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Atlas de Oftalmologia • Conjuntiva

Conjuntivite papilar

Reação papilar • conjuntivite papilar gigante (CPG) • GPC

Inflamação conjuntival em que a conjuntiva tarsal forma papilas — elevações com um vaso central. O exemplo clássico é a conjuntivite papilar gigante do usuário de lente de contato, uma reação mecânica e imunológica a um corpo estranho. Reconhecer o padrão papilar e eversão da pálpebra superior são a chave do diagnóstico.

Conjuntiva tarsalLente de contatoPapilasAntialérgico tópico
13–16 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Conjuntiva tarsal superior evertida com papilas gigantes em "pedras de calçamento". Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Papilas na conjuntiva tarsal superior (eversão da pálpebra)
  2. 2
    Papilas gigantes (≥ 1 mm) em "pedras de calçamento" nos casos avançados
  3. 3
    Muco filamentoso
  4. 4
    Hiperemia e espessamento da conjuntiva tarsal
  5. 5
    Depósitos e deslocamento superior da lente de contato
  6. 6
    Topos das papilas corados por fluoresceína nos casos ativos

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Papila = elevação conjuntival com vaso central; é uma reação inespecífica a inflamação crônica.
  2. Conjuntivite papilar gigante: papilas ≥ 1 mm na tarsal superior, ligadas a lente de contato, prótese ou sutura.
  3. Sintomas: prurido, muco e intolerância à lente; o olho pode parecer pouco inflamado.
  4. Tratamento: remover o estímulo + antialérgico tópico; corticoide curto se intensa.

Papila × folículo

Distinguir papila de folículo direciona o diagnóstico de qualquer conjuntivite crônica. A papila é vascular (vaso no centro) e aponta para alergia ou irritação mecânica; o folículo é linfoide (vasos ao redor) e aponta para vírus, clamídia ou toxicidade a colírios.

Papila

  • Vaso central que se ramifica no topo
  • Poligonal, "mosaico"
  • Tarsal superior
  • Alergia, lente de contato, blefarite, bacteriana

Folículo

  • Avascular no centro; vasos na base
  • Redondo, translúcido, "grão de arroz"
  • Fórnice e tarsal inferior
  • Adenovírus, clamídia, toxicidade, molusco

Papila tem vaso no centro; folículo tem vasos em volta.

Causas de reação papilar

Lente de contato

Causa mais comum de papilas gigantes; mais com lentes gelatinosas de troca planejada longa.

Prótese ocular

Superfície irregular e depósitos.

Sutura exposta

Nylon de ceratoplastia ou catarata, faixa escleral, bolha filtrante.

Alergia

Conjuntivite alérgica, ceratoconjuntivite vernal e atópica.

Infecção bacteriana

Reação papilar fina com secreção purulenta.

Blefarite / floppy eyelid

Irritação crônica da tarsal superior.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Início meses a anos após o começo do uso da lente.
  2. Sintomas precedem os sinais: prurido e muco antes de papilas visíveis.
  3. Allansmith descreveu 4 estágios, de sintomas leves a intolerância total.
  4. A córnea costuma ser poupada (diferente da vernal).

Sinais e sintomas

A combinação de trauma mecânico repetido (borda da lente a cada piscar) e depósitos proteicos na lente desencadeia hipersensibilidade tipo I e tipo IV, com mastócitos, eosinófilos e basófilos na conjuntiva.

Prurido

Leve a moderado; piora ao remover a lente.

Muco

Filamentoso, matinal.

Lente instável

Sobe com o piscar; depósitos; visão borrada.

Hiperemia

Discreta a moderada.

Ptose leve

Por espessamento da tarsal superior em casos crônicos.

Uso prolongado

Mais horas por dia = mais risco.

Estágios (Allansmith)

EstágioSintomasSinais
1 — pré-clínicoMuco matinal, prurido leveTarsal quase normal; papilas finas
2 — levePrurido, muco, leve embaçamentoPapilas maiores, hiperemia, depósitos na lente
3 — moderadoIntolerância progressivaPapilas grandes (≥ 1 mm), lente desloca
4 — graveIncapaz de usar a lentePapilas gigantes, topos corados, muco abundante

Allansmith MR et al., 1977. Há outras escalas (ex.: CCLRU/Efron) usadas em contatologia.

CPG × ceratoconjuntivite vernal × atópica

Papilar giganteVernalAtópica
QuemUsuário de lente/prótese, qualquer idadeMeninos, 5–15 anos, clima quenteAdultos com dermatite atópica
PruridoLeve a moderadoIntensoIntenso, perene
PapilasTarsal superiorTarsal superior gigante e/ou limbar (Horner-Trantas)Tarsal inferior mais; cicatrização
CórneaPoupadaCeratite puntata, úlcera em escudoCeratite, neovascularização, ceratocone, herpes
ResoluçãoRemover estímuloMelhora na puberdadeCrônica

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Clínico: história de lente/prótese/sutura + eversão da pálpebra superior.
  2. Fluoresceína realça as papilas e mostra a córnea.
  3. Examine também a lente de contato (depósitos, rasgos, adaptação).

Exame

  1. História

    Tipo de lente, frequência de troca, horas de uso, solução de limpeza, dormir com a lente; prótese; cirurgias com sutura; atopia.

  2. Lente no olho

    Movimento, centralização, depósitos.

  3. Eversão da pálpebra superior

    Tamanho e distribuição das papilas (zonas 1 a 3 da tarsal); muco.

  4. Fluoresceína

    Topos corados = atividade; córnea (úlcera em escudo sugere vernal).

  5. Pálpebra inferior e limbo

    Pontos de Horner-Trantas, folículos.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chavePrurido + quemose, papilas finas
Como diferenciarSazonal, rinite; sem lente.
Ceratoconjuntivite vernal
Achado-chaveCriança, papilas gigantes, Trantas
Como diferenciarPrurido intenso; úlcera em escudo.
Achado-chaveFolículos, linfonodo pré-auricular
Como diferenciarVasos ao redor da elevação.
Achado-chaveSecreção purulenta
Como diferenciarAguda, olho colado.
Síndrome da pálpebra frouxa
Achado-chavePálpebra superior everte fácil
Como diferenciarObesidade, apneia do sono; papilas unilaterais do lado em que dorme.

Galeria oftalmológica

Em cada imagem, identifique o vaso central das papilas, estime o tamanho (≥ 1 mm = gigante) e procure muco.

Papilas gigantes

Tarsal superior evertida com papilas poligonais grandes, achatadas no topo, em "pedras de calçamento". Compare o tamanho com a espessura da margem palpebral.

GigantesTarsal superiorEversão

Papilas com fluoresceína

Topos corados (luz azul cobalto) indicam atividade inflamatória. Use para graduar e acompanhar a resposta.

FluoresceínaAtividadeSeguimento

Reação papilar fina

Aspecto aveludado da tarsal, com pequenas papilas e vasos centrais — fase inicial ou reação inespecífica (alérgica, bacteriana).

Papilas finasInicialVaso central

Lente com depósitos

Lente gelatinosa com depósitos proteicos — o antígeno que alimenta a reação. Trocar para descarte diário reduz a recidiva.

Lente de contatoDepósitosCausa

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Remover ou modificar o estímulo: pausa de 2–4 semanas da lente, troca para descarte diário, revisão da prótese, retirada da sutura.
  2. Antialérgico de dupla ação (olopatadina, cetotifeno) é a base do tratamento clínico.
  3. Corticoide tópico (loteprednol) por curto período nos casos moderados a graves.
  4. Voltar à lente só após os sintomas cederem; reduzir as horas de uso.

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário clínico. O nome do medicamento abre a ficha. Não usar colírio com a lente no olho, salvo orientação específica.

Manejo da lente e do estímulo

  • Suspender a lente por 2–4 semanas nos casos moderados a graves.
  • Trocar para lente de descarte diário (ou rígida gás-permeável).
  • Reduzir as horas de uso; não dormir com a lente.
  • Solução de limpeza com peróxido ou sistemas sem conservantes.
  • Prótese ocular: polimento e limpeza regulares; retirar suturas expostas.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Diretriz2019
    Varu DM, Rhee MK, Akpek EK, et al. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2019;126(1):P94–P169.
  2. 2
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  3. 3
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  4. 4
    Artigo1977
    Allansmith MR, Korb DR, Greiner JV, et al. Giant papillary conjunctivitis in contact lens wearers. Am J Ophthalmol. 1977;83(5):697–708.
  5. 5
    Artigo1994
    Donshik PC. Giant papillary conjunctivitis. Trans Am Ophthalmol Soc. 1994;92:687–744.
  6. 6
    Revisão online2023
    StatPearls. Giant Papillary Conjunctivitis. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Doses conforme bulas e diretrizes; disponibilidade das apresentações varia no Brasil.

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