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Atlas de Oftalmologia • Retina

Metástases retinianas

Metástases intraoculares • metástase de coroide • uveal metastasis

Implantes de câncer sistêmico no olho — quase sempre na coroide, raramente na própria retina. São, no conjunto, o tumor intraocular maligno mais comum do adulto. A lesão típica é amarelada, plana ou em placa, muitas vezes múltipla e bilateral, com fluido sub-retiniano; mama e pulmão respondem pela maioria dos casos.

Coroide mais que retinaMama e pulmãoUltrassom + OCTTratamento oncológico
13–16 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Metástase de coroide: lesão amarelo-creme em placa no polo posterior com fluido sub-retiniano adjacente. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Massa coroideana amarelo-creme, plana ou em placa
  2. 2
    Lesões múltiplas e/ou bilaterais
  3. 3
    Descolamento seroso de retina desproporcional ao tamanho
  4. 4
    Aglomerados de pigmento marrom ("manchas de leopardo") na superfície
  5. 5
    Metástase de pele (melanoma) ou carcinoide: lesões pigmentadas ou alaranjadas
  6. 6
    Metástase retiniana: infiltrado branco perivascular com vitreíte

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Metástases são os tumores intraoculares malignos mais comuns do adulto.
  2. Cerca de 9 em cada 10 estão na coroide; metástases intrarretinianas verdadeiras são raras.
  3. Primários mais comuns: mama (mulheres) e pulmão (homens).
  4. Aspecto: amarelado, plano a pouco elevado, frequentemente múltiplo e bilateral, com fluido sub-retiniano.

O que é

Metástase intraocular é a chegada de células de um câncer distante ao olho pela corrente sanguínea. Na série clássica de Shields et al. (1997), com 520 olhos, 88% das metástases uveais estavam na coroide, 9% na íris e 2% no corpo ciliar.

O termo "metástase retiniana" é usado de forma ampla no dia a dia, mas a retina propriamente dita é raramente atingida. Quando é, o padrão lembra retinite ou vasculite, com células tumorais no vítreo — típico de melanoma cutâneo e carcinomas de pulmão e mama.

Lesão coroideana amarelada, plana e multifocal, com fluido sub-retiniano, em paciente com câncer = metástase até prova em contrário.

De onde vêm

Na série de Shields (1997), mama foi o primário em 47% e pulmão em 21%. Cerca de um terço dos pacientes não tinha história de câncer quando a lesão ocular foi encontrada.

47%Câncer de mama
21%Câncer de pulmão
≈ 1/3Sem história de câncer ao diagnóstico ocular

Rim

Lesões alaranjadas, vascularizadas.

Trato gastrointestinal

Colorretal, estômago.

Melanoma cutâneo

Lesões pigmentadas; também retina e vítreo.

Próstata, tireoide

Menos frequentes.

Carcinoide

Lesões alaranjadas.

Linfoma/leucemia

Infiltração, não metástase sólida — diferencial.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Sintomas: visão turva, fotopsias, moscas volantes, defeito de campo; às vezes dor (glaucoma, invasão).
  2. Lesões cremosas, planas, frequentemente múltiplas.
  3. Fluido sub-retiniano abundante em relação ao tamanho.
  4. Metástase retiniana: infiltrado branco com vitreíte, simulando retinite.

Sintomas e sinais

Baixa visual

Pelo fluido na mácula ou pela lesão no polo posterior.

Fotopsias

Frequentes.

Defeito de campo

Descolamento seroso extenso.

Dor

Glaucoma secundário, invasão escleral/orbitária.

Assintomática

Lesões periféricas no rastreamento de pacientes oncológicos.

Pseudouveíte

Metástase de íris, corpo ciliar ou retina.

Padrões de fundo de olho

Mais comum

Coroide em placa

Lesão amarela plana ou pouco elevada no polo posterior, de bordas mal definidas, com fluido e "manchas de leopardo".

Sugestivo

Multifocal e bilateral

Várias lesões em um ou nos dois olhos: raramente é melanoma primário.

Raro

Retiniana

Infiltrado branco intrarretiniano perivascular, com hemorragias e células no vítreo; simula retinite viral ou toxoplasmose.

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Ultrassom: lesão de refletividade interna moderada a alta, sem escavação coroideana.
  2. OCT: superfície irregular "lumpy bumpy", fluido sub-retiniano, fotorreceptores felpudos.
  3. Angiografia: hipofluorescência inicial e hiperfluorescência tardia; ICG útil.
  4. Sem primário conhecido: TC de tórax/abdome, PET-TC, mamografia; biópsia se necessário.

Exames oculares

Ultrassom A/B

Placa ou cúpula baixa, refletividade moderada a alta; ajuda a separar de melanoma (baixa refletividade).

OCT (EDI)

Contorno anterior irregular ("lumpy bumpy"), compressão da coriocapilar, fluido sub-retiniano.

Autofluorescência

Pigmento lipofuscínico hiperautofluorescente; fluido crônico.

Angiografia (FA/ICG)

Bloqueio inicial e impregnação tardia; mostra lesões pequenas adicionais.

Exame

OCT da metástase de coroide

Elevação coroideana com superfície irregular e fluido sub-retiniano com fotorreceptores alongados.

Investigação sistêmica

  1. História e exame físico

    Câncer prévio, tabagismo, nódulos mamários, lesões de pele, perda de peso.

  2. Imagem

    TC de tórax, abdome e pelve ou PET-TC; mamografia; RM de crânio (metástases cerebrais são comuns nesses pacientes).

  3. Biópsia

    Preferir sítio extraocular acessível; biópsia ocular por agulha fina em casos selecionados.

  4. Equipe

    Oncologia clínica e radioterapia desde o início.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveMassa única em cúpula/cogumelo
Como diferenciarRefletividade baixa e escavação no ultrassom; geralmente único e unilateral.
Hemangioma de coroide
Achado-chaveMassa laranja-avermelhada
Como diferenciarRefletividade alta e regular; enchimento precoce na ICG; estável.
Osteoma de coroide
Achado-chavePlaca amarela-alaranjada em mulher jovem
Como diferenciarCalcificação no ultrassom (sombra).
Esclerite posterior
Achado-chaveDor, espessamento escleral
Como diferenciarSinal do "T" no ultrassom; dor intensa.
Linfoma uveal/vitreorretiniano
Achado-chaveInfiltrado amarelado multifocal, vitreíte
Como diferenciarIdoso; biópsia vítrea; RM de crânio.
Coriorretinopatia serosa central
Achado-chaveDescolamento seroso
Como diferenciarSem massa; adulto jovem estressado; uso de corticoide.

Galeria

Conte as lesões, examine o outro olho e compare a cor: amarelo-creme (carcinomas), alaranjado (rim, carcinoide), marrom (melanoma cutâneo).

Metástase de câncer de mama

Placa amarelo-creme pouco elevada no polo posterior com fluido sub-retiniano. Procure outras lesões menores e examine o olho contralateral.

MamaPlacaFluido

Lesões múltiplas bilaterais

Várias lesões amareladas em ambos os olhos. Multifocalidade praticamente afasta melanoma primário.

MultifocalBilateral

Metástase de pulmão como primeira manifestação

Massa amarelada em cúpula baixa em paciente sem câncer conhecido; a investigação revelou carcinoma de pulmão.

PulmãoPrimário oculto

Regressão após tratamento

Lesão achatada, com pigmentação e atrofia, e fluido reabsorvido após radioterapia ou terapia sistêmica.

RespostaRadioterapia

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Plano conjunto com oncologia; objetivo é preservar visão e qualidade de vida.
  2. Lesões pequenas assintomáticas podem regredir só com a terapia sistêmica.
  3. Radioterapia externa (feixe), braquiterapia com placa ou prótons para lesões que ameaçam a visão.
  4. Fotodinâmica, termoterapia e anti-VEGF intravítreo: casos selecionados.

Opções por cenário

CenárioOpção habitual
Lesão pequena, periférica, assintomática, terapia sistêmica eficaz em cursoObservação com fotos e ultrassom
Lesão macular ou fluido sub-retiniano com baixa visualRadioterapia externa ou braquiterapia
Lesão solitária, pequena a médiaBraquiterapia com placa (curso curto)
Lesão pequena perto da fóveaTerapia fotodinâmica com verteporfina
Olho cego e doloroso, doença extensaControle de dor; enucleação raramente

Terapias-alvo e imunoterapias modernas (por exemplo, para câncer de mama HER2+ ou pulmão com mutação de EGFR/ALK) podem causar regressão importante das lesões oculares; a decisão de irradiar leva isso em conta.

Prognóstico

A metástase ocular marca doença sistêmica avançada. O controle local com radioterapia é alto e a visão costuma ser preservada ou melhorar com a reabsorção do fluido. A sobrevida é dominada pelo câncer de origem e pelas terapias disponíveis.

  • Examinar o olho contralateral e repetir o exame no seguimento (novas lesões são comuns).
  • Pacientes oncológicos com sintomas visuais novos devem ter fundo de olho dilatado.
  • Complicações da radioterapia: retinopatia e neuropatia por radiação, catarata.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Artigo1997
    Shields CL, Shields JA, Gross NE, Schwartz GP, Lally SE. Survey of 520 eyes with uveal metastases. Ophthalmology. 1997;104(8):1265–1276.
  2. 2
    Artigo2017
    Konstantinidis L, Damato B. Intraocular metastases — a review. Asia Pac J Ophthalmol (Phila). 2017;6(2):208–214.
  3. 3
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 4: Ophthalmic Pathology and Intraocular Tumors. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  4. 4
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  5. 5
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Choroidal Metastasis. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. O tratamento das metástases oculares é definido em conjunto com oncologia clínica e radioterapia.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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