor à palpação

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Inflamação da episclera, camada vascular e frouxa entre a conjuntiva e a esclera.
  2. Olho vermelho setorial (ou difuso), desconforto leve, visão normal, sem secreção.
  3. Duas formas: simples (a mais comum) e nodular (nódulo móvel).
  4. Benigna e autolimitada; fenilefrina clareia a hiperemia — diferente da esclerite.

O que é episclerite

É uma inflamação localizada e superficial, quase sempre idiopática, que não ameaça a visão. O infiltrado inflamatório fica restrito à episclera; a esclera abaixo permanece normal — por isso não há dor profunda nem afinamento.

É mais comum em adultos jovens, com leve predomínio feminino. Em uma base populacional norte-americana, a incidência foi de cerca de 41 casos por 100.000 pessoas-ano, mais de dez vezes a da esclerite.

Olho vermelho em setor, que incomoda pouco, com visão normal e que clareia com fenilefrina: episclerite.

Associações

Cerca de um quarto a um terço dos pacientes tem alguma condição associada — bem menos que na esclerite. Na maioria, a episclerite é isolada e não exige investigação na primeira crise.

Doenças reumáticas

Artrite reumatoide (a mais comum), lúpus, espondiloartrites, policondrite recidivante.

Doença inflamatória intestinal

Crohn e retocolite; a crise pode acompanhar a atividade intestinal.

Vasculites

Granulomatose com poliangiite, poliarterite nodosa, síndrome de Cogan.

Pele e metabolismo

Rosácea, atopia, gota.

Infecções (raras)

Herpes-zóster, sífilis, doença de Lyme.

Idiopática

A maioria dos casos; estresse e mudanças hormonais são relatados como gatilhos.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Simples: início rápido, pico em cerca de 12 horas, regride em dias; setorial ou difusa.
  2. Nodular: nódulo róseo-avermelhado, móvel, de evolução mais lenta e duração maior.
  3. Sintomas leves: ardência, sensação de areia, sensibilidade local; lacrimejamento discreto.
  4. Recorrências no mesmo olho ou no outro são comuns, ficando mais espaçadas com o tempo.

As duas formas

A forma simples é a mais frequente — cerca de dois terços setorial e um terço difusa. A nodular é menos comum, demora mais a regredir e é a que mais se confunde com esclerite nodular ou lesões conjuntivais elevadas.

Mais comum

Episclerite simples

Hiperemia setorial ou difusa, vermelho-viva, com vasos radiais superficiais e leve edema da episclera. Início em horas; regride em 1–3 semanas.

Nódulo móvel

Episclerite nodular

Nódulo elevado e circunscrito, sensível ao toque, que desliza sobre a esclera com cotonete. O feixe profundo da lâmpada de fenda passa plano sob o nódulo.

Sintomas e sinais

Vermelhidão

Setorial, vermelho-vivo; frequentemente percebida ao acordar.

Desconforto leve

Ardência, sensação de areia, sensibilidade local; sem dor que acorda.

Visão preservada

Acuidade normal; baixa visual sugere outro diagnóstico.

Sem secreção

Lacrimejamento leve pode ocorrer; pus não.

Fotofobia rara

Se presente, procurar uveíte associada.

Recorrência

Crises repetidas ao longo de anos, com intervalos crescentes.

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. O diagnóstico é clínico, na lâmpada de fenda.
  2. Fenilefrina 10% clareia a episclerite e não a esclerite.
  3. Fenilefrina 2,5% clareia conjuntiva e episclera (útil contra conjuntivite).
  4. Investigação sistêmica só em recorrências frequentes ou sintomas sugestivos.

Exame passo a passo

  1. Inspeção à luz do dia

    Episclerite é vermelho-viva (salmão); esclerite é violácea.

  2. Lâmpada de fenda

    Feixe fino: na episclerite, o feixe profundo (sobre a esclera) fica plano; na esclerite, é deslocado pelo edema escleral.

  3. Mobilidade dos vasos

    Após anestésico, um cotonete desloca os vasos superficiais e o nódulo episcleral.

  4. Fenilefrina

    1 gota de fenilefrina 10% e reavaliar em 10–15 min: a hiperemia episcleral empalidece.

  5. Córnea, câmara anterior e PIO

    Excluir ceratite, uveíte e glaucoma; fluoresceína para dellen.

Os testes com fenilefrina

A fenilefrina contrai os vasos de acordo com a profundidade e a concentração. É um teste barato que, junto com a dor, separa as três causas de olho vermelho setorial.

CondiçãoFenilefrina 2,5%Fenilefrina 10%
ConjuntiviteClareia (vasos conjuntivais)Clareia
EpiscleriteClareia parcialClareia (plexo superficial)
EscleriteNão clareia o plexo profundoNão clareia o plexo profundo

Conforme EyeWiki (Episcleritis/Scleritis). Evitar fenilefrina 10% em cardiopatas e hipertensos graves.

Antes × depois

A hiperemia some

Na episclerite, 10–15 minutos após a fenilefrina 10% o setor vermelho fica quase branco.

Quando investigar

A primeira crise típica não exige exames. Recorrências frequentes, doença bilateral persistente ou sintomas sistêmicos (articulações, pele, intestino, seios da face) justificam avaliação clínica e exames dirigidos.

  • Hemograma, VHS e PCR.
  • Fator reumatoide, anti-CCP, FAN, ANCA conforme a suspeita.
  • Ácido úrico (gota).
  • Sorologia para sífilis; doença de Lyme em área endêmica.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveDor profunda, noturna, tom violáceo
Como diferenciarNão clareia com fenilefrina 10%; dor à palpação; nódulo fixo.
Conjuntivite
Achado-chaveSecreção, hiperemia difusa e nos fundos de saco
Como diferenciarFolículos/papilas; vasos conjuntivais clareiam com fenilefrina 2,5%.
Achado-chaveLesão amarelada junto ao limbo
Como diferenciarLesão conjuntival elevada, interpalpebral, sobre depósito amarelado.
Achado-chaveMancha vermelha homogênea
Como diferenciarSangue sem vasos individualizados; indolor.
Uveíte anterior
Achado-chaveHiperemia perilímbica, fotofobia, dor
Como diferenciarCélulas e flare na câmara anterior.
Achado-chaveNódulo persistente, vasos nutridores
Como diferenciarNão regride; considerar biópsia (neoplasia escamosa, linfoma).

Galeria oftalmológica

Observe a cor (vermelho-vivo), a direção radial dos vasos, a localização em setor e a ausência de secreção. Compare com as imagens de esclerite: lá a cor é mais escura e os vasos são profundos.

Episclerite simples setorial

Setor temporal vermelho-vivo, em cunha, com vasos radiais dilatados e o restante da conjuntiva branca. Córnea clara e pupila normal. É o aspecto clássico — compare com o olho do outro lado e pergunte por crises anteriores.

SimplesSetorialVasos radiais

Episclerite nodular

Nódulo róseo, elevado e bem delimitado, com vasos dilatados ao redor. Após anestésico, ele desliza com o cotonete. Um nódulo fixo e doloroso sugere esclerite nodular.

NodularNódulo móvel

Episclerite difusa

Hiperemia em mais de um quadrante, ainda vermelho-viva e sem secreção. O desconforto é leve e a visão é normal. A ausência de secreção e de folículos afasta a conjuntivite.

DifusaSem secreção

Lâmpada de fenda: feixe plano

Com feixe fino, o reflexo profundo sobre a esclera continua plano, sem abaulamento: a inflamação é superficial. Na esclerite, o edema da esclera empurraria esse feixe para fora.

Lâmpada de fendaFeixe fino

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Muitos casos não precisam de tratamento: a regressão é espontânea.
  2. Alívio: compressas frias e lágrimas artificiais.
  3. Incômodo importante ou forma nodular: AINE oral por curto período.
  4. Corticoide tópico de baixa potência, por pouco tempo e com desmame, se necessário.

Rotas de tratamento

As rotas vão do mais simples ao mais intenso. Na dúvida entre episclerite e esclerite, encaminhe ao oftalmologista antes de usar corticoide.

Sinais de que não é episclerite

  • Dor intensa, que acorda o paciente ou irradia para a face.
  • Tom violáceo ou hiperemia que não clareia com fenilefrina.
  • Baixa visual, fotofobia importante ou células na câmara anterior.
  • Áreas brancas avasculares ou afinamento da esclera.
  • Nódulo que não regride em semanas (pensar em neoplasia).

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  3. 3
    Livro-texto2021
    Gervasio KA, Peck TJ, eds. The Wills Eye Manual. 8. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2021.
  4. 4
    Artigo1976
    Watson PG, Hayreh SS. Scleritis and episcleritis. Br J Ophthalmol. 1976;60(3):163–191.
  5. 5
    Artigo2013
    Honik G, Wong IG, Gritz DC. Incidence and prevalence of episcleritis and scleritis in Northern California. Cornea. 2013;32(12):1562–1566.
  6. 6
    Artigo2012
    Sainz de la Maza M, Molina N, Gonzalez-Gonzalez LA, et al. Clinical characteristics of a large cohort of patients with scleritis and episcleritis. Ophthalmology. 2012;119(1):43–50.
  7. 7
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Episcleritis. Atualizado em 2026. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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