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Atlas de Histologia • Organelas

Retículo endoplasmático liso

REL, retículo agranular; retículo sarcoplasmático no músculo • smooth endoplasmic reticulum (SER)

Rede de túbulos e vesículas de membrana sem ribossomos. Sintetiza lipídios e hormônios esteroides, destoxifica fármacos no fígado e, no músculo, armazena e libera cálcio. No HE, deixa o citoplasma eosinófilo, muitas vezes espumoso.

Tipo
Organela de membrana única
Onde abunda
Adrenal, Leydig, hepatócito, músculo
Pista na lâmina (HE)
Citoplasma eosinófilo, espumoso
Função
Lipídios, esteroides, cálcio
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a organela

O REL não tem ribossomos, então não é basófilo. Nas células de esteroides, ele aparece junto com gotas de lipídio (vacúolos claros) e mitocôndrias: citoplasma rosado e espumoso.

Lâmina histológica

Figura 1. Zona fasciculada do córtex adrenal, HE, 400x: cordões de células grandes com citoplasma claro e vacuolado (espongiócitos), cheio de lipídios, REL e mitocôndrias.

Roteiro de observação
  1. 1
    ArranjoCordões retos de células, separados por capilares sinusoides.
  2. 2
    CitoplasmaPálido e espumoso: gotas de lipídio dissolvidas no processamento, entremeadas por REL eosinófilo.
  3. 3
    NúcleoCentral, redondo, às vezes duas células binucleadas no campo.
  4. 4
    ConclusãoCélula produtora de esteroides (cortisol): REL, mitocôndrias de cristas tubulares e lipídio.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Túbulos e vesículas de membrana sem ribossomos, contínuos com o RER.
  2. Sintetiza lipídios e esteroides: abundante no córtex adrenal, nas células de Leydig e no corpo lúteo.
  3. No hepatócito, faz destoxificação (citocromo P450) e participa da liberação de glicose do glicogênio.
  4. No músculo, o REL especializado é o retículo sarcoplasmático, reservatório de cálcio para a contração.

Uma organela, vários papéis

O REL é o mesmo sistema de membranas do RER, mas sem ribossomos e com outro conjunto de enzimas. Por isso sua função depende da célula: esteroides na adrenal e nas gônadas, destoxificação no fígado, cálcio no músculo.

É uma organela adaptável: o uso prolongado de certos fármacos (como o fenobarbital) faz o REL do hepatócito proliferar, aumentando a capacidade de metabolizar drogas — base da tolerância e de interações medicamentosas.

REL ou RER?

As duas formas do retículo são contínuas, mas diferem em forma, conteúdo e na cor que dão ao citoplasma.

Retículo liso (REL)

  • Túbulos anastomosados
  • Sem ribossomos
  • Lipídios, esteroides, P450, cálcio
  • Citoplasma eosinófilo/espumoso
  • Adrenal, Leydig, hepatócito, músculo

Retículo rugoso (RER)

  • Cisternas achatadas paralelas
  • Ribossomos aderidos
  • Proteínas de exportação
  • Citoplasma basófilo
  • Plasmócito, ácino seroso, fibroblasto

O REL em quatro contextos

Duas células esteroidogênicas ao microscópio de luz e duas imagens de microscopia eletrônica (célula de esteroides e músculo).

Células de Leydig

Testículo, HE, 400x. Grupos de células poligonais no interstício entre os túbulos seminíferos, com citoplasma eosinófilo, às vezes vacuolado, e núcleo redondo. Produzem testosterona; podem conter cristais de Reinke.

HE400xTestosterona

Córtex adrenal em camadas

Adrenal, HE, 100x. Zona glomerulosa em arcos, fasciculada em cordões de células claras (espongiócitos) e reticular em rede de células mais eosinófilas. Todas produzem esteroides; muda a proporção de lipídio.

HE100xEsteroides

MET: REL em célula de esteroides

Citoplasma tomado por túbulos e vesículas lisos, anastomosados, sem pontos de ribossomos, entre gotas de lipídio e mitocôndrias de cristas tubulares — o trio da esteroidogênese.

METRELGotas de lipídio

MET: retículo sarcoplasmático

Músculo esquelético em corte longitudinal. Rede de túbulos do retículo sarcoplasmático envolvendo as miofibrilas, com cisternas terminais ladeando um túbulo T: a tríade, que acopla o potencial de ação à liberação de cálcio.

METTríadeCálcio

Ao microscópio de luz, o REL é reconhecido pela célula em que ele abunda: citoplasma eosinófilo, sem basofilia, muitas vezes com vacúolos de lipídio. A confirmação é da microscopia eletrônica.

Aumento a aumento

  1. 40x — o órgão

    Adrenal (cápsula, córtex amarelado e medula), testículo (túbulos com interstício) ou ovário com corpo lúteo.

  2. 100x — a região

    Zona fasciculada da adrenal, interstício testicular, células luteínicas: células grandes, poligonais, de citoplasma claro ou rosado.

  3. 400x — o citoplasma

    Eosinófilo e sem basofilia; finamente vacuolado ou espumoso (lipídio dissolvido). Núcleo redondo e central.

  4. Colorações e confirmação

    Lipídios em congelação com Sudan ou Oil Red O. A MET mostra a rede de túbulos lisos e as mitocôndrias de cristas tubulares.

Pegadinhas

Citoplasma claro e vacuolado também aparece em células mucosas, em células com glicogênio e em adipócitos. Mucosa: PAS e citoplasma azulado; adipócito: um só vacúolo grande com núcleo achatado na periferia. Célula de esteroides: múltiplos vacúolos pequenos com núcleo central.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Cordões radiais de células poligonais grandes, separados por capilares sinusoides, com núcleo redondo e central e citoplasma pálido, finamente vacuolado (espongiócitos), correspondendo a lipídios removidos no processamento. O aspecto é compatível com célula esteroidogênica, rica em retículo endoplasmático liso e gotas de lipídio. Conclusão: zona fasciculada do córtex adrenal.

Para células de Leydig, troque o arranjo: grupos de células no interstício entre túbulos seminíferos.

Citoplasma claro e vacuolado: o que é?

Vacúolos claros no HE significam algo que se dissolveu ou não corou: lipídio, glicogênio ou muco. A forma, o número de vacúolos e a posição do núcleo resolvem a maior parte dos casos.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveMuitos vacúolos pequenos, núcleo central
Como diferenciarCordões ou grupos em órgão endócrino; lipídio em congelação.
Achado-chaveUm vacúolo único e grande
Como diferenciarNúcleo achatado empurrado para a periferia ("anel de sinete").
Achado-chaveCitoplasma claro ou azulado com muco
Como diferenciarPAS-positivo; núcleo basal achatado; dentro de epitélio ou ácino mucoso.
Achado-chaveCitoplasma claro, irregular
Como diferenciarPAS-positivo e sensível à diastase; células em cordões hepáticos.
Achado-chaveCitoplasma basófilo
Como diferenciarCor oposta: roxo, não rosado nem espumoso.

O REL explica por que alguns fármacos interagem entre si, por que o fígado se adapta ao álcool e por que o cálcio é a chave da contração muscular.

Fígado, fármacos e citocromo P450

Indutores do citocromo P450 (como fenobarbital, rifampicina e álcool de uso crônico) aumentam o REL do hepatócito e aceleram o metabolismo de outros fármacos, podendo reduzir seu efeito. Inibidores fazem o oposto e elevam níveis séricos.

Indução

Proliferação do REL: hepatócitos com citoplasma "em vidro fosco" após uso prolongado de alguns fármacos.

Toxicidade

O próprio P450 pode gerar metabólitos tóxicos, como no excesso de paracetamol (necrose centrolobular).

Interações

Indutores e inibidores alteram doses de anticoagulantes, anticonvulsivantes e contraceptivos.

Outras situações ligadas ao REL

SituaçãoO que falhaNa lâmina
Hipertermia maligna
O que falhaLiberação descontrolada de cálcio do retículo sarcoplasmático
Na lâminaMutação do receptor de rianodina (RYR1); anestésicos inalatórios e succinilcolina desencadeiam a crise. Músculo pode ser normal fora da crise.
O que falhaDefeito enzimático da esteroidogênese
Na lâminaCórtex adrenal hiperplásico por estímulo do ACTH; mais comum: deficiência de 21-hidroxilase.
O que falhaDeficiência de glicose-6-fosfatase
Na lâminaHepatócitos claros, distendidos por glicogênio e lipídio; hipoglicemia de jejum.

REL abundante = célula que produz esteroide, metaboliza fármaco ou controla cálcio.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, et al. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  2. 2
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
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    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
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    Livro-texto2021
    Kierszenbaum AL, Tres LL. Histologia e Biologia Celular: uma introdução à patologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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