Reconheça o achado
A pupila de Adie é grande porque o esfíncter da íris perdeu parte da inervação parassimpática. Quando os nervos se regeneram, muitas fibras que eram do músculo ciliar (acomodação) passam a chegar ao esfíncter — por isso a pupila contrai melhor para perto do que para a luz.
Figura 1. Anisocoria com a pupila maior no olho acometido. À lâmpada de fenda, o esfíncter contrai só em alguns setores (movimentos "vermiformes"), enquanto outros setores ficam paralisados.
- 1Qual pupila é a anormalSe a anisocoria aumenta na luz, a pupila grande é a que não contrai.
- 2Pálpebra e motilidadeSem ptose e sem desvio ocular: isso afasta a paralisia do III nervo.
- 3Contorno da pupilaPode ser levemente irregular ou ovalada, por paralisia setorial do esfíncter.
- 4Resposta para pertoContração lenta e ampla ao fixar perto, e redilatação demorada ao olhar longe.
Figura 2. Via parassimpática da pupila: núcleo de Edinger-Westphal → III nervo → gânglio ciliar → nervos ciliares curtos. Na pupila de Adie a lesão é pós-ganglionar, no gânglio ciliar.
Lesão
Gânglio ciliar ou nervos ciliares curtos (pós-ganglionar). Cerca de 97% das fibras do gânglio vão para o músculo ciliar e só ~3% para o esfíncter.
Regeneração aberrante
Fibras da acomodação reinervam o esfíncter: a pupila passa a contrair junto com o esforço de perto.
Hipersensibilidade
O esfíncter desnervado fica hipersensível à acetilcolina: contrai com pilocarpina diluída (0,1%), que não afeta a pupila normal.
