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Atlas de Histologia • Tecido Nervoso

Gânglio espinal

Gânglio sensitivo da raiz dorsal • dorsal root ganglion (DRG)

Dilatação da raiz dorsal do nervo espinal que abriga os corpos celulares dos neurônios sensitivos pseudounipolares. Na lâmina: pericários grandes e redondos, cada um envolto por um anel completo de células satélites, separados por feixes de fibras nervosas.

Tipo
Gânglio sensitivo do SNP
Onde está
Raiz dorsal, no forame intervertebral
Pista na lâmina (HE)
Pericários grandes + anel de satélites
Função
Corpo do 1º neurônio sensitivo
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

O gânglio espinal é uma das lâminas mais fáceis do sistema nervoso: neurônios enormes e redondos, cada um com uma "coroa" de núcleos pequenos ao redor. O esquema mostra de onde vêm e para onde vão os prolongamentos.

Lâmina histológica

Figura 1. Gânglio espinal, HE, 400x. Pericários grandes e arredondados com núcleo central, nucléolo evidente e citoplasma com Nissl fino; cada um envolto por um anel contínuo de núcleos pequenos de células satélites. Entre os grupos de neurônios, fibras nervosas mielínicas.

Roteiro de observação
  1. 1
    CápsulaConjuntivo denso na periferia, contínuo com o epineuro do nervo espinal.
  2. 2
    PericáriosGrandes, redondos, núcleo central claro com nucléolo "em olho de coruja". Tamanhos variados.
  3. 3
    Células satélitesNúcleos pequenos, redondos ou ovais, formando anel completo em volta de cada pericário.
  4. 4
    FibrasFeixes de fibras mielínicas entre os grupos de neurônios, com núcleos de células de Schwann.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. É um gânglio sensitivo situado na raiz dorsal de cada nervo espinal, geralmente no forame intervertebral.
  2. Contém os corpos celulares dos neurônios pseudounipolares (primeiro neurônio das vias sensitivas).
  3. Cada pericário é envolto por um anel completo de células satélites; não há sinapses dentro do gânglio.
  4. Os neurônios ficam agrupados sobretudo na periferia, e as fibras atravessam o centro do gânglio.

O que é o gânglio espinal

Gânglio é um acúmulo de corpos celulares de neurônios fora do SNC. O gânglio espinal fica na raiz dorsal de cada nervo espinal e reúne os pericários dos neurônios que levam tato, dor, temperatura e propriocepção do corpo para a medula.

Os gânglios sensitivos dos nervos cranianos (por exemplo, o gânglio trigeminal) têm a mesma estrutura. Já os gânglios autônomos (simpáticos e parassimpáticos) são diferentes: neurônios multipolares, menores, com sinapses — um diferencial clássico de prova.

Componentes do gânglio

Pense no gânglio em camadas, de fora para dentro. Cada componente tem um aspecto típico no HE.

Cápsula conjuntiva

Conjuntivo denso contínuo com o epineuro do nervo espinal; septos delicados penetram entre os grupos de neurônios.

Pericários

Grandes e de tamanhos variados (os maiores ligados à propriocepção e ao tato; os menores, à dor e temperatura).

Células satélites

Glia do SNP, cuboides e achatadas, com lâmina basal externa; regulam o microambiente do neurônio.

Fibras nervosas

Axônios mielínicos e amielínicos com células de Schwann; ocupam o centro do gânglio.

O gânglio espinal em quatro imagens

Roteiro: primeiro a arquitetura (cápsula, grupos de neurônios, fibras), depois o detalhe de um pericário com seu anel de satélites.

Panorâmica: neurônios na periferia

HE, 40x. Estrutura ovoide envolta por cápsula conjuntiva. Os pericários (pontos rosados maiores) se agrupam sobretudo na periferia, e o centro é ocupado por feixes de fibras nervosas que seguem para a raiz dorsal e para o nervo espinal.

HE40xArquitetura

Pericário e anel de satélites

HE, 400x. Neurônio grande e redondo, núcleo central eucromático com nucléolo proeminente, citoplasma com grânulos de Nissl finos e dispersos. Em volta, núcleos pequenos e regulares das células satélites formando um anel completo. Retração artefatual pode criar um halo claro entre o neurônio e as satélites.

HE400xCélulas satélites

Lipofuscina no idoso

HE, 400x. Pericários com acúmulo de pigmento castanho-amarelado granular num polo do citoplasma: lipofuscina, resíduo de lisossomos que aumenta com a idade. Não é patológico e ajuda a lembrar que o neurônio não se divide.

HELipofuscinaEnvelhecimento

Impregnação argêntica

Impregnação pela prata, 400x. Pericários e prolongamentos ficam castanho-escuros a negros, e é possível ver o prolongamento único saindo do corpo celular, às vezes enovelado perto dele (glomérulo inicial), antes de se bifurcar em T.

PrataPseudounipolarProlongamento

Duas perguntas resolvem a lâmina: os neurônios são grandes e redondos com núcleo central? O anel de células satélites é completo? Se sim, é gânglio sensitivo (espinal ou de nervo craniano).

Aumento a aumento

  1. 40x — a forma do órgão

    Estrutura oval, encapsulada, muitas vezes cortada junto com a raiz dorsal ou o nervo espinal. Grupos de células grandes na periferia; fibras no centro.

  2. 100x — grupos e feixes

    Neurônios em ilhas separadas por feixes de fibras que correm em várias direções. Septos conjuntivos finos.

  3. 400x — o pericário

    Citoplasma amplo e eosinófilo com Nissl fino; núcleo central, redondo e claro; nucléolo grande. Tamanhos muito variados no mesmo campo.

  4. 400x — as satélites

    Núcleos pequenos, redondos e escuros encostados no pericário, contornando-o por inteiro. Por fora delas, fibroblastos e capilares.

  5. Pigmento e artefatos

    Lipofuscina castanha em idosos; halo claro de retração em volta dos neurônios é artefato de fixação, não estrutura.

Pegadinhas

Neurônios menores, com núcleo excêntrico e anel de satélites incompleto, espalhados entre as fibras = gânglio autônomo. Células grandes com núcleo central mas sem anel de satélites, dentro de substância cinzenta com neurópilo = corno anterior da medula.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE de órgão ovoide envolto por cápsula de tecido conjuntivo denso. No parênquima observam-se grupos de corpos celulares neuronais grandes, arredondados, de tamanhos variados, com núcleo central eucromático, nucléolo evidente e citoplasma eosinófilo com corpúsculos de Nissl finos, cada um circundado por um anel completo de células satélites de núcleos pequenos e arredondados. Entre os grupos de neurônios há feixes de fibras nervosas mielínicas. Diagnóstico: gânglio espinal (gânglio sensitivo da raiz dorsal).

Cite lipofuscina se houver e diga que não há sinapses no gânglio.

O que pode parecer gânglio espinal

A confusão mais comum é com o gânglio autônomo. Olhe o tamanho e a forma dos neurônios, a posição do núcleo e se o anel de satélites é completo.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Gânglio autônomo
Achado-chaveNeurônios multipolares menores, núcleo excêntrico
Como diferenciarSatélites em número menor, anel incompleto; neurônios dispersos entre as fibras; há sinapses.
Achado-chaveMotoneurônios multipolares com Nissl grosseiro
Como diferenciarDentro de substância cinzenta com neurópilo e glia do SNC; sem anel de satélites; canal central.
Achado-chaveSó fibras e núcleos alongados
Como diferenciarNão há pericários; epineuro, perineuro e endoneuro em volta dos fascículos.
Achado-chaveNinhos de células claras com células sustentaculares
Como diferenciarCélulas menores, em ninhos ("zellballen") muito vascularizados; não são neurônios com nucléolo grande.

Gânglio sensitivo × gânglio autônomo

CaracterísticaGânglio espinal (sensitivo)Gânglio autônomo
Tipo de neurônioPseudounipolarMultipolar
Tamanho do pericárioGrande, muito variávelMenor, mais uniforme
NúcleoCentralFrequentemente excêntrico; às vezes binucleado
Células satélitesAnel completo e numerosoPoucas, anel incompleto
SinapsesAusentesPresentes (pré → pós-ganglionar)
DistribuiçãoNeurônios na periferia, fibras no centroNeurônios espalhados entre as fibras

Como reúne os corpos celulares de toda a sensibilidade de um dermátomo, o gânglio espinal é alvo de vírus latentes, doenças autoimunes e toxinas que produzem quadros sensitivos puros.

Herpes-zóster: o vírus que mora no gânglio

Após a varicela, o vírus varicela-zóster fica latente nos neurônios dos gânglios sensitivos. Na reativação, desce pelo ramo periférico e causa erupção vesicular dolorosa restrita a um dermátomo — o desenho do gânglio acometido na pele.

1 dermátomoDistribuição típica do zóster, unilateral
DorNeuralgia pós-herpética: dor que persiste após a cura da pele
0 sinapsesDentro do gânglio espinal

Lesão do gânglio espinal = perda ou dor sensitiva sem fraqueza: o corpo do neurônio motor está no corno anterior da medula, não aqui.

Outras doenças do gânglio sensitivo

CondiçãoO que aconteceConsequência
Ganglionopatia sensitiva (neuronopatia)
O que aconteceInflamação e perda de neurônios do gânglio (autoimune, paraneoplásica, tóxica)
ConsequênciaAtaxia sensitiva assimétrica; na lâmina, "nódulos de Nageotte" (proliferação de satélites onde havia neurônio).
O que aconteceCausa autoimune clássica de ganglionopatia
ConsequênciaInfiltrado linfocitário no gânglio, além das glândulas salivares e lacrimais.
O que aconteceAtaque imune às raízes e nervos
ConsequênciaAcomete raízes e nervos (desmielinização), não o pericário; fraqueza predominante.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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