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Atlas de Oftalmologia • Conjuntiva

Carcinoma espinocelular conjuntival

Neoplasia escamosa da superfície ocular (OSSN) • carcinoma epidermoide da conjuntiva • CIN

Tumor maligno do epitélio escamoso da conjuntiva, parte do espectro da neoplasia escamosa da superfície ocular (OSSN), que vai da displasia (CIN) ao carcinoma invasivo. Surge no limbo interpalpebral, ligado à radiação UV, ao HIV e ao HPV. Tratamento: excisão "no-touch" com crioterapia ou quimioterapia tópica (5-FU, mitomicina C, interferon).

Limbo / conjuntivaUV · HIV · HPVOCT de alta resolução + biópsiaQuimioterapia tópica
16–19 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Neoplasia escamosa da superfície ocular: lesão gelatinosa limbar com vasos em grampo e componente leucoplásico. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Massa limbar gelatinosa, elevada, translúcida
  2. 2
    Leucoplasia (placa branca de ceratina) na superfície
  3. 3
    Vasos em grampo (intrínsecos) e vasos nutridores dilatados
  4. 4
    Extensão corneana acinzentada, "fosca", de borda fimbriada
  5. 5
    Aspecto papiliforme em parte dos casos
  6. 6
    Pode estar associada ou simular pterígio

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. OSSN é um espectro: displasia (CIN) → carcinoma in situ → carcinoma espinocelular invasivo.
  2. Localização típica: limbo interpalpebral (zona de transição e células-tronco).
  3. Fatores: radiação UV, HIV, HPV, imunossupressão, xeroderma pigmentoso.
  4. Tratamento: excisão no-touch + crioterapia, ou quimioterapia tópica.

O que é

A OSSN é o tumor maligno mais comum da superfície ocular. Nos países de alta renda acomete homens brancos idosos com exposição solar; na África subsaariana e em populações com alta prevalência de HIV, aparece em adultos jovens, é mais agressiva e muitas vezes é a primeira manifestação da infecção.

Por isso, toda OSSN em adulto jovem deve motivar a sorologia para HIV.

Lesão limbar interpalpebral gelatinosa, branca ou com vasos em grampo é OSSN até prova em contrário — inclusive quando tem cara de pterígio.

Fatores de risco

Radiação UV-B

Proximidade do Equador, trabalho ao ar livre, pele clara.

HIV

Risco muito aumentado; doença mais precoce e agressiva.

HPV

Tipos 16 e 18 associados; papel ainda debatido.

Imunossupressão

Transplantados, uso de imunossupressores.

Xeroderma pigmentoso

Defeito de reparo do DNA; lesões em jovens.

Tabagismo

Associação descrita.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Três formas: gelatinosa (mais comum), leucoplásica e papiliforme.
  2. Sintomas leves: irritação, olho vermelho, "carne no olho".
  3. Extensão corneana acinzentada e fosca, com borda em franja.
  4. Invasão profunda: aderência à esclera, inflamação, baixa visual, glaucoma.

Formas clínicas

Mais comum

Gelatinosa

Elevação translúcida, rosada, com vasos em grampo no limbo.

Ceratinização

Leucoplásica

Placa branca de ceratina na superfície; pode esconder carcinoma invasivo.

Couve-flor

Papiliforme

Projeções fibrovasculares; diferencial com papiloma.

Sinais de doença invasiva

  • Lesão fixa à esclera, que não desliza.
  • Grande espessura ou crescimento rápido.
  • Inflamação intraocular, glaucoma ou baixa visual inexplicada.
  • Recidiva após vários tratamentos.
  • Proptose ou restrição da motilidade (invasão orbitária).

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Biomicroscopia com fluoresceína e rosa bengala/lissamina verde delimita a lesão.
  2. OCT de alta resolução: epitélio espesso e hiper-refletivo, transição abrupta.
  3. Biópsia excisional (lesão pequena) ou incisional/citologia de impressão (lesão extensa).
  4. Lesões espessas/invasivas: ultrassom biomicroscópico e imagem orbitária.

Exames

Biomicroscopia + corantes

Lissamina verde ou rosa bengala coram o epitélio displásico e mostram a extensão corneana.

OCT de alta resolução

Epitélio espessado e hiper-refletivo com transição abrupta; acompanha a resposta ao colírio.

Citologia de impressão

Não invasiva; avalia só células superficiais.

Biópsia

Padrão-ouro: displasia × in situ × invasivo; margens.

Ultrassom biomicroscópico

Invasão escleral e intraocular em lesões espessas.

Sorologia para HIV

Em todo paciente jovem ou em regiões de alta prevalência.

Estadiamento (AJCC 8ª ed.) — resumo

CategoriaDefinição resumida
TisCarcinoma in situ (intraepitelial)
T1Tumor ≤ 5 mm na maior dimensão, sem invasão de estruturas adjacentes
T2Tumor > 5 mm, sem invasão de estruturas adjacentes
T3Invade estruturas adjacentes (exceto a órbita)
T4Invade a órbita, seios paranasais ou cérebro

Simplificado de Amin MB et al., AJCC Cancer Staging Manual, 8ª ed., 2017.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveAsa fibrovascular nasal
Como diferenciarLinha de Stocker; sem gelatinoso/leucoplasia. Enviar sempre para histologia.
Achado-chaveNódulo amarelado
Como diferenciarNão cresce rápido; OCT com epitélio fino.
Achado-chaveCouve-flor com vasos em alça
Como diferenciarPediculado no fórnice; histologia se limbar no adulto.
Achado-chaveLesão rosada vascular
Como diferenciarHistologia e imunoistoquímica.
Achado-chaveCor de salmão no fórnice
Como diferenciarLiso, sem leucoplasia, longe do limbo.
Carcinoma sebáceo (disseminação pagetoide)
Achado-chaveConjuntivite/blefarite unilateral crônica
Como diferenciarBiópsia de pálpebra e mapeamento conjuntival.

Galeria oftalmológica

Procure os três sinais de alerta: aspecto gelatinoso, placa branca e vasos em grampo. Veja até onde a lesão avança na córnea.

OSSN gelatinosa limbar

Elevação translúcida no limbo temporal com vasos em grampo. Note a extensão corneana acinzentada de borda irregular.

GelatinosaLimboVasos em grampo

Componente leucoplásico

Placa branca ceratinizada sobre a lesão. Leucoplasia não diz se é in situ ou invasivo — só a histologia.

LeucoplasiaCeratinaBiópsia

OCT de alta resolução

Epitélio espessado e hiper-refletivo, com transição abrupta para o epitélio normal (seta) — padrão típico de OSSN.

OCTEpitélio espessoTransição abrupta

Resposta ao 5-FU tópico

Antes e depois de ciclos de 5-fluorouracil 1%: regressão da lesão e normalização do epitélio no OCT.

5-FURespostaSeguimento

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Excisão no-touch com margem de 3–4 mm, álcool na córnea e crioterapia dupla nas margens.
  2. Quimioterapia tópica: 5-FU 1%, mitomicina C 0,02–0,04% ou interferon alfa-2b — primária ou adjuvante.
  3. Lesão invasiva intraocular/orbitária: enucleação ou exenteração em centro especializado.
  4. Seguimento por toda a vida: recidiva pode ser tardia.

Cirurgia × quimioterapia tópica

Cirurgia

  • Lesões pequenas e bem delimitadas
  • Fornece histologia e margens
  • Suspeita de invasão
  • Pode causar deficiência límbica se extensa

Quimioterapia tópica

  • Lesões extensas, multifocais, > 6 horas de limbo
  • Trata toda a superfície (doença subclínica)
  • Evita cicatriz
  • Exige adesão e acompanhamento com OCT

Rotas de tratamento

Colírios manipulados (farmácia oncológica). Escolha conforme disponibilidade, custo e tolerância; resposta acompanhada com biomicroscopia e OCT.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Ocular Surface Squamous Neoplasia. Atualizado em 2026.
  2. 2
    Artigo2019
    Shields CL, Shields JA. Tumors of the conjunctiva and cornea. Indian J Ophthalmol. 2019;67(12):1930–1948.
  3. 3
    Livro-texto2017
    Amin MB, Edge SB, Greene FL, et al., eds. AJCC Cancer Staging Manual. 8. ed. Springer; 2017.
  4. 4
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  5. 5
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 4: Ophthalmic Pathology and Intraocular Tumors. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  6. 6
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Quimioterápicos tópicos são manipulados e exigem acompanhamento especializado; esquemas variam entre centros.

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