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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Pâncreas Exócrino

Exocrine pancreas • ácinos pancreáticos

Glândula tubuloacinosa composta, puramente serosa, organizada em lóbulos. Os ácinos produzem as enzimas digestivas; as células centroacinosas e os ductos secretam bicarbonato. Entre os ácinos, ilhas claras de Langerhans formam a porção endócrina.

Tipo
Glândula tubuloacinosa serosa
Onde está
Retroperitônio, junto ao duodeno
Pista na lâmina (HE)
Ácinos bicolores + ilhotas claras
Função
Enzimas digestivas e bicarbonato
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

No HE, o pâncreas é um mosaico de ácinos muito juntos, cada um com base roxa e ápice rosa-alaranjado. As ilhotas aparecem como "ilhas" pálidas no meio do mar de ácinos — é a pista que fecha o diagnóstico da lâmina.

Lâmina histológica

Figura 1. Pâncreas, HE, 100x. Lóbulos de ácinos serosos com septos conjuntivos finos, ducto interlobular revestido por epitélio cúbico e uma ilhota de Langerhans pálida.

Roteiro de observação
  1. 1
    LóbulosSeptos conjuntivos delgados dividem o parênquima; vasos e ductos interlobulares correm neles.
  2. 2
    ÁcinosCélulas piramidais com basofilia basal (RER) e grânulos de zimogênio eosinófilos no ápice.
  3. 3
    CentroacinosasNúcleos claros e achatados no centro do ácino: início do ducto intercalar.
  4. 4
    IlhotasGrupos arredondados de células pálidas, ricos em capilares, sem lúmen: porção endócrina.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Glândula exócrina serosa pura, tubuloacinosa composta, dividida em lóbulos por septos finos.
  2. A célula acinosa é o modelo clássico de célula secretora de proteína: RER basal, Golgi supranuclear e grânulos de zimogênio apicais.
  3. As células centroacinosas são exclusivas do pâncreas e marcam o início do ducto intercalar dentro do ácino.
  4. Diferente da parótida, o pâncreas não tem ductos estriados e tem ilhotas de Langerhans.

O que é o pâncreas exócrino

É a parte do pâncreas que produz o suco pancreático: cerca de 98% do volume do órgão. Os ácinos secretam enzimas que digerem proteínas, carboidratos, lipídios e ácidos nucleicos; os ductos acrescentam água e bicarbonato que neutralizam o ácido gástrico no duodeno.

As proteases saem como pró-enzimas inativas. O tripsinogênio só vira tripsina no duodeno, pela enteropeptidase da borda em escova; a tripsina ativa as demais. A célula ainda produz um inibidor de tripsina como segunda proteção contra a autodigestão.

Como o pâncreas é estimulado

Dois hormônios do duodeno regulam a secreção, cada um agindo em uma célula diferente — par clássico de prova.

Colecistocinina (CCK)

  • Liberada pelas células I do duodeno
  • Estímulo: gordura e aminoácidos
  • Age na célula acinosa
  • Suco rico em enzimas

Secretina

  • Liberada pelas células S do duodeno
  • Estímulo: ácido no duodeno
  • Age na centroacinosa e ductos
  • Suco aquoso rico em bicarbonato

O pâncreas exócrino em quatro imagens

Roteiro: primeiro procure as ilhotas (confirma que é pâncreas), depois a polaridade do ácino e, por fim, os ductos.

Panorâmica: lóbulos e ilhota

HE, 40–100x. Parênquima compacto de ácinos roxos dividido em lóbulos por septos rosados finos. No centro, uma ilhota de Langerhans pálida, arredondada, sem cápsula verdadeira. Ducto interlobular no septo, com epitélio cúbico a cilíndrico baixo.

HE40–100xLóbulos

Ácino em grande aumento

HE, 400x. Células piramidais em torno de uma luz minúscula: base intensamente basófila (RER), núcleo redondo basal e ápice cheio de grânulos de zimogênio eosinófilos. Note as células centroacinosas, de núcleo claro e citoplasma pálido, no meio do ácino.

HE400xZimogênio

Célula acinosa na microscopia eletrônica

ME de transmissão. RER abundante em cisternas paralelas na base, Golgi supranuclear e grânulos de zimogênio eletrodensos no ápice. É a imagem clássica da via secretora regulada: RER → Golgi → grânulo → exocitose.

MERERVia secretora

Ducto interlobular

HE, 200x. Ducto no septo conjuntivo, revestido por epitélio cúbico a cilíndrico simples, com conjuntivo denso ao redor. Não há ductos estriados (sem estriação basal), diferença essencial com a parótida.

HE200xDuctos

Glândula serosa compacta + ilhotas pálidas + centroacinosas + nenhum ducto estriado = pâncreas. Comece pela panorâmica e confirme os detalhes no maior aumento.

Aumento a aumento

  1. 40x — glândula lobulada

    Parênquima denso e roxo dividido em lóbulos por septos finos. Procure as ilhas claras espalhadas: ilhotas de Langerhans.

  2. 100x — ácinos e ductos

    Ácinos todos serosos (sem células mucosas claras). Ductos interlobulares nos septos; quase não se veem ductos intralobulares.

  3. 400x — polaridade

    Base basófila, núcleo redondo basal, ápice eosinófilo granular: o ácino é "bicolor".

  4. 400x — centroacinosas

    Núcleos ovais claros dentro do ácino, sem grânulos: só o pâncreas tem.

  5. Colorações especiais

    Imuno-histoquímica (insulina, glucagon) ou aldeído-fucsina destacam as ilhotas; tripsina marca os ácinos.

Pegadinhas

Parótida também é serosa pura, mas tem ductos estriados evidentes, adipócitos entre os ácinos e nenhuma ilhota. Glândula submandibular é mista (ácinos mucosos claros e semiluas). Ilhota não tem lúmen nem ducto.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE de glândula tubuloacinosa composta, lobulada, com septos conjuntivos delgados. Os ácinos são serosos, formados por células piramidais de núcleo redondo basal, citoplasma basal basófilo e grânulos de zimogênio eosinófilos apicais; observam-se células centroacinosas no interior dos ácinos. Ductos interlobulares revestidos por epitélio cúbico simples, sem ductos estriados. Entre os ácinos, agrupamentos arredondados de células pálidas ricamente vascularizados (ilhotas de Langerhans). Diagnóstico: pâncreas.

Cite sempre as ilhotas e as centroacinosas: são as duas pistas que excluem parótida.

Glândulas serosas que confundem

Toda glândula serosa tem ácinos parecidos no HE. O que separa uma da outra é o sistema de ductos e o que existe entre os ácinos.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveSerosa pura com ductos estriados
Como diferenciarDuctos estriados eosinófilos, adipócitos no parênquima; sem ilhotas nem centroacinosas.
Achado-chaveIlhota pálida em cordões
Como diferenciarSem lúmen e sem grânulos de zimogênio; capilares fenestrados entre os cordões.
Achado-chaveCélula piramidal bicolor
Como diferenciarÉ o tipo celular; o órgão se define pelas ilhotas e pelos ductos.
Achado-chaveAlvéolos dilatados com vacúolos lipídicos
Como diferenciarLuzes amplas com secreção; células mioepiteliais; sem zimogênio.
Achado-chaveTrabéculas de hepatócitos
Como diferenciarPlacas de células poligonais entre sinusoides, espaços-porta; não há ácinos.

Quando as enzimas se ativam dentro do pâncreas, o órgão se digere; quando o ducto entope ou a secreção engrossa, a glândula atrofia e surge insuficiência exócrina.

Pancreatite aguda e crônica

Na pancreatite aguda, a ativação precoce do tripsinogênio causa necrose acinar, necrose gordurosa (saponificação do cálcio) e hemorragia; litíase biliar e álcool são as causas mais comuns. Na crônica, os ácinos são substituídos por fibrose, os ductos se dilatam com cálculos e, no fim, as ilhotas também se perdem.

≈ 98%Do volume do pâncreas é exócrino
Amilase / lipaseSobem no sangue na pancreatite aguda
EsteatorreiaSinal da insuficiência exócrina

Pró-enzimas inativas, inibidor de tripsina e ativação só no duodeno: é o que impede o pâncreas de digerir a si mesmo.

Outras doenças do pâncreas exócrino

Fibrose cística

Defeito do CFTR nos ductos: secreção espessa obstrui os ductos, ácinos atrofiam e ductos dilatam com tampões eosinófilos.

Adenocarcinoma ductal

Nasce do epitélio ductal, não dos ácinos; glândulas atípicas em estroma desmoplásico, invasão perineural frequente.

Álcool

Precipita proteínas nos ductos e favorece pancreatite aguda recorrente e crônica.

Insuficiência exócrina

Má digestão de gordura com esteatorreia e déficit de vitaminas lipossolúveis.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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