Astrenmed

Atlas de Histologia • Técnicas e colorações

Microscopia eletrônica

MET e MEV • transmission and scanning electron microscopy (TEM, SEM)

Usa um feixe de elétrons no lugar da luz e lentes eletromagnéticas no lugar das de vidro. Na transmissão (MET), vê o interior das células; na varredura (MEV), a superfície em relevo. É a técnica que revelou organelas, junções e membranas.

Tipo
Transmissão (MET) e varredura (MEV)
Fonte
Feixe de elétrons no vácuo
Resolução (MET)
Cerca de 1 nm em cortes
Pista na imagem
Tons de cinza: elétron-denso
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Leia uma eletromicrografia

A imagem é em tons de cinza: não há cor, há densidade aos elétrons. Estruturas que retêm os metais pesados aparecem escuras; as que deixam os elétrons passar, claras.

Lâmina histológica

Figura 1. Eletromicrografia de transmissão de célula secretora: núcleo, RER, mitocôndrias, complexo de Golgi e grânulos de secreção.

Roteiro de observação
  1. 1
    Comece pelo núcleoMaior estrutura; envoltório duplo com poros, heterocromatina escura na periferia e nucléolo denso.
  2. 2
    Membranas paralelas com pontosCisternas achatadas cravejadas de ribossomos = RER.
  3. 3
    Organelas com cristasDuas membranas, a interna pregueada: mitocôndrias.
  4. 4
    Grânulos escurosVesículas elétron-densas no polo apical: grânulos de secreção prontos para exocitose.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Elétrons têm comprimento de onda muito menor que a luz: a MET resolve cerca de 1 nm em cortes biológicos, contra 0,2 µm do microscópio óptico.
  2. A MET exige cortes ultrafinos e mostra o interior da célula; a MEV mostra a superfície em relevo.
  3. Fixação dupla: glutaraldeído (proteínas) e tetróxido de ósmio (lipídios das membranas); inclusão em resina epóxi.
  4. Imagens em tons de cinza: elétron-denso = escuro; elétron-lúcido = claro. Cores em eletromicrografias são sempre artificiais.

Por que usar elétrons

O limite de resolução depende do comprimento de onda da radiação. A luz visível não separa objetos mais próximos que cerca de 0,2 µm; um feixe de elétrons acelerados tem comprimento de onda milhares de vezes menor.

O preço é alto: os elétrons só viajam no vácuo, então a amostra precisa estar fixada, desidratada e morta. Não há MET de célula viva.

Preparo para MET

A lógica é a mesma da histologia de rotina, mas tudo é menor, mais rápido e mais delicado: fragmentos de cerca de 1 mm³ e cortes cem vezes mais finos.

  1. Fixação dupla

    Glutaraldeído estabiliza proteínas; pós-fixação em tetróxido de ósmio fixa e contrasta lipídios das membranas.

  2. Desidratação e inclusão

    Álcoois ou acetona; inclusão em resina epóxi, muito mais dura que a parafina.

  3. Corte semifino

    Cortes de cerca de 0,5–1 µm corados por azul de toluidina para escolher a área ao microscópio óptico.

  4. Corte ultrafino

    Ultramicrótomo com navalha de diamante ou vidro; cortes recolhidos em grades de cobre.

  5. Contrastação

    Acetato de uranila e citrato de chumbo aumentam a densidade eletrônica das estruturas.

Ultraestrutura em quatro imagens

Três imagens de transmissão e uma de varredura. Em cada uma, identifique primeiro as membranas e depois o que elas delimitam.

MET: plasmócito

Citoplasma tomado por cisternas paralelas de RER, Golgi claro junto ao núcleo e heterocromatina em grumos na periferia nuclear. A ultraestrutura explica o citoplasma basófilo e a "roda de carroça" vistos no HE.

METRERSíntese proteica

MET: complexo juncional

Entre duas células epiteliais, de cima para baixo: zônula de oclusão (membranas fundidas), zônula de adesão (filamentos de actina) e desmossomo (placas densas com filamentos intermediários). No microscópio óptico, tudo isso é só a "barra terminal".

METJunçõesEpitélio

MET: mitocôndrias e cristas

Mitocôndrias em corte longitudinal e transversal, com membrana externa lisa, cristas da membrana interna e matriz granulosa. Células com muitas mitocôndrias (túbulo proximal, cardiomiócito) são eosinófilas no HE.

METMitocôndria

MEV: superfície do epitélio respiratório

Vista em relevo da traqueia: tufos de cílios longos ao lado de células com microvilosidades curtas e abertura de células caliciformes. A MEV não mostra o interior, mas mostra o que a superfície tem.

MEVCílios3D

Na prova, a eletromicrografia vem impressa. Reconheça primeiro o tipo de microscopia, depois a escala, depois as organelas — sempre a partir do núcleo.

Do panorama ao detalhe

  1. MET ou MEV?

    Imagem plana, em corte, com organelas = MET. Imagem em relevo, com sombras e profundidade, sem interior visível = MEV.

  2. Olhe a barra de escala

    Barra em µm: célula inteira ou grupo de células. Barra em nm: organelas, membranas, fibrilas.

  3. Ache o núcleo

    Envoltório duplo, poros, cromatina. Sem núcleo no campo? Procure membranas e organelas pela forma.

  4. Identifique as organelas

    Cristas = mitocôndria; cisternas com ribossomos = RER; pilha curva de cisternas lisas = Golgi; vesículas densas e heterogêneas = lisossomos.

  5. Superfície e contatos

    Microvilosidades (eixo de actina), cílios (axonema 9+2), junções entre células, lâmina basal.

Pegadinhas

Cor em eletromicrografia é sempre colorização digital. "Elétron-denso" é escuro, não claro. Cílio tem axonema de microtúbulos (9+2) e é longo; microvilosidade é curta e tem actina — no corte transversal da MET a diferença é evidente.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Eletromicrografia de transmissão de célula com núcleo eucromático e nucléolo evidente. Citoplasma com abundantes cisternas paralelas de retículo endoplasmático rugoso, complexo de Golgi desenvolvido e numerosos grânulos elétron-densos no polo apical, além de mitocôndrias com cristas lamelares. Conjunto compatível com célula secretora de proteínas (ex.: célula acinar serosa).

Termine sempre relacionando a ultraestrutura à função da célula.

Estruturas que se confundem na MET

Em tons de cinza, várias organelas parecem vesículas ou membranas. A forma, o número de membranas e o conteúdo separam cada uma.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveDuas membranas; interna com cristas
Como diferenciarCristas atravessando a matriz; nenhuma outra organela tem esse padrão.
Achado-chaveCisternas paralelas com ribossomos
Como diferenciarPontos densos (ribossomos) na face citosólica; contínuo com o envoltório nuclear.
Achado-chaveTúbulos anastomosados sem ribossomos
Como diferenciarRede de túbulos e vesículas lisas; abundante em células esteroidogênicas e hepatócitos.
Achado-chavePilha curva de cisternas lisas
Como diferenciarCisternas achatadas empilhadas, faces cis e trans, vesículas nas bordas; perto do núcleo.
Achado-chaveVesículas de membrana única
Como diferenciarLisossomo: conteúdo heterogêneo. Grânulo de secreção: conteúdo homogêneo, polo apical.

Na rotina diagnóstica a MET perdeu espaço para a imuno-histoquímica, mas continua decisiva em doenças renais, ciliares e de depósito.

Onde a ME ainda decide

A MET responde quando a alteração está abaixo da resolução da luz: espessura da membrana basal, posição de depósitos, estrutura de cílios e organelas anormais.

SituaçãoO que a MET mostra
Doença de lesões mínimas (síndrome nefrótica)Apagamento difuso dos pedicelos dos podócitos, com microscopia óptica quase normal
Síndrome de AlportMembrana basal glomerular com espessamento irregular e lamelação
Glomerulonefrites por imunocomplexosLocalização dos depósitos elétron-densos (subepitelial, subendotelial, mesangial)
Discinesia ciliar primáriaDefeitos do axonema, como ausência de braços de dineína
Doenças mitocondriais e de depósitoMitocôndrias anormais; inclusões lisossômicas características

Microscópio óptico mostra que o tecido está alterado; a microscopia eletrônica muitas vezes mostra onde e como.

Técnicas derivadas

Criofratura

Tecido congelado é fraturado ao longo da bicamada lipídica: expõe proteínas integrais e junções de oclusão.

Contrastação negativa

O metal envolve partículas pequenas (vírus, macromoléculas), que aparecem claras sobre fundo escuro.

Imunomarcação com ouro

Anticorpos ligados a partículas de ouro coloidal localizam proteínas em organelas específicas.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, et al. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  4. 4
    Livro-texto2019
    Suvarna SK, Layton C, Bancroft JD. Bancroft’s Theory and Practice of Histological Techniques. 8. ed. Elsevier; 2019.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
Rolar para cima