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Complexo de Golgi

Aparelho de Golgi • dictiossomo • Golgi apparatus

Pilha de cisternas achatadas que modifica, separa e empacota as proteínas vindas do retículo endoplasmático rugoso. No HE não se vê a organela em si: em células secretoras ativas aparece como um halo claro ao lado do núcleo (imagem negativa do Golgi).

Tipo
Organela membranosa
Onde está
Perto do núcleo, junto ao RER
Pista na lâmina (HE)
Halo claro paranuclear
Função
Glicosila, separa e empacota
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a organela

O Golgi é pequeno demais para ser resolvido no HE, mas deixa uma marca: onde ele está, o citoplasma basófilo (cheio de RER) é interrompido por uma área clara. O esquema mostra a organização que só a microscopia eletrônica revela.

Lâmina histológica

Figura 1. Plasmócitos em lâmina própria, HE, 1000x. Citoplasma basófilo com área clara justanuclear (seta): imagem negativa do complexo de Golgi, o “hof”.

Roteiro de observação
  1. 1
    Escolha uma célula secretoraPlasmócito, osteoblasto ou célula acinar: muito RER, citoplasma basófilo.
  2. 2
    Ache o núcleoNo plasmócito, excêntrico, com cromatina em “roda de carroça”.
  3. 3
    Procure o haloÁrea pálida colada ao núcleo, do lado voltado para o centro da célula.
  4. 4
    InterpreteO halo não cora porque as cisternas do Golgi têm pouco RNA ribossômico.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. É uma pilha de 3 a 10 cisternas achatadas e polarizadas (dictiossomo), com face cis (entrada) e face trans (saída).
  2. Recebe proteínas do RER, termina a glicosilação, sulfata proteoglicanos e marca as enzimas lisossômicas com manose-6-fosfato.
  3. Na rede trans-Golgi as proteínas são separadas para três destinos: secreção, membrana plasmática ou lisossomos.
  4. No HE aparece como halo claro paranuclear em células secretoras; impregnação por prata ou ósmio mostra a rede escura.

O que é o complexo de Golgi

Descrito por Camillo Golgi em 1898 em neurônios impregnados por prata, o complexo é formado por cisternas membranosas achatadas, de bordas dilatadas, empilhadas e cercadas de vesículas. Cada pilha é um dictiossomo; as pilhas de uma célula se ligam em uma fita perto do centrossomo.

A pilha é polarizada: o material entra pela face cis, atravessa as cisternas mediais e sai pela face trans. Cada compartimento tem enzimas próprias, o que permite modificar as proteínas em sequência, como numa linha de montagem.

O caminho de uma proteína pelo Golgi

A via secretora liga RER, Golgi e destino final por vesículas revestidas. Saber qual capa cobre cada vesícula ajuda a entender o sentido do tráfego.

  1. RER → cis

    Vesículas revestidas por COPII levam proteínas recém-sintetizadas ao compartimento intermediário (ERGIC) e à face cis.

  2. Retorno ao RER

    Vesículas COPI devolvem proteínas residentes do retículo (sinal KDEL) e fazem o tráfego retrógrado entre cisternas.

  3. Processamento

    Remoção de manoses, adição de N-acetilglicosamina, galactose e ácido siálico; O-glicosilação; sulfatação.

  4. Triagem na TGN

    Vesículas com clatrina levam enzimas lisossômicas aos endossomos; grânulos de secreção regulada (zimogênios, hormônios) e vesículas constitutivas (colágeno, imunoglobulinas) seguem para a membrana.

O Golgi em quatro imagens

Do halo no HE à pilha de cisternas na microscopia eletrônica. Roteiro: localização em relação ao núcleo, depois a forma.

Plasmócito: o “hof” perinuclear

HE, 1000x (imersão). Núcleo excêntrico com cromatina em grumos e citoplasma intensamente basófilo, interrompido por uma área clara junto ao núcleo. Essa zona pálida é o Golgi, que processa as imunoglobulinas; a basofilia em volta é do RER.

HE1000xImagem negativa

Impregnação argêntica em neurônio

Gânglio espinal impregnado por prata ou ósmio, 1000x. Rede escura e irregular de filamentos ao redor do núcleo no pericário: o “aparelho reticular interno” descrito por Golgi. É a imagem positiva da organela ao microscópio óptico.

Prata/ósmioNeurônioImagem positiva

Microscopia eletrônica: o dictiossomo

ME de transmissão. Pilha curva de cisternas achatadas com bordas dilatadas; a face cis, convexa, olha para o RER, e a face trans, côncava, libera vesículas e grânulos. Note as pequenas vesículas de transporte nas laterais da pilha.

MECisternasFaces cis e trans

Célula caliciforme: Golgi supranuclear

Epitélio intestinal, HE ou PAS, 1000x. Entre o núcleo basal e a taça de mucina há uma região onde o Golgi glicosila as mucinas. Ao PAS, a mucina fica magenta, mostrando o produto final do processamento no Golgi.

PASMucinaGlicosilação

Em prova prática, o Golgi é reconhecido indiretamente (halo claro no HE) ou com técnicas especiais (prata, ósmio). Na eletromicrografia, pela pilha de cisternas achatadas sem ribossomos.

Aumento a aumento

  1. 100x — ache células secretoras

    Lâmina própria inflamada (plasmócitos), osso em formação (osteoblastos) ou pâncreas exócrino.

  2. 400x — basofilia citoplasmática

    Citoplasma arroxeado indica RER abundante; é nele que o halo do Golgi se destaca.

  3. 1000x — o halo

    Área clara, arredondada, encostada ao núcleo. Nos osteoblastos fica do lado oposto à superfície óssea; nos plasmócitos, ao lado do núcleo excêntrico.

  4. Técnicas especiais

    Impregnação por prata ou ósmio cora o Golgi de negro (rede perinuclear). Na imuno-histoquímica, alguns marcadores dão padrão em “ponto paranuclear”, que corresponde ao Golgi.

  5. ME

    Cisternas paralelas, curvas, sem ribossomos, com vesículas nas bordas: Golgi. Cisternas com ribossomos = RER; túbulos anastomosados lisos = REL.

Pegadinhas

Halo claro ao redor de todo o núcleo costuma ser artefato de retração, não Golgi. Vacúolos de gordura são redondos, nítidos e podem estar longe do núcleo. No HE, o Golgi não cora: quem cora é o RER em volta.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE, em grande aumento, mostrando plasmócitos no tecido conjuntivo: células ovais, de núcleo excêntrico com cromatina em grumos periféricos e citoplasma basófilo. Junto ao núcleo, nota-se área clara, não corada, correspondente à imagem negativa do complexo de Golgi (zona de Golgi ou “hof”). A basofilia do restante do citoplasma reflete o retículo endoplasmático rugoso abundante.

Em lâmina impregnada por prata, descreva a rede perinuclear enegrecida no pericário dos neurônios.

O que pode ser confundido com o Golgi

No HE, o diferencial é entre áreas claras do citoplasma; na ME, entre organelas membranosas. Localização e presença de ribossomos resolvem a maioria dos casos.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCisternas com ribossomos; citoplasma basófilo
Como diferenciarNo HE cora de roxo; o Golgi é o claro no meio dele. Na ME, o RER tem grânulos na face externa.
Achado-chaveTúbulos lisos anastomosados
Como diferenciarRede difusa, não empilhada, sem faces cis/trans; citoplasma eosinófilo.
Achado-chaveVesículas densas e redondas
Como diferenciarSão o produto do Golgi: acumulam-se no polo apical, coram (zimogênio eosinófilo).
Achado-chaveVesículas heterogêneas, conteúdo variado
Como diferenciarNa ME, corpos densos isolados, não em pilha; fosfatase ácida positiva.
Artefato de retração
Achado-chaveHalo claro ao redor de todo o núcleo
Como diferenciarCircunferencial e presente em vários tipos celulares; o halo do Golgi é de um lado só.

Falhas do Golgi aparecem quando uma etapa de glicosilação ou triagem não acontece: a proteína é fabricada, mas vai para o lugar errado ou chega sem os açúcares necessários.

Doença de célula I (mucolipidose II)

Falta a enzima que adiciona o fosfato à manose (N-acetilglicosamina-1-fosfotransferase) na face cis. Sem manose-6-fosfato, as hidrolases não são reconhecidas na TGN e saem da célula pela via constitutiva. Os lisossomos ficam vazios de enzimas e enchem-se de material não digerido (inclusões).

↑ no plasmaEnzimas lisossômicas elevadas no sangue
InclusõesFibroblastos com lisossomos cheios (“células I”)
InfânciaFácies grosseira, alterações esqueléticas e atraso

Manose-6-fosfato é o “endereço” lisossômico colocado no Golgi: sem ele, as enzimas vão para fora da célula, não para o lisossomo.

Outras situações em que o Golgi aparece

SituaçãoRelação com o GolgiO que observar
Relação com o GolgiGolgi volumoso para secretar imunoglobulinas
O que observarHof perinuclear evidente; em neoplasias, plasmócitos em lençóis.
Distúrbios congênitos da glicosilação
Relação com o GolgiDefeito de enzimas de glicosilação (RE e Golgi)
O que observarDoença multissistêmica; diagnóstico por perfil de glicosilação da transferrina, não por lâmina.
Células de Reed-Sternberg
Relação com o GolgiCD15 e CD30 com padrão de membrana e Golgi
O que observarImuno-histoquímica com reforço em ponto paranuclear no linfoma de Hodgkin clássico.
Relação com o GolgiGolgi grande para secretar osteoide
O que observarHalo claro do lado oposto ao osso, em células cuboides basófilas.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, Morgan D, Raff M, Roberts K, Walter P. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
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    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
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    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
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    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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