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Atlas de Histologia • Tecido Nervoso

Corpúsculos de Nissl

Substância de Nissl • substância tigroide • Nissl bodies

Grumos basófilos no corpo celular e nos dendritos dos neurônios: são pilhas de retículo endoplasmático rugoso e polirribossomos. Corados por corantes básicos como o azul de toluidina, revelam o neurônio e sua intensa síntese de proteínas.

Tipo
Organela do neurônio (RER)
Onde está
Pericário e dendritos
Pista na lâmina
Grumos azuis; cone de implantação claro
Função
Síntese de proteínas
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a estrutura

Na coloração de Nissl, o neurônio motor parece “pele de tigre”: o citoplasma está cheio de manchas azuis. O que não cora é tão importante quanto o que cora — o cone de implantação do axônio fica claro.

Lâmina histológica

Figura 1. Neurônios motores do corno anterior da medula, azul de toluidina, 400x. Pericários grandes com grumos azul-violeta, núcleo claro com nucléolo evidente, dendritos com grumos e cone de implantação sem coloração.

Roteiro de observação
  1. 1
    PericárioCorpo celular grande, poligonal, com grumos azuis espalhados pelo citoplasma.
  2. 2
    NúcleoGrande, redondo, claro (eucromático), com nucléolo bem visível — aspecto de “olho de coruja”.
  3. 3
    DendritosProlongamentos que saem do pericário levando grumos de Nissl em sua porção inicial.
  4. 4
    Cone de implantaçãoRegião clara, sem grumos, de onde parte o axônio — o axônio também não tem Nissl.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Corpúsculos de Nissl = RER + polirribossomos do neurônio.
  2. Estão no pericário e nos dendritos; faltam no cone de implantação e no axônio.
  3. Corantes básicos (azul de toluidina, cresil violeta) os coram; no HE aparecem como basofilia granular.
  4. Após lesão do axônio dispersam-se: cromatólise.

O que são

Descritos por Franz Nissl no fim do século XIX, os corpúsculos são agregados de retículo endoplasmático rugoso e ribossomos livres. Refletem a enorme síntese proteica do neurônio, que precisa manter um citoplasma que pode se estender por um metro de axônio.

São maiores e mais abundantes em neurônios grandes, como os motores do corno anterior da medula e as células piramidais do córtex. Em neurônios pequenos aparecem como basofilia fina e difusa.

Por que o axônio não tem Nissl

As proteínas do axônio são produzidas no pericário e levadas pelo transporte axonal. Essa divisão de trabalho é a base de um dos critérios mais usados para separar axônio de dendrito.

Dendrito

  • Contém corpúsculos de Nissl
  • Vários por neurônio, ramificados
  • Afina à medida que se afasta

Axônio

  • Sem corpúsculos de Nissl
  • Parte do cone de implantação, claro
  • Calibre uniforme, pode ser mielinizado

A substância de Nissl em quatro vistas

A mesma organela muda de aspecto com a coloração e o estado do neurônio. Roteiro: grumos, núcleo, cone de implantação.

Azul de toluidina: neurônio motor

Corno anterior da medula, azul de toluidina, 1000x. Grumos grosseiros azul-violeta ocupando o pericário e a base dos dendritos; núcleo claro com nucléolo escuro. O cone de implantação aparece como um triângulo claro na base do axônio.

Azul de toluidina1000xNeurônio motor

Cresil violeta: córtex

Córtex cerebral corado por cresil violeta, 100–400x. Neurônios piramidais com Nissl no pericário e no dendrito apical; núcleos pequenos de glia ao redor, sem citoplasma corado. Coloração usada para estudar a citoarquitetura das camadas.

Cresil violetaCórtexCitoarquitetura

Cromatólise

Neurônio motor dias após lesão do axônio, coloração de Nissl, 400x. Pericário inchado e arredondado, núcleo deslocado para a periferia e grumos de Nissl dispersos ou ausentes no centro. É uma reação de reparo, potencialmente reversível.

NisslLesão axonalReversível

Microscopia eletrônica

Pericário em ME de transmissão. Cisternas paralelas de RER cobertas de ribossomos e muitos polirribossomos livres entre elas — exatamente o que forma cada corpúsculo de Nissl. Ao lado, complexo de Golgi e mitocôndrias.

MERERRibossomos

A lâmina típica é de medula espinal ou gânglio corada por azul de toluidina. Procure os maiores neurônios: neles os corpúsculos são grandes o suficiente para serem vistos um a um.

Aumento a aumento

  1. 40x — ache a substância cinzenta

    Na medula, a área em H ou borboleta mais corada; os cornos anteriores têm os maiores neurônios.

  2. 100x — escolha um neurônio grande

    Corpos celulares poligonais azuis, bem maiores que os núcleos de glia ao redor.

  3. 400x — grumos e núcleo

    Citoplasma salpicado de grumos azul-violeta; núcleo grande e claro, nucléolo evidente.

  4. 400x — axônio × dendrito

    Prolongamento com grumos = dendrito; região clara e cônica sem grumos = cone de implantação do axônio.

  5. No HE

    Os corpúsculos aparecem como granulação roxa (basófila) no citoplasma rosado do neurônio, menos nítida que no azul de toluidina.

Pegadinhas

Pigmento castanho-amarelado perinuclear é lipofuscina, não Nissl. Grânulos pretos em neurônios da substância negra são neuromelanina. Núcleos pequenos e escuros encostados no neurônio são de glia (satélites), não fazem parte dele.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico de substância cinzenta (corno anterior da medula espinal) corado por azul de toluidina. Observam-se neurônios multipolares grandes, de pericário poligonal, com núcleo esférico, eucromático e nucléolo evidente. O citoplasma do pericário e a porção inicial dos dendritos contêm grumos basófilos azul-violeta (corpúsculos de Nissl), ausentes no cone de implantação do axônio. Ao redor, núcleos de células da glia e neurópilo.

Nomeie a coloração e mostre o cone de implantação se ele estiver no plano de corte.

O que mais pode parecer Nissl

Basofilia citoplasmática significa RNA — e outras células ricas em RER também a têm. Pigmentos intracelulares são a outra fonte de confusão.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCitoplasma basófilo (também RER)
Como diferenciarCélula pequena, oval, núcleo excêntrico em roda de carroça e halo de Golgi; fora do tecido nervoso.
Lipofuscina
Achado-chavePigmento castanho-amarelado
Como diferenciarAcúmulo perinuclear em neurônios de idosos; massa granular compacta e amarelada, não grumos azul-violeta espalhados.
Achado-chaveNúcleos pequenos ao redor do neurônio
Como diferenciarNúcleos escuros, sem citoplasma corado, contornando o pericário em gânglios.
Achado-chaveNúcleo oval claro no neurópilo
Como diferenciarCitoplasma não visível no Nissl; precisa de GFAP ou impregnação para aparecer.

A substância de Nissl é um termômetro da saúde do neurônio: some quando ele é lesado, dispersa-se quando tenta regenerar o axônio e desaparece quando ele morre.

Quando o Nissl muda

A coloração de Nissl é usada em neuropatologia e pesquisa para contar neurônios e mapear áreas do encéfalo. Perda de neurônios com Nissl indica degeneração.

SituaçãoO que aconteceNa lâmina
Cromatólise central
O que aconteceResposta à lesão do axônio
Na lâminaPericário inchado, núcleo periférico, Nissl disperso; aumenta a síntese para regenerar o axônio.
O que aconteceLesão neuronal irreversível
Na lâminaCitoplasma hipereosinófilo sem Nissl, núcleo picnótico; 12–24 h após a isquemia.
Esclerose lateral amiotrófica
O que aconteceMorte de neurônios motores
Na lâminaCornos anteriores com poucos neurônios motores e gliose.

Nissl disperso com núcleo periférico = cromatólise (neurônio tentando regenerar); citoplasma rosa sem Nissl com núcleo picnótico = neurônio morrendo.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Artigo2019
    Suvarna SK, Layton C, Bancroft JD. Bancroft’s Theory and Practice of Histological Techniques. 8th ed. Elsevier; 2019.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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