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Atlas de Oftalmologia • Córnea

Estrias de Vogt

Vogt striae • linhas de estresse do ceratocone

Linhas finas, paralelas e geralmente verticais no estroma posterior, dentro da área do cone. São linhas de tensão do tecido esticado e desaparecem com uma leve pressão no globo, voltando quando ela cessa. São um sinal clássico de ceratocone na lâmpada de fenda.

Tipo
Sinal biomicroscópico
Estrutura
Estroma posterior / Descemet
Mecanismo
Tensão das lamelas no cone
Pista no exame
Somem com pressão digital
7–9 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Compare a fotografia com o esquema. As estrias ficam no fundo da córnea, no ápice afinado do cone, e correm paralelas ao eixo mais curvo — quase sempre verticais.

Imagem clínica

Figura 1. Estrias de Vogt: linhas finas, verticais e paralelas no estroma posterior, na área central-inferior do cone.

Roteiro de observação
  1. 1
    OndeEstroma posterior, perto da Descemet, na área do cone (em geral central-inferior).
  2. 2
    FormaFinas, paralelas, retas, quase sempre verticais.
  3. 3
    IluminaçãoFeixe fino ou retroiluminação a partir da íris.
  4. 4
    TestePressão leve no globo pela pálpebra: as estrias somem e voltam.

O que são estrias de Vogt

Estrias de Vogt são linhas de tensão no estroma posterior e na Descemet de uma córnea ectásica. Quando a córnea afina e se projeta em cone, as lamelas posteriores são esticadas; a luz que atravessa essas lamelas tensionadas desenha linhas finas e paralelas.

O teste clássico é aplicar uma pressão suave no globo através da pálpebra enquanto se observa na lâmpada de fenda: a pressão reduz a tensão e as estrias desaparecem, voltando assim que a pressão é retirada. Isso as diferencia de dobras e rupturas permanentes.

Sinal, não estadiamento

Estrias de Vogt aparecem em ceratocone moderado a avançado. Formas iniciais podem não ter nenhum sinal biomicroscópico — por isso o diagnóstico e o acompanhamento se baseiam na tomografia corneana.

Estrias de Vogt ou outras linhas na córnea?

Várias alterações produzem linhas na córnea. Profundidade, orientação e resposta à pressão separam umas das outras.

AchadoO que éDiferença para as estrias de Vogt
Estrias de Haab
O que éRupturas da Descemet no glaucoma congênito
Diferença para as estrias de VogtHorizontais ou curvas, de bordas duplas, permanentes; córnea grande na criança.
Dobras de Descemet (ceratopatia estriada)
O que éDobras por edema ou hipotonia
Diferença para as estrias de VogtPós-operatório, edema ou PIO baixa; não somem com pressão.
O que éLinhas ramificadas refringentes
Diferença para as estrias de VogtRamificadas, no estroma médio/anterior; amiloide; sem cone.
Hidropsia aguda
O que éRuptura aguda da Descemet no cone
Diferença para as estrias de VogtEdema branco súbito; é complicação do mesmo ceratocone.

Quatro aspectos das estrias de Vogt

As estrias são finas e fáceis de perder. Use as legendas como roteiro de iluminação e de teste.

Estrias verticais no cone

Linhas finas, retas e paralelas no estroma posterior da área central-inferior. Repare que todas têm a mesma orientação, alinhada ao eixo mais curvo do cone.

Feixe finoVerticaisEstroma posterior

Retroiluminação

Com a luz refletida na íris, as estrias aparecem como linhas escuras sobre fundo claro. É a forma mais fácil de documentá-las.

RetroiluminaçãoDocumentação

Antes e durante a pressão digital

Dois momentos do mesmo olho: com as estrias visíveis e, durante leve pressão no globo pela pálpebra, com elas desaparecidas. Esse comportamento confirma que são linhas de tensão.

Teste de pressãoSinal dinâmico

Estrias + anel de Fleischer

No mesmo cone, as estrias no centro e um arco acastanhado de ferro na base do cone, realçado pela luz azul-cobalto. Dois sinais clássicos juntos reforçam o diagnóstico.

Anel de FleischerAzul-cobalto

Procure as estrias com magnificação alta, feixe fino e retroiluminação na área do cone. Depois, faça o teste da pressão.

Exame passo a passo

  1. Localizar o cone

    Afinamento e protrusão, em geral central-inferior; reflexo em "gota de óleo" à retinoscopia.

  2. Feixe fino

    Focar o estroma posterior no ápice: linhas finas paralelas.

  3. Retroiluminação

    Luz refletida na íris ou no fundo para realçar as linhas.

  4. Teste da pressão

    Pressão suave no globo através da pálpebra inferior: as estrias somem; ao soltar, voltam.

  5. Outros sinais

    Anel de Fleischer (azul-cobalto), nervos corneanos proeminentes, cicatriz apical, sinal de Munson.

  6. Tomografia

    Confirmar e estadiar o ceratocone; base para decidir crosslinking.

Como registrar

Modelo de registro

Biomicroscopia OD: afinamento estromal central-inferior com estrias de Vogt verticais no estroma posterior, que desaparecem à compressão digital; anel de Fleischer parcial inferior à luz azul-cobalto. Sem cicatriz apical. OE: sem estrias. Solicitada tomografia de córnea.

Registre se as estrias somem com a pressão: diferencia de dobras e rupturas permanentes.

Onde aparecem

O substrato é sempre uma córnea afinada e esticada. O ceratocone é de longe a causa principal.

Ceratocone

Principal causa; mais frequentes nos estágios moderados e avançados.

Ectasia pós-cirurgia refrativa

Após LASIK ou PRK em córnea predisposta.

Outras ectasias

Degeneração marginal pelúcida e ceratoglobo, com menor frequência.

Fatores de progressão

Coçar os olhos, atopia, idade jovem; risco de hidropsia aguda.

As estrias não são tratadas: elas indicam ectasia. A conduta é confirmar e estadiar o ceratocone e impedir a progressão.

Para onde o achado leva

SituaçãoConduta
Estrias sem diagnóstico prévioTomografia corneana dos dois olhos; refração e acuidade corrigida.
Ceratocone com progressão documentadaCrosslinking de colágeno corneano.
Visão ruim com óculosLente de contato rígida ou escleral; anel intraestromal em casos selecionados.
Doença avançada com cicatrizCeratoplastia lamelar anterior profunda ou penetrante.
Coçar os olhos / alergiaOrientar a parar de coçar e tratar a alergia ocular.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  3. 3
    Diretriz2015
    Gomes JAP, Tan D, Rapuano CJ, et al. Global consensus on keratoconus and ectatic diseases. Cornea. 2015;34(4):359–369.
  4. 4
    Artigo2022
    Santodomingo-Rubido J, Carracedo G, Suzaki A, et al. Keratoconus: an updated review. Cont Lens Anterior Eye. 2022;45(3):101559.
  5. 5
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Keratoconus. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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