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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Corpúsculo Renal

Corpúsculo de Malpighi • renal corpuscle

O filtro do néfron: um tufo de capilares — o glomérulo — envolvido pela cápsula de Bowman. Entre o sangue e o espaço urinário fica a barreira de filtração: endotélio fenestrado, membrana basal glomerular e fendas entre os podócitos.

Tipo
Início do néfron (filtração)
Onde está
Córtex renal (labirinto)
Pista na lâmina (HE)
Novelo de capilares em espaço claro
Função
Ultrafiltrar o plasma
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a estrutura

No HE, o corpúsculo é uma bola de capilares cheios de núcleos dentro de um espaço claro em meia-lua — o espaço de Bowman —, contornado por uma linha fina de células achatadas. O esquema mostra a barreira que o HE não resolve.

Lâmina histológica

Figura 1. Corpúsculo renal, HE, 400x. Tufo glomerular com alças capilares, podócitos e células mesangiais; espaço de Bowman; folheto parietal pavimentoso; polo vascular com arteríolas e mácula densa vizinha.

Roteiro de observação
  1. 1
    Tufo glomerularAlças capilares com hemácias; muitos núcleos: endoteliais, mesangiais e podócitos.
  2. 2
    Espaço de BowmanFaixa clara entre o tufo e a cápsula; recebe o filtrado.
  3. 3
    Folheto parietalEpitélio pavimentoso simples que contorna o corpúsculo.
  4. 4
    Os dois polosVascular (arteríolas aferente e eferente) e urinário (saída para o túbulo proximal, com borda em escova).

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Corpúsculo = glomérulo (capilares) + cápsula de Bowman (folheto parietal + folheto visceral de podócitos).
  2. Barreira de filtração: endotélio fenestrado → membrana basal glomerular → diafragma de fenda entre pedicelos.
  3. As células mesangiais sustentam o tufo, fagocitam resíduos da membrana basal e se contraem.
  4. Polo vascular: entram a arteríola aferente e sai a eferente; polo urinário: começa o túbulo proximal.

O que é o corpúsculo renal

É a primeira parte do néfron, medindo cerca de 200 µm. O sangue chega pela arteríola aferente, percorre as alças capilares sob pressão alta e sai pela arteríola eferente — um arranjo raro, de capilar entre duas arteríolas, que mantém a pressão de filtração.

O filtrado, semelhante ao plasma mas quase sem proteínas, cai no espaço de Bowman e segue para o túbulo proximal. A cápsula de Bowman é a extremidade fechada e invaginada do túbulo: o folheto visceral (podócitos) abraça os capilares e o parietal forma a parede externa.

As células do corpúsculo

Quatro tipos celulares convivem no corpúsculo. No HE os núcleos se misturam; a posição em relação à alça capilar é a pista.

Endotelial

Reveste a alça por dentro; núcleo achatado voltado para a luz capilar.

Podócito

Do lado do espaço de Bowman; núcleo saliente e prolongamentos (pedicelos) sobre a membrana basal.

Mesangial

No eixo entre as alças, cercada por matriz mesangial; suporte, fagocitose e contração.

Parietal

Pavimentosa simples na parede externa da cápsula; continua com o epitélio do túbulo proximal.

O corpúsculo renal em quatro imagens

Roteiro: HE para a arquitetura, PAS e prata para as membranas, ME para a barreira.

Corpúsculo com os dois polos

HE, 400x. Tufo glomerular, espaço de Bowman e folheto parietal; de um lado o polo vascular com arteríolas e a mácula densa, do outro o polo urinário se abrindo para um túbulo proximal com borda em escova.

HE400xPolos

Glomérulo no PAS

PAS, 400x. Membranas basais das alças capilares e da cápsula em magenta, finas e regulares; matriz mesangial também PAS-positiva no eixo das alças. Útil para ver espessamento de membrana e expansão mesangial.

PAS400xMembranas basais

Podócitos na microscopia eletrônica de varredura

MEV. Corpo celular do podócito com prolongamentos primários abraçando o capilar e pedicelos interdigitados como dedos entrelaçados, deixando entre eles as fendas de filtração.

MEVPodócitosPedicelos

Barreira de filtração na ME de transmissão

MET. Da luz capilar para o espaço urinário: endotélio com fenestras, membrana basal glomerular (lâminas rara interna, densa e rara externa) e pedicelos com diafragma de fenda entre eles.

METBarreiraMembrana basal

Estrutura redonda de ~200 µm, no córtex renal, com alças capilares e um espaço claro em volta limitado por epitélio pavimentoso = corpúsculo renal. Nenhuma outra estrutura do corpo tem esse arranjo.

Aumento a aumento

  1. 40x — córtex pontilhado

    Os corpúsculos aparecem como pontos arredondados e mais densos espalhados no córtex, nunca na medula.

  2. 100x — o corpúsculo inteiro

    Bola celular cercada de espaço claro, entre túbulos contorcidos.

  3. 400x — alças e núcleos

    Alças com hemácias; núcleos de podócitos na face externa das alças; mesangiais no eixo.

  4. 400x — cápsula e polos

    Folheto parietal pavimentoso; procure o polo vascular (arteríolas, mácula densa) e o polo urinário (túbulo proximal).

  5. Colorações especiais

    PAS e prata metenamina (Jones) mostram membranas basais; imunofluorescência mostra depósitos de imunoglobulinas; ME vê pedicelos e depósitos.

Pegadinhas

O espaço de Bowman pode parecer maior por retração de fixação. Ilhota de Langerhans também é redonda e pálida, mas não tem espaço urinário nem cápsula, e está no pâncreas. Corpúsculo de Hassall (timo) é eosinófilo e lamelado, sem capilares.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte de córtex renal corado por HE mostrando corpúsculo renal: tufo de capilares glomerulares contendo hemácias, com núcleos de células endoteliais, mesangiais e podócitos, envolvido por espaço urinário (de Bowman) e pelo folheto parietal da cápsula de Bowman, de epitélio pavimentoso simples. Identificam-se o polo vascular, com arteríolas e mácula densa adjacente, e o polo urinário, em continuidade com túbulo contorcido proximal de epitélio cúbico com borda em escova. Ao redor, túbulos contorcidos proximais e distais.

Nomeie as três células do tufo e os dois polos, se visíveis.

Estruturas redondas que confundem

Várias estruturas aparecem como "bolinhas" no menor aumento. O corpúsculo é o único com alças capilares dentro de um espaço revestido por epitélio.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveGrupo pálido de células em cordões
Como diferenciarSem espaço urinário nem cápsula; cercada por ácinos serosos.
Achado-chaveCélulas concêntricas eosinófilas
Como diferenciarLamelado, às vezes queratinizado; na medula do timo, sem capilares.
Achado-chaveMácula densa + células granulares
Como diferenciarFica no polo vascular, ao lado do corpúsculo; não é o tufo.
Achado-chaveAnéis de epitélio cúbico
Como diferenciarLuz central sem capilares; borda em escova no proximal.
Achado-chaveTubo endotelial isolado
Como diferenciarUm só tubo, sem tufo nem cápsula; em qualquer órgão.

Cada camada da barreira de filtração tem sua doença. Saber onde a lesão está — endotélio, membrana basal, podócito ou mesângio — é a lógica das glomerulopatias.

Nefrótico x nefrítico

Lesão do podócito ou da membrana basal deixa passar proteína (síndrome nefrótica). Inflamação com proliferação celular e ruptura das alças deixa passar hemácias (síndrome nefrítica).

Síndrome nefrótica

  • Proteinúria maciça, edema
  • Lesão de podócito ou membrana
  • Lesão mínima: apagamento dos pedicelos na ME
  • Nefropatia diabética: membrana espessa e nódulos mesangiais

Síndrome nefrítica

  • Hematúria, hipertensão, oligúria
  • Glomérulo inflamado e hipercelular
  • Pós-estreptocócica: depósitos subepiteliais
  • Crescentes no espaço de Bowman: forma rapidamente progressiva

Endotélio fenestrado + membrana basal + diafragma de fenda dos podócitos: a última camada é a que mais segura a albumina.

Doenças ligadas a cada componente

Síndrome de Alport

Defeito no colágeno IV: membrana basal glomerular lamelada; hematúria, surdez e alterações oculares.

Anti-MBG (Goodpasture)

Anticorpos contra o colágeno IV: imunofluorescência linear e crescentes; pulmão também afetado.

Nefropatia por IgA

Depósitos de IgA no mesângio e proliferação mesangial; hematúria após infecção respiratória.

Mutação da nefrina

Síndrome nefrótica congênita: sem diafragma de fenda, a proteína passa livre.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2021
    Kierszenbaum AL, Tres LL. Histologia e Biologia Celular: uma introdução à patologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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