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Atestado para Atividade Física

Documento que registra que, após avaliação clínica presencial, não foram identificadas contraindicações, no momento, para a atividade física descrita — com as restrições e orientações cabíveis.

Avaliação pré-participaçãoExame presencialAtividade especificadaGerador incluído
8 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Para que serve

O atestado para atividade física registra que, após avaliação clínica presencial, não foram identificadas contraindicações, no momento, para a atividade descrita. É pedido por academias, clubes, escolas, federações e organizadores de provas.

Qualquer médico pode emiti-lo, desde que faça uma avaliação compatível com a finalidade. O primeiro passo é saber qual atividade e em que caráter: lazer, exercício regular, atividade escolar ou competição de alto desempenho.

O documento deve dizer quais atividades estão contempladas e se há restrições de intensidade, impacto, carga, movimento ou postura.

Avaliação presencial

Anamnese dirigida e exame físico são indispensáveis (Código de Ética Médica, art. 80: é vedado atestar sem ter praticado o ato).

Risco cardiovascular

Sintomas, fatores de risco, história familiar de morte súbita, pressão arterial, pulsos e ausculta cardíaca cuidadosa.

Aparelho locomotor

Queixas musculoesqueléticas, ergonomia do exercício pretendido e necessidade de restringir impacto, carga ou amplitude.

A academia pode dispensar o atestado?

A exigência de atestado para academias depende de lei estadual ou municipal e do regulamento do local. Em São Paulo, por exemplo, a Lei estadual 16.724/2018 (que alterou a Lei 10.848/2001) substituiu o atestado obrigatório por regras por faixa etária:

Faixa etáriaExigência (SP)
Menores de 15 anosAutorização por escrito dos pais ou responsável.
15 a 69 anosResponder ao PAR-Q (questionário de prontidão para atividade física). Quem responder "sim" a qualquer pergunta assina termo de responsabilidade — o ideal é procurar avaliação médica.
70 anos ou maisAtestado de aptidão para atividade física, com nome completo do médico, CRM e observações relevantes.

Regras de outros estados e municípios podem ser diferentes. Competições, clubes e escolas costumam ter exigências próprias.

Modelo de atestado

Modelo para preencher à mão

Atestado médico

Atesto, para os devidos fins, que examinei o(a) paciente nome, nascido(a) em data de nascimento, CPF CPF, nesta data.

Após avaliação médica presencial, com anamnese e exame físico, não foram identificadas, no momento da avaliação, contraindicações clínicas para a prática de atividade, intensidade/caráter.

Restrições e orientações:

Este atestado reflete exclusivamente as condições clínicas observadas no momento do exame médico.

cidade, data.

Assinatura e carimboNome do(a) médico(a) — CRM/UF

Exemplos de atividade: "musculação recreativa", "caminhada e corrida leve", "atividade física escolar", "natação recreativa", "treinamento funcional de intensidade moderada", "prática esportiva competitiva (futebol)". Use a aba Gerar documento para montar o texto.

"Após avaliação médica presencial, não foram identificadas contraindicações clínicas, no momento, para a prática da atividade física descrita."

Gerar atestado para atividade física

Especifique a atividade e as restrições; o atestado é montado ao lado.

Privacidade: o documento é montado no seu navegador. Nenhum dado é enviado ao servidor. Os dados do paciente nunca são salvos; os seus (médico) só ficam neste navegador se você deixar marcada a opção "Lembrar".

  • Emita somente após avaliação presencial (anamnese dirigida e exame físico) e registre no prontuário.
  • Descreva a atividade autorizada: evite "apto para qualquer esporte" quando a avaliação não contemplou essa finalidade.
PacienteNão é salvo em lugar nenhum.
A Res. CFM 2.381/2024 pede o CPF do paciente, quando houver.
Dados do documento
Caráter da prática
Médico(a)Pode ser lembrado neste navegador.
Aparece no topo do documento.
A Res. CFM 2.381/2024 exige contato e endereço profissional (ou residencial) em todo documento médico.

Campos em destaque ainda não foram preenchidos. Revise o texto antes de assinar: o documento é de responsabilidade de quem o emite.

Anamnese dirigida

  • Tipo de atividade: lazer, exercício regular, esporte recreativo ou competição.
  • Sintomas no esforço ou em repouso: dor torácica, palpitações, dispneia desproporcional, síncope ou pré-síncope.
  • História familiar de cardiopatia, arritmia ou morte súbita, especialmente antes dos 50 anos; cardiomiopatia hipertrófica, canalopatias, síndrome de Marfan.
  • Fatores de risco cardiovascular: hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade, tabagismo.
  • Procedência de área endêmica para doença de Chagas.
  • Uso de anabolizantes, termogênicos, suplementos, álcool, drogas ilícitas, AINE, anti-hipertensivos e automedicação.
  • Problemas ósseos, articulares ou lesões prévias.
Perguntas úteis de triagem (inspiradas no PAR-Q)
  1. Algum médico já disse que você tem problema cardíaco?
  2. Sente dor ou desconforto no peito ao se exercitar ou em repouso?
  3. Já desmaiou ou quase desmaiou durante esforço? Tem tonturas que tiram o equilíbrio?
  4. Tem palpitações, falhas ou disparadas do coração?
  5. Há casos de cardiopatia, arritmia ou morte súbita na família?
  6. Usa medicamentos para pressão ou para o coração?
  7. Tem algum problema ósseo ou articular que piore com exercício?
  8. Conhece algum outro motivo para não fazer atividade física?

Exame físico

  • Pressão arterial, de preferência nos dois membros superiores.
  • Pulsos periféricos (incluindo femorais, para coarctação).
  • Ausculta cardíaca minuciosa: sopros (especialmente os que aumentam com Valsalva), arritmias, B3/B4.
  • Sinais de síndrome metabólica e estigmas de Marfan.
  • Avaliação osteoarticular dirigida ao exercício pretendido.

Intensidade e exames complementares

Leve

Abaixo de 3 METs.

Moderada

Entre 3 e 6 METs.

Intensa

Acima de 6 METs.

Eletrocardiograma de repouso: a diretriz brasileira de cardiologia do esporte (SBC/SBMEE, 2019) inclui o ECG de 12 derivações na avaliação pré-participação de quem vai iniciar prática esportiva regular, embora o tema seja controverso em outras recomendações internacionais. Alterações no ECG, sintomas ou achados anormais no exame pedem investigação antes da liberação.

Teste ergométrico: reservado a subgrupos de maior risco — sintomáticos, pessoas com alto risco cardiovascular (por exemplo, acima de 35 anos ou com dois ou mais fatores de risco para aterosclerose) e praticantes de atividade de alto desempenho.

Não libere antes de investigar

Síncope ao esforço, dor torácica, sopro sugestivo de cardiomiopatia hipertrófica, história familiar de morte súbita precoce ou ECG alterado exigem investigação (ecocardiograma, Holter, teste ergométrico, avaliação do cardiologista) antes de qualquer atestado.

Cuidados no documento

  • Emitir sem avaliação presencial.
  • Usar termos amplos como "apto para qualquer esporte" ou "totalmente saudável".
  • Incluir diagnóstico ou CID sem pedido e concordância do paciente (Res. CFM 2.381/2024).
  • Especificar a atividade e o caráter (recreativo, escolar, competitivo).
  • Registrar restrições de intensidade, impacto, carga ou movimento.
  • Incluir nome e CPF do paciente, data, nome, CRM/UF (RQE se houver), assinatura, endereço e contato do médico.
  • Registrar a avaliação e os exames no prontuário.

Referências bibliográficas

Base ética e técnica para o atestado e para a avaliação pré-participação em atividade física.

  1. 1
    Livro/artigo2019
    GHORAYEB, N. et al. Atualização da Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte — 2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 112, n. 3, p. 326-368, 2019.
  2. 2
    Norma2018
    SÃO PAULO (Estado). Lei nº 16.724, de 22 de maio de 2018. Altera a Lei nº 10.848/2001 (PAR-Q e atestado para maiores de 70 anos em academias). Disponível em: al.sp.gov.br.
  3. 3
    Norma2024
    CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.381/2024. Normatiza a emissão de documentos médicos. Diário Oficial da União, 2 jul. 2024.
  4. 4
    Norma2019
    CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.217/2018 (Código de Ética Médica). Brasília: CFM, 2019.
  5. 5
    Norma2021
    CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.299/2021. Regulamenta a emissão de documentos médicos eletrônicos. Diário Oficial da União, 26 out. 2021.
  6. 6
    Norma2024
    CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 1.658/2002 — revogada pela Res. CFM nº 2.381/2024 (referência histórica).
  7. 7
    Livro/artigo2007
    MARON, B. J. et al. Recommendations and considerations related to preparticipation screening for cardiovascular abnormalities in competitive athletes: 2007 update. Circulation, v. 115, n. 12, p. 1643-1655, 2007 (American Heart Association).
  8. 8
    Livro/artigo
    AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. ACSM's Guidelines for Exercise Testing and Prescription. Philadelphia: Wolters Kluwer.
  9. 9
    Livro/artigo
    WARBURTON, D. E. R. et al. PAR-Q+: The Physical Activity Readiness Questionnaire for Everyone. Canadian Society for Exercise Physiology / PAR-Q+ Collaboration.
  10. 10
    Documento oficial2013
    CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Atestado médico: prática e ética. São Paulo: Cremesp, 2013.

Aviso

O documento médico deve ser emitido após avaliação do paciente, refletir apenas o que foi constatado, respeitar o sigilo profissional e ser registrado no prontuário.

Finalidade educacional

Conteúdo educacional. Adapte à avaliação clínica, à legislação vigente, às normas do CFM/CRM e aos fluxos do seu serviço e município. Confira sempre a versão atual das normas citadas.

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