Astrenmed

Atlas de Histologia • Tecido Epitelial

Hepatócito

Célula hepática parenquimatosa • hepatocyte

Célula epitelial poliédrica e grande do fígado, organizada em placas entre sinusoides. Tem citoplasma eosinófilo e granular, núcleo redondo central (às vezes dois núcleos) e funções exócrinas (bile) e endócrinas (proteínas plasmáticas) ao mesmo tempo.

Tipo
Célula epitelial glandular
Onde está
Placas do lóbulo hepático
Pista na lâmina (HE)
Poliédrico, rosa, núcleo central
Função
Bile, proteínas, metabolismo
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a célula

No HE, os hepatócitos formam placas de uma célula de espessura que irradiam da veia central, separadas por sinusoides. A célula é grande, poligonal e rosa, com núcleo redondo bem no centro.

Lâmina histológica

Figura 1. Fígado, HE, 400x. Placas de hepatócitos poliédricos de citoplasma eosinófilo e granular, núcleos redondos centrais com nucléolo (alguns binucleados), separadas por sinusoides com células de Kupffer e endoteliais.

Roteiro de observação
  1. 1
    Veja a arquiteturaCordões (placas) radiais convergindo para a veia central; sinusoides entre eles.
  2. 2
    Forma e tamanhoPoliédrica, grande (cerca de 20–30 µm), com vários lados em contato com outras células e com o sinusoide.
  3. 3
    NúcleoRedondo, central, eucromático, nucléolo evidente; células binucleadas são comuns.
  4. 4
    CitoplasmaEosinófilo (mitocôndrias), com grumos basófilos (RER) e áreas claras (glicogênio, lipídio).

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Principal célula do fígado, epitelial e poliédrica, organizada em placas entre sinusoides.
  2. Função exócrina (bile, pelo canalículo biliar) e endócrina (albumina, fatores de coagulação, lipoproteínas para o sangue).
  3. Metabolismo: estoca glicogênio, faz gliconeogênese, ciclo da ureia e destoxificação no REL.
  4. Vive meses, mas regenera muito bem após perda de parênquima; a posição no ácino (zonas 1–3) muda sua função e sua vulnerabilidade.

O que é o hepatócito

O hepatócito é uma célula epitelial derivada do endoderma que perdeu o aspecto de "revestimento" e se organizou em placas tridimensionais. Ele é a glândula exócrina e endócrina do fígado ao mesmo tempo, sem precisar de células separadas para cada função.

A polaridade é peculiar: em vez de um ápice e uma base, cada hepatócito tem várias faces sinusoidais (voltadas ao sangue) e faixas canaliculares nas faces de contato com os vizinhos, onde a bile é secretada.

Zonas do ácino hepático

O sangue corre do espaço porta para a veia central. Os hepatócitos recebem oxigênio e nutrientes de forma desigual — e isso define três zonas funcionais (Rappaport).

ZonaPosiçãoCaracterística
Zona 1PeriportalMais oxigênio; gliconeogênese, betaoxidação; primeira a receber toxinas do sangue portal.
Zona 2IntermediáriaTransição entre as duas.
Zona 3CentrolobularMenos oxigênio; mais citocromo P450; mais vulnerável à isquemia e ao paracetamol.

No lóbulo clássico, a zona 3 corresponde à região em torno da veia central.

O hepatócito em quatro preparações

Roteiro: situe-se no lóbulo (espaço porta × veia central) e depois olhe o hepatócito. As colorações especiais revelam o que o HE só insinua.

Lóbulo hepático

Fígado de porco, HE, 40x. Lóbulos hexagonais bem delimitados por septos conjuntivos, com veia central no meio e espaços porta nos vértices. No fígado humano os septos quase não existem; reconheça o lóbulo pela posição da veia central e dos espaços porta.

HE40xLóbulo

Hepatócitos binucleados

Fígado humano, HE, 400x. Placas de hepatócitos com núcleos redondos centrais; várias células com dois núcleos. Sinusoides com núcleos alongados de endotélio e células de Kupffer, de núcleo ovalado e citoplasma mais escuro.

HE400xBinucleação

PAS: glicogênio

Fígado, PAS, 400x. Citoplasma dos hepatócitos com grânulos magenta de glicogênio; a reação some após digestão com diastase (PAS-D), o que confirma tratar-se de glicogênio.

PASGlicogênioDiastase

Canalículos biliares

Imuno-histoquímica para CD10 (ou impregnação/histoquímica de ATPase), 400x. Rede fina de canalículos entre hepatócitos vizinhos, em "tela de galinheiro" — o domínio exócrino que o HE não mostra.

Imuno-histoquímicaCanalículosBile

O hepatócito se reconhece pela arquitetura (placas e sinusoides) e pela célula (grande, poligonal, rosa, núcleo central). Comece achando a veia central e o espaço porta.

Aumento a aumento

  1. 40x — o órgão

    Parênquima maciço e homogêneo, com espaços porta (tríade) e veias centrais espalhados; cápsula fina (Glisson).

  2. 100x — placas radiais

    Cordões convergindo para a veia central, com sinusoides claros entre eles.

  3. 400x — a célula

    Poliédrica, citoplasma eosinófilo granular, núcleo redondo central com nucléolo; binucleação.

  4. 400x — o entorno

    Sinusoides com endotélio fenestrado e células de Kupffer; espaço de Disse (virtual no HE).

  5. Colorações especiais

    PAS (glicogênio), reticulina (arcabouço das placas), Perls (ferro), tricrômico (fibrose).

Pegadinhas

Áreas claras no citoplasma podem ser glicogênio (aspecto rendado, PAS positivo) ou gordura (vacúolo redondo que empurra o núcleo; Sudan/Oil Red em material congelado). Pigmento castanho-dourado perinuclear em idosos costuma ser lipofuscina, não bile.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico de fígado corado por HE mostrando parênquima organizado em placas de células que irradiam a partir da veia central, separadas por capilares sinusoides. As células são grandes, poliédricas, com citoplasma eosinófilo e granular e núcleo esférico, central, com nucléolo evidente; algumas são binucleadas: hepatócitos. Espaços porta com ramos da artéria hepática, da veia porta e ducto biliar. Ausência de atipias, esteatose ou fibrose.

Cite as células de Kupffer nos sinusoides se forem visíveis.

Células grandes e eosinófilas

Muitas células epiteliais metabolicamente ativas são grandes e rosadas. A organização do tecido é o que separa o hepatócito das demais.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chavePiramidal, grânulos apicais
Como diferenciarForma ácinos com lúmen; base basófila; não há sinusoides.
Achado-chaveCúbica, eosinófila, borda em escova
Como diferenciarForma túbulos com lúmen; glomérulos no campo.
Achado-chaveCordões de células claras (espongiócitos)
Como diferenciarCitoplasma vacuolado por lipídios; zonas glomerulosa, fasciculada e reticular.
Achado-chaveMacrófago dentro do sinusoide
Como diferenciarNúcleo ovalado na luz do sinusoide; pode conter pigmento fagocitado.
Achado-chaveGrande vacúolo único
Como diferenciarHepatócito com esteatose macrovesicular imita adipócito, mas está na placa.

Quase toda doença hepática é, no fundo, uma doença do hepatócito: ele acumula (gordura, ferro), degenera (balonização), morre (necrose, apoptose) ou se transforma (carcinoma).

Lesões do hepatócito

Quando o hepatócito falha, o que aparece na clínica reflete suas funções: icterícia (bile), coagulopatia e edema (proteínas plasmáticas), hipoglicemia e encefalopatia (metabolismo). Transaminases elevadas indicam lesão da célula.

Esteatose

Vacúolos de gordura no citoplasma; álcool, obesidade e diabetes (doença hepática esteatótica).

Esteato-hepatite

Balonização, corpúsculos de Mallory-Denk, inflamação e fibrose pericelular (zona 3).

Paracetamol

Metabólito tóxico gerado pelo P450 causa necrose centrolobular (zona 3).

Cirrose e carcinoma

Lesão crônica gera nódulos regenerativos e fibrose; base do carcinoma hepatocelular.

Zona 3 (centrolobular): menos oxigênio e mais P450 — por isso sofre primeiro na isquemia e na intoxicação por paracetamol.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2019
    Suvarna SK, Layton C, Bancroft JD. Bancroft’s Theory and Practice of Histological Techniques. 8. ed. Elsevier; 2019.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
Rolar para cima