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Atlas de Histologia • Organelas

Ribossomos

Polirribossomos • ribosomes • polysomes

Partículas de RNA ribossômico e proteínas, sem membrana, que traduzem o RNA mensageiro em proteína. Livres ou presos ao retículo, são pequenos demais para o microscópio óptico, mas em grande quantidade dão a basofilia citoplasmática do HE.

Tipo
Partícula sem membrana
Onde está
Citosol livre ou aderido ao RER
Pista na lâmina (HE)
Citoplasma basófilo (roxo)
Função
Síntese de proteínas
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a organela

O ribossomo é visto um a um só na ME (grânulos densos). No HE, o que se vê é o efeito coletivo: os grupos fosfato do RNA ribossômico ligam a hematoxilina e deixam o citoplasma roxo.

Lâmina histológica

Figura 1. Ácino pancreático, HE, 400x. Base das células intensamente basófila (ribossomos aderidos ao RER) e ápice eosinófilo com grânulos de zimogênio.

Roteiro de observação
  1. 1
    Procure o roxo fora do núcleoCitoplasma basófilo = muito RNA, quase sempre ribossômico.
  2. 2
    Veja onde ele se concentraBasal na célula acinar; em grumos (Nissl) no neurônio; difuso no plasmócito.
  3. 3
    Relacione à funçãoCélula que fabrica muita proteína tem muito ribossomo.
  4. 4
    Compare com o ápiceO produto pronto (grânulos) costuma ser eosinófilo.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Partículas sem membrana, formadas por RNA ribossômico e proteínas, montadas no nucléolo.
  2. O ribossomo eucariótico é 80S (60S + 40S); o bacteriano e o mitocondrial são menores e parecidos entre si.
  3. Livres no citosol fazem proteínas que ficam na célula; aderidos ao RER fazem proteínas de exportação, membrana e lisossomo.
  4. Em grande número dão basofilia: plasmócito, célula acinar do pâncreas, corpúsculos de Nissl, eritroblasto.

O que são os ribossomos

O ribossomo é a máquina que lê o RNA mensageiro e une aminoácidos trazidos pelos RNA transportadores. Cada um tem uma subunidade menor, que lê o códon, e uma subunidade maior, onde se forma a ligação peptídica.

Não tem membrana, por isso alguns autores preferem chamá-lo de partícula ou complexo, e não de organela. Ribossomos livres e aderidos são iguais: o que decide onde trabalham é a proteína que estão fazendo.

Do nucléolo ao citoplasma

  1. Transcrição no nucléolo

    A RNA polimerase I produz um precursor 45S, cortado em RNAr 28S, 18S e 5,8S. O RNAr 5S é feito fora do nucléolo.

  2. Montagem

    Proteínas ribossômicas, feitas no citoplasma, entram no núcleo e se associam ao RNAr.

  3. Exportação

    As subunidades saem separadas pelos poros nucleares.

  4. Tradução

    No citoplasma, as subunidades se juntam sobre o RNAm; se surgir um peptídeo-sinal, a partícula de reconhecimento do sinal leva o complexo ao RER.

Por que o nucléolo é grande em células ativas

Mais síntese de proteína exige mais ribossomos; por isso o nucléolo é evidente em neurônios, fibroblastos ativos, plasmócitos jovens e células tumorais.

Ribossomos em quatro imagens

A basofilia citoplasmática é a “assinatura” dos ribossomos no microscópio óptico. Roteiro: onde está o roxo e que célula é essa.

Corpúsculos de Nissl

Neurônio motor da medula espinal, cresil violeta ou HE, 400x. Grumos basófilos no pericário e na base dos dendritos, ausentes no cone de implantação do axônio. Cada grumo é RER com polirribossomos. Somem na lesão do axônio (cromatólise).

NisslNeurônioRER

Proeritroblasto e eritroblasto basófilo

Esfregaço de medula óssea, Leishman ou Giemsa, 1000x. Citoplasma azul-intenso, cheio de polirribossomos livres que sintetizam hemoglobina. Conforme a hemoglobina acumula, o citoplasma fica policromático e depois rosado.

GiemsaMedulaRibossomos livres

Microscopia eletrônica

ME de transmissão. Grânulos densos de cerca de 20–30 nm alinhados nas cisternas do RER e, livres no citosol, agrupados em rosetas ou espirais (polirribossomos). Compare com o glicogênio, que forma rosetas maiores e irregulares.

MEPolirribossomosRER

Reticulócitos

Sangue periférico, coloração supravital (azul de cresil brilhante ou novo azul de metileno), 1000x. Restos de RNA ribossômico precipitam como rede azul dentro de hemácias jovens. A contagem de reticulócitos avalia a resposta da medula na anemia.

SupravitalSangueRNA residual

No microscópio óptico você não reconhece o ribossomo, e sim a basofilia que ele causa. Na ME, procure grânulos densos sem membrana, isolados, em polissomos ou sobre o RER.

Aumento a aumento

  1. 100x — células “roxas”

    Pâncreas exócrino, glândulas serosas, áreas com plasmócitos, substância cinzenta da medula.

  2. 400x — padrão da basofilia

    Basal (célula acinar), em grumos (Nissl), difusa (plasmócito, eritroblasto). Tudo isso é RNA.

  3. Confirmação histoquímica

    Verde de metila-pironina cora o RNA de vermelho (pironina) e o DNA de verde; o tratamento com ribonuclease abole a basofilia citoplasmática.

  4. Esfregaço

    Citoplasma azul nos corantes de Romanowsky indica muitos ribossomos (blastos, plasmócitos, linfócitos ativados).

  5. ME

    Grânulos densos de cerca de 20–30 nm, sem membrana; enfileirados no RER ou em espirais livres.

Pegadinhas

Grânulos basófilos grosseiros e metacromáticos são de mastócito ou basófilo (heparina), não ribossomos. Rosetas grandes na ME podem ser glicogênio. Mitocôndria tem ribossomos próprios, menores que os do citosol.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte de pâncreas exócrino corado por HE, em médio aumento, mostrando ácinos serosos formados por células piramidais com núcleo basal. O citoplasma basal apresenta intensa basofilia, atribuída ao RNA dos ribossomos aderidos ao retículo endoplasmático rugoso; o citoplasma apical é eosinófilo e contém grânulos de zimogênio. O padrão indica células especializadas na síntese de proteínas de exportação.

Para neurônios, cite os corpúsculos de Nissl; para plasmócitos, a basofilia difusa com halo de Golgi.

De onde vem o roxo do citoplasma?

Nem toda basofilia é ribossômica. O padrão (difuso, em grumos ou em grânulos) e a célula indicam a origem.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveBasofilia em cisternas paralelas
Como diferenciarÉ ribossomo + membrana; na ME, cisternas cobertas de grânulos. Livres ficam soltos no citosol.
Achado-chaveGrumos basófilos no pericário
Como diferenciarEspecíficos de neurônio; ausentes no cone de implantação do axônio.
Achado-chaveGrânulos grosseiros, metacromáticos
Como diferenciarFicam violeta-avermelhados com azul de toluidina; RNA não é metacromático.
Achado-chaveBasofilia dentro do envoltório nuclear
Como diferenciarDNA (cromatina) e RNA do nucléolo; verde de metila cora o DNA, pironina o RNA.
Achado-chaveMaterial azul-acinzentado em taça
Como diferenciarExtracelular ou em vacúolo; PAS e alcian blue positivos, não sai com ribonuclease.

A diferença entre o ribossomo bacteriano (70S) e o humano (80S) é a base de várias classes de antibióticos. Já os defeitos do ribossomo humano aparecem no sangue e na medula.

Antibióticos que atuam no ribossomo bacteriano

Esses fármacos se ligam a uma das subunidades bacterianas e poupam o ribossomo 80S. Como os ribossomos mitocondriais lembram os bacterianos, parte da toxicidade de alguns deles é atribuída a esse alvo.

Subunidade 30S

  • Aminoglicosídeos
  • Tetraciclinas

Subunidade 50S

  • Macrolídeos
  • Cloranfenicol
  • Clindamicina
  • Linezolida

80S humano × 70S bacteriano: a diferença que permite matar a bactéria sem parar a síntese proteica do paciente.

Achados ligados aos ribossomos

Pontilhado basófilo

Agregados de ribossomos em hemácias; clássico na intoxicação por chumbo e em talassemias.

Reticulocitose

Mais hemácias jovens com RNA residual: resposta medular à hemólise ou à hemorragia.

Anemia de Diamond-Blackfan

Ribossomopatia congênita (genes de proteínas ribossômicas, como RPS19): aplasia eritroide pura.

Cromatólise

Lesão do axônio dispersa os corpúsculos de Nissl; o pericário incha e o núcleo vai para a periferia.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, Morgan D, Raff M, Roberts K, Walter P. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  2. 2
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  3. 3
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  4. 4
    Livro-texto2019
    Suvarna SK, Layton C, Bancroft JD. Bancroft’s Theory and Practice of Histological Techniques. 8. ed. Elsevier; 2019.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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