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Atlas de Oftalmologia • Pálpebras

Papiloma palpebral

Papiloma escamoso • acrocórdon (pólipo fibroepitelial) • verruga palpebral

Lesão benigna exofítica, da cor da pele, pediculada ou séssil, com superfície em projeções digitiformes ("couve-flor") e um eixo fibrovascular em cada projeção. É a lesão benigna mais comum da pálpebra. Nem toda lesão "verrucosa", porém, é benigna: crescimento rápido, ulceração e madarose pedem biópsia.

Tipo
Tumor epitelial benigno
Estrutura
Epiderme da pálpebra/margem
Mecanismo
Hiperplasia epitelial; HPV em verrugas
Pista no exame
Pontos vasculares centrais
7–9 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

O papiloma tem uma arquitetura típica: projeções em forma de dedo, cada uma com um vaso central. Na lâmpada de fenda, isso aparece como pequenos pontos vermelhos dentro de cada lóbulo.

Imagem clínica

Figura 1. Papiloma escamoso pediculado na margem palpebral inferior: lesão da cor da pele, superfície lobulada, base estreita.

Roteiro de observação
  1. 1
    BasePediculada (pedículo estreito) ou séssil (base larga).
  2. 2
    SuperfícieProjeções digitiformes, "couve-flor"; cor da pele ou levemente rosada; pode ter queratina.
  3. 3
    VasosPontos ou alças vasculares centrais em cada projeção.
  4. 4
    MargemCílios preservados, sem ulceração. Madarose e ulceração = alarme.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Lesão exofítica benigna, cor da pele, pediculada ou séssil.
  2. Projeções digitiformes com eixo fibrovascular (pontos vermelhos).
  3. Inclui papiloma escamoso, acrocórdon e verruga viral (HPV).
  4. Excisão na base com histologia; atipia exige biópsia.

O que é papiloma palpebral

"Papiloma" é um termo morfológico: descreve uma lesão que cresce para fora, com projeções papilares. Na pálpebra, o mais comum é o papiloma escamoso (pólipo fibroepitelial), seguido pela verruga viral e pela ceratose seborreica, que também pode ter aspecto papilomatoso.

São lesões de adultos e idosos, indolores, de crescimento lento. Incomodam pela estética, pelo atrito com os cílios ou, quando grandes na margem, pela irritação ocular.

Quando suspeitar de malignidade

Crescimento rápido, ulceração, sangramento, base endurecida, perda de cílios ou destruição da margem sugerem carcinoma espinocelular, ceratoacantoma ou carcinoma basocelular. Essas lesões precisam de biópsia, não de remoção "cosmética" sem histologia.

Papiloma, ceratose seborreica ou verruga?

As três são benignas e frequentes. A ceratose seborreica tem aspecto "colado" e cor acastanhada; a verruga é áspera e pode ser múltipla e contagiosa; o papiloma escamoso tem projeções com vasos centrais.

Papiloma escamoso

  • Cor da pele
  • Pediculado ou séssil
  • Pontos vasculares centrais

Ceratose seborreica

  • Castanha, aspecto "colado"
  • Superfície gordurosa, pseudocistos córneos
  • Idosos, também no tronco e face

Verruga viral

  • Áspera, queratósica
  • Pode ser múltipla, autoinoculável
  • Na margem: conjuntivite folicular

Galeria

Observe base, superfície, cor, vasos e a integridade da margem palpebral.

Papiloma pediculado da margem

Lesão da cor da pele, lobulada, presa à margem por pedículo estreito. Cílios ao redor preservados. A excisão na base costuma ser simples.

PediculadoMargemBenigno

Papiloma séssil em "couve-flor"

Base larga e superfície com múltiplas projeções; na magnificação, pontos vermelhos centrais em cada lóbulo (eixo fibrovascular).

SéssilProjeções digitiformes

Verruga viral na margem

Lesão queratósica e áspera na margem palpebral. Examine a conjuntiva: folículos e hiperemia sugerem conjuntivite por liberação de partículas virais.

HPVMargemConjuntivite folicular

Diferencial: carcinoma espinocelular

Lesão queratótica de crescimento rápido, base endurecida, ulceração e perda de cílios. Não é papiloma: biópsia.

DiferencialMalignoBiópsia

O exame na lâmpada de fenda e, quando disponível, a dermatoscopia mostram a arquitetura da lesão. A confirmação é histológica, após a excisão.

Exame, passo a passo

  1. História

    Tempo de evolução, velocidade de crescimento, sangramento, lesões semelhantes em outros locais, imunossupressão.

  2. Inspeção e palpação

    Base (pediculada/séssil), consistência (mole × endurecida), cor, queratina.

  3. Magnificação

    Pontos/alças vasculares centrais, projeções digitiformes; ausência de telangiectasias arboriformes.

  4. Margem e conjuntiva

    Cílios, linha cinzenta, orifícios meibomianos; folículos conjuntivais (verruga).

  5. Linfonodos

    Pré-auriculares e submandibulares se houver suspeita de malignidade.

Como registrar

Modelo de registro

Lesão exofítica pediculada de 3 x 2 mm na margem palpebral inferior direita (terço médio), cor da pele, superfície lobulada com pontos vasculares centrais. Cílios e margem preservados, sem ulceração. Conjuntiva sem folículos. Hipótese: papiloma escamoso. Programada excisão na base com envio para anatomopatológico.

Fotografe antes da remoção; registre medida e localização exata.

Tipos e causas

O papiloma escamoso costuma ser uma hiperplasia epitelial sem causa definida. O HPV é causa estabelecida das verrugas virais; o papel dele no papiloma escamoso palpebral não viral é incerto.

Papiloma escamoso

Pólipo fibroepitelial; lesão benigna mais comum da pálpebra; idosos.

Acrocórdon

Pólipo mole pediculado; associado a obesidade, resistência insulínica e atrito.

Verruga vulgar / filiforme

HPV; filiforme é comum na face; autoinoculação; mais extensa em imunossuprimidos.

Ceratose seborreica

Proliferação epidérmica benigna; aparência papilomatosa ou "colada", castanha.

Diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Papiloma escamoso
Achado-chaveProjeções com eixo vascular
Como diferenciarCor da pele, pediculado ou séssil, sem ulceração.
Ceratose seborreica
Achado-chavePlaca castanha "colada"
Como diferenciarPseudocistos córneos na dermatoscopia; idosos.
Achado-chavePápula perolada umbilicada
Como diferenciarUmbilicação central; crianças; conjuntivite folicular.
Ceratoacantoma
Achado-chaveNódulo em cratera com rolha córnea
Como diferenciarCrescimento muito rápido em semanas; tratar como CEC (excisão).
Carcinoma espinocelular
Achado-chaveLesão queratótica ulcerada, endurecida
Como diferenciarMadarose, crescimento; risco de invasão perineural; biópsia.
Carcinoma basocelular
Achado-chaveNódulo perolado, telangiectasias
Como diferenciarPálpebra inferior e canto medial; ulceração central; biópsia.

Papiloma típico pode ser observado. Quando retirado, sempre com histologia — a confirmação de benignidade faz parte da conduta.

Opções

CenárioConduta
Pequeno, típico, assintomáticoObservação e foto para comparar.
Pediculado, incômodoExcisão rente à base (tesoura/shave) com cauterização; enviar para anatomopatológico.
Séssil na margemExcisão cuidadosa preservando a margem; em lesões maiores, excisão em cunha (oculoplástica).
Verruga viralExcisão, crioterapia ou eletrocauterização; tratar lesões satélites; recidiva é comum.
Sinais de malignidadeBiópsia incisional ou excisional antes de qualquer tratamento destrutivo.

Toda lesão palpebral retirada deve ir para anatomopatológico: tumores malignos podem imitar papiloma.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 7: Oculofacial Plastic and Orbital Surgery. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  3. 3
    Livro-texto2023
    Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier; 2023.
  4. 4
    Artigo2016
    Pe’er J. Pathology of eyelid tumors. Indian J Ophthalmol. 2016;64(3):177–190.
  5. 5
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Benign Eyelid Lesions. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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