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Atlas de Oftalmologia • Conjuntiva

Conjuntivite alérgica

Alergia ocular • ceratoconjuntivite primaveril e atópica • allergic conjunctivitis

Inflamação da conjuntiva por hipersensibilidade a alérgenos. O sintoma que define o quadro é o prurido, bilateral, com lacrimejamento, hiperemia, quemose e papilas. As formas sazonal e perene são benignas e muito comuns; as formas primaveril e atópica são crônicas e podem lesar a córnea e a visão.

ConjuntivaHipersensibilidadeSazonal ou pereneAnti-histamínico tópico
16–20 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Conjuntivite alérgica: hiperemia, quemose gelatinosa e edema palpebral, bilaterais, com lacrimejamento. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Prurido ocular bilateral
  2. 2
    Hiperemia e quemose (edema conjuntival)
  3. 3
    Secreção aquosa ou mucosa em fios
  4. 4
    Reação papilar na conjuntiva tarsal
  5. 5
    Edema palpebral, "olheiras alérgicas" e linhas de Dennie-Morgan
  6. 6
    Formas graves: papilas gigantes, pontos de Horner-Trantas, úlcera em escudo

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Hipersensibilidade da conjuntiva a alérgenos; prurido bilateral é a marca.
  2. Formas: sazonal, perene, primaveril (vernal), atópica e papilar gigante.
  3. Sazonal/perene: benignas; primaveril/atópica: crônicas, ameaçam a córnea.
  4. Tratamento: evitar alérgeno, colírio de ação dupla; corticoide só em crises.

O que é conjuntivite alérgica

É a forma mais comum de alergia ocular e frequentemente acompanha a rinite alérgica (rinoconjuntivite). Pólens causam a forma sazonal; ácaros, pelos de animais e fungos, a perene. As duas são reações de hipersensibilidade tipo I, mediadas por IgE.

A ceratoconjuntivite primaveril (vernal) e a atópica são doenças diferentes: crônicas, com inflamação mista e risco real para a córnea. A conjuntivite papilar gigante é induzida por corpo estranho, como lente de contato, prótese ou fio de sutura.

Prurido bilateral é o sintoma que separa alergia de infecção. Coçar os olhos piora a inflamação e, a longo prazo, associa-se ao ceratocone.

Fisiopatologia em duas fases

Na fase imediata, a degranulação dos mastócitos libera histamina, triptase e prostaglandinas. Horas depois, a fase tardia recruta eosinófilos e linfócitos. Isso explica por que anti-histamínicos aliviam rápido, mas estabilizadores de mastócitos precisam de uso regular para prevenir.

  1. Sensibilização

    IgE específica fixa-se aos mastócitos.

  2. Reexposição

    Alérgeno liga duas IgE vizinhas.

  3. Fase imediata

    Histamina: prurido, hiperemia, edema.

  4. Fase tardia

    Eosinófilos e Th2: inflamação crônica.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Sazonal e perene: prurido, quemose, papilas finas; sem lesão corneana.
  2. Primaveril: meninos, clima quente, papilas gigantes, Trantas, úlcera em escudo.
  3. Atópica: adultos com dermatite atópica, eczema palpebral, cicatriz e ceratite.
  4. Papilar gigante: lente de contato ou prótese; papilas > 1 mm no tarso superior.

Sinais e sintomas

Os sintomas são simétricos e flutuam com a exposição. Ao exame, a conjuntiva parece "inchada" mais do que vermelha.

Prurido

Bilateral, piora ao coçar.

Lacrimejamento

Secreção aquosa; mucosa em fios na primaveril.

Quemose

Edema gelatinoso da conjuntiva bulbar.

Papilas

Conjuntiva tarsal aveludada; gigantes nas formas crônicas.

Edema palpebral

Olheiras alérgicas, prega de Dennie-Morgan.

Fotofobia

Sinal de envolvimento corneano (primaveril/atópica).

As formas de alergia ocular

FormaQuemAchadosGravidade
SazonalQualquer idade; rinite polínicaPrurido, quemose, papilas finas; épocas do anoLeve; sem sequelas
PereneÁcaros, pelos, fungosSintomas o ano todo, mais brandosLeve
Primaveril (vernal)Meninos 5–15 anos, clima quentePapilas gigantes "em pedra de calçamento", Trantas, úlcera em escudoPode ameaçar a visão
AtópicaAdultos com dermatite atópicaEczema palpebral, cicatriz conjuntival, ceratite, catarata atópicaCrônica e grave
Papilar giganteLente de contato, prótese, suturaPapilas > 1 mm no tarso superior, intolerância à lenteModerada; reversível

Ceratoconjuntivite primaveril

Doença de crianças e adolescentes, mais em meninos e em climas quentes, com piora na primavera e no verão. A forma tarsal tem papilas gigantes no tarso superior; a límbica tem nódulos gelatinosos no limbo com pontos brancos de Horner-Trantas (agregados de eosinófilos). Costuma regredir após a puberdade.

Forma tarsal

Papilas em pedra de calçamento

Tarso superior evertido com papilas grandes, achatadas no topo, poligonais, com muco entre elas.

Forma límbica

Pontos de Horner-Trantas

Nódulos gelatinosos límbicos com pontos brancos de eosinófilos, mais no limbo superior.

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico: prurido + papilas + atopia.
  2. Sempre everter a pálpebra superior e corar a córnea com fluoresceína.
  3. Teste cutâneo ou IgE específica quando identificar o alérgeno muda a conduta.
  4. Medir a PIO em quem usa corticoide.

Avaliação clínica

  1. História

    Prurido, sazonalidade, ambientes, animais, rinite, asma, eczema; uso de colírios e lentes; hábito de coçar.

  2. Pálpebras e pele

    Eczema, prega de Dennie-Morgan, blefarite.

  3. Conjuntiva

    Quemose, papilas (everter o tarso superior), Trantas no limbo, cicatriz/simbléfaro (atópica).

  4. Córnea

    Fluoresceína: ceratite puntata superior, úlcera em escudo, neovascularização; topografia se coçar muito (ceratocone).

  5. PIO e cristalino

    Em usuários de corticoide e na forma atópica.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveAquosa, folículos, linfonodo
Como diferenciarPouco prurido; contato com caso; unilateral no início.
Achado-chaveSecreção purulenta
Como diferenciarOlho colado; sem prurido dominante.
Achado-chaveArdor, areia, crostas
Como diferenciarBorda palpebral alterada; prurido leve na base dos cílios.
Achado-chaveEczema palpebral após colírio/cosmético
Como diferenciarReação tipo IV; surge dias após novo produto.
Achado-chavePapilas no tarso superior em usuário de lente
Como diferenciarMelhora ao suspender ou trocar a lente.
Conjuntivite tóxica medicamentosa
Achado-chaveUso crônico de colírios
Como diferenciarFolículos/papilas; melhora ao suspender conservantes.

Galeria oftalmológica

Observe quemose, papilas, limbo e córnea. As formas graves só aparecem quando a pálpebra superior é evertida.

Conjuntivite alérgica sazonal

Hiperemia leve, quemose gelatinosa e lacrimejamento, bilaterais, em paciente com espirros na primavera. Repare que a conjuntiva parece mais inchada que vermelha.

SazonalQuemoseBilateral

Papilas gigantes no tarso superior

Tarso evertido com papilas grandes e achatadas, com muco aderido — forma tarsal da primaveril. Na conjuntivite papilar gigante por lente, o aspecto é parecido.

PrimaverilTarso superiorPapilas

Úlcera em escudo

Úlcera oval, rasa, no terço superior da córnea, com placa de muco e fibrina na base. Exige tratamento intensivo pelo oftalmologista.

PrimaverilCórneaUrgência

Ceratoconjuntivite atópica

Adulto com eczema e espessamento das pálpebras, conjuntiva pálida com cicatriz e córnea com ceratite. Doença crônica, associada a dermatite atópica.

AtópicaEczemaCrônica

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Evitar o alérgeno; compressas frias e lágrima artificial gelada.
  2. Base: colírio de ação dupla (olopatadina, cetotifeno, epinastina).
  3. Corticoide tópico em curso curto para crises; vigiar a PIO.
  4. Primaveril/atópica: ciclosporina ou tacrolimo para poupar corticoide.

Medidas gerais

  • Evitar coçar os olhos; compressas frias aliviam o prurido.
  • Lágrima artificial gelada dilui e remove alérgenos.
  • Controle ambiental: ácaros (capas, lavagem de roupa de cama), janelas fechadas na estação do pólen.
  • Óculos de sol ou de proteção ao ar livre.
  • Evitar colírios vasoconstritores (nafazolina) por uso prolongado: efeito rebote.

Rotas de tratamento

Cada rota é um cenário. Doses de bula e do AAO PPP 2023; o nome do medicamento abre a ficha.

Em 30 segundos

O essencial de complicações

  1. Úlcera em escudo e cicatriz corneana na primaveril.
  2. Ceratocone associado ao hábito de coçar os olhos.
  3. Atópica: catarata, cicatriz conjuntival, ceratite herpética.
  4. Corticoide prolongado: glaucoma e catarata.

O que vigiar

ComplicaçãoQuemPistaConduta
Úlcera em escudoPrimaverilFotofobia, dor, úlcera oval superiorCorticoide + antibiótico profilático; desbridar placa
CeratoconeQuem coça muitoAstigmatismo progressivoTopografia; parar de coçar; crosslinking
Cicatriz e simbléfaroAtópicaEncurtamento do fórniceControle da inflamação
Hipertensão ocularUsuário de corticoidePIO elevadaReduzir corticoide; hipotensor
Ceratite herpéticaAtópicaDendritoAntiviral

Referências bibliográficas

  1. 1
    Diretriz2024
    Cheung AY, Choi DS, Ahmad S, et al.; American Academy of Ophthalmology Preferred Practice Pattern Cornea/External Disease Panel. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2024;131(4):P134–P204. doi:10.1016/j.ophtha.2023.12.037.
  2. 2
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. BCSC Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  3. 3
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  4. 4
    Artigo2012
    Leonardi A, Bogacka E, Fauquert JL, et al. Ocular allergy: recognizing and diagnosing hypersensitivity disorders of the ocular surface. Allergy. 2012;67(11):1327–1337.
  5. 5
    Artigo2019
    Leonardi A, Doan S, Amrane M, et al. A randomized, controlled trial of cyclosporine A cationic emulsion in pediatric vernal keratoconjunctivitis: the VEKTIS study. Ophthalmology. 2019;126(5):671–681.
  6. 6
    Diretriz2015
    Gomes JAP, Tan D, Rapuano CJ, et al. Global consensus on keratoconus and ectatic diseases. Cornea. 2015;34(4):359–369.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Corticoides e imunomoduladores tópicos devem ser usados com acompanhamento oftalmológico.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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