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Atlas de Oftalmologia • Íris

Membrana pupilar persistente

Persistent pupillary membrane • restos da túnica vascular do cristalino

Fios finos de tecido que atravessam a pupila e nascem do colarete da íris: restos da túnica vascular anterior do cristalino, que deveria ter regredido antes do nascimento. É a anomalia congênita mais comum da íris e quase sempre inofensiva. Só importa quando a membrana é densa e tapa o eixo visual de uma criança — aí o risco é a ambliopia.

Tipo
Remanescente embrionário
Origem
Colarete da íris
Mecanismo
Regressão vascular incompleta
Pista no exame
Abertura livre ≥ 1,5 mm?
7–9 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Compare a foto com o esquema. O detalhe que fecha o diagnóstico é a origem dos fios no colarete — o anel em zigue-zague a cerca de 1,5 mm da margem pupilar —, e não na própria margem, como nas sinéquias.

Imagem clínica

Figura 1. Filamentos finos e pigmentados que cruzam a pupila, presos nas duas pontas ao colarete. A pupila reage normalmente à luz e à dilatação.

Roteiro de observação
  1. 1
    OrigemColarete (MPP) × margem pupilar (sinéquia posterior).
  2. 2
    ExtensãoPoucos fios soltos × rede densa ou lâmina cobrindo a pupila.
  3. 3
    InserçõesSó na íris, também no cristalino (pontos pigmentados) ou na córnea.
  4. 4
    Eixo visualMeça a maior abertura livre; abaixo de 1,5 mm, risco de ambliopia.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Remanescentes da túnica vascular anterior do cristalino, que regride no fim da gestação.
  2. Presentes em quase todos os recém-nascidos e em cerca de 1 em cada 5 adultos.
  3. Os fios nascem no colarete e não impedem a pupila de dilatar.
  4. Tratamento só quando a membrana é densa e ameaça o desenvolvimento visual da criança.

O que é a membrana pupilar persistente

Durante a vida fetal, a frente do cristalino é coberta por uma rede de vasos — a túnica vascular anterior —, ligada aos vasos do colarete da íris. Normalmente ela regride, com participação de macrófagos, até cerca do 8º mês de gestação, e a pupila está livre no nascimento. A regressão continua durante o primeiro ano de vida.

Quando parte dessa rede fica, sobram fios de tecido conjuntivo, às vezes pigmentados, ainda presos ao colarete. Restos de membrana são encontrados em cerca de 95% dos recém-nascidos (mais nos prematuros) e em cerca de 20% dos adultos.

Fios que nascem no colarete e deixam a pupila dilatar = membrana pupilar persistente. Aderência na margem pupilar que impede a dilatação = sinéquia posterior.

Membrana pupilar ou sinéquia?

Membrana pupilar persistente

  • Origem no colarete
  • Congênita, olho calmo
  • Pupila dilata normalmente
  • Sem células na câmara anterior

Sinéquia posterior

  • Margem pupilar presa ao cristalino
  • História de uveíte ou trauma
  • Pupila irregular ao dilatar (em trevo)
  • Pigmento na cápsula, células

Do fio isolado à membrana densa

As imagens vão das formas mais comuns, sem importância, às que podem comprometer a visão. Em cada uma, avalie origem, inserções e quanto da pupila fica livre.

Fios isolados (tipo 1)

Dois ou três filamentos finos e castanhos cruzando a pupila, presos ao colarete de cada lado. Achado incidental, sem efeito na visão: só registrar.

Tipo 1IncidentalColarete

Rede em teia

Vários fios formando uma teia sobre a pupila, com espaços livres amplos entre eles. Em criança, meça a maior abertura e avalie a acuidade e a refração.

TeiaCriançaMedir abertura

Inserção no cristalino (tipo 2)

Fios que terminam em pequenos pontos pigmentados na cápsula anterior do cristalino ("pegadas de galinha"), às vezes com opacidade polar anterior. Não confundir com depósitos de pigmento pós-uveíte.

Tipo 2Cápsula anteriorPigmento

Membrana densa sobre o eixo

Lâmina espessa que cobre quase toda a pupila, deixando aberturas menores que 1,5 mm. Em lactente, há risco de ambliopia de privação: dilatação farmacológica, oclusão e, se necessário, cirurgia.

DensaAmbliopiaTratar

Fios finos só aparecem bem na lâmpada de fenda, com feixe oblíquo e retroiluminação. Na criança pequena, o teste do reflexo vermelho mostra se o eixo está livre.

Exame passo a passo

  1. Reflexo vermelho

    Sombras finas no reflexo; reflexo muito reduzido sugere membrana densa ou outra opacidade.

  2. Biomicroscopia

    Origem no colarete, número de fios, inserções na íris, no cristalino ou na córnea.

  3. Dilatação

    A pupila dilata; a membrana pode ficar mais evidente e o espaço livre aumenta — dado útil para o tratamento.

  4. Função visual

    Acuidade adequada à idade, refração sob cicloplegia (astigmatismo, anisometropia), estrabismo.

  5. Associações

    Catarata polar anterior, microcórnea, coloboma, ectopia do cristalino e da pupila.

Como registrar

Modelo de registro

OD: membrana pupilar persistente tipo 1, com 3 filamentos finos pigmentados originados no colarete às 2h e 8h, cruzando a pupila; abertura livre > 3 mm; sem inserção no cristalino. Pupila dilata normalmente. AV 20/20. OE normal.

Modelo didático. Na criança, registre a maior abertura livre e a acuidade/fixação.

Associações e diferencial

Na maioria dos casos, a membrana é um achado isolado. Formas extensas se associam com mais frequência a outras anomalias do segmento anterior.

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveMargem pupilar presa ao cristalino
Como diferenciarUveíte ou trauma prévios; pupila não dilata no setor aderido.
Achado-chaveAberturas extras na íris
Como diferenciarMembrana extensa pode simular várias pupilas.
Achado-chaveOpacidade do cristalino
Como diferenciarOpacidade dentro do cristalino; pode coexistir (polar anterior).
Membrana acessória de íris
Achado-chaveSegunda camada de íris
Como diferenciarLâmina com pseudopupila central; origem e aspecto diferentes.
Achado-chaveOpacidade corneana central com aderências
Como diferenciarDefeito endotelial e de Descemet; leucoma central.

A maioria não precisa de nada. O tratamento depende do tamanho da abertura pupilar livre e da idade.

Conduta por cenário

CenárioConduta
Fios finos, eixo livreNenhuma; registrar. Muitas regridem no 1º ano de vida.
Membrana parcial em criança, abertura limítrofeMidriático tópico para ampliar a abertura, correção óptica e oclusão se ambliopia; seguimento próximo.
Membrana densa, abertura < 1,5 mmExcisão cirúrgica (membranectomia) em lactentes; laser Nd:YAG em pacientes maiores com membranas finas.

Laser e cirurgia têm riscos (hifema, catarata, irite): indicação individualizada.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Persistent Pupillary Membrane. Atualizado em 2026.
  2. 2
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 6: Pediatric Ophthalmology and Strabismus. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  3. 3
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 2: Fundamentals and Principles of Ophthalmology (embriologia). San Francisco: AAO; 2024–2025.
  4. 4
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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