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Atlas de Oftalmologia • Esclera

Melanose escleral

Manchas cinza-azuladas ou ardósia na episclera e na esclera, presentes desde o nascimento, por excesso de melanócitos profundos — a melanocitose ocular (melanosis oculi). Quando a pele da face também é pigmentada, chama-se melanocitose oculodérmica ou nevo de Ota. É benigna, mas aumenta o risco de melanoma uveal e de glaucoma: exige seguimento por toda a vida.

Tipo
Lesão pigmentar congênita
Estrutura
Episclera e esclera (± úvea)
Mecanismo
Melanócitos dérmicos profundos
Pista no exame
Não se move com a conjuntiva
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

O pigmento está abaixo da conjuntiva, na episclera e na esclera. Por isso a cor é cinza-azulada (pigmento profundo visto através de tecido) e as manchas não deslizam quando se move a conjuntiva com um cotonete.

Imagem clínica

Figura 1. Melanocitose ocular: placas cinza-ardósia irregulares na esclera de um olho, com íris do mesmo lado mais escura. Compare com o olho contralateral.

Roteiro de observação
  1. 1
    CorCinza-azulada ou ardósia (profunda) × marrom (conjuntival).
  2. 2
    MobilidadeCom anestésico e cotonete: a conjuntiva desliza sobre o pigmento, que fica.
  3. 3
    LateralidadeEm geral unilateral; compare a íris (heterocromia) e o fundo de olho dos dois lados.
  4. 4
    PeleMancha azul-acinzentada na pálpebra, fronte ou malar do mesmo lado = nevo de Ota.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Congênita, geralmente unilateral; mais comum em pessoas de ascendência asiática e africana.
  2. Pigmento profundo: cinza-azulado e fixo (não acompanha a conjuntiva).
  3. Risco de melanoma uveal aumentado — estimado em cerca de 1 em 400 ao longo da vida em brancos.
  4. Seguimento anual por toda a vida: fundo de olho dilatado, PIO e gonioscopia.

O que é

Durante o desenvolvimento, melanócitos migram da crista neural para a pele e o olho. Na melanocitose, um número aumentado deles fica retido em camadas profundas — episclera, esclera e úvea —, criando a pigmentação congênita. Pode haver pigmentação também da órbita, das meninges e do palato.

Embora benigna, a melanocitose é um fator de risco reconhecido para melanoma de úvea (íris, corpo ciliar ou coroide) e para glaucoma, provavelmente por pigmento no ângulo. O termo "melanose escleral" é usado na prática para esse achado; "melanose" conjuntival adquirida é outra doença.

Pigmento cinza-azulado, fixo e congênito na esclera = melanocitose ocular. Benigna, mas com exame de fundo anual por toda a vida.

Melanose escleral ou pigmento conjuntival?

A pergunta-chave é a profundidade: pigmento conjuntival é marrom e se move com a conjuntiva; pigmento escleral é cinza-azulado e fixo.

Melanocitose ocular (escleral)

  • Congênita
  • Cinza-azulada, ardósia
  • Fixa (não se move)
  • Geralmente unilateral
  • Risco de melanoma UVEAL

Melanose conjuntival (PAM)

  • Adquirida, meia-idade
  • Marrom, plana, difusa
  • Move-se com a conjuntiva
  • Unilateral
  • Risco de melanoma CONJUNTIVAL (se atipia)

Apresentações da melanocitose

Em cada imagem, verifique a cor (cinza-azulada), a profundidade do pigmento e os sinais associados: íris, pele e fundo de olho do mesmo lado.

Melanocitose ocular isolada

Placas cinza-ardósia irregulares na esclera temporal e nasal de um olho, sob conjuntiva normal. Não há lesão de pele. Compare com o olho contralateral, de esclera branca.

UnilateralArdósiaProfundo

Nevo de Ota (oculodérmica)

Mancha azul-acinzentada na pele da pálpebra e da região malar, do mesmo lado da pigmentação escleral. Mais comum em mulheres de ascendência asiática.

Nevo de OtaPele + olho

Heterocromia hipercrômica

A íris do olho afetado é mais escura e pode ter aspecto aveludado ou mamilado. A heterocromia reforça o diagnóstico e lembra que a úvea também está envolvida.

ÍrisHeterocromia

Fundo de olho mais pigmentado

Coroide de tom mais escuro no olho afetado em comparação com o outro. O exame anual procura qualquer lesão elevada, com fluido sub-retiniano ou pigmento laranja (sinais de melanoma).

CoroideSeguimento

Defina a profundidade do pigmento, examine a pele da face e faça fundo de olho dilatado e gonioscopia.

Exame passo a passo

  1. História

    Presente desde o nascimento ou infância? Adquirida na vida adulta sugere outra causa (melanose conjuntival, fármacos).

  2. Teste da mobilidade

    Anestésico tópico e cotonete: deslocar a conjuntiva sobre a mancha.

  3. Pele e mucosas

    Pálpebras, fronte, malar, palato e mucosa nasal do mesmo lado.

  4. Íris e ângulo

    Heterocromia; gonioscopia (pigmento no trabeculado); PIO.

  5. Fundo de olho dilatado

    Comparar a pigmentação coroidea; procurar nevo ou massa; retinografia e ultrassom de base.

Como registrar

Modelo de registro

OE: placas de pigmentação cinza-azulada na episclera/esclera nasal e temporal, fixas ao deslocamento da conjuntiva, presentes desde a infância. Íris OE mais escura que OD. Pele periocular sem pigmentação. PIO 15/16 mmHg; gonioscopia com pigmentação trabecular maior em OE. Fundo: coroide mais pigmentada em OE, sem lesões elevadas. Impressão: melanocitose ocular OE. Retinografia de base; reavaliação anual.

Documente com fotos externas e retinografia para comparar ao longo dos anos.

Causas de pigmentação escura na esclera

Nem toda mancha escura na esclera é melanocitose. Algumas são pigmento conjuntival, outras são úvea vista através de esclera fina, e outras, depósitos metabólicos ou medicamentosos.

Melanocitose ocular / oculodérmica

Congênita, cinza-azulada, fixa; risco de melanoma uveal e glaucoma.

Melanose conjuntival racial (fisiológica)

Pigmento marrom perilímbico, bilateral, em peles mais escuras; move-se com a conjuntiva; benigna.

Melanose adquirida primária (PAM)

Marrom, adquirida, unilateral, conjuntival; com atipia, precursora de melanoma conjuntival.

Alça nervosa de Axenfeld

Ponto pigmentado a 3–4 mm do limbo, onde um nervo ciliar atravessa a esclera; às vezes doloroso ao toque.

Ocronose (alcaptonúria)

Pigmento marrom-escuro na esclera na inserção dos retos horizontais; urina que escurece; artropatia.

Fármacos

Minociclina (cinza-azulada), adrenocromo de colírios de adrenalina (depósitos negros conjuntivais).

Úvea através de esclera fina

Escleromalácia, estafiloma, placas hialinas, esclera azul.

Melanoma com extensão extraescleral

Massa pigmentada episcleral com vaso sentinela; nódulo, não mancha plana.

Diferencial à beira do leito

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Melanocitose ocular
Achado-chaveCinza-azulada, fixa, congênita
Como diferenciarNão se move com a conjuntiva; heterocromia; fundo mais pigmentado.
Achado-chaveLesão pigmentada elevada, cistos
Como diferenciarConjuntival, móvel, bem delimitada.
Achado-chaveLesão nodular pigmentada, vasos nutridores
Como diferenciarCrescimento; biópsia excisional.
Achado-chaveMassa coroidea elevada
Como diferenciarUltrassom (baixa refletividade interna); fluido sub-retiniano, pigmento laranja.
Achado-chaveTom azulado difuso e simétrico
Como diferenciarDifusa e bilateral; doença do colágeno.

A melanocitose não se trata — acompanha-se. O objetivo é detectar cedo melanoma uveal e glaucoma.

Seguimento

O quêComo
Fundo de olho dilatadoAnual, por toda a vida; retinografia de base para comparação.
PIO e gonioscopiaAnual; campo visual e OCT do nervo se houver suspeita de glaucoma.
Lesão uveal suspeitaUltrassom e encaminhamento a oncologia ocular.
Pele (nevo de Ota)Avaliação dermatológica; laser para fins estéticos quando desejado.

Orientar o paciente a procurar o oftalmologista se notar baixa visual, sombra no campo visual, flashes ou mudança na pigmentação do olho.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Artigo1998
    Singh AD, De Potter P, Fijal BA, Shields CL, Shields JA, Elston RC. Lifetime prevalence of uveal melanoma in white patients with oculo(dermal) melanocytosis. Ophthalmology. 1998;105(1):195–198.
  2. 2
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 4: Ophthalmic Pathology and Intraocular Tumors. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  3. 3
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  4. 4
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  5. 5
    Livro-texto2016
    Shields JA, Shields CL. Eyelid, Conjunctival, and Orbital Tumors: An Atlas and Textbook. 3. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2016.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas MedFoco de Oftalmologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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